A PRAGA DO JABÁ by Sergio Ricardo

5 mar

jaba2

O vírus desta praga começou na era dos Disque Jóqueis no longínquo passado das emissoras de rádio, onde o produtor dos programas das paradas de sucesso recebia das gravadoras multi nacionais um “presentinho” para executar determinadas gravações, e passavam por cima dos lançamentos de outros artistas, manipulando o sucesso. O vírus desenvolveu-se a tal ponto, que foi incorporado pelos donos das emissoras em seu faturamento , e uma tabela de preços oficializa abertamente o jabá, cobrado mecanicamente, com direito até, a nota fiscal. Hoje, tanto no rádio, como na TV.

No passado, a Rádio Nacional, e outras rádios do pais, investiam nos artistas da música, (músicos, maestros, arranjadores, cantores etc) com contratos em escala compatível com o parâmetro de escolha advinda da aceitação popular e da opinião da crítica. O respeito à música como matéria prima de sua audiência, favorecia a sustentação de sua programação, atraindo o volume de anúncios de propaganda de produtos, e com isso o metabolismo da cultura musical brasileira, ia muito bem, obrigado. Seu elo unificante permanecia inalterado. Enrijecia-se assim a corrente de nossa evolução musical. Como o veículo era dirigido ao ouvido do cidadão, e a melhor coisa a ser oferecida aos “caros ouvintes” era a música, nada mais justo que fosse remunerada. Nada mais natural. Com o advento da praga, hoje se paga por isto.

As gravadoras do produto, com matriz no exterior, pagavam, primeiramente, pela execução de seus artistas de origem. Inundado nosso mercado com uma cultura estrangeira, forçavam o consumo de seus artistas, investindo, de quebra, no artista nacional, que absorvia essas culturas por osmose. Com isto, fortaleceram a sua disseminação, fazendo sucumbir os valores voltados ao desenvolvimento de nosso processo cultural.

Não é atoa que a maioria das rádios pertence a políticos. Faturam tanto com anúncios, como com a matéria prima nas quais deveriam investir. E pensar que as concessões do canal de uma rádio ou TV é cedida pelo governo. Por falta de leis e medidas, favorece a proliferação do vírus. Com uma simples canetada ele poderia curar essa praga. Na Esplanada, todos sabem disso, mas…

Prestes a romper o ano novo, ouvi de um artista descuidado, uma postulação a favor do jabá, confessando-se forçado a entrar no jogo, como fulano e beltrano que vivem se dando bem em alimentar a moléstia. Fiquei estarrecido ante a inflamante argumentação do colega, inteiramente contaminado. Meus argumentos só conseguiam exalta-lo a tal ponto, que entre seus largos gestos, um quase me acerta o quengo. O que dizer frente aquele Brasil imenso que fluía de sua empolgação? Um Brasil obrigado a engolir as deformações, abrigando em sua conduta a moral dos contemplados, perseguidores de uma volta sem caminho, mascando sua culpa como a um chiclete de bola.

Espocavam no céu de Copacabana Jabás coloridos nos fogos da passagem, enquanto eu pensava seriamente em focar, neste ano que se inicia, uma campanha no GRITA para se discutir a erradicação desta praga maligna que se instalou no sistema nervoso de nossa música.

Com a palavra os pacientes, curandeiros, acumpunturistas, homeopatas e alopatas entendidos no assunto. Manifestem-se através dos comentários ou encaminhem seus textos, para que possamos, a exemplo de algumas vitórias alcançadas no ano velho, erradicar essa maldita praga do JABÁ, neste feliz ano novo que se inicia.

Um apelo aos jovens talentos voltados à preservação de nosso patrimônio agonizante dos NOSSOS valores populares e eruditos: resistam à tentação das evocações dos vencidos e vacinem-se contra esta moléstia corrosiva de nosso tesouro cultural. Esta filosofia pseudo globalizante nada mais é do que um embuste, eleito pelo poder econômico, pra sugar o nosso sangue. “OLHO ABERTO, OUVIDO ATENTO E A CABEÇA NO LUGAR”.

Tumblr152

 

Sergio Ricardo

Tumblr150

 

 

Texto publicado originalmente por Sergio Ricardo no GRITA __

http://gritabr.wordpress.com/2012/01/01/a-praga-do-jaba/

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: