Arquivo | maio, 2014

Influência do Jazz por Palmério Dória

30 maio

INFLUÊNCIA DO JAZZ

No meio dos anos 1950 José Haje, um sofisticado colecionador de jazz, precisou voltar às pressas para o Líbano, deixou com meus pais uma possante vitrola e uma pilha de discos 78 rotações. Eu botava um monte deles para tocar. Um após outro, caíam pesadamente no prato.

Um presente do outro mundo. Santarém tinha só um serviço de alto-falante, no alto de um prédio chamado Castelo, armazém de secos e molhados na ponta do cotovelo que adentrava o rio Tapajós.

O alto-falante despejava de Luís Gonzaga a Jackson do Pandeiro, passando por Nelson Gonçalves Núbia Lafayete, das 7 da matina às 6 da tarde, quando encerrava suas transmissões com a Ave-Maria.

Em casa eu também estava muito bem servido bancando o DJ. Ouvia Charlie Parker, John Coltrane, Thelonius Monk, Miles Davis, Count Basie, Louis Armstrong, Dizzy Gillespie, Ella Fitzgerald, Billie Holiday, entre outros e outras.

Só vim a saber direito quem era quem aí pelos 18 anos, já morando no Rio de Janeiro, nas sessões de jazz que o jornalista paraense José Gorayeb promovia em sua casa no bairro de Botafogo.

Eram sons absolutamente familiares. Algumas músicas eu acompanhava assobiando, para surpresa da roda, formada por jornalistas veteranos de formação jazzística e comunística. Depois eu ia dar uma conferida nos long-plays, lia uma ou outra coisa, e passava a cagar minha goma.

— Melhor que Duke Ellington nesse mundo não há!

Palmério Dória

Palmério Dória

É um jornalista e escritor, autor de vários livros  tais como:.

Mataram o Presidente – Memórias do Pistoleiro que Mudou a História do Brasil (1971), que trata do momento histórico desencadeado com o suicídio de Getúlio Vargas;1
A Guerrilha do Araguaia (1978), que relata o levante comunista debelado pela ditadura militar.1
Evasão de Privacidade (2001), que reúne uma série de entrevistas dadas por mulheres famosas à revista Sexy.1
A candidata que virou picolé (2002), que relata a breve candidatura de Roseana Sarney à presidência da república.
Honoráveis Bandidos ─ Um Retrato do Brasil na Era Sarney (2009), que trata do poder da família Sarney no Maranhão.2
O Príncipe da Privataria (2013), que faz um relato político sobre a era FHC. Editora Geração

O legado de Joaquim Barbosa, um antibrasileiro por Paulo Nogueira-DCM

30 maio

Uma saída que eleva o Brasil

Se for confirmada a aposentadoria de Joaquim Barbosa para junho, chegará ao fim uma das mais trágicas biografias do sistema jurídico brasileiro.

O legado de Barbosa resume-se em duas palavras absolutamente incompatíveis com a posição de juiz e, mais ainda, de presidente da mais alta corte nacional: ódio e vingança. Foi a negação do brasileiro, um tipo cordial, compassivo e tolerante por natureza.

A posteridade dará a ele o merecido espaço, ao lado de personalidades nocivas ao país como Carlos Lacerda e Jânio Quadros.

Barbosa acabou virando herói da classe média mais reacionária do Brasil e do chamado 1%. Ao mesmo tempo, se tornou uma abominação para as parcelas mais progressistas da sociedade.

É uma excelente notícia para a Justiça. Que os jovens juízes olhem para JB e reflitam: eis o que nós não devemos fazer.

O que será dele?

Dificuldades materiais Joaquim Barbosa não haverá de ter. O 1% não falha aos seus.

Você pode imaginá-lo facilmente como um palestrante altamente requisitado, com cachês na casa de 30 000 reais por uma hora, talvez até mais. Com isso poderá passar longas temporadas em Miami.

Na política, seus passos serão necessariamente limitados. Ambições presidenciais só mediante uma descomunal dose de delírio.

Joaquim Barbosa é adorado por aquele tipo de eleitor ultraconservador que não elege presidente nenhum.

Ele foi, na vida pública brasileira, mais um caso de falso novo, de esperanças de renovação destruída, de expectativas miseravelmente frustradas.

Que o STF se refaça depois do trabalho de profunda desagregação de Joaquim Barbosa em sua curta presidência.

Nunca, desde Lacerda, alguém trouxe tamanha carga de raiva insana à sociedade a serviço do reacionarismo mais petrificado.

Que se vá – e não volte a assombrar os brasileiros.

Vi, em Trafalgar Square, a festa que os ingleses fizeram quando Maggie Thatcher morreu. Um sindicalista contou que abriu e tomou uma garrafa de uísque que guardara durante vinte anos para a ocasião.

Penso aqui comigo que muita gente no Brasil haverá de comemorar o fim de JB como juiz. Mentalmente me uno à festa.

 
Paulo Nogueira
Sobre o Autor

O jornalista Paulo Nogueira é fundador e diretor editorial do site de notícias e análises Diário do Centro do Mundo-DCM

O golpe vem de São Paulo, o nervo da direita brasileira. by Maisa Paranhos

22 maio


Orquestrado pela embaixadora norte-americana, ao que tudo indica. 
A que veio do Paraguai, quando Lugo sofreu o golpe “branco”.
Realmente, eu concordo que os tempos são outros. 
O Governo Federal de nosso país, hoje, está bem mais firmado que em 64. A mídia continua calhorda. 
Os trabalhadores, menos mobilizados.
Os estudantes, muitos, black bloqueados.
A classe média sempre ameaçada pelo que a mídia diz que a ameaça.
Acho que hoje temos um elemento novo: a “nova” tática de desestabilização por parte de quem não mostra a cara.
Assim, na minha compreensão, está tudo interligado e muito bem orquestrado.
Linchamentos, greves, PMS, quebradores de vidraças, Ministro Joaquim Barbosa, embaixadora dos EUA, a canhotinha aliada da direita, os anarquistas inimigos do “Estado burguês”, mercenários brasileiros e os equivalentes aos antigos “marines” norte-americanos, e mais, um Congresso oscilante …
Tudo numa orquestração sinistra.
Na minha compreensão, o governo Federal deve reagir severamente. Não deve perder o pé da situação, nem tempo.
Deve logo, antes que cresça mais ainda, impedir que essas manifestações extrapolem a “intenção” de expressão.
Deve prender os responsáveis pelos atos violentos até o fim das eleições. Deve intervir militarmente nos estados que por ventura tiver inviabilizado, pelos transtornos, a vida pública e a tranquilidade da população.
O governo deve ter uma equipe, se é que já não tem, para ficar atenta ao que se diz nas mídias, e processar judicialmente qualquer que seja uma acusação não provada.
O governo ,a meu ver, deve ter uma força de segurança extra PF e extra PM, claro!
Também deve ter as estratégias de contra-ofensiva, nas cidades sedes da Copa, muito bem articuladas com os seus governadores.
E muito, muito importante, se comunicar com a população, o máximo possível.
Deve reunir todos os seus aliados, CUT, movimentos sociais, políticos, e traçar metas em caso de…
As forças de Segurança mais sofisticadas já estão , creio, atentas.
A mídia deve ter um trato especial.
Os criminosos que instigam a população à violência, devem ser enquadrados como tal, e não considerados como livres manifestantes.
Os Blogueiros têm feito o seu papel magnificamente e assim devem continuar para nos informar do que ocorre.
A militância hoje um tanto afastada dos movimentos de bairro, das comunidades, poderia tenta algo como estabelecer bate-papos públicos, com as devidas seguranças., Com as banquinhas de material de campanha espalhadas pelas ruas.e forma organizada, sem ter “que matar ou morrer”.
Devemos aproveitar a grande manifestação em Brasília até o STF e dar-lhe também um caráter pelo Brasil, pela integridade da Nação, e pela PAZ.
Bem , como sempre acho, talvez eu esteja chvendo no molhado, mas não ficaria tranquila se não expusesse o que estou pensando.
Precisamos garantir as eleições que darão, com certeza, Dilma14!
Grande abraço em todos os amigos.

 

Maisa Paranhos

Maisa Paranhos

Quebrando o silêncio na Ucrânia: uma guerra mundial está na esquina

17 maio

usa ukraine

Publicado originalmente no Asia Times Online.

POR JOHN PILGER (repórter desde 1958, ganhador do prêmio Britain’s Journalist of the Year na área dos Direitos Humanos, correspondente de guerra no Vietnã, Camboja e Biafra)

 

Por que toleramos a ameaça de mais uma guerra mundial em nosso nome? Por que permitimos todas as mentiras que justificam esse risco? A escala em que somos doutrinados, escreveu Harold Pinter, é:

(…) “brilhante, inteligente, se se pode dizer, uma encenação muito bem sucedida de hipnose coletiva”, como se “os fatos jamais tivessem acontecido, mesmo que estivessem acontecendo à nossa vista”.

Todos os anos, o historiador norte-americano William Blum publica seu “sumário atualizado dos feitos da política externa dos EUA”, que mostra que, desde 1945, os EUA já tentaram derrubar mais de 50 governos, muitos dos quais democraticamente eleitos; interferiram pesadamente em eleições em 30 países; bombardearam populações civis em 30 países; usaram armas químicas e biológicas; e tentaram assassinar líderes estrangeiros.

Em muitos casos, a Grã-Bretanha trabalhou ao lado dos EUA como colaboradora. O grau de sofrimento humano, para nem falar da criminalidade, é apagado no Ocidente, apesar de aí estarem ativos os sistemas mais avançados de comunicações e, supostamente, o jornalismo mais “livre” do planeta. É absolutamente proibido noticiar que o maior número de vítimas de ações terroristas não são “ocidentais”, mas, sim, muçulmanos.

Esse jihadismo extremo, que levou ao 11/9, foi nutrido como arma de política anglo-norte-americana (“Operação Ciclone” no Afeganistão). Em abril, o Departamento de Estado observou que, depois da campanha da Organização do Tratado do Atlântico Norte, OTAN, em 2011, “a Líbia foi convertida em paraíso seguro para terroristas”.

O nome do “nosso” inimigo mudou ao longo dos anos: de comunismo, para islamismo, mas, em geral, qualquer sociedade independente da potência ocidental, que ocupe território considerado estrategicamente relevante ou rico em recursos a saquear, é “inimigo” dos EUA e da Grã-Bretanha. Os líderes dessas nações obstrutivas são em geral varridos do mundo em ação criminosa, como os democratas Muhammad Mossadeq, no Irã e Salvador Allende, no Chile; ou são assassinados como Patrice Lumumba no Congo. E todos somos submetidos a uma campanha, conduzida mediante as estruturas do jornalismo da imprensa-empresa que conhecemos, para caricaturar e vilificar o homem da hora, seja quem for: Fidel Castro, Hugo Chavez; agora, como se vê, Vladimir Putin.

O papel de Washington na Ucrânia só é diferente nas implicações que tem para o resto do mundo. Pela primeira vez, desde os anos Reagan, os EUA estão ameaçando arrastar o mundo à guerra. Com o leste da Europa e os Bálcãs agora convertidos em entrepostos militares da OTAN, o último estado “tampão” junto às fronteiras russas está sendo detonado. Nós – o “ocidente”, tão orgulhoso de sua “civilização” e dos seus valores – estamos apoiando neonazistas, num país onde os nazistas ucranianos apoiaram Hitler.

Tendo cerebrado o golpe de fevereiro contra o governo democraticamente eleito em Kiev, Washington planejou tomar para ela a base naval russa de águas temperadas, legítima e histórica, na Crimeia. Mas o plano fracassou. Os russos defenderam-se – como sempre se defenderam contra todas as ameaças e invasões do ocidente, sempre, há quase um século. Mas o cerco militar que a OTAN tenta foi acelerado, combinado a ataques orquestrados pela CIA e pelo FBI-EUA contra russos étnicos na Ucrânia.

Se conseguirem arrastar Putin para uma guerra provocada, em defesa daqueles russos, essa função de “estado pária” será utilizada como pretexto para desencadear uma guerra de guerrilhas que a OTAN fará crescer enquanto puder, até que respingue no próprio território russo.

Putin, contudo, pôs o partido da guerra a andar em círculos, feito peru bêbado, ao procurar acomodação e acordo com Washington e com a União Europeia; e retirou seus soldados da fronteira ucraniana, conclamando os russos étnicos no leste da Ucrânia a desistir do referendo planejado, interpretado como ação de provocação. Esses falantes de russo e bilíngues – um terço da população da Ucrânia – há muito tempo procuram organizar uma federação democrática que reflita a diversidade étnica do país e que seja, simultaneamente, autônoma e independente de Moscou. A maioria deles não são nem “separatistas” nem “rebeldes”, mas cidadãos que aspiram a viver em paz e segurança na própria terra.

Como as ruínas hoje do Iraque e do Afeganistão, a Ucrânia também foi transformada em parque temático da CIA – comandado pelo diretor John Brennan em Kiev, com “unidades especiais” de CIA e FBI montando a “estrutura de segurança” que supervisiona os ataques mais selvagens contra os que se opõem, lá, ao golpe de fevereiro.

Bandidos fascistas queimaram o prédio da sede do sindicato, matando 41 pessoas que foram presas lá dentro, enquanto o prédio era incendiado. Assistam ao que fez a Polícia, parada, assistindo ao “espetáculo”. Um médico contou que tentou desesperadamente tirar as pessoas presas no prédio, “mas fui impedido por radicais nazistas ucranianos. Um deles empurrou-me com violência, gritando que, em breve, outros judeus de Odessa teriam também o mesmo destino… Não entendo por que o mundo inteiro continua em silêncio!”

Os ucranianos falantes de russo estão lutando pela vida. Quando Putin anunciou a retirada dos soldados russos da fronteira, o secretário de “defesa” da junta neonazista de Kiev – e membro fundador do partido fascista Svoboda – pôs-se a esbravejar que os “insurgentes” não arredariam pé. Em seu típico estilo orwelliano, a propaganda ocidental inverteu tudo e “noticiou” que “Moscou tenta orquestrar novos conflitos e provocações” – foram as palavras do secretário britânico de Relações Exteriores, o lastimável William Hague. Foi cinismo só comparável às grotescas “congratulações” que Obama enviou à junta neonazista, pela “notável contenção” que manifestou… depois do massacre de Odessa!

É junta ilegal e dominada por fascistas. Para Obama, foi “devidamente eleita”. O que conta – como Henry Kissinger disse certa vez, não é a verdade, mas o que alguém supõe que seja a verdade.

Nos veículos da imprensa-empresa norte-americana, a atrocidade de Odessa foi descrita como “triste” e “feia” e “uma tragédia” na qual “nacionalistas (de fato, são neonazistas) atacaram “separatistas” (de fato, eram pessoas que recolhiam assinaturas a favor de um referendo a favor da federalização da Ucrânia).

Na Alemanha, a propaganda foi pura guerra fria, com o Frankfurter Allgemeine Zeitung alertando os leitores contra “a guerra russa não declarada”. Para os alemães, é apenas ironia histórica que Putin seja o único líder em todo o planeta a condenar o ressurgimento do fascismo na Europa do século XXI.

Há quem repita que “o mundo mudou depois do 11/9”. Mas… o que mudou? Segundo o grande alertador-vazador Daniel Ellsberg, houve um golpe silencioso em Washington e, depois daquele dia, o país é governado por militarismo rampante. O Pentágono só faz comandar “operações especiais” – guerras secretas – em 124 países.

Em casa (nos EUA), o que se vê é miséria crescente e a morte da liberdade por hemorragia – duas consequências históricas de um estado em guerra perpétua. Acrescente-se o risco real de guerra nuclear, e a questão se impõe: por que nós, cidadãos do mundo, toleramos os EUA?

Diário do Centro do Mundo-DCM

Quebrando o silêncio na Ucrânia: uma guerra mundial está na esquina

17 maio

usa ukraine

Publicado originalmente no Asia Times Online.

POR JOHN PILGER (repórter desde 1958, ganhador do prêmio Britain’s Journalist of the Year na área dos Direitos Humanos, correspondente de guerra no Vietnã, Camboja e Biafra)

Por que toleramos a ameaça de mais uma guerra mundial em nosso nome? Por que permitimos todas as mentiras que justificam esse risco? A escala em que somos doutrinados, escreveu Harold Pinter, é:

(…) “brilhante, inteligente, se se pode dizer, uma encenação muito bem sucedida de hipnose coletiva”, como se “os fatos jamais tivessem acontecido, mesmo que estivessem acontecendo à nossa vista”.

Todos os anos, o historiador norte-americano William Blum publica seu “sumário atualizado dos feitos da política externa dos EUA”, que mostra que, desde 1945, os EUA já tentaram derrubar mais de 50 governos, muitos dos quais democraticamente eleitos; interferiram pesadamente em eleições em 30 países; bombardearam populações civis em 30 países; usaram armas químicas e biológicas; e tentaram assassinar líderes estrangeiros.

Em muitos casos, a Grã-Bretanha trabalhou ao lado dos EUA como colaboradora. O grau de sofrimento humano, para nem falar da criminalidade, é apagado no Ocidente, apesar de aí estarem ativos os sistemas mais avançados de comunicações e, supostamente, o jornalismo mais “livre” do planeta. É absolutamente proibido noticiar que o maior número de vítimas de ações terroristas não são “ocidentais”, mas, sim, muçulmanos.

Esse jihadismo extremo, que levou ao 11/9, foi nutrido como arma de política anglo-norte-americana (“Operação Ciclone” no Afeganistão). Em abril, o Departamento de Estado observou que, depois da campanha da Organização do Tratado do Atlântico Norte, OTAN, em 2011, “a Líbia foi convertida em paraíso seguro para terroristas”.

O nome do “nosso” inimigo mudou ao longo dos anos: de comunismo, para islamismo, mas, em geral, qualquer sociedade independente da potência ocidental, que ocupe território considerado estrategicamente relevante ou rico em recursos a saquear, é “inimigo” dos EUA e da Grã-Bretanha. Os líderes dessas nações obstrutivas são em geral varridos do mundo em ação criminosa, como os democratas Muhammad Mossadeq, no Irã e Salvador Allende, no Chile; ou são assassinados como Patrice Lumumba no Congo. E todos somos submetidos a uma campanha, conduzida mediante as estruturas do jornalismo da imprensa-empresa que conhecemos, para caricaturar e vilificar o homem da hora, seja quem for: Fidel Castro, Hugo Chavez; agora, como se vê, Vladimir Putin.

O papel de Washington na Ucrânia só é diferente nas implicações que tem para o resto do mundo. Pela primeira vez, desde os anos Reagan, os EUA estão ameaçando arrastar o mundo à guerra. Com o leste da Europa e os Bálcãs agora convertidos em entrepostos militares da OTAN, o último estado “tampão” junto às fronteiras russas está sendo detonado. Nós – o “ocidente”, tão orgulhoso de sua “civilização” e dos seus valores – estamos apoiando neonazistas, num país onde os nazistas ucranianos apoiaram Hitler.

Tendo cerebrado o golpe de fevereiro contra o governo democraticamente eleito em Kiev, Washington planejou tomar para ela a base naval russa de águas temperadas, legítima e histórica, na Crimeia. Mas o plano fracassou. Os russos defenderam-se – como sempre se defenderam contra todas as ameaças e invasões do ocidente, sempre, há quase um século. Mas o cerco militar que a OTAN tenta foi acelerado, combinado a ataques orquestrados pela CIA e pelo FBI-EUA contra russos étnicos na Ucrânia.

Se conseguirem arrastar Putin para uma guerra provocada, em defesa daqueles russos, essa função de “estado pária” será utilizada como pretexto para desencadear uma guerra de guerrilhas que a OTAN fará crescer enquanto puder, até que respingue no próprio território russo.

Putin, contudo, pôs o partido da guerra a andar em círculos, feito peru bêbado, ao procurar acomodação e acordo com Washington e com a União Europeia; e retirou seus soldados da fronteira ucraniana, conclamando os russos étnicos no leste da Ucrânia a desistir do referendo planejado, interpretado como ação de provocação. Esses falantes de russo e bilíngues – um terço da população da Ucrânia – há muito tempo procuram organizar uma federação democrática que reflita a diversidade étnica do país e que seja, simultaneamente, autônoma e independente de Moscou. A maioria deles não são nem “separatistas” nem “rebeldes”, mas cidadãos que aspiram a viver em paz e segurança na própria terra.

Como as ruínas hoje do Iraque e do Afeganistão, a Ucrânia também foi transformada em parque temático da CIA – comandado pelo diretor John Brennan em Kiev, com “unidades especiais” de CIA e FBI montando a “estrutura de segurança” que supervisiona os ataques mais selvagens contra os que se opõem, lá, ao golpe de fevereiro.

Bandidos fascistas queimaram o prédio da sede do sindicato, matando 41 pessoas que foram presas lá dentro, enquanto o prédio era incendiado. Assistam ao que fez a Polícia, parada, assistindo ao “espetáculo”. Um médico contou que tentou desesperadamente tirar as pessoas presas no prédio, “mas fui impedido por radicais nazistas ucranianos. Um deles empurrou-me com violência, gritando que, em breve, outros judeus de Odessa teriam também o mesmo destino… Não entendo por que o mundo inteiro continua em silêncio!”

Os ucranianos falantes de russo estão lutando pela vida. Quando Putin anunciou a retirada dos soldados russos da fronteira, o secretário de “defesa” da junta neonazista de Kiev – e membro fundador do partido fascista Svoboda – pôs-se a esbravejar que os “insurgentes” não arredariam pé. Em seu típico estilo orwelliano, a propaganda ocidental inverteu tudo e “noticiou” que “Moscou tenta orquestrar novos conflitos e provocações” – foram as palavras do secretário britânico de Relações Exteriores, o lastimável William Hague. Foi cinismo só comparável às grotescas “congratulações” que Obama enviou à junta neonazista, pela “notável contenção” que manifestou… depois do massacre de Odessa!

É junta ilegal e dominada por fascistas. Para Obama, foi “devidamente eleita”. O que conta – como Henry Kissinger disse certa vez, não é a verdade, mas o que alguém supõe que seja a verdade.

Nos veículos da imprensa-empresa norte-americana, a atrocidade de Odessa foi descrita como “triste” e “feia” e “uma tragédia” na qual “nacionalistas (de fato, são neonazistas) atacaram “separatistas” (de fato, eram pessoas que recolhiam assinaturas a favor de um referendo a favor da federalização da Ucrânia).

Na Alemanha, a propaganda foi pura guerra fria, com o Frankfurter Allgemeine Zeitung alertando os leitores contra “a guerra russa não declarada”. Para os alemães, é apenas ironia histórica que Putin seja o único líder em todo o planeta a condenar o ressurgimento do fascismo na Europa do século XXI.

Há quem repita que “o mundo mudou depois do 11/9”. Mas… o que mudou? Segundo o grande alertador-vazador Daniel Ellsberg, houve um golpe silencioso em Washington e, depois daquele dia, o país é governado por militarismo rampante. O Pentágono só faz comandar “operações especiais” – guerras secretas – em 124 países.

Em casa (nos EUA), o que se vê é miséria crescente e a morte da liberdade por hemorragia – duas consequências históricas de um estado em guerra perpétua. Acrescente-se o risco real de guerra nuclear, e a questão se impõe: por que nós, cidadãos do mundo, toleramos os EUA?

Diário do Centro do Mundo-DCM

DANIEL QUOIST: JOVENS MUMIFICADOS NÃO QUEREM COPA E NEM QUEREM O BRASIL

17 maio

Trágica a sociedade que tem uma juventude flertando perigosamente com o reacionarismo, claramente sendo manipulada por forças obscurantistas, com pés fincados no conservadorismo e que aquiesce bovinamente a palavras de ordens vindas de fanfarrões da extrema direita travestidos de “simples direita”.

Tenho encontrado alguns jovens assim: fascistas, arruaceiros trajando traje social e escuras gravatas e que quando abrem a boca é para dizer sandices assim: “Quero mais é que quebrem tudo! Torço para que sejam incendiados o maior número de ônibus! Vandalizar agências bancárias é tudo de bom! Tem que ter quebra-quebra senão não é protesto! Tem que ter violência ou do contrário fica parecendo romaria ao Sagrado Coração de Maria! Quanto mais lixeiras despejadas e queimadas em ruas e avenidas, melhor a resposta de uma manifestação popular!”

São jovens mal resolvidos emocionalmente por nunca terem se arriscado em qualquer luta em que estivesse em jogo causas minimamente compromissadas com ideais de liberdade e justiça; jovens idiotizados que se acham o máximo replicando anseios das viúvas da ditadura militar; jovens que não hesitariam em derrubar o estado democrático de direito para estabelecer em seu lugar um retorno fúnebre dos militares ao Poder.

São jovens frustrados, filhos favoritos de pais neoliberais, aqueles pais que sempre quiseram tirar vantagem em tudo e ques empre se lixaram para os segmentos carentes da população – pretos, pobres, prostitutas, sem terra, sem teto, sem apoio algum dos poderes constituídos há muito tempo nas varandas das Casas Grandes.

São jovens ridiculamente envelhecidos, desses seres jovens apenas na aparência, curtidos no cinismo das ideias prontas e acabadas, vacilões contumazes e covardes em sua natureza mais íntima – esses que nunca amaram ninguém, que fazem concursos públicos como quem tomada água, nunca estão satisfeitos e querm dos sistema de poder apenas os gordos contracheques e o direito de exercitar sua hopocrisia moral e seu cretinismo como credo político.

São jovens que têm vergonha de seu país e que mal conseguem disfarçar suas existenciazinhas anêmicas e frustrantes, jovens que nunca sentiram o gosto da solidariedade, nunca se prontificaram para melhorar a educação, sendo alunos intessados, dedicados, presentes e ativos nas salas de aula; jovens que sempre tiveram planos de saúde de seus papais burocratas e que preferem demonizar o sistema público de saúde e estigmatizar a vinda de médicos estrangeiros para fazer o trabalho que seus colegas nacionais há vários séculos simplesmente se recusam a fazer.

São jovens tão vazios de utopias e tão secos de sonhos que uma simples chuva pode levá-los diretamente aos esgotos do conformismo canalha, esse tipo de conformismo que incita palavras de ordem às avessas – “Não à democracia! Não à meritocracia! Não ao governo constituído! Não ao primado da justiça! Não aos líderes ques surgem dos grotões do país! Não aos parlamentares e governantes que não tenham sólida formação universitária!”

São jovens que aprenderam desde sempre a idolatrar os valores consumistas, materialistas e venais da sociedade norteamericana, onde o dinheiro tudo paga e se não paga à vista, ao menos afiança o gozo de consumir desenfreadamemte; jovens que falam em justiça, mas que desejam um estado permanente de injustiça; jovens bipolares por decisão própria – querem destruir o sistema um dia e dependendo do interlocutor, no outro dia. são os primeiros a sustentá-lo,

São jovens que se insurgem contra a política de cotas para negros e índios, que proclamam em alto e bom som não apoiar quaisquer atitudes racistas, mas que são os primeiros a desfraldar bandeiras do “Sou branco, mas viro negro se isso me beneficiar no sistema de cotas! As cotas criam um racismo às avessas! É negro, mas tem alma branca!”

São jovens descompromissados com a busca da verdade – embarcam em qualquer canoa furada do reacionarismo, replicam preconceitos e hábitos elitistas que infestam a mídia tradicional mais empedernida que, no fundo, o que deseja mesmo é tão-some te manter seu monopolio, chantagear os governos de plantão caso não lhes conceda, anistia e desoneração fiscal, caso não figurem como seus maiores clientes e anunciantes de seu departamento comercial.

São jovems enfermos com o mais virulento preconceito social – esses que divulgam páginas canalhas como a TV Revolta e se oculta, no anonimato para atacar populações nordestinas; jovens que a pretexto de serem engraçados ridiculariza, seus semelhantes ao chamá-los “baianos”, “paraíba”, “cabeça chata”, “nortista”, “nordestino”, “mineirim”.

São jovens esses que agem e pensam assim ou esses seres cínicos e cafajestes não passam de parasitas adultos ainda travestidos de jovens, com caras e bocas de quem está na eterna casa dos 20 anos de idade, múmias carcomidas pelo ódio que tiveram de suportar dentro de casa e que por isso desejam se vingar do mundo?

Você provavelmente deve conhecer pessoas com esse tipo de perfil público e pessoal. E deve facilmente reconhecê-los por suas postagens no Facebook, pelos comentários raivosos e insultuosos com que comentam pessoas que não perderam a fé nem a esperança na humanidade.

Mire-se no espelho de casa e responda:
Você é assim?
Você conhece alguém assim?
Você convive no trabalho com alguém assim?

The Observer_A imprensa não é o futuro, mas também não é o passado

5 maio

Os últimos números dos EUA sobre o declínio dos jornais podem ser preocupantes, mas analistas e executivos começam a se desesperar com o digital –

por The Observer — 02/05/2014 
Jornal

Homem lê jornal em Dar es Salaam, na Tanzânia. Qual o futuro da imprensa?

Por Peter Preston

Uma vez por ano, a Associação de Jornais da América apresenta seus números de desempenho geral, assim uma vez por ano podemos ver, mais claramente que nunca, o rumo que está tomando a indústria da imprensa americana (de enorme influência em termos da expectativa de desempenho na Grã-Bretanha e na Europa). A resposta atual, para 2013 assim como para todos os anos desde 2007: descendente.

A publicidade impressa está 10% abaixo do ritmo anterior. Podem-se encontrar alguns aumentos – em paywall(cobrança por conteúdo) e dinheiro de assinaturas em geral, mais patrocínio e dispositivos aliados –, mas o resultado final ainda fica 2,8% abaixo do de 2012. E a estatística que chega com um susto adicional mostra a publicidade digital, que já foi o suposto ingrediente-maravilha da futura prosperidade, estagnou: na verdade, no mesmo nível em que estava em 2007. Juntos, os anúncios impressos e digitais chegam a 21 bilhões de dólares, contra 49 bilhões há menos de uma década. Não há luz na escuridão.

Talvez tenha havido uma certa mistura de categorias em meio ao empacotamento e desempacotamento. Possivelmente. Mas Michael Wolff, guru insistente e, até cinco minutos atrás, colunista do MediaGuardian, gosta de nadar contra a corrente, provocando ondas conforme avança. E lá vai ele de novo. A pergunta crucial – não apenas para Wolff, aliás, mas para as diretorias de jornais em toda parte, com base nesses números – é se essa corrente em particular continuará para sempre.

Descobrimos uma maneira de fazer o online recompensar? “Estou profundamente pessimista. Sinto que o segredo não foi remotamente revelado aqui. Trata-se da transição realmente interessante que está acontecendo no setor de publicidade. A publicidade é tão significativamente menos eficaz no mundo digital [que] criamos um mundo que não pode pagar por si mesmo.”

Falando em declínio, e a imprensa? “Nós no setor de imprensa desistimos. [Mas] a publicidade provavelmente funciona melhor impressa do que em qualquer outra mídia; ela representa o compromisso definitivo… Isso aconteceu porque as agências de publicidade ganhavam mais com outros tipos de publicidade. Hoje ninguém sabe criar anúncios impressos.”

O problema talvez esteja aí. A revolução digital segue animadamente, atrás de uma moda, enquanto outros sites não pertencentes a jornais colhem as riquezas. Mas a imprensa ainda pode ser um salvador parcial, pelo menos temporariamente?

Escutem, na Grã-Bretanha, a Steve Auckland, novamente encarregado dos títulos do diário gratuito Metro e acalmando o entusiasmo de seu antecessor por operações digitais, que talvez tivessem “ido além da conta”. “Noventa por cento ou mais de nosso dinheiro vem da imprensa”, ele diz na última edição de InPublishing. Como você divide seus recursos para ser digital quando isso significa “tirar um monte de custos que tendem a vir de sua operação impressa”? É um enfraquecimento artificial, uma aceleração para a queda.

Exatamente, diz Diane Kenwood, uma das mais experientes editoras de revistas da IPC, algumas páginas depois. “A imprensa deve ficar a par com o resto da indústria de criação de contenção, e não ficar para trás choramingando… Ainda há muito dinheiro a se ganhar com a venda de revistas: 2 bilhões de libras são compradas todos os anos, das quais 2,6 milhões são vendidas no Reino Unido todos os dias. Elas são lidas por 87% da população britânica.”

Agora, de certa maneira, não há nada muito surpreendente em tudo isso. É simplesmente o dedo que se move para a frente e para trás e depois em círculos. Na última década, mais ou menos, vimos uma nova infraestrutura noticiosa baseada só em publicidade seguida por uma corrida para os paywalls; a adoção dos tablets como sendo o futuro, seguida por uma corrida para os celulares.

Ninguém deixa de ver a mudança, é claro. É quase possível apalpá-la. Esses resultados americanos não podem ser descartados. Mostram uma indústria que ainda não capitalizou o digital (assim como foi apanhada em uma recessão mais ampla). Mas eles ainda são apenas parte da história: não afetam todos os jornais ou todos os países de maneira semelhante – ou revistas ou livros. Continua sendo uma incrível obra em progresso. Que resultados os últimos visionários estarão apregoando em 2017? E o que Wolff dirá realmente quando o fizerem? A previsão mais segura, infelizmente, é que será algo totalmente diferente.

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