Arquivo | janeiro, 2013

Os Ratos de Pavlov

29 jan

Com seus reflexos condicionados, que permitem a um ser humano ficar idêntico aos ratos de laboratório de Pavlov – nome muito em voga na época – eles diriam que o caso demonstrava que essa juventude não tem eira nem beira, não merece a confiança dos pais, pois passam o dia fumando maconha, ouvindo rock e pensando em dormir com a namorada.

Os tempos mudaram mas é preciso reconhecer que os ratos de pavlov permanecem. Seu alvo, agora, é o universo Lula-Dilma.

É um pouco difícil achar culpados diretos no PT, desta vez. A tragédia tem muito a ver com questões de prefeitura, e o prefeito de Santa Maria, reeleito em 2012 com mais de 54% dos votos, é do PMDB. Complica bater no sujeito, que, além de tudo, tem fama de bom político, com um histórico de atitudes respeitáveis em sua passagem por Brasília. 
    
Nós sabemos que, do ponto de vista pavloviano, esse tipo de questão não importa. Importa o alvo. Mas desta vez não dá para bater direto e começar a procurar relações entre as tragédias. Com cartilagem, em vez de ossos, os ratinhos conseguem atravessar as menores brechas, não é mesmo?

Lembram-se do desastre da TAM? Teve até passeata para denunciar o governo federal como culpado. Quando a causa do acidente apareceu… os ratinhos deram um jeito de atacar um assessor do presidente em vez de pedir desculpa. 
  
Dessa vez, o pavlovianismo acha ruim que Lula e sua mulher, Marisa, colocaram no Facebook uma nota de pesar pela tragédia. 
    
Claro: é oportunismo, é intromissão. Um ex-presidente, o mais popular da história brasileira, só pode ter intenções maléficas quando coloca uma nota na internet.     

Vamos combinar que, salvo amigos e parentes próximos, todo mundo poderia  ser chamado de oportunista no caso.

Um observador frio pode dizer que principalmente os jornalistas estão querendo faturar com a tragédia, pois ela ajuda a aumentar a audiência e a vender jornais. Seria estúpido, mas juro que tem gente que pensa assim.

As emissoras de TV costumam ganhar audiência e prestígio com esse tipo de cobertura. Pesquise a história das grandes emissoras e garanto que vai encontrar um episódio desses, que marcou a história de todas elas. Não é vergonhoso. Não é oportunismo. 

Quantos blogueiros não conquistaram audiência no tsunami da Ásia?
 
Um político como Mário Covas deixou de ser um engenheiro de Santos como tantos outros por causa de uma enchente em sua cidade natal. Ele mostrou-se à altura de suas responsabilidades como cidadão e, a partir de então, conseguiu apoio popular para sua carreira política, que o levou ao Senado, ao governo de São Paulo e a uma candidatura a presidente da República.

Não vejo nada de errado na solidariedade de Lula nem de ninguém. Acho natural. Como achei natural que Zeca Pagodinho desfilasse por Xerém a bordo de seu triciclo motorizado. Só achei um pouquinho exagerada a reação favorável. Será que isso tem a ver com seus patrocinadores?  

E tenho certeza de que, para desgosto de nossos ratos de Pavlov, a solidariedade vai se ampliar nos próximos dias. Outros políticos vão se manifestar. É absurdo ficar em silêncio e cruzar os braços numa hora dessas.

É possível inverter o raciocínio. Em vez de achar que Lula está usando a tragédia para se promover, pode-se dizer que os ratos de Pavlov querem tirar proveito da tragédia para atacar o ex-presidente. Ou seja: os oportunistas de verdade são eles.

A maldade dos ratinhos de Pavlov não tem limites. Compreende-se. Eles trocaram a consciência pelos reflexos condicionados.

Paulo Moreira Leite

Desde janeiro de 2013, é diretor da ISTOÉ em Brasília. Dirigiu a Época e foi redator chefe da VEJA, correspondente em Paris e em Washington. É autor do livro A mulher que era o general da casa – Histórias da resistência civil à ditadura.

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De tragedias,preconceitos ou os canalhas de plantão

29 jan

Paulo Emílio _PE247 – A internet é algo fenomenal. Ao mesmo tempo em que encurta distâncias, informa, dissemina cultura e informação, também é capaz de expor o que o ser humano tem de melhor…e de pior.  E o exemplo mais claro disto está nos comentários em torno de qualquer assunto. Basta ter uma opinião contrária à manada e pronto: a execração pública é regra. Ninguém é obrigado a concordar com o que o outro pensa, mas um mínimo de respeito é de bom tom.  Os exemplos são inúmeros.

No mais recente, a recente tragédia que vitimou mais de 230 jovens em um incêndio em Santa Maria (RS) serviu para explicitar o que o ser humano tem de pior. Em meio às declarações de dor, apoio e solidariedade houve gente capaz de postar ‘Isso não pode ser verdade. O meu Rio Grande não merece isso. Se fosse no Amazonas, Piauí, na Bahia, no Ceará, onde não há vida inteligente, tudo bem. Mas no meu Rio Grande e logo na cidade do meu falecido pai é de cortar o coração. Estou de luto”, postou Patricia Anible. Ou outra que postou no Twitter que “O povo do sul não ama churrasco? Está tendo um monte lá em Santa Maria”… e vai por aí.

Quer dizer que a vida de alguém que mora nas regiões Norte e Nordeste vale menos que alguém que mora no Sul ou Sudeste? Ou que alguém pode tripudiar sobre a tragédia que comoveu não apenas um país, mas o mundo – vide as mensagens de apoio e solidariedade emitidas por representantes dos mais diversos credos e países e por figuras públicas e anônimas – sem ao menos pensar naquilo que escreve? É fácil se esconder na Internet, ser um “ativista de sofá” ou um “cabeçóide” ou até mesmo dizer o que realmente se é – um preconceituoso sem escrúpulos ou algo semelhante – através do anonimato da grande rede.

Ah, detalhe, os nordestinos, os pernambucanos, diga-se de passagem, foram os primeiros a disponibilizar pele humana para ser utilizada em transplantes dos feridos na tragédia gaúcha. E isto feito justamente por um “povinho de segunda e que não merece nem viver”, segundo a opinião de muitos dos que acham que vivem em um mundo à parte, formado por uma elite que arvora para si a eugenia como um fator de diferenciação.

Nesta seara sobrou até para o ex-presidente Lula, que ao emitir uma nota de solidariedade e condolências foi taxado, tanto por anônimos que não gostam dele por alguma razão como por jornalistas que viram no fato um viés político, evidenciando que o mesmo “não tem limites”. E desde quando um cidadão – sim, ele é um cidadão quer se goste ou não – não pode manifestar suas condolências como qualquer outra pessoa? O que não pode e nem se deve é dizer que tudo o que ele espera desta situação é tirar proveito político. E vem mais, desta vez por parte dos cabeçóides e ativistas de sofá: “A culpa é do PT. Onde tem PT tem ladrão” e vai por aí.

O deputado federal Jean Wyllys (PSB-RJ) sabe no couro o que é ser alvo deste tipo de ataque. Ao se posicionar em favor do direito dos homossexuais, na defesa da separação entre Igreja e Estado, ao defender direitos trabalhistas para as prostitutas ou mesmo ao dizer que pretende adotar um filho, apanhou mais que cachorro amarrado em poste. Desde comentários explícitos contra sua orientação sexual e o seu posicionamento, boa parte do que se viu postado por trás do anonimato foram declarações carregadas de preconceito e ameaças. Sim, até mesmo ameaças de morte lhe foram feitas.

Ora, o seu papel como parlamentar é defender ideias de uma parcela da sociedade que também pensa assim. Da mesma forma o deputado de ultradireita Jair Bolsonaro (PP-RJ) tem o mesmo direito de defender suas ideias contrárias ao aborto ou contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Eles foram eleitos para isso. Pode-se discordar de suas opiniões e posições, mas nunca agredir de forma pessoal um ou outro e, da pior forma possível, de forma anônima e covarde.

O governador de Pernambuco e presidente nacional do PSB, Eduardo Campos, é outro alvo. Nordestino e potencial pré-candidato à Presidência da República é alvo de radicalismos tanto de esquerda como de direita. E novamente, os ataques não ficam no plano ideológico-partidário, mas descambam para o preconceito pura e simples: “É mais um nordestino como o Lula”, “rola-bosta”, nesta onda sobra até para quem se posiciona contra a “manada”. “vendido”, “corno”, “baba ovo”, são alguns dos adjetivos encontrados facilmente nos comentários postados na internet. Discordar é normal e saudável, agredir é dar vazão a uma carga de preconceito que mais do que mostrar a falta de argumentos denota o caráter do autor.

Internet é um território livre? Livre, mas nem tanto. É preciso regras mínimas, daquelas que se aprende em casa, na educação doméstica fornecida por pais, mães, famílias e que um dia repassaremos aos nossos filhos e netos.  Educação vem de berço. Saber se posicionar, colocar suas opiniões e não estimular o preconceito ou a violência também faz parte daquilo que se chama educação. Caso nós, sociedade e “postadores” não tenhamos noção disto estaremos fazendo aquilo que, de forma explícita, condenamos e qualificamos como racismo, preconceito, falta de caráter ou simplesmente falta de educação.

Ameaças, piadas, tripudiar com a dor alheia, preconceito, racismo, como temos visto virar regra no limbo da internet e do anonimato que ela proporciona é algo lamentável e que, infelizmente, parece estar virando a regra geral.

Janio de Freitas colunista da Folha pede volta do Mobral para seus colegas

28 jan
Contra o desejado by Janio de Freitas-Folha de São Paulo.

Os juros em alturas imorais eram acusados de impedir a retomada efetiva do crescimento e a capacidade da indústria de competir com a produção estrangeira.
Os juros foram baixados. E as correntes que os culpavam entregaram-se a intensas e extensas críticas à sua redução.
A energia cara era há muito acusada de obstruir o crescimento econômico e a capacidade de competição da indústria brasileira.
Foi reduzida em 32%, um terço, para a produção industrial. E as correntes que a culpavam se entregam a criticá-la e desacreditá-la.
Esse jogo de incoerências proporciona noções importantes para os cidadãos, mas de percepção dificultada pela próprio jogo.
Está evidente na contradição das atitudes o quanto há de política no que é servido ao público a respeito de assuntos econômicos.
Na maioria dos assuntos dessa área, o direcionamento é predominantemente determinado por política, e não pela objetividade econômica.
É assim por parte dos dois lados. Mas não de maneira equitativa. Os economistas mais identificados com o capital privado do que abertos a problemas sociais, ou a projeções do interesse nacional, fazem a ampla maioria dos ouvidos e seguidos pelos meios de comunicação.
É esse o desdobramento natural da identificação ideológica e política e das conveniências mútuas, entre empresas capitalistas e “técnicos” do capitalismo.
Mas não necessariamente, como supõem certas interpretações ditas de esquerda, um desdobramento forçado aos jornalistas. Também entre os comentaristas e editores há, é provável que em maioria, identificação com os economistas do capital.
E, em certos casos, com o capital mesmo. O que vai implicar tratamento político -de apoio ou de oposição- a decisões econômicas e respectivos autores.
Foi a essas críticas políticas que, a meu ver, Dilma Rousseff respondeu junto com a comunicação do corte maior no preço da energia. Nada a ver com o lançamento de campanha reeleitoral que lhe foi atribuído pelo presidente do PSDB, deputado Sérgio Guerra, logo seguido pelos porta-vozes, assumidos ou não, do PSDB e dos remanescentes do neoliberalismo.
Do alto de sua aprovação pessoal e da aprovação ao seu governo, o que de menos Dilma Rousseff precisa é precipitar a disputa eleitoral. Essa necessidade não é dela, é dos oposicionistas -como se viu, há pouco, Fernando Henrique propondo o início imediato de um périplo eleitoreiro de Aécio Neves pelo país afora.
Dilma Rousseff fez a promoção de seu governo como Fernando Henrique fazia do seu, e todos os presidentes fizeram e fazem.
A afirmação de que falou como candidata leva a uma pergunta: se não a favor do seu governo e da novidade que lança, nem há algo grave, como é que um/uma presidente deve falar?
A redução do preço da energia e a queda dos juros agravam o aturdimento da oposição representada pelo PSDB.
Se nela não brota nem uma ideiazinha nova, para contrapor à queda de juros, desoneração da folha de pagamento, redução do IPI, ampliação do crédito para casa própria, só lhe resta dizer que isso não passa de um amontoado de medidas de um governo sem rumo.
Mas não ver nesse amontoado, ainda que para criticar, uma coerência e um sentido de política a um só tempo industrial e social, aí já é problema para quem organiza o Enem

Leia mais em: Blog Sujo : Colunista da Folha pede volta do Mobral para seus colegas 
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A luz que queima os olhos da imprensa não deixa o povo cego

27 jan

Estou aqui a pensar o que leva os megaempresários da imprensa, dos meios de comunicação comerciais e privados a nadar contra a maré ou a dar tiros em seus pés quando se trata de favorecer não somente o povo brasileiro, mas também a classe empresarial, dona e responsável pelo setor produtivo e que tem importantíssimo papel no que tange ao desenvolvimento da sociedade brasileira em todos os sentidos.

A presidenta trabalhista, Dilma Rousseff, anuncia a queda nos preços da luz, da energia, com o apoio quase unânime da população e dos empresários da Fiesp e da Fierj, além de outras federações do País. De forma incoerente e inconsequente, os donos de O Globo, Folha de S. Paulo e Estadão publicam editoriais contrários à diminuição dos preços de energia, fato este essencial para que o chamado custo Brasil tão criticado pelas famílias midiáticas e seus especialistas de prateleiras durante anos a fio, e que agora, de maneira oportunista e raivosa, questionam a decisão do Governo trabalhista e publicam palavras tão ridículas e sem sentido que até setores ideologicamente conservadores do mundo empresarial estão literalmente de saco cheio dos barões da imprensa de tradição golpista, pois os considero a categoria do empresariado mais reacionária e atrasada — a verdadeira lástima.

Como se percebe, tal empresariado midiático é e sempre vai ser contra os interesses do Brasil, porque eles são parte de uma plutocracia mundial que não tem pátria e muito menos sentimento de brasilidade. Eles são alienígenas e como tal não comportam em suas ações e atitudes a busca ou a luta para que o Brasil e seus cidadãos tenham acesso a uma vida de melhor qualidade, que propicie a conquista plena da cidadania e, consequentemente, sua emancipação.

Por isto e nada mais do que isto são publicados artigos e editoriais despidos de coerência e inteligência, porque essas palavras não fazem parte do dicionário da direita reacionária e herdeira da escravidão, que, de forma soberba e, por conseguinte, intolerante, negam o que pregavam e não se importam sequer com o que seus leitores pensam a respeito de tanta desfaçatez. Os barões da imprensa, realmente, querem ver o circo pegar fogo e assim darem continuidade a seus atos de oposição irada e feroz, porque eles sabem muito bem que o que está em jogo é a eleição presidencial de 2014, e ter de ver seus candidatos de direita derrotados pela quarta vez pelos trabalhistas é pior do que cortar os punhos.

Essa gente rancorosa e ressentida, que não desiste nunca vai fazer o possível e o impossível para derrotar o PT e seus aliados. Não importa se seus candidatos do PSDB ou de outro partido que o valha incorram em erros politicamente graves, a exemplo do mais recente, como no caso da queda dos preços da luz e da energia. Os líderes do PSDB e os barões da imprensa optaram por defender, evidentemente, os interesses das multinacionais e de seus rentistas, acionistas de empresas retransmissoras de energia que foram privatizadas, como ocorreu com o alter ego de FHC — o Neoliberal —, o senador tucano Aécio Neves, pré-candidato a presidente.

Não importa também para os editorialistas da imprensa de negócios privados se os governadores do Paraná, de São Paulo, de Minas Gerais e de Goiás, todos eles tucanos, e o de Santa Catarina, do PSD, boicotaram e ainda boicotam o programa do Governo Federal para baixar os preços das tarifas de energia elétrica. O que importa, sobremaneira, é fazer oposição sistemática e por isso irracional e perversa, mesmo se a energia custar menos para as empresas midiáticas familiares, monopolizadas, que, obviamente, vão ser beneficiadas.

Agora, a pergunta que teima em não calar: os empresários da mídia de mercado vão abrir mão das tarifas a preços mais baixos para o consumo de energia? Respondo: não! E por quê? Porque empresário de imprensa e seus áulicos não dão ponto sem nó, apesar de seus imensos complexos de vira-latas e de suas mentes colonizadas e alienígenas. Contudo, e apesar de tudo, o Governo trabalhista de Dilma Rousseff vai continuar a efetivar programas e projetos para que a economia brasileira se fortaleça e continue a ofertar o pleno emprego, o que não acontece na Europa e nos EUA, coisa que a imprensa burguesa há alguns anos tentou esconder — censurar.

A economia vai crescer este ano, porque as bases para isso foram implementadas pelo Ministério da Fazenda cujo ministro, Guido Mantega, tornou-se alvo da imprensa conservadora que quer sua saída, como se o Mantega não fosse um dos principais responsáveis pelo Brasil estar a viver um ciclo formidável de desenvolvimento social e econômico. A caravana passa e a oposição grita. É seu direito de se expressar, inclusive direito constitucional. A luz que queima os olhos dos barões da imprensa não deixa o povo cego. É isso aí.

By Davis Sena Filho-Brasil247

O retrato de uma imprensa canalha

27 jan

O jornal El País estampou, com destaque e espalhafato, em sua primeira página, a fotografia de um homem entubado numa mesa de cirurgia, que supostamente seria o presidente da Venezuela, Hugo Chávez. O homem da foto não era Chávez. O jornal cometeu uma das barrigas mais infames da história do jornalismo. Mas isso é de menor relevância. O essencial nessa questão é a grave violação da ética do jornalismo e o desrespeito aos direitos humanos perpetrados pelo jornal. Esse aspecto, curiosamente, ninguém aborda ou comenta. 

O homem retratado na foto, em um momento íntimo e de máxima fragilidade, não era Chávez. E se fosse? Estaria assim justificada a publicação da foto? É justificável exibir um ser humano daquela maneira, estampado numa foto gigantesca na primeira página de um grande jornal? Só para se vender algumas centenas de milhares de jornais? Não, não é. E o editor do jornal e seus donos sabem disso, mas compram e publicam esse tipo de foto e manchete sensacionalista por motivos que não tem nada a ver com o bom jornalismo.

A presidenta Argentina, Cristina Kirchner reagiu com indignação e mandou pelo Twitter: “Na capa do ‘El País’ vi uma foto que, na verdade, não é uma foto. É uma canalhice”. E disse  mais: “Imprensa canalha. Não há outro adjetivo. É igual em todos os lugares, o ‘El País’ em Madri, o ‘The Sun’ em Londres, envolvido em escândalos de corrupção e quem sabe outras coisas mais. Aqui [Argentina] é o ‘Clarín’. Sobre isso não faltam adjetivos, sobram e são bastante conhecidos”.

A presidenta está correta: isso ocorre “em todos os lugares”. Mas não deveria. Ocorre aqui no Brasil também. Lembro-lhes o episódio da publicação de uma ficha falsa da presidenta Dilma Rousseff pelo jornal Folha de S.Paulo.

Por isso que se deve discutir uma Lei de Meios, uma legislação para a regulação da mídia, estabelecer um código mínimo de ética, e o que pode e o que não pode ser publicado (não confundir com censura), para assim proteger o cidadão comum do poder esmagador da mídia. Pois se fazem isso com um chefe de Estado, imagine o que não fariam com você, prezado leitor? 

Cabe uma pergunta: se fosse Barack Obama o chefe de Estado na mesa de cirurgia, eles publicariam a foto? Se fosse Bush?  E se fosse FHC, os jornais brasileiros publicariam? Se fosse Lula, provavelmente. Donde podemos depreender que uns são mais humanos que outros, uns merecem mais respeito do que outros. Não é exatamente esse modelo de sociedade que desejamos para “nosotros” – não é mesmo?

A presidenta da Argentina disse ainda mais:

Como será a pessoa que montou a foto? Será que ela anda pelas ruas de Madri junto com homens e mulheres normais? E será que o editor escreve editoriais sobre ética, moral e bons costumes e aponta com o dedo sua próxima vítima?”. Kirchner na verdade queria, provavelmente, se referir ao editor que autorizou a publicação da foto e aos chamados “barões da mídia”. Mas esses, sabe-se, definitivamente não podem ser considerados “pessoas normais”. Não podem.

By Lula Miranda

Facebook, Twitter e outros sites de mídia social são um esquema de espionagem elaborado pela CIA

26 jan

Eles são relativamente fáceis de usar, e ajudam milhões de pessoas em todo o mundo conectando estadia com a família e amigos, pelo menos digitalmente. Mas portais de mídia social como Facebook e Twitter estão cada vez mais sendo exposto como o que parecem ser isca-e-switch redes de espionagens financiadas e executadas secretamente, pela Agência Central de Inteligência (CIA) e outras agências governamentais. E tudo isso aparentemente, está sendo feito para a finalidade de recolher dados em tempo real sobre as vidas privadas de indivíduos dispostos a livremente postar tais informações para o mundo ver. É algo que sérios jornalistas de investigação e céticos suspeitam há anos, especialmente como sites como o Facebook têm gradualmente e silenciosamente eliminado o acesso dos usuários aos controles de privacidade que mantem suas informações “classificadas” por padrão. Hoje, o Facebook é literalmente um livro aberto de informação que está livremente disponível não só para o resto da internet, mas também para numerosas agências governamentais que há muitos anos investiu milhões de dólares para fazer sites de redes sociais como o Facebook o que são hoje.

Empresa de capital de risco que garantiu o sucesso do Facebook ligada à frente de grupo da CIA

Quando o Facebook foi ficando fora de seus pés, ao que parece, a empresa recebeu uma injeção de capital de uma empresa de enorme capital de risco conhecida como Accel Partners . Segundo relatos de James Breyer, ex-presidente da National Venture Capital Association , onde atuou na placa com Gilman Louie, o CEO de um outro grupo de capital de risco conhecido como In-Q-Tel . Segundo Em -Q-Tel ‘s “Missão” da página, o grupo, que investiu cerca de 13 milhões dólares durante os primeiros dias do Facebook, foi lançado em 1999 como um catalisador para manter a CIA up-to-date com as últimas informações de coleta de tecnologias. Não surpreendentemente, o objetivo principal da In-Q-Tel é “construir relacionamentos com tecnologia startups fora do alcance da Comunidade de Inteligência”, e parceiros com grupos do setor privado que estão dispostos a “co-investir em empresas do portfólio. ” ( http://www.iqt.org/about/mission.html ) Se você ligar os pontos aqui, torna-se claro que a perícia Breyer é na ligação da CIA com empresas privadas, como Facebook e Twitter que se concentram na coleta de informações, se seja para comercialização ou algum outro propósito. E parece que o grupo da frente CIA In-Q-Tel viu uma oportunidade única de usar newfangled mídias sociais para reunir informações de uma forma completamente nova, sem realmente ter de recolhê-lo em tudo, pelo menos no sentido tradicional. “Nós temos somente que olhar para onde o dinheiro veio para estas redes sociais “, explicou o jornalista investigativo Wayne Madsen para RT de volta em 2011 sobre a conexão CIA sociais mídia . “Nós sabemos que a Agência Central de Inteligência através de In-Q-Tel, a sua empresa de capital de risco, desde um monte de dinheiro de semente para muitas dessas empresas que desenvolveram essas operações de redes sociais e programas. Então, as pessoas têm de estar conscientes que quando elas colocam informações pessoais on-line, elas estão basicamente fazendo o trabalho da CIA ” ( http://youtu.be/gAPcG29Mf70 )

Se você usar a mídia social, o Big Brother pode estar assistindo você

A moral da história aqui é que nada na internet é privado ou sagrado, especialmente quando se é postado nas redes sociais. Você pode ter certeza que o Big Brother está monitorando ativamente as atividades dos usuários de mídias sociais de forma contínua, e compilação de dados para fins de controle total. A boa notícia, no entanto, é que você sempre tem a opção de apagar completamente, não apenas desativar sua conta do Facebook: https://www.facebook.com/help/delete_account
Certifique-se de ver também o diagrama fascinante chamado “O Evolução da privacidade no Facebook “, tendo em mente que as coisas só pioraram desde 2010, quando a imagem da última atualização.
Fontes para este artigo incluem:

Learn more: http://www.naturalnews.com/038491_social_media_CIA_spying.html#ixzz2GMwu9TZj

CIA

Marilena Chauí rouba cena em debate: ‘classe média paulistana é sinistra’

26 jan

Marilena Chauí e a classe média: ‘Como se o mundo tivesse posto em risco todos os seus valores’

A filósofa e professora Marilena Chauí foi uma das participantes do debate A Ascensão Conservadora em São Paulo. Abaixo, no vídeo, concorde-se ou não, vale a pena conferir a fala dela no evento

Na mesma semana, num evento em defesa da liberdade de expressão e por uma Ley de Medios, realizado no Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, a professora Marilena Chauí fez outra palestra antológica, que você pode conferir textualmente abaixo.

I. Democracia e autoritarismo social

Estamos acostumados a aceitar a definição liberal da democracia como regime da lei e da ordem para a garantia das liberdades individuais.

Visto que o pensamento e a prática liberais identificam a liberdade com a ausência de obstáculos à competição, essa definição da democracia significa, em primeiro lugar, que a liberdade se reduz à competição econômica da chamada “livre iniciativa” e à competição política entre partidos que disputam eleições; em segundo, que embora a democracia apareça justificada como “valor” ou como “bem”, é encarada, de fato, pelo critério da eficácia, medida no plano do poder executivo pela atividade de uma elite de técnicos competentes aos quais cabe a direção do Estado. A democracia é, assim, reduzida a um regime político eficaz, baseado na idéia de cidadania organizada em partidos políticos, e se manifesta no processo eleitoral de escolha dos representantes, na rotatividade dos governantes e nas soluções técnicas para os problemas econômicos e sociais.

Ora, há, na prática democrática e nas idéias democráticas, uma profundidade e uma verdade muito maiores e superiores ao que liberalismo percebe e deixa perceber.

Podemos, em traços breves e gerais, caracterizar a democracia ultrapassando a simples idéia de um regime político identificado à forma do governo, tomando-a como forma geral de uma sociedade e, assim, considerá-la:

1. forma sócio-política definida pelo princípio da isonomia ( igualdade dos cidadãos perante a lei) e da isegoria (direito de todos para expor em público suas opiniões, vê-las discutidas, aceitas ou recusadas em público), tendo como base a afirmação de que todos são iguais porque livres, isto é, ninguém está sob o poder de um outro porque todos obedecem às mesmas leis das quais todos são autores (autores diretamente, numa democracia participativa; indiretamente, numa democracia representativa). Donde o maior problema da democracia numa sociedade de classes ser o da manutenção de seus princípios – igualdade e liberdade – sob os efeitos da desigualdade real;

2. forma política na qual, ao contrário de todas as outras, o conflito é considerado legítimo e necessário, buscando mediações institucionais para que possa exprimir-se. A democracia não é o regime do consenso, mas do trabalho dos e sobre os conflitos. Donde uma outra dificuldade democrática nas sociedades de classes: como operar com os conflitos quando estes possuem a forma da contradição e não a da mera oposição?

3. forma sócio-política que busca enfrentar as dificuldades acima apontadas conciliando o princípio da igualdade e da liberdade e a existência real das desigualdades, bem como o princípio da legitimidade do conflito e a existência de contradições materiais introduzindo, para isso, a idéia dos direitos (econômicos, sociais, políticos e culturais). Graças aos direitos, os desiguais conquistam a igualdade, entrando no espaço político para reivindicar a participação nos direitos existentes e sobretudo para criar novos direitos. Estes são novos não simplesmente porque não existiam anteriormente, mas porque são diferentes daqueles que existem, uma vez que fazem surgir, como cidadãos, novos sujeitos políticos que os afirmaram e os fizeram ser reconhecidos por toda a sociedade.

4. graças à idéia e à prática da criação de direitos, a democracia não define a liberdade apenas pela ausência de obstáculos externos à ação, mas a define pela autonomia, isto é, pela capacidade dos sujeitos sociais e políticos darem a si mesmos suas próprias normas e regras de ação. Passa-se, portanto, de uma definição negativa da liberdade – o não obstáculo ou o não-constrangimento externo – a uma definição positiva – dar a si mesmo suas regras e normas de ação. A liberdade possibilita aos cidadãos instituir contra-poderes sociais por meio dos quais interferem diretamente no poder por meio de reivindicações e controle das ações estatais.

5. pela criação dos direitos, a democracia surge como o único regime político realmente aberto às mudanças temporais, uma vez que faz surgir o novo como parte de sua existência e, conseqüentemente, a temporalidade é constitutiva de seu modo de ser, de maneira que a democracia é a sociedade verdadeiramente histórica, isto é, aberta ao tempo, ao possível, às transformações e ao novo. Com efeito, pela criação de novos direitos e pela existência dos contra-poderes sociais, a sociedade democrática não está fixada numa forma para sempre determinada, pois não cessa de trabalhar suas divisões e diferenças internas, de orientar-se pela possibilidade objetiva de alterar-se pela própria práxis;

6. única forma sócio-política na qual o caráter popular do poder e das lutas tende a evidenciar-se nas sociedades de classes, na medida em que os direitos só ampliam seu alcance ou só surgem como novos pela ação das classes populares contra a cristalização jurídico-política que favorece a classe dominante. Em outras palavras, a marca da democracia moderna, permitindo sua passagem de democracia liberal á democracia social, encontra-se no fato de que somente as classes populares e os excluídos (as “minorias”) reivindicam direitos e criam novos direitos;

7. forma política na qual a distinção entre o poder e o governante é garantida não só pela presença de leis e pela divisão de várias esferas de autoridade, mas também pela existência das eleições, pois estas ( contrariamente do que afirma a ciência política) não significam mera “alternância no poder”, mas assinalam que o poder está sempre vazio, que seu detentor é a sociedade e que o governante apenas o ocupa por haver recebido um mandato temporário para isto. Em outras palavras, os sujeitos políticos não são simples votantes, mas eleitores. Eleger significa não só exercer o poder, mas manifestar a origem do poder, repondo o princípio afirmado pelos romanos quando inventaram a política: eleger é “dar a alguém aquilo que se possui, porque ninguém pode dar o que não tem”, isto é, eleger é afirmar-se soberano para escolher ocupantes temporários do governo.

Dizemos, então, que uma sociedade — e não um simples regime de governo — é democrática quando, além de eleições, partidos políticos, divisão dos três poderes da república, respeito à vontade da maioria e da minoria, institui algo mais profundo, que é condição do próprio regime político, ou seja, quando institui direitos e que essa instituição é uma criação social, de tal maneira que a atividade democrática social realiza-se como uma contra-poder social que determina, dirige, controla e modifica a ação estatal e o poder dos governantes.

Se esses são os principais traços da sociedade democrática, podemos avaliar as enormes dificuldades para instituir a democracia no Brasil. De fato, a sociedade brasileira é estruturalmente violenta, hierárquica, vertical, autoritária e oligárquica e o Estado é patrimonialista e cartorial, organizado segundo a lógica clientelista e burocrática. O clientelismo bloqueia a prática democrática da representação — o representante não é visto como portador de um mandato dos representados, mas como provedor de favores aos eleitores. A burocracia bloqueia a democratização do Estado porque não é uma organização do trabalho e sim uma forma de poder fundada em três princípios opostos aos democráticos: a hierarquia, oposta à igualdade; o segredo, oposto ao direito à informação; e a rotina de procedimentos, oposta à abertura temporal da ação política.

Além disso, social e economicamente nossa sociedade está polarizada entre a carência absoluta das camadas populares e o privilégio absoluto das camadas dominantes e dirigentes, bloqueando a instituição e a consolidação da democracia. Um privilégio é, por definição, algo particular que não pode generalizar-se nem universalizar-se sem deixar de ser privilégio. Uma carência é uma falta também particular ou específica que se exprime numa demanda também particular ou específica, não conseguindo generalizar-se nem universalizar-se. Um direito, ao contrário de carências e privilégios, não é particular e específico, mas geral e universal, seja porque é o mesmo e válido para todos os indivíduos, grupos e classes sociais, seja porque embora diferenciado é reconhecido por todos (como é caso dos chamados direitos das minorias). Assim, a polarização econômico-social entre a carência e o privilégio ergue-se como obstáculo à instituição de direitos, definidora da democracia.

A esses obstáculos, podemos acrescentar ainda aquele decorrente do neoliberalismo, qual seja o encolhimento do espaço público e o alargamento do espaço privado. Economicamente, trata-se da eliminação de direitos econômicos, sociais e políticos garantidos pelo poder público, em proveito dos interesses privados da classe dominante, isto é, em proveito do capital; a economia e a política neoliberais são a decisão de destinar os fundos públicos aos investimentos do capital e de cortar os investimentos públicos destinados aos direitos sociais, transformando-os em serviços definidos pela lógica do mercado, isto é, a privatização dos direitos transformados em serviços, privatização que aumenta a cisão social entre a carência e o privilégio, aumentando todas formas de exclusão. Politicamente o encolhimento do público e o alargamento do privado colocam em evidência o bloqueio a um direito democrático fundamental sem o qual a cidadania, entendida como participação social, política e cultural é impossível, qual seja, o direito à informação.

II. Os meios de comunicação como exercício de poder

Podemos focalizar o exercício do poder pelos meios de comunicação de massa sob dois aspectos principais: o econômico e o ideológico.

Do ponto de vista econômico, os meios de comunicação fazem parte da indústria cultural. Indústria porque são empresas privadas operando no mercado e que, hoje, sob a ação da chamada globalização, passa por profundas mudanças estruturais, “num processo nunca visto de fusões e aquisições, companhias globais ganharam posições de domínio na mídia.”, como diz o jornalista Caio Túlio Costa. Além da forte concentração (os oligopólios beiram o monopólio), também é significativa a presença, no setor das comunicações, de empresas que não tinham vínculos com ele nem tradição nessa área. O porte dos investimentos e a perspectiva de lucros jamais vistos levaram grupos proprietários de bancos, indústria metalúrgica, indústria elétrica e eletrônica, fabricantes de armamentos e aviões de combate, indústria de telecomunicações a adquirir, mundo afora, jornais, revistas, serviços de telefonia, rádios e televisões, portais de internet, satélites, etc..

No caso do Brasil, o poderio econômico dos meios é inseparável da forma oligárquica do poder do Estado, produzindo um dos fenômenos mais contrários à democracia, qual seja, o que Alberto Dines chamou de “coronelismo eletrônico”, isto é, a forma privatizada das concessões públicas de canais de rádio e televisão, concedidos a parlamentares e lobbies privados, de tal maneira que aqueles que deveriam fiscalizar as concessões públicas se tornam concessionários privados, apropriando-se de um bem público para manter privilégios, monopolizando a comunicação e a informação. Esse privilégio é um poder político que se ergue contra dois direitos democráticos essenciais: a isonomia (a igualdade perante a lei) e a isegoria (o direito à palavra ou o igual direito de todos de expressar-se em público e ter suas opiniões publicamente discutidas e avaliadas). Numa palavra, a cidadania democrática exige que os cidadãos estejam informados para que possam opinar e intervir politicamente e isso lhes é roubado pelo poder econômico dos meios de comunicação.

A isonomia e a isegoria são também ameaçadas e destruídas pelo poder ideológico dos meios de comunicação. De fato, do ponto de vista ideológico, a mídia exerce o poder sob a forma do denominamos a ideologia da competência, cuja peculiaridade está em seu modo de aparecer sob a forma anônima e impessoal do discurso do conhecimento, e cuja eficácia social, política e cultural está fundada na crença na racionalidade técnico-científica.

A ideologia da competência pode ser resumida da seguinte maneira: não é qualquer um que pode em qualquer lugar e em qualquer ocasião dizer qualquer coisa a qualquer outro. O discurso competente determina de antemão quem tem o direito de falar e quem deve ouvir, assim como pré-determina os lugares e as circunstâncias em que é permitido falar e ouvir, e define previamente a forma e o conteúdo do que deve ser dito e precisa ser ouvido. Essas distinções têm como fundamento uma distinção principal, aquela que divide socialmente os detentores de um saber ou de um conhecimento (científico, técnico, religioso, político, artístico), que podem falar e têm o direito de mandar e comandar, e os desprovidos de saber, que devem ouvir e obedecer. Numa palavra, a ideologia da competência institui a divisão social entre os competentes, que sabem e por isso mandam, e os incompetentes, que não sabem e por isso obedecem.

Enquanto discurso do conhecimento, essa ideologia opera com a figura do especialista. Os meios de comunicação não só se alimentam dessa figura, mas não cessam de institui-la como sujeito da comunicação. O especialista competente é aquele que, no rádio, na TV, na revista, no jornal ou no multimídia, divulga saberes, falando das últimas descobertas da ciência ou nos ensinando a agir, pensar, sentir e viver. O especialista competente nos ensina a bem fazer sexo, jardinagem, culinária, educação das crianças, decoração da casa, boas maneiras, uso de roupas apropriadas em horas e locais apropriados, como amar Jesus e ganhar o céu, meditação espiritual, como ter um corpo juvenil e saudável, como ganhar dinheiro e subir na vida. O principal especialista, porém, não se confunde com nenhum dos anteriores, mas é uma espécie de síntese, construída a partir das figuras precedentes: é aquele que explica e interpreta as notícias e os acontecimentos econômicos, sociais, políticos, culturais, religiosos e esportivos, aquele que devassa, eleva e rebaixa entrevistados, zomba, premia e pune calouros — em suma, o chamado “formador de opinião” e o “comunicador”.

Ideologicamente, o poder da comunicação de massa não é um simples inculcação de valores e idéias, pois, dizendo-nos o que devemos pensar, sentir, falar e fazer, o especialista, o formador de opinião e o comunicados nos dizem que nada sabemos e por isso seu poder se realiza como manipulação e intimidação social e cultural.

Um dos aspectos mais terríveis desse duplo poder dos meios de comunicação se manifesta nos procedimentos midiáticos de produção da culpa e condenação sumária dos indivíduos, por meio de um instrumento psicológico profundo: a suspeição, que pressupõe a presunção de culpa. Ao se referir ao período do Terror, durante a Revolução Francesa, Hegel considerou que uma de suas marcas essenciais é afirmar que, por princípio, todos são suspeitos e que os suspeitos são culpados antes de qualquer prova. Ao praticar o terror, a mídia fere dois direitos constitucionais democráticos, instituídos pela Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, de 1789 (Revolução Francesa) e pela Declaração Universal dos Direitos Humanos, de 1948, quais sejam: a presunção de inocência (ninguém pode ser considerado culpado antes da prova da culpa) e a retratação pública dos atingidos por danos físicos, psíquicos e morais, isto é, atingidos pela infâmia, pela injúria e pela calúnia. É para assegurar esses dois direitos que as sociedades democráticas exigem leis para regulação dos meios de comunicação, pois essa regulação é condição da liberdade e da igualdade que definem a sociedade democrática.

III. Faz parte da vida da grande maioria da população brasileira ser espectadora de um tipo de programa de televisão no qual a intimidade das pessoas é o objeto central do espetáculo: programas de auditório, de entrevistas e de debates com adultos, jovens e crianças contando suas preferências pessoais desde o sexo até o brinquedo, da culinária ao vestuário, da leitura à religiosidade, do ato de escrever ou encenar uma peça teatral, de compor uma música ou um balé até os hábitos de lazer e cuidados corporais.

As ondas sonoras do rádio e as transmissões televisivas tornam-se cada vez mais consultórios sentimental, sexual, gastronômico, geriátrico, ginecológico, culinário, de cuidados com o corpo (ginástica, cosméticos, vestuário, medicamentos), de jardinagem, carpintaria, bastidores da criação artística, literária e da vida doméstica. Há programas de entrevista no rádio e na televisão que ou simulam uma cena doméstica – um almoço, um jantar – ou se realizam nas casas dos entrevistados durante o café da manhã, o almoço ou o jantar, nos quais a casa é exibida, os hábitos cotidianos são descritos e comentados, álbuns de família ou a própria são mostrados ao vivo e em cores. Os entrevistados e debatedores, os competidores dos torneios de auditório, os que aparecem nos noticiários, todos são convidados e mesmo instados com vigor a que falem de suas preferências, indo desde sabores de sorvete até partidos políticos, desde livros e filmes até hábitos sociais. Não é casual que os noticiários, no rádio e na televisão, ao promoverem entrevistas em que a notícia é intercalada com a fala dos direta ou indiretamente envolvidos no fato, tenham sempre repórteres indagando a alguém: “o que você sentiu/sente com isso?” ou “o que você achou/acha disso?” ou “você gosta? não gosta disso?”. Não se pergunta aos entrevistados o que pensam ou o que julgam dos acontecimentos, mas o que sentem, o que acham, se lhes agrada ou desagrada.

Também tornou-se um hábito nacional jornais e revistas especializarem-se cada vez mais em telefonemas a “personalidades” indagando-lhes sobre o que estão lendo no momento, que filme foram ver na última semana, que roupa usam para dormir, qual a lembrança infantil mais querida que guardam na memória, que música preferiam aos 15 anos de idade, o que sentiram diante de uma catástrofe nuclear ou ecológica, ou diante de um genocídio ou de um resultado eleitoral, qual o sabor do sorvete preferido, qual o restaurante predileto, qual o perfume desejado. Os assuntos se equivalem, todos são questão de gosto ou preferência, todos se reduzem à igual banalidade do “gosto” ou “não gosto”, do “achei ótimo” ou “achei horrível”.

Todos esses fatos nos conduzem a uma conclusão: a mídia está imersa na cultura do narcisismo.

Como observa Christopher Lash, em A Cultura do Narcisismo, os mass media tornaram irrelevantes as categorias da verdade e da falsidade substituindo-as pelas noções de credibilidade ou plausibilidade e confiabilidade – para que algo seja aceito como real basta que apareça como crível ou plausível, ou como oferecido por alguém confiável Os fatos cedem lugar a declarações de “personalidades autorizadas”, que não transmitem informações, mas preferências e estas se convertem imediatamente em propaganda. Como escreve Lash, “sabendo que um público cultivado é ávido por fatos e cultiva a ilusão de estar bem informado, o propagandista moderno evita slogans grandiloqüentes e se atém a ‘fatos’, dando a ilusão de que a propaganda é informação”.

Qual a base de apoio da credibilidade e da confiabilidade? A resposta encontra-se num outro ponto comum aos programas de auditório, às entrevistas, aos debates, às indagações telefônicas de rádios, revistas e jornais, aos comerciais de propaganda. Trata-se do apelo à intimidade, à personalidade, à vida privada como suporte e garantia da ordem pública. Em outras palavras, os códigos da vida pública passam a ser determinados e definidos pelos códigos da vida privada, abolindo-se a diferença entre espaço público e espaço privado.

Assim, as relações interpessoais, as relações intersubjetivas e as relações grupais aparecem com a função de ocultar ou de dissimular as relações sociais enquanto sociais e as relações políticas enquanto políticas, uma vez que a marca das relações sociais e políticas é serem determinadas pelas instituições sociais e políticas, ou seja, são relações mediatas, diferentemente das relações pessoais, que são imediatas, isto é, definidas pelo relacionamento direto entre pessoas e por isso mesmo nelas os sentimentos, as emoções, as preferências e os gostos têm um papel decisivo. As relações sociais e políticas, que são mediações referentes a interesses e a direitos regulados pelas instituições, pela divisão social das classes e pela separação entre o social e o poder político, perdem sua especificidade e passam a operar sob a aparência da vida privada, portanto, referidas a preferências, sentimentos, emoções, gostos, agrado e aversão.

Não é casual, mas uma conseqüência necessária dessa privatização do social e do político, a destruição de uma categoria essencial das democracias, qual seja a da opinião pública. Esta, em seus inícios (desde a Revolução Francesa de 1789), era definida como a expressão, no espaço público, de uma reflexão individual ou coletiva sobre uma questão controvertida e concernente ao interesse ou ao direito de uma classe social, de um grupo ou mesmo da maioria. A opinião pública era um juízo emitido em público sobre uma questão relativa à vida política, era uma reflexão feita em público e por isso definia-se como uso público da razão e como direito à liberdade de pensamento e de expressão.

É sintomático que, hoje, se fale em “sondagem de opinião”. Com efeito, a palavra sondagem indica que não se procura a expressão pública racional de interesses ou direitos e sim que se vai buscar um fundo silencioso, um fundo não formulado e não refletido, isto é, que se procura fazer vir à tona o não-pensado, que existe sob a forma de sentimentos e emoções, de preferências, gostos, aversões e predileções, como se os fatos e os acontecimentos da vida social e política pudessem vir a se exprimir pelos sentimentos pessoais. Em lugar de opinião pública, tem-se a manifestação pública de sentimentos.

Nada mais constrangedor e, ao mesmo tempo, nada mais esclarecedor do que os instantes em que o noticiário coloca nas ondas sonoras ou na tela os participantes de um acontecimento falando de seus sentimentos, enquanto locutores explicam e interpretam o que se passa, como se os participantes fossem incapazes de pensar e de emitir juízo sobre aquilo de que foram testemunhas diretas e partes envolvidas. Constrangedor, porque o rádio e a televisão declaram tacitamente a incompetência dos participantes e envolvidos para compreender e explicar fatos e acontecimentos de que são protagonistas.

Esclarecedor, porque esse procedimento permite, no instante mesmo em que se dão, criar a versão do fato e do acontecimento como se fossem o próprio fato e o próprio acontecimento. Assim, uma partilha é claramente estabelecida: os participantes “sentem”, portanto, não sabem nem compreendem (não pensam); em contrapartida, o locutor pensa, portanto, sabe e, graças ao seu saber, explica o acontecimento.

É possível perceber três deslocamentos sofridos pela idéia e prática da opinião pública: o primeiro, como salientamos, é a substituição da idéia de uso público da razão para exprimir interesses e direitos de um indivíduo, um grupo ou uma classe social pela idéia de expressão em público de sentimentos, emoções, gostos e preferências individuais; o segundo, como também observamos, é a substituição do direito de cada um e de todos de opinar em público pelo poder de alguns para exercer esse direito, surgindo, assim, a curiosa expressão “formador de opinião”, aplicada a intelectuais, artistas e jornalistas; o terceiro, que ainda não havíamos mencionado, decorre de uma mudança na relação entre s vários meios de comunicação sob os efeitos das tecnologias eletrônica e digital e da formação de oligopólios midiáticos globalizados (alguns autores afirmam que o século XXI começou com a existência de 10 ou 12 conglomerados de mass media de alcance global).

Esse terceiro deslocamento se refere à forma de ocupação do espaço da opinião pública pelos profissionais dos meios de comunicação. Esses deslocamentos explicam algo curioso, ocorrido durante as sondagens de intenção de voto nas eleições presidenciais de 2006: diante dos resultados, uma jornalista do jornal O Globo escreveu que o povo estava contra a opinião pública!

O caso mais interessante é, sem dúvida, o do jornalismo impresso. Em tempos passados, cabia aos jornais a tarefa noticiosa e um jornal era fundamentalmente um órgão de notícias. Sem dúvida, um jornal possuía opiniões e as exprimia: isso era feito, de um lado, pelos editorais e por artigos de não-jornalistas, e, de outro, pelo modo de apresentação da notícia (escolha das manchetes e do “olho”, determinação da página em que deveria aparecer e na vizinhança de quais outras, do tamanho do texto, da presença ou ausência de fotos, etc.). Ora, com os meios eletrônicos e digitais e a televisão, os fatos tendem a ser noticiados enquanto estão ocorrendo, de maneira que a função noticiosa do jornal é prejudicada, pois a notícia impressa é posterior à sua transmissão pelos meios eletrônicos e pela televisão. Ou na linguagem mais costumeira dos meios de comunicação: no mercado de notícias, o jornalismo impresso vem perdendo competitividade (alguns chamam a isso de progresso; outros, de racionalidade inexorável do mercado!).

O resultado dessa situação foi duplo: de um lado, a notícia é apresentada de forma mínima, rápida e, freqüentemente, inexata – o modelo conhecido como News Letter – e, de outro, deu-se a passagem gradual do jornal como órgão de notícias a órgão de opinião, ou seja, os jornalistas comentam e interpretam as notícias, opinando sobre elas. Gradualmente desaparece uma figura essencial do jornalismo: o jornalismo investigativo, que cede lugar ao jornalismo assertivo ou opinativo. Os jornalista passam, assim, o ocupar o lugar que, tradicionalmente, cabia a grupos e classes sociais e a partidos políticos e, além disso, sua opinião não fica restrita ao meio impresso, mas passa a servir como material para os noticiários de rádio e televisão, ou seja, nesses noticiários, a notícia é interpretada e avaliada graças à referência às colunas dos jornais.

Os deslocamentos mencionados e, particularmente, este último, têm conseqüências graves sob dois aspectos principais:

1) uma vez que o jornalista concentra poderes e forma a opinião pública, pode sentir-se tentado a ir além disso e criar a própria realidade, isto é, sua opinião passa a ter o valor de um fato e a ser tomada como um acontecimento real;

2) os efeitos da concentração do poder econômico midiático. Os meios de comunicação tradicionais (jornal, rádio, cinema, televisão) sempre foram propriedade privada de indivíduos e grupos, não podendo deixar de exprimir seus interesses particulares ou privados, ainda que isso sempre tenha imposto problemas e limitações à liberdade de expressão, que fundamenta a idéia de opinião pública.

Hoje, porém, os conglomerados de alcance global controlam não só os meios tradicionais, mas também os novos meios eletrônicos e digitais, e avaliam em termos de custo-benefício as vantagens e desvantagens do jornalismo escrito ou da imprensa, podendo liquidá-la, se não acompanhar os ares do tempo.

Esses dois aspectos incidem diretamente sobre a transformação da verdade e da falsidade em questão de credibilidade e plausibilidade. Rápido, barato, inexato, partidarista, mescla de informações aleatoriamente obtidas e pouco confiáveis, não investigativo, opinativo ou assertivo, detentor da credibilidade e da plausibilidade, o jornalismo se tornou protagonista da destruição da opinião pública.

De fato, a desinformação é o principal resultado da maioria dos noticiários nos jornais, no rádio e na televisão, pois, de modo geral, as notícias são apresentadas de maneira a impedir que se possa localizá-la no espaço e no tempo.

Ausência de referência espacial ou atopia: as diferenças próprias do espaço percebido (perto, longe, alto, baixo, grande, pequeno) são apagadas; o aparelho de rádio e a tela da televisão tornam-se o único espaço real. As distâncias e proximidades, as diferenças geográficas e territoriais são ignoradas, de tal modo que algo acontecido na China, na Índia, nos Estados Unidos ou em Campina Grande apareça igualmente próximo e igualmente distante.

Ausência de referência temporal ou acronia: os acontecimentos são relatados como se não tivessem causas passadas nem efeitos futuros; surgem como pontos puramente atuais ou presentes, sem continuidade no tempo, sem origem e sem conseqüências; existem enquanto forem objetos de transmissão e deixam de existir se não forem transmitidos. Têm a existência de um espetáculo e só permanecem na consciência dos ouvintes e espectadores enquanto permanecer o espetáculo de sua transmissão.

Como operam efetivamente os noticiários?

Em primeiro lugar, estabelecem diferenças no conteúdo e na forma das notícias de acordo com o horário da transmissão e o público, rumando para o sensacionalismo e o popularesco nos noticiários diurnos e do início da noite e buscando sofisticação e aumento de fatos nos noticiários de fim de noite. Em segundo, por seleção das notícias, omitindo aquelas que possam desagradar o patrocinador ou os poderes estabelecidos.

Em terceiro, pela construção deliberada e sistemática de uma ordem apaziguadora: em seqüência, apresentam, no início, notícias locais, com ênfase nas ocorrências policiais, sinalizando o sentimento de perigo; a seguir, entram as notícias regionais, com ênfase em crises e conflitos políticos e sociais, sinalizando novamente o perigo; passam às notícias internacionais, com ênfase em guerras e cataclismos (maremoto, terremoto, enchentes, furacões), ainda uma vez sinalizando perigo; mas concluem com as notícias nacionais, enfatizando as idéias de ordem e segurança, encarregadas de desfazer o medo produzido pelas demais notícias.

E, nos finais de semana, terminam com notícias de eventos artísticos ou sobre animais (nascimento de um ursinho, fuga e retorno de um animal em cativeiro, proteção a espécies ameaçadas de extinção), de maneira a produzir o sentimento de bem-estar no espectador pacificado, sabedor de que, apesar dos pesares, o mundo vai bem, obrigado.

Paradoxalmente, rádio e televisão podem oferecer-nos o mundo inteiro num instante, mas o fazem de tal maneira que o mundo real desaparece, restando apenas retalhos fragmentados de uma realidade desprovida de raiz no espaço e no tempo.

Como desconhecemos as determinações econômico-territoriais (geográficas, geopolíticas, etc.) e como ignoramos os antecedentes temporais e as conseqüências dos fatos noticiados, não podemos compreender seu verdadeiro significado.

Essa situação se agrava com a TV a cabo, com emissoras dedicadas exclusivamente a notícias, durante 24 horas, colocando num mesmo espaço e num mesmo tempo (ou seja, na tela) informações de procedência, conteúdo e significado completamente diferentes, mas que se tornam homogêneas pelo modo de sua transmissão.

O paradoxo está em que há uma verdadeira saturação de informação, mas, ao fim, nada sabemos, depois de termos tido a ilusão de que fomos informados sobre tudo.

Se não dispomos de recursos que nos permitam avaliar a realidade e a veracidade das imagens transmitidas, somos persuadidos de que efetivamente vemos o mundo quando vemos a TV ou quando navegamos pela internet. Entretanto, como o que vemos são as imagens escolhidas, selecionadas, editadas, comentadas e interpretadas pelo transmissor das notícias, então é preciso reconhecer que a TV é o mundo ou que a internet é o mundo.

A multimídia potencializa o fenômeno da indistinção entre as mensagens e entre os conteúdos. Como todas as mensagens estão integradas num mesmo padrão cognitivo e sensorial, uma vez que educação, notícias e espetáculos são fornecidos pelo mesmo meio, os conteúdos se misturam e se tornam indiscerníveis.

No sistema de comunicação multimídia a própria realidade fica totalmente imersa em uma composição de imagens virtuais num mundo irreal, no qual as aparências não apenas se encontram na tela comunicadora da experiência, mas se transformam em experiência.

Todas as mensagens de todos os tipos são incluídas no meio por que fica tão abrangente, tão diversificado, tão maleável, que absorve no mesmo texto ou no mesmo espaço/tempo toda a experiência humana, passada, presente e futura, como num ponto único do universo.

Se, portanto, levarmos em consideração o monopólio da informação pelas empresas de comunicação de massa, podemos considerar, do ponto de vista da ação política, as redes sociais como ação democratizadora tanto por quebrar esse monopólio, assegurando a produção e a circulação livres da informação, como também por promover acontecimentos políticos de afirmação do direito democrático à participação.

No entanto, os usuários das redes sociais não possuem autonomia em sua ação e isto sob dois aspectos: em primeiro lugar, não possuem o domínio tecnológico da ferramenta que empregam e, em segundo, não detêm qualquer poder sobre a ferramenta empregada, pois este poder é uma estrutura altamente concentrada, a Internet Protocol, com dez servidores nos Estados Unidos e dois no Japão, nos quais estão alojados todos os endereços eletrônicos mundiais, de maneira que, se tais servidores decidirem se desligar, desaparece toda a internet; além disso, a gerência da internet é feita por uma empresa norte-americana em articulação com o Departamento de Comércio dos Estados Unidos, isto é, gere o cadastro da internet mundial.

Assim, sob o aspecto maravilhosamente criativo e anárquico das redes sociais em ação política ocultam-se o controle e a vigilância sobre seus usuários em escala planetária, isto é, sobre toda a massa de informação do planeta.

Na perspectiva da democracia, a questão que se coloca, portanto, é saber quem detêm o controle dessa massa cósmica de informações. Ou seja, o problema é saber quem tem a gestão de toda a massa de informações que controla a sociedade, quem utiliza essas informações, como e para que as utiliza, sobretudo quando se leva em consideração um fato técnico, que define a operação da informática, qual seja, a concentração e centralização da informação, pois tecnicamente, os sistemas informáticos operam em rede, isto é, com a centralização dos dados e a produção de novos dados pela combinação dos já coletados.

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