Vinícius de Morais é da época dos gênios generosos……. by Edú Franco

20 out

twitter022_Doogle em homenagem ao centenário de Vinicius de Moraes

Vinícius de Morais é da época dos gênios generosos, época em que a realização era um prazer que incluía o outro, o contrário da vaidade exacerbada do individualismo contemporâneo, muitos parceiros de Vinícius, segundo a lenda, constam na parceria por estarem presentes no momento e local da criação .De uma geração de gênios incomparáveis que conquistaram o mundo sem nada querer além de se juntarem em uma sala para beber e cantar, Vinícius centralizou, sem querer, um núcleo criativo em que todos contribuíam para a criação de verdadeiros clássicos da música mundial num ambiente em que o que menos importava era a projeção pessoal deste ou daquele, importava aquilo que podia ser estendido ao outro, compartilhado, esse era o conceito de parceria de Vinícius, a parceria da vida, da condição humana, por essa compaixão ele estendia a sua teia de afeto que possibilitava a alguém que estivesse na mesa virar parceiro sem ter escrito um verso sequer. Algo impensável hoje em um mundo de artistas mínimos com egos máximos, gente que assobia, chupa cana, é empresária, modelo, atriz, apresentadora e o que render mais a vaidade e o vil metal, gente obcecada por ostentação, fama, grana, adulação, preocupados o tempo todo com quem vai abrir o show para quem e outras coisas tão importantes do ofício artístico.

Vinícius é a antípoda desse mundo, seu prazer era a partilha, em nome da parceria humana um letrista genial como Chico ou Jobim abriam mão de fazer a letra para fazer uma parceria, um compositor desconhecido como João Bosco podia sonhar com o parceiro mais prestigiado do país, não havia essa roda viva de vaidades e fortunas entre esses gênios, quando penso nos dias atuais, na hipocrisia que permeia tudo, num idiota invejoso como Lobão que impossibilitado pelo seu talento medíocre de fazer sucesso além do quarteirão de Ipanema dedica a sua vida a tentar ofender alguém para se auto-promover, fico pensando num velho bordão desse poeta generoso “Se todos fossem iguais a você”.Na prática artística hoje há uma dificuldade absurda da criação e produção dos trabalhos, sobra pretensão e falta humildade, espírito de grupo, impera a régua das vaidades, por isso Chico disse no filme que não via em que lugar Vinícius estaria hoje, em um mundo em que tudo o que o poetinha abominava se tornou a razão de viver dos candidatos ao ofício da criação artística.Saravá Vininha, meu guru, meu amigo e parceiro imaginário.

Por Edú Franco-músico e jornalista

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