Bancos Internacionais: A hidra que controla o mundo.

19 nov

Responsáveis pela crise mundial de 2008, 28 grandes bancos internacionais – chamados por alguns de seus críticos mais ferrenhos de a “hidra” – seguem dominando o sistema financeiro do planeta.
“Os Estados são reféns desta hidra bancária e são disciplinados por ela. A crise prova esse poder”, afirma François Morin, autor do livro A Hidra Mundial, o Oligopólio Bancário, professor emérito da Universidade de Toulouse e membro do conselho do Banco Central francês.
“Os grandes bancos detinham os produtos tóxicos responsáveis pela crise, mas, em vez de reestruturá-los, os Estados acabaram assumindo suas obrigações – e a dívida privada se transformou em dívida pública.”
A transferência, para os Estados, das dívidas privadas tóxicas destes 28 grandes bancos “sistêmicos”, durante a última crise financeira, explica as políticas de austeridade praticadas na Europa.
No Brasil, os bancos tem aumentado seus lucros mais do que nunca em tempos de crise, graças à essas práticas maliciosas. Bradesco e Itaú encontram-se entre esse 28 bancos, ou cabeças da “Hidra”.
Como os Estados tornaram-se reféns do oligopólio sistêmico que são os bancos?
Depois dos anos 1970, os Estados perderam toda a soberania monetária. Eles são responsáveis. A moeda agora é criada pelos bancos, na proporção de cerca de 90%, e pelos bancos centrais (em muitos países, independentes dos Estados) para os restantes 10%. Além disso, a gestão da moeda, através de seus dois preços fundamentais (as taxas de câmbio e taxas de juros) está inteiramente nas mãos do oligopólio bancário, que tem todas as condições para manipulá-los. Assim, os grandes bancos têm nas mãos as condições monetárias para o financiamento dos investimentos, mas sobretudo do para o financiamento dos déficits públicos. Os Estados não são apenas disciplinados pelos mercados, mas sobretudo reféns da hidra mundial.
As democracias no mundo esvaziam-se progressivamente, em razão da redução (ou da ausência) de margem de manobra para a ação pública. Além disso, o oligopólio bancário deseja instrumentalizar os poderes dos Estados, para evitar eventuais regulações financeiras, ou limitar o peso das multas às quais deve fazer face quando é pego com a boca na botija. Quer evitar especialmente processos de repercussão pública.
Em seu livro, o pesquisador se concentra em cinco mecanismos que, segundo ele, concedem aos bancos esta hegemonia financeira, econômica e política:
1. Ativos
Os 28 bancos detêm recursos superiores aos de dívidas públicas de 200 países do planeta. Enquanto estas entidades têm ativos (bens, dinheiro, clientes, empréstimos, entre outros) que somam US$ 50,3 trilhões (R$ 178 trilhões), a dívida pública mundial é de US$ 48,9 trilhões (R$ 173,7 trilhões).
“Foi com sua participação nos mercados especulativos que se chegou (à crise de) 2008.”
2. Criação de moeda
O sistema clássico de emissão monetária é formado por uma Casa da Moeda que imprime as notas necessárias a um Banco Central, que está posicionado no centro da cena financeira. Mas, hoje, 90% da moeda é criada por estes 28 bancos, e só 10% é de responsabilidade de bancos centrais.
Se antes a expansão do dinheiro era de certa forma protegida pelo nível de reserva monetária de um país, hoje em dia, este limite perdeu a relevância.
3. Mercado cambial
A movimentação no mercado cambial é uma das maiores do mundo: US$ 6 bilhões (R$ 21,3 bilhões) diários. Cinco dos 28 bancos controlam 51% deste mercado.
“O câmbio nos Estados Unidos e no Reino Unido não depende das variáveis econômicas de um país. Basta que operadores, vinculados aos bancos, decidam que o valor de uma moeda não se sustenta para que a ataquem especulativamente”, diz Ugarteche.
“Com compras ou vendas maciças, arrastam o resto dos atores do setor financeiro, provocando uma modificação no câmbio que não tem nada a ver com a saúde econômica de um país.”
4. Taxas de juros
Com seu potencial financeiro, estas 28 entidades têm um peso fundamental sobre as taxas de juros. Dado o nível altíssimo de circulação diária de ativos financeiros e de dívida, qualquer variação da taxa de juros faz girar automaticamente

Estados Unidos, Grã-Bretanha e Comissão Europeia deram início em 2012 a uma investigação que mostrou como este nível de concentração dos bancos leva a uma manipulação do mercado.

5. Derivativos

A metade dos 28 bancos produzem os chamados derivativos por US$ 710 trilhões, o equivalente a dez vezes o PIB mundial. Ugarteche ilustra o funcionamento deste mercado com um ativo financeiro bem modesto: uma vaca.

O que fazer para transformar a vaca em dinheiro? Em outras épocas, ela era vendida em troca de uma quantidade de dinheiro. Mas, hoje, outra opção é possível: uma transação futura.

Por exemplo: são vendidos o lucro em potencial que será obtido com o leite da vaca ou os bezerros que ela irá parir. É possível também vender o eventual leite que estes eventuais bezerros possam produzir, caso sejam fêmeas.

“A partir de uma vaca real, é criada uma economia fictícia construída mediante o uso de operações financeiras distintas. É um mundo de probabilidades. O bezerro é um futuro possível, nada além disso, assim como outros rendimentos obtidos a partir da vaca. O que acontece se a vaca ficar doente?”, questiona Ugarteche.

Caso isso ocorra, as operações efetuadas vão para um buraco negro. E foi assim que, em 2008, desapareceram mais de US$ 200 bilhões, o que arrastou em sua queda dispositivos de segurança que supostamente garantiam todo o fluxo de valores financeiros.

6.Especulação

A especulação pode causar graves efeitos na economia popular, inclusive inflação.

Historicamente, quando os ciclos tecnológicos/político-comportamentais amadurecem nos países de origem, o grande capital volta suas forças para os países que estavam à margem, procurando interferir no próprio processo político-cultural dos mesmos, em busca do melhor ambiente para sua expansão. Assim, costumam causar crises financeiras os países onde foi realizada a prospecção, para facilitar a entrada nesse novo mercado. E ainda ditam as novas regras para a recuperação econômica desses países. Regras estas que favoreçam o grande capital internacional.

O especulador não é um investidor. Seu objetivo não é garantir um retorno consistente ao capital aplicado em uma boa taxa de juros, mas sim lucrar tanto num aumento ou queda de preço de qualquer mercadoria que ele possa estar especulando.

O especulador lucra tanto na alta da economia quanto na baixa. E ainda mais na baixa, quando empresas se arruinam e a economia de um país quebra!

7.BIS – O “BANCO CENTRAL” dos bancos centrais

O ápice desse intrincado sistema é o Banco de Compensações Internacionais (BIS). O Banco central dos bancos centrais com sede na Suiça.” Uma organização internacional imensamente poderosa de que a maioria nem sequer ouviu falar, mas que secretamente controla a emissão de moeda em todo o mundo. Essa organização se chama BIS [Banco de Compensações Internacionais], e é o banco central dos bancos centrais.

Localizado em Basileia, na Suíça, mas tem filiais em Hong Kong e Cidade do México.

A cada dois meses, os banqueiros centrais se reúnem em Basileia para “Reunião de Cúpula da Economia Mundial ‘. Durante essas reuniões, decisões que afetam cada homem, mulher e criança no planeta são feitas, e nenhum de nós tem uma palavra a dizer no que é decidido por essa elite. O Banco de Compensações Internacionais é uma organização que foi fundada pela elite global, que opera em benefício dos mesmos, cujo principal objetivo é ser um dos pilares do sistema financeiro global unificado que vai ser IMPLANTADO.”

A principal ferramenta para escravizar nações inteiras e governos é a DÍVIDA. “Eles querem que sejamos todos e cada qual ser humano vivo no planeta, escravos de dívidas, querem ver todos os nossos governos e países escravos da dívida, e querem que todos os nossos políticos sejam viciados em contribuições financeiras gigantes que eles precisam canalizar para suas (seus bolsos,ops…) campanhas.

 Alguns dos 28 bancos que controlam as finanças no mundo:

 Bank of America, BNP-Paribas, Barclays, Citigroup, Crédit Suisse, Deutsche Bank, Goldman Sachs, HSBC, JP Morgan Chase, Royal Bank of Scotland, UBS, Bradesco, Itaú…

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Bancos internacionais :. A Hidra que controla o mundo

19 nov

Responsáveis pela crise mundial de 2008, 28 grandes bancos internacionais – chamados por alguns de seus críticos mais ferrenhos de a “hidra” – seguem dominando o sistema financeiro do planeta.
“Os Estados são reféns desta hidra bancária e são disciplinados por ela. A crise prova esse poder”, afirma François Morin, autor do livro A Hidra Mundial, o Oligopólio Bancário, professor emérito da Universidade de Toulouse e membro do conselho do Banco Central francês.
“Os grandes bancos detinham os produtos tóxicos responsáveis pela crise, mas, em vez de reestruturá-los, os Estados acabaram assumindo suas obrigações – e a dívida privada se transformou em dívida pública.”
A transferência, para os Estados, das dívidas privadas tóxicas destes 28 grandes bancos “sistêmicos”, durante a última crise financeira, explica as políticas de austeridade praticadas na Europa.
No Brasil, os bancos tem aumentado seus lucros mais do que nunca em tempos de crise, graças à essas práticas maliciosas. Bradesco e Itaú encontram-se entre esse 28 bancos, ou cabeças da “Hidra”.
Como os Estados tornaram-se reféns do oligopólio sistêmico que são os bancos?
Depois dos anos 1970, os Estados perderam toda a soberania monetária. Eles são responsáveis. A moeda agora é criada pelos bancos, na proporção de cerca de 90%, e pelos bancos centrais (em muitos países, independentes dos Estados) para os restantes 10%. Além disso, a gestão da moeda, através de seus dois preços fundamentais (as taxas de câmbio e taxas de juros) está inteiramente nas mãos do oligopólio bancário, que tem todas as condições para manipulá-los. Assim, os grandes bancos têm nas mãos as condições monetárias para o financiamento dos investimentos, mas sobretudo do para o financiamento dos déficits públicos. Os Estados não são apenas disciplinados pelos mercados, mas sobretudo reféns da hidra mundial.
As democracias no mundo esvaziam-se progressivamente, em razão da redução (ou da ausência) de margem de manobra para a ação pública. Além disso, o oligopólio bancário deseja instrumentalizar os poderes dos Estados, para evitar eventuais regulações financeiras, ou limitar o peso das multas às quais deve fazer face quando é pego com a boca na botija. Quer evitar especialmente processos de repercussão pública.
Em seu livro, o pesquisador se concentra em cinco mecanismos que, segundo ele, concedem aos bancos esta hegemonia financeira, econômica e política:
1. Ativos
Os 28 bancos detêm recursos superiores aos de dívidas públicas de 200 países do planeta. Enquanto estas entidades têm ativos (bens, dinheiro, clientes, empréstimos, entre outros) que somam US$ 50,3 trilhões (R$ 178 trilhões), a dívida pública mundial é de US$ 48,9 trilhões (R$ 173,7 trilhões).
“Foi com sua participação nos mercados especulativos que se chegou (à crise de) 2008.”
2. Criação de moeda
O sistema clássico de emissão monetária é formado por uma Casa da Moeda que imprime as notas necessárias a um Banco Central, que está posicionado no centro da cena financeira. Mas, hoje, 90% da moeda é criada por estes 28 bancos, e só 10% é de responsabilidade de bancos centrais.
Se antes a expansão do dinheiro era de certa forma protegida pelo nível de reserva monetária de um país, hoje em dia, este limite perdeu a relevância.
3. Mercado cambial
A movimentação no mercado cambial é uma das maiores do mundo: US$ 6 bilhões (R$ 21,3 bilhões) diários. Cinco dos 28 bancos controlam 51% deste mercado.
“O câmbio nos Estados Unidos e no Reino Unido não depende das variáveis econômicas de um país. Basta que operadores, vinculados aos bancos, decidam que o valor de uma moeda não se sustenta para que a ataquem especulativamente”, diz Ugarteche.
“Com compras ou vendas maciças, arrastam o resto dos atores do setor financeiro, provocando uma modificação no câmbio que não tem nada a ver com a saúde econômica de um país.”
4. Taxas de juros
Com seu potencial financeiro, estas 28 entidades têm um peso fundamental sobre as taxas de juros. Dado o nível altíssimo de circulação diária de ativos financeiros e de dívida, qualquer variação da taxa de juros faz girar automaticamente

Estados Unidos, Grã-Bretanha e Comissão Europeia deram início em 2012 a uma investigação que mostrou como este nível de concentração dos bancos leva a uma manipulação do mercado.

5. Derivativos

A metade dos 28 bancos produzem os chamados derivativos por US$ 710 trilhões, o equivalente a dez vezes o PIB mundial. Ugarteche ilustra o funcionamento deste mercado com um ativo financeiro bem modesto: uma vaca.

O que fazer para transformar a vaca em dinheiro? Em outras épocas, ela era vendida em troca de uma quantidade de dinheiro. Mas, hoje, outra opção é possível: uma transação futura.

Por exemplo: são vendidos o lucro em potencial que será obtido com o leite da vaca ou os bezerros que ela irá parir. É possível também vender o eventual leite que estes eventuais bezerros possam produzir, caso sejam fêmeas.

“A partir de uma vaca real, é criada uma economia fictícia construída mediante o uso de operações financeiras distintas. É um mundo de probabilidades. O bezerro é um futuro possível, nada além disso, assim como outros rendimentos obtidos a partir da vaca. O que acontece se a vaca ficar doente?”, questiona Ugarteche.

Caso isso ocorra, as operações efetuadas vão para um buraco negro. E foi assim que, em 2008, desapareceram mais de US$ 200 bilhões, o que arrastou em sua queda dispositivos de segurança que supostamente garantiam todo o fluxo de valores financeiros.

Especulação

A especulação pode causar graves efeitos na economia popular, inclusive inflação.

Historicamente, quando os ciclos tecnológicos/político-comportamentais amadurecem nos países de origem, o grande capital volta suas forças para os países que estavam à margem, procurando interferir no próprio processo político-cultural dos mesmos, em busca do melhor ambiente para sua expansão. Assim, costumam causar crises financeiras os países onde foi realizada a prospecção, para facilitar a entrada nesse novo mercado. E ainda ditam as novas regras para a recuperação econômica desses países. Regras estas que favoreçam o grande capital internacional.

O especulador não é um investidor. Seu objetivo não é garantir um retorno consistente ao capital aplicado em uma boa taxa de juros, mas sim lucrar tanto num aumento ou queda de preço de qualquer mercadoria que ele possa estar especulando.

O especulador lucra tanto na alta da economia quanto na baixa. E ainda mais na baixa, quando empresas se arruinam e a economia de um país quebra!

BIS – O “BANCO CENTRAL” dos bancos centrais

O ápice desse intrincado sistema é o Banco de Compensações Internacionais (BIS). O Banco central dos bancos centrais com sede na Suiça.” Uma organização internacional imensamente poderosa de que a maioria nem sequer ouviu falar, mas que secretamente controla a emissão de moeda em todo o mundo. Essa organização se chama BIS [Banco de Compensações Internacionais], e é o banco central dos bancos centrais.

Localizado em Basileia, na Suíça, mas tem filiais em Hong Kong e Cidade do México.

A cada dois meses, os banqueiros centrais se reúnem em Basileia para “Reunião de Cúpula da Economia Mundial ‘. Durante essas reuniões, decisões que afetam cada homem, mulher e criança no planeta são feitas, e nenhum de nós tem uma palavra a dizer no que é decidido por essa elite. O Banco de Compensações Internacionais é uma organização que foi fundada pela elite global, que opera em benefício dos mesmos, cujo principal objetivo é ser um dos pilares do sistema financeiro global unificado que vai ser IMPLANTADO.”

A principal ferramenta para escravizar nações inteiras e governos é a DÍVIDA. “Eles querem que sejamos todos e cada qual ser humano vivo no planeta, escravos de dívidas, querem ver todos os nossos governos e países escravos da dívida, e querem que todos os nossos políticos sejam viciados em contribuições financeiras gigantes que eles precisam canalizar para suas (seus bolsos,ops…) campanhas.

 Alguns dos 28 bancos que controlam as finanças no mundo:

 Bank of America, BNP-Paribas, Barclays, Citigroup, Crédit Suisse, Deutsche Bank, Goldman Sachs, HSBC, JP Morgan Chase, Royal Bank of Scotland, UBS, Bradesco, Itaú…

Fonte:https://dissidente-antiliberal.blogspot.com.br/2016/09/bancos-internacionais-hidra-que.html

O SUS é uma conquista definitiva. E um processo em andamento.Por Draúzio Varela

19 nov

A criação do SUS (Sistema Único de Saúde) é a maior das revoluções deste meio século, disse à Folha, com ênfase: “O SUS é uma conquista definitiva. E um processo em andamento.”
No discurso, reproduzido aqui na íntegra, não minimiza os desafios que se antepõem: levar as novas tecnologias a toda a população “exigirá a reinvenção de um SUS que ainda nem conseguimos implantar com a abrangência necessária”.
Bruno Santos – 19.jun.2017/Folhapress
O médico e escritor Draúzio Varella em seu escritório no centro de São Paulo

*
Cinquenta anos atrás, no Theatro Municipal, fui o orador de nossa turma. Naquela ocasião, a escolha do professor Luiz Hildebrando como paraninfo foi considerada uma afronta pela direção da faculdade, que houve por bem não participar nem considerar oficial a cerimônia de formatura.
Eram tempos de ditadura. Ao escolher um professor que fazia parte de um grupo de docentes demitidos da universidade por razões puramente ideológicas, fazíamos um protesto veemente contra o autoritarismo militar e sua influência na academia.
No final do discurso, eu dizia com ardor juvenil: “A ninguém assiste o direito de exigir que nos transformemos em seres amorfos dentro da sociedade, reduzidos unicamente às funções de estudar e calar. Nosso silêncio poderá ser cômodo às classes dominantes, para a pátria, porém, representaria gravíssima traição”.
Meu pai depois diria ter tido certeza de que eu seria preso no final da cerimônia. Não era preocupação descabida, perdemos colegas de faculdade e amigos, desaparecidos nos porões da repressão. Ao contrário da maioria dos universitários de hoje, tínhamos sonhos grandiosos naquele tempo. Queríamos combater a miséria, acabar com a esquistossomose, Chagas, varíola, poliomielite, tuberculose e a desnutrição das crianças. Ao mesmo tempo, sonhávamos com a criação de universidades, metrópoles como Brasília, cidades novas pelo interior e em alfabetizar todos os brasileiros.
Não vamos esquecer, no entanto, que a memória é editora falaciosa, especialista em deletar experiências desagradáveis. Em matéria de costumes éramos bem mais atrasados do que os jovens de agora. Não tínhamos consciência do nosso machismo: em nossa turma de 100 alunos, havia apenas 15 mulheres, espécie de cidadãs de segunda classe na faculdade, no intervalo das aulas, recolhidas nas salas do departamento feminino.
Quando ouço falar da revolução sexual provocada pela pílula nos anos 1960, lamento ela ter acontecido onde eu não estava. O racismo da sociedade brasileira se refletia em nós. Não achávamos estranho haver em nossa turma os dois únicos estudantes de ascendência negra entre os 500 alunos da faculdade.
Colegas homossexuais eram alvo de chacotas grosseiras. Pertencíamos a uma elite estudantil que, ao receber o diploma da USP, julgava garantida a ascensão social. Apesar da gravidade dos problemas de saúde pública com os quais convivíamos no Hospital das Clínicas, a faculdade nos formava para ganharmos a vida como profissionais liberais. Pouquíssimos de nós imaginavam que um dia dependeríamos de empregos formais para sustentar a família.
Vamos lembrar que naqueles dias os pacientes sem condições financeiras para arcar com os custos médicos ficavam limitados ao antigo INPS. Os demais eram rotulados como indigentes, portanto dependentes da caridade pública.
Apesar da formação inadequada para as necessidades do país, nossa geração de médicos esteve à frente da maior revolução da história da medicina brasileira: a criação do Sistema Único de Saúde. Na Constituição de 1988, escrevemos “Saúde é um direito do cidadão e um dever do Estado”.
A despeito da demagogia do slogan que não garante os meios para cumprir tal dever e infantiliza o cidadão, ao retirar dele a responsabilidade de cuidar da própria saúde, foi de fato uma revolução. Nenhum país com mais de 100 milhões de habitantes ousou oferecer saúde gratuita a todos, sem exceção.

Enquanto frequentávamos a faculdade, havia 80 milhões de brasileiros. Na Copa do Mundo de 1970, já éramos “90 milhões em ação”. Hoje, somos 207 milhões. Apesar das desigualdades sociais revoltantes, dos desmandos predatórios de representantes políticos que elegemos e da parte de nossa elite financeira mancomunada com eles, levamos a medicina aos quatro cantos do Brasil, tarefa anteriormente impensável num país de dimensões continentais.
Muitos de meus colegas de turma e eu fomos criados sem pediatras, mesmo morando em São Paulo. Se não havia cuidados pediátricos para as crianças da capital, o que aconteceria no campo, onde viviam 80% dos brasileiros? Hoje, apesar do crescimento populacional explosivo, praticamente não há crianças sem algum acesso à assistência médica.

As cenas de bebês morrendo de desidratação, um atrás do outro, nos plantões do pronto socorro de pediatria, que tanto nos revoltavam, não acontecem mais. A mortalidade infantil caiu no país inteiro. Quando saímos da faculdade, a taxa de mortalidade infantil era de 73 para cada mil nascimentos. No ano passado, foi de 14.

Apesar de todas as deficiências, desorganização, uso político, corrupção e demais desmandos do SUS, no curto espaço de 30 anos implementamos o maior programa gratuito de vacinações, de transplantes de órgãos e de tratamento da infecção pelo HIV, do mundo inteiro. Nosso programa de saúde da família, que cobre a maior parte do país, é considerado pelos organismos internacionais um dos dez mais importantes da saúde pública mundial. As transfusões de sangue se tornaram seguras, o Resgate socorre pessoas no Brasil inteiro.

Essas conquistas convivem com o subfinanciamento crônico, as filas nos prontos-socorros e nos ambulatórios, a demora para marcar exames e conseguir internações hospitalares e as dificuldades de acesso a cuidados médicos de qualidade.

Ao lado dessas transformações, vimos nascer, junto com a instalação da indústria automobilística no ABC, os primeiros planos de saúde, que se popularizaram a partir dos anos 1990. Hoje, a saúde suplementar oferece
assistência médica a 50 milhões de brasileiros.

Os recursos disponíveis à saúde suplementar e ao SUS expõem a desigualdade brasileira: mais de R$ 137 bilhões para cuidar de 50 milhões de beneficiários dos planos de saúde, contra cerca de R$ 240 bilhões destinados aos 150 milhões dos que dependem exclusivamente do SUS.

Nesse novo panorama, pouquíssimos conseguiram exercer a profissão liberal para a qual fomos preparados. Passamos a ser funcionários públicos ou prestadores de serviços em empresas, convênios e planos de saúde ou funcionários de hospitais e grupos empresariais de assistência médica.

A lógica de mercado invadiu o sistema de saúde. Administradores alheios à profissão trouxeram palavras de ordem às quais não estávamos habituados: produtividade, racionalização da mão de obra, economia de escala, lucratividade, fusões, corporações, capital de risco.

A nova ordem permitiu a construção de grandes hospitais, conglomerados de laboratórios de análises, equipamentos modernos e operadoras de saúde com milhões de associados. Assim, milhões de pessoas doentes puderam fazer exames complexos e receber tratamentos inacessíveis no passado. A oncologia moderna e outras áreas da medicina não existiriam no Brasil, não fosse a saúde suplementar.

O preço pago foi alto, no entanto. Reduzido à condição de número, o paciente deixou de ser o centro da atenção e a razão de existir do sistema.

Premidos pelas novas circunstâncias, muitos médicos se afastaram dos doentes. A queixa de que “o médico não me examinou, nem olhou na minha cara”, se tornou frequente. A má fama e o desinteresse dos colegas frustrados com os salários e as condições de trabalho fizeram perder parte do prestígio que tínhamos na sociedade, quando disputávamos com os bombeiros a primazia da profissão mais respeitada.

É pena, porque muitos se esquecem do grande número de médicos dedicados que, a despeito da remuneração e da falta de recursos materiais para o trabalho, mantêm o atendimento à população de baixa renda espalhada pelo interior ou aglomerada na pobreza da periferia de nossas cidades. Muitos de meus colegas estão entre as pessoas mais generosas que conheci.

Quando penso nessas contradições e nos desafios sociais que nós enfrentamos nos últimos 50 anos vem a certeza de que fomos muito privilegiados. De um lado, cada um a sua maneira, ajudamos a levar a assistência médica ao país inteiro. O SUS é um projeto em construção a ser aprimorado pelos que hoje estudam no grande número de faculdades espalhadas sem critério reconhecível pelo país afora. Estudando em escolas medíocres, estarão à altura desse desafio?
De outro, em nossos anos de atuação profissional testemunhamos um salto de qualidade técnica da medicina, que não encontra paralelo na história da humanidade. Quando nos formamos dispúnhamos de análises laboratoriais, eletrocardiogramas e mais alguns exames. As imagens se achavam restritas aos raios-X, simples ou contrastados.
Nestes 50 anos, vimos surgir as imagens dos órgãos internos, reveladas com nitidez pelos ultrassons, tomografias computadorizadas, ressonâncias magnéticas, cintilografias, PET-scans, endoscopias.
Quando nos formamos, a cirurgia era a especialidade mais prestigiada. Ao terminar o segundo ano de residência no Hospital das Clínicas os colegas disputavam para saber quem havia feito mais gastrectomias, colecistectomias, operado mais hérnias e abdomens perfurados por facas e armas de fogo.
Nos anos seguintes, o papel da cirurgia clássica ficou mais acanhado. Medicamentos novos, capazes de curar úlceras duodenais, fizeram cair o número de gastrectomias. Os avanços da radiologia praticamente acabaram com as chamadas laparotomias exploradoras. Cirurgias minimamente invasivas realizadas por via endoscópica se tornaram rotineiras. A robótica entrou na prática, criando a possibilidade de operar pacientes a distância.

Em 1967, os grandes problemas nacionais eram as doenças infectoparasitárias que, embora ainda persistam, são menos prevalentes do que as enfermidades degenerativocrônicas. A faixa etária da população que mais cresce é a que está acima dos 60 anos. Hoje, somos 19 milhões, em 2050 seremos 40 milhões.
O envelhecimento populacional dos últimos 30 anos levou 60 anos para acontecer na Europa desenvolvida. Os brasileiros envelhecem, e envelhecem mal: temos pelo menos 14 milhões de pessoas com diabetes. Metade das mulheres e homens chega aos 60 anos com hipertensão arterial. Doenças cardiovasculares e câncer disputam o título de principal causa de morte. A obesidade virou epidemia: 52% dos brasileiros estão acima do peso. Os quadros demenciais estão presentes em grande número de famílias.
Em 1967, contávamos com meia dúzia de medicamentos para controlar a pressão arterial e as taxas de glicose no sangue. Hoje, existem tantos que há necessidade de especialistas para lidar com eles. Quem sofria um infarto naquela época dependia da ajuda divina para continuar vivo. Cateterismos, stents, pontes de safena e UTIs aliviaram o trabalho do Criador na recuperação desses pacientes.
Pouco havia a ser feito nos casos com câncer que não se curavam com cirurgia ou radioterapia. Nossa geração assistiu ao aparecimento da quimioterapia e, agora, vê nascer as terapias-alvo e a imunoterapia moderna, primeiros passos de uma mudança de paradigma na oncologia do século 21.
Vimos emergir a epidemia de Aids, em 1981. Três anos mais tarde, a ciência já tinha isolado o vírus e desenvolvido um teste para identificar os infectados. Em 1985 surgia o AZT. Em 1995, os inibidores da protease, que criaram a possibilidade de controlar a doença. Nunca a humanidade lidou com uma epidemia com tamanha rapidez e eficiência.
Nos últimos 30 anos, os avanços da pesquisa pura e da biologia molecular produziram uma avalanche de informações sobre a natureza íntima do DNA, do RNA e das proteínas envolvidas em processos infecciosos, inflamatórios, degenerativos e neoplásicos. As consequências desses conhecimentos darão origem à medicina personalizada que levará em conta a biodiversidade humana, aos transplantes de células-tronco e de genes que corrigirão defeitos genéticos ou adquiridos.
O domínio das informações que brotam incessantemente das bancadas dos laboratórios e dos estudos clínicos internacionais com milhares de participantes está além da capacidade humana para digeri-las. Sem a ajuda da informática e de supercomputadores que aprendem com a experiência -como os que conceberam o Watson, da IBM-, não haverá como reconhecer-lhes a prioridade e incorporá-las à prática. O médico que toma decisões não amparadas em evidências científicas sólidas será uma figura tão ultrapassada quanto a dos que aplicavam ventosas e propunham sangrias.
Os próximos desafios serão os de levar os benefícios dessa medicina altamente tecnológica ao restante da população. Tarefa para gerações, porque exigirá a reinvenção de um SUS que ainda nem conseguimos implantar com a abrangência necessária.
Os custos dessa nova medicina serão tão altos que talvez venhamos a nos convencer, finalmente, de que o investimento preferencial deve ser na prevenção. Impedir que as pessoas fiquem doentes evita sofrimento e sai bem mais em conta.
Pela primeira vez na história de nossa espécie pudemos oferecer alimentos de qualidade a grandes massas populacionais e tornamos possível ganhar a subsistência no conforto das cadeiras. Obesidade e sedentarismo são os grandes males das sociedades modernas.
Preocupados com as lagoas de coceira da esquistossomose, as casinhas de pau a pique da doença de Chagas e com a falta de saneamento básico causadora de tantas enfermidades, qual de nós imaginou que um dia a principal mensagem de saúde pública seria: “Não dá para passar o dia inteiro sentado, comendo tudo o que te oferecem.”

Os médicos que nos precederam transmitiam mensagens de saúde ao encontrar as pessoas nas ruas, nas praças, nas festas da comunidade. As praças de hoje são as estações de rádio, os canais de televisão, o Facebook, o Google, o YouTube e os sites da internet. A tela do celular é o meio mais rápido de transmissão de informações médicas.
Graças a esses meios de comunicação, o paciente de hoje é muito mais informado do que há 50 anos. Muitos dos que nos introduziram na profissão eram médicos autoritários, que impunham suas condutas sem levar em conta as idiossincrasias individuais. A função do médico moderno é a de apresentar as possibilidades técnicas, para ajudar a pessoa doente a decidir qual delas se adapta melhor às suas necessidades e desejos particulares.
Quantos desafios cada um de nós experimentou. Quantas dificuldades, exigências e sacrifícios pessoais e familiares o exercício profissional nos impôs nessas cinco décadas. Amigos e contemporâneos nossos que escolheram outras profissões podem ter levado vida mais tranquila, menos sacrificada, e ganhado mais dinheiro com menos esforço. Mas, duvido terem conhecido o prazer de ver alguém à beira da morte sobreviver graças aos nossos conhecimentos, dedicação e envolvimento pessoal desinteressado.
O arquiteto deve sentir prazer diante da casa construída, o advogado por defender o interesse do cliente, o publicitário pela campanha idealizada, o mecânico ao ver o motor consertado, o agricultor ao admirar o verde da plantação. Serão esses prazeres comparáveis ao que sentimos ao aliviar o sofrimento humano, a razão maior da existência de nossa profissão?
Queridos amigos, nessa apresentação procurei deixar claro que jamais me arrependi da escolha que fiz ao prestar o exame vestibular para a nossa faculdade. Continuo encantado pela medicina, profissão caprichosa como a mulher amada, capaz de despertar crises inesperadas de paixão pela vida inteira.

Folha de SP

Dinamarca é o paraíso terrestre ou algo muito próximo disso

19 nov

Turismo na Dinamarca 79

Por Luis Antonio Araújo-Central de Notícias do Facebook

Graças ao “Globo Repórter” desta sexta (18/11), descobri que a Dinamarca é o paraíso terrestre ou algo muito próximo disso.
“País da felicidade”, “terra onde as diferenças sociais são quase invisíveis”, “campeão da segurança, da igualdade, da simplicidade” – é difícil resistir a um lugar assim.
Fiquei esperando até o final do programa para saber qual é, afinal, a receita de sucesso dos dinamarqueses.
Apostei que seria algo entre o “frio escandinavo” e a ausência de “herança ibérica”. O “Globo Repórter” acabou silenciando sobre essa importante questão. Tomado de indômita curiosidade, fui buscar informações.

Aprendi o seguinte:

* a Dinamarca, assim como suas vizinhas Suécia, Noruega e Finlândia, adota desde os anos 1930 um sistema de seguridade social segundo o qual todos os cidadãos têm direitos iguais a serviços públicos como saúde, educação e previdência. Isso significa que, por princípio, qualquer indivíduo tem acesso franco e gratuito a esses benefícios ao longo da vida;

* para subsidiar esse sistema, a Dinamarca faz com que quem ganha mais pague mais impostos. Segundo a insuspeita Tax Foundation, a maior alíquota individual de imposto de renda em 2015, incluindo tributação na fonte, foi de 60% na Dinamarca, 57% na Suécia e 39% na Noruega. No Brasil, foi de 27,5%, ou menos da metade do nível dinamarquês, depois de ter sido de pelo menos 40% durante quatro décadas, até os anos 1990, como lembram os economistas Sergio Wulff Gobetti e Rodrigo Octávio Orair. Abaixo, uma tabela mostra a relação receita tributária/PIB em 25 países, com a Dinamarca no topo, com 49%;

* outro dado importante tem a ver com a concentração de renda. Na Dinamarca, os 0,05% mais ricos detêm 1,3% da renda nacional.
No Brasil, os mesmos 0,05% mais ricos abocanham 8,5% da renda. Nas palavras de Gobetti e Orair: “(…) são cerca de 71 mil pessoas que se apropriam de 8,5% de toda a renda. Este é um patamar que dificilmente encontrará outros paralelos no mundo” (GOBETTI; ORAIR. Progressividade tributária: a agenda negligenciada. In: http://www.ipea.gov.br/…/images/stories/PDFs/TDs/td_2190.pdf)

Ipea.Gov.br

* uma das entrevistadas do “Globo Repórter”, a cientista política Ulla Holm, diz que na Dinamarca “a corrupção quase não existe, e nós temos muito orgulho de sermos incorruptíveis (…) O fato de que nós confiamos no Estado é muito importante para nós”. Ou seja, o sistema funciona porque não há corrupção, certo? Errado. Entre 2012 e 2015, o governo dinamarquês estima que fraudes tributárias tenham subtraído US$ 1,85 bilhão (R$ 7,4 bilhões) do Tesouro.
Esse é praticamente o mesmo valor que a Receita Federal cobrava até janeiro deste ano das empreiteiras envolvidas na Lava-Jato. É preciso combater a corrupção, mas esse combate não pode servir para acobertar desmonte de direitos, como o fundamentalismo neoliberal tenta fazer crer no Brasil.

No GloboPlay, há uma entrevista com uma brasileira radicada em Copenhague que faz uma defesa bem informada e sóbria do Estado de bem-estar social (https://globoplay.globo.com/v/6297336/programa/). É pena que os editores do “Globo Repórter” não tenham achado necessário incluir a entrevista no programa que foi ao ar, relegando-a à página na web, à qual pelo menos 50% dos brasileiros não têm acesso.

Dinamarca- O sistema de saúde dinamarquês

18 nov

Copenhagen, Denmark

O sistema de saúde dinamarquês é essencialmente público e gratuito, e todo cidadão residente legalmente no país tem acesso a ele. Para isso, toda pessoa recebe um cartão chamado sundhedskort, que é o seu cartão de saúde onde constam o número do seu CPR (registro pessoal, número que equivale ao nosso CPF e RG no Brasil), seu nome completo e seu endereço; o grupo de saúde no qual você está registrado; o nome, endereço e telefone do seu médico de família; a data de início da validade do seu cartão e o telefone da prefeitura da cidade onde você mora. É obrigatório apresentar o cartão em cada visita ao médico, seja ao seu médico de família ou ao médico plantonista, bem como nas visitas ao dentista, quiroprata e para ser atendido no serviço de atendimento ao cidadão da prefeitura e na biblioteca municipal.

Há o sistema público, utilizado por toda a população, e um sistema privado, utilizado por uma parcela da população. O foco desse texto é o sistema público, cujo acesso é gratuito e garantido a todos os que vivem na Dinamarca legalmente.

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Cartão de saúde regular. Foto: Min by Holstebro (Divulgação)

Como funciona esse sistema?

O sistema de saúde divide os cidadãos em 2 grupos e a pessoa pode escolher o grupo em que quer se enquadrar: grupo 1, onde o tratamento com o médico de família e especialistas (sob encaminhamento) é gratuito e outros serviços de saúde como dentista, podólogo, psicólogo e fisioterapeutas são subsidiados; e grupo 2, onde o cidadão paga um valor extra para o governo para ter a liberdade de ser atendido por qualquer médico e demais tratamentos de saúde são subsidiados como no grupo 1. A grande maioria da população está no grupo 1 e caso a pessoa não escolha um grupo, ela é automaticamente enquadrada como grupo 1.

Toda pessoa tem direito a escolher um médico de família que irá atendê-la – caso não escolha ou caso o médico não possa aceitá-la, a própria municipalidade designará um médico. Esse é normalmente um clínico geral e será responsável por avaliar você e sua saúde em todos os aspectos. Caso venha a precisar de um especialista em determinada área, é o seu médico quem vai fazer o encaminhamento, mas em geral é ele mesmo quem vai lhe tratar, independentemente do que você esteja sentindo. Para ser atendido é preciso agendar consulta com seu médico e sempre é necessário apresentar o cartão de saúde no dia da consulta. Exames básicos como exame de sangue e urina são geralmente feitos no próprio consultório médico, que normalmente conta com uma secretária, uma enfermeira, o seu médico, um médico residente e um psicólogo. Exames mais elaborados para diagnósticos de doenças mais graves só são solicitados em casos específicos, e normalmente são feitos em hospitais.

Para ser atendido você precisa telefonar para o consultório e agendar, ou acessar o sistema de atendimento online do consultório do seu médico, onde você pode fazer o agendamento através de um sistema pelo computador, direto da sua casa. Sendo cadastrado e acessando esse sistema se pode marcar consultas, fazer perguntas ao médico, ver resultados de exames e renovar prescrições de medicamentos. A primeira consulta é sempre agendada por telefone e você precisa solicitar o cadastro no sistema do consultório para poder ter acesso à plataforma online de agendamento de consultas e comunicação com o seu médico via e-mail.

Os consultórios médicos funcionam em horário comercial, geralmente das 8:00 às 16:00 e têm períodos de férias, além de estarem fechados nos feriados nacionais. Se a pessoa precisar de atendimento de emergência pode telefonar para o lægevagt, que nada mais é que o pronto-socorro em hospitais, ou em casos em que não haja um hospital ou ambulatório por perto e seja uma emergência de risco de morte, por exemplo, ela pode ligar para 112, o número de emergência na Dinamarca, e pedir ajuda. Antes de ir diretamente ao hospital ou ambulatório mais próximo é preciso telefonar para o lægevagt e descrever o que está sentindo, para receber instruções por telefone sobre o que fazer e se é realmente necessário se dirigir pessoalmente para uma consulta de emergência.

Os tratamentos dentários são gratuitos para crianças, adolescentes e jovens até 18 anos.

Medicamentos

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Farmácia em Lyngby, Zelândia. Foto: Politiken (divulgação)

A compra de medicamentos é regulada pela agência de saúde do governo e a grande maioria dos medicamentos é vendida somente sob prescrição médica, incluindo pílulas anticoncepcionais, por aqui chamadas de P-piller. É possível, no entanto, comprar medicamentos como antitérmicos e analgésicos sem prescrição. Somente os medicamentos vendidos com receita são vendidos em drogarias (lojas físicas e online); demais medicamentos vendidos sem receita são vendidos em supermercados, lojas de conveniência etc.. Não há distribuição gratuita de remédios no país; portanto, se você precisar se tratar de uma doença crônica, por exemplo, terá que arcar com os custos do tratamento medicamentoso. Entretanto há a possibilidade de solicitar reembolso de parte do valor gasto com certos medicamentos – o valor do reembolso pode chegar até a 85% do valor gasto. É preciso, para isso, comprovar que o gasto anual com o tratamento supera o valor de 890 coroas dinamarquesas. As porcentagens dos valores de reembolso estão distribuídas assim: 50 %, para despesa compreendida entre 890 e 1.450 coroas; 75 %, para despesas entre 1.450 e 3.130 coroas;  e 85 % do total, se a despesa for acima de 3.130 coroas. Medicamentos reembolsáveis ministrados a crianças e jovens até 18 anos são reembolsados em no mínimo 60% do valor da despesa. As informações sobre reembolso de valores gastos com medicamentos podem ser lidas em inglês no site da Agência Dinamarquesa Para a Saúde e Medicamentos.

Uma dica importante para viajantes: se você toma remédios por conta de algum tratamento que faça no Brasil ou no exterior e vier para a Dinamarca, ainda que por um curto período, traga sempre as prescrições do seu médico junto com os remédios. Pode acontecer de você ser controlado na aduana e bloquearem a entrada dos seus remédios por falta de prescrição, ou por serem medicamentos cuja venda é proibida ou restrita no país. Evite trazer remédios controlados na bagagem de mão.

Atendimento a portadores de necessidades especiais

Pessoas que precisam de cuidado médico especializado por conta de uma necessidade especial contam com ajuda extra para serem cidadãos ativos na sociedade. Cada comuna possui um comitê composto por 7 conselheiros que ajudam os portadores de necessidades especiais de várias formas. Para mais informações a respeito consulte o site do serviço ao cidadão (somente em dinamarquês). Há outro site onde é possível ler a respeito dos direitos concedidos aos portadores de necessidades especiais no país – acesse através desse link (somente em dinamarquês).

Para quem já mora por aqui e quer entender melhor o sistema de saúde dinamarquês, aconselho consultar o site nacional de saúde da Dinamarca, com informações em dinamarquês a respeito do funcionamento do sistema, medicamentos, doenças etc. e onde também é possível consultar prontuários médicos pessoais emitidos por hospitais públicos, histórico de consultas médicas e tratamentos, prescrições de medicamentos e cuidados hospitalares, acessando com seu NemID pessoal; e também o site Just landed, se você acabou de chegar ao país ou pretende visitar a Dinamarca como turista. As informações noJust landed estão em inglês.

E para quem mora legalmente no país o sistema de saúde dinamarquês também conta com um serviço de ‘ombudsman’ para reclamações e questionamentos a respeito do atendimento efetuado por profissionais da saúde como médicos, enfermeiros, dentistas, nutricionistas, psicólogos, quiropratas e fisioterapeutas. No portal Patientombuddet é possível registrar a sua queixa em relação ao atendimento, diagnósticos, prescrição medicamentosa, problemas com o seu prontuário médico ou qualquer outro assunto relacionado ao atendimento pelos profissionais da saúde no país que tenha sido insatisfatório para você. As informações no portal estão disponíveis em dinamarquês, inglês e alemão.

Informações úteis

  • Se você estiver de férias na Dinamarca e adoecer gravemente ou sofrer um acidente, você tem direito a tratamento médico e hospitalar gratuito no país, mesmo sem ter o cartão de saúde daqui ou o cartão europeu azul.
  • Se mora na Dinamarca, guarde bem o seu cartão de saúde e lembre-se de sempre tê-lo na hora de ir ao médico. Sem ele você não é atendido nem pelo seu médico de família, nem pelo médico plantonista, bem como por nenhum outro profissional de saúde (dentista, quiroprata etc.).
  • A emissão do cartão de saúde é gratuita, porém se você o perder ou se decidir mudar de médico ou grupo, ou se danificar o cartão atual e ele tiver menos de 4 anos de emissão terá que solicitar uma segunda via; essa é paga e custa 190 coroas (valor 2015). A solicitação é feita no Borgerservice da sua comuna e o novo cartão chega, em média, em 2 semanas.
  • Caso receba cartas do governo convidando para exames preventivos e vacinas, sempre ligue ou escreva para se informar a respeito. Normalmente essas ‘ofertas’ são voluntárias, isto é, você só participa se quiser.
  • O atendimento médico aqui pode ser por vezes decepcionante em relação a diagnósticos. Portanto, caso esteja com algum mal-estar que suspeite ser algo mais sério, exagere na descrição dos sintomas e insista para ser melhor examinado – só assim haverá uma chance de o seu médico solicitar exames auxiliares para lhe diagnosticar. Pode soar como má-fé mas a experiência que muitos têm é de ir ao médico, descrever os sintomas em detalhes e voltar para casa tomando paracetamol – por isso, solte o seu lado dramático no consultório; costuma funcionar!
  • Consulte o site Lægevagten para informações sobre atendimento de emergência (médico e dentista), primeiros socorros e farmácias de plantão em toda a Dinamarca (somente em dinamarquês).

BrasileirasPeloMundo

By

Cristiane Leme

Cristiane é formada em Comércio Exterior e Marketing Internacional, é colunista da Dinamarca desde maio de 2013 e foi editora-geral do Brasileiras Pelo Mundo de janeiro de 2015 a setembro de 2016. Também é sommelière, consultora independente em importação e exportação e foi colunista do blog para expatriados Expat in Denmark, que fechou em julho de 2015. Mora com o marido e a filha na Jutlândia Ocidental.

PROPINA NO FUTEBOL RENDE BILHÕES À GLOBO

17 nov

247 – O suposto esquema de pagamento de propina feito pela Globo a dirigentes do futebol para conseguir direitos de transmissão de jogos se revelou um negócio de altíssimo lucro para o grupo de mídia da família Marinho. 
Conforme relata Bárbara Sacchitiello, em reportagem do portal Meio e Mensagem, só na temporada de 2018 de futebol, a Globo lançou pacotes comerciais aos patrocinadores que podem render receitas de R$ 2,460 bilhões. 
A emissora criou um pacote comercial para as transmissões nacionais e internacionais e outro exclusivamente para a Copa do Mundo da Rússia. O pacote de Futebol 2018 – que engloba o Campeonato Brasileiro, Copa do Brasil, Copa Libertadores da América, Campeonatos Estaduais, Copa-Sulamericana e Amistosos da Seleção Brasileira – contém seis cotas de patrocínio, com valor de tabela de R$ 230 milhões cada. Têm prioridade os atuais patrocinadores do futebol da Globo: Banco Itaú, Ambev (Brahma), Chevrolet, Johnson & Johnson, Ricardo Eletro e Vivo. 
Já para a Copa da Rússia, o plano comercial da Globo também contempla seis cotas de patrocínio, com valor de tabela de R$ 180 milhões cada. 
Conforme delatou o empresário Alejandro Burzaco, a Globo é acusada de participar de um esquema de pagamento de propina de R$ 50 milhões para garantir direitos de exclusividade nas Copas do Mundo de 2026 e 2030.
Em seu depoimento, em que a Globo é citada 14 vezes, Burzaco detalha propinas pagas a José Maria Marin e Marco Polo del Nero, o ex e o atual presidente da CBF. Só na Copa América de 2015, o equivalente a R$ 10 milhões teria sido pago à dupla e a Ricardo Teixeira, que os antecedeu no cargo.

JUSTIÇA DE NY MOSTRA O CAMINHO DA PROPINA DA GLOBO

17 nov

247 – Nas reportagens que tem feito sobre o escândalo Fifa, em que é acusada de participar de um esquema de propinas de R$ 50 milhões para garantir direitos de exclusividade nas Copas do Mundo de 2026 e 2030, e também em torneios sul-americanos, a Globo tem afirmado que o delator Alejandro Burzaco, da empresa Torneos y Competencias, não esclareceu como a propina teria chegado às mãos do cartola argentino Julio Grondona, já falecido, que negociava os direitos de transmissão.
Nada mais falso. A ata do depoimento de Burzaco em seu segundo dia de depoimento, ocorrido nesta quarta-feira 15, foi obtida pela reportagem do 247 e mostra com clareza como dinheiro saiu do caixa da Globo e parou nas contas de Grondona. “Os direitos foram transmitidos à Teleglobo no Brasil. Para isso, a T&T Netherlands recolheria da Teleglobo e usaria parte dos fundos da T&T Netherlands para pagar subornos”, disse Burzaco. Ele afirma ainda que os direitos de transmissão foram negociados abaixo do valor real de mercado, justamente para que houvesse espaço para propinas.
Em seu depoimento, em que a Globo é citada 14 vezes, ele também detalha propinas pagas a José Maria Marin e Marco Polo del Nero, o ex e o atual presidente da Confederação Brasileira de Futebol. Só na Copa América de 2015, o equivalente a R$ 10 milhões teria sido pago à dupla e a Ricardo Teixeira, que os antecedeu no cargo. Marin é citado 32 vezes no documento desta quinta-feira 16 – Del Nero aparece em 41 citações.
Burzaco também afirma que a T&T Netherlands foi criada na Holanda justamente com o propósito de pagar propinas.

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