Médicos criam site para defender Sistema Único de Saúde

14 ago

Sus

O portal Saúde Popular, organizado e mantido por um grupo de médicos de várias cidades do país, promove o debate sobre a saúde pública no Brasil e combate as pautas conservadoras do Congresso que querem favorecer a iniciativa privada. O coletivo foi tema de reportagem da edição de ontem (12) do Seu Jornal, daTVT.

Com artigos de médicos colaboradores e textos compilados de outros portais, o Saúde Popular pretende mostrar que é possível oferecer saúde pública de qualidade à população, sem outros custos além dos impostos já pagos. Alertam também que o Sistema Único de Saúde (SUS) corre sério risco de ser alterado, modificado, prejudicado e até extinto, por força de interesses econômicos com grande influência no Congresso Nacional.

“O SUS está sob risco. É uma estrutura que ainda precisa de novos marcos regulatórios”, alerta Stephan Sperling, que integra a Rede Nacional de Médicos Populares. Para ele, o setor privado de saúde, por meio de lobby junto aos parlamentares, quer transformar o SUS “numa estrutura disputável por interesses econômicos”.

Um dos projetos que visa a atender aos interesses desses grupos é a Proposta de Emenda à Constituição 451/2014, de autoria do presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que obriga as empresas a oferecerem planos de saúde privados para todos os funcionários.

As empresas de convênio médico estão entre as maiores doadoras de campanha. Só nas últimas eleições contribuíram com R$ 52 milhões para 131 candidatos. “Eduardo Cunha foi um dos principais recebedores de investimentos de seguradoras e de convênios de saúde, e eles vão exigir. Estão exigindo”, diz Sperling.

O médico conta que o objetivo do portal é ser um espaço de acolhimento às demandas populares na área de saúde. “Construir políticas que estejam ao lado do povo, que entendam as suas necessidades. Políticas que venham desconstruir o corporativismo em saúde, políticas que venham desconstruir a mercantilização.”

Confira a reportagem de Caroline Campos para o Seu Jornal, da TVT:

https://www.youtube.com/watch?v=Yq56xYURaCw#action=share

 

QUEM QUER A CABEÇA DA ESTUDANTE DE MEDICINA? por Ana Luiza Lima

12 ago
Mais Médicos
10 de agosto às 23:36 

 “Me pergunta, que tipo de sentimento é o medo? Te respondo — dos outros! O meu é o mesmo há várias luas…Deixa os verme falar pelos cotovelos eu ainda falo pelas ruas!!!!” – Emicida. 

Vim aqui pra deixar coisas claras. Vim falar porquê a minha garganta não aguenta o nó que se formou. E eu NUNCA fui de calar.

Fui convidada a falar sobre a transformação que a educação causou na minha vida e sobre a alegria de cursar medicina. E assim escrevi um texto, de coração e de peito aberto.

E hoje penso em tudo que eu disse e tudo que eu queria ter dito mas não foi ouvido. Minhas palavras ecoaram. Porém nunca foram direcionadas à NENHUM partido político.

Foi o reconhecimento de um acerto e uma reafirmação do que eu acredito e luto. Fui atacada em minha página pessoal brutalmente por MÉDICOS E FUTUROS MÉDICOS, além de outras pessoas. O machismo e a elite mostraram sua cara. Fui chamada de vadia, de MÉDICA VAGABUNDA DE POBRE, ignorante, não merecedora de cursar medicina. Me foi dito que iam fazer de TUDO pra que eu não conseguisse emprego depois de formada.

De que eu não sabia com QUEM estava lidando. Que eu merecia LEVAR UMA SURRA pra aprender a deixar de ser corrupta. Me mandaram CALAR MINHA BOCA NOJENTA DE POBRE E DE VADIA. De novo. Está tudo guardado, não para dar respostas. Mas porque aprendi desde cedo a não responder ódio com violência. Não. Eu NÃO tenho a SUA sede de sangue.
Mas eu tenho uma novidadinha pra essa classe COVARDE de profissionais. A mesma classe que eu já vi combinando entre si no MESMO grupo, de “tratar mal os negros, as feministas e os gays que chegassem nos consultórios médicos, pra que esse povinho aprendesse seu devido lugar”.

A novidade é que minhas palavras não foram em nenhum momento pra vocês. Vocês que ignoram a realidade cruel vivida todos os dias nos hospitais públicos. Minhas palavras foram pros profissionais de saúde que dão o sangue todo dia, mesmo com condições péssimas de trabalho, com salários atrasados, numa saúde abandonada e caótica. Eles sim, são verdadeiros heróis.

Minhas palavras foram direcionadas àqueles que acreditam e lutam por um mundo transformado a partir da educação e do amor. Minhas palavras foram um agradecimento aos professores, a classe Trabalhadora com T maiúsculo!! Que têm seu serviço desvalorizado ao máximo, mas toma a linha de frente na luta pela transformação diária do futuro de milhões de jovens sem oportunidade no país.
Eu não fui nenhuma heroína, e eu conheço mil médicos que são verdadeiros heróis. Que não precisaram de mais NADA além de força de vontade pra vencer na vida. Mas me desculpa, é que eu penso além. Eu sonho com o dia em que vamos cobrar das nossas crianças, apenas COMPETÊNCIA pra vencer, e não mais heroísmo.
Eu tô falando com aqueles meninos que você tem medo quando para no sinal, tô falando daqueles com fuzil na mão vigiando um fio de vida nos morros das grandes cidades.

Tô falando daquela menina que mora na rua e cata latinha, daquele nos campos com enxada na mão cortando cana. Daquela que perde a infância nas esquinas da prostituição. Tô falando daqueles que você insiste em dizer que não existem. Por quê quando você percebe que ELES EXISTEM, coça em você uma ferida podre de 515 anos. Te dá um medo na espinha quando aparece alguém pra defender uma educação por eles e para eles. Te gela a alma a chegada do dia em que o povo não vai mais esquecer seus Amarildos e suas Cláudias Silvas….
Eu já consigo imaginar muitos de vocês rindo, pensando na reeleição garantida, enquanto veem no jornal o povo gritando por mais prisões e menos escolas. E apesar de me doer, eu entendo esse grito.
Eu engoli meu medo porque sei que toda luta pode ser desmerecida. Eu dei minha cabeça à prêmio, e voltei pra casa com a esperança real de um hospital universitário pra minha região onde muita gente tem sorte de ter a esperança de ter um prato de comida.
Eu recebi um agradecimento da prefeita de uma das maiores cidades do país, dizendo que graças às minhas palavras, um novo plano pra educação pública vai ser pensado, e que ela se encheu de esperança e disposição para lutar com unhas e dentes pelos professores da rede pública e pelos jovens em situação de risco. Isso já me curou de todos os medos e de todo o ódio que me foi jogado.
Esperança. Vontade de mudar. EMPODERAMENTO de um povo PELO seu povo.
Eu sei que eu não sou nada nesse sistema corrompido e intricado. Eu sei que não sou ninguém diante dos poderosos desse país. Mas eu tenho outra novidade, eu não estou sozinha, e gente como eu, é quem te causa os piores pesadelos à noite.
E eu vou seguir, mesmo frágil, mesmo com medo, mas sempre acreditando.

“Então serra os punhos, sorria. E jamais volte pra sua quebrada de mão e mente vazia.”

Prender o arquiteto do submarino nuclear, ou como cutucar a onça com vara curta

1 ago
Vamos dizer- para efeito de qualquer delação premiada – que, no Brasil do Lava a Jato, haja realmente justiça – aquela limpidamente cristã, cantada em rezas tonintroantes por certos pastores, principalmente no Congresso Nacional. E que as provas que o juiz Moro tem em mãos a partir de uma Polícia Federal (até segunda ordem, escancaradamente parcial), sejam, desta vez, respeitáveis, irrefutáveis – algo que, num julgamento regular, em princípio, só existe se devidamente estribada, não no juízo singular de um juiz – mas ao fim de um julgamento regular, sem interferência de nada que lhe seja estranho ( tais como as opiniões de alguns jornalistas). Será aceitável – até quando ? – que um juiz de primeira instância ponha na cadeia qualquer cidadão a seu talante; e que tudo fique em brancas nuvens para Suprema Corte do Brasil?

Os negócios da Petrobrás estão à beira da inação. O homem que dirigia a construção do submarino nuclear, um dos maiores cientistas nucleares brasileiros – o tal submersível em construção, que é a menina dos olhos das Forças Armadas – foi detido. Está preso. Delação premiada.

Até quando?

O clima é de absoluta perplexidade. Há, ao que tudo indica, uma revolução. (reboliço na verdade) no Brasil de hoje, só que comandada, inacreditavelmente, pela Justiça brasileira. Para muitos é, de fato, a glória redentora. Segmentos da classe media, na melhor das hipóteses, julgam que, com a paralisação do país, com o fim inclusive dos próprios empregos, os brasileiros iremos para o paraíso almejado e merecido. Em miúdos e para dizer o que , para alguns, julgam dever ser dito. Tudo será melhor quando os petralhas forem presos; é o que afirmam inclusive muitos leitores dos blogs que conhecemos.

A desgraça seria o PT: Lula não fez o Brasil crescer – é mentira dos petralhas. A saída do Brasil do mapa da pobreza absoluta é uma invenção da ONU. A Odebrecht é uma empresa corrupta que tem, “por acaso: , mais de cem mil funcionários. Ela está estagnada à espera do que a aguarda ao fim da prisão de seus diretores e de seu proprietário.

Que assim seja –reza esta parte da opinião pública. Nao importa o fim do projeto do submarino nuclear ( aliás, é o que importa); os ‘Moros”da justiça brasileira querem pôr tudo a limpo. Vamos que vamos.

Mas há complicadores, evidentemente. Até agora os “russos”( isto é, as Forças Armadas brasileiras) não foram consultados sobre o projeto sub-reptício na construção dos juízes e procuradores do Lava a Jato, de desmontarem o Brasil, num golpe “legalista que extirpa a economia e, por tabela, o PT.

Sem alarmismos, talvez ocorra aos mais avisados, e é bom advertir mesmo, que, a essas alturas talvez estejam mexendo na onça com vara curta.

Valeria, aliás, uma pequena ilação.

Na antiga Florença, da Renascença, deu-se que um monge – Girolamo Savonarola (1452-14980) – diante da corrupção da Igreja da época, resolveu tomar para si e seus acólitos, a tarefa de reformar o catolicismo. Que fez ele? Começou por derrubar todas as autoridades. Ato contínuo, principiou por clamar pela reforma dos costumes e então, como primeira providência, passou a queimar e a ameaçar tudo o que lhe parecia fruto da perversão: as obras de arte, os livros, e logicamente os prevaricadores, os suspeitos de ladroagem e os pecadores – não apenas os governantes, mas os artistas. Um dos convertidos pelo puritanismo fundamentalista do religioso florentino, foi exatamente um dos maiores pintores de todos os tempos: Sandro Botticelli (1495-1510). Ele acedeu em queimar suas obras consideradas obcenas- muitos nus, obras maravilhosamente “licenciosas” que evidentemente eram um dos alvos de Savanarola.

O monge e outros, inclusive Boticcelli, talvez tenham sido um dos primeiros proto-evangélicos daqueles tempos. Botticelli devia ser um cristão sincero. Repugnava-lhe a decadência da Igreja, a corrupção, o cinismo, a hipocrisia e tutti quanti. Mas literalmente assassinou seus quadros. Matou-os para nós, a posteridade, que o tem como um dos maiores artistas de todos os tempos. Só que a história evidentemente teve um fim trágico, não para o artista, -ainda bem, -mas para o tal monge. Depois de uma glória efêmera, em que foi reverenciado por toda Florença, aconteceu a reação. E, infelizmente, para os não fanáticos, ao contrário dele próprio, Savanarola – prenderam-no, torturaram-no e o queimaram sob todos os suplícios possíveis, que era o que aqueles tempos também malfadados cultivavam.

Nada de comparações, com a licença da rememoração.

Mas os juízes que se fazem porta-vozes do STF, as coisas estão indo para o pior dos mundos no Brasil. Já foi dito: sem o consentimento dos ilustres ministros do STF, o dr. Sérgio Moro não estaria fazendo o que o estão permitindo que faça ( “obrar” seria talvez a palavra mais adequadda). Prender todos os que ele desconfia serem corruptos, lembra um pouco aquele personagem de “O alienista”de Machado de Assis , Simão Bacamarte, que se julgou o juiz dos juízes e prendeu quem lhe dava na telha, no manicômio modelo que ele fundou em sua cidade, Era um psiquiatra e diagnosticou que quase todos na sua comunidade eram malucos. E então internou em seu hospício quem a sua sanha e as suas convicções inamovíveis e preconceituosas julgavam ser doentes – ou corruptos.

Coisas de um fundamentalista.

Certo. Já se sabe que os antipetralhas, os antipetistas sem causa inteiramente injustas (pois ninguém lhes nega reivindicarem que muitos acusados do Lava a Jato merecem mesmo alguns anos de cadeia) vão protestar. São os coxinhas. Uma parcela da juventude tomadas pelo fanatismo, que troca a tradição da generosidade juvenil pelo moralismo senil que existe na nossa sociedade mais careta, estão prestes e prontos para protestar. E se sabe que vão desembocar no pior do bom-mocismo – que é o fanatismo, devidamente fomentado pela grande mídia – e que ignoram as conseqüências dos atos desses “meninos “do Paraná – como definiu muito bem os juízes do Lava a Jato de Curitiba, o conservador Cláudio Lembo

Ou seja, Sérgio Moro pensa ter chegado ao nirvana da sua visão de justiceiro ao prender um dos decanos da física nuclear brasileira, não por acaso, até ontem, membro da Marinha Brasileira. A ninguém ocorre que ao encarcerar um dos maiores arquitetos do submarino nuclear, o juiz Moro está furuncando um abelheiro. Pode a presidente Dilma, como é de seu hábito, não dizer nada, já que não tem mesmo nada a dizer. Mas aos “russos”, que não são petralhas ( com o perdão dos coxinhas), talvez não agrade de modo algum, serem tolhidos em seus projetos que são inegavelmente de interesse nacional. Ninguém de país algum que tenha um tesouro como o pré-sal vai pensar que os militares – apesar de sua submissão a Washington no passado – não tenham lá as suas veleidades de salvaguardarem um país como o Brasil – que essa é a sua obrigação.

E que projetos como as de compra da tecnologia de caças da Suécia não tenham importância. Ou de que o submarino nuclear prescinda de certas figuras como o vice-almirante, detido pelo dr. Sérgio Moro – que isso, em suma, seja um fato de somenos importância para aquilo que os membros das Forças Armadas considerem fundamental para a Soberania Nacional.

São reflexões que não ocorrem evidentemente às classes médias e seus correlatos, os coxinhas, dentre os quais se inclui o dr. Sérgio Moro. Como membro do todo poderoso judiciário, representante máximo do STF, talvez pouco se lhe dê que o Brasil possa voltar a sua condição de republiqueta, ainda que em nome da moralidade pública.

Enganam-se, provavelmente.

Savonarola pensava ter Deus a seu favor. Isso até o dia em que os realmente poderosos entrassem em Florença e o pusessem de joelhos.

Digamos, enfim, que haja justiça no Brasil e que o representante do STF ache poder fazer tudo o que lhe sugere uma PF sem controle. A idéia é a corrente: todos concordamos que a corrupção da Petrobrás e outras tantas devam ser exemplarmente punidas. Mas poupar os cartéis ligados ao PSDB, como os que se formaram no metrô de São Paulo e de Furnas em Minas – para só citar alguns crimes inconvincentemente esquecidos pelo Lava a Jato- não convencem. São um escândalo (o mais imbecil dos brasileiros deveria entender isso) . Ou melhor, convencem sim: não só os anti-petralhas, os convictos coxinhas do PSDB, do DEM, do PDS e aos incautos. Para eles é bom que o juiz Moro prenda e arrebente, mesmo que isso estropie o Brasil e seus projetos.

O difícil, porém, agora, vai ser convencer os “russos”. Hajam argumentos.

ENIO SQUEFF

Jornalista, escritor e artista plástico

Enio Squeff

Sinto dizer, mas estamos sós .

1 ago

:

Anna Zappa Caro Breno, as coisas só chegaram ao ponto que estão hoje por absoluta falta de pulso e reação do PT, do Cardozo, e da própria Dilma.

Essa resignação diante de atos de violência que vêm sendo cometidos desde , no mínimo, 2013, esse excesso de republicanismo, acabaram soando como conivência e deram ânimo aos neo-fascistas para prosseguir.

Resgate as notícias que dão conta de atos violentos contra o PT e a esquerda e perceba que a resposta deste governo nunca foi diferente.

Militantes em cadeiras de rodas foram agredidos, sedes de sindicatos foram vandalizadas, petistas foram expulsos de manifestações, ministros foram agredidos em locais públicos.

A resposta é sempre a mesma: respeitemos o direito de manifestação e livre expressão, ou no máximo, uma nota de repúdio no próprio site do partido. S

Sinto dizer, mas estamos sós. Isso inclui Lula.

Que triste.

Anna Zappa

Anna Zappa

A política levada aos tribunais. por Maria Luiza Quaresma Tonelli

10 jul

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Gente, custa entender que a criminalização da política é consequência da judicialização (a política levada aos tribunais)?

Custa a entender que esse fenômeno da judicialização da política é uma ameaça `a democracia, na medida em que mitiga a soberania popular?

Custa a entender que a democracia sendo legitimada pelos tribunais e não pela soberania popular é exatamente o que se constitui, repito, na ameaça a democracia?

Custa a entender que a soberania popular que elegeu Dilma está ameaçada (junto com a Dilma) pelo TSE caso dê ganho de causa a quem perdeu a eleição?

Em suma: a judicilaização da política neste caso específico é uma forma de ganhar no tapetão, já que não venceu nas urnas.

É um golpe.

Um golpe “branco”, como se diz.

Um golpe com aparência de legalidade.
Maria Luiza Quaresma Tonelli

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Golpe: a derrubada em marcha

2 jul

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Dê-se a isso o nome que se quiser. Estamos em meio a um processo de derrubada do governo da Presidenta da República, Dilma Rousseff.

por: Joaquim Palhares (Carta Maior)

Todos sabemos qual é a hora congelada no relógio da história brasileira neste momento.

 
Certamente não é hora de reiterar platitudes.
 
Ou de repetir lamentos, ainda que justos, pertinentes. Tampouco de replicar constatações.
 
Todas as constatações que de forma procedente apontam a cota de equívocos do governo e do PT na crise atual já foram feitas. Não será a sua reiteração que levará o partido assumi-las ou equaciona-las.
 
Os fatos caminham à frente das ideias: a história apertou o passo.
 
A dinâmica política assumiu a vertiginosa transparência de um confronto em campo aberto no país.
 
Trata-se de escolher um dos lados e tomar posição para o combate. Este que já começou e avança de forma acelerada.
 
É o seu desfecho que decidirá o aluvião das pendências, críticas, autocríticas, repactuações, concessões e escolhas estratégicas que vão modelar o passo seguinte do desenvolvimento brasileiro.
 
De um modo direto: o desfecho desse confronto vertiginoso reflete uma correlação de forças que se esgarçou e caminha para um novo ponto de coagulação na forma de um outro arranjo de poder.
 
Qual será esse ponto?
 
Depende do discernimento histórico, do sentido de urgência e da capacidade de articulação das forças progressistas nessa hora decisiva.
 
Estamos em meio a um processo de derrubada do governo democraticamente eleito da Presidenta da República, Dilma Rousseff.
 
Dê-se a isso o nome que se quiser.
 
Todos aqueles ensaiados pela direita latino-americana nos últimos anos:  golpe constitucional; derrubada parlamentar; golpe em câmera lenta. Ou as marcas de fantasia da mesma ofensiva, todas elas embrulhadas no rótulo de uma peculiar luta anticorrupção.
 
A singularidade dessa maratona ética é ter o PT como único grande alvo; Lula como meta antecipada, a mídia como juiz do domínio do fato e a consagração do financiamento empresarial como a nota de escárnio e desfaçatez a desnudar toda lógica do processo.
 
Tudo isso já foi dito pelos canais disponíveis, que não são muitos, e dentre os quais Carta Maior se inclui com muito orgulho.
 
Vive-se um adestramento da resignação brasileira para o desfecho golpista deflagrado no processo de reeleição de Lula, em 2005/2006, quando ficou claro que a direita brasileira não tinha capacidade de voltar ao poder pelas urnas.
 
Passo a passo vem sendo cumprido desde então o objetivo histórico a que se propôs a elite brasileira e internacional.
 
Trata-se de um objetivo ancorado em três metas:
a) desqualificar o Partido dos Trabalhadores e tornar suas lideranças sentenciadas e inelegíveis;
 
b) inviabilizar, levar ao impeachment o governo da Presidenta Dilma; e
 
c) desmontar e fazer regredir todos os avanços populares obtidos na organização da economia, do mercado de trabalho, das políticas públicas e sociais e da soberania geopolítica.
 
Em uma palavra: completar o trabalho iniciado no ciclo de governo do PSDB nos anos 90, com o desmonte do Estado, a regressão dos direitos sociais democráticos e a substituição desses direitos por serviços pagos, acessíveis a quem puder compra-los.
 
A crispação da escalada, agora aguda, valeu-se de um componente da correlação de forças intocado em todos esses anos naquele que talvez tenha sido o erro superlativo dos governos liderados pelo PT: a hegemonia do aparato comunicação nas mãos da direita brasileira.
 
Esse trunfo sabotou cada iniciativa do projeto progressista e coordenou o cerco que ora se fecha.
 
Alimentou, ademais, a disseminação do ódio na opinião pública, que se expressa na agressividade inaudita observada nas redes sociais desde a campanha de 2014.
 
É nessa estufa de preconceito e ódio de classe que brotam os esporos da ofensiva fascista, traduzida na escalada em curso.
 
Inclui-se nessa espiral as agressões públicas a ministros e ex-ministros de Estado, o ataque à reputação de lideranças progressistas e a de seus familiares, a onda de boatos e acusações infundadas contra o governo, as lideranças petistas e populares; enfim, o adestramento progressivo e diuturno do imaginário social para a aceitação passiva, ou engajada, da derrubada do governo da Presidenta Dilma.
 

Iludem-se os que confundem esse aluvião tóxico com a expressão da banalidade do mal.

É de luta de classes que estamos falando, não de Hannah Arendt.

 
É de intolerância fascista a pavimentar a derrubada de um governo escolhido por 54 milhões de brasileiros.
 
Os que pautaram o grito de ’escravo’ no desembarque dos cubanos engajados no ‘Mais Médicos’, agora conduzem o jogral que grita ‘corruptos e impeachment’.
 
Não sejamos ingênuos.
 
É curta a ponte que leva o ódio antipetista a se propagar em ódio anticomunista,  em intolerância religiosa e desta para a demonização da livre escolha sexual e daí para a higienização social.
 
Em nome do combate ao crime e à violência ultimam-se as providências legais para lotar penitenciárias com adolescentes pretos e pobres.
 
Quando uma sociedade simplesmente interna o seu futuro assim, em jaulas, qual futuro reserva a sua gente?
 

O futuro urdido no intercurso entre a intolerância fascista e a livre mobilidade dos capitais –cuja persistência impede qualquer projeto de desenvolvimento– é o que a direita defende para o Brasil pós-PT, pós-Lula e pós-Dilma.

É esse o programa da derrubada em marcha do regime democrático brasileiro.

 
Não errará quem encontrar pontos de identidade com outras escaladas em curso na política latino-americana, marmorizada  de redes sociais, movimentos e  lideranças jovens treinados e financiados por fundações de extrema direita dos EUA. Os novos  braços privados da CIA e do Departamento de Estado.
 
O processo que ora avulta na caçada ao PT culminará com a caça a todo e qualquer desvio à norma de conduta que determina a subordinação esférica da sociedade à lógica rentista local e global.
 
Carta Maior nasceu como um espaço de reflexão da intelectualidade progressista brasileira.
 
Seu compromisso explícito com a construção da democracia social  torna-a um veículo imiscível com os valor que ordenam a derrubada em marcha do governo Dilma –em relação ao qual sustenta um apoio crítico claro e independente.
 
Elegemos uma prioridade diante das provas cruciais que nos impelem –os progressistas , democratas e nacionalistas sinceros—ao engajamento nesse divisor que se aproxima.
 
Exortamos os intelectuais a irem além do debate convencional.
 
Estamos propondo a incômoda operação de concretizar o geral no particular.
 
Trata-se de uma exortação à Universidade pública, para que ela volte a ser um ator do desenvolvimento. E não apenas um cronista da crise. Ou um coadjuvante do mercado.
 
Não basta mais produzir manifestos contra os golpistas.
 
É preciso afrontar o projeto de país embutido no golpe com um outro projeto.
 
E, sobretudo, com um outro método de escrutiná-lo .
 
Estamos exortando a universidade brasileira a se declarar uma trincheira em vigília permanente contra a derrubada do governo da Presidenta Dilma Rousseff.
 
E de fazê-lo transformando essa trincheira na rede da legalidade dos dias que correm.
 
Uma rede debruçada no debate do projeto de desenvolvimento que rompa os gargalos e as subordinações responsáveis pelo impasse atual.
 
E que transforme em práxis anti-golpista a costura das linhas de passagem do Brasil que somos, para o país que queremos ser.
 
O desafio de vida ou morte nesse momento consiste em restaurar a transparência dos dois campos em confronto na sociedade.
 
Na aparente neutralidade de certas iniciativas pulsa a rigidez feroz dos interesses estruturais que impulsionam a derrubada em marcha do governo.
 
A universidade pode, deve e precisa assumir a sua cota como um solvente, capaz de devolver à sociedade a clareza sobre as escolhas em confronto agudo nas horas que correm.
 
É essa urgência que CM quer compartilhar com a comunidade universitária, à qual se oferece como um canal de expressão democrático e progressista.
 
Mãos à obra.

O alerta de Ivani Guidini

20 jun

Lembram do atentado lamentável em Paris, onde 12 pessoas perderam a sua vida, vítimas da intolerância religiosa? 

No Brasil, um homossexual é morto, em média, a cada 28 horas, o que implica cerca de 300 a 400 pessoas assassinadas todos os anos no país.
O número de ataques a comunidades de religião afro-brasileira é atordoante.
Portanto, não vamos nos iludir: lunáticos religiosos não existem apenas no islamismo. Eles estão por aqui, mais perto do que você poderia imaginar. Pior: estão vasta e fartamente representados no Congresso mais reacionário dos últimos anos.


A intolerância religiosa começa no momento em que determinada religião estabelece que seu deus é o verdadeiro e os demais são falsos. Quando isso se dá a nível das relações sociais comuns é um mal passível de combate. Quando ele se instala no seio de uma Instituição que deveria representar e se pautar pela democracia e pela noção de Estado Laico que a Constituição estabelece, qual o regime a que estamos condenados?


Ontem foi a redução da maioridade penal, amanhã será a pena de morte? E mais: pena de morte sem limite de idade como querem os que clamam pela volta dos militares?


Se os Malafaias, Felicianos, Caiados, Bolsonaros, Cunhas & Cia, estão representados pela mais retrógrada parcela da população brasileira, o inverso também é verdadeiro: as mãos deles também estão sujas de sangue pelo poder que exercem sobre seus pretendentes cristãos que cometem atrocidades motivadas pela intolerância religiosa.


Se existem cristãos neste país que não concordam com seus irmãos de fé que praticam o fundamentalismo religioso, é melhor que comecem a lutar contra eles imediatamente, pois o futuro se desvendará fúnebre não somente para os que não são cristãos.”

Ivani Guidini 

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