Arquivo | junho, 2012

O Talento na Juventude e na Velhice

30 jun

Nada menos exacto do que supor que o talento constitui privilégio da mocidade. Não. Nem da mocidade, nem da velhice. Não se é talentoso por se ser moço, nem genial por se ser velho. A certidão de idade não confere superioridade de espírito a ninguém. Nunca compreendi a hostilidade tradicional entre velhos e moços (que aliás enche a história das literaturas); e não percebo a razão por que os homens se lançam tantas vezes recíprocamente em rosto, como um agravo, a sua velhice ou a sua juventude.
Ser idoso não quer dizer que se seja necessáriamente intolerante e retrógado; e engana-se quem supuser que a mocidade, por si só, constitui garantia de progresso ou de renovação mental. As grandes descobertas que ilustram a história da ciência e contribuiram para o progresso humano são, em geral, obra dos velhos sábios; e a mocidade literária, negando embora sistemáticamente o passado, é nele que se inspira, até que o escritor adquire (quando adquire) personalidade própria.

(…) A mocidade, em geral, não cria; utiliza, transformando-o, o legado que recebeu. Juventude e velhice não se opõem; completam-se na harmonia universal dos seres e das coisas. A vida não é só o entusiasmo dos moços; nem só a reflexão dos velhos; não está apenas na audácia de uns, nem apenas na experiência dos outros; realiza-se pela magnífica integração das virtudes contrárias, sem a qual não seria possível, em todo o seu esplendor, a marcha da humanidade. Que se ganha em cavar um abismo entre mocidade e velhice, se uma é, fatalmente, o prolongamento da outra; se o que passa de mão em mão é, afinal, o mesmo facho aceso, como na corrida ritual da Grécia antiga; e se, bem vistas as coisas, não está de nenhum modo provado que os novos sejam intelectualmente os mais novos, e os velhos os mais velhos?

(…) Como admitir o divórcio entre novos e velhos – invenção antinatural dos conventículos literários de todos os tempos -, se os velhos têm nas novas gerações, penhor radioso do futuro, o instrumento de compreensão e de difusão da sua obra, e se os novos devem aos velhos a formação do seu espírito, a educação da sua sensibilidade e a opulenta capitalização de riquezas da língua em que se expressam?
A paz entre idades sucederá um dia, decerto, à paz entre as nações – quando a velhice egoísta reconhecer, finalmente, que não deve menosprezar os moços, antes facilitar-lhe o caminho da vida, e quando, por seu turno, a juventude impaciente chegar à convicção de que não é atropelando nem injuriando que se vence, e de que, quando os jovens se instalaram no planeta – já os velhos o habitavam.
NoMundoenosLivros.com

Escola incentiva aluno escrever carta suicida à mãe.

25 jun

Localizada em Staffordshire (Reino Unido) uma escola pediu a um aluno de 14 anos e aos demais colegas de turma para que escrevessem uma carta que fizesse com que seus pais pensassem que eles iriam se suicidar. Segunda a escola, o objetivo dos professores era que os alunos fossem criativos, procurando ao mesmo tempo que abordassem um tema dos tempos modernos.
“Querida mãe, não chore, mas estou morrendo”
A mãe de um dos alunos, ficou revoltada com a situação.. “Eu achei que fosse encontrá-lo enforcado no quarto. Achei isso doentio”. Um dos alunos contou que os alunos tiveram que escrever uma carta como se tivessem uma doença terminal e apenas algumas horas de vida.

Quando chegou em casa um dos alunos entregou a carta para a mãe, subiu a escada e foi para o quarto. Tudo isso fazia parte do exercício de convencimento. “As escolas não deveriam pedir que os alunos façam isso”, disse a mãe de um dos alunos. A mãe confrontou os responsáveis da escola de Staffordshire, que já vieram pedir desculpa publicamente. Porém, um porta-voz afirma que não vê problema algum neste caso, visto que o objetivo era trabalhar a capacidade criativa dos alunos.
Como despedida, no final, o jovem britânico desenhou um coração e alguns beijos: “Muito amor, de Wesley”.

Editora vai disponibilizar títulos novos seis meses após terem sido lançados

21 jun


Mais de quatro meses após ter retirado seus lançamentos digitais das bibliotecas americanas, a Penguin vai voltar a oferecê-los em agosto em duas instituições: a Biblioteca Pública de Nova York e a Biblioteca Pública do Brooklyn, por meio de um programa piloto de um ano, que poderá ser renovado. O acordo com as bibliotecas diz que elas poderão alugar 15 mil títulos do “frontlist” da Penguin, mas apenas seis meses depois de eles terem sido lançados. Tim McCall, vice-presidente de marketing e vendas on-line da companhia, disse ao Wall Street Journal que esse embargo tem o objetivo de “evitar que os e-books nas bibliotecas diminuam outras vendas”. Já o prazo de validade de um ano foi “planejado para imitar a vida útil de um livro impresso na prateleira”. As informações são do Publishers Lunch. Outras editoras já reviram suas políticas de venda de e-books a bibliotecas, como a Random House, que aumentou significativamente seus preços, e a HarperCollins, que limitou o número de alugueis a 26 por cópia.

Ensaio sobre os direitos dos animais

14 jun

Enquanto escrevo este artigo – e você o lê – centenas de milhares de animais, os chamados não humanos, em todo o mundo, são vítimas de crueldades, as mais diversas, as mais desprezíveis.
Assombra-me a insignificância conferida pela sociedade à questão animal. Muitos ignoram a forma como seus alimentos são produzidos, embora não tenham como desconhecer que o sofrimento do animal também integra a linha de produção. As embalagens plásticas funcionam como verdadeiros disfarces.

Para Anna Sewell, “se nós vemos coisas erradas ou crueldades,as quais temos o poder de evitar e nada fazemos, nós somos coniventes”.
Confesso que nem sempre é agradável falar sobre o assunto. As pesquisas com a utilização de animais (nas áreas da medicina, dos fármacos e da cosmética, por exemplo) e a agroindústria envolvem grandiosa soma de dinheiro e, consequentemente, força política, o que acaba contribuindo, por via direta ou indireta, para minimizar a importância do tema.

Isso pode explicar as obscuras formas de atuação dos negociantes de animais. Mais que nunca, a posição de Arthur Schopenhauer (1788-1860),de que ‘o homem tem feito na Terra um inferno para os animais’ mantém-se atual.
O debate sobre a causa sempre passa pela necessidade de mudança de hábitos, seja na recusa a alimentos, seja na utilização de produtos, seja, enfim, na seleção aos eventos que não priorizem o bem estar.
A ideia de respeito do direito animal é indissociável da noção de igualdade. Peter Singer, no livro Libertação Animal, compara o tema com o direito das mulheres defendido por Mary Wollstonecraft em sua obra Vindication of the Rights of Woman, de 1792, as quais foram consideradas absurdas na época. O mencionado autor faz tal referência para afastar a ideia
de que a extensão do princípio básico da igualdade de um grupo para outro não implica que devamos tratá-los da mesma maneira, conceder-lhes os mesmos direitos. Em outros termos, “o princípio básico da igualdade não requer tratamento igual ou idêntico, mas sim igual consideração. Igual consideração por direitos diferentes pode levar a tratamentos e direitos
distintos” (pág. 5).
Não obstante a Constituição Federal assegure, em seu art. 225, §1º, inciso VI, proteção aos animais, vedando práticas que provoquem a extinção de espécies ou submetam os animais à crueldade, o que se vê, na realidade, é a baixa efetivação de tal preceito.
A indiferença brasileira permite concessões à corrente prática de crueldade impingida aos animais, veja-se, por exemplo, a Lei de Vivisecção e de permissão da caça, ambas em vigor. A dor deles continua sendo um detalhe de nenhuma valia. E, então, a Carta Magna,
acaba vilipendiada pela própria lei. Paradoxo maiornão pode existir quando se sabe que a Lei Maior possui força normativa, impondo-se a todas as outras.

E a ética, que deve estar acima do direito, não foi feita apenas para ser aplicada aos homens. É preciso que se aborde o assunto – na família, na escola, entre os amigos – que se tome partido, pois a neutralidade somente ajuda o opressor, nunca a vítima.
Cada gesto individual pode ser libertário para que não se perpetue a exploração dos animais não humanos.
Porque entre tudo que há na Terra existe uma essência única de igualdade e a defesa desta não pode temer ridicularização ou intolerância. Que as palavras do Dalai Lama animem essa e as futuras gerações: ‘Não basta compaixão; é preciso agir’. Há muito tempo os
animais, detentores, como os humanos, de capacidade de amar, memória, curiosidade, razão e simpatia, esperam por isso.

Verônica Furtado é juíza do Tribunal de Justiça da Bahia, titular da 1ª Vara Cível de Salvador

O crime do menino-rei

14 jun

Era uma vez… um pequeno príncipe e seu amigo barbeiro, que se juntaram para aplicar o “171″ em cortesãos do Império do Brazil. A conduta dos “meliantes”, um deles sendo o herdeiro da Nação, foi assim descrita pelo escritor Laurentino Gomes no seu 1822:
“Na juventude, D. João VI o repreendeu ao descobrir que comprava cavalos comuns no Rio de Janeiro, marcava-os com o selo da Fazenda Real de Santa Cruz e os revendia por um preço muito maior para pessoas que queriam ostentar proximidade com a corte. O intermediário nas negociações era o barbeiro do palácio da Quinta da Boa Vista, Plácido Pereira de Abreu, com quem o príncipe repartia os lucros”.
No livro As maluquices do Imperador, o historiador Paulo Setúbal relata o mesmo acontecimento. Terá sido verdade?
O Brasil sempre foi muito cortês com suas elites. Sempre se arranja um jeito nobre de salvar a pele dos grandes suspeitos de vilipendiar a República. Enterramos os escândalos aniquilando o procedimento probatório. Isto é assim desde o Império. Se um pequeno príncipe cometesse um crime (ou o que hoje chamamos de ato infracional) o que aconteceria?
Para começo de conversa, um membro do Ministério Público dificilmente poderia processar o príncipe herdeiro, já que a instituição não era independente como hoje. Provavelmente, o caso seria abafado, também como hoje. Direto para a gaveta imperial!
Mas, se fosse possível fazer uma acusação criminal contra um membro da família real lá no início do século XIX, a partir do fato narrado pelos historiadores aí em cima, o procurador do Império teria de usar o Livro V das Ordenações Filipinas, em vigor no Brasil de janeiro de 1603 a dezembro de 1830.
O colega parquet poderia lançar mão do título 52 do Livro V das (mal)ditas Ordenações, que tipificava a conduta dos que “falsificam sinal ou selo do Rei, ou outros sinais autênticos ou selos”, e os punia com pena de morte e confisco de bens. Poderia também usar o título 57 do mesmo Livro, que criminalizava a falsificação de mercadorias. Para este delito, se a falsificação fosse superior a um marco de prata, a pena era de morte. Se a valia fosse inferior a isto, a pena era degredo perpétuo “para o Brazil”. Nem pensar, não é?
O Código Criminal do Império do Brazil de 16 de dezembro de 1830 (CCI) só passou a valer em nosso território no início de janeiro de 1831. Se fosse esta a lei penal em vigor na época das peripécias de D. Pedrinho I, Sua Alteza teria incorrido no crime de “estellionato“ (era assim que se escrevia), previsto no art. 264, §1º do CCI:
Art. 264. Julgar-se-ha crime de estellionato:
1º A alheação de bens alheios como proprios, ou a troca das cousas, que se deverem entregar por outras diversas.
[…]
Penas – de prisão com trabalho por seis mezes a seis annos e de multa de cinco a vinte por cento do valor das cousas, sobre que versar o estellionato.
Tanto o príncipe D. Pedro I quanto o Plácido barbeiro poderiam responder pelo crime, de acordo com os arts. 4º e 5º do Código Criminal do Império, o primeiro como autor e o segundo como cúmplice:
Art. 4º São criminosos, como autores, os que commetterem, constrangerem, ou mandarem alguem commetter crimes.
Art. 5º São criminosos, como complices, todos os mais, que directamente concorrerem para se commetter crimes.
Se quiséssemos trazer este evento para o presente, teríamos de invocar o art. 171, caput, do CP ou o art. 171, §2º, inciso IV, do CP em concurso material (art. 69 do CP) com o delito do art. 296, §1º, inciso II, c/c o §2º do CP e em concurso de pessoas (art. 29 do CP). Em outras palavras, o Ministério Público republicano poderia imputar ao ex-príncipe e ao seu barbeiro os crimes de estelionato e de falsificação de selo ou sinal público:
Art. 171 – Obter, para si ou para outrem, vantagem ilícita, em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo alguém em erro, mediante artifício, ardil, ou qualquer outro meio fraudulento:
Pena – reclusão, de um a cinco anos, e multa.
§ 2º – Nas mesmas penas incorre quem:
Fraude na entrega de coisa
IV – defrauda substância, qualidade ou quantidade de coisa que deve entregar a alguém;
Falsificação do selo ou sinal público
Art. 296 – Falsificar, fabricando-os ou alterando-os:
[…]
Pena – reclusão, de dois a seis anos, e multa.
§ 1º – Incorre nas mesmas penas:
[…]
II – quem utiliza indevidamente o selo ou sinal verdadeiro em prejuízo de outrem ou em proveito próprio ou alheio.
§2º – Se o agente é funcionário público, e comete o crime prevalecendo-se do cargo, aumenta-se a pena de sexta parte.
Conhecendo a Justiça desta Terra de Santa Cruz como todos conhecemos, poderíamos facilmente imaginar uma tese hipergantista à brasileira para escusar o nobre “bandido” (ou bandido nobre?). Diriam que o pequeno príncipe era inimputável, ou que ele não agiu com dolo, ou que tudo não passou de uma brincadeira de um garoto maroto de sangue azul. Comprar cavalinhos comuns e revendê-los como potros raçudos… Bem que é engraçado imaginar os emergentes e wannabes do império com suas caras de bobo montados nos seus pangarés (ir)reais.
——//
Este artigo foi publicado originalmente na Poderes em Revista, com o título “O crime do menino-rei“ de Wladimir Aras disponível aqui.
Poderes em Revistas.com!

Oxford University Press prepara-se para lançar livros didáticos no Brasil

13 jun
A Oxford University Press, a maior editora universitária do mundo, vem contratando editores para entrar no segmento de livros didáticos no Brasil. Neste segundo semestre, a editora de origem inglesa já contratou pelo menos três profissionais que trabalhavam na Moderna, para a área de exatas; uma pessoa da Saraiva, para cuidar das obras de Português, e uma da Abril Educação, para Filosofia e Sociologia. Procurada pelo PublishNews, a editora não deu detalhes dos seus planos, mas informou que “está em busca de parceiros estratégicos para diversas iniciativas”. No exterior, a Oxford publica livros educacionais e didáticos para diferentes áreas, mas, aqui no Brasil, até agora, só atuava com livros de inglês e, mais recentemente, também de espanhol.
Ainda não está claro se a Oxford pretende disputar os programas governamentais de compras de livros ou se concentrará esforços no mercado privado, como o grupo Pearson, também de origem inglesa, vem fazendo no país. Mas, por ora, os novos editores da Oxford não estão trabalhando com a perspectiva de inscrever obras no Programa Nacional do Livro Didático 2014, cujo período de pré-inscrição para livros direcionados a alunos do 6° ao 9° ano do ensino fundamental começa em 09 de dezembro e vai até maio de 2012.
A última década do mercado editorial brasileiro foi marcada pelo avanço de editoras estrangeiras no segmento de livros didáticos. Alguns dos negócios mais relevantes foram a compra da Moderna pelo grupo espanhol Santillana, em 2001; a chegada da também espanhola SM, em 2004; o investimento da portuguesa LeYa no segmento educacional e a expansão do grupo inglês Pearson no país.
O Pearson é o maior do mundo no segmento educacional, além de dono da editora Penguin e do jornal “Financial Times”. No Brasil, até agora, seus esforços têm se concentrado no mercado de educação privada. Além de trabalhar com livros universitários e obras de negócios e de ensino de idiomas, a companhia partiu para uma ofensiva na área de didáticos. Em julho deste ano, desembolsou 326 milhões de libras para comprar o Sistema Educacional Brasileiro, dono dos sistemas de ensino COC, Dom Bosco e Pueri Domus, e assim dobrar sua participação em território nacional.
Há, ainda, outras movimentações menores. A Macmillan, por exemplo, que no Brasil trabalha apenas com livros de idiomas, começou a inscrever obras em programas governamentais. Elas chegam às escolas públicas já em 2012.

PublishNews – 02/12/2011 – Roberta Campassi

Oxford cria rede de escolas no Brasil

13 jun

Editora ligada à renomada universidade inglesa desenvolveu uma estratégia inédita para vender seus livros no país


A Oxford University Press (OUP), editora da Universidade de Oxford que vem expandindo seus negócios no Brasil, criou uma estratégia inédita para ganhar mercado com a venda de livros de idiomas. A editora inglesa desenvolveu uma marca e uma metodologia de ensino baseada em seus títulos com o objetivo de licenciá-las a escolas de línguas (inglês e espanhol) e, assim, formar uma rede de ensino. Batizada de Achieve Languages, a rede já tem 35 escolas em nove estados do país, e o objetivo é chegar a 120 unidades até março de 2013, afirma João Tomazeli, gerente de negócios do projeto. Ele explica que não se trata de franquias, como é o modelo de redes como Wizard, CNA, Skill etc. “Não cobramos taxa de franquia nem royalties das escolas. Nós fornecemos a metodologia, o suporte e campanhas de marketing, e ganhamos só com a venda dos livros”, diz Tomazeli. Segundo ele, a Achieve Languages é um projeto piloto que está começando no Brasil e que no futuro poderá ser exportado para outros países onde a OUP atua – são mais de 50. “O Brasil é sem dúvida um dos mercados em que a Oxford escolheu crescer”, afirma Tomazeli. A OUP é a maior editora universitária do mundo e, no ano passado, montou uma equipe editorial para desenvolver material didático no Brasil, algo que sua conterrânea Pearson e outros grupos estrangeiros, como Santillana e SM, já fizeram no país.
PublishNews – 13/06/2012 – Roberta Campassi

%d blogueiros gostam disto: