AO SABOR DO TECLADO MUDO por Sergio Ricardo

23 jun

 

Ja é tempo de dizer algo. Alguma bobagem ou coisa atraente. Já não sei o que está por sair. Mas algo me impulsiona e escrevo. Durante todo o tempo em silêncio, meu ser me insinuava temas, mas que diabo, só por ter que dizer alguma coisa que se fizesse interessante na junção das palavras de uma motivação digna de vir à tona? Várias se delinearam sem que eu tivesse o desejo de invadir o universo das palavras, como se fora uma obrigação para atender cobranças de amigos ao que eu viesse dizer.

Talvez não saberiam que eu não sei de nada, que apenas junto vocábulos que expressam uma pretensão momentânea como quem se arvora em dizer algo importante que a soma dos neurônios conclui por pretensas alusões sobre o embaralhamento de conceitos e verdades tão desmentíveis como pneu que súbito se fura e lá vamos nós troca-lo por novo, cheio de vento, para a rodagem das novas verdades.

Sou cheio de boas intenções, já cansado dessa rodagem sem fim de linha, prenhe de desvios e encruzilhadas, sem cheganças, e por mais que faça lá meus gols, eu e meu time nunca vencemos as partidas. Ah, como eu desejaria salvar a humanidade, se nem tanto, pelo menos o meu povo, que ja virou um retrato na parede se esgarçando no templo das providências, pé sem chão a caminho do nada.

Assim como as insistentes tentativas, ao menos para a salvação de nossa lavoura cultural, vencida pelo caruncho dos chamados avanços tecnológicos e contemporaneidades, que se detonam como tiro de pólvora sem sequer destruir o potente passado, resistindo estética e humanamente às agressões sem sustância, sustentados pelos bancos e mídias do sistema, imbatíveis e prepotentes.

Do que valem as vozes contrárias? Partidos dispersos de esquerda, teses científicas, o óbvio ululante e outras milongas? Eu poderia me ater aos temas mais amenos, falar do amor a dois e descobrir atalhos e achados preciosos como pérolas de linguagem para ressaltar em versos a beleza interminável da relação humana e até me tornar um estilista no assunto, para que? Para desembocar num rio estático que não avança para o mar? Ficar preso em lagoas enlodadas só porque suas aguas não se agitam e só espelham a beleza do luar? Estou fora. Até que não me surja outro chamamento de fé, só me resta o humor, que sempre resvala nalguma desgraça de onde arranca deliciosas gargalhadas.

Por isto o extraio de minha própria agonia atual, mancando de bengala entre quatro paredes, já pensando no dia em que ao passar pelo detector de metais do primeiro aeroporto, onde fatalmente as luzes se acenderão, por conta da platina que me cobre o femur. Farei pose de suspeito, até que me façam baixar as calças para mostrar minha cicatriz na altura da bunda, para provar que não sou um terrorista. Tomara que eu tenha coragem suficiente para, em contra partida, soltar uma bela risada que ecoe pelo aeroporto, como uma cutucada no medo reinante.

Sergio Ricardo

 

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Uma resposta to “AO SABOR DO TECLADO MUDO por Sergio Ricardo”

  1. Maria Isabel Lopes junho 24, 2014 às 12:07 am #

    NOSSA ACHO MARAVILHOSO O QUE SR. ESCREVE FOI,POR,UM,ACASO QUE ENTREI NESTE LINK. MAS QUERO ESTAR SEMPRE EM CONTATO,COM VOCEIS E SUAS VERDADES OBRIGADA,PELAS,SABÍAS PALAVRAS
    MUITA LUZ ……………………………………………………………………………

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