A Embraer, os vira-latas e o chicote do inglês, por André Araújo

24 dez

 

 

O Império Britânico governou uma quarta parte das terras deste planeta. O Império não precisava de muita tropa para manter os controles sobre tão vastos territórios.

Na maior das colônias o “Raj”, que incluía o que é hoje a Índia, o Paquistão e Bangladesh, menos de 10 mil ingleses bastavam. Qual o segredo?

​Os ingleses eram inteligentes e terceirizavam os capatazes de suas terras, os próprios indianos serviam ao Império Britânico como soldados, selecionavam tribos guerreiras como os Sikhss e os Gurkas  que em nome do Soberano em Londres usavam o chicote sobre os outros indianos.

No Brasil de hoje há tropas disponíveis para servir de guarda ao interesse dos herdeiros dos ingleses e seus sucessores imperiais, os americanos que encantam os brasileiros.

A proposta de compra da EMBRAER pela Boeing trouxe a luz do dia essa tropa vira lata que serve aos interesses estrangeiros no Brasil com o maior prazer. Na GLOBONEWS Sardenberg e Teco, codinome de Luís Gustavo Medina, comentaristas econômicos da linha “tudo pelo mercado”, habituais porta vozes do pensamento neoliberal que vem da Casa das Garças,  soltaram rojões de alegria com a hipótese da BOEING comprar a EMBRAER. Disseram que o Brasil deveria  se sentir lisonjeado pela BOEING voltar seus olhos para o Brasil, “ é uma prova de confiança no Pais”, disseram sôfregos de alegria, “olha como gostam de nós”.

Disseram que agora a EMBRAER vai poder vender muito mais aviões para o exterior pelas mãos da BOEING. Demonstraram ai o ápice do desconhecimento. Muitos países compram aviões da EMBRAER exatamente porque ela é brasileira e NÃO comprariam se ela fosse americana.  Os aviões Tucanos de treinamento militar são comprados por países que não comprariam  esse tipo de equipamento se o fornecedor for americano. Os fabricantes americanos NÃO transferem tecnologia, não abrem os códigos fonte da eletrônica embarcada, não fornecem todos os desenhos, eles querem deixar o comprador AMARRADO aos controles tecnológicos e dependentes eternamente do fornecedor, é tradicional politica dos EUA.

Sardenberg e Teco não tem a menor ideia do que significa uma grande multinacional comprar uma empresa de pais emergente. Tive essa experiência em 1974, quando uma empresa de bens de capital da família foi vendida a um dos maiores conglomerados americanos da área, uma empresa cem vezes maior do que a nossa quando foi comprada.

Em seis meses a empresa estava COMPLETAMENTE mudada, da cabeça aos pés, mudaram os processos de controle, de orçamento, de relações trabalhistas, quem quisesse ficar precisava assumir a CULTURA da empresa matriz, completamente diferente da empresa nacional.

É isso o que significa uma compra da EMBRAER pela BOEING, aqui vai ser uma divisão da empresa mãe, pode até desaparecer, como a nossa vendida em 1974 desapareceu em 1985.

A BOEING comprou nos últimos anos SETE grandes empresas aeronáuticas: De Havilland Australia, Hugues Aircraft, McDonnel Douglas, North American Aviation, Piasecki Helicopter, RocketDyne e Stearman Aircraft. Todas desapareceram, foram absorvidas pela Boeing, não existem mais como empresas, é o sistema BOEING de fusões e aquisições.

Há pouco tempo a EMBRAER foi acusada de corrupção na Republica Dominicana e foi processada pelo Departamento de Justiça, a EMBRAER acabou fechando acordo por US$180 milhões de multa paga por esse processo, que nada tinha a ver com os EUA, mas lá eles acham que tem jurisdição sobre o mundo, esse processo começou no Brasil e foi parar nos EUA.

Por conta desse acordo a EMBRAER teve que aceitar ser monitorada por dois fiscais do governo americano, os fiscais ficam dentro de seus escritórios no Brasil.

A postura de Sardenberg,Teco e outros do mesmo naipe é de COMPLEXO DE INFERIORIDADE.

Somos tão ruins que é melhor um estrangeiro nos comprar, aliás é uma HONRA o estrangeiro se interessar por nós, como deixaram claro Sardenberg e Teco, felizes pelo aceno da Boeing.

Foi o orgulho nacional profundo que fez a Alemanha, a Inglaterra, a França, a Rússia serem potencias industriais. Orgulho de seus produtos que representam o nível civilizatório do País. A Embraer é uma criação nossa, tecnologia nossa, é uma derivação da FORÇA AEREA BRASILEIRA. Vende-la não é apenas um negocio financeiro, como acham Sardenberg e Teco, é  abrir mão de um sucesso bem brasileiro, saído de cérebros brasileiros.

Mas lamentavelmente muitos brasileiros são assim, ACHAM o Brasil um lixo. Em alguns points dos Jardins em São Paulo (posso listar) vê-se pais brasileiríssimos falando em inglês com seus filhos pequenos, acham isso lindo, querem ser estrangeiros em seu próprio Pais, que desprezam, acham que tudo é lindo nos EUA, sem ver as mazelas desse País.

É fácil dominar um país vira lata, como já sabiam os ingleses.

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Lamentável…….Por Antonio Karlos

13 dez

 

lula

Lamentável….

A ap-470 foi o laboratório para testar que a esquerda é desunida e está desmobilizada e sem lideranças nacionais.

O GOLPE foi a sequencia pois eles confirmaram tudo isso.

Centrais e sindicatos incapazes de promover uma greve geral decente nem quando atacam os direitos trabalhistas.

Entidades civis assistem mansamente o estupro da Democracia e do Estado de Direito.

O povão analfabeto funcional e político não oferece resistência alguma ao desmonte da Previdência – que vai passar no congresso, com certeza.

O maior Presidente que o Brasil já teve vem sendo perseguido há anos e nem o PT nem as Centrais e nem Entidades fazem nada de concreto a respeito.

O bando no poder nada de braçada.

Vão prender o Lula, vai ter meia dúzia de manifestações e o GOLPE vai seguir adiante…

Pobre país que tem uma sociedade apodrecida em seus valores.

 

Por Antonio Karlos

fora-temer

Brasil encaminha-se para virar Honduras.Por Renato Rovai

6 dez

 

Resultado de imagem para golpe de estado em Honduras

Para entender melhor o que está acontecendo na América Latina é interessante olhar para Honduras. Foi lá que aconteceu o primeiro golpe deste século no Continente.

No dia 28 de junho de 2009, Manuel Zelaya foi destituído do governo numa operação envolvendo quatro setores: mídia, milicos, judiciário e Congresso.

O golpe foi um vexame. Zelaya foi sequestrado de sua casa na madrugada do dia 28, de pijamas, por milicos. E no dia 29, o Congresso aceitou sua renuncia, que teria sido escrita, segundo a narrativa golpista, no dia 25. O que evidentemente não ocorreu.

A Assembléia Geral da ONU aprovou por unanimidade uma resolução condenando o golpe, mas ele seguiu impávido e garboso até agora. Até porque, na real, os EUA era quem o patrocinava.

No dia 26 de novembro, Honduras teve eleição presidencial e Zelaya não pode sair candidato, porque está judicialmente impedido. Mas apoiou Salvador Nasralla, que ganhou no voto, mas não levou.

A apuração foi se arrastando até que se desse um jeito de que o presidente golpista, Juan Orlando Hérnandez, virasse o jogo.

Ontem este mesmo presidente, que foi derrotado nas urnas, decretou estado de exceção no país e líderes da oposição estão sendo presos.

Se Lula não puder ser candidato a presidente da República, o Brasil seguirá novamente o caminho de Honduras. Com já aconteceu no golpe contra Dilma. A única diferença de lá pra cá foi que ela não foi retirada do palácio de madrugada e de pijamas. Mas isso não foi necessário, porque o PT não resistiu e entregou o país de bandeja para Temer.

Nas próximas pesquisas Lula vai aumentar ainda mais sua distância para os adversários e em abril estará em condições de liquidar a fatura no primeiro turno. E será em abril do ano que vem que o bicho vai pegar. Ou a elite mais responsável engole o sapo barbudo ou em janeiro de 2019 estaremos vivendo um estado de exceção para que os golpistas continuem a governar.

E aí será construída a opção do semi presidencialismo, porque o Congresso não vai deixar a caneta na mão de uma pessoa só.

Se você acha que hoje as coisas estão ruins, prepare-se para algo muito pior. Ou siga o ditado, se quer paz, pinte-se para a guerra. Porque o jogo tá muito mais bruto do que parece. E Honduras é só um recado.

A camarada Kátia Abreu. Por Ângelo Cavalcanti 

25 nov

Quero ver quem explica a política brasileira! Katia Abreu, ruralista de longa data; senadora pelo muito periférico Tocantins; conhecida por sua atuação firme e destacada junto ao grande agronegócio é (imaginem isso!), depois de Lula da Silva, uma das maiores pedras no sapato de Michel Temer.
Não é para menos! Abreu é oposição declarada, do começo ao fim ao governo turbo-golpista do “vampirão”. Se opôs abertamente ao impedimento ilegal de Dilma Roussef. Seu depoimento foi um dos mais incisivos e destacados em prol da ordem democrática e do respeito às leis.
Após seis anos à frente da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária (CNA) rompe com sua entidade “mater” por defender abertamente as políticas para a agricultura do país, sobretudo, quando era ministra na gestão de Roussef. A oposição foi imediata; todas as federações da agricultura patronal do país, na exceção da federação do Tocantins, passaram a lhe fazer oposição. Nem por isso recuou um milimetro de seus posicionamentos.    
Katita votou contra todas as pautas de desmonte do país e perpetradas por Temer; repito: TODAS! Mais do que isso, militou contra as reformas/deformas de Temer; seus posicionamentos, quase sempre escancarados e denunciativos, estão aos montes no YouTube. 
Foi com Gleisi Hoffman, Fátima Bezerra, Vanessa Graziotin, Regina Sousa e Lídice da Mata em raro e lírico momento da política senatorial, no pescoço de Eunício de Oliveira e de toda a gerontocrática mesa diretora do senado quando tentavam empurrar a mais destrambelhada reforma trabalhista já apetecida no hemisfério sul.
Partiu para cima! A múmia sarneyzista, João Alberto (PMDB/MA), de dedo em riste a ameaçou de processo por “falta de decoro”. Dá para acreditar nisso!?! Katia Abreu, de saltinho médio, terninho bem ajustado, de franja e tudo só responde: Vem!!!
Trabalhos obstruídos por mais de doze horas; mil negociações e recuos da direitona para que as coisas seguissem! Por um ano e meio denuncia a grande camorra que se tornou o PMDB; rompeu com o também ruralista Ronaldo Caiado (DEM); negou reconciliação com o PMDB; sequer respondeu aos convites de Temer; emparedou o vil Romero Jucá e; bem ao seu estilo, classificou de público, Gedel Vieira, “o suíno”, como ladrão compulsivo e repulsivo.
Sequer é convidada para reuniões de consulta ou deliberação do seu partido e; abertamente, vem denunciando a “terra arrasada” da economia brasileira, bem como a periclitante situação do povo brasileiro desde a ruptura de 2016. 
E agora… Agora Katia Abreu foi expulsa do PMDB… Me digam: para os dias que correm, pode haver algo mais glorioso do que ser expulso pelos criminosos do PMDB! Hoje até que foi um bom dia!
Ângelo Cavalcante – Economista, professor da Universidade Estadual de Goiás (UEG), campus Itumbiara.

Via Maria Fernanda Arruda 

Bancos Internacionais: A hidra que controla o mundo.

19 nov

Responsáveis pela crise mundial de 2008, 28 grandes bancos internacionais – chamados por alguns de seus críticos mais ferrenhos de a “hidra” – seguem dominando o sistema financeiro do planeta.
“Os Estados são reféns desta hidra bancária e são disciplinados por ela. A crise prova esse poder”, afirma François Morin, autor do livro A Hidra Mundial, o Oligopólio Bancário, professor emérito da Universidade de Toulouse e membro do conselho do Banco Central francês.
“Os grandes bancos detinham os produtos tóxicos responsáveis pela crise, mas, em vez de reestruturá-los, os Estados acabaram assumindo suas obrigações – e a dívida privada se transformou em dívida pública.”
A transferência, para os Estados, das dívidas privadas tóxicas destes 28 grandes bancos “sistêmicos”, durante a última crise financeira, explica as políticas de austeridade praticadas na Europa.
No Brasil, os bancos tem aumentado seus lucros mais do que nunca em tempos de crise, graças à essas práticas maliciosas. Bradesco e Itaú encontram-se entre esse 28 bancos, ou cabeças da “Hidra”.
Como os Estados tornaram-se reféns do oligopólio sistêmico que são os bancos?
Depois dos anos 1970, os Estados perderam toda a soberania monetária. Eles são responsáveis. A moeda agora é criada pelos bancos, na proporção de cerca de 90%, e pelos bancos centrais (em muitos países, independentes dos Estados) para os restantes 10%. Além disso, a gestão da moeda, através de seus dois preços fundamentais (as taxas de câmbio e taxas de juros) está inteiramente nas mãos do oligopólio bancário, que tem todas as condições para manipulá-los. Assim, os grandes bancos têm nas mãos as condições monetárias para o financiamento dos investimentos, mas sobretudo do para o financiamento dos déficits públicos. Os Estados não são apenas disciplinados pelos mercados, mas sobretudo reféns da hidra mundial.
As democracias no mundo esvaziam-se progressivamente, em razão da redução (ou da ausência) de margem de manobra para a ação pública. Além disso, o oligopólio bancário deseja instrumentalizar os poderes dos Estados, para evitar eventuais regulações financeiras, ou limitar o peso das multas às quais deve fazer face quando é pego com a boca na botija. Quer evitar especialmente processos de repercussão pública.
Em seu livro, o pesquisador se concentra em cinco mecanismos que, segundo ele, concedem aos bancos esta hegemonia financeira, econômica e política:
1. Ativos
Os 28 bancos detêm recursos superiores aos de dívidas públicas de 200 países do planeta. Enquanto estas entidades têm ativos (bens, dinheiro, clientes, empréstimos, entre outros) que somam US$ 50,3 trilhões (R$ 178 trilhões), a dívida pública mundial é de US$ 48,9 trilhões (R$ 173,7 trilhões).
“Foi com sua participação nos mercados especulativos que se chegou (à crise de) 2008.”
2. Criação de moeda
O sistema clássico de emissão monetária é formado por uma Casa da Moeda que imprime as notas necessárias a um Banco Central, que está posicionado no centro da cena financeira. Mas, hoje, 90% da moeda é criada por estes 28 bancos, e só 10% é de responsabilidade de bancos centrais.
Se antes a expansão do dinheiro era de certa forma protegida pelo nível de reserva monetária de um país, hoje em dia, este limite perdeu a relevância.
3. Mercado cambial
A movimentação no mercado cambial é uma das maiores do mundo: US$ 6 bilhões (R$ 21,3 bilhões) diários. Cinco dos 28 bancos controlam 51% deste mercado.
“O câmbio nos Estados Unidos e no Reino Unido não depende das variáveis econômicas de um país. Basta que operadores, vinculados aos bancos, decidam que o valor de uma moeda não se sustenta para que a ataquem especulativamente”, diz Ugarteche.
“Com compras ou vendas maciças, arrastam o resto dos atores do setor financeiro, provocando uma modificação no câmbio que não tem nada a ver com a saúde econômica de um país.”
4. Taxas de juros
Com seu potencial financeiro, estas 28 entidades têm um peso fundamental sobre as taxas de juros. Dado o nível altíssimo de circulação diária de ativos financeiros e de dívida, qualquer variação da taxa de juros faz girar automaticamente

Estados Unidos, Grã-Bretanha e Comissão Europeia deram início em 2012 a uma investigação que mostrou como este nível de concentração dos bancos leva a uma manipulação do mercado.

5. Derivativos

A metade dos 28 bancos produzem os chamados derivativos por US$ 710 trilhões, o equivalente a dez vezes o PIB mundial. Ugarteche ilustra o funcionamento deste mercado com um ativo financeiro bem modesto: uma vaca.

O que fazer para transformar a vaca em dinheiro? Em outras épocas, ela era vendida em troca de uma quantidade de dinheiro. Mas, hoje, outra opção é possível: uma transação futura.

Por exemplo: são vendidos o lucro em potencial que será obtido com o leite da vaca ou os bezerros que ela irá parir. É possível também vender o eventual leite que estes eventuais bezerros possam produzir, caso sejam fêmeas.

“A partir de uma vaca real, é criada uma economia fictícia construída mediante o uso de operações financeiras distintas. É um mundo de probabilidades. O bezerro é um futuro possível, nada além disso, assim como outros rendimentos obtidos a partir da vaca. O que acontece se a vaca ficar doente?”, questiona Ugarteche.

Caso isso ocorra, as operações efetuadas vão para um buraco negro. E foi assim que, em 2008, desapareceram mais de US$ 200 bilhões, o que arrastou em sua queda dispositivos de segurança que supostamente garantiam todo o fluxo de valores financeiros.

6.Especulação

A especulação pode causar graves efeitos na economia popular, inclusive inflação.

Historicamente, quando os ciclos tecnológicos/político-comportamentais amadurecem nos países de origem, o grande capital volta suas forças para os países que estavam à margem, procurando interferir no próprio processo político-cultural dos mesmos, em busca do melhor ambiente para sua expansão. Assim, costumam causar crises financeiras os países onde foi realizada a prospecção, para facilitar a entrada nesse novo mercado. E ainda ditam as novas regras para a recuperação econômica desses países. Regras estas que favoreçam o grande capital internacional.

O especulador não é um investidor. Seu objetivo não é garantir um retorno consistente ao capital aplicado em uma boa taxa de juros, mas sim lucrar tanto num aumento ou queda de preço de qualquer mercadoria que ele possa estar especulando.

O especulador lucra tanto na alta da economia quanto na baixa. E ainda mais na baixa, quando empresas se arruinam e a economia de um país quebra!

7.BIS – O “BANCO CENTRAL” dos bancos centrais

O ápice desse intrincado sistema é o Banco de Compensações Internacionais (BIS). O Banco central dos bancos centrais com sede na Suiça.” Uma organização internacional imensamente poderosa de que a maioria nem sequer ouviu falar, mas que secretamente controla a emissão de moeda em todo o mundo. Essa organização se chama BIS [Banco de Compensações Internacionais], e é o banco central dos bancos centrais.

Localizado em Basileia, na Suíça, mas tem filiais em Hong Kong e Cidade do México.

A cada dois meses, os banqueiros centrais se reúnem em Basileia para “Reunião de Cúpula da Economia Mundial ‘. Durante essas reuniões, decisões que afetam cada homem, mulher e criança no planeta são feitas, e nenhum de nós tem uma palavra a dizer no que é decidido por essa elite. O Banco de Compensações Internacionais é uma organização que foi fundada pela elite global, que opera em benefício dos mesmos, cujo principal objetivo é ser um dos pilares do sistema financeiro global unificado que vai ser IMPLANTADO.”

A principal ferramenta para escravizar nações inteiras e governos é a DÍVIDA. “Eles querem que sejamos todos e cada qual ser humano vivo no planeta, escravos de dívidas, querem ver todos os nossos governos e países escravos da dívida, e querem que todos os nossos políticos sejam viciados em contribuições financeiras gigantes que eles precisam canalizar para suas (seus bolsos,ops…) campanhas.

 Alguns dos 28 bancos que controlam as finanças no mundo:

 Bank of America, BNP-Paribas, Barclays, Citigroup, Crédit Suisse, Deutsche Bank, Goldman Sachs, HSBC, JP Morgan Chase, Royal Bank of Scotland, UBS, Bradesco, Itaú…

Bancos internacionais :. A Hidra que controla o mundo

19 nov

Responsáveis pela crise mundial de 2008, 28 grandes bancos internacionais – chamados por alguns de seus críticos mais ferrenhos de a “hidra” – seguem dominando o sistema financeiro do planeta.
“Os Estados são reféns desta hidra bancária e são disciplinados por ela. A crise prova esse poder”, afirma François Morin, autor do livro A Hidra Mundial, o Oligopólio Bancário, professor emérito da Universidade de Toulouse e membro do conselho do Banco Central francês.
“Os grandes bancos detinham os produtos tóxicos responsáveis pela crise, mas, em vez de reestruturá-los, os Estados acabaram assumindo suas obrigações – e a dívida privada se transformou em dívida pública.”
A transferência, para os Estados, das dívidas privadas tóxicas destes 28 grandes bancos “sistêmicos”, durante a última crise financeira, explica as políticas de austeridade praticadas na Europa.
No Brasil, os bancos tem aumentado seus lucros mais do que nunca em tempos de crise, graças à essas práticas maliciosas. Bradesco e Itaú encontram-se entre esse 28 bancos, ou cabeças da “Hidra”.
Como os Estados tornaram-se reféns do oligopólio sistêmico que são os bancos?
Depois dos anos 1970, os Estados perderam toda a soberania monetária. Eles são responsáveis. A moeda agora é criada pelos bancos, na proporção de cerca de 90%, e pelos bancos centrais (em muitos países, independentes dos Estados) para os restantes 10%. Além disso, a gestão da moeda, através de seus dois preços fundamentais (as taxas de câmbio e taxas de juros) está inteiramente nas mãos do oligopólio bancário, que tem todas as condições para manipulá-los. Assim, os grandes bancos têm nas mãos as condições monetárias para o financiamento dos investimentos, mas sobretudo do para o financiamento dos déficits públicos. Os Estados não são apenas disciplinados pelos mercados, mas sobretudo reféns da hidra mundial.
As democracias no mundo esvaziam-se progressivamente, em razão da redução (ou da ausência) de margem de manobra para a ação pública. Além disso, o oligopólio bancário deseja instrumentalizar os poderes dos Estados, para evitar eventuais regulações financeiras, ou limitar o peso das multas às quais deve fazer face quando é pego com a boca na botija. Quer evitar especialmente processos de repercussão pública.
Em seu livro, o pesquisador se concentra em cinco mecanismos que, segundo ele, concedem aos bancos esta hegemonia financeira, econômica e política:
1. Ativos
Os 28 bancos detêm recursos superiores aos de dívidas públicas de 200 países do planeta. Enquanto estas entidades têm ativos (bens, dinheiro, clientes, empréstimos, entre outros) que somam US$ 50,3 trilhões (R$ 178 trilhões), a dívida pública mundial é de US$ 48,9 trilhões (R$ 173,7 trilhões).
“Foi com sua participação nos mercados especulativos que se chegou (à crise de) 2008.”
2. Criação de moeda
O sistema clássico de emissão monetária é formado por uma Casa da Moeda que imprime as notas necessárias a um Banco Central, que está posicionado no centro da cena financeira. Mas, hoje, 90% da moeda é criada por estes 28 bancos, e só 10% é de responsabilidade de bancos centrais.
Se antes a expansão do dinheiro era de certa forma protegida pelo nível de reserva monetária de um país, hoje em dia, este limite perdeu a relevância.
3. Mercado cambial
A movimentação no mercado cambial é uma das maiores do mundo: US$ 6 bilhões (R$ 21,3 bilhões) diários. Cinco dos 28 bancos controlam 51% deste mercado.
“O câmbio nos Estados Unidos e no Reino Unido não depende das variáveis econômicas de um país. Basta que operadores, vinculados aos bancos, decidam que o valor de uma moeda não se sustenta para que a ataquem especulativamente”, diz Ugarteche.
“Com compras ou vendas maciças, arrastam o resto dos atores do setor financeiro, provocando uma modificação no câmbio que não tem nada a ver com a saúde econômica de um país.”
4. Taxas de juros
Com seu potencial financeiro, estas 28 entidades têm um peso fundamental sobre as taxas de juros. Dado o nível altíssimo de circulação diária de ativos financeiros e de dívida, qualquer variação da taxa de juros faz girar automaticamente

Estados Unidos, Grã-Bretanha e Comissão Europeia deram início em 2012 a uma investigação que mostrou como este nível de concentração dos bancos leva a uma manipulação do mercado.

5. Derivativos

A metade dos 28 bancos produzem os chamados derivativos por US$ 710 trilhões, o equivalente a dez vezes o PIB mundial. Ugarteche ilustra o funcionamento deste mercado com um ativo financeiro bem modesto: uma vaca.

O que fazer para transformar a vaca em dinheiro? Em outras épocas, ela era vendida em troca de uma quantidade de dinheiro. Mas, hoje, outra opção é possível: uma transação futura.

Por exemplo: são vendidos o lucro em potencial que será obtido com o leite da vaca ou os bezerros que ela irá parir. É possível também vender o eventual leite que estes eventuais bezerros possam produzir, caso sejam fêmeas.

“A partir de uma vaca real, é criada uma economia fictícia construída mediante o uso de operações financeiras distintas. É um mundo de probabilidades. O bezerro é um futuro possível, nada além disso, assim como outros rendimentos obtidos a partir da vaca. O que acontece se a vaca ficar doente?”, questiona Ugarteche.

Caso isso ocorra, as operações efetuadas vão para um buraco negro. E foi assim que, em 2008, desapareceram mais de US$ 200 bilhões, o que arrastou em sua queda dispositivos de segurança que supostamente garantiam todo o fluxo de valores financeiros.

Especulação

A especulação pode causar graves efeitos na economia popular, inclusive inflação.

Historicamente, quando os ciclos tecnológicos/político-comportamentais amadurecem nos países de origem, o grande capital volta suas forças para os países que estavam à margem, procurando interferir no próprio processo político-cultural dos mesmos, em busca do melhor ambiente para sua expansão. Assim, costumam causar crises financeiras os países onde foi realizada a prospecção, para facilitar a entrada nesse novo mercado. E ainda ditam as novas regras para a recuperação econômica desses países. Regras estas que favoreçam o grande capital internacional.

O especulador não é um investidor. Seu objetivo não é garantir um retorno consistente ao capital aplicado em uma boa taxa de juros, mas sim lucrar tanto num aumento ou queda de preço de qualquer mercadoria que ele possa estar especulando.

O especulador lucra tanto na alta da economia quanto na baixa. E ainda mais na baixa, quando empresas se arruinam e a economia de um país quebra!

BIS – O “BANCO CENTRAL” dos bancos centrais

O ápice desse intrincado sistema é o Banco de Compensações Internacionais (BIS). O Banco central dos bancos centrais com sede na Suiça.” Uma organização internacional imensamente poderosa de que a maioria nem sequer ouviu falar, mas que secretamente controla a emissão de moeda em todo o mundo. Essa organização se chama BIS [Banco de Compensações Internacionais], e é o banco central dos bancos centrais.

Localizado em Basileia, na Suíça, mas tem filiais em Hong Kong e Cidade do México.

A cada dois meses, os banqueiros centrais se reúnem em Basileia para “Reunião de Cúpula da Economia Mundial ‘. Durante essas reuniões, decisões que afetam cada homem, mulher e criança no planeta são feitas, e nenhum de nós tem uma palavra a dizer no que é decidido por essa elite. O Banco de Compensações Internacionais é uma organização que foi fundada pela elite global, que opera em benefício dos mesmos, cujo principal objetivo é ser um dos pilares do sistema financeiro global unificado que vai ser IMPLANTADO.”

A principal ferramenta para escravizar nações inteiras e governos é a DÍVIDA. “Eles querem que sejamos todos e cada qual ser humano vivo no planeta, escravos de dívidas, querem ver todos os nossos governos e países escravos da dívida, e querem que todos os nossos políticos sejam viciados em contribuições financeiras gigantes que eles precisam canalizar para suas (seus bolsos,ops…) campanhas.

 Alguns dos 28 bancos que controlam as finanças no mundo:

 Bank of America, BNP-Paribas, Barclays, Citigroup, Crédit Suisse, Deutsche Bank, Goldman Sachs, HSBC, JP Morgan Chase, Royal Bank of Scotland, UBS, Bradesco, Itaú…

Fonte:https://dissidente-antiliberal.blogspot.com.br/2016/09/bancos-internacionais-hidra-que.html

O SUS é uma conquista definitiva. E um processo em andamento.Por Draúzio Varela

19 nov

A criação do SUS (Sistema Único de Saúde) é a maior das revoluções deste meio século, disse à Folha, com ênfase: “O SUS é uma conquista definitiva. E um processo em andamento.”
No discurso, reproduzido aqui na íntegra, não minimiza os desafios que se antepõem: levar as novas tecnologias a toda a população “exigirá a reinvenção de um SUS que ainda nem conseguimos implantar com a abrangência necessária”.
Bruno Santos – 19.jun.2017/Folhapress
O médico e escritor Draúzio Varella em seu escritório no centro de São Paulo

*
Cinquenta anos atrás, no Theatro Municipal, fui o orador de nossa turma. Naquela ocasião, a escolha do professor Luiz Hildebrando como paraninfo foi considerada uma afronta pela direção da faculdade, que houve por bem não participar nem considerar oficial a cerimônia de formatura.
Eram tempos de ditadura. Ao escolher um professor que fazia parte de um grupo de docentes demitidos da universidade por razões puramente ideológicas, fazíamos um protesto veemente contra o autoritarismo militar e sua influência na academia.
No final do discurso, eu dizia com ardor juvenil: “A ninguém assiste o direito de exigir que nos transformemos em seres amorfos dentro da sociedade, reduzidos unicamente às funções de estudar e calar. Nosso silêncio poderá ser cômodo às classes dominantes, para a pátria, porém, representaria gravíssima traição”.
Meu pai depois diria ter tido certeza de que eu seria preso no final da cerimônia. Não era preocupação descabida, perdemos colegas de faculdade e amigos, desaparecidos nos porões da repressão. Ao contrário da maioria dos universitários de hoje, tínhamos sonhos grandiosos naquele tempo. Queríamos combater a miséria, acabar com a esquistossomose, Chagas, varíola, poliomielite, tuberculose e a desnutrição das crianças. Ao mesmo tempo, sonhávamos com a criação de universidades, metrópoles como Brasília, cidades novas pelo interior e em alfabetizar todos os brasileiros.
Não vamos esquecer, no entanto, que a memória é editora falaciosa, especialista em deletar experiências desagradáveis. Em matéria de costumes éramos bem mais atrasados do que os jovens de agora. Não tínhamos consciência do nosso machismo: em nossa turma de 100 alunos, havia apenas 15 mulheres, espécie de cidadãs de segunda classe na faculdade, no intervalo das aulas, recolhidas nas salas do departamento feminino.
Quando ouço falar da revolução sexual provocada pela pílula nos anos 1960, lamento ela ter acontecido onde eu não estava. O racismo da sociedade brasileira se refletia em nós. Não achávamos estranho haver em nossa turma os dois únicos estudantes de ascendência negra entre os 500 alunos da faculdade.
Colegas homossexuais eram alvo de chacotas grosseiras. Pertencíamos a uma elite estudantil que, ao receber o diploma da USP, julgava garantida a ascensão social. Apesar da gravidade dos problemas de saúde pública com os quais convivíamos no Hospital das Clínicas, a faculdade nos formava para ganharmos a vida como profissionais liberais. Pouquíssimos de nós imaginavam que um dia dependeríamos de empregos formais para sustentar a família.
Vamos lembrar que naqueles dias os pacientes sem condições financeiras para arcar com os custos médicos ficavam limitados ao antigo INPS. Os demais eram rotulados como indigentes, portanto dependentes da caridade pública.
Apesar da formação inadequada para as necessidades do país, nossa geração de médicos esteve à frente da maior revolução da história da medicina brasileira: a criação do Sistema Único de Saúde. Na Constituição de 1988, escrevemos “Saúde é um direito do cidadão e um dever do Estado”.
A despeito da demagogia do slogan que não garante os meios para cumprir tal dever e infantiliza o cidadão, ao retirar dele a responsabilidade de cuidar da própria saúde, foi de fato uma revolução. Nenhum país com mais de 100 milhões de habitantes ousou oferecer saúde gratuita a todos, sem exceção.

Enquanto frequentávamos a faculdade, havia 80 milhões de brasileiros. Na Copa do Mundo de 1970, já éramos “90 milhões em ação”. Hoje, somos 207 milhões. Apesar das desigualdades sociais revoltantes, dos desmandos predatórios de representantes políticos que elegemos e da parte de nossa elite financeira mancomunada com eles, levamos a medicina aos quatro cantos do Brasil, tarefa anteriormente impensável num país de dimensões continentais.
Muitos de meus colegas de turma e eu fomos criados sem pediatras, mesmo morando em São Paulo. Se não havia cuidados pediátricos para as crianças da capital, o que aconteceria no campo, onde viviam 80% dos brasileiros? Hoje, apesar do crescimento populacional explosivo, praticamente não há crianças sem algum acesso à assistência médica.

As cenas de bebês morrendo de desidratação, um atrás do outro, nos plantões do pronto socorro de pediatria, que tanto nos revoltavam, não acontecem mais. A mortalidade infantil caiu no país inteiro. Quando saímos da faculdade, a taxa de mortalidade infantil era de 73 para cada mil nascimentos. No ano passado, foi de 14.

Apesar de todas as deficiências, desorganização, uso político, corrupção e demais desmandos do SUS, no curto espaço de 30 anos implementamos o maior programa gratuito de vacinações, de transplantes de órgãos e de tratamento da infecção pelo HIV, do mundo inteiro. Nosso programa de saúde da família, que cobre a maior parte do país, é considerado pelos organismos internacionais um dos dez mais importantes da saúde pública mundial. As transfusões de sangue se tornaram seguras, o Resgate socorre pessoas no Brasil inteiro.

Essas conquistas convivem com o subfinanciamento crônico, as filas nos prontos-socorros e nos ambulatórios, a demora para marcar exames e conseguir internações hospitalares e as dificuldades de acesso a cuidados médicos de qualidade.

Ao lado dessas transformações, vimos nascer, junto com a instalação da indústria automobilística no ABC, os primeiros planos de saúde, que se popularizaram a partir dos anos 1990. Hoje, a saúde suplementar oferece
assistência médica a 50 milhões de brasileiros.

Os recursos disponíveis à saúde suplementar e ao SUS expõem a desigualdade brasileira: mais de R$ 137 bilhões para cuidar de 50 milhões de beneficiários dos planos de saúde, contra cerca de R$ 240 bilhões destinados aos 150 milhões dos que dependem exclusivamente do SUS.

Nesse novo panorama, pouquíssimos conseguiram exercer a profissão liberal para a qual fomos preparados. Passamos a ser funcionários públicos ou prestadores de serviços em empresas, convênios e planos de saúde ou funcionários de hospitais e grupos empresariais de assistência médica.

A lógica de mercado invadiu o sistema de saúde. Administradores alheios à profissão trouxeram palavras de ordem às quais não estávamos habituados: produtividade, racionalização da mão de obra, economia de escala, lucratividade, fusões, corporações, capital de risco.

A nova ordem permitiu a construção de grandes hospitais, conglomerados de laboratórios de análises, equipamentos modernos e operadoras de saúde com milhões de associados. Assim, milhões de pessoas doentes puderam fazer exames complexos e receber tratamentos inacessíveis no passado. A oncologia moderna e outras áreas da medicina não existiriam no Brasil, não fosse a saúde suplementar.

O preço pago foi alto, no entanto. Reduzido à condição de número, o paciente deixou de ser o centro da atenção e a razão de existir do sistema.

Premidos pelas novas circunstâncias, muitos médicos se afastaram dos doentes. A queixa de que “o médico não me examinou, nem olhou na minha cara”, se tornou frequente. A má fama e o desinteresse dos colegas frustrados com os salários e as condições de trabalho fizeram perder parte do prestígio que tínhamos na sociedade, quando disputávamos com os bombeiros a primazia da profissão mais respeitada.

É pena, porque muitos se esquecem do grande número de médicos dedicados que, a despeito da remuneração e da falta de recursos materiais para o trabalho, mantêm o atendimento à população de baixa renda espalhada pelo interior ou aglomerada na pobreza da periferia de nossas cidades. Muitos de meus colegas estão entre as pessoas mais generosas que conheci.

Quando penso nessas contradições e nos desafios sociais que nós enfrentamos nos últimos 50 anos vem a certeza de que fomos muito privilegiados. De um lado, cada um a sua maneira, ajudamos a levar a assistência médica ao país inteiro. O SUS é um projeto em construção a ser aprimorado pelos que hoje estudam no grande número de faculdades espalhadas sem critério reconhecível pelo país afora. Estudando em escolas medíocres, estarão à altura desse desafio?
De outro, em nossos anos de atuação profissional testemunhamos um salto de qualidade técnica da medicina, que não encontra paralelo na história da humanidade. Quando nos formamos dispúnhamos de análises laboratoriais, eletrocardiogramas e mais alguns exames. As imagens se achavam restritas aos raios-X, simples ou contrastados.
Nestes 50 anos, vimos surgir as imagens dos órgãos internos, reveladas com nitidez pelos ultrassons, tomografias computadorizadas, ressonâncias magnéticas, cintilografias, PET-scans, endoscopias.
Quando nos formamos, a cirurgia era a especialidade mais prestigiada. Ao terminar o segundo ano de residência no Hospital das Clínicas os colegas disputavam para saber quem havia feito mais gastrectomias, colecistectomias, operado mais hérnias e abdomens perfurados por facas e armas de fogo.
Nos anos seguintes, o papel da cirurgia clássica ficou mais acanhado. Medicamentos novos, capazes de curar úlceras duodenais, fizeram cair o número de gastrectomias. Os avanços da radiologia praticamente acabaram com as chamadas laparotomias exploradoras. Cirurgias minimamente invasivas realizadas por via endoscópica se tornaram rotineiras. A robótica entrou na prática, criando a possibilidade de operar pacientes a distância.

Em 1967, os grandes problemas nacionais eram as doenças infectoparasitárias que, embora ainda persistam, são menos prevalentes do que as enfermidades degenerativocrônicas. A faixa etária da população que mais cresce é a que está acima dos 60 anos. Hoje, somos 19 milhões, em 2050 seremos 40 milhões.
O envelhecimento populacional dos últimos 30 anos levou 60 anos para acontecer na Europa desenvolvida. Os brasileiros envelhecem, e envelhecem mal: temos pelo menos 14 milhões de pessoas com diabetes. Metade das mulheres e homens chega aos 60 anos com hipertensão arterial. Doenças cardiovasculares e câncer disputam o título de principal causa de morte. A obesidade virou epidemia: 52% dos brasileiros estão acima do peso. Os quadros demenciais estão presentes em grande número de famílias.
Em 1967, contávamos com meia dúzia de medicamentos para controlar a pressão arterial e as taxas de glicose no sangue. Hoje, existem tantos que há necessidade de especialistas para lidar com eles. Quem sofria um infarto naquela época dependia da ajuda divina para continuar vivo. Cateterismos, stents, pontes de safena e UTIs aliviaram o trabalho do Criador na recuperação desses pacientes.
Pouco havia a ser feito nos casos com câncer que não se curavam com cirurgia ou radioterapia. Nossa geração assistiu ao aparecimento da quimioterapia e, agora, vê nascer as terapias-alvo e a imunoterapia moderna, primeiros passos de uma mudança de paradigma na oncologia do século 21.
Vimos emergir a epidemia de Aids, em 1981. Três anos mais tarde, a ciência já tinha isolado o vírus e desenvolvido um teste para identificar os infectados. Em 1985 surgia o AZT. Em 1995, os inibidores da protease, que criaram a possibilidade de controlar a doença. Nunca a humanidade lidou com uma epidemia com tamanha rapidez e eficiência.
Nos últimos 30 anos, os avanços da pesquisa pura e da biologia molecular produziram uma avalanche de informações sobre a natureza íntima do DNA, do RNA e das proteínas envolvidas em processos infecciosos, inflamatórios, degenerativos e neoplásicos. As consequências desses conhecimentos darão origem à medicina personalizada que levará em conta a biodiversidade humana, aos transplantes de células-tronco e de genes que corrigirão defeitos genéticos ou adquiridos.
O domínio das informações que brotam incessantemente das bancadas dos laboratórios e dos estudos clínicos internacionais com milhares de participantes está além da capacidade humana para digeri-las. Sem a ajuda da informática e de supercomputadores que aprendem com a experiência -como os que conceberam o Watson, da IBM-, não haverá como reconhecer-lhes a prioridade e incorporá-las à prática. O médico que toma decisões não amparadas em evidências científicas sólidas será uma figura tão ultrapassada quanto a dos que aplicavam ventosas e propunham sangrias.
Os próximos desafios serão os de levar os benefícios dessa medicina altamente tecnológica ao restante da população. Tarefa para gerações, porque exigirá a reinvenção de um SUS que ainda nem conseguimos implantar com a abrangência necessária.
Os custos dessa nova medicina serão tão altos que talvez venhamos a nos convencer, finalmente, de que o investimento preferencial deve ser na prevenção. Impedir que as pessoas fiquem doentes evita sofrimento e sai bem mais em conta.
Pela primeira vez na história de nossa espécie pudemos oferecer alimentos de qualidade a grandes massas populacionais e tornamos possível ganhar a subsistência no conforto das cadeiras. Obesidade e sedentarismo são os grandes males das sociedades modernas.
Preocupados com as lagoas de coceira da esquistossomose, as casinhas de pau a pique da doença de Chagas e com a falta de saneamento básico causadora de tantas enfermidades, qual de nós imaginou que um dia a principal mensagem de saúde pública seria: “Não dá para passar o dia inteiro sentado, comendo tudo o que te oferecem.”

Os médicos que nos precederam transmitiam mensagens de saúde ao encontrar as pessoas nas ruas, nas praças, nas festas da comunidade. As praças de hoje são as estações de rádio, os canais de televisão, o Facebook, o Google, o YouTube e os sites da internet. A tela do celular é o meio mais rápido de transmissão de informações médicas.
Graças a esses meios de comunicação, o paciente de hoje é muito mais informado do que há 50 anos. Muitos dos que nos introduziram na profissão eram médicos autoritários, que impunham suas condutas sem levar em conta as idiossincrasias individuais. A função do médico moderno é a de apresentar as possibilidades técnicas, para ajudar a pessoa doente a decidir qual delas se adapta melhor às suas necessidades e desejos particulares.
Quantos desafios cada um de nós experimentou. Quantas dificuldades, exigências e sacrifícios pessoais e familiares o exercício profissional nos impôs nessas cinco décadas. Amigos e contemporâneos nossos que escolheram outras profissões podem ter levado vida mais tranquila, menos sacrificada, e ganhado mais dinheiro com menos esforço. Mas, duvido terem conhecido o prazer de ver alguém à beira da morte sobreviver graças aos nossos conhecimentos, dedicação e envolvimento pessoal desinteressado.
O arquiteto deve sentir prazer diante da casa construída, o advogado por defender o interesse do cliente, o publicitário pela campanha idealizada, o mecânico ao ver o motor consertado, o agricultor ao admirar o verde da plantação. Serão esses prazeres comparáveis ao que sentimos ao aliviar o sofrimento humano, a razão maior da existência de nossa profissão?
Queridos amigos, nessa apresentação procurei deixar claro que jamais me arrependi da escolha que fiz ao prestar o exame vestibular para a nossa faculdade. Continuo encantado pela medicina, profissão caprichosa como a mulher amada, capaz de despertar crises inesperadas de paixão pela vida inteira.

Folha de SP

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