A tentativa de criminalização da política começa a encontrar alguma resistência, até que enfim. by Cristiana Castro

16 fev
Fez bem o Lindbergh… Não é o PT, não é o PSOL… se a gente for seguir nessa toada não sobrará um partido político. A tentativa de criminalização da política começa a encontrar alguma resistência, até que enfim. Qdo MPF/Mídia levaram PT ao banco dos réus, levaram TODA a política como conhecemos. O PT e seus quadros mais representativos, simbolizavam todos e, foi escolhido,apenas, por ser o maior e de mais difícil desconstrução por ser governo com forte apoio popular, por manter uma militância aguerrida e por representar a possibilidade de uma política de integração e inclusão na América Latina ( junto aos demais que tb passam pela mesma situação ).
Ou seja, desconstruído o PT, o resto dos partidos viria a reboque. O espaço forjado pelo consórcio Mídia/MPF/STF não abriga partidos, militantes e representantes políticos. Não por acaso, qdo, pela primeira vez em 500 anos, a sociedade brasileira passa a sentir-se representada, explode a tese de crise de representatividade (!!!??? ); as urnas não confirmam a tal crise e as ruas mascaram uma elite que, embora sentindo-se não representada não ousa aparecer politicamente, ou melhor, a partir de máscaras tenta impôr suas “propostas” fantasiada de povo sem cara.
Eles são os sem cara, os sem partido, os não representados; atacam todas as instituições menos o judiciário, responsável por “ julgar” a política que está no banco. São o braço “ popular” do judiciário. Tudo que esses grupos exigem está intimamente relacionado ao discurso dos ministros no julgamento da AP 470 e não tem nada a ver com a proposta dos partidos políticos.
Até pq já partem do sem partido; detonar as eleições, voto nulo, não me representa, candidatura avulsa… ora, qual partido chancelaria esse paradoxo? Só um partido que embora sendo partido não fosse bem um partido mas uma rede… E, o que diabos significa uma rede?
Não sabemos mas a ideia é de algo que substitua os partidos tradicionais, muito embora fazendo a mesma coisa. O fato é que, no lugar de militantes, temos pessoas anônimas, no lugar de partidos temos uma “ rede” e no lugar dos políticos qq um com um discurso completamente vazio que se encaixe em qq situação sem qq compromisso.
Em suma, o fim da política ( deve ser o tudo que está aí ) e o Judiciário assumindo o Estado até que se resolva o que entra do lugar da representação popular pq os “sem partido”, estarão representados pelo Poder Judiciário; quem ficará a mercê desses grupos é a maioria da sociedade que mesmo que de forma precária, está representada na política tradicional. É a retomada do poder pelas elites, com uma roupa nova; um golpe acadêmico-filosófico, ou sei lá o que é isso…

O problema é que esqueceram, como sempre, de combinar com o povo e a coisa está desandando; o STF está histérico, atirando para todos os lados, inclusive pra cima da sociedade pq não reconhece manifestações e pessoas outras que não as programadas para sua ascensão; não sabe lidar com caras e nomes e menos ainda com reações diferentes das depredações encomendadas para o sucesso da empreitada. O diálogo entre poder judiciário e sociedade não estava no script pq decisão judicial não se discute, se cumpre… Não funcionou…

E, agora a sociedade tem um problemão, ao atacar a democracia o poder judiciário provocou a sociedade ou boa parte dela e aí, a sinuca o STF bancou um jogo altíssimo e vai sair no barril? Existe democracia sem judiciário? Eu não sei sair disso, não. Deviam ter chamado a gente para debater, ANTES de arrumar essa confusão.

A política está no banco dos réus e ninguém vai entregar; a elite mascarada fazendo papel de povo revoltado com tudo menos com o sistema judiciário, não convence nem a si mesma… e, a crise de representação é dela não é nossa que, pela primeira vez em 500 anos estamos representados; ninguém vai entregar esse poder mesmo que ainda não hegemônico sem lutar.
Nem disfarçaram… foi só a sociedade estar representada por meia hora e os aristocratas – ou os que se acham aristocratas, o que dá no mesmo – de sempre ( Mídia, Academia, Judiciário, etc… ) terem uma crise de representatividade e apelarem para que o Judiciário devolva seus méritos.
Ora, seus méritos sempre foram conquistados do mesmo modo que as condenações dos políticos, ou seja, na MORAL, no GRITO… O problema é que esse grito vem do Judiciário com força de decisão judicial. E, agora? Cumprir uma decisão judicial como determina o regime democrático e entregar o poder político ao judiciário ou lutar pela manutenção do poder político e viver numa democracia sem judiciário? Eu não sei sair disso, não… Mas meus representantes, não entrego.

Aqui vou voltar ao voto do elefante do ministro Ricardo Lewandowski; qdo as defesas decidiram soltar as partes a que estavam agarradas conseguiram dar um salto absurdo na desqualificação do julgamento dos réus da AP 470. O que vemos, agora, é que o elefante é bem maior do que imaginávamos e não é só orelha, tromba, pata e rabo e que havia muito mais que os 40 réus agarrados ao bicho.

Portanto, o que devemos fazer é o mesmo que já foi feito lá atrás… todo mundo tem que largar as partes a que estão agarrados, inclusive e, sobretudo, os ministros do STF para que possamos empurrar esse elefante pra fora da sala senão não vai funcionar. Ou cai a democracia ou acaba o poder judiciário. Ou seja, a gente perde ou perde… Os partidos todos, de DEM a PSTU, vão ter que lutar do mesmo lado pq eles são o alvo. Políticos são o alvo. Os papéis estão invertidos e NÓS é que estamos representando o Congresso Nacional (!!!??? ).

O ataque a Marcelo Freixo, teve o condão de jogar luz no palco; não é o PT, não é José Dirceu ou Lula, não é mensalão, mensalinho, mensalão tucano ou mineiro… é a política que pode não ser lá essas coisas mas é a política que temos, conhecemos e sabemos lidar com ela; o que é apresentado como alternativa a isso é um partido que não é partido, com políticos ou representantes que falam um monte de coisas sem dizer nada e que nem os próprios correligionários conseguem entender, e um bloco de carnaval com pessoas travestidas de povo agressivo, sem cara e sem nome, fazendo o papel de militantes… Ou seja, NADA… Poder total a um judiciário elitista, arrogante, prepotente, nascido e criado no seio da elite a base do leitinho com pera. Depois de lutar contra a Ditadura entregar a democracia ao judiciário é piada de mau gosto.

Cristiana Castro
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