Archive | fevereiro, 2014

Estamos nos tornando bárbaros. by Maria Luiza Quaresma Tonelli

28 fev

Estamos vendo na TV, todos os dias, pelo menos uns dois ou três casos de linchamento. Pessoas fazendo justiça com as próprias mãos amarrando pessoas em postes, em árvores, ora jogando-as no chão e espancando até desmaiar.
Violência pura em estádios e nas ruas. A ira tomou conta de muita gente. Ontem em São Paulo duas mulheres foram empurradas nos trilhos do metrô, em diferentes estações. Uma está em estado grave e a outra perdeu um braço.
Mas uma cena me chocou de forma especial. Três jovens que caminhavam à beira de uma estrada, numa cidade de São Paulo, foram atropeladas por uma carreta. Duas moças morreram e o rapaz está em estado grave. A carreta tombou.
A cena chocante foi a do povo quebrando a carroceria da carreta para saquear uma carga de sorvete. Cada pessoa pegava muitas caixas de sorvete, o quanto podia carregar. Isso, logo após o acidente que vitimou os jovens.
Então me pergunto: o que leva as pessoas a não se importar com o que tinha acabado de acontecer, mas em se aproveitar de um acidente para saquear a carga de sorvete? Não se tratava de gente com cara de famintos, de miseráveis, nem de uma carga de alimentos básicos para matar a fome (arroz, feijão, carne, etc.) mas de sorvete.
Como podem, mesmo diante de dois corpos no asfalto, ter feito aquilo? Chegar em casa, abrir o pote e saborear o sorvete como se nada tivesse acontecido? A morte trágica, mesmo de pessoas que não conhecemos, não significa mais nada? 

Tudo isso leva a pensar, mais do que a influência de uma mídia que estimula a violência, que estamos nos desumanizando. Estamos andando para trás, regredindo no processo civilizatório. Estamos nos tornando bárbaros. É algo como o estado de natureza. Não aquele do Rousseau, com o bom selvagem, mas o estado de natureza hobbesiano. O estado da guerra de todos contra todos. 
Desanimador.
Maria Luiza Quaresma Tonelli (filósofa e jornalista )
Maria Luiza Quaresma Tonelli

Mula sem cabeça

27 fev

A figura dominante de 26 de fevereiro de 2014 chama-se Luís Roberto Barroso, ministro do STF. Por obra de seus pronunciamentos na sessão convocada para debater a incorrência em crime de formação de quadrilha pelos réus, o processo do chamado “mensalão” metamorfoseia-se em mula sem cabeça. A argumentação de Barroso foi decisiva para a percepção de que a absolvição resultará da votação final, adiada pelo presidente da Corte, Joaquim Barbosa. É ele, Barbosa, o grande derrotado da sessão, na sua obsessão por penas exorbitantes, segundo Barroso.

A questão decisiva está na seguinte passagem do pronunciamento do ministro: “Considero, com todas as vênias de quem pense diferentemente, que houve uma exacerbação inconsistente das penas aplicadas pelo crime de quadrilha ou bando, com a adoção de critério inteiramente discrepante do princípio da razoabilidade/proporcionalidade”. E mais: “A causa da discrepância foi o impulso de superar, e até de se modificar, o regime inicial de cumprimento das penas”. Conclusão: “As penas fixadas correspondem a uma ou mais condenações por homicídio”.

Com o voto de Barroso pela aceitação do embargo infringente e consequente absolvição dos réus por formação de quadrilha, já somavam cinco, entre 11, os ministros contrários à tese do relator Joaquim Barbosa, que partiu para o ataque ao colega. “Sua decisão é política, não técnica”, trovejou, irritado.

Claras, pelo contrário, são as intenções políticas de Barbosa, como já está largamente provado. Para condenar os envolvidos no “mensalão”, o atual presidente do Supremo construiu a ideia de que um grupo se formara com o objetivo de praticar corrupção. Se a maioria decidir que não houve quadrilha, como ficam as condenações? Com a absolvição por crime de formação de quadrilha, precipita-se uma reviravolta no processo em todos os seus aspectos. Donde, a mula perdeu subitamente a cabeça, para desconforto da mídia e do próprio Joaquim Barbosa.

Carta Capital

Venezuela: um golpe lento em andamento

25 fev

Ignacio Ramonet (*)

Arquivo

Nos últimos meses houve, na Venezuela, quatro eleições decisivas: duas presidenciais, para governadores e municipais. Todas vencidas pelo bloco da Revolução Bolivariana. Nenhum resultado foi impugnado pelas missões internacional de observação eleitoral. A votação mais recente aconteceu há apenas dois meses. E terminou com uma clara vitória – 11,5% de diferença – dos chavistas. Desde que Hugo Chávez assumiu a presidência em 1999, todos os resultados mostram que, sociologicamente, o apoio à Revolução Bolivariana é majoritário.

Na América Latina, Chávez foi o primeiro líder progressista – desde Salvador Allende – a apostar na via democrática para chegar ao poder. Não é possível compreender o que é o chavismo se não se considerar seu caráter profundamente democrático. A aposta de Chávez, ontem, e a de Nicolás Maduro, hoje, é o “socialismo democrático”. Uma democracia não só eleitoral. Também econômica, social, cultural… Em 15 anos, o chavismo conferiu a milhões de pessoas que, por serem pobres, não tinham documentos de identidade, o status de cidadão e permitiu que votassem. Dedicou mais de 42% do orçamento do Estado aos investimentos sociais. Tirou cinco milhões de pessoas da pobreza. Reduziu a mortalidade infantil. Erradicou o analfabetismo. Multiplicou por cinco o número de professores nas escolas públicas (de 65 mil a 350 mil). Criou 11 novas universidades. Concedeu aposentadorias a todos os trabalhadores (mesmo os informais). Isso explica o apoio popular que Chávez sempre teve e as recentes vitórias eleitorais de Nicolás Maduro.

Por que, então, os protestos? Não nos esqueçamos de que a Venezuela chavista –por possuir as maiores reservas mundiais de hidrocarbonetos– sempre foi (e será) objeto de tentativas de desestabilização e de campanhas midiáticas sistematicamente hostis.

Apesar de ter se unido sob a liderança de Henrique Capriles, a oposição perdeu quatro eleições consecutivas. Diante desse fracasso, sua facção mais direitista, ligada aos Estados Unidos e liderada pelo ex-golpista Leopoldo López, aposta agora em um “golpe de Estado lento”. E aplica as técnicas do manual de Gene Sharp  [1].

Na primeira fase: 1) Criar descontentamento ao tirar massivamente produtos de primeira necessidade do mercado; 2) Tornar crédula a “incompetência” do governo; 3) Fomentar manifestações de descontentamento; e 4) Intensificar a perseguição midiática.

Desde 12 de fevereiro, os extremistas entraram na segunda fase, insurrecional: 1) Utilizar o descontentamento de um grupo social (uma minoria de estudantes  [2]) para provocar protestos violentos e prisões; 2) Montar “manifestações de solidariedade” aos detidos; 3) Introduzir atiradores entre os manifestantes com a missão de provocar vítimas de ambos os lados (a análise balística determinou que os disparos que mataram, em 12 de fevereiro, em Caracas, o estudante Bassil Alejandro Dacosta e o chavista Juan Montoya, foram feitos com a mesma arma, uma Glock calibre 9 mm). 4. Intensificar os protestos e seu nível de violência; 5) Aumentar a ofensiva da mídia, com apoio das redes sociais, contra a “repressão” do governo; 6) Conseguir que as ‘grandes instituições humanitárias’ condenem o governo pelo “uso desmedido da violência”; 7. Conseguir que “governos amigos” façam “advertências” às autoridades locais.

E é nesta etapa que estamos.

A democracia venezuelana está, então, ameaçada? Sim, ameaçada, uma vez mais, pelos golpistas de sempre.

*) Diretor do “Le Monde diplomatique” em espanhol. Recentemente publicou “Hugo Chávez, Mi primera vida”.

NOTAS

[1] Gene Sharp, From Dictatorship to Democracy : Conceptual Framework for Liberation, Albert Einstein Institution, Boston, 1993. 

 [2] A uma pesquisa recente, dez mil estudantes entre 15 e 29 anos se declararam satisfeitos com seus estudos (Segunda Pesquisa Nacional da Juventudade, Caracas, 13 de novembro de 2013).

Tradução: Daniella Cambaúva

Vinte imagens do Brasil que a mídia grande não mostra

24 fev

 Existe uma página no Facebook chamada “Já que a mídia não mostra”. Nela são publicas inúmeras fotos e informações das realizações do governo federal que não tiveram o devido destaque na imprensa grande. São universidades, UPA’s, estradas, ferrovias, equipamentos e obras de mobilidade urbana.

 
Esse espaço é a prova de que os resultados sobre emprego (vivemos a menor taxa de desemprego da História!) e renda dos brasileiros do governo da presidenta Dilma não é por acaso.
 
Também faz perceber o porquê de a oposição não ter discurso nem agenda política para o Brasil. E diante dos últimos acontecimentos, nem o discurso moralista.
 
As imagens falam por si.
 
 
 
 
UNIVERSIDADE FEDERAL DO TRIÂNGULO MINEIRO
 
A Universidade Federal do Triângulo Mineiro ou UFTM é uma instituição pública que se localiza na cidade de Uberaba, Minas Gerais. Antes sob o nome de FMTM (Faculdade de Medicina do Triângulo Mineiro), foi transformada no ano de 2005 em Universidade por decreto do governo Lula. É considerada a 6° melhor Universidade do Brasil – de acordo com o Enade.

  

 
 
 
 
 
 
 
UNIVERSIDADE FEDERAL DO ABC
 
Criada no governo Lula, a Universidade Federal do ABC (UFABC) ocupa o 1° lugar entre as universidades brasileiras no Ranking SCImago nos quesitos “Excelência em Pesquisa”, “Publicações de alta qualidade” e “Impacto normalizado das suas publicações”. Foi avaliada pelo Índice Geral de Cursos (IGC) do MEC como a melhor universidade do Estado de São Paulo, sendo avaliada como a 1ª no ranking de cursos de graduação entre todas as universidades do Brasil.
 

 
 
 
RESIDENCIAL VIVER MELHOR, MANAUS-AM
 
Manaus – São 5.384 unidades habitacionais da segunda etapa do Residencial Viver Melhor, no bairro Santa Etelvina, Zona Norte de Manaus, incluso no programa do Governo Federal Minha Casa, Minha Vida.
 
 
 
 
 
DILMA ENTREGA CAMINHÕES PIPA E MÁQUINAS EM ALAGOAS E NO PIAUI
 
Com a entrega dos caminhões nesta terça-feira (18), Alagoas contabilizará o recebimento de 310 equipamentos do PAC2, distribuídos em 95 retroescavadeiras, 67 motoniveladoras, 72 caminhões-caçamba, 44 caminhões-pipa e 32 pás carregadeiras. No Piauí, até a conclusão das entregas, a previsão é que sejam doados mais 136 equipamentos, com um investimento aproximado de R$ 40 milhões.
 
 
 
 
 
NOVA UPA 24H DE CHAPECÓ-SC JÁ ATENDEU MAIS DE 6 MIL PACIENTES
 
Recém-inaugurada, UPA de Chapecó já atendeu mais de 6 mil pacientes. Nesta semana, a prefeitura realizou balanço dos primeiros dias de atendimento na unidade.
 
 
 

  

 
 
CAMPUS AVANÇADO DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALFENAS, EM VARGINHA-MG
 
O campus avançado da Universidade Federal de Alfenas (Unifal), que fica em Varginha, no sudeste de Minas Gerais, foi inaugurado em agosto de 2013 pela presidente Dilma. A Unifal oferece os cursos de bacharelado interdisciplinar em ciência econômica e os de administração pública, ciências atuariais e ciências econômicas com ênfase em controladoria.
 
 
 
 
 
MATO GROSSO TERÁ SEGUNDA FERROVIA
 
Presidente estará no dia 11 em Lucas do Rio Verde para dar a largada na Ferrovia Integração Centro-Oeste (Fico), que vai permitir que os grãos produzidos na região Centro-Oeste saiam em direção aos portos de São Luís (MA), Ilhéus (BA), Pecém (CE) e Suape (PE).
 
 
 

  

 
NOVA UNIDADE DA FAFEN SERÁ INAUGURADA EM SERGIPE
 
Está prevista para este mês a vinda da presidente Dilma Rousseff para a inauguração da nova unidade de produção da Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados da Petrobras em Sergipe (Fafen-SE), que receberá o nome do ex-governador Marcelo Déda.
 
 
 
 
 
MINHA CASA MINHA VIDA JÁ BENEFICIOU MAIS DE 1.5 MILHÃO DE FAMÍLIAS
 
Mais de 1,5 milhão de famílias brasileiras já foram beneficiadas pelo Programa Minha Casa Minha Vida do governo federal. Foram contratadas 2,24 milhões de moradias e até o final do ano, a previsão é que outras 510 mil sejam contratadas, atingindo a meta de 2,75 milhões de casas e apartamentos.
 
 
 
 
 
 PARQUE EÓLICO FLEIXEIRAS I, TRAIRI-CE
 
Estão em fase de testes mais cinco aerogeradores do parque eólico Fleixeiras I, no município de Trairi, no litoral Norte do Ceará.
 

Cada máquina gera 2,3 MW. Já estavam em testes havia uma semana as outras sete máquinas do parque, que é da Tractebel Energia. A potência instalada desse parque é de 30 MW.
 
 INDÚSTRIA NAVAL BRASILEIRA COLOCA MAIS UM NAVIO EM OPERAÇÃO
 
Navio José Alencar, com 180 metros de cumprimento, foi entregue pelo estaleiro Mauá e tem capacidade para transportar 56 milhões de litros de combustíveis. Esta é a sexta embarcação a ser incluída na frota em dois anos, finalizando o primeiro lote de encomendas aos estaleiros brasileiros.
 
 
 

  

 
 MUNICÍPIOS DO SUL FLUMINENSE GANHAM NOVO HOSPITAL
 
O Hospital Geral da Japuíba-Jorge Elias Miguel será aberto oficialmente pela prefeitura de Angra dos Reis, amanha (6) em comemoração ao aniversário de 512 anos da cidade. Ele terá, inicialmente, 200 leitos de capacidade para internação e será mantido com recursos de R$ 36 milhões por ano do governo federal, equivalentes a 50% do total, mais R$ 18 milhões do governo fluminense e os restantes R$ 18 milhões do governo municipal.
 
 
 
 PLATAFORMA P-55 ENTRA EM OPERAÇÃO NO CAMPO DE RONCADOR
 
A Petrobras informa que a plataforma de produção P55 entrou em operação ontem (31/12), no campo de Roncador, na Bacia de Campos. A P-55 é parte integrante do projeto Módulo 3 do campo de Roncador. Nela serão interligados 17 poços, sendo 11 produtores de petróleo e gás e seis injetores de água.
 
 
 
 RODOVIA DO PARQUE É INAUGURADA NO RIO GRANDE DO SUL
 
A presidente Dilma Rousseff, que inaugurou a BR-448, conhecida como Rodovia do Parque, em Canoas, na manhã desta sexta-feira (20), aproveitou a oportunidade para avisar que a segunda ponte do Guaíba começará a ser construída em 2014.
 
 
 BRASIL COMEÇA EXPLORAR ENERGIA LIMPA DAS ONDAS
 
Já existe uma nova forma de produzir energia elétrica proveniente de fontes limpas e a primeira grande experiência brasileira está acontecendo: tirar energia das ondas do mar. Localizada no Porto de Pecém, no Ceará, a primeira usina para esse tipo de produção está em desenvolvimento.
 
 
 
 CONCLUÍDAS OBRAS DA P-62 EM PERNAMBUCO
 
A presidente Dilma Rousseff participou, nesta terça-feira (17) da inauguração da plataforma P-62, primeira obra dessa modalidade realizada em Ipojuca (PE). Durante quase três anos, cerca de 5 mil trabalhadores ergueram uma estrutura de mais de 60 mil toneladas, 330 metros de comprimento e 119 metros de altura, com capacidade para 110 pessoas e que terá capacidade de produzir 180 mil barris de petróleo e 6 milhões de m³ de gás quando estiver em operação no campo de Roncador, na Bacia de Campos.
 
 
 
 PERÍMETRO IRRIGADO DO SALITRE, EM JUAZEIRO (BA)
 
A região do Vale do Salitre fica no semiárido nordestino, distante cerca de 20 km de Juazeiro. Situado na margem direita do Rio São Francisco, o projeto Salitre tem como objetivo promover a produção agrícola local.
 
 
 
 
FERROVIA NORTE-SUL: 90% DAS OBRAS EXECUTADAS NO TRECHO ENTRE PALMAS-TO E OURO VERDE-GO
 
Ferrovia está praticamente pronta, com 90% das obras executadas, de Palmas até Ouro Verde (GO).
 
 
 
 MAIS DE R$ 1 BILHÃO SERÃO INVESTIDOS EM 10 NOVOS PARQUES EÓLICOS NO RIO GRANDE DO SUL
 
Mais de R$ 1 bilhão serão investidos na Metade Sul do Estado para a construção de 10 novos parques eólicos. O regime de ventos favorável à energia limpa é um dos fatores determinantes para a expansão, assim como a questão ambiental.
 
 

  

 TRANSPOSIÇÃO CHEGARÁ A 75% DE EXECUÇÃO ATÉ O FIM DO ANO
 
O Projeto de Integração do São Francisco é a maior obra de infraestrutura hídrica do país e figura entre as 50 maiores construções de infraestrutura em execução no mundo. O empreendimento vai levar água a uma população de mais de 12 milhões de pessoas em 390 municípios nos estados de Pernambuco, Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte. Segundo o Ministro Francisco Teixeira, 52% das obras já estão concluídas, e existe a previsão de um avanço de 25% até o final deste ano e os outros 25% até o final de 2015.
 
 
 
 
 Provavelmente você nunca viu, ouviu ou leu isso na imprensa grande. Vale tudo para fazer as pessoas pensarem que o Brasil parou e para materializar o recalque da elite nacional. Depois não se consegue entender o motivo de a presidenta Dilma estar sempre em primeiro lugar nas pesquisas de intenção de voto, mesmo nas dos institutos ligados à mídia grande.
Postado por al

Passo a passo, o plano da USAID para acabar com o governo Chávez

24 fev

Documento secreto do WikiLeaks detalha como William Brownfield, hoje secretário-assistente do Departamento de Estado, planejava acabar com o chavismo

Natália Viana e Luiza Bodenmuller, da Agência Pública

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Após o fracasso do golpe contra Hugo Chávez em 2002, a embaixada americana em Caracas resolveu tomar para si a tarefa de reorganizar a oposição venezuelana, apostando em uma estratégia de longo prazo que minaria o poder do governo. Em agosto de 2004, mesmo mês do referendo revocatório promovido pela oposição com amplo apoio da missão americana, o texano William Brownfield chegou a Caracas, nomeado por George W. Bush, para assumir o posto de embaixador no país. Pragmático e sucinto, William Brownfield elaborou um plano de 5 pontos para acabar com o chavismo em médio prazo, como revela um documento do WikiLeaks analisado pela Agência Pública.

O documento secreto, enviado por Brownfield a Washington em 9 de novembro de 2006, relembra as diretrizes traçadas dois anos antes. “O foco da estratégia é: 1) Fortalecer instituições democráticas, 2) Infiltrar-se na base política de Chávez, 3) Dividir o Chavismo, 4) Proteger negócios vitais para os EUA, e 5) Isolar Chávez internacionalmente”, escreveu Brownfield, hoje secretário anti-narcóticos do Departamento de Estado – órgão que cuida do treinamento de forças policiais estrangeiras pelos EUA, incluindo em dezenas de países latinoamericanos.

Entre 2004 e 2006, a Usaid realizou diversas ações para levar adiante a estratégia divisada por Brownfield, doando nada menos de US$ 15 milhões a mais de 300 organizações da sociedade civil. A Usaid, através do seu Escritório de Iniciativas de Transição (OTI) – criado dois meses depois do fracassado golpe – deu assistência técnica e capacitação às organizações e colocou-as em contato com movimentos internacionais. Além disso, explica o documento, “desde a chegada da OTI foram formadas 39 organizações com foco em advocacy (convencimento); muitas dessas organizações são resultado direto dos programas e financiamentos da OTI”.

Um dos principais objetivos da Usaid era levar casos de violações de direitos humanos para a corte interamericana de Direitos Humanos com o objetivo de obter condenações e minar a credibilidade internacional do governo venezuelano. Foi o que fez, segundo o relato do ex-embaixador, o Observatório das Prisões Venezuelanas, que conseguiu que a Corte emitisse uma decisão requerendo medidas especiais para resolver as violações de direitos humanos na prisão ‘La Pica’, no leste do país. Outra organização, a “Human Rights Lawyers Network in Bolivar State” (rede de advogados de direitos humanos no estado de Bolívar), apresentou à Corte Internacional um caso de massacre de 12 mineiros pelo exército Venezuelano no estado de Bolívar. O grupo foi criado, segundo Brownfield, “a partir do programa da Freedom House, e um financiamento da DAI distribui pequenas bolsas no programa”.

A empresa DAI – Development Alternatives Inc – foi de 2004 a 2009 a principal gerente da verba da Usaid no país, tendo distribuído milhões de dólares a diversas organizações a partir da estratégia do governo norte-americano. (Clique aqui para ler mais sobre a DAI)

Ela desembolsou, por exemplo, US$ 726 mil em 22 bolsas para organizações de direitos humanos, segundo o documento do WikiLeaks. Também ajudou a criar o Centro de Direitos Humanos da Universidade Central da Venezuela. “Eles têm tido sucesso em chamar a atenção para o Direito de Cooperação Internacional e à situação dos direitos humanos na Venezuela, como uma voz nacional e internacional”, explica o texano Brownfield no despacho diplomático.

Outras áreas nas quais financiamento para ONGs ajudaria a concretizar a estratégia americana incluíam tentativas de neutralizar o “mecanismo de controle Chavista”, que utiliza “vocabulário democrático” para apoiar a ideologia revolucionária bolivariana, nas palavras do diplomata. “A OTI tem lutado contra isso através de um programa de educação cívica chamado ‘Democracia entre nós’, cujo princípio era ensinar ao povo venezuelano o que, de fato, significava democracia. Programas educacionais dirigidos, como tolerância política, participação e direitos humanos já atingiram mais de 600 mil pessoas”, diz o documento.

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DIVIDINDO O CHAVISMO

Em seguida, o documento detalha as estratégias para “dividir o chavismo”, baseadas na concepção de que Chávez tentava “polarizar a sociedade venezuelana usando uma retórica de ódio e violência”. O remédio, na cabeça de Brownfield, seria dar auxílio a ONGs locais que trabalham em “fortalezas Chavistas” e com os “líderes Chavistas” para “contra-atacar a retórica” e “promover alianças”. Os esforços da Usaid neste sentido custaram US$ 1,1 milhão para atingir 238 mil pessoas em mais de 3 mil fóruns, workshops e sessões de treinamento, “transmitindo valores alternativos e dando oportunidade a ativistas de oposição de interagirem com Chavistas, obtendo o desejado efeito de tirá-los lentamente do Chavismo”.

Exemplos são o grupo “Visor Participativo” composto por 34 ONGs formadas e supervisionadas pela OTI, para trabalhar no fortalecimento das municipalidades. “Enquanto Chávez tenta recentralizar o país, a OTI, através do Visor, está apoiando a descentralização”, escreve Brownfield.

Outra iniciativa, a custo superior a US$ 1,2 milhões, promoveu a criação de 54 projetos sociais em toda a Venezuela “permitindo visitas do Embaixador a áreas pobres do país e demonstrando a preocupação do governo dos EUA com o povo venezuelano”, detalha Brownfield. “Esse programa confunde os bolivarianos e atrasa a tentativa de Chávez usar os EUA como um ‘inimigo unificador’”.

Com o objetivo de “isolar Chávez internacionalmente”, o embaixador gaba-se de que a USAID, através das ONG americana Freedom House, financiou viagens de membros de organizações de direitos humanos da Venezuela ao México, Guatemala, Peru, Chile, Argentina, Costa Rica e Washington. “Além disso, o DAI trouxe dezenas de líderes internacionais à Venezuela e também professores universitários, membros de ONGs e líderes políticos para participarem de workshops e seminários, para que eles voltassem aos seus países de origem entendendo melhor a realidade da Venezuela, tornando-se fortes aliados da oposição venezuelana”.

Brownfield termina o documento, escrito em 2006, com um alerta: “Chávez deve vencer a eleição presidencial de 3 de dezembro e a OTI espera que a atmosfera para o trabalho na Venezuela se torne mais complicada”. De fato, o embaixador saiu do país no anoseguinte, assumindo o mesmo posto na Colômbia antes de ser designado pelo governo Obama para cuidar de cooperação policial com outros países.

Antes de Brownfield assumir a política dos EUA para a Venezuela o escritório de Iniciativas de Transição (OTI) focava sua atuação no fortalecimento dos partidos políticos de oposição – como mostra outro documento do WikiLeaks, de 13 de julho de 2004 – incluindo um projeto de US$ 550 mil destinado a promover consultorias de especialistas latinoamericanos em liderança política e estratégia aos partidos, e um projeto de US$ 450 mil com o International Republican Institute (IRI) – do Partido Republicano –  para treinar os partidos de oposição a “delinear, planejar e executar campanhas eleitorais” em “escolas de treinamento de campanha”.

Em 2010, sob crescente pressão do governo venezuelano, o escritório da OTI no país foi fechado, e suas funções foram transferidas para o escritório para América Latina e Caribe da Usaid.

10 RESPOSTAS PARA A NOITE DE TERROR EM SÃO PAULO

23 fev

1) Que palavra de ordem chamou atenção? “Escuta Dilmaaa, cê vai caí; abre seu olho qu’a Ucrânia é aqui”.

2) Que grupos estavam presentes? PSOL, PSTU, Black Blocs, juventude do PSDB, membros de grupos de extrema-direita, como OCC, MCC e Nasruas.

3) Qual faixa chamou a atenção? Aquela que pedia o dinheiro da Copa para a estatização das universidades privadas Unip e Uninove.

4) Os mascarados foram impedidos de seguir a passeata? Não, vários deles seguiram no meio dos manifestantes.

5) Como se iniciou a ação de terror? Enquanto o grupo principal se aproximava do Teatro Municipal, um grupo secundário atacou lojas e agências bancárias em ruas laterais, como a 7 de Abril.

6) Quem estava presente? O coxinha básico, com roupa de grife; o “Robocop”, que é um coxinha paramentado com máscara, balaclava e até cotoveleiras e joelheiras; primeiranistas universitários em peso; indivíduos que claramente recebem para tocar o terror (jovens mais humildes – assustados – que respondem a ordens de capos que determinam as palavras de ordem).

7) A polícia atacou os manifestantes sem motivo? Não, na verdade, havia um mar de policiais, claramente preparados para tolerar o entusiasmo da molecada. Agiram depois que começou o quebra-quebra e foram atacados.

8) O que foi destruído? Agências bancárias, algumas lojas, orelhões, um ou outro automóvel que se aventurou no meio das turbas.

9) Acabou? Não, continuam em atividade no Centro. Há um acampamento na Praça da República.

10) Há uma direção central? Aparentemente, não. Cada grupo tenta tirar proveito particular da situação.

Walter Falceta Jr.

Trecho de Comunicado do Sindicato dos Trabalhadores Autônomos da Ucrânia dia 6 de dezembro de 2013:

22 fev

John McCain tirando foto do povo cantando o hino da Ucrânia com os celulares levantados no Euromaidan

Mccain jantando com Vitaly Klitschko do UADR e com o líder do Svoboda

Estamos vendo que a situação no Euromaidan está completamente controlada pela extrema direita. A retórica ultra-nacionalista expulsou de vez todos os outros tópicos, a única palavra de ordem que os manifestantes conhecem é “Heil à nação, morte aos inimigos.” A maior parte dos manifestantes neonazistas é controlada pelo partido Svoboda, mas há também outros grupos: UNSO, Tryzub, Social-Nationalist Assembly etc. Eles são completamente tolerados pela chamada oposição “nacional democrática”. Um dos líderes do Euromaidan, Yuriy Lutsenko liderou pessoalmente o Ministério do Interior por 4 anos e durante esse tempo não fez nada para impedir a brutalidade da polícia ou para acabar com a Berkut e outras forças especiais. Em vez disso ele prometeu dispersar multidões de manifestantes com gás lacrimogêneo e tornou-se famoso por criar perfis raciais de indivíduos de nacionalidades não-eslavas e pela sua frase “Podem me chamar de racista se quiserem.” Agora na Euromaidan ele expressou publicamente sua preocupação com o destino de “40 milhões de cristãos brancos e bem educados.” Outros líderes da oposição também não têm nada contra a extrema direita.

O terror político contra ativistas de esquerda e sindicalistas, que se intensificou nesse último ano não cessou agora. Nós não concordamos com as visões políticas dos ativistas que foram espancados ontem, mas entendemos que no lugar deles podiam estar os ativistas do AWU [Sindicato de Trabalhadores Autônomos] ou qualquer pessoa que não concorde com o programa político dos nacionalistas. Nós somos contra o estado policial sob o comando de Yakunovych-Zakharchenko ou de Tiahnybok-Miroshnychenko. Não temos representante no Parlamento, nem dinheiro e nem tropas militantes; nossa única arma na nossa luta contra o estado e os nazistas é a solidariedade.
* * *
“Meanwhile, we see that the situation at Euromaidan is fully controlled by the far-right. Ultra-nationalist rhetoric has securely crowded out all other topics there; the only slogan known to the protesters is “Hail to the nation, death to the enemies.” Most of the Neo-Nazi militants are controlled by the Svoboda party, but there are also other groups: UNSO, Tryzub, Social-Nationalist Assembly, etc. They are completely tolerated by the so-called “national democratic” opposition. One of the leaders of the Euromaidan, Yuriy Lutsenko, himself used to lead the Interior Ministry for four years, during which time he did nothing to stop police brutality or disband Berkut and other special forces. Instead, he promised to disperse protesting crowds with tear gas and became notorious for racial profiling of individuals of “Non-Slavic” nationalities and for his phrase: “You can call me a racist if you want.” Now at Euromaidan he publicly expressed his concern about the fate of “40 million educated white Christians.” Other opposition leaders also don’t have anything against the far-right.

“The political terror against the left and union activists which has intensified during the past year hasn’t stopped now. We don’t share political views of the activists who were beaten yesterday, but we realize that in their place could just as well be the activists of AWU or anyone else who doesn’t agree with the political program of Nationalists. We are against a police state under the rule of Yanukovych-Zakharchenko or the rule of Tiahnybok-Miroshnychenko. We have neither Parliament membership nor money nor militant troops; our only weapon in our struggle against the state and Nazis is solidarity.”

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