Depois da comoção. por Janio de Freitas

19 ago


E se assim foi, com toda a carga de noticiário e comentarismo obcecadamente oposicionistas, é presumível que os balanços do governo, no horário eleitoral, tornem a tarefa de Marina e de Aécio mais difícil do que a morte de Eduardo Campos fez supor a tantos". No jornal Folha de São Paulo.
Janio de Freitas

Depois da comoção
Aécio prevê o refluxo de Marina, mas no seu entorno já transparece a sensação de que ela enfrentará Dilma
Olhar para o lado e já encontrar Marina Silva junto ao seu ombro, como registrado na fotografia estatística do Datafolha, não surpreendeu Aécio Neves por dois motivos. Passadas apenas 48 horas da morte de Eduardo Campos, Aécio Neves mostrava-se convicto de que Marina Silva iria de imediato para uns 20% de apoio eleitoral, com opiniões saídas da quota de indecisos, nulos e em branco. Marina alcançou 21%, ultrapassando em um ponto a estabilidade de Aécio. O que talvez tenha sido, aí sim, uma surpresa para ele. E para ela. 
Mas a convicção tranquilizadora de Aécio ia mais longe. A seu ver, desde então, o impulso emocional do apoio a Marina Silva não tem vida longa: ao entrar setembro, estará em declínio, a caminho da verdade eleitoral. Uma contradição ficou clara, porém. O candidato prevê o refluxo de Marina, o que lhe devolveria o segundo lugar na disputa, mas à sua volta era diferente. O vice da chapa e o coordenador da campanha, Aloysio Nunes Ferreira e Agripino Maia, entre outros, já transpareciam a sensação negativa de que a disputa com Dilma Rousseff caberá a Marina, e não a Aécio Neves: não escondiam a estratégia já fixada de não se confrontar com Marina, para não dificultar o eventual apoio do PSDB e do DEM à candidata do PSB no segundo turno. 
Ora, em termos eleitorais, Marina é a adversária a ser batida por Aécio, porque será o obstáculo capaz de impedi-lo de chegar ao possível turno final. Em termos meramente políticos, PSDB e DEM querem, acima de tudo, a derrota do PT, mas esse lucro implica um risco perverso. Ambos em longo processo de desgaste, embora de intensidades muito diferentes, com a vitória simultânea do PSB e da Rede terão mais dois adversários fortes, com muitas posições extremadas na oposição aos (neo)liberais. E com ambos o PT, apesar de batido, poderá conviver na composição de uma frente nova. E poderosa. 
Há, contudo, um elemento de fato favorável a Aécio Neves no crescimento de Marina. O manancial dos indecisos, nulos e brancos, está mais do que provado, não lhe é receptivo. Não se impressiona com sua campanha baseada na tática de “desconstruir” Dilma Rousseff. Por mais que Aécio tente disfarçá-los, a moçada sente o cheiro de temperos conservadores. Se não pretende conformar-se com o terceiro e inútil lugar, Aécio Neves terá de melhorar e clarear o seu programa para captar o necessário com que se manter na disputa. Tornar-se um pouco mais próximo, por exemplo, das ideias políticas e administrativas sustentadas pelo candidato Tancredo Neves em 84/85, ao qual está em indisfarçável oposição. 
À margem da substituição de Eduardo Campos e seus efeitos diretos na disputa eleitoral, o Datafolha capta neste momento da sucessão um elemento a ser ainda pensado e pesado. Os seis pontos ganhos pelo governo Dilma no conceito ótimo/bom, confirmados por cinco de elevação até em São Paulo, tendem a produzir uma tradução eleitoral. Ainda mais se considerado que a medição foi posterior à morte de Eduardo Campos. E se assim foi, com toda a carga de noticiário e comentarismo obcecadamente oposicionistas, é presumível que os balanços do governo, no horário eleitoral, tornem a tarefa de Marina e de Aécio mais difícil do que a morte de Eduardo Campos fez supor a tantos. 

Postado por Helio Borba às 08:04 0 comentários Links para esta postagem
Em seu habitat, presidente ganha na tática e na estratégia, por Ricardo Mendonça no jornal Folha de São Paulo.
Análise
Em seu habitat, presidente ganha na tática e na estratégia
RICARDO MENDONÇA DE SÃO PAULO A tragédia com Eduardo Campos monopolizou o noticiário político. A brutalidade do evento, a dor dos familiares, a comoção, a entrada de Marina na disputa, o enterro, o PSB, o Datafolha… Depois de tudo isso, alguém ainda lembra o que Aécio Neves disse no “Jornal Nacional”? 
Esta foi a primeira vantagem da presidente Dilma Rousseff na entrevista para William Bonner e Patrícia Poeta. Ao falar após a avalanche, sua mensagem fica mais fixada. Um ganho circunstancial. 
A segunda vantagem foi ter feito a conversa no Palácio da Alvorada, não na intimidadora bancada do programa. Ela não precisou jogar fora de casa por ser candidata à reeleição, explicou o apresentador. 
A diferença mostrou-se importante. O ambiente sóbrio, institucional, é bem mais condizente para um diálogo importante sobre a Presidência do país. Um ganho tático. 
Mas a principal vantagem de Dilma não foi pelo momento nem pelo local da entrevista, mas pelo comportamento. 
Fora de seu habitat, Bonner parecia excessivamente preocupado em não deixar Dilma tomar as rédeas da conversa. Correto, mas seria melhor não deixar transparecer. 
E, ao contrário do que foi visto nos “JNs” anteriores, quem parecia aflito com o cronômetro eram os apresentadores, não a entrevistada. 
No início, a guerra de nervos foi parelha. Bonner fracassou na primeira tentativa de interromper Dilma, mas conseguiu logo em seguida. 
A presidente ouviu muda e voltou mais Dilma do que nunca: “Então, continuando o que eu estava dizendo, Bonner (…)”, retomando o raciocínio de antes da interrupção. 
O que vale mais: um presidente que tenta parecer simpático ou um que demonstra saber usar a autoridade? Aí, Dilma ganhou na estratégia.
Postado por Helio Borba às 08:03 0 comentários Links para esta postagem
Aécio diz que ‘experiência’ fará diferença na campanha, no jornal Folha de São Paulo
Eleições 2014
Aécio diz que ‘experiência’ fará diferença na campanha
PSDB lançará dúvidas sobre capacidade gerencial de Marina Silva, que aparece empatada com ele em pesquisa
DO RIO DE BRASÍLIA DE SÃO PAULO O candidato do PSDB à Presidência, senador Aécio Neves (MG), testou nesta segunda (18) o discurso que usará para tentar ganhar pontos sobre Marina Silva, que apareceu um ponto à frente do tucano na pesquisa Datafolha. 
Seguindo a estratégia traçada pelos analistas de sua equipe, Aécio ressaltou a “experiência política e de gestão” como trunfos na corrida presidencial. Como mostrou a Folha no domingo (17), os tucanos pretendem explorar “dúvidas” sobre a capacidade gerencial de Marina. 
“Nossa experiência política, inclusive de gestão, será muito importante para que o Brasil encontre um novo caminho de crescimento econômico”, disse o tucano durante visita a uma UPP na favela Dona Marta, no Rio. 
Internamente, as cúpulas do PT e do PSDB apostam que haverá um desgaste da imagem de Marina quando ela passar pelo “escrutínio público” e tiver de explicar seu projeto. “Até agora Marina não teve que responder sobre nada”, disse um dirigente da campanha de Aécio. “O que ela pensa sobre saúde? Como vai lidar com o nó na economia? São questões que vão surgir e sobre as quais ela ainda não falou”, concluiu. 
PT e PSDB apostam que a queda virá quando Marina for confrontada com suas teses –que chamam de “fundamentalistas”– no campo ambiental, moral e religioso, após a comoção pela trágica morte de Eduardo Campos. 
Os dois lados, porém, descartam ataques diretos. Acreditam que Marina será naturalmente forçada a sair da “zona de conforto” em entrevistas, sabatinas e debates. 
PT e PSDB reconhecem que a pesquisa foi ruim para suas candidaturas. No PSDB, é real o receio de perder o lugar na reta final para a ambientalista, e Dilma sabe que terá de enfrentar um segundo turno. 
Mas os dois lados destacam pontos positivos. Entre os dilmistas, foi comemorada a recuperação da avaliação do governo. Entre os tucanos, foi visto com alívio a certeza do segundo turno e o fato de Aécio não ter perdido pontos. 
Entre os assessores de Marina, a avaliação foi positiva: o porta-voz da Rede, Walter Feldman, disse que via a pesquisa “com muita humildade”, mas que o resultado era “bastante expressivo”

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