Archive | novembro, 2013

BRASIL ENTRA EM CAMINHO SEM VOLTA: QUE PARIS TENHA MUITOS APÊS CHARMOSOS PARA ACOLHER A TODOS OS OMISSOS

29 nov

Recebo diariamente comentários carregados de ódio contra José Genoíno, que me abstenho de publicar até por vergonha de seu teor, vergonha pelo desequilíbrio e o descontrole dos remetentes. A falta de discernimento, querendo atribuir a este homem combativo todos os males do país. Daí que a prisão não basta. É preciso a morte. A imolação final. A cruz.

É preciso a volta das torturas. Da ditadura. Este, o subtexto das tantas mensagens enviadas.

A que ponto essa mídia manipuladora, essa pseudo esquerda democrática, esse suposto “centrão” levaram o nosso país!

A que abismo a omissão daqueles que poderiam se posicionar, protestar e agir, está levando a nossa Nação.

A quanto estamos chegando com o silêncio dos nossos formadores de opinião influentes, nossos artistas politicamente conscientes e articulados. Os intelectuais, pensadores, jornalistas de porte.

São tão poucos os que ousam falar, se manifestar. Um, dois, três, quatro ou cinco. A pasmaceira, a imobilidade, o acomodamento prevalecem. O Brasil que pensa e raciocina está congelado, em estado de letargia.

Os com bagagem intelectual, política, de memória, conhecimento histórico e político para se manifestar se calam. Certamente envelhecidos, provavelmente acomodados, talvez acovardados, quem sabe desesperançados.

Os jovens de nada sabem. Não viveram a História recente do país. Não lhes deram a chance de saber. Lhes sonegaram o conhecimento nas escolas sobre os fatos. O patriotismo caiu em desuso. Os sonhos globalizaram. Soberania virou palavra empoeirada que se encontra no sótão – se é que ainda existe sótão -, dentro de algum baú – se é que há baú -, no interior de um papel amarelado, se houver ainda alguma folha de papel sobrevivente nessa era digital.

Os velhos sábios não falam. Se calam. Voam para Nova York, refugiam-se em Paris. Precisamos dos velhos, imploramos aos velhos. Falem, reajam!

Não é questão mais de uma posição partidária, trata-se de uma postura de Soberania brasileira, de Pátria, de Estado de Direito.

Triste ver crescer sobre nosso Céu, nossos tetos, nossa alma, nossos ambientes, nossa consciência, a mancha escura da obtusidade, do receio da livre manifestação, do silêncio, do embrutecimento coletivo. Do medo.

Quando eu me vejo, aqui, escolhendo palavras para não resvalar num erro, num equívoco, num excesso que me possa custar a liberdade ou que me valha antipatias graves, retaliações, sinto a gravidade do momento que estamos vivendo.

Quando uma única cidadã de bem não respira a liberdade, a Pátria não está mais livre.

Quem permitiu, por omissão, inoperância, ambições e conveniências políticas que o Brasil caminhasse para trás, chegando a tal retrocesso de consciência, a ponto de apagar os méritos de sua própria História e ao extremo de aclamar a vilania de seus opressores, ainda vai se arrepender demais. Pagará alto preço por isso. Estamos entrando num caminho sem volta. E que Paris tenha muitos apartamentos charmosos para acolher a todos os valorosos omissos.

Perdoai-os, Senhor, por sua omissão!

Hildegard Angel

conta no opera078

Declaro-me em guerra by Eduardo Guimarães

29 nov

Declaro-me em guerra. Essa gente passou dos limites. É muita indignidade. É muita mentira. É muita distorção dos fatos. Imagine o que os tucanos fariam se voltassem ao poder. Tudo bem, eles controlam a TV e podem colocar aquele cretino do Bonner para tripudiar em lugar dos patrões sobre a injustiça que praticam, mas eles vão perder a eleição. Esse é o troco.

E nem será dado como troco, mas como medida saneadora. O PSDB não vai vender o Brasil de novo. Vou trabalhar cada segundo da campanha do ano que vem para impedir que essa farsa imunda seja coroada, que os farsantes sejam premiados.

E exorto você, companheiro que pensa como eu, a vir comigo – ou só, se preferir. Mas vamos pra cima. A direita não tem uma militância igual. Só não podemos nos deixar abater. Só não podemos nos encolher. Sou de classe média, vivo a 500 metros da avenida Paulista. Vivo no coração da elite racista, corrupta e degenerada que infecta e infelicita este país desde sempre. Mas não me encolho.

Começam a falar suas merdas, podem ser 10 contra e só eu a favor que direi o que penso. Faço isso desde 1989, quando fizeram sujeira igual contra o mesmo de hoje. A Globo forjava e mentia e debochava contra o PT há meio século e continua fazendo a mesma coisa hoje.

Mas sempre disse para mim mesmo: se esse projeto chegar ao poder, o Brasil muda. Foi um quarto de século lutando, comprando inimizades, discutindo com parentes, amigos, colegas do setor profissional, até clientes. Nunca abri mão de minhas convicções. Acredito no projeto de país em curso. Não dá pra fazer tudo, é um governo de coalizão, mas quem não enxerga os avanços imensos deste país, é cego, surdo e burro. Ou mentiroso.

Eduardo Guimarães-Blog da Cidadania

O protagonismo maior do poder judiciário no Brasil by Cristiana Castro

28 nov
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No Brasil, tenho a convicção de que esse protagonismo maior do poder judiciário, para o bem ou para o mal, veio para ficar. É algo definitivo”, 

“ o século 19 pertenceu ao poder legislativo. O século 20, do Executivo. Agora, chegou-se ao século do Judiciário, o da luta pelos direitos gerais, seja através da ação política ou da Justiça. Daí a importância do poder judiciário na concretização desses direitos do homem.”

Muito preocupante, mesmo; sobretudo, vindo da única voz sensata da Corte. É, claro que, com relação ao receptor, cada um decodifica as mensagens em função de seus próprios valores, anseios e/ou percepções, portanto, o texto em destaque pode significar tanto uma simples constatação do momento quanto um alerta. Mas o inverso tb é verdadeiro e, dependendo de quem emite a mensagem, o peso do conteúdo ganha contornos distintos. A mesma declaração vinda de MAM ou GM, soaria como simples provocação; vinda de JB, campanha política; de Fux… Bem… aí é Fux… não conta…

O problema é que vinda do Ministro Ricardo Lewandowski, não dá para desconsiderarmos; o que significa, a meu ver, que temos um problemão… O protagonismo numa democracia, deveria ser da sociedade, através de seus representantes ELEITOS e, até onde eu me lembre não elegi nenhum membro do Poder Judiciário de instância nenhuma para me representar.

A defesa do Estado Democrático, pressupõe a defesa, inclusive, da independência do Poder Judiciário e, foi nesse sentido que os próprios réus da AP 470, orientaram a militância a debater posicionamentos mas não atacar a Instituição, na medida em que não há que se falar em democracia sem judiciário ou com um judiciário inoperante.

Até aqui, normal… mas, caso haja a possibilidade do protagonismo de um dos Poderes, ou seja, a quebra do pacto de harmonia e independência, entre os três, seguramente, não será o judiciário que assumirá o protagonismo político a menos que se aceite como natural a exclusão da sociedade do processo político.

Mais uma vez, faço minhas as palavras do professor Adriano Pilatti, no Ato em defesa de José Dirceu, promovido pela CUT/RJ, no auditório da ABI. “ Eu nasci e fui criado numa ditadura e não vou morrer em outra.” Eu tb não vou e não quero isso para minhas filhas. Portanto, na luta pelo Estado de Direito, defenderei os três poderes mas caso um deles, seja destacado para ofuscar os demais, o judiciário será o último a contar com o meu fuzil.

A boa notícia é que, pelo menos, o próximo comandante do exército adversário não é um louco furioso como o atual que, a cada dia, vai ficando mais evidente, foi destacado, APENAS para comandar a “invasão” . A ocupação, portanto ficará a cargo de um comando de perfil mais colonizador do que explorador. É… e essa é a “boa” notícia… Pelo jeito, nossas lideranças não são presos políticos e sim, prisioneiros de guerra.

Eu não sei mais o que pensar.

Cristiana Castro

Um pedido aos meus amigos do Face by Sergio Ricardo

28 nov

Estou convicto de que existem apenas dois caminhos na trilha da humanidade, dos quais não se pode escapar. O da direita, que já atingiu o seu objetivo há muito tempo, conquistou o domínio do mundo e provou que está prestes a explodir o planeta se for o caso, pouco se importando com o destino do ser humano do qual suga seu combustível existencial para tocar a sua nave, caso o tentem desmantelar, e o da esquerda, que é exatamente o contrário: caminha com seu objetivo no sentido de reaver o direito de cada cidadão, afastando os equívocos assumidos pelo caminho da ambição desenfreada, que permeou o processo do adversário, a ver se restabelece a harmonia entre os seres que estão definhando em progressão exagerada no mundo todo.

Em alguns países onde a esquerda conseguiu vencer o poder da direita, os seres se emanciparam e só não conseguiram ainda convencer totalmente os povos dominados pela direita porque tapam o sol com a peneira da informação, constantemente em conflito beligerante com o inimigo, com exceção da China, Uruguai e alguns outros, que deixam bastante claras as conquistas adquiridas. Até aqui estou chovendo no molhado, porque este é o quadro crítico com que a humanidade se defronta no momento.

As tergiversações ideológicas, filosóficas, teológicas etc. que se arvoram a ditar posturas ou comportamentos, apenas operam seus milagres nos atalhos dos dois caminhos, confundindo ou elucidando conforme a dialética em seus detalhes doutrinários. Em síntese, a direita caminha para a destruição do homem e a esquerda na direção de sua salvação.

Aquele que não quer se imiscuir ou saber se está de um lado ou do outro, por razões óbvias, está fazendo o jogo da direita, porque é útil a ela. Mesmo sem saber, como é o caso da grande parte do povo que engole o glamour e a tapeação que lhe são enfiados goela abaixo, e que sem se dar conta, tomam uma posição contrária à que condiz com sua própria realidade.

São até os inimigos mais contraditórios e, infelizmente, mais contundentes do caminho da esquerda. Em nosso país, a esquerda, por sua vez, subdividida entre facções, não consegue sedimentar seu propósito, por conta dos rachas entre ou dentro dos partidos, dificultando e, vez por outra, impedindo sua caminhada, vítima das contradições nascentes de desentendimentos latentes nos seres humanos.

Basta uma centelha para virar um incêndio de proporções absurdas na voz do inimigo que imediatamente o propaga atingindo os incautos e a população, de posse dos mecanismos de comunicação de seu domínio. Mas isto, felizmente ganhou o entendimento das massas, que se por um lado lamenta o racha entre partidos e dentro dos partidos, organicamente intuem a necessidade da consolidação e reestruturação do projeto da esquerda, vindo em socorro de seu processo à praça pública, como uma advertência à nação de que seu avanço é inevitável. Irreversível. A esquerda brasileira está carecendo de uma voz única que junte partidos e povo num só propósito, numa coisa só, para conduzir nosso destino com clareza, e sobrepor-se aos erros humanos, passando-lhes a borracha, não rachas, pois estamos no esboço de um quadro que ainda precisa de retoques finais para que nossas mãos de Portinares e Veroneses venham colori-lo.

Estou dizendo tudo isto, para pedir encarecidamente aos que aceitei, aleatória e democraticamente, como amigos no Face, alguns dos quais possam estar vinculados desta ou daquela forma aos desígnios da direita, que me permitirei o direito e o dever de excluir seus comentários, porque preciso fazer do meu espaço, também um local para as discussões atinentes à evolução política de esquerda afim de ajudar, com meus correligionários, a fortalecer nossa discussão, e não nos machucarmos, ambos os lados, num ringue de luta livre ideológica. Quando for o caso, usem por favor, as mensagens. Valeu!

Sergio Ricardo- músico

Sergio Ricardo

O debate que o PT deveria fazer no seu V Congresso

28 nov

Maurício Thuswohl-Carta Maior

Arquivo

Franklin Martins, Samuel Pinheiro Guimarães, José Viegas e Roberto Amaral defendem reforma política e regulação da mídia eletrônica.

Rio de Janeiro – A realização de uma reforma política que corrija as distorções do sistema eleitoral e partidário brasileiro e a criação de um arcabouço legal para regulamentar a mídia eletrônica no país de forma a impedir a existência de oligopólios. Estes foram apontados como os dois grandes desafios de um eventual segundo mandato da presidenta Dilma Rousseff no debate que reuniu na noite de terça-feira (26), no Clube de Engenharia do Rio de Janeiro, quatro ex-ministros do governo de Luiz Inácio Lula da Silva. O debate “Perspectivas para o Brasil”, organizado pelo Instituto Brasileiro de Estudos Políticos (Ibep), teve a participação dos ex-ministros Franklin Martins (Secretaria de Comunicação), Samuel Pinheiro Guimarães (Secretaria de Assuntos Estratégicos), José Viegas (Defesa) e Roberto Amaral (Ciência e Tecnologia).

Principal elaborador do plano de regulação da mídia finalizado ainda no governo Lula e que atualmente repousa em uma das gavetas do Palácio do Planalto, o jornalista Franklin Martins defendeu que a criação de “um marco regulador para as comunicações eletrônicas” seja uma das principais bandeiras para uma próxima etapa de governo e rebateu as críticas ao projeto:

“Dizer que a regulação é para tirar a liberdade de imprensa é uma bobagem sem tamanho. Todas as democracias do mundo têm regulação nas áreas das comunicações eletrônicas. Os Estados Unidos, por exemplo, regula pelo viés econômico e proíbe a propriedade cruzada. Lá, um mesmo grupo de mídia não pode ter ao mesmo tempo rádio, televisão e jornal em uma mesma cidade ou estado. Não pode, ele tem que escolher entre um deles. Na Europa, eles regulam isso também, tem que ter equilíbrio, respeito à privacidade e uma série de outros elementos”.

Para que a discussão avance, Martins propõe “desideologizar o debate” entre os diversos setores da sociedade: “Se estão preocupados que isso vai ameaçar a liberdade de imprensa, eu proponho o que está na Constituição, nem mais nem menos. Liberdade de imprensa, respeito à fonte, proibição à propriedade cruzada, proibição ao oligopólio, apoio à produção regional e independente, apoio à cultura nacional e regional. Tudo isso está na Constituição, é só pegar aquilo que está lá e fazer valer. Acho que esse é um debate que a sociedade precisa travar, primeiro porque é crucial para a própria sociedade que a informação tenha pluralidade. Precisamos ter regras, porque senão não têm investimentos nem participação. É preciso ter regras para dizer para onde vão as coisas. Se nós não fizermos isso, vencerão os mais fortes, vencerá quem é mais forte no mercado e teremos oligopólios piores do que já temos hoje”, disse.

O embaixador Samuel Pinheiro Guimarães disse que a batalha política em torno de um marco regulatório para as comunicações no Brasil poderá se tornar a mais difícil a ser travada pelo governo petista nos próximos anos: “Nós sabemos do que acontece no presente, assim como nós sabemos da história, prioritariamente através dos meios de comunicação. Eles formam e controlam o imaginário das pessoas. O poder econômico tem uma gigantesca influência sobre as comunicações, porque esse é um ponto central de controle da sociedade. Qualquer governo que mexa nisso sofrerá a fortíssima oposição da articulação do capital. Por isso, é tão difícil fazer a reforma dos meios de comunicação. Não se trata da produção de geladeiras, mas da produção das ideias, do imaginário e das políticas”.

Franklin Martins avalia que ainda não há acumulada força política suficiente para aprovar a regulação das comunicações eletrônicas: “Quem coloca esse assunto na pauta apanha o tempo todo. Só colocará esse assunto na pauta e o levará para frente quem considerar que isso é uma prioridade para o país. Se considerar que é apenas algo ‘interessante’, é certo que não sairá do papel”, disse. O ex-ministro, no entanto, acredita que a sociedade, mais cedo ou mais tarde, será ganha para essa reforma: “As manifestações de junho demonstraram uma insatisfação monumental com o oligopólio existente nos meios de comunicação. Nós precisamos de mudança nessa área não para coibir, censurar ou asfixiar. Mas, para multiplicar, para florescer, para não deixar que poucos controlem uma área tão vital”.

Constituinte

Outra prioridade de um eventual segundo governo Dilma, segundo os ex-ministros de Lula, é a reforma política: “É indispensável. Se não fizer, não tem jeito. Nós temos uma situação muito esdrúxula no Brasil. Temos um sistema político absolutamente eficaz, transparente e público apenas nas eleições majoritárias. Depois que a Constituição aperfeiçoou e fez os dois turnos, o povo escolhe e tem o que escolheu. As alianças para o segundo turno são feitas mais pelos eleitores do que pelos partidos. Já na eleição proporcional é o contrário. Nós temos uma eleição que não significa absolutamente nada. O povo vota em um candidato e elege outro, vota em um partido e a maioria é dada para outro. Isso porque esse sistema tornou o deputado o dono do mandato. Ou melhor, quem financia o deputado é o dono do mandato”, disse Martins.

Martins chama a atenção para o fato de que até dez anos atrás toda a grande imprensa falava na necessidade da reforma política, mas que essa necessidade foi “esquecida” hoje em dia pelos grupos que controlam a mídia no Brasil:

“Interessam às forças conservadoras do Brasil você ter uma representação política que funcione como um freio à maioria que o povo definiu nas eleições majoritárias. As manifestações de rua passaram que quem manda na política é o dinheiro, não é o cidadão. A Dilma deu uma resposta para isso com a proposta do plebiscito e da Constituinte, mas a reação de todo mundo foi dizer: peraí, a Dilma tá maluca, vamos continuar conversando. Já se passaram meses, e o que dependia do Executivo avançou, mas o Congresso sentou em cima do que dependia dele. Se depender do Congresso, do poder econômico, da mídia e da oposição, não haverá reforma política nunca. Eu espero que a Dilma defenda claramente durante a campanha pela reeleição a necessidade de se convocar uma Constituinte para fazer a reforma política”.

Samuel Pinheiro Guimarães afirmou que a reforma política é crucial para o desenvolvimento do Brasil: “O desenvolvimento político significa uma participação cada vez maior, mais ampla e mais intensa da população, tanto no processo de eleição dos seus representantes quanto no processo de elaboração das políticas públicas. Isso que é democracia. É preciso diminuir a influência do poder econômico sobre os candidatos, o processo eleitoral e a execução das políticas. E também nos três planos do Poder de Estado, já que no Brasil é muito grande a influência do poder econômico no Executivo, no Legislativo e no Judiciário”, disse.

Desenvolvimento

Guimarães fez ainda um alerta para que o governo não caia no discurso de defesa da educação como bandeira única, o que, segundo ele, seria reducionismo: “Achar que a educação vai resolver todos os problemas da sociedade brasileira é um grave equívoco. A educação substitui no imaginário das pessoas as verdadeiras soluções para os problemas brasileiros, como as reformas agrária, urbana e tributária. Esta última deveria ter o objetivo de evitar a evasão de tributos, que é extraordinária no Brasil. Algo que leva, por exemplo, a existir nos paraísos fiscais US$ 530 bilhões de proprietários brasileiros”, disse. Como principais desafios a serem enfrentados nos próximos anos, o ex-ministro cita a redução da concentração da propriedade e da renda, a diminuição do controle das multinacionais sobre o setor industrial e o combate às desigualdades sociais: “Principalmente a desigualdade de gênero, e a desigualdade de origem étnica, ambas associadas à desigualdade de renda”.

O embaixador criticou ainda as “políticas econômicas que restringem e dificultam o crescimento econômico”, como a representada pelo chamado tripé, composto por metas de inflação, câmbio flutuante e superávit primário nas contas públicas: “Esse tripé favorece a concentração da renda e da propriedade e dificulta a redução das desigualdades sociais. A política econômica deveria ser voltada para o desenvolvimento, e não para o equilíbrio financeiro”, opinou Guimarães, antes de provocar o riso da platéia: “O Plano de Metas de Juscelino Kubitscheck, que transformou o país, jamais seria aprovado hoje pelo Copom (Comitê de Política Monetária)”.

O também diplomata José Viegas, que ouviu mais do que falou durante o debate, lembrou que a era neoliberal inaugurada na época de Margareth Thatcher e Ronald Reagan arrasou as menores economias nacionais, e que seus efeitos são perceptíveis ainda hoje: “Nosso tamanho nos tem permitido sobreviver nesse mundo, mas o Brasil está sofrendo um processo de desindustrialização. Em 2012, isso era ainda uma interrogação, mas em 2013 já é uma afirmação. A resolução desse problema é extremamente difícil e requer ajustar alguns parafusos soltos, como as taxas de desperdício muito fortes e o baixo controle sobre a execução dos serviços. Nossa telefonia celular, para citar um exemplo, é horrível e é a mais cara do mundo”, disse o ex-ministro de Lula.

Presidente do Ibep e único integrante do PSB a compor a mesa, Roberto Amaral manteve silêncio diplomático em face de um debate que acabou focado nos desafios de um eventual segundo mandato de Dilma. Amaral, que apoiará Eduardo Campos nas eleições do ano que vem, se limitou a mediar o debate, mas não deixou de celebrar o sucesso do instituto, que foi criado em maio de 2012 e reúne pensadores de diversas tendências da esquerda brasileira. O Ibep produziu o documento “A Crise Mundial, a Defesa do Brasil e a Paz”, que foi distribuído à plateia que lotou o auditório do Clube de Engenharia do Rio: “Esse evento nos dá força para continuar a pensar o Brasil”, disse o socialista.

O caso do HeliPÓptero:.Piloto de helicóptero com cocaína era homem ‘de confiança’ de Perrella, diz advogado

28 nov
Defensor de Rogério Antunes afirma que pretende pedir quebra do sigilo telefônico de seu cliente para provar que deu dois telefonemas para deputado do PSDB mineiro antes de voar
por Redação RBA publicado 27/11/2013 20:14
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Perrella estaria tentando empurrar o problema para o piloto, segundo advogado que o defende

São Paulo – Em entrevista ao blogue Viomundo, o advogado do piloto Rogério Almeida Antunes, Nicácio Pedro Tiradentes, afirmou que o deputado estadual Gustavo Perrella (Solidariedade-MG) mentiu ao dizer que o piloto roubou o helicóptero apreendido em uma fazenda no município de Afonso Cláudio, Espírito Santo, com mais de 400 quilos de cocaína.

Segundo o advogado, o piloto era homem “de confiança” do deputado, filho do senador e ex-presidente do Cruzeiro, Zezé Perrella (PDT-MG), “não fez nada sem autorização” e teria dado dois telefonemas para Gustavo Perrella antes de levar a carga. Para provar isso, ele disse que pretende pedir a quebra do sigilo telefônico do seu cliente. “Deu duas ligações [para o deputado]. Aí que mora o perigo.”

Pela versão de Tiradentes, o piloto e o deputado acreditavam que o voo carregava implementos agrícolas. Ele acusou o parlamentar do Solidariedade de “empurrar o pepino” para o piloto. “O deputado não poderia enlamear o menos favorecido pela sorte”, disse Nicácio Tiradentes. O advogado também declarou que a fazenda para onde o helicóptero voava para levar a carga era de propriedade de Zezé Perrella.

Enigmático, o advogado de Gustavo insinuou a suposta intenção de livrar uma pessoa “de posses” que acompanhava o voo, mas não identificou quem seria. Ele teria um encontro marcado com essa pessoa hoje, para obter novas informações.

Junto com o piloto, foram presos o co-piloto Alexandre José de Oliveira Júnior, de 26 anos, o comerciante Róbson Ferreira Dias, de 56, e Everaldo Lopes de Souza, de 37.

Nicácio Tiradentes informou que pretende entrar nas próximas horas com habeas corpus para tirar o piloto da cadeia.

De acordo com o jornal O Estado de Minas, o piloto era “agente de serviço de gabinete da Assembleia Legislativa de Minas Gerais”, tinha salário de R$ 1,7 mil e estaria lotado desde abril de 2013 na 3ª Secretaria da casa, cuja presidência é do deputado Alencar da Silveira Júnior (PDT). O parlamentar prometeu demitir Antunes.

Globo manipula noticiário sobre denúncias envolvendo tucanos

28 nov
por Helena Sthephanowitz -RBA 27/11/2013 
 
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Jornal Nacional da TV Globo de terça-feira (26) teve uma, digamos assim, recaída na edição de um debate político que se deu em duas entrevistas coletivas diferentes.

De um lado, o senador Aécio Neves e a cúpula do PSDB convocaram repórteres para acusar o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, de fazer dossiês políticos contra adversários, por causa do aparecimento de nomes de altos tucanos paulistas como supostos beneficiários do esquema de propinas por licitações combinadas do Metrô e da CPTM. O esquema foi confessado por executivos de multinacionais como Siemens e Alstom, escândalo que ganhou o apelido de “trensalão”.

Do outro lado, o ministro Cardozo também convocou a imprensa, mas para rebater as acusações feitas por Aécio. Ao seu lado estavam o diretor-geral da Polícia Federal, Leandro Daiello, e o presidente do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), Vinicius Marques de Carvalho.

Pois o telejornal da Globo selecionou “os melhores momentos” de Aécio, e os “piores momentos” de Cardozo. Na edição que foi ar, as críticas mais contundentes de Aécio foram as escolhidas para serem levadas ao público. Já a declaração mais contundente de Cardozo, em que ele disse “… a época dos engavetadores gerais de denúncias já acabou no Brasil há alguns anos. E eu me recuso a ser um engavetor geral de denúncias” foi suprimida peloJornal Nacional, que mostrou apenas as partes mais insossas do que foi dito pelo ministro.

Citamos recaída, porque existe precedentes que vêm, por exemplo, do episódio já fartamente conhecido e admitido da edição do debate nas eleições presidenciais de 1989, entre Lula e Collor em que a emissora manipulou as imagens e contribuiu decisivamente para a eleição deste último.

Na mesma edição de terça-feira, outra estranheza: não foi noticiada a apreensão de 450 quilos de cocaína em um helicóptero da empresa do deputado estadual Gustavo Perrella (SDD-MG), filho do senador Zezé Perrella (PDT-MG). Afinal não é todo dia que se vê um helicóptero da família de um senador ser flagrado pela polícia com carga tão exótica.

A TV Record correu atrás da notícia, entrevistou o advogado do piloto Rogério Almeida Antunes que, preso, contradisse a versão do deputado de que a aeronave teria sido usada sem seu conhecimento. O piloto afirmou que fez duas ligações para Gustavo Perrella e foi autorizado a transportar a carga, oferecendo o sigilo telefônico como prova. Alega porém ter sido informado que seriam implementos agrícolas e que o deputado também não sabia tratar-se de drogas.

Os problemas do deputado Perrella não se resumem ao incidente. Descobriu-se que o piloto foi nomeado para um cargo na Assembleia Legislativa mineira. Segundo o que disse o advogado, seu cliente era um funcionário fantasma no serviço público, pois não comparecia ao trabalho no Legislativo, ficando à disposição da empresa Limeira Agropecuária, de propriedade do deputado, como piloto. Gustavo Perrella confirmou a nomeação dizendo que o havia demitido na segunda-feira.

Não se sabe dos bastidores que levaram a Globo a esconder uma notícia que, se envolvesse integrantes do PT, por exemplo, dificilmente deixaria de noticiar. O que se sabe é que o senador Zezé Perrella é do grupo político do senador do PSDB Aécio Neves. Chegou ao senado como suplente de Itamar Franco, eleito com apoio do tucano nas eleições de 2010.

Zezé Perrella foi presidente do Cruzeiro Esporte Clube e ainda é influente entre os atuais cartolas do time. A TV Globo mantém negócios regulares com o Cruzeiro pelos direitos de transmissão dos jogos de futebol – interesses ampliados agora que o time mineiro disputará a Copa Libertadores no ano que vem.

Voltando a falar em recaídas, lembremos que a emissora também blindou durante muito tempo o ex-presidente da CBF Ricardo Teixeira contra denúncias de corrupção em sua gestão. Em entrevista à revista Piauí, Teixeira disse que chegou a retaliar a Globo, mudando o horário de jogos da Seleção Brasileira para atrapalhar a grade de programação, quando a emissora divulgava notícias contra ele.

Enfim, a emissora dos Marinho acrescenta mais um item à coleção de fatos a explicar à opinião pública e sobre que justificativas encontra para omitir informações relevantes sobre políticos com os quais mantém relações.

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