Pessoa Palavra by Sergio Ricardo

8 jan

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Mas rapaz, que coisa mais estranha, as pessoas!

São tantas e tão diferentes que chega a sei lá.

São feito palavras, diferentes umas das outras, que se juntam a contar tantas histórias, poemas, traições, guerras, cantigas, promessas, impropérios e comédias, mentiras, insultos e tantas lorotas entre aquelas que se conjugam ou se chocam, se rimam ou se repetem ou se rechaça, se agridem ou se apagam.

Minha nossa, quantas infinitas vezes já se passou a borracha em pessoas que escreviam a vida!

Quantas palavras apagadas desse dicionário infinito que diziam coisas tão possíveis, humanas, belas, pérolas semânticas, palavras que não cessavam de compor novas feições, numa criatividade tal, que não se sabia mais se gente ou palavras, dizendo-se a varrer utopias e a caminhar para o absurdo de uma chegança não se sabe aonde! 

Volta e meia surge um sujeito de frase que se repete, a tal ponto que chega à síntese, mas que se desintegra na multiplicidade de controvérsias ou é imposto por outro termo, como se sem isto não se completassem parágrafos.

Um delírio de junções e procura de rimas como a se buscar e a se fundir numa só palavra em neologismos melodramáticos ou guerreiros, em cruzamentos de tendências e credos, conceitos e comportamentos de linguagem, comadre, que não há ponto final que resolva.

É vírgula atrás de vírgula, numa sentença cujo sentido se tergiversa, se transforma, vai se metamorfoseando e se multiplicando em seu avesso, retoma uma certa lógica e o processo descamba voltando ao início da frase, e tudo se confunde, ou se aclara dali a pouco, e assim vai.

Só encontra o ponto final na morte de uma palavra, ou de uma multidão de palavras. Há quem diga que é ponto final. Haverá ponto final, pergunto. Daí pra diante não entro no papo porque não sei de ninguém nem palavra com a procuração do que vem depois do ponto final. 

Acho graça de quem se diz conhecedor de todas as palavras. É assim, aliás, uma carrada de pessoas. Pessoas!!! Ninguém sabe tudo sobre nada. Sequer sobre si mesmo. Há quem saiba muito. Mas desse muito a tudo sobre o assunto, gira o infinito, onde o certo pode estar errado, o sim virar não e por aí a fora. 

Agora vamos ser sinceros. Imagine o contrário. Tudo igualzinho. Pensamento, fisionomia, e todo o blábláblá do resto, que chato não seria! Por isso, meu amor, pare de me dizer como eu deveria ser. Seja você a bela palavra que é, que eu vou continuar sendo esse vocábulo mesmo. O resto é com o verbo que conseguirmos conjugar. Um beijo.

Sergio Ricardo

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https://www.facebook.com/pages/Sergio-Ricardo/112082295548027?ref=hl

http://www.sergioricardo.com/

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