O pseudo apoio a Dirceu e Genoíno

17 set

  • Esse comentário, precioso , de Maria Lucia Andrade Pinto, nos dá de bandeja o pseudo apoio que Dirceu e Genoíno estão tendo, na prática, de próprios setores do PT. Não é inocente, nem “desmobilização” a omissão de alguns – muitos – em torno de tudo referente à Ação 470.
    O comentário de nossa querida e lúcida amiga:
    “Acontece queo Dirceu e o Genoino são socialistas pra valer. Analisam, formulam, são ‘políticos’ a vero, são verdadeiros ‘quadros’ políticos, com teoria e prática. E anos de experiência . Vão fundo. Pelo visto, isso pega mal para muitos setores partidários.Eles incomodam.Eram úteis ao Partido. Mas no fundo, incomodavam.”

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    • Você, Priscila Presotto e outras 4 pessoas curtiram isso.
    • Maisa Paranhos Vc está constatado e eu estou tentando aqui chamar a atenção para que as pessoas não se acomodem às constatações….
      há 9 horas · Curtir · 1
    • Maria Lucia Andrade Pinto Dirceu e Genoino sonharam o “outro mundo possível” entrevisto por Che Guevara. Foram à luta. Permaneceram no rumo. Estão no rumo do socialismo. Mas está se dando preferência a viver de joelhos, a macaquear valores neoliberais. A viver dentro do quadro descrito pelo poeta Carlos Drummond de Andrade em “ Congresso Internacional do Medo”. ———– — “ Já não há mais mãos dadas no mundo, elas agora viajarão sozinhas”, também cantou o mesmo Poeta. Resta a todos nós, no momento triste de ver os heróis abandonados, o consolo da Poesia e a certeza de que nada como um dia depois do outro. E com o mesmo Poeta , sentimos: ————————————-Não serei o poeta de um mundo caduco.
      Também não cantarei o mundo futuro.
      Estou preso à vida e olho meus companheiros.
      Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.
      Entre eles, considero a enorme realidade.
      O presente é tão grande, não nos afastemos.
      Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.

      Não serei o cantor de uma mulher, de uma história,
      não direi os suspiros ao anoitecer, a paisagem vista da janela,
      não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida,
      não fugirei para as ilhas nem serei raptado por serafins.

      O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes,
      a vida presente.
      Carlos Drummond de Andrade ( Mãos dadas)

    • Maisa Paranhos Obrigada, Maria Lucia Andrade Pinto. O que vc nos fez foi nos dar um belo presente…Eu lhe ofereço a “Mensagem à Poesia” de Vinícius de Moraes de Vinicius de Moraes

      Não posso
      Não é possível
      Digam-lhe que é totalmente impossível
      Agora não pode ser
      É impossível
      Não posso.
      Digam-lhe que estou tristíssimo, mas não posso ir esta noite ao seu encontro.

      Contem-lhe que há milhões de corpos a enterrar
      Muitas cidades a reerguer, muita pobreza pelo mundo.
      Contem-lhe que há uma criança chorando em alguma parte do mundo
      E as mulheres estão ficando loucas, e há legiões delas carpindo
      A saudade de seus homens; contem-lhe que há um vácuo
      Nos olhos dos párias, e sua magreza é extrema; contem-lhe
      Que a vergonha, a desonra, o suicídio rondam os lares, e é preciso
      reconquistar a vida
      Façam-lhe ver que é preciso eu estar alerta, voltado para todos os caminhos
      Pronto a socorrer, a amar, a mentir, a morrer se for preciso.
      Ponderem-lhe, com cuidado – não a magoem… – que se não vou
      Não é porque não queira: ela sabe; é porque há um herói num cárcere
      Há um lavrador que foi agredido, há um poça de sangue numa praça.
      Contem-lhe, bem em segredo, que eu devo estar prestes, que meus
      Ombros não se devem curvar, que meus olhos não se devem
      Deixar intimidar, que eu levo nas costas a desgraça dos homens
      E não é o momento de parar agora; digam-lhe, no entanto
      Que sofro muito, mas não posso mostrar meu sofrimento
      Aos homens perplexos; digam-lhe que me foi dada
      A terrível participação, e que possivelmente
      Deverei enganar, fingir, falar com palavras alheias
      Porque sei que há, longínqua, a claridade de uma aurora.
      Se ela não compreender, oh procurem convencê-la
      Desse invencível dever que é o meu; mas digam-lhe
      Que, no fundo, tudo o que estou dando é dela, e que me
      Dói ter de despojá-la assim, neste poema; que por outro lado
      Não devo usá-la em seu mistério: a hora é de esclarecimento
      Nem debruçar-me sobre mim quando a meu lado
      Há fome e mentira; e um pranto de criança sozinha numa estrada
      Junto a um cadáver de mãe: digam-lhe que há
      Um náufrago no meio do oceano, um tirano no poder, um homem
      Arrependido; digam-lhe que há uma casa vazia
      Com um relógio batendo horas; digam-lhe que há um grande
      Aumento de abismos na terra, há súplicas, há vociferações
      Há fantasmas que me visitam de noite
      E que me cumpre receber, contem a ela da minha certeza
      No amanhã
      Que sinto um sorriso no rosto invisível da noite
      Vivo em tensão ante a expectativa do milagre; por isso
      Peçam-lhe que tenha paciência, que não me chame agora
      Com a sua voz de sombra; que não me faça sentir covarde
      De ter de abandoná-la neste instante, em sua imensurável
      Solidão, peçam-lhe, oh peçam-lhe que se cale
      Por um momento, que não me chame
      Porque não posso ir
      Não posso ir
      Não posso.

      Mas não a traí. Em meu coração
      Vive a sua imagem pertencida, e nada direi que possa
      Envergonhá-la. A minha ausência.
      É também um sortilégio
      Do seu amor por mim. Vivo do desejo de revê-la
      Num mundo em paz. Minha paixão de homem
      Resta comigo; minha solidão resta comigo; minha
      Loucura resta comigo. Talvez eu deva
      Morrer sem vê-Ia mais, sem sentir mais
      O gosto de suas lágrimas, olhá-la correr
      Livre e nua nas praias e nos céus
      E nas ruas da minha insônia. Digam-lhe que é esse
      O meu martírio; que às vezes
      Pesa-me sobre a cabeça o tampo da eternidade e as poderosas
      Forças da tragédia abastecem-se sobre mim, e me impelem para a treva
      Mas que eu devo resistir, que é preciso…
      Mas que a amo com toda a pureza da minha passada adolescência
      Com toda a violência das antigas horas de contemplação extática
      Num amor cheio de renúncia. Oh, peçam a ela
      Que me perdoe, ao seu triste e inconstante amigo
      A quem foi dado se perder de amor pelo seu semelhante
      A quem foi dado se perder de amor por uma pequena casa
      Por um jardim de frente, por uma menininha de vermelho
      A quem foi dado se perder de amor pelo direito
      De todos terem um pequena casa, um jardim de frente
      E uma menininha de vermelho; e se perdendo
      Ser-lhe doce perder-se…
      Por isso convençam a ela, expliquem-lhe que é terrível
      Peçam-lhe de joelhos que não me esqueça, que me ame
      Que me espere, porque sou seu, apenas seu; mas que agora
      É mais forte do que eu, não posso ir
      Não é possível
      Me é totalmente impossível
      Não pode ser não
      É impossível
      Não posso.

      há ± 1 hora · Editado · Curtir · 1
    • Maria Lucia Andrade Pinto Grata, Maisa Paranhos!Uma beleza essa poesia do Vinicius, que eu nem conhecia! Mais uma vez vc me apresenta a uma bela poesia. Mais uma vez , considero-a imprescindível: tanto a sua amizade como a poesia que vc traz!
       

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