O PSDB e a barbárie nos EUA e Europa by Altamiro Borges

19 jan

O jornal francês Le Monde publicou neste sábado (18) um denso artigo sobre a brutal regressão social nos EUA e na Europa. Assinado por Alan Frachon, o texto tem um título emblemático: “Capitalismo retorna aos anos 1920”. Nesta semana, outros veículos também noticiaram o aumento da miséria e do desemprego no mundo. Já o renomado intelectual Noam Chomsky advertiu que a barbárie impera nos EUA em decorrência das políticas de choque impostas pela oligarquia financeira. Mesmo com estes dados aterrorizantes, os tucanos nativos insistem em defender o mesmo receituário neoliberal que devasta a Europa e os EUA e pregam o retorno à era destrutiva de FHC, com a candidatura cambaleante de Aécio Neves.

No artigo do Le Monde, Alan Frachon faz uma “triste constatação”: “Os Estados Unidos se tornaram uma sociedade corroída pela desigualdade de renda. A da imensa classe média não aumenta há mais de 30 anos, e somente cerca de 10% da população recebe a maior parte dos frutos do crescimento”. Ainda segundo o autor, a “grave patologia” também se manifesta em outras nações capitalistas. “A maior parte das economias ocidentais vem passando por um crescimento vertiginoso da desigualdade de renda”. Frachon evita criticar a chamada “globalização” neoliberal, comandada pela oligarquia financeira, e até responsabiliza os “países emergentes”, que cresceram no vácuo da crise dos impérios capitalistas.

Mesmo assim, a sua conclusão é de que o modelo seguido pelos chamados países desenvolvidos representa um grave retrocesso e pode levar o sistema capitalista ao caos, como na grande depressão de 1929. “A participação dos salários no PIB não parou de diminuir em 30 anos, período durante o qual a classe média só conseguiu manter seu nível de vida se endividando. No topo não há crise, e sim concentração de fortuna. Em 2012, os 10% mais ricos dos americanos teriam dividido entre si quase metade da renda nacional, e os do famoso 1% da pirâmide, cerca de 22%. São números sem precedentes, salvo o ano de 1928, e que alteram profundamente o perfil social dos Estados Unidos”.

Chomsky fala em “pura selvageria”
Com uma visão mais crítica e anticapitalista, o renomado intelectual Noam Chomsky resumiu nesta semana a trágica situação dos EUA em apenas duas palavras: “Pura selvageria”. Em entrevista a Jacob Chamberlain, ele criticou o intento do Congresso ianque de promover cortes no seguro-desemprego e no programa de vale-refeição. “A recusa de proporcionar um padrão de vida mínimo às pessoas que vivem nessa monstruosidade é pura selvageria. Não há outro jeito de dizer”, afirmou, revelando toda a sua indignação e revolta. O corte no subsídio à alimentação prejudicará mais de 800 mil famílias no país; já a redução do seguro-desemprego emergencial afetará 1,3 milhões de trabalhadores estadunidenses.

Estas medidas regressivas e desumanas visam garantir maior austeridade fiscal, conforme exigência do 1% de ricaços que mandam nos EUA. Para Chomsky, elas revelam a gravidade da regressão social no império. “A desigualdade, agora, está num nível nunca antes visto, pelo menos, desde 1920… ou até mais antigamente. Isso é muito grave… São problemas profundamente estruturais que têm conexão com o assalto neoliberal à população, não só americana, mas mundial, que ocorreu na geração passada”. Para ele, o país é governado por um único partido – “o partido do negócio”, do grande capital, sem maiores diferenças entre os Democratas e os Republicanos.

13 milhões na pobreza no Reino Unido
A “pura selvageria” neoliberal criticada por Chomsky também se manifesta em outras partes do mundo. Segundo reportagem de Marcelo Justo, no sítio Carta Maior, a pobreza já vitima 13 milhões de pessoas no Reino Unido e cresce a procura por bancos de alimentos no império que deu origem ao capitalismo. “Em 2011-2012, 128.697 pessoas recorreram a estes bancos. Em 2012-2013, a cifra quase triplicou: 346.992. Já há mais de 400 bancos de alimentos no país… Com um duro plano de austeridade que está socavando lentamente o Estado de Bem-Estar Social, salários estagnados, explosão do emprego temporário e de meio turno, muitos têm que recorrer aos bancos de alimentos das ONGs no Reino Unido”.

“Há muita gente que come uma vez ao dia ou tem que escolher entre comer e acionar a calefação em pleno inverno”, explicou ao jornalista um diretor da ONG Trussel Trust. Ainda segundo o organismo, “um de cada cinco britânicos se encontram hoje em situação de pobreza relativa ou absoluta. ‘É fácil esquecer que se pode cair muito rápido nesta situação. Uma demissão, uma conta muito alta de eletricidade, uma redução dos benefícios sociais, um drama familiar e essas pessoas ficam sem nada’”. O desemprego hoje atinge 2,5 milhões de britânicos (taxa de 7,7%) e quase um milhão e meio de pessoas tem trabalhos de meio turno e com salários baixíssimos.

Recorde de desemprego na Itália
Já na Itália, a Agência Reuters publicou em dezembro um estudo que revela que “a pobreza chegou ao nível mais elevado em pelo menos 16 anos como resultado da crise econômica que provocou aumento do desemprego e redução do valor dos salários”. A pobreza relativa hoje afeta 12,7% das famílias italianas, conforme o relatório do instituto de estatísticas Istat. “O estudo, um compêndio de dados abrangendo itens como emprego e demografia, assinala que a pobreza se aprofundou em todas as regiões entre 2011 e 2012. A pobreza relativa passou de 4,9 para 6,2% no rico norte da Itália, e de 23,3 para 26,2% no sul, a área mais pobre do país”.

“O relatório apresenta um quadro sombrio do impacto da pior recessão do pós-guerra, com níveis recordes de desemprego, renda arrochada e o declínio dos empregos permanentes e de período integral. ‘Como um dos países mais afetados pela crise, a Itália registrou declínio progressivo nos principais indicadores macroeconômicos e sociais’, diz o ministro do Trabalho e ex-chefe do Istat, Enrico Giovannini, no prefácio do estudo”. O desemprego se encontra no seu maior nível desde o fim dos anos 1970. “A taxa total era de 12,5% em outubro, de acordo com as últimas cifras da Istat, mas alcançava 41,2% entre os jovens”. Mesmo assim, o governo neoliberal da Itália ainda planeja desmontar as leis trabalhistas do país.

A receita regressiva do PSDB
Neste cenário de barbárie capitalista, o cambaleante presidenciável do PSDB, o senador Aécio Neves, ainda insiste em propor austeridade fiscal, com cortes nos gastos sociais, e redução da carga tributária – o mesmo receituário regressivo e destrutivo aplicado nos EUA e na Europa. Alguns dos seus conselheiros também pregam o fim da política de valorização do salário mínimo e a adoção de medidas de redução do crédito. Chegam a afirmar que os altos índices de emprego e a melhora da renda dos assalariados geram “pressões inflacionárias”. Talvez os tucanos sonhem com um Brasil semelhante aos EUA e Europa – paraíso dos banqueiros e inferno dos trabalhadores.

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