Guardian e Channel 4 apresentam novos dados sobre espionagem da NSA

28 jan

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O jornal britânico revelou em sua capa desta sexta-feira que a NSA coletou cerca de 200 milhões de mensagens de texto diárias de todo o planeta.

Londres – A investigação conjunta do jornal The Guardian e do canal britânico Channel 4 não aguardou que o presidente Barack Obama desse sua resposta ao plano de revisão das atividades da NSA, a central de espionagem eletrônica estadunidense. Com uma análise do material fornecido pelo ex-agente da NSA, Edward Snowden, o matutino britânico revelou em sua capa desta sexta-feira que a NSA coletou cerca de 200 milhões de mensagens de texto diárias de todo o planeta, que continham entre outros dados sobre o lugar de emissão da mensagem, a rede de contatos e a informação completa de cartões de crédito.

O programa “Dishfire” da NSA não capta mensagens específicas relacionadas com pessoas sob investigação, mas sim “tudo o que for emitido”. Uma apresentação da agência estadunidense de 2011 intitulada “SMS Text Messages: A Goldmine to Exploit” (Mensagens de texto: uma mina de ouro a ser explorada) revela que em abril deste ano a NSA captou uma média de 194 milhões de mensagens de texto por dia. Um programa adicional, “Prefer”, realizava uma análise automática destas comunicações.

Segundo a investigação do Guardian e do Channel 4, as revelações de Snowden indicam que a NSA obtinha informação sobre mais de um milhão e meio de passagens de fronteira, mais de 110 mil nomes de cartões de negócios eletrônicos e mais de 800 mil transações financeiras. Esta informação era compartilhada com a contraparte da NSA no Reino Unido, o GCHQ, parte da estreita colaboração mantida pelas duas agências de espionagem eletrônica.

Na quinta-feira à noite, o presidente Barack Obama telefonou para o primeiro ministro britânico David Cameron para informá-lo sobre a resposta que daria ao informe do grupo que formou no final do ano passado para rever as atividades da NSA. Segundo a Casa Branca, “ambos os líderes destacaram o intenso diálogo que houve entre Estados Unidos e Reino Unido sobre esta matéria em todos os níveis”.

Este diálogo de ambos os países “em todos os níveis” está no coração das denúncias que Edward Snowden começou a fazer em junho do ano passado e que colocaram Estados Unidos e Reino Unido no banco dos réus sob a acusação de invasão de privacidade de cidadãos de todo o mundo, espionagem de governos amigos e a criação de um monstruoso “Big Brother” internacional que supera em muito o imaginado na novel “1984” pelo autor do conceito, o escritor britânico George Orwell.

Em uma tentativa de se contrapor a estas acusações, a NSA negou ao Guardian que a agência tivesse recolhido material de “maneira arbitrária” e afirmou que se trabalho se concentrava em “objetivos estrangeiros válidos” para a segurança, submetidos a estritos limites legais. O GCHQ se pronunciou no mesmo sentido. “Nunca comentamos com a imprensa sobre nossas atividades, mas podemos assegurar que todo nosso trabalho é feito com um estrito apego à lei”, disse a agência britânica.

Essa não é a opinião de uma das telefônicas consultadas pelo Guardian. “A lei protege o direito à privacidade de nossos clientes e não acreditamos que neste caso esse direito esteja sendo protegido”, disse ao Channel 4 o diretor do Departamento Legal sobre Privacidade de Vodaphone.

Google, Facebook e as grandes multinacionais telefônicas ficaram enredadas na polêmica por denúncias de que facilitaram às agências o acesso aos dados de seus usuários. O próprio parlamento europeu está investigando as atividades da NSA e do GCHQ e terá um testemunho vital nas próximas semanas Edward Snowden terá uma conferência por vídeo com o comitê investigador.

A criação de um painel de revisão das atividades da NSA, dirigido pelo ex-chefe de cyber-segurança, Richard Clarke, foi uma primeira resposta do governo de Obama à polêmica que o tema causou nos Estados Unidos. Nas conclusões que apresentou no dia 18 de dezembro, o painel assinalou que o programa de espionagem da NSA “podia e devia ser reformado” sem que isso colocasse em risco a segurança nacional. A palavra agora está com Barack Obama.  

Tradução: Marco Aurélio Weissheimer – Carta Capital

 

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