Archive | agosto, 2012

Números da Bienal do Livro são divulgados

20 ago

PublishNews – 20/08/2012 – Redação

Evento teve cerca de 750 mil visitantes em 11 dias

A Câmara Brasileira do Livro, CBL, responsável pelo evento, anunciou no último domingo, 19/11, que a Bienal recebeu cerca de 750 mil pessoas. Somente no sábado (18/8), passaram pelo Pavilhão de Exposições do Anhembi 123 mil visitantes, batendo todos os recordes da história do evento. A CBL e a organizadora do evento Reed Exhibitions Alcantara Machado se declararam satisfeitos com os resultados da feira. Foram ao todo cerca de 1.180 autores, dentre consagrados e novos talentos, 18 deles internacionais, além de 1.829 lançamentos. Os espaços culturais receberam cerca de 12.010 pessoas, e o pavilhão abrigou 480 expositores — 346 nacionais e 134 internacionais. O número de alunos das escolas públicas e particulares que visitaram a Bienal do Livro chegou a 120 mil, vindos da capital e interior do Estado de São Paulo. Eles receberam Vale Livros oferecidos pelo Estado (R$ 20,00) e pelo município (R$ 10,00). Já o dos professores da rede estadual foi de R$ 50,00. No total, foram distribuídos R$ 750 mil em Vales Livros, aos dois públicos.

Afeganistão ‘reescreve’ história do país em livros escolares

20 ago


O governo do Afeganistão está reescrevendo a história, literalmente.

O Ministério de Educação do país aprovou um novo currículo de História para as escolas que apaga quase quatro décadas do passado do país, devastado pela guerra.

O governo diz que livros escolares baseados no novo currículo vão ajudar a unificar um país tradicionalmente polarizado, com divisões étnicas e políticas.

Mas críticos acusam os ministros de tentar apaziguar o Talebã e outros grupos poderosos ao apagar a história que os retrata de maneira não elogiosa.

Esses críticos dizem que o governo está tentando conquistar o Talebã antes que as forças dos EUA e da Otan deixem o país.

O Afeganistão está entrando em um altamente incerto período pós-Otan, durante o qual são esperados acordos complicados com o Talebã e outros grupos.

ANOS TURBULENTOS

Os últimos 40 anos no Afeganistão foram alguns dos mais turbulentos do mundo.

Mas os golpes sangrentos dos anos 1970, a invasão soviética em 1979, os regimes comunistas em Cabul apoiados por Moscou e os incontáveis abusos de direitos humanos cometidos pela polícia secreta foram todos apagados do currículo de História, dizem os críticos.

Tampouco há muita menção à sangrenta guerra civil entre facções mujahedin que arrasaram Cabul nos anos 1990, deixando cerca de 70 mil mortos.

Aquele conflito deu origem ao Talebã –do qual não há muita menção, como ocorreu com às forças lideradas pelos EUA que os tiraram do poder e permanecem no país por mais de uma década.

Um jornalista afegão, que não quis ser identificado por razões de segurança, disse à BBC que o surpreendeu o fato de a guerra civil e o regime do Talebã terem sido resumidos em apenas algumas poucas linhas.

Getty Images/BBC

Governo do Afeganistão ‘reescreve’ história do país em livros escolares e tenta apagar o passado de guerra e conflitos
“Não há menção à miséria (que a guerra) trouxe. Não há menção ao fato de Cabul ser a zona da morte. Os livros dizem que o Mulá Omar foi removido do poder em 2001, sem explicar quem era o Mulá Omar”, afirma.

“Não há menção à presença dos EUA e da Otan. É como se alguém estivesse tentando esconder o sol com dois dedos.”

O Ministério da Educação nega sugestões de que estrangeiros tiveram algum papel na definição do novo currículo, e oficiais militares americanos afirmam que não discutiram o conteúdo dos livros, alguns pagos com dinheiro dos EUA.

No entanto, um porta-voz do Exército americano em Cabul, David Lakin, disse que conselheiros culturais americanos “revisaram os livros de estudos sociais para ver se não havia material inapropriado, como incitação à violência ou discriminação religiosa”.

VISITA A ESCOLAS

A BBC visitou duas escolas nos arredores de Cabul onde os novos livros já foram introduzidos.

Em um delas –em Sarubi, a 75km de Cabul– a reportagem sentou em uma sala de aula e ouviu o professor pedir a um de seus alunos que lesse um trecho de seu novo livro de História.

O capítulo era sobre Sardar Mohammad Daud Khan, primeiro-ministro de 1953 a 1963 e presidente do país 10 anos depois. Falava sobre a ascensão de Daud Khan, mas silenciou sobre os detalhes de como ele derrubou a monarquia de seu primo, Mohammed Zahir Shah.

Os capítulos seguintes também não fazem menção aos numerosos golpes sangrentos que agitaram o cenário político do país, aos regimes apoiados por Moscou, incluindo o do presidente Najibullah, à guerra civil que começou após sua renúncia ou à ascensão em 1996 do Talebã e sua subsequente queda.

“O que aconteceu em Sarubi durante a invasão soviética?”, a reportagem perguntou a um aluno de 11 anos que ouvia atentamente à aula.

“Os russos queriam remover o Islã do Afeganistão. Muitas pessoas foram mortas, aldeias foram bombardeadas. Milhões foram forçados a se refugiar no Paquistão”, disse o garoto.

“Como você sabia? Essa informação não está em seu livro de História.”

“Meus pais e professores me contaram”, disse o menino, inocentemente.

GERAÇÃO

O professor, que também pediu para não ter seu nome revelado, diz que os novos livros vão privar uma geração inteira de conhecimento do passado.

“Como a penetração da internet é limitada, assim como o contato com o mundo exterior, as crianças são mais dependentes de livros escolares no Afeganistão do que em qualquer outro lugar do mundo”, disse o professor.

“Mas agora que o governo decidiu apagar os últimos 40 anos turbulentos dos nossos livros de História, milhões de crianças nunca vão saber por que e como o Afeganistão se transformou no país em que hoje vivemos.”

Assim como em Sarubi, as planícies de Shomali, ao norte de Cabul, também sofreram com os excessos do Exército Vermelho soviético e, depois, do Talebã.

A agitada cidade de Charikar era, até 12 anos atrás, o retrato da devastação. Acusada de apoiar a Aliança do Norte, a cidade sofreu a violência do Talebã.

“Milhares de árvores foram derrubadas, campos e vinhedos queimados, casas destruídas e pessoas mortas”, diz Abdul Qodoas, professor de História na escola Mirwais.

Mas a política de terra arrasada do Talebã também não é mencionada nos novos livros de História.

“Para os alunos, é importante estudar todos os regimes políticos, quer seu governo tenha sido bom ou ruim”, diz Qodoas.

“Um dos principais objetivos de estudar História é não repetir os erros do passado. Se os alunos não aprenderem sobre a violência do passado, como vão evitá-la no futuro?”

INTERESSE MAIOR

O ministro de Educação, Farooq Wardak, diz que a decisão de apagar parte da história dos livros é baseada no interesse maior do país.

“Há centenas e milhares de questões sobre as quais há desacordo na nação”, ele disse.

“Minha responsabilidade é trazer união, e não desunião, ao país. Eu não vou apoiar uma agenda divisiva na Educação.”

“Agora, se eu estiver escrevendo algo sobre o que não há consenso nacional, eu estarei levando a discórdia, até mesmo a guerra, à aula e à escola do Afeganistão. Eu jamais farei isso.”

Mas para muitos outros, o que foi feito ao currículo é simplesmente decepcionante. Como você pode avançar se, em vez de confrontar o passado, você o varre para baixo do tapete?, questionam os críticos.

“Cabul foi destruída durante a guerra civil, milhares de pessoas foram mortas”, disse uma integrante do Parlamento, também em condição de anonimato.

“Durante o regime do Talebã foram cometidas atrocidades contra as mulheres. Eles foram proibidas de trabalhar e ir à escola. Centenas de mulheres foram apedrejadas até a morte por acusações de adultério. Não há nada sobre isso nos livros escolares. Não estamos escondendo a verdade das crianças do país?”
BBC Brasil

Assange acusa EUA de caça às bruxas contra Wikileaks

20 ago

Em sua primeira aparição pública em dois meses, falando da sacada da embaixada do Equador em Londres, Julian Assange acusou os Estados Unidos de levar adiante uma “caça às bruxas contra Wikileaks” e a liberdade de imprensa. Assange também pediu a libertação do soldado Bradley Manning, suspeito de ser a fonte dos documentos secretos estadunidenses que Wikileaks difundiu em 2010, alguns meses antes de ser iniciada uma investigação contra Assange na Suécia por supostos delitos sexuais contra duas mulheres. O artigo é de Marcelo Justo, direto de Londres.

Londres – Em sua primeira aparição pública em dois meses, falando desde a sacada da embaixada do Equador em Londres, Julian Assange acusou os Estados Unidos de levar adiante uma “caça às bruxas contra Wikileaks” e a liberdade de imprensa. Assange agradeceu ao Equador e a cada um dos governos da América Latina pelo apoio recebido, ao mesmo tempo em que pediu a libertação do soldado Bradley Manning, suspeito de ser a fonte dos documentos secretos estadunidenses que Wikileaks difundiu em 2010, alguns meses antes de ser iniciada uma investigação contra Assange na Suécia por supostos delitos sexuais contra duas mulheres.

Assange não colocou o pé para fora da embaixada como havia insinuado a organização Wikileaks, pelo twitter, depois que o Equador concedeu-lhe o asilo diplomático: isso teria sido brincar com fogo. O Reino Unido está esperando um passo em falso para poder prendê-lo sem ter que violar a imunidade diplomática. A estratégia para poder falar a seus seguidores e apresentar um rosto desafiador à opinião pública mundial foi usar a sacada da embaixada. Alguns operários foram vistos trabalhando pela manhã em uma janela que se comunicava com uma sacada da embaixada, na qual Assange apareceu de gravata, formal e tenso, em um pouco usual domingo caloroso em Londres.

Lendo um papel, Assange disse que o Reino Unido estava pronto quarta-feira à noite para invadir a embaixada equatoriana e que a presença de seus seguidores evitou isso. “Na quarta-feira à noite, depois da ameaça enviada a esta embaixada e de a polícia ter cercado o edifício, vocês saíram no meio da noite e trouxeram com vocês os olhos do mundo. Dentro da embaixada, à noite, eu podia escutar as equipes da polícia subindo as escadas da saída de emergência. Se o Reino Unido decidiu não violar a Convenção de Viena foi porque o mundo estava olhando”, disse Assange.

A Convenção de Viena de 1961 especifica o conceito de imunidade diplomática, pelo qual a embaixada de um país é considerada parte inviolável de seu território. Na já famosa nota que a embaixada britânica passou para a chancelaria equatoriana na quarta, o Reino Unido lembrava o governo de Rafael Correa que uma lei de 1987 – o Diplomatic and Consular Premises Act – permitia-lhe revogar o status diplomático de uma missão estrangeira se esta “não fosse usada para seu propósito específico”. 

Na quinta, o chanceler britânico William Hague esclareceu que não estavam ameaçando invadir a embaixada do Equador, mas sim simplesmente informando esse país sobre a legislação britânica. Não foi isso que entendeu o Equador nem o resto da América Latina. O governo de Rafael Correa pediu uma reunião da Organização de Estados Americanos para debater o tema da imunidade diplomática e neste fim de semana obteve o apoio da Unasul e da Alba.

Em sua mensagem neste domingo, Assange agradeceu especificamente ao presidente equatoriano e ao seu povo. “Agradeço ao presidente Correa pela coragem que mostrou ao conceder-me o asilo político. Agradeço também ao governo e ao chanceler Ricardo Patiño que respeitou a Constituição e sua noção de direitos universais”, disse Assange. O fundador de Wikileaks pediu ao presidente Barack Obama que renunciasse à caça às bruxas” empreendida contra sua organização, que terminasse com a investigação levado a cabo pelo FBI e se comprometesse a não perseguir judicialmente os trabalhadores e simpatizantes do Wikileaks.

O pedido de asilo político ao Equador se fundamenta em que, por detrás da investigação policial sueco e o pedido da justiça desse país para interroga-lo, está a possibilidade de que Assange seja extraditado para os Estados Unidos, onde poderia ser condenado a morte. O Equador informou que solicitou garantias aos Estados Unidos, Suécia e Reino Unido de que isso não ocorreria, mas não recebeu tais garantias de nenhum destes países. 

Se é verdade que os EUA não pediram ao Reino Unido a extradição de Assange, nem o acusaram formalmente, seu desejo ficou claro tanto em nível do Executivo – o vice-presidente Joe Biden chamou Assange de “terrorista high-tech” – como do Congresso – foi acusado por congressistas de ambos partidos – e da Justiça – em abril de 2011 se constituiu um grande júri na Virgínia para decidir sobre o início de ações legais.

O advogado de Assange, Baltasar Garzón, assinalou ontem que o fundador do Wikileaks autorizou-o a iniciar todas as ações legais correspondentes para reclamar “seus direitos e os de Wikileaks que estão sendo violentados tantos nos aspectos legais como nos financeiros”. Garzón solicitou ao Reino Unido que lhe outorguem um salvo conduto para abandonar o país e assinalou que Assange está disposto a “responder ante a Justiça, mas com garantias mínimas que têm qualquer cidadão”. 

Quanto ao salvo conduto, o Reino Unido foi explícito que não vai concedê-lo
porque tem que cumprir com suas obrigações legais e internacionais: a justiça britânica decidiu em todas as suas instâncias, incluindo a corte suprema, a favor da sua extradição para a Suécia.

A outra possibilidade cogitada pelos advogados de Assange é que a Suécia o interrogue pessoalmente na embaixada do Equador ou por vídeo, via internet. A Suécia se negou expressamente no passado a ceder sobre esse ponto. O governo considerou ofensivo que o Equador duvide sobre a transparência e equanimidade de sua justiça. No momento, tudo leva a pensar que Julian Assange passará bastante tempo no pequeno escritório que ocupa na embaixada equatoriana.

O caso judicial
Em agosto de 2010, Assange era uma das pessoas mais odiadas pelos Estados Unidos por causa da publicação dos “diários afegãos” e de outros materiais secretos. No centro da atenção global, Assange viajou a Suécia para participar de várias conferências, convidados por seus seguidores. Em Estocolmo, teve relações sexuais com duas mulheres suecas, Anna Ardin e Sofía Wilen. Isso não é negado nem por Assange nem pelas duas mulheres, mas é o único consenso. As duas mulheres foram a uma delegacia para informar-se sobre o perigo de contrair uma enfermidade sexual por terem praticado sexo sem preservativo. Com base nisso, a promotoria iniciou uma investigação pelos delitos de assédio sexual e coação física no caso de Ardin e de violação no de Wilen.

Um problema linguístico: na Suécia a tradução literal da acusação é “sexo com surpresa”. Em um caso a mulher disse que Assange começou e continuou a relação apesar de o preservativo ter se rompido; no outro, ele teria se negado a usar preservativo. Segundo Wilen, a relação, no seu caso, havia começado quando ela estava adormecida, sem preservativo, apesar dela ter dito anteriormente que não aceitaria uma relação assim, mas depois ela concordou em ter a relação. No segundo caso, “ele estava em cima dela e ela sentiu que ele queria inserir seu pênis em sua vagina sem preservativo e ela tentou fechar as pernas e quis várias vezes agarrar um preservativo, mas Assange impediu segurando seus braços”.

Em uma primeira instância da investigação, a justiça sueca desconsiderou o caso que foi retomado por uma nova promotora que conseguiu que as autoridades suecas solicitassem em novembro de 2010 o pedido de extradição ao Reino Unido. A tormenta não parou e tem uma curiosidade. Assange não foi acusado de nada. No momento, a polícia só quer interrogá-lo.

Tradução: Katarina Peixoto

Debates abre o lançamento de “Armas da Crítica”

16 ago

O sociólogo Emir Sader participará, neste mês de agosto, de uma série de eventos de lançamento do livro “As armas da crítica” (Boitempo Editorial), do qual é um dos organizadores. Serão sete dias de eventos, entre os dias 16 e 29, nas cidades de São Bernardo do Campo, São Paulo, Campinas, Fortaleza, Belo Horizonte e Caxias do Sul. A obra abrange autores clássicos do pensamento da esquerda, como Marx, Engels, Gramsci, Lenin, Trotski e Rosa Luxemburgo. Livro inaugura um projeto planejado para três volumes, divididos entre os autores clássicos, os do chamado marxismo ocidental e os contemporâneos.
Redação

São Paulo – Neste mês de agosto, o sociólogo Emir Sader participará de uma série de eventos de lançamento do livro As armas da crítica, do qual é um dos organizadores. Serão sete dias de eventos, entre os dias 16 e 29, nas cidades de São Bernardo do Campo, São Paulo, Campinas, Fortaleza, Belo Horizonte e Caxias do Sul.

A obra abrange os chamados ‘clássicos’ – os autores que vão de Marx e Engels a Gramsci, passando por Lenin, Trotski e Rosa Luxemburgo. Essa coletânea de textos essenciais apresenta, por exemplo, alguns dos mais importantes capítulos de obras como Manifesto Comunista, 18 de Brumário de Luis Bonaparte, A guerra civil na França, Grundrisse, Contribuição à crítica da economia política, Luta de classes na Alemanha e o texto “O caráter fetichista da mercadoria e seu segredo”, que faz parte do Livro 1 de O capital, a ser publicado pela Boitempo em 2013, com tradução direta dos originais por Rubens Enderle. No segundo volume de As armas da crítica serão apresentados autores intermediários entre os clássicos e os contemporâneos, a quem será dedicado o terceiro volume. A organização é de Ivana Jinkings e Emir Sader.

Os eventos presenciais são gratuitos e não há necessidade de inscrição prévia.

Sobre o livro
Quase cem anos depois da primeira revolta proletária bem-sucedida no mundo, a Revolução Russa, quando a palavra “revolução” de certo modo se banaliza e alguns chegam a proclamar o fim da história, a Boitempo Editorial publica uma antologia que reúne alguns dos principais textos “clássicos” do pensamento marxista. As armas da crítica, organizado por Ivana Jinkings e Emir Sader, traz textos de Karl Marx, Friedrich Engels, Vladimir Lenin, Leon Trotski, Rosa Luxemburgo e Antonio Gramsci. A escolha pelos marxistas para esta coleção se deve ao fato de o marxismo constituir a espinha dorsal das teorias e práticas da esquerda desde que esta se firmou como força política e ideológica ao longo do século XX.

Este livro inaugura um projeto planejado para três volumes, divididos entre os autores clássicos, os do chamado marxismo ocidental e os contemporâneos. Abrindo o primeiro volume – dos clássicos – estão escritos dos fundadores do marxismo, Marx e Engels. Seguem-se a eles textos redigidos pelos mais destacados teóricos e dirigentes políticos do ciclo revolucionário do fim dos anos 1910 e do momento imediatamente posterior à Primeira Guerra Mundial: Lenin, Trotski, Rosa Luxemburgo e Gramsci. Todos são exemplos consagrados da capacidade de articulação entre teoria e prática, reflexão e ação, nos momentos de ascensão e de refluxo do movimento comunista.

Cada texto tem uma introdução, na qual se encontram as referências bibliográficas das edições originais e o nome dos tradutores e revisores técnicos. O volume inclui ainda um índice onomástico e indicações bibliográficas para os leitores que quiserem se aprofundar mais nos temas abordados.

Os autores apresentados também compartilham características. Foram ao mesmo tempo teóricos e militantes, pensadores e dirigentes revolucionários. Além disso, a prática política, o âmbito partidário, as esferas nacionais e internacionais foram sempre seus espaços de reflexão e de ação. Nenhum deles se dedicou a carreiras acadêmicas, nem por isso deixaram de valorizar extraordinariamente a teoria, construindo obras de porte monumental como formas de decifrar a realidade e fundamentar a ação política.

“Melhor que uma ferramenta: um arsenal de armas, as tais ‘armas da crítica’, tão indispensáveis ao combate revolucionário quanto seu complemento dialético, a crítica das armas”, afirma o sociólogo radicado em Paris, Michael Löwy, diretor emérito de pesquisas do Centre National de la Recherche Scientifique (CNRS). Para ele, o livro “constitui sem dúvida uma excelente ferramenta não só para entender, mas também para transformar o mundo, como bem diz a famosa Tese 11 de Karl Marx sobre Ludwig Feuerbach”.

Mas, por que voltar aos clássicos do marxismo em um momento destes? Löwy ressalta três características marcantes dos textos selecionados: a relevância e pertinência dessas análises que se mostram atuais 100 ou 150 anos depois de sua publicação; a impressionante diversidade dos grandes textos do marxismo, muitas vezes convergentes, outras divergentes ou complementares; e a natureza dinâmica do pensamento que se desenvolveu a partir de Marx e Friedrich Engels, produzindo conceitos novos, como imperialismo, hegemonia e revolução permanente.

“Os grandes pensadores comunistas pagaram caro por seu compromisso com a causa dos oprimidos e dos explorados. O que seus algozes não conseguiram matar, prender ou exilar foram suas ideias, as quais, graças a livros como este, continuarão a atrapalhar o sono dos poderosos – e a inspirar a revolta dos subalternos”, afirma o sociólogo.

“Se ser de esquerda é lutar pela igualdade, esperamos que a leitura – ou a releitura – desses escritos represente um passo adiante na luta, sempre atual e renovada, contra a fonte maior de desigualdades, o capitalismo”, concluem os organizadores no texto de apresentação. “Que a leitura desses clássicos nos torne cada vez mais contemporâneos do nosso presente. Que nos leve a pensar na história como uma permanente aventura de liberdade e de utopias, fazendo da articulação entre teoria e prática a chave da construção de um futuro que vislumbre a emancipação humana”.

Programação de lançamentos

16/08 | 19h20 às 21h | Universidade Metodista de São Paulo
Salão Nobre do Campus Rudge Ramos
Rua Alfeu Tavares, 149, Rudge Ramos – São Bernardo do Campo /SP

17/08 | às 14h | Fundação Escola de Sociologia e Política de SP
Auditório do 7 andar. Rua General Jardim, 725, Vila Buarque – São Paulo /SP
Próximo ao Metrô República ou Santa Cecília

17/08 | Encontro Democratização da Cultura e da Comunicação
Das 19h às 21h30 | Transmissão de encontro de Emir Sader com
blogueiros de Campinas e região.

18/08 | 10h às 13h | Sindicato dos Bancários de São Paulo
O lançamento acontecerá na abertura do Curso Marx-Engels,
que já teve inscrições encerradas. O evento será gravado e
disponibilizado em nosso canal no You Tube.

20/08 | às 19h | Espaço Cultural Circuladô
Avenida da Universidade, bairro Benfica – Fortaleza/CE
Próximo a um dos Campi da UFC

24/08 | às 18h30 | Casa do Jornalista
Av. Alvares Cabral, 400, Centro – Belo Horizonte/ MG

29/08 | às 20h | Universidade de Caxias do Sul
I Congresso Internacional de Direitos Humanos
Conferência Conjuntura Internacional e Direitos Humanos
UCS Teatro – Bloco M – Cidade Universitária
Rua Francisco Getúlio Vargas, 1130 – Caxias do Sul/ RS

CORRUPÇÃO

8 ago

CORRUPÇÃO.

Morre John Keegan, o historiador que deu cara à Guerra

4 ago


Uma trsite notícia para s estudiosos da ‘arte’ da Guerra…
RIO – Considerado um dos maiores especialistas em História militar de sua geração, o britânico John Keegan morreu de causas não reveladas nesta quinta-feira, aos 78 anos, em sua casa em Kilmington, na Inglaterra. Embora nunca tenha servido as forças armadas ou sequer pisado em um campo de batalha – aos 13 anos ele contraiu uma tuberculose ortopédica que fez com que passasse os nove anos seguintes entrando e saindo de hospitais -, Keegan escreveu mais de 20 livros sobre o assunto, incluindo a obra-prima “A face da batalha”.

Nascido em 15 de maior de 1934 em Londres, Keegan, assim como outras crianças inglesas, foi evacuado para o interior do país para fugir da “blitz” alemã de 1940, sendo deixado na cidade de Taunton. Por coincidência, Taunton também virou base das tropas americanas que se preparavam para invadir a Normandia e o jovem Keegan ficou fascinado com a movimentação. Anos mais tarde, ele escreveu que pôde ouvir os aviões de guerra partindo com paraquedistas para a França na véspera do ataque.

O trabalho de Keegan atravessou séculos e continentes, traçando a evolução da guerra e das tecnologias de destruição sempre tendo em mente duas constantes: os horrores do combate e o custo psicológico que os soldados têm que enfrentar. Keegan tinha especial interesse pelas raízes culturais da guerra e por que o homem briga. Em seu clássico estudo “Uma história da guerra”, publicado de 1993, ele argumenta que os conflitos militares eram um ritual cultural do qual a noção moderna de guerra total, como a Primeira Guerra Mundial, tornou-se uma aberração.

Entre os tópicos que abordou ao longo da carreira estão as conquistas de Henrique V e Napoleão, além da construção da máquina militar de Hitler. Mas Keegan também abordou a guerra na era nuclear, concluindo em “A face da batalha” que as armas atômicas tornaram impensável uma guerra total. “A suspeita cresce de que a batalha aboliu a si mesma”, escreveu. Já em “A guerra do Iraque”, publicado em 2004, Keegan seguiu a revolução tecnológica da guerra com a entrada em operação de armas “inteligentes” guiadas por computadores. No livro ele também fez seu julgamento político da guerra que a invasão do Iraque para derrubar Saddam Hussein era justificável.

Mas nenhum de seus livros é mais admirado do que “A face da batalha”, originalmente publicado em 1976. Logo na introdução, Keegan reconhece: “nunca estive em uma batalha, nem perto de uma, nem ouvi uma de longe, nem vi seu desenlace. Eu questionei pessoas que estiveram em batalhas, caminhei em campos de batalha, li sobre batalhas, claro, falei sobre batalhas, dei palestras sobre batalhas e, nos últimos quatro ou cinco anos, tenho visto batalhas em progresso, ou aparentemente em progresso, na tela da televisão”. No livro, Keegan analisou três batalhas: a de Agincourt, em 1415, a de Waterloo, em 1815, e a do Somme, em 1916, todas envolvendo tropas inglesas. Sua avaliação do que acontece no calor da batalha, incluindo a execução de prisioneiros, é sombria.
Mariana Ruivo-Brazilianas.org

Morre o escritor Gore Vidal

1 ago


Da Agência Efe – O americano Gore Vidal, escritor, romancista, ensaísta e roteirista de cinema, morreu nesta terça-feira em sua casa em Los Angeles (Estados Unidos), aos 86 anos de idade, informou a imprensa local.

Vidal faleceu devido às complicações geradas por uma pneumonia, segundo indicaram vários meios da imprensa americana, que citam fontes familiares do autor de “Juliano, Apóstata” e “Hollywood”, entre outras diversas obras.

Como roteirista de cinema, Vidal escreveu os textos de “Calígula” (1979) e “Paris Está em Chamas?” (1966), tendo muito sucesso também como autor de peças de teatro. Candidato eterno ao Nobel da Literatura, Vidal era primo de Al Gore e meio-irmão de Jacqueline Kennedy.

Gore Vidal era considerado um dos intelectuais americanos mais críticos à política oficial de seu país, junto a Susan Sontag, Noam Chomsky e Norman Mailer. Ao lado de Mailer e Truman Capote, também era tido como um dos melhores escritores e pensadores dos Estados Unidos.

Vidal foi um ávido escritor e frustrado político cuja produção literária girou em torno do romance histórico, da sátira sobre o estilo de vida dos americanos e da ficção científica. Em 1993, obteve o Prêmio Nacional do Livro dos Estados Unidos por seu ensaio “United States Essays, 1952-1992”. No campo da política, Vidal não conseguiu o mesmo sucesso.

Nos anos 60, teve um papel muito ativo dentro das fileiras mais liberais do Partido Democrata e se apresentou sem sucesso para o posto de congressista pelo estado de Nova York. Entre 1970 e 1972, presidiu o People’s Party (de tendência liberal), e em 1982 se apresentou como senador pela Califórnia e ficou perto de conquistar uma cadeira no Congresso ao obter mais de 500 mil votos.

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