Carta a um ex-amigo do face,pelos catolés da guariroba by Sergio Ricardo

3 jan

Cumpade véio

Outro dia recebi a mensagem de sua saída do meu rol de amigos no face, com um recado sem chance de resposta, dizendo que abandonava o barco porque não concordava com minha defesa dos mensaleiros presos. Que lamentavelmente, era meu admirador como guerreiro no passado, mas que agora me transformara na caricatura do que fora, por defender o indefensável. Por isso se retirava. Como tenho 5.000 amigos, não me senti desfalcado, nem me ressenti. Seu lugar foi preenchido por novo amigo na fila de espera. A bronca é livre. Mas fiquei a pensar naqueles amigos que manifestaram sua opinião sobre o tema, e que mesmo os discordantes mais radicais permaneciam meus amigos, cada qual com sua convicção, admitindo a dialética das postulações. Fiquei emocionado por ter plantado a minha arvorezinha numa floresta frondosa, com direito a galhos e folhas e a liberdade de me espalhar ou me fundir às desigualdades urdidas pela própria natureza dessa diversidade a preencher a infinita variedade de sabores, ou saberes de seus frutos.

Infelizmente minha memória já não fixa nomes ou números. Mas me permite reter o conteúdo, os fatos – privilégio de discutir certos assuntos. Mas a razão e os sentimentos permanecem os mesmos. A experiência me permite vôos com autocrítica, policiando-me a todo instante para não cair na esparrela da caduquice, muito comum aos que chegam à minha idade. Longe da perfeição, continuo cometendo erros, pois a cada momento, os vejo mais presentes em todas as mentes, e dou graças por não ser dono da verdade, porque a vida seria uma chatice. Imagine a infelicidade daquele que julga não ter mais nada a corrigir dentro de si, tendo que transitar pelos erros da humanidade. Tenho lá meus pecados, como qualquer cidadão errático e me permito arrependimentos e os debito na conta da consciência, que vive de vassoura em punho, pra que o amor se instale e eu possa varrer os revezes que me rondam, debruçado em minhas convicções. Fico imaginando aquele sujeito que se acha dono da verdade como sendo um tronco de Guariroba, sem a dúvida que o reparta em galhos, e acabe solitário com umas poucas folhas no topo. Convicto se agiganta a dançar ao vento, com as palmas por sobre frutos miúdos em cachos de catolés, que ao amadurecerem despencam servindo de alimento para o gado.

Pertenço a uma espécie de árvores fartas de galhos de nossas dúvidas. Só que neles também penduram-se balanços, para a liberdade de opiniões alçar suas idas e vindas a se reciclar. Um feliz 14, cumpade véio.

PS – Embora não tenha memória para nomes, sou bom fisionomista. Pena que você optou por sua caricatura em lugar da foto usual. Não terei nem chance de reconhece-lo se nos cruzarmos por aí. Não será por esnobação, fique seguro. Que o gado se farte com seus catolés.

abraço do ex-amigo
Sergio Ricardo

Cooler é composto pela ventuinha e dissipador de calo097

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