Archive | setembro, 2013

Consultoria simulada levou R$ 52 mi de cartel, diz Polícia Federal

30 set

Empresas acusadas de fraude em licitações de trens no Estado de São Paulo pagaram R$ 52 milhões a firmas de consultoria investigadas pela Polícia Federal sob a suspeita de repassar propina a políticos e funcionários públicos desde o fim da década de 1990.

Algumas dessas consultorias foram identificadas pela primeira vez em inquérito aberto pela PF em 2008 para investigar negócios da multinacional francesa Alstom com empresas do setor elétrico e de transporte, controladas pelo governo estadual.

Neste ano, a PF ampliou o foco das investigações para empresas denunciadas pela alemã Siemens ao Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) como participantes de um cartel que combinou o resultado de várias concorrências do Metrô e da CPTM entre 1998 e 2008.

De acordo com a PF, que examinou a movimentação financeira de quatro consultorias sob suspeita, elas receberam repasses da Alstom e de duas outras empresas acusadas de participar do cartel, a canadense Bombardier e a brasileira Tejofran.

PROPINA

A polícia trabalha com a hipótese de que essas consultorias simulavam a prestação de serviços e eram usadas para distribuir propina a políticos e funcionários ligados ao PSDB, que governa o Estado de São Paulo desde 1995.

A Siemens também é alvo de investigações da polícia. Em 2008, um executivo da empresa apresentou anonimamente uma denúncia à direção da companhia na Alemanha e afirmou que ela também usou consultorias brasileiras para repassar propina a políticos e funcionários.

Segundo a PF, a Alstom pagou R$ 45,7 milhões à consultoria MCA, do empresário Romeu Pinto Jr. na época dos repasses.

O dinheiro foi depositado em contas controladas por ele no Brasil e na Suíça.

Em depoimentos à PF e ao Ministério Público, em 2009 e 2012, o consultor disse que não prestou os serviços indicados nos recibos entregues à Alstom e que foi usado para distribuir propina. Pinto Júnior afirmou que entregava o dinheiro a motoboys de doleiros e não sabe a quem ele foi repassado depois.

De acordo com os relatórios da PF sobre a movimentação financeira dessas empresas, a Alstom também transferiu R$ 4,8 milhões à ENV, pertencente ao consultor Geraldo Villas Boas, e à Acqua-Lux, controlada por Sabino Indelicato, ligado a Robson Marinho, conselheiro do Tribunal de Contas do Estado.

Marinho foi chefe da Casa Civil no governo de Mário Covas, entre 1995 e 1997, e é investigado em outro inquérito por ter foro privilegiado.

A atual diretoria da Alstom diz desconhecer as investigações da PF. Em depoimento à polícia, Villas Boas e Indelicato negaram que o dinheiro fosse destinado a políticos.

A Bombardier e a Tejofran pagaram R$ 1,5 milhão entre 2005 e 2009 à consultoria BJG, controlada pelo ex-secretário estadual de Transportes Metropolitanos José Fagali Neto, que começou a ser investigado pela PF em 2008, quando foram descobertos depósitos da Alstom em seu nome na Suíça.

A Justiça da Suíça bloqueou US$ 6,5 milhões depositados no exterior após encontrar o nome de Fagali Neto em papéis da Alstom que faziam referência ao pagamento de propina no Brasil.

A Bombardier diz que contratou a BJG para assessorá-la em concorrências, fazendo pagamentos “absolutamente lícitos”. A Tejofran diz que os valores pagos são compatíveis com as consultorias.

Como a Folha revelou no último dia 23, Fagali Neto recebia informações sobre planos do governo estadual de um alto funcionário da Secretaria de Transportes Metropolitanos, Pedro Benvenuto, que pediu demissão após a revelação.

O delegado Milton Fornazari, responsável pelas investigações da PF, indiciou Fagali Neto e os outros três consultores por suspeita de corrupção ativa. Fagali Neto diz que pode provar que suas consultorias existiram.

A PF entregou relatório sobre os negócios da Alstom em São Paulo em agosto de 2012, mas o procurador Rodrigo de Grandis considerou que a investigação era insuficiente para levar o caso à Justiça e pediu novas apurações. Ele demorou mais de um ano para chegar a essa conclusão.

OUTRO LADO

As empresas investigadas pela Polícia Federal sob a suspeita de terem usado consultorias para repassar propina negam ter pago suborno.

Em nota, a Bombardier diz que Jorge Fagali Neto prestou consultoria para projetos que incluíam a sinalização de uma estrada de ferro na Colômbia, sinalização de transporte ferroviário urbano no Brasil e modelagem para a reforma de trens da CPTM.

A companhia afirma ter todas as notas e contratos e que os pagamentos à BJG foram feitos “pelos meios oficiais, tanto que foram identificados no relatório da PF”.

A Bombardier diz que “repudia qualquer conduta que fuja aos altos padrões éticos”.

A Tejofran diz que não conseguiu checar se o valor dos contratos com a BJG foi de R$ 978 mil por se tratar de registros contábeis antigos. Nega ter pago propinas e diz que o valor é compatível com suas atividades na época.

A Alstom diz que “desconhece o teor das investigações” da PF. Nesse inquérito são acusados ex-executivos da Alstom e a atual diretoria não foi chamada pela PF.

Os consultores Romeu Pinto Jr. e Sabino Indelicato não quiseram se manifestar.

O advogado Belisário dos Santos Jr., que defende Jorge Fagali Neto, diz que ele “pode demonstrar que prestou todos os serviços de consultoria”. Em depoimento ao Ministério Público, Fagali Neto afirmou que não tinha contas no exterior e não cometeu crimes. Na casa de Geraldo Villas Boas, a informação é de que ele estava viajando.

editoria de arte

FLÁVIO FERREIRA
MARIO CESAR CARVALHO
JOSÉ ERNESTO CREDENDIO
-Folha de SP

Conheça melhor quem a Economist representa*

30 set

publicado em 27 de setembro de 2013 às 4:30

Encontre e Cumprimente a Elite Poderosa

O Núcleo Financeiro da Classe Capitalista Transnacional

Por Peter Phillips e Brady Osborne, no Counterpunch

Os arranjos institucionais dentro do sistema de administração de dinheiro do sistema de capital global buscam, incessantemente, formas de alcançar o maior retorno nos investimentos, e as condições estruturais para manipulações – legais ou não – estão sempre abertas (escândalo da Libor).

Essas instituições se tornaram “grandes demais para falir”, sua abrangência e interconexões pressionam os reguladores do governo a evitarem investigações criminais, que dirá processos na Justiça.

O resultado é uma classe de pessoas semi-protegidas com grandes volumes de dinheiro cada vez maiores, buscando crescimento e retorno ilimitados, com pouca preocupação com as consequências que suas buscas econômicas têm sobre outras pessoas, sociedades, culturas e meio ambiente.

Cento e trinta e seis desses 161 membros do núcleo (84%) [de gerenciadores do capital] são homens. Oitenta e oito por cento são brancos de ascendência europeia (apenas 19 são não-brancos).

Cinquenta e dois por cento têm ensino superior – incluindo 37 MBAs, 14 JDs, 21 PhDs e 12 MA/MS.

Quase todos cursaram faculdades particulares, quase metade foram para as mesmas 10 universidades: Harvard (25), Oxford (11), Stanford (8), Cambridge (8), Universidade de Chicago (8), Universidade de Cologne (6), Columbia (5), Cornell (4), Wharton School da Universidade da Pensilvânia (3) e California-Berkeley (3).

Quarenta e nove são ou foram CEOs, oito são ou foram CFOs, seis trabalharam no Morgan Stanley, seis na Goldman Sachs, quatro na Lehman Brothers, quatro no Swiss Re, sete no Barclays, quatro na Salomon Brothers e quatro na Merrill Lynch.

Pessoas de vinte e dois países formam o cerne financeiro da Classe Corporativa Transnacional.

Setenta e três (45%) são dos Estados Unidos, 27 (16%) da Grã-Bretanha, 14 da França, 12 da Alemanha, 11 da Suíça, quatro de Cingapura, três da Áustria, da Bélgica e da Índia cada um; dois da Austrália e da África do Sul cada, e um de cada um dos seguintes países: Brasil, Vietnã, Hong Kong/China, Qatar, Holanda, Zâmbia, Taiwan, Kuwait, México e Colômbia.

Eles vivem quase todos nas grandes cidades do mundo ou perto delas: Nova York, Chicago, Londres, Paris e Munique.

Membros desse núcleo financeiro participam ativamente de grupos de política global ou de governos.

Cinco das 13 corporações têm diretores como consultores ou ex-funcionários do Fundo Monetário Internacional.

Seis das 13 firmas têm diretores que trabalharam ou prestaram serviços de consultoria ao Banco Mundial.

Cinco das 13 empresas são sócias corporativas do Council on Foreign Relations nos Estados Unidos.

Sete das empresas enviaram 19 diretores ao Fórum Econômico Mundial em fevereiro de 2013.

Sete dos diretores trabalharam ou trabalham no conselho do Federal Reserve, regionalmente ou nacionalmente, nos Estados Unidos.

Seis do núcleo financeiro prestam serviços para o Business Roundtable nos Estados Unidos.

Vários diretores tiveram experiência direta com ministérios de finanças de países da União Europeia e do G20.

Quase todos os 161 indivíduos trabalham em alguma posição de consultoria para organizações reguladoras, ministérios de finanças, universidades e instituições de planejamento e política nacionais ou internacionais.

Estima-se que a riqueza total do mundo chegue a quase US$ 200 trilhões, sendo que as elites dos Estados Unidos e da Europa têm aproximadamente 63% deste total, enquanto a metade mais pobre da população global tem somado, menos de 2% da riqueza do planeta.

Segundo o Bando Mundial, 1,29 bilhão de pessoas estão vivendo em pobreza extrema, com menos de US$ 1,25 por dia, e 1,2 bilhão mais vivem com menos de US$ 2,00 por dia.

Trinta e cinco mil pessoas, a maioria crianças, morrem todo dia de má nutrição. Enquanto milhões sofrem, a elite financeira transnacional procura retorno nos trilhões de dólares investidos na especulação com o aumento dos custos da comida, das commodities, da terra e outros itens primários de sustentação da vida para o propósito primário de auferir ganhos.

Eles fazem isso em cooperação uns com os outros em um sistema global de poder e controle das corporações transnacionais e como tais constituem o cerne da classe capitalista corporativa internacional.

Os governos do ocidente e as instituições de políticas internacionais servem aos interesses deste núcleo financeiro da Classe Corporativa Transnacional.

Guerras são deflagradas para proteger seus interesses. Tratados internacionais e acordos políticos são arranjados para promover seu sucesso.

Elites poderosas trabalham para promover a livre circulação de capital global para investimentos em qualquer lugar que ofereça possibilidade de retorno.

Identificar as pessoas que tem todo esse poder e influência é parte importante dos movimentos democráticos que buscam defender o cidadão comum para que todos os humanos possam dividir e prosperar.

A lista completa, e detalhada, está online no Censored 2014 da Seven Stories Press.

Peter Pillips é professor de sociologia da Universidade Estadual de Sonoma e presidente da Media Freedom Foundation/Project Censored.

*A chamada de capa é do Viomundo; tradução de Heloisa Villela

O brasileiro citado trabalha na Capital Group Companies Inc.:

ALERTA: EUA E que o rodeia todas as bases militares 76 AMÉRICA LATINA E CARIBE

30 set

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ALERTA: EUA E que o rodeia todas as bases militares 76 AMÉRICA LATINA E CARIBE

30 set

Sob o pretexto de combate ao tráfico de drogas Forças Especiais do país norte-venture para a América Latina. Você está 76 bases militares em torno da América Latina e do Caribe.

De acordo com um relatório do Centro de Política Internacional (CIP), o Grupo de Trabalho sobre a América Latina (LAWGEF) eo Escritório de Washington sobre a América Latina (Wola), sob o pretexto de defender as políticas de segurança para a região e a luta contra o narcotráfico, EUA cada vez mais utilizados os comandos especiais para treinamento e trabalho de inteligência em solo sul-americano.

Este posicionamento estratégico militar dinâmica responde a mesma intenção que os Estados Unidos usaram como desculpa na questão das armas de destruição em massa no Irã e agora a Síria. Só neste caso é mais assustador, porque de acordo com o relatório, uma vez em território latino-americano, e recolher informação secreta a partir de pontos estratégicos, os militares gringos se familiarizar com as peculiaridades de cada lugar, da cultura e funcionários-chave países em que eles poderiam operar mais tarde.

Muitos cientistas políticos, especialistas, pensadores críticos que vêem claramente como instalações dos EUA na América Latina não são para controlar o tráfico de drogas, mas para espionar.

Pablo Ruiz, membro de Observadores Escola das Américas, disse que o caso especial que ocorre no Peru, um país com um governo desenvolve política de direita é aliado dos Estados Unidos, onde de acordo com as queixas dos agricultores da região Cusco, sua propriedade foi desapropriada para a construção de um aeródromo militar para combater as drogas com a ajuda dos Estados Unidos.
ativista Pablo Ruiz, disse que os EUA tem uma forte presença “governos que são pró-americano” militares, Panamá, Peru, Chile e México.

Além disso, Ruiz afirmou que “estas bases militares são usados ​​para espionar contra países. ‘S A justificativa para militarizar a América Latina com outros propósitos ocultos. EUA treina oficiais latino-americanos no Peru sob a mesma doutrina e sob o lógica do Comando Sul dos EUA para tentar semear a suposta luta contra o terrorismo “, mas sublinhou que” a guerra contra as drogas tem sido um fracasso no México e será certamente no Peru “.

Mesmo o filósofo, sociólogo e cientista político Atilio Boron, deixou sua advertência sobre o assunto: “Temos de nos preparar. Para algo que tem sido cercado por bases militares. ”

Boron insistiu que “vem da água, vem do petróleo” em uma entrevista que foi realizada recentemente por ocasião da 68 Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas.

Está se tornando cada vez mais claro que a interferência externa dos EUA entra em declínio após as gafes, onde a questão da ameaça de guerra para a Síria, sob as mesmas desculpas sempre enseada já não crenças de ninguém. Ninguém come a história que o North Country tem altruísta em suas ações ao redor do mundo, mais e mais povos insurgentes, como seria o comandante Chávez, e até mesmo representantes da direita política reconhecida.

Isto é o que é conhecido como “a lei da queda dos impérios”, onde os processos mais violentos ocorreram durante a decadência do mesmo.

Neste sentido, o cientista político argentino disse Estratégia Yankee “, de modo que eles estão olhando para ele em torno da Aliança do Pacífico para ver se enfraquecer Unasul se a Argentina se isolar espionando Brasil. Eles estão vendo como consertar a situação que consideram ideal, que é a situação que tinha América Latina final do ano 50 dC “.

Nesse sentido, o doutor em ciência política pela Universidade de Harvard, Atilio Boron, disse que mesmo “os teóricos mais importantes do direito norte-americano, todos reconhecem que se iniciou uma fase de declínio do poder global dos Estados Unidos” e portanto, “tornar-se mais belicoso”.

Assim, a cada dia, o mundo está expondo as políticas hegemônicas dos Estados Unidos, fazendo com que as políticas visíveis e neocolonial de olho como militarme é o posicionamento em torno da área com mais recursos naturais, água, petróleo, gás, minerais estratégicos, alimentos, biodiversidade , América Latina, um continente que tem um grande potencial.

http://laiguana.tv/noticias/2013/09/28/8668/ALERTA-ESTADOS-UNIDOS-YA-TIENE-76-BASES-MILITARES-RODEANDO-TODA-AMERICA-LATINA-Y-EL-CARIBE.html

O Instituto Millenium e a Rua K: Sociometria Preliminar

30 set

março 3, 2010

Mais uma sociometria utlizando a ferramenta CMapTools, que recomendo para vocês, e o uso da qual eu sempre acho muito estimulante.

Traduzindo organogramas hierárquicas em redes visuais, e flexíveis, é um belo jeito de pensar fazendo, eu sempre acho, sobre redes sociais.

Nesse caso, o grande assunto do momento e o Instituto Millenium e o congresso que acaba de realizar com palestrantes como Roberto Civita e Alberto di Franco, aquele do Opus Dei e o Master [sic] em Jornalismo — programa que forma muitos “gestores de conteúdo” do Estado de S. Paulo.

O Masters, por sua vez, é um curso de extensão da Univerdad de Navarra, na Espanha, vários dos professores da qual fundaram a consuloria Innovation International. Fiz uma mapa dos clientes, diretores e sócios da consultoria um ano, dois anos atrás:

Nessa perspectiva parcial (faça clique para ampliar, vemos os sócios, à direita, e os diretores regionais, assim como alguns clientes — entre eles O GloboUSA Today, e Libération (França.)

Se perdeu o escândalo da reforma da Libération — o jornal de Sartre! — você perdeu uma rinha arruaceira.

O concorrente, Le Monde, vivia apontando exemplos de “advertorial” — propaganda fantasiada de jornalismo — nas novas páginas.

Vale notar também duas relações: (1) a pareceria entre o Curso Abril de Jornalismo e o Masters; e (2) a composição do conselho editorial do Instituto Millenium: Euripes Alcântara (Veja) e Antônio Carlos Pereira (Estadão).

Primeiros Passos

O primeiro passo na elaboração de um análise de uma rede social é: mapear as afiliações instituicionais que são divulgadas pela organização sob estudo.

Assim fiz com o Instituto Millenium (acima).

Depois, você começa a buscar para ligações institucionais não divulgadas.

Sempre haverá.

Aqui, por exemplo, no site do Instituto, tem poucas informações sobre alguns dos integrantes do Conselho Fiscal.

(Também tem a possibilidade de relações de parentesco no caso da presidente, Andrade, e o conselheiro fiscal, Constantino. Mais ainda não confirmei. No Brasil, parentesco quase sempre tem algo a ver, não tem?)

Portanto resolvi começar, mais o menos aleatoriamente, com esse tal de Odemiro Fonseca.

O sitioOrdem Livrre.org tem uma entrevista com o “empresário” —  um sitio com ligações a uma fundação chamada da Atlas Research Foundation, que em torno tem ligações com o Instituto Liberal, que tem parceria com o sitio.

O SourceWatch tem um perfil da organização norteamerican, meio desatualizada e incompleta.

Um atalho levando ao sitio da ONG norteamericana aparece no canto direito no alto da página.

Portanto, a trilha leva quase imediatamente à Rua K em Washington, D.C.

Se não soubesse, é a rua dos lobistas.

Sede de um Quinto Poder em pleno processo de fusão com o bom e velho Quarto.

K Street é uma metonomia para a indústria de lobby nos EUA.

Nesse caso, trata-se de uma fundação na Rua L, 1201.

É so virar a esquina.

Atlas Economic Research Foundation:

1201 L St. NW
Washington D.C. 20005
United States of America
Phone: 202-449-8449
Fax: 202-280-1259

Como já foi dito, o sitio no qual nosso conselheiro fiscal é entrevistado, OrdemLivre.org, tem um atalho ao patrociniador na cabeçada da página.

(O engraçado é que nessa entrevista, o mesmo Odemiro e identificado como o entrevistador.)

Assim como alguns integrantes do Instituto Millenium — esse tal de Constantino escreveu um livro comemorando a fumadora histérica de cigarros russa– toma como inspiração o culto de Ayn Rand, autora do romance Atlas Shrugged (Atlas deu de ombros), e uma versão neonconservador dos ensinamentos econômicos do nobelista Friederich Hayek, que os neocons transformou numa metafísica de indivualismo radical.

(Entre os protegidos mais ardentes de Ayn Rand foi Alan Greenspan, ex-presidente do Banco Central de Todos os Gringos — o  «Fed», de  «Federal Reserve Board», e não o F.E.D., como costuma-se ser dado na imprensa brasileira.)

Na verdade, a fundação não serve para muito senão como um duto para canalizar doações de redes dentro de redes de fundações da ultradireita norteamericana — além dos pesos-pesados do lobby gringo, Exxon e Phillip Morris (tabaco) — para estabelecer «think tanks» — institutos de «pesquisa» como o bom e velho IPES — de inspiração Objetivista  (Ayn Rand) no mundo inteiro.

É quase que uma fazenda ou incubadora de «think thanks» — institutos de «pesquisa».

Divulga um «kit» ou guia para fundadores de tais institutos.

E ainda tem ligações com redes maiores de outras tantas fazendas de ONGs internacionais.

A gente fala de BINGOs — «big international non-governmental organizations» (grandes ONGs internacionais).

As fontes de financiamento mostrado no mapeamento da rede social constam num levantamento feito por SourceWatch.

Outra fonte de recursos era a Sociedade Mont Pelerin, estabelecido pelo economist Friederich Hayek, do qual o criador do Instituto Liberal era integrante.

Hayek stressed that the society was to be a scholarly community arguing against collectivism, while not engaging in public relations or propaganda.

Hayek enfatizou que a sociedade deveria ser uma comunidade de estudiosos argumentando contra o coletivismo, mais sem praticar relações pública ou propaganda.

Fonte: Wikipédia, com nota de rodapé que eu boto logo.

Contrariando essa condição imposta pelo nobelisteconomista, porém, esta fundação, Atlas, recentemente contratou a empresa de relaçoes públicasWirthlinWorldwide – agora um subsidiário de Harris Interactive — para consultas sobre como espalhar a sua mensagem, principalmente pela Internet.

Wirthlin Worldwide, fundado por um homem de confiança de Reagan — Wirth servia como pesquisador e assessor estratégico principal do ator de filmes B tornado presidente do mundo livre entre 1968 e 1988 — serve clientes como

  1. Citibank
  2. DuPont Lycra
  3. Pfizer
  4. Syngenta
  5. Pharmacia
  6. Organon
  7. Unilever
  8. Bristol-Myers Squibb
  9. Monsanto
  10. American Petroleum Industry
  11. Mobil
  12. American Plastics Council
  13. International Paper
  14. National Restaurant Association
  15. National Cattlemen’s Beef Association
  16. American Furniture Manufacturers Association

Um dos projetos mais bem-sucedidos da fundação Atlas foi o Manhattan Institute, ligada fortemente ao ex-prefeito de Nova York, Rudolph Giuliani, que deixou o instituto escrever projetos de lei sobre política de educação.

O advogado que estabeleceu o instituto, William Casey,  depois viria diretor da CIA.

Casey dirigiria o apoio clandestino aos mujahedeen de Afeganistão — Osama, inclusive — e a esquema ilegal utilizada para armar os Contras de Nicaragua contra a vontade do Congreso.

Horas antes de testemunhar ao Congresso sobre o escândalo Irã-Contra, Casey ficou doente e perdeu o poder de fala.

O Wirthlin tem especializado em campanhas sub-reptícias contra movimentos ambientalistas.

Paranoia, Nada: Tem Um Livro Sobre Como Fazer

Num livro sobre o assunto, de 2000, Wirthlin descreveu o melhor jeito de atacar o “precautionary principle” (princípio preventivo).

Essa proposta de ambientalistas prega que, existindo indicações de um possível dano à sociedade por determinada atividade industrial, medidas deveriam ser tomadas antes mesmo do estabelecimento de uma estreita relação de causa e efeito.

Conselho de Wirthlin (2000):

“Enlist surrogates who can effectively attack the Precautionary Principle and its misapplications. Language and positioning are all-important. Beware of saying that industry opposes the Precautionary Principle. Activists will seize on that to imply that big business does not care about people’s health and safety,”

Alista [representantes não assumidos] que podem atacar o princípio e suas aplicações erradas com eficiência. Discurso e posicionamento são essenciais. Tenha cuidado: Não diga que a indústria oponha o princípio. Ativistas pegarão aquilo para dizer que o setor empresarial não se preocupa com a saúde e segurança de pessoas.

Meu palpite é que tarde o cedo chegaremos ao USAID e o NED, mais ainda não tive tempo de recolher todos os fios da telaranha.

Mas em qualquer caso, já identificamos uma ligação de apoio ao movimento provindo de lobistas com história aberta de utilizar grupos com ligações clandestina com grandes empresas de comunicação no papel de Contras, para fazer guerrilha midiática contra oponentes que o cliente não pode ser visto combatendo abertamente.

Whois — o comando unix para buscar informações no base de dados de domínios — ordemlivre.org?

Domain Name:ORDEMLIVRE.ORG
Created On:03-Oct-2007 16:22:49 UTC
Last Updated On:05-Oct-2009 11:06:32 UTC
Expiration Date:03-Oct-2012 16:22:49 UTC
Sponsoring Registrar:Gandi SAS (R42-LROR)
Status:CLIENT TRANSFER PROHIBITED
Registrant ID:O-1206448-GANDI
Registrant Name:Diogo Costa
Registrant Organization:Diogo Costa
Registrant Street1:450, Massachusetts Ave. Apt. 929
Registrant Street2:
Registrant Street3:
Registrant City:Washington
Registrant State/Province:Dist. of Columbia
Registrant Postal Code:20001
Registrant Country:US
Registrant Phone:+1.16308023520

O site é hospedado na França:

Tech Organization:GANDI SARL
Tech Street1:15 place de la Nation
Tech Street2:
Tech Street3:
Tech City:Paris
Tech State/Province:
Tech Postal Code:75011
Tech Country:FR
Tech Phone:+33.1
Tech Phone Ext.:
Tech FAX:
Tech FAX Ext.:
Tech Email:support@support.gandi.net

O endereço físico da parte responsável pelo site é do Cato Institute, que o assume com o sucursal lusófono do Instituto.

Em fim: Um x-duto alimentado por fundações da ultradireita norteamericana e aparentemente desembocando agora nas páginas de O Globo.

Na gráfica, utilizo cores diferentes para pessoas físicas, pessoas jurídicas (empresas), ONGs, instituições do governo, e instituições académicas.

Vehículos da imprensa corporativa são pretos.

Vehículos da “mídia alternativa,” tal como blogs, foros, jornais eletrônica, listas de e-correio, e nhemnhemnhem, são cinzas.

Doadores estrangeiros são verdes, honrando o bom e velho dólar.

Palpite: a atuação dessa campanha de «mídia alternativa e independente» terá apoio financeiro e coordenação vindo de fora do pais.

Assim como em 2006, a Televisa — a Globo mexicana — conduzia uma campanha declarando o candidato do centro-esquerda de «un peligro para Mexico», vão voltar a uma velha campanha da Veja:

(Depois, a chamada Ley Televisa, que garante o monopólio da empresa.

Ela controle 75% do mercado.

Quando um senador do PAN, partido beneficiado pela campanha ilícita, denunciou troca-troca ilícita nos bastidores da lei, foi atacado na imprensa como o secretário de governo que deu passaporte a um grande traficante chinês durante os anos Fox.

Aquele Fox que já foi presidente de Coca-Cola no México, cabe lembrar.

IBOPE foi contratado pelo IFE, o Instituto Electoral Federal, para monitorear ilícitos nos “spots” — propaganda curta na TV — mais falhou.

Não houve fiscalização efetiva dos “spots.”

IFE depois — muito depois — julgou os spots «peligro para Mexico» ilícitos.)

Se não conseguirem segurar a onda de Dilma, vão no mínimo querer fazer mais um Ministro de Comunicações vindo do empresariado, como foi o caso de Hélio Costas (Globo).

Vamos ver o que acontece.

Astroturf: “Diplomacia Pública” Semi-Clandestina

O Departamento de Estado de Bush teve um programa  de “nova mídia” desse tipo — “diplomacia pública,” epíteto de propaganda semi-clandestina — patrocionado por USAID e NED (IRI) mais escondido atrás camadas de testas-de-ferro para aparecerem “independentes” e originárias da sociedade civil.

Chamamos isso de “astroturf.”

Movimentos de cidadões espontáneos são “grassroots” (raizes do caipim).

Astroturf e aquela gramada faux utilizada em estádios fechados, de plástico.

O Observatório de Fontes

Estou escrevendo com pressa, mais falando no projeto de SourceWatch: eu montei um Observatório de Fontes no meu domínio pessoal. Menos como un projeto viável como um projeto-piloto, na tentativa de elaborar um guia simples de como fazer esse tipo de trabalho investigativo.

Dêm uma olhada.

Saideira

Eu tenho uma teoria: que a marca inconfundível da presença dessa consultoria, Innovation International, seria aquele dispositivo no alto da página que convida você dar uma nota à matéria.

As escolhas são enviesadas. (Alguns vehículos de mídia já mudaram essa situação, seja dito.)

Tem uma escolha só que seria negativa: “ruim.”

Duas estrelas seria “normal.”

Três estrelas é “bom.”

As últimas duas estrelas convidam o leitor a escolher entre “o melhor possível” e “além do maior possível.”

Uma avaliação negativa, uma neutra, e três positivas. “O leitor adora nosso trabalho!”

Tampouco fica claro se a marca seja uma avaliação do assunto — Fidel morreu! Além de ótimo! — ou da qualidade da matéria sobre o assunto. É uma farça, mais recolhe dados úteis para marqueteiros.

Do Globo:

Do El Pais:

El Espectador e El Tiempo(Colombia) já tinham, mais descontinuaram, se não me engano.

Estadão também tem.

Libération ainda não sofreu a indignidade.

USA Today não usa, mais tem outra característica da consultoria: a integração com as redes sociais comerciais:

Há outro detalhes do estilo de elaborar o sitio característico do clientes de Innovation International. Caixas para “mais lidos” e “mais comentados,” por exemplo.

EstadãoO GloboEl Espectador (Bogotá). El Tiempo também usa.

Todos esses elementos — e tem outros, por exemplo a divisão do noticiário em secções (a “ontologia” de assuntos) muito parecido entre clientes da consultoria — indicando uma padronização internacional do projeto de sitios jornalísticos pertencendo aos clientes da consultoria da Universidad de Navarra.

Algum estudante deveria fazer uma apuração rigorosa.

Eu tenho preguiça demais nesse momento.

Fonte:. http://obicho.wordpress.com/2010/03/03/o-instituto-millenium-e-a-rua-k-sociometria-preliminar/

Pepe Escobar: “Como os EUA estão criando o Siriastão”

30 set

Terroristas da Frente al-Nusra /al-Qaeda armados e pagos pelos EUA e Arabia Saudita
Se ainda faltasse alguma prova extra para destroçar o mito de uma luta “revolucionária” para alguma futura Síria “democrática”, as manchetes da semana acabaram com qualquer dúvida remanescente.
11, 13 ou 14 brigadas “rebeldes” (o número varia conforme a fonte) já fizeram descarrilar o tal Conselho Nacional Sírio, dito “moderado” e mantido pelos EUA, e o nada livre Exército Sírio Livre. Os líderes do bando são os jihadistas dementes da Frente al-Nusra – mas o bando inclui outras imundícies, como as brigadas Tawhid e Tajammu Fastaqim Kama Ummirat em Aleppo, algumas imundícies das quais eram, até recentemente, parte do Exército Sírio Livre, já em pleno colapso.
Na prática, os jihadis ordenaram que a miríade de “moderados” se submetessem, que se “unificassem num quadro claramente islamista” e que jurassem fidelidade a uma Síria futura na qual a lei da Xaria seja “a fonte única da legislação”.
 
Ayman al-Zawahiri
Um certo Ayman al-Zawahiri deve estar em festa, dançando em seu esconderijo confortável, à prova dedrones, em algum ponto dos Waziristões. Não só porque sua conclamação para uma jihad multinacional – à moda do Afeganistão nos anos 1980s – está funcionando; também porque o Conselho Nacional Sírio comandado pelos EUA já está exposto como o roedor desdentado que de fato é.
E fatos em campo só fazem comprovar exatamente isso. O Estado Islâmico do Iraque e do Levante, promovido pela al-Qaeda, acaba de tomar uma cidade próxima do ponto de passagem de Bab al-Salam na fronteira com a Turquia, que estava sob controle do Exército Sírio Livre, porque o Exército Sírio Livre foi acusado de lutar por “democracia” e de manter laços com o Ocidente. Errado. O Exército Sírio Livre deseja esses laços com o ocidente, sim; mas sob regime controlado pela Fraternidade Muçulmana. E o Estado Islâmico do Iraque e do Levante – do qual a Frente al-Nusra é o principal membro sírio – deseja um Siriastão talibanizado.
As gangues de jihadis linha duríssima na Síria somam cerca de 10 mil jihadistas; mas correspondem a cerca de 90% dos combates pesados, porque são os únicos com real experiência de combate (incluindo iraquianos que combateram contra norte-americanos, e chechenos que combateram contra russos).
 
Bandar bin Sultan
Paralelamente, e não por acaso, desde que o príncipe Bandar bin Sultan, codinome Bandar Bush, foi nomeado pelo rei saudita Abdullah para comandar a jihad síria, com instruções para não deixar nem levar prisioneiros vivos, o Conselho Nacional Sírio dito “moderado” e aliado da Fraternidade Muçulmana do Qatar passou a ser cada dia mais deixado de lado.
Cortem a cabeça desses “pacifistas”
 
E, em matéria de descarrilamento catastrófico, nada se compara à desculpa do governo Obama para uma “estratégia”, a qual, teoricamente, se resume a armar e treinar extensivamente o elo mais fraco – gangues selecionadas do Exército Sírio Livre infiltradas por agentes da CIA – e que “impediriam” que as armas caíssem em mãos de jihadistas. Como se a CIA tivesse inteligência local confiável sobre as fontes do Golfo que garantem dinheiro e apoio logístico aos milhares de jihadistas.
O Conselho Nacional Sírio, o Exército Sírio Livre e o chamado “Comando Militar Supremo” (de exilados) comandado pelo grandiloquente general Salim Idriss já não passam, hoje, de piada.
A coisa toda aconteceu enquanto o presidente da Coalizão de Oposição Síria [Ahmed Asi] Al-Jerba, estava na Assembleia Geral da ONU em New York – onde se encontrou com o secretário de Estado John (“Assad é como Hitler”) Kerry. Kerry não falou sobre armas, mas sobre mais “ajuda” e futuras negociações na perenemente adiada Conferência Genebra-2. Al-Jerba ficou furioso. E, para piorar, várias das gangues do seu Exército Sírio Livre declaradamente bandearam-se para a al-Qaeda.
 
A Frente al-Nusra/al-Qaeda executa civis na região de Aleppo (Síria)
Por quê? Sigam o dinheiro. É assim que funciona. Pelo menos metade das “brigadas” do Exército Sírio Livre são mercenários – financiados do exterior. Lutam onde os patrões – que lhes pagam e lhes fornecem armas – mandam lutar. O “Comando Supremo” controla, no máximo, 20% das brigadas. E essa gente sequer vive na Síria; têm bases do lado turco ou jordaniano da fronteira.
Mas esses jihadis mercenários combatem em tempo integral. Eles são a efetiva força combatente, recebem salários em dia e suas famílias são protegidas e mantidas.
Assim sendo, trata-se hoje de guerra entre o Exército Sírio Árabe e um bando de jihadistas. Claro: nada disso será JAMAIS bem explicado pela imprensa-empresa à opinião pública ocidental.
Imaginem, então, se esses degoladores, comedores de fígados, fãs da Xaria, teriam algum desejo de aparecer na conferência Genebra-2 para negociar um cessar-fogo com o governo sírio e um possível acordo de paz com o eixo OTAN-Casa de Saud. Evidentemente nunca acontecerá – como Bandar Bush deixou bem claro, pessoalmente, em Moscou, para o presidente Vladimir Putin.
O pior, do ponto de vista de Washington, é que não há como explicar por que não pode acontecer nenhuma negociação significativa. Até os mais descerebrados infiéis que habitam os círculos do poder em Washington já viram que há conexão direta entre todas as hordas de “rebeldes”, e também, é claro, com os “rebeldes” sírios que abraçaram a al-Qaeda imediatamente depois que o grupo al-Shabaab atacou o shopping center Westgate em Nairobi.
 
Os degoladores da Frente al-Nusra/al Qaeda (financiados e armados pelos EUA via Arabia Saudita, Jordânia e Turquia) distribuem fotos e vídeos de seus “feitos e conquistas”  na internet
Nem é preciso dizer que Bagdá entrou em surto, ante esses desenvolvimentos. O Estado Islâmico do Iraque e do Levante já aumentou os atentados com carros-bomba e homens-bomba no próprio Iraque – porque o governo de al-Maliki, “apóstata” xiita, é tão alvo preferencial quando o governo do secular Bashar al-Assad.
Quase nem acredito que há apenas cinco meses, eu mesmo escrevi sobre o advento do Emirado Islâmico do Siriastão. Agora já está bem claro que e como o “invisível” al-Zawahiri e o esperto Bandar Bush se apropriaram da “estratégia” de Washington para chegar, realmente, onde querem chegar.

 
 
[*] Pepe Escobar (1954) é jornalista, brasileiro, vive em São Paulo, Hong Kong e Paris, mas publica exclusivamente em inglês. Mantém coluna (The Roving Eye) no Asia Times Online; é também analista e correspondente das redes Russia TodayThe Real News Network Televison Al-Jazeera. Seus artigos podem ser lidos, traduzidos para o português pelo Coletivo de Tradutores da Vila Vudu, no blog redecastorphoto.
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POSTADO POR CASTOR FILHO

Médica deixa hospital particular para dedicação exclusiva a programa federal

29 set
Kátia Marquinis largou carreira como oftalmologista na rede privada para viver o sonho pessoal do trabalho humanitário, na periferia de SBC
por Cida de Olivera, da RBA 
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A oftalmologista Kátia Marquinis, que viu no Mais Médicos a chance de engrandecer o currículo e a vida

São Paulo – O serviço humanitário sempre foi um desejo da médica Kátia Marquinis, 39 anos, formada há 15. Enquanto estudante da Faculdade de Medicina de Jundiaí, SP, chegou a considerar a participação em missões de organizações internacionais como Médicos Sem Fronteiras e Cruz Vermelha. A realização do sonho foi adiada devido à impossibilidade de dedicação pelo tempo mínimo exigido. Mais tarde, durante a residência médica em oftalmologia no Hospital do Servidor Público do Estado de São Paulo, que a aproximou da clínica médica, voltou a sonhar com o serviço.

Especialista em doenças oculares muitas vezes associadas a outros problemas que afetam o organismo, como é a tuberculose ocular e hanseníase ocular, entre outras, chegou a atender no Hospital das Clínicas de São Paulo. E nos 10 anos em que atuou no Hospital Cema, na bairro paulistano da Mooca, no qual também atendia pacientes pelo SUS, conviveu de perto com as dificuldades enfrentadas pela maioria da população no acesso à saúde.

Mais do que reacender seu antigo desejo, o Programa Mais Médicos permitiu a sua realização: “Somos os médicos brasileiros sem fronteiras", diz, numa referência ao trabalho da organização humanitária internacional. “Tenho agora uma  grande chance de um trabalho dessa natureza sem sair do meu país”, define a médica, que largou seu emprego como especialista para trabalhar em Unidade Básica de Saúde (UBS) do bairro Batistini, periferia de São Bernardo do Campo, no ABC Paulista.

Confira a seguir os principais trechos da entrevista que ela concedeu à Rede Brasil Atual:

Por que a senhora aderiu ao programa?

O Mais Médicos me despertou a atenção logo no início. Fui ler a respeito, entender direito o que é o Pacto pela Saúde. E percebi que faz mais sentido quando é visto no conjunto. Aí pensei: é nessa que eu vou. Quando eu estava terminando a faculdade, cheguei a procurar informações para ir pra África, de preferência atuar num país em guerra. Não fui porque não poderia ficar pelo tempo mínimo necessário; eu estava para prestar a residência. O plano acabou meio adiado, mas aí veio o programa federal, sem que eu precisasse sair do meu país. Não preciso ir para fora porque faltam médicos aqui. Precisamos dos ‘brasileiros sem fronteiras’. Comecei a pensar: se a gente está precisando de médicos na periferia de cidades ricas não se consegue contratar, imagina nos extremos do país. Como eu já tinha em mim essa vontade de um trabalho humanitário, resolvi aderir.

Teve apoio da família ao largar um emprego de 10 anos?

Saí do hospital para me focar no Mais Médicos. Eu já estava ali havia 10 anos, e queria mudar de vida; já tinha essa coisa em mim. Minha família apoiou. Todos me apoiaram. Quando você faz uma escolha e as pessoas estão vendo que te faz bem, elas apoiam.

Como está sendo o trabalho pelo Mais Médicos?

A UBS aqui, no bairro Batistini, tem uma estrutura muito boa, equipe de saúde da família completa, tem medicamento. Ali se coloca na prática o que o SUS tem de ser. A impressão que tenho é que o SUS vai chegar em sua sua plenitude ali. Tudo muito limpo, padronizado, tem equipe de saúde bucal, funcionários atenciosos com a população, entrosados com a comunidade. Fui muito bem recebida. A gente sente que não é uma consulta só, que a gente vai acompanhar o paciente por um bom tempo.

A senhora está satisfeita?

Tenho participado de curso de formação continuada. Dia desses tive palestra de atualização sobre saúde da mulher. Há previsão de cursos para o ano inteiro. A jornada é de 40 horas semanais e vou receber uma bolsa de R$ 10 mil, que não deixa nada a dever a muitos salários pagos no país. O programa prevê ainda outros benefícios, auxílio refeição, como auxílio moradia, capacitação permanente. Só estou me dedicando ao programa. Deixei tudo para me dedicar a ele.

Por que a senhora escolheu trabalhar na periferia de SBC?

Optei por São Bernardo porque a situação ali é muito semelhante a de outras regiões onde também faltam médicos. Então meu trabalho teria a mesma importância ali como em outro lugar. Daria no mesmo se eu tivesse escolhido Santo André, Diadema. Fico pensando: se no ABC, onde o IDH é altíssimo não tem médico para trabalhar, imagine no resto do país…

Qual a sua avaliação sobre a recepção a seus colegas estrangeiros?

Das manifestações de junho para cá, quando todos foram às ruas pedindo inclusive saúde, acho que todos nós devemos repensar nossas ideias. Todos nós devemos repensar. O estado, nossos governantes e a classe médica. A questão deve ser vista pelo lado humanitário. Se nós estamos precisando de médicos, por que não médicos estrangeiros? Se vai somar, porque não?

Quais as suas perspectivas em relação ao programa?

Acho que esse programa pode ser prorrogado. Fiquei contente de ver o ministro falando esses dias no Congresso que é um programa apartidário, o que me faz pensar que é uma política de Estado. Isso me deixa muito feliz. E fico contente de saber que a gente vai chegar onde precisa chegar, que é aos milhões e milhões de brasileiros que não tinham acesso à saúde, a nada

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