Polemizando por Anna Zappa

22 mai

Polemizando ( pra animar a sexta feira):
Volta à tona a discussão sobre a violência urbana, motivada pelo assassinato do ciclista da Lagoa por um menor, armado de uma faca. Não foi um caso isolado. Episódios semelhantes tem se proliferado nos grandes centros.
É quase unânime a opinião de que o que tem motivado a crescente criminalidade por parte desses jovens é a desigualdade social e a absoluta falta de educação de base.

Renomados estudiosos e ativistas apontam um sistema educacional falho, que não estimula nem educa efetivamente esses jovens, os quais acabam por abraçar o crime por total falta de opção, por absoluta ausência de valores que não foram absorvidos na família e que a escola não pode incutir-lhes também.


Culpa-se ainda a sociedade de consumo, o sistema capitalista, a banalização da vida, a falta de perspectivas de futuro.


A pergunta é: quantos anos, quantas DÉCADAS serão necessárias para uma reforma total ( no ensino, no sistema, na economia…….) que permita modificar esse cenário?


E o que faremos enquanto isso?


Se encarcerar o jovem criminoso (vítima de uma sociedade e de políticas governamentais que não foram competentes para conferir-lhes cidadania plena, empurrando-os para o crime) não é a solução ( e eu creio que somente isso não solucione nada mesmo), a solução seria esperar mais 12, 20, 25 anos até que essa imensa contradição seja resolvida?


Conscientes que somos de que o sistema Educacional no Brasil falhou, restará nos resignarmos e esperarmos que a próxima geração seja melhor que a nossa (que por sinal, é pior que a de nossos pais)?
E não venham me dizer q estou levantando bandeiras contra ou a favor da redução da maioridade. O que eu quero é uma resposta que não seja cruzar os braços e esperar.

Alguém tem?

Anna Zappa

Anna Zappa

“No País Errado” por Marcelo Zero

21 mai

A política externa brasileira tornou-se alvo preferencial de disputas partidárias menores e míopes.

A rejeição do brilhante embaixador Guilherme Patriota para nos representar na OEA, a primeira de um embaixador de carreira no plenário do Senado Federal, é sintoma preocupante do grau de histeria e desinformação que tomou conta do debate sobre as relações internacionais do Brasil.

No Congresso, surgiu uma espécie de “bancada da Guerra Fria”, que pensa a posição do Brasil no mundo como se ainda estivéssemos na década

de 60 do século passado. Seus integrantes parecem envolvidos numa cruzada contra o “bolivarianismo”, o “esquerdismo”, o “terceiro-mundismo” e outros “males ideológicos” que, segundo eles, vêm desvirtuando a política externa brasileira, retirando-a de seu “leito natural”.

Na mídia conservadora, não faltam parvas plumas que escrevem diatribes raivosas contra a política externa do país, revelando inacreditável desconhecimento sobre questões elementares das relações internacionais.

Desconhecimento e má-vontade.

Assim, os extraordinários acordos assinados este semana entre Brasil e China, que envolvem, apenas em seus aspectos iniciais, investimentos da ordem de US$ 53 bilhões, foram recebidos, por muitos desses nostálgicos da Guerra Fria, com estudada frieza e indisfarçável má-vontade.

Tenta-se, a todo custo, minimizar um golaço da política externa do Brasil e uma manifestação concreta e substancial de confiança no País.

Mas não pode haver dúvida da extensão, do alcance e do alto significado estratégico desses acordos.

Em primeiro lugar, os US$ 53 bilhões de investimentos que a China deverá fazer na infraestrutura brasileira vão contribuir decisivamente para que o Brasil volte a crescer. Num quadro de constrangimentos orçamentários e de ataques políticos ao BNDES, nosso grande banco de investimentos, esse fluxo de dinheiro chinês não poderia ter vindo em melhor hora. Também não poderia ter vindo em melhor hora a decisão da China de financiar projetos da Petrobras em US$ 7 bilhões, em claro contraste com a campanha que, em nome do combate a corrupção, procura fragilizar essa grande empresa e entregar o pré-sal aos abutres internos e externos.

Em segundo lugar, os acordos se estendem ao setor financeiro, crucial para a recuperação econômica do país e do mundo. Assim, Brasil e China decidiram criar fundo de 50 bilhões de dólares destinados à infraestrutura no Brasil, envolvendo a Caixa Econômica Federal e o Banco Industrial e Comercial da China, maior banco do mundo em ativos. Essa nova iniciativa complementa a adesão do Brasil ao Asian Infrastructure Investiment Bank (AIIB), grande banco de investimentos criado pela China para financiar projetos de infraestrutura, e ao Novo Banco de Desenvolvimento do BRICS, bem como ao Acordo Contingente de Reservas desse bloco.

Esses fundos e bancos criados por China, Brasil e outros países emergentes constituirão uma arquitetura financeira alternativa ao Banco Mundial e ao FMI, instituições que impõem pesadas e, por vezes, recessivas condicionalidades para emprestar dinheiro a países em desenvolvimento.

Para o Brasil, isso significará um volume bem maior de investimentos e financiamentos mais facilitados. Para a China, essas iniciativas, além de possibilitarem a construção de infraestrutura em parceiros estratégicos, contribuirão para propiciar a progressiva libertação do “império do dólar”, em suas transações internacionais.

Em terceiro lugar, alguns dos projetos previstos nos acordos são estruturantes e de alto valor logístico. A Ferrovia Transoceânica, por exemplo, permitirá ao Brasil ter acesso facilitado ao Oceano Pacífico, de modo a poder escoar sua produção à região que mais cresce no planeta. Não há “aliança do pacífico” melhor do que essa.

Entretanto, o significado maior desses acordos não é econômico, é geopolítico.

Com efeito, eles evidenciam profundas mudanças geoeconômicas e geoestratégicas que vêm ocorrendo na ordem mundial. Mudanças que nossos nostálgicos da Guerra Fria têm dificuldades de perceber.

A partir do final dos anos 90 e início deste século, há um nítido descolamento entre a dinâmica dos países emergentes e a dos países desenvolvidos. Os países emergentes passaram a apresentar um crescimento substantivamente mais intenso que o dos países desenvolvidos.

Isso provocou profunda mudança geoeconômica no mundo. A China e outros países em desenvolvimento, como Brasil, Índia, etc. adquiriram um protagonismo econômico muito maior. Obviamente, esse maior protagonismo abriu novas e grandes janelas de oportunidades para o Brasil, especialmente no campo do comércio exterior e dos investimentos. Deve-se levar em consideração que, devido a esse crescimento maior, os países emergentes e em desenvolvimento aumentaram enormemente a sua participação no comércio mundial. No início dos anos 90, tais países respondiam por somente um terço do comércio internacional. Nos últimos anos, porém, esses países passaram a responder por cerca da metade desse fluxo.

Inevitavelmente, o Brasil mudou sua inserção econômica no mundo.

Assim, os países em desenvolvimento já absorvem, hoje, cerca de 60% das nossas exportações, ao passo que os países desenvolvidos absorvem 40%. No início deste século, tal equação era inversa. E os países em desenvolvimento e emergentes são também muito importantes para as nossas exportações de manufaturados, especialmente pela vertente da integração regional e do Mercosul. De fato, esses países já respondem por 60% das exportações brasileiras de produtos industrializados. Não se trata somente de commodities, como erroneamente se afirma.

Além disso, na presente crise, são justamente esses países que estão nos assegurando um comércio mais equilibrado, apesar da redução crescente de nossos superávits e do pequeno déficit registrado em 2014. Entre 2009 e 2014, obtivemos superávit de US$ 103 bilhões com países emergentes e em desenvolvimento, mas amargamos mais de US$ 60 bilhões de déficit com países desenvolvidos, US$ 45 bilhões dos quais com os EUA.

Com essas mudanças geoeconômicas vieram, é claro, as mudanças geopolíticas.

O Brasil aproveitou bem e de forma realista essas mudanças na ordem mundial.

Em outras palavras, a economia mundial mudou, surgiram novos polos dinâmicos entre os países emergentes, novas articulações de poder no cenário internacional, e o Brasil, graças à nova política externa, aproveitou bem, de modo pragmático, esses câmbios ocorridos na geoeconomia internacional e na geopolítica mundial.

Não há, assim, nada de ideológico ou partidarizado nessas vertentes exitosas da nova política externa do Brasil, ao contrário do que parecem acreditar os nostálgicos da Guerra Fria e os que propõem a suicida agenda do fim do Mercosul.

Se os acordos dessa semana tivessem sido celebrados com os EUA ou com a UE, a recepção teria sido bem outra. O ceticismo e a má-vontade cederiam a festejos incontidos e a uivos de vira-latas, em nome da volta da diplomacia brasileira ao seu “leito natural”. Leito natural que, se retomado, provavelmente implicará a adesão do país à Alca “bilateralizada” contida nos acordos de livre comércio celebrados com os EUA.

A China, também pragmática, aposta no Brasil e confia no novo país que está sendo construído. Olha à frente, muito à frente, e fortalece a parceria estratégica com o Brasil.

Já os nossos nostálgicos da Guerra Fria só conseguem olhar para trás, buscando um mundo velho e um Brasil apequenado que já não existem mais.

Míopes em estratégia, enxergam errado e votam errado.

Estão no país errado.

Marcelo Zero  

(sociólogo e especialista em Relações Internacionais)

A verdade prevalece por Fernanda Pires via Clovis Gomes

20 mai

A Câmara trama.

O Senado conspira.

O PSDB aterroriza.

A Globo manipula.

A Veja emburrece.

O FHC mente.

O inocente acredita

. O Aécio cheira.

A Marina muda.

A Marta trai.

O Cunha inferniza.

O Malafaia odeia.

O Feliciano fiscaliza.

O Bolsonaro mira.

O Moro atucana.

O Lobão brada.

A Zelotes míngua.

A RBS sonega.

A madame xinga.

A panela bate.

O fascismo flerta.

O golpe galopa.

A militância luta.

O vermelho cresce.

O PT resiste.

A Petrobras progride.

O mercado aquece.

A gasolina baixa.

O pobre viaja.

O aeroporto lota.

A China investe.

A universidade enche.

O coxinha chora.

A Leitoa grita.

Os William’s berram.

A estrela brilha.

A Dilma governa.

O Brasil avança.

O Lula volta. em 2018.

A verdade prevalece!

A MALDIÇÃO DE MARGARET THATCHER por Maria Lucia de Andrade Pinto

20 mai

Só pode ser maldição da Margaret: o neoliberalismo não dá certo em lugar nenhum, mas, vira e mexe, lá vem ele nos assombrar. É a vitória póstuma de Thatcher?

Quanta dificuldade para construir uma alternativa ao neoliberalismo e suas políticas de austeridade e aumento da desigualdade social, provocada pela perda de direitos trabalhistas e mesmo de direitos de cidadania.
Temos de reconstruir uma alternativa a partir da batalha ideológica, criticando os termos que nos são impostas e propor uma outra língua, em vez de combater o inimigo no chão.
O inimigo dos 99% é o neoliberalismo hegemônico nos EUA e seus seguidores em vários continentes. Neoliberalismo entendido não só como um sistema político e econômico, mas também como um modelo que produz padrões culturais, ideias científicas e filosóficas, leis, proibições etc
A propaganda neoliberal feita 24 horas por dia pela parafernália midiática condiciona os sujeitos a pautarem seus debates como se não houvesse outra alternativa se não idolatrar o capitalismo em sua fase neoliberal e imperialista.
Tal como são os fatos apresentados pelos diversos atores políticos do espectro que vai da posição de centro-esquerda até a de direita, puríssimo sangue, esse é o nosso destino.
A cada eleição, políticos em campanha, prometem que haverá avanços, que a “mudança” será agora. Que todos os legítimos anseios populares abafados em 1964,com a ajudinha dos EUA, enfim terão voz e vez. Mas as políticas não mudam: logo vem a assombração de Margaret Thatcher e decreta que a única via é austeridade para a classe trabalhadora e lucros, muitos lucros, para os bancos, as transnacionais, a classe dominante em particular e no geral.
Diante desse rolo compressor neoliberal tem havido um processo de desmobilização de esquerda: a vitória póstuma de Margaret Thatcher. O slogan do direito “não há alternativa” tornou-se um lema para os centro-esquerdistas no governo. A desmobilização das esquerdas, a incapacidade de criar uma frente popular de esquerda, gera desmoralização, como acreditar na democracia se uma mudança de presidente não vai mudar nada? Ou muda para pior?
Para alguns socialistas ou comunistas, isso funciona como um impulso para retirar-se para a vida privada; para outros, como uma tentação antidemocrática ; para os outros, especialmente para os militantes, a dificuldade de pensar politicamente a impotência é, por vezes, até mesmo depressão. É para evitar isso que é preciso reconhecer o desapontamento, a frustração pela confiança depositada, talvez ingenuamente, talvez equivocadamente.
Há um futuro, novas gerações estão chegando à idade da razão, à possibilidade de desenvolver um espírito crítico e ousar criar, inventar rumos humanizadores, que propiciem a maior soma possível de felicidade para todos: é preciso reconstruir uma alternativa a partir da batalha ideológica, criticando os termos que são impostos como “realismo”, um realismo negado pela própria realidade.
Há que propor outra linguagem, outra pauta e propor uma outra língua, em vez de combater o inimigo no seu próprio terreno, onde não temos chance de vitória, tal o formidável poder econômico e político.
Muitos vaticinam: a esquerda pode morrer. Propagandeiam uma decepção geral com o socialismo. Se torna-se difícil de toda e qualquer oposição porque na verdade todos os partidos burgueses se acertam e se entendem, mesmo quando fingem ódios mortais entre si: pura manobra para evitar que se discutam os reais problemas do povo trabalhador.

Às vezes, dá até a impressão que o neoliberalismo conquista a maioria das mentes e corações e transforma a nossa relação com o mundo. É um regime que não só se impõe contra os nossos constrangimentos externos, mas também ajuda a nos definir como sujeitos, a partir de dentro.

A subjetividade neoliberal nos apresenta, o que queremos ou não, na sua lógica. Então, tentamos aumentar o nosso valor dentro desse sistema bandido: não só o nosso capital econômico, mas tudo mais, – nós valorizamos, a nossa formação profissional, aspecto físico, relacional, etc. Nós aceitamos o jogo. Sob estas condições, como manter a pensar que “um outro mundo é possível?”. Portanto, não é surpreendente que a fronteira entre a direita e a esquerda desaparecem nos partidos do governo e mesmo naqueles da oposição.
Todos considerando que as maldades, os crimes, a corrupção, são inevitáveis e que os grandes dramas e tragédias nacionais não devem sequer ser abordados.
Que forças políticas hoje, agora, aqui no Brasil, oferecem esperança para quem resiste ao desespero?
Estranhamente parece que a hegemonia dos partidos no governo impôs seu discurso econômico, um discurso claramente neoliberal.
A “esquerda da esquerda”, que rejeita esse discurso econômico sem se juntar ao fatalismo dominante é inaudível ou quase isso.
Mas essa degradação mais progressista e menos brutal não está conseguindo entorpecer as tentativas de protesto. A esquerda esquerda, pequena, quase inaudível é abusada: manifesta-se em greves e passeatas, diz que não temos nada mais a perder, e, portanto, temos de lutar,e tenta salvar o que ainda resta. Assim, o egoísmo, o isolamento vai dando lugar as mobilizações em todo país.
De novo poderá surgir a solidariedade, novos tipos de organização, diante do crescente e já bem visível descontentamento popular.
No final, uma coisa é certa: a política de austeridade continua e as reformas neoliberais vão continuar. E o descontentamento popular vai aumentar.
E a História não tem o costume de parar pra descansar.

Maria Lucia Andrade Pinto

Maria Lucia de Andrade Pinto

Veja os vários processos de corrupção que os políticos defensores do impeachment da presidente Dilma respondem na justiça

18 abr

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Lideranças de partidos de oposição ao governo receberam, na quarta-feira (15), alguns dos agitadores dos protestos dos dias 15 de março e 12 de abril – entre eles, Rogério Chequer, do Vem Pra Rua. Durante o encontro, figurões como Agripino Maia (DEM), Ronaldo Caiado (DEM), Mendonça Filho (DEM), Paulinho da Força (SD), Aécio Neves (PSDB) e Roberto Freire (PPS) tiveram a oportunidade de esbravejar contra os casos de corrupção que desgastam o PT e a gestão Dilma Rousseff.

Chama atenção, entretanto, a ficha dos defensores da ética e do combate indiscriminado à corrupção. Associação com o bicheiro Carlinhos Cachoeira, prisão por fraudes e desvios em grandes obras, contas em paraísos fiscais em nome de familiares, recebimento de propina, recursos de campanha questionados na Justiça e até falsificação de documentos para criação de partido fazem parte do histórico de acusações e dos relacionamentos intrigantes que envolvem as estrelas políticas do encontro em tela.

O JornalGGN(Nassif) fez uma breve seleção:

1 – Aécio Neves (PSDB)
O neto de Tancredo Neves que construiu um aeroporto de R$ 14 milhões no terreno do tio-avô já foi questionado na Justiça sobre o paradeiro de mais de R$ 4 bilhões que deveriam ter sido injetados na saúde de Minas Gerais. O caso Copasa contra o ex-governador foi engavetado. Destino semelhante tiveram as menções a Aécio na Lava Jato. O tucano foi citado por Alberto Youssef como beneficiário de propina paga com recursos de Furnas.

Para o procurador-geral da República, isso não sustenta um inquérito. Rodrigo Janot também cuida de outro escândalo que leva a Aécio, sob a palavra-chave Liechtenstein (um principado ao lado da Suíça). Investigando caso de lavagem de dinheiro, procuradores do Rio de Janeiro chegaram a uma holding que estava em nome da mãe, irmã, ex-mulher e filha do tucano. Esse inquérito está parado desde 2010 na gaveta do Procurador Geral da República.

2- Agripino Maia (DEM)

Presidente do DEM, Agripino Maia foi dono das expressões mais sugestivas de defesa da luta contra a corrupção. “Chegou a hora de colocar o impeachment [de Dilma Rousseff]”, disse no encontro com os manifestantes anti-governo.
O senador tem em seu currículo a acusação de receber R$ 1 milhão em propina, em um esquema que envolvia a inspeção de veículos no Rio Grande do Norte, entre 2008 e 2011. Coordenador da campanha presidencial de Aécio, o democrata, em 2014, teve seu caso arquivado no MPF pelo ex-procurador-geral da República Roberto Gurgel. Mas foi reaberto há sete meses por Janot, e agora está sendo investigado no Supremo Tribunal Federal (STF).

3- Ronaldo Caiado (DEM)

O senador Ronaldo Caiado (DEM) é associado ao bicheiro Carlinhos Cachoeira por supostamente ter recebido verba ilícita nas campanhas de 2002, 2006 e 2010. Cachoeira foi denunciado por tráfico de influência e negociava propinas para arrecadar fundos para disputas eleitorais.
O bicheiro foi preso em 2012 por operação da Polícia Federal que desbaratou esquema de adulteração de máquinas caça-níquel. Caiado foi citado nesse contexto, recentemente, por Demóstenes Torres. Ele teria participado de negociação entre Cachoeira e um delegado aposentado que queria ampliar esquemas de jogo ilegal. Até familiar do democrata já foi alvo de denúncia. O pecuarista Antônio Ramos Caiado, tio de Caiado, está na lista suja do trabalho escravo.

4- Roberto Freire (PPS)

Uma das principais acusações que pesam contra o presidente nacional popular-socialista é de envolvimento com o Mensalão do DEM. A diretora comercial da empresa Uni Repro Serviços Tecnológicos, Nerci Soares Bussamra, relatou que o partido praticava chantagem e pedia propina para manter um contrato de R$ 19 milhões com a Secretaria de Saúde do Distrito Federal, comandada pelo deputado Augusto Carvalho. Freire teria sido beneficiado no esquema.

5- Paulinho da Força (SD)

O presidente do Solidariedade, segundo autoridades policiais, participou de esquema de desvio de recursos do BNDES. Um inquérito foi aberto no STF para investigar o caso. Em 2014, a Polícia Federal também indiciou a sogra e outras duas pessoas ligadas ao deputado federal sob suspeita de falsificarem assinaturas para a criação do Solidariedade.

Gilmar Mendes conduzirá, ainda, a apuração em torno da suposta comercialização de cartas sindicais (uma espécie de autorizações do Ministério do Trabalho para a criação de sindicatos) por Paulinho, dirigente da Força Sindical. Consta nos registros que cada carta era vendida por R$ 150 mil.

6- Mendonça Filho (DEM)

Em fevereiro de 2014, Mendonça se envolveu em uma polêmica por querer indicar deputado acusado de duplo homicídio pelo Supremo Tribunal Federal para presidir a Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado. Julio Campos (DEM), ex-governador do Mato Grosso, afirmou que Mendonça teria dito que a indicação era uma “homenagem”.

O deputado federal de Pernambuco já foi preso pela Justiça eleitoral sob acusação de fazer carreata no dia de votação, mas o STF decidiu que não houve crime eleitoral. Um documento da Operação Castelo de Areia citava contribuição suspeita de R$ 100 mil da Camargo Correa a Mendonça, para sua tentativa de ser prefeito do Recife. Ele admitiu que recebeu R$ 300 mil da empresa, mas alega que foram doações dentro das conformidades.
7- Carlos Sampaio (PSDB)

O deputado mais votado da região de Campinas (SP) recebeu R$ 250 mil de uma empreiteira envolvida no esquema de corrupção da Petrobras investigado na Operação Lava Jato. Sua última campanha arrecadou, oficialmente, R$ 3 milhões. Não há comprovação sobre a lisura da doação. Sampaio, coordenador jurídico do PSDB e autor do pedido para que Aécio fosse empossado no lugar de Dilma Rousseff, teve reprovada a sua prestação de contas referente às eleições para a Assembleia de São Paulo, em 1998, e às eleições municipais de Campinas, em 2008.

8- Luiz Penna (PV)

O presidente do PV também aparece um tanto escondido na fotografia. Irregularidades já remetidas à prestações de contas do partido incluem seu nome. Em 2006, por exemplo, boa parte dos R$ 37,8 mil gastos em passagens aéres e R$ 76,8 mil com diárias de campanhas eleitorais foram atribuídos a José Luis Penna.
Na época, servidores do TSE apontaram ausência de documentos que comprovassem os gastos e uso de notas frias, indicando empresas fantasmas que teriam prestado os serviços. O corpo técnico do Tribunal sugeriu a rejeição das contas do partido de 2004, 2005 e 2006. O deputado federal respondeu a dois processos judiciais, um pelo TRE-SP, rejeitando a sua prestação de contas à eleição de 2006, e outra pelo TSE reprovando as contas do PV de 2004.

9- Flexa Ribeiro (PSDB)

O hoje senador já foi preso pela Polícia Federal em 2004, na Operação Pororoca, por fraude em licitações de grandes obras realizadas no Amapá. Foi acusado de corrupção ativa e passiva, formação de quadrilha, tráfico de influência, peculato, prevaricação, usurpação de função pública e inserção de dados falsos em sistema de informações.

10- Antonio Imbassahy (PSDB)

O deputado federal tucano era prefeito de Salvador em 1999, quando contratos suspeitos foram assinados com as empresas Andrade Gutierrez, Camargo Corrêa e Siemens, que formavam o consórcio responsável pelo metrô da capital baiana.

O Ministério Público Federal investiga o superfaturamento nas obras, que gira em torno de R$ 166 milhões. Até agora, dois gestores indicados por Imbassahy à época e duas empresas foram indiciadas. O tucano é o vice-presidente da CPI da Petrobras, que investiga desvios de verbas da estatal, onde diretores da Andrade Gutierrez e Camargo Corrêa também aparecem como réus. Imbassahy foi acusado pelo PT de se aproveitar do posto na CPI para pedir documentos à Petrobras e vazar para a imprensa.

11- Beto Albuquerque (PSB)
Ex-colaborador do governo Tarso Genro (PT) no Rio Grande do Sul, Beto Albuquerque (PSB) foi envolvido na intriga que rendeu a queda do então diretor-geral do Departamento de Autônomo de Estradas de Rodagem (Daer) José Francisco Thormann. Thormann se antecipou a uma demissão após a imprensa local ter revelado que ele viajou à Suiça às custas de uma empresa privada subcontratada para fazer obras no Estado. Em nota de defesa, Thormann afastou suspeitas sobre o fato, e revelou que Beto Albuquerque, quando secretário de Infraestrutura do Estado, também fez viagens ao exterior bancadas por empresas que detinham contratos com o poder público. Quando a notícia surgiu, Tarso já não era secretário – tinha deixado a gestão petista para reforçar a bancada do PSB na Câmara Federal.

Dá para acreditar que esses políticos da oposição fascista são “limpinhos  e cheirosos” ?

Por 

Cíntia Alves
Luiz de Queiroz
Patricia Faermann

A geopolítica do Golpe

15 abr

Roberto Stuckert Filho/PR

Por Luís Fernando Vitagliano

Conjecturar sobre o papel dos EUA nos escândalos do Brasil de hoje não tem nada de teoria da conspiração: o golpismo é a base da política externa americana

Em setembro de 2013 a presidenta Dilma cancelou uma viagem a Washington depois das denúncias de que a NSA , a agência de segurança do Departamento de Estado norte-americano, espionava o governo brasileiro.
 
Um foco central da espionagem era a Petrobrás – ademais do BNDES.
 
Seis meses depois, em março de 2014, era deflagrada a operação Lava Jato.
 
O foco de interesse da operação: a Petrobrás.
 
Agora, ventilam-se suspeitas de irregularidades também contra o BNDES.
 
Não é necessário ser adepto de teorias conspiratórias para enxergar pertinência na pergunta: existe relação entre os dois momentos?
 
Ou mais diretamente: a espionagem norte-americana pode ter vazado informações propositalmente para gerar um processo de desestabilização contra a agenda de desenvolvimento brasileira? E, sobretudo, contra a política soberana  de exploração das maiores descobertas de petróleo registradas no planeta no século XXI?
 
Desnecessário dizer que se há consistência em denúncias de corrupção  –tenham elas a origem que for–,  devem ser investigadas.
 
Esse certamente é o caso das Lava Jato.
 
Todavia, quando há um claro viés político envolvido, e são notoriamente viciados e seletivos os vazamentos das investigações, deve-se arguir as motivações originais do processo. Nada disso inocenta quem é culpado. Mas pode oferecer à sociedade um mirante de maior abrangência, para ampliar seu discernimento sobre o conjunto das forças, os interesses, a manipulação e as omissões envolvidos na questão.
 
Um efeito colateral de não fazê-lo, por exemplo, é rebaixar a trama a uma disputa entre corporações da PF, a justiça e o Estado brasileiro, perdendo-se as dimensões da disputa geopolítica e estratégica que avulta deste episódio.
 
Hoje não é possível afirmar que as agências de espionagem dos EUA – ou interesses econômicos associados a elas, são responsáveis (ou os desencadeadores) do quase desmanche a que tem sido submetida a Petrobrás. Insista-se: o processo atinge especialmente a estrutura logística montada em torno da exploração do pré-sal e do beneficiamento em solo brasileiro do óleo extraído dessas reservas.
 
Até que se prove o contrário, os maiores responsáveis da Lava Jato são os diretores da própria Petrobrás envolvidos em uma parceria ilícita com cartéis de fornecedores e empreiteiras, mancomunados em expedientes de sobrepreços e propinas milionários.
 
Ainda que esse epiderme pareça resolvida, a tradição intervencionista das agências norte-americanas e sua longa folha de indução, patrocínio e participação direta na história dos golpes de Estado e conspirações contra governos soberanos na América Latina e no mundo autorizam outras cogitações.
 
Um rápido retrospecto do que é capaz o braço imperial norte-americano indica a pertinência dessa investigação.
 
Na segunda metade do século XX, os EUA picotaram o planeta com intervenções destinadas a ‘estancar a proliferação de regimes comunistas e/ou alinhados ao campo comunista’, como justificavam seus ideólogos.
 
Na década de 70, a ‘Détente’ trocou a corrida nuclear direta entre EUA/Rússia pelos conflitos em frentes específicas.
 
Angola, por exemplo, foi um dos palcos das “Proxy Wars” onde disputa das potências pela hegemonia global patrocinava um dos lados do conflito interno.
 
No Vietnã, a terceirização ‘suja’ levou ao envolvimento direto de tropas americanas pela virtual incapacidade dos ‘aliados’ do sul cumprirem o script – antes protagonizado pela França com apoio financeiro estadunidense.
 
A norma, porém, foi a ação do braço ‘oculto’ do intervencionismo norte-americano a insuflar de forma mais ou menos ostensiva a desestabilização de governos, a imposição de interesses econômicos imperiais, a contenção de manifestações populares e/ou promoção de golpes militares.
 
Alguns exemplos da ‘concretude golpista’ para quem imagina que as coisas se restringem a ações secretas de vigilância eletrônica da Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos, detalhadas por Edward  Snowden em 2013.  Golpismo em ação na América do Sul:  Brasil* (1964); Chile* (1973); Uruguai* (1973); Argentina* (1976); Bolivia* (1964); Paraguai* (1954); Venezuela (2002). Em tempo: os asteriscos indicam países fizeram parte da chamada Operação Condor.  Na América Central: Guatemala (1954); República Dominicana (1961); Nicarágua (1981); El Salvador (1981); Cuba (pré-revolução e invasão da baia dos porcos); Porto Rico (1950); Panamá (1958 e 1989). Na Ásia: Vietnã do Sul/Vietnã do Norte (1962 se tomado o ano da entrada dos EUA no conflito); Coréia (1954); Laos (1962); Tibet (1950). Na Ásia Central & Oriente Médio:  Turquia (1980); Líbano (1958 e 1982); Irã – Mossadegh (1953); Libéria (1990); Iraque (1990/1991 e 2003) – Guerra do Golfo;- Afeganistão (2001). Na África: Angola (década de 1980) e Congo (1960).
 
Sob esse pano de fundo a pergunta inicial pode ser refeita de forma mais ampla.
 
Quem garante que o cenário atual de quase paralisia econômica e absoluta incerteza em relação ao futuro brasileiro não decorra de uma ação deliberada em que se combinam grampos, invasões de email e uma endogâmica parceria entre interesses locais e imperiais determinados a quebrar a espinha dorsal de um projeto de desenvolvimento  que tem no pré-sal e no ciclo de governos iniciado em 2003 dois dentes decisivos da engrenagem?
 
Ceticismo? Bem, estamos falando da segunda mais importante economia das Américas, do segundo maior banco de desenvolvimento do mundo  (hoje terceiro, depois do banco dos BRICs) e da maior empresa da América Latina (uma das mais importantes empresas de petróleo do mundo); estamos falando do domínio completo da tecnologia de exploração de petróleo em águas profundas e de um estoque de cerca de 50 bilhões de barris no pré-sal – há quem fale no dobro.
 
Por menos que isso coisas piores foram patrocinadas pela diplomacia armada dos EUA.
 
Desde junho de 2013 o Brasil registra uma espiral de mobilizações.
 
Poucos atentaram para o fato de que o desenvolvimento autônomo da economia brasileira e seu projeto de integração regional tornaram-se alvos de ataques crescentes, à medida em que a pauta desses movimentos se ampliava.
 
Depois vieram as eleições presidenciais virulentas de 2014.
 
Projetos explícitos de autonomia do Banco Central, privatizações, abertura de capital e redução do papel do Estado na economia foram apresentados.
 
Denunciar as consequências dessa agenda conservadora na vida da população foi o fator decisivo para a vitória progressista.
 
Os EUA tinham lado nessa disputa ou assistiram inertes a ela?
 
Qualquer um que acesse a wikileaks encontrará documentos comprobatórios de que agências dos EUA financiam jornalistas brasileiros e compram espaços em meios de comunicação.
 
Isso teria sido gentilmente suspenso durante o pleito de 2014 como prova da lisura do Departamento de estado em relação à soberania democrática do povo brasilero?
 
A história recente do capitalismo no país é a história do aprofundamento da associação entre grupos empresariais locais e o capital internacional.
 
Isso passa ao largo das urnas? E da ‘preparação’ do imaginário social para elas?
 
Foram de fato ações espontâneas da ‘sociedade civil’ as manifestações crescentes contra o governo, antes de outubro de 2014 e, agora, pelo impeachment?
 
Onde encaixar, então, a ativa ação coordenadora da família Frias nas manifestações pelo impeachment, convocadas para este 12 de abril?
 
Quem abrisse o site da UOL logo cedo neste domingo (12/04) encontraria lá as coordenadas e o incentivo para ir à luta.
 
Isso mesmo, um comitê central de coordenação do esforço pró-impeachment no principal site de notícias do país. Assim:
 
‘Vai ao protesto deste domingo? Participe pelo WhatsApp do UOL (11) 97500-1925’
 
Devemos somar esse anúncio convocatório à sucessão de acontecimentos de  ‘geração         espontânea da sociedade civil’?
 
Sem a pretensão de impor aos leitores da Carta Maior a tese de que esses sinais sugerem algo mais grave do que o espontaneísmo da sociedade civil em marcha, relacionamos alguns argumentos relevantes para uma reflexão que já passa da hora:
 
Primeiro argumento: o histórico de conspirações dos EUA
Como demonstrado acima, trata-se aqui de uma evidência histórica documentada. Não estamos falando de nenhum país de tradição pacifista. Estamos falando do intervencionismo radical que considera as Américas e, claro, o ‘quintal’ latino-americano, sua prerrogativa geopolítica inegociável.
 
Segundo argumento: os interesses corporativos
 
O Brasil é o país mais importante da América Latina do ponto de vista comercial e financeiro. Depois do NAFTA, tornou-se a última grande fronteira de soberania à dominação pura e simples do poder econômico e comercial dos EUA na região. A reconstrução do Estado brasileiro a partir de 2003 ergueu obstáculos relevantes  à dominação corporativa dos EUA. O BNDES, por exemplo, foi resgatado como banco de desenvolvimento com fôlego para agir no Brasil e fora dele. É um alvo estratégico. Não é casual que Aécio Neves tenha ‘denunciado’ o financiamento do BNDES às obras do porto de Mariel, em Cuba, durante a campanha eleitoral de 2014. Enquanto os EUA estão numa briga interna surda sobre o embargo, o Brasil saltou à frente e na questão naval já agia para ter um lugar estratégico que pode ser uma passagem não só para Europa pelo Atlântico, como para o Pacífico com o canal do Panamá. Além disso, o pré-sal é, sem dúvidas, um alvo preferencial. A legislação dos royalties junto com as regras da partilha inviabiliza o domínio das petroleiras estrangeiras sobre essa riqueza. A Lava Jato atinge uma ferramenta estratégica dessa agenda soberana de desenvolvimento; independentemente dos desvios e irregularidades cometidas, ameaça inviabilizar um projeto autônomo para a expansão e consolidação de um ator geopolítico importante.
 
Terceiro argumento: as mudanças na geopolítica mundial
 
Foi de Jean O’Neill para um relatório da Goldman e Sachs que o termo BRIC – Brasil, Rússia, Índia e China – fora criado. Ou seja, como uma referência para o mundo dos investidores. Ninguém poderia supor que esse acróstico para motivar capitais ociosos  fosse se tornar uma parceria estratégica e geopolítica de enfrentamento dos quatro grandes em relação ao bloqueio da agenda do desenvolvimento no ambiente neoliberal. Qualquer um que leu Han-Joon Chang conhece a tese do “chutando a escada”. Países que chegaram ao topo do desenvolvimento procuram propositadamente chutar a escada dos que querem seguir o mesmo caminho para que não tenham concorrência. Brasil, Índia, Rússia e China agora furam o bloqueio do acesso à escada com uma parceria estratégica inédita e que assusta o ocidente desenvolvido (leia o editorial do Especial deste fim de semana da Carta Maior). Com um agravante: é praticamente impossível aos EUA interferir em regimes como o Chinês. Mas contra os governos da Rússia, Brasil e Índia é mais fácil…
 
Quarto argumento: finalmente, os métodos de combate.
 
As leituras de Naomi klein ou Gene Sharp são instrutivas. A primeira mostra como a “doutrina do choque” foi usada em geopolítica, provocando crises e planejando reconstruções mais alinhadas aos interesses das corporações econômicas. Sharp fala da luta contra ditaduras com métodos de não agressão. Recomenda usar e abusar das redes sociais. A chamada “primavera árabe” tornou-se uma peça publicitária contra regimes nacionalistas. Robôs na internet, propaganda disfarçada de protesto, incitação das oposições (‘você não sabe ainda se vai  à Paulista, domingo? Qualquer dúvida, entre em contato com o Whatsapp da Folha …). É preciso muita organização e dinheiro para trabalhar com todas essas variáveis. Quem financia? A venda de camisetas da ONG ‘Vem para a rua?”.  Gerar clima para destituição de um regime não é espontâneo. Essa ‘espontaneidade’  faz parte de um planejamento. Sharp mostra como é possível acabar com um regime sem disparar um tiro. Às vezes escapa alguma coisa, como na Líbia… Ossos do ofício. Mas o novo padrão ‘institucional’ foi testado e bem usadao pela CIA no Oriente Médio. Pode funcionar no Brasil? Ou algum ingênuo ainda acha que estamos diante de uma “ação cívica” em prol da felicidade e da lisura da pátria?  Mas, um detalhe não pode passar desapercebido: no Brasil as forças sociais já se manifestaram e as eleições decidiram. E o fizeram recentemente dando a quarta vitória presidencial a uma agenda progressista.  A conspiração e clima de ‘desgoverno’ pode revogar isso?
 
É essa a disputa em curso.

Eduardo Motta or Ed Mott !!! Give me a break man

10 abr

Ed Mott no piano

Quando em 1962 Tom Jobim ,João Gilberto,Agostinho dos Santos,Luis Bonfá,Carlos Lyra,Roberto Menescal,Sergio Mendes,Sergio Ricardo e outros aterrizaram em Nova York, foram recebidos no aeroporto, por uma lenda viva do jazz norte americano , o saxofonista Cannonball Ardeley que foi do sexteto de Miles Davis.

Era para fazer o show no “Carnagie Hall” que estava lotado, com muita celebridade na platéia como os músicos Miles Davis, Herbie Hancock e Gerry Mulligan; os cantores Tony Bennett e Peggy Lee para ver e ouvir uma nova música que estava “pintando no pedaço” :. a bossa nova.

Segundo o grande radialista Walter Salles todas as televisões e radios do mundo estavam lá
para cobrir o evento que mesmo “desorganizado” foi o maior sucesso.

Tom Jobim, cantou “Samba de Uma Nota Só”; João Gilberto, cantou “Samba da Minha Terra”, seguindo-se “Corcovado” e “Desafinado”;Agostinho dos Santos, com Luiz Bonfá ao violão, foram ovacionados pelos nova-iorquinos cantando “Manhã de Carnaval”.

Atenção para o detalhe:. todas as canções foram cantadas em “português”, pois para se gostar de uma canção não precisamos entender a letra ou saber inglês,francês ou “grego”(sic), vide o exemplo musical dos Beatles em toda a parte do mundo.

Ou seja a “música brasileira” desde de Ary Barroso (Aquarela do Brasil),Carmem Miranda,Villa Lobos,Pixinguinha já fazia sucesso na terra do “Tio Sam”.

Em 1967 a bossa nova veio para cristalizar este sucesso, e chegou no seu auge, no show de Frank Sinatra e Tom Jobim transmitido “costa a costa” pela TV nos EUA.

Outro detalhe:. neste memorável e inesquecível show contava também com a “diva do jazz” Ella Fitzgerald e dois dos maiores arranjadores na cena jazzística que eram Nelson Ridle e o alemão Claus Ogerman.

Nossa, mas toda essa pompa conquistada por Tom Jobim foi o bastante para os “vira latas brasileiros”(principalmente os músicos) valorizarem a nossa música e nossa cultura?
A resposta é “não”.

Esse “viralatismo” ainda é predominante na elite brasileira, e segmentos da classe média conservadora no Brasil .

É a elite que vai passar suas férias e gastar seu dinheiro (que ela ganhou no Brasil) em Nova York,Paris,Miami(sic),Orlando etc..

O pior é o grande percentual de músicos brasileiros, que conhecendo ou não nossa música e nossa cultura,continuam “super valorizando” tudo o que vem dos EUA .(cinema,música,moda,shoppings etc..)

O axioma, dominação econômica pressupõe dominação cultural , cabe bem nesses exemplos.

Mesmo o Brasil nesses últimos 12 anos sendo reconhecido e conquistado o 7° lugar como potência econômica e ter avançado muito na area social, o viralatismo e a baixa auto estima dos “bens nascidos” continua arraigada.

O pior é ver essa tendência ao viralatismo na periferia de São Paulo, com a difusão do rap,rip hop e funk.

As roupas e os trejeitos são tudo americanizados.Só falta eles cantarem em inglês. .

Não me espanta o chilique do cantor Ed Motta que deveria se chamar de Edward Mott, ao dizer que seu show vai ser tudo em inglês( english please) ,justificando seu viralatismo e baixa auto estima que o “inglês é lingua universal”.

Edward Mott ou melhor Eduardo Motta ou (sic) Ed Motta é na verdade um tremendo viralata:. imita descaradamente seu ídolo Steve Wonder ,se veste como “american singer” e esconde ou esquece descaradamente a sua origem .

A doença do “Viralatismo” graças a Deus ,não é o caso de Luciana Souza, que aos 18 anos saiu do Brasil para viver nos Estados Unidos. Hoje, com 44, a cantora paulista, filha dos compositores Walter Santos e Tereza Souza, é nome respeitado no seleto meio jazzístico norte-americano, colecionando indicações ao Grammy.

O álbum “Tide” que lançou nos EUA em 2009 e que ganha agora uma edição brasileira, une temas de autoria da artista e recriações do repertório de João Gilberto. Tudo lapidado por um canto apontado como “perfeito” pela revista norte-americana  Billboard. 

Edward Mott ou “sorry” Eduardo Motta ou (sic) Ed Motta deveria se conscientizar políticamente , pois talento e diploma não trás conscientização política, mas muitas vezes esconde essa tremenda lacuna. No Brasil de hoje mesmo com gêneros musicais bastante popularizados como o sertanejo,axé,pagode,pop e outros, é onde reside o  público de Ed Motta e não o de Luciana Souza.

Ou seja o público que Ed Motta quer conquistar ,é o público de Luciana Souza, mais consciente e intelectualizado.

Basta sòmente ele respeitar o teu público, e não detoná-lo com expressões como “simplório, ou menos culto.

” Edward Mott” deveria não esquecer que são os incultos, que pagam o seu vinho francês e sua comida farta.

““Quando a educação não é libertadora, o sonho do oprimido é ser o opressor”.(PauloFreire)

Dom Rocha

( guitarrista,compositor, arranjador musical e blogueiro ) 

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