Queimar bandeira de partido é comportamento fascista , diz cientista político

23 jun

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Professor da Fundação Getúlio Vargas, o cientista político Francisco César Pinto da Fonseca avalia que a série de protestos que tomou conta do país expõe a exigência de uma reforma política.

Afirmando identificar grupos de extrema direita empenhados em se apropriar do movimento, Fonseca diz que o descontentamento genérico demonstrado durante os protestos precisa ser absorvido pelo sistema político brasileiro, sob pena de se transformar em “descrença radical” com consequências graves a médio prazo.

“Me parece que esses grupos (de extrema direita) estiveram presentes nas primeiras manifestações e ganharam corpo, são grupos que não são partidos, são células que dão vazão a um pensamento conservador reacionário. Queimar bandeira de partido político mostra intolerância típica de fascistas ”, disse o professor ao Poder Online.

Do ponto de vista histórico, já é possível avaliar os protestos?

Na verdade, ainda é muito pouco tempo para se entender exatamente o que está acontecendo. O movimento começou de um jeito e está se desenvolvendo de outro. Começou baseado na questão do transporte, da tarifa, e de segunda-feira (17) para cá foi apropriado por um grande número de pessoas que tem demandas amplas. Desde a PEC 37 até melhorias na saúde e educação, mas o mais importante como consequência foi uma apropriação de grupos de extrema direita e a decisão do movimento (Passe Livre) de não fazer mais manifestação por causa desse grupo.

O grupo que foi chamado de vândalo?

É um equívoco chamar de vândalo, de vandalismo. Estamos assistindo à depredação da Prefeitura de São Paulo, do Palácio dos Bandeirantes, do Itamaraty, da Assembleia do Rio. Não é vandalismo, é uma ação política de extrema direita que quer promover o caos para que haja o retorno da ditadura militar, que é o sonho desses grupos. É algo fantasioso na cabeça dessa pessoas, mas é assim que elas pensam. Essas circunstâncias, de grupos que depredam espaços públicos, promovem saques e cantam o Hino Nacional são típicas de fascismo, é ação de política fascista. O Hitler chegou ao poder assim.

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Houve uma proliferação desses grupos de extrema direita nos últimos tempos?

Me parece que esses grupos estiveram presentes nas primeiras manifestações e ganharam corpo, são grupos que não são partidos, são células que dão vazão a um pensamento conservador reacionário. Queimar bandeira de partido político mostra intolerância típica de fascistas. Foram oportunistas de se aproveitarem de descontentamento com governos do PT e do PSDB, e isso no Brasil inteiro. Isso acontece em grandes cidades onde esses grupos de extrema direita são mais comuns. São esses grupos que batem em homossexuais. O modo de ação política deles é a violência.

Houve uma confusão de conceitos durantes esses protestos?

Estamos falando de um movimento que nasceu com uma bandeira, a da redução da tarifa, do passe livre, mas este movimento por não ter liderança vertical, por ser um movimento horizontal, por não ser partidário, permitiu que se abrisse dentro dela as mais diversas insatisfações do país, que estourasse uma panela de pressão.
De modo geral, a população está saindo nas ruas para protestar contra gastos na Copa, para melhorar a saúde, a educação, é uma salada, é heterogêneo. Dentro disso há um caldo comum que é uma descrença pelas instituições políticas, no poder Executivo, Legislativo e Judiciário.
Essa descrença é alimentada cotidianamente pela grande mídia, para quem lê e vê jornais, as notícias nunca têm lado positivo nesses poderes, sobretudo quando comparado ao mundo privado. Como se as empresas fossem ótimas e o público estatal fosse negativo.
Não estou dizendo que não há problemas no Estado, mas dá margem a essa interpretação, como por exemplo que os políticos são todos iguais e funcionário público é vagabundo.
E tudo isso veio à tona agora.
E aí o oportunismo dos grupos de direita, em depredar, incendiar, aproveitando de um clima de descrença nas instituições, mas que também que permite a ditadura. É um tema internacional, perigoso, como aconteceu com os neonazistas na Europa, o Estado tem que responder de maneira dura com essa pessoas.
Elas têm o direito sim de se manifestar, mas quem usa o método político da violência tem que ser preso, processado, responder dentro da lei. É muito serio o que estamos vivendo.
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Uma resposta to “Queimar bandeira de partido é comportamento fascista , diz cientista político”

  1. Anticom. novembro 7, 2014 às 5:49 pm #

    “Vcs fascistas sigam o seu líder”, isso faz tanto sentido quanto dizer aos cristãos: Sigam o seu líder, se crucifiquem.

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