Exclusivo: O Plano para a Implementação do Comunismo no Brasil é real

23 jun

Por volta das 10 da noite de ontem, um grisalho senhor com um pesado casaco preto e uma elegância parada no tempo tocou a minha campainha. Falando em nome de uma antiga fonte que nunca me deixou na mão, funcionário de carreira no Congresso Nacional, ele me entregou um envelope pardo. Disse apenas: “seu nome é citado, então faça o que achar melhor”. Depois entrou no táxi, que impacientemente o esperava, e sumiu.

Encontrei um documento rasgado em vários pedaços e recomposto com a ajuda de muito durex. Datava da semana passada. Este surpreendente pedaço de papel que sobreviveu à tentativa de destruição merece nossa atenção. Sim, os paranóicos tinham razão.

Digitei o que pude – algumas partes estão mal impressas e de difícil compreensão – e publico aqui o conteúdo. Pensei muito nos impactos desse vazamento. Mas acho que nós, jornalistas, temos como principal compromisso a verdade, mesmo que ela signifique o fim da nossa carreira.

Gaste alguns minutos com ele. Se não for por você, que seja por seus filhos e netos.

Plano para a Implementação do Comunismo no Brasil
Etapa 12 – Andamento

Cópia para leitura. Não xerocar ou escanear.

1) Até agora as elites não perceberam que o mascote da Copa é, na verdade, uma peça de nossa propaganda revolucionária. As Forças Unidas para o Levante Ecumênico e Comunista dos Oprimidos (Fuleco) e seu símbolo maior, o nacionalista tatu-bola, estão entrando nas corações e mentes das gerações mais novas na forma de pelúcias de baixo custo. Registro, contudo, a preocupação dos colegas intelectuais da USP de que teremos que fazer, mais para frente, uma outra campanha associando o Fuleco às Fuleco, porque o povo também não compreendeu nada.

2) Nosso representante na Secretaria de Educação Básica do Ministério da Educação conseguiu inserir a proposta aprovada na etapa 10. A partir do ano que vem, todos os livros didáticos e paradidáticos terão, obrigatoriamente, uma foice e um martelo em alguma de suas fotos, gravuras ou desenhos. Não necessariamente juntos, o que deve ser pensado para a etapa 17.

3) Em reunião com as secretarias de assistência social não houve resistência à proposta de que os cobertores do tipo seca-poço, distribuídos a pessoas em situação de rua durante o inverno, sejam da cor vermelha. A justificativa é de que eles sujam menos que os tradicionais cinza-claro.

4) Temos constatado bons índices de execução da tarefa 47-B por parte dos companheiros médicos cubanos. Eles estão cantarolando ou murmurando a Internacional Socialista durante os atendimentos clínicos, incutindo uma mensagem subliminar na população. Por sugestão de Don Ramón, iremos expedir um ofício solicitando que o cantarolar seja em português – uma vez que parte significativa dos pacientes têm perguntado se a música é da Shakira.

5) A companheira disfarçada de senadora ruralista pergunta até quando terá que permanecer com a dupla identidade. Ela tem sido mais assertiva nas reclamações do chauvinismo por parte de certos parlamentares da base aliada e da oposição. Pedimos a ela paciência, uma vez que vem fazendo um extraordinário trabalho na formatação da guerrilha de fundamentação maoísta. Já contamos com 12 células na zona rural e uma na Floresta da Tijuca.

6) O companheiro Sakamoto pediu mais para continuar escrevendo. Faremos um crowdfunding na segunda semana de julho a fim de destinar recursos a ele.

7) A proposta para substituir o Poder Legislativo paulatinamente por um conjunto de comitês revolucionários alinhados com esta comissão está em curso. Aproveitando as reivindicações pequeno-burguesas das jornadas de junho do ano passado, nosso homem na Secretaria Geral da Presidência da República propôs um decreto ampliando “instrumentos de participação social”. Alguns mais espertos no Congresso perceberam a manobra, mas o estrago já foi feito.

8) Ficamos de aprovar uma moção de alvíssaras aos companheiros que se dedicaram à aprovação do Marco Civil na internet. Sem o seu trabalho de contrainformação nas redes sociais e de “convencimento” junto aos parlamentares, não teríamos hoje pleno acesso a todo conteúdo produzido pelo inimigo – o que é fundamental para o desenvolvimento do plano. Se ninguém se opuser, os nomes desses homens e mulheres digitais ficarão talhados em pedra no Memorial da Revolução, a ser construído oportunamente.

9) O companheiro Joaquim Barbosa informa que cumpriu com êxito as tarefas a ele incumbidas nos últimos anos e agora deve submergir até a revolução para não provocar suspeitas.

10) Don Ramón também informa que a “Moça” está quase pronta. Depois de nove cirurgias plásticas em Pequim e de quatro anos de treinamentos para aprender os hábitos, histórias e o gênio ruim de Dilma Rousseff, falta muito pouco para o momento da “troca”. Seguindo o planejamento da etapa 2, a mudança deve ser feita em uma das escapadas de moto que a presidente tem feito de forma anônima na capital. Para evitar que os representantes do setor empresarial, notadamente da agropecuária e da construção civil, sintam a diferença, a “Moça” está instruída a manter a política entreguista por mais seis meses. É prazo mais do que suficiente para que o carregamento de armas norte-coreanas do companheiro Kim Jong-un chegue ao porto de Santos.

Até a vitória, sempre!

 

Blog do Sakamoto

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