Dirceu:. São Paulo e uma guerra no caminho

16 nov

Enquanto a violência transforma a rotina dos paulistas, o governador Geraldo Alckmin continua dando declarações de quem enxerga a situação com muito menor gravidade do que ela realmente tem

O recrudescimento da violência no Estado de São Paulo, que assiste alarmado ao assassinato diário de dezenas de pessoas, já transforma a rotina de seus cidadãos e paralisa algumas de suas atividades mais rotineiras. A guerra nas ruas, protagonizada por facções criminosas, esquadrões da morte e grupos paramilitares incrustados nas polícias paulistas, dissemina a insegurança e obriga as pessoas a alterarem os planos do seu dia a dia.

O que mais se ouve dos moradores, sobretudo nos bairros periféricos, são relatos de toques de recolher, cancelamento de aulas, fechamento do comércio, entre outras arbitrariedades com as quais não suportam mais conviver. Nesta semana, a Igreja Católica afirmou em nota que está cancelando missas noturnas em algumas áreas da capital, como o bairro da Vila Brasilândia, na Zona Norte, o mesmo que concentra o maior número de ônibus incendiados.

Enquanto isso, mesmo ante a persistência da situação calamitosa, o governador Geraldo Alckmin continua dando declarações de quem enxerga a situação com muito menor gravidade do que ela realmente tem. No último final de semana, por exemplo, Alckmin afirmou que o número de mortes e a violência já começam a diminuir. Contudo, no dia seguinte e nos demais desta semana, não foi o que a imprensa noticiou.

O mais estarrecedor é saber que a possibilidade de intensificação da violência em São Paulo, por meio de ações planejadas pelo PCC, foi avisada pela Polícia Federal ao governo paulista que, obviamente, nega ter recebido tal aviso, da mesma forma que negou ter recebido oferta de ajuda do governo federal já na ocasião. As informações foram levantadas em gravações telefônicas feitas com autorização judicial.

Portanto, podemos afirmar que a crise, que já dura seis meses, é resultado do imobilismo e da incompetência do governo tucano em conter a criminalidade, e de sua política de retaliação pura e simples, que levou ao ressurgimento de grupos paramilitares.

Por essa razão espera-se que a cooperação prática entre o governo federal e o governo do Estado, que terá início na próxima semana, seja capaz de conter a violência e introduzir novas políticas para lidar com a situação.

A criação de uma agência de atuação integrada para combater o crime organizado no Estado, contando com a participação dos setores de inteligência das Polícias Federal e Rodoviária Federal, Secretaria Nacional de Segurança Pública, Polícia Militar e Polícia Civil paulistas, entre outros órgãos, é uma das medidas anunciadas. Dentre outras estão a transferência de presos paulistas para penitenciárias federais, o aumento da repressão ao crime nos pontos críticos de acesso ao Estado? Rodovias, portos e vias aéreas – e a criação de um centro de comando e controle integrado de operações.

Espera-se que essa parceria possa colocar um fim às políticas meramente punitivas adotadas até aqui, para empreender uma política de segurança que agilize providências e soluções, garantindo os direitos e a participação de todos, pacificando e desfazendo a lógica da guerra para o enfrentamento do problema, que é o que tem aprofundado a violência e a insegurança no Estado. É preciso repensar e reorganizar totalmente a política de segurança e as polícias paulistas, para que seus responsáveis estejam à altura da responsabilidade de suas atribuições e para que o uso de práticas ilegais que alimentam essa guerra não seja mais tolerado.

A fase de negar a crise já passou. Impossível negar a morte de mais de uma centena de policiais ao longo deste ano e de dezenas de pessoas a cada nova madrugada, na capital e na região metropolitana. Impossível negar a guerra que torna a população refém do descaso e da truculência. O que se espera agora são ações efetivas, para que a população possa voltar às suas atividades normais, sem o temor de uma guerra não declarada no meio do seu caminho.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: