O DAY AFTER DE UMA 4ªFEIRA PARA NÃO ESQUECER

16 set

Duas decisões com potencial para alterar o equilíbrio da disputa política no país se superpõem nesta semana e num mesmo dia. Na quarta-feira,18, um país em suspenso acompanhará o voto de desempate do ministro Celso de Mello, sobre o acolhimento de embargos infringentes na AP 470.

A questão que dividiu o Supremo num tenso ombro a ombro de 5 X 5 na última semana, vem  emoldurada por uma avalanche conservadora, que  tenta alterar a previsível disposição do decano do STF de acatar o recurso dos réus.

Um duo afinado de decibéis midiáticos e  fígados togados, que não hesitam em atropelar a coerência jurídica para destilar a bile ideológica contra o PT, a esquerda e o ‘comunismo’, exercita o passo de ganso das falanges regressivas de triste memória na vida nacional.

As próximas 72 horas serão ilustrativas do que eles são capazes, se é que ainda há alguma dúvida sobre isso. A reportagem de Carta Maior testemunhou aplausos no recinto do STF na última 5ª feira, após o gorduroso voto conservador de Gilmar Mendes.

A claque vinha do recinto reservado à  imprensa. Repita-se, jornalistas que reportam o julgamento na mídia conservadora exibiram uma ruidosa identidade com a peroração excretada pelo extremismo togado.  Não por acaso esta página alertou, no mesmo dia, que a suspensão dos trabalhos determinada por Joaquim Barbosa era uma ardilosa tentativa de emparedar Celso de Mello nas turquesas do 12º ministro do Supremo, e talvez o de maior influência no tribunal: a mídia conservadora.

A decisão de Celso de Mello de preservar sua biografia, acolhendo os embargos, não deve, portanto, iludir. O day after da 4ª feira não será de trégua: nem da parte dele -um centurião, ao lado de Mendes e Barbosa, na beligerância ímpar contra o PT; nem da mídia inconsolável.

Não cometerá erro quem tabular no computo dessa luta sem trégua, a cobertura, ou melhor, a torcida midiático-conservadora pelo fracasso das licitações de ferrovias, estradas e portos, que terão um round decisivo igualmente nesta 4ª feira, 18. Considere-se que o governo foi ao limite nas concessões para atrair capital privado.

Em alguns casos, a ancoragem de dinheiro público chega a 85% do valor do investimento. Mesmo assim, o coro mercadista insiste: ‘é pouco’. Ora se acusa o governo de intervencionista, ao fixar prazos, custos e tarifas de obras públicas majoritariamente financiadas pelo Estado; ora se reclama que ‘ainda há riscos’ nos projetos.

Onde querem chegar os liberais do capitalismo ao mesmo tempo sem risco e sem Estado? O PT e o governo não devem se iludir com o resultado dos leilões ou com o voto de Celso de Mello nesta 4ª feira. Serão bem-vindos, se favoráveis. E podem alterar a balança da disputa imediata rumo a 2014. 

Mas não revogam a agenda principal: é preciso reforçar a democracia participativa no país em todas as suas dimensões, inclusive no acesso amplo à informação plural,para evitar  que eles arrastem a Nação ao verdadeiro ponto onde querem chegar.

(Leia a Agenda de Carta Maior; nesta pág.)(continua na 2°feira)

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