Arquivo | novembro, 2014

Jornalista alemão denuncia controle da CIA sobre a mídia; diz que noticiário estimula guerra com a Rússia

26 nov

publicado em 25 de novembro de 2014 às 15:49

jornalista

Udo Ulfkotte, que trabalhou no Frankfurter Allgemeine Zeitung, fala à Russia Today

sugerido pela Conceição Oliveira

Tradução parcial da entrevista reproduzida em vídeo abaixo

Sou jornalista há 25 anos, e fui criado para mentir, trair, e não dizer a verdade ao público. Mas vendo agora, e nos últimos meses, o quanto … como alemão a mídia dos EUA tentar trazer a guerra para os europeus, para trazer a guerra à Rússia. Este é um ponto de não retorno, e eu vou me levantar e dizer … que o que eu fiz no passado, não é correto, manipular as pessoas, para fazer propaganda contra a Rússia e o que os meus colegas fizeram no passado, porque eles são subornados para trair o povo, não só na Alemanha, mas de toda a Europa.

livro

A razão para este livro é que estou muito preocupado com uma nova guerra na Europa, e eu não quero de novo a situação, porque a guerra nunca vem de si mesmo, há sempre pessoas atrás que levam à guerra, e não é só políticos, jornalistas também.

Eu só escrevi no livro sobre como traimos no passado nossos leitores apenas para empurrar para a guerra, e porque eu não quero isso, eu estou cansado dessa propaganda. Nós vivemos em uma república de bananas, não é um país democrático, onde teríamos a liberdade de imprensa, direitos humanos.

[…]

Se você olhar para a mídia alemã, especialmente os meus colegas que, dia após dia, escrevem contra os russos, que estão em organizações transatlânticas, que são apoiados pelos Estados Unidos para fazer isso, pessoas como eu. Eu me tornei um cidadão honorário do Estado de Oklahoma. Por que exatamente? Só porque eu escrevia pró-Estados Unidos. Eu escrevia pro-Estados Unidos e fui apoiado pela Agência Central de Inteligência, a CIA. Por quê? Porque eu tinha que ser pró-americano.

Estou cansado disso. Eu não quero! E assim que eu acabei de escrever o livro — não para ganhar dinheiro, não, ele vai me custar um monte de problemas — só para dar às pessoas, neste país, a Alemanha, na Europa e em todo o mundo, apenas para dar-lhes um vislumbre do que se passa por trás das portas fechadas.

[…]

Sim, existem muitos exemplos disso: se você voltar na história, em 1988, se você for ao seu arquivo, você encontrará em março de 1988 que os curdos do Iraque foram atacados com gás tóxico, o que se tornou conhecido em todo o mundo. Mas em julho de 1988, eles [o jornal alemão] me mandaram para uma cidade chamada Zubadat, que fica na fronteira entre Iraque e Irã.

Foi na guerra entre iranianos e iraquianos, e eu fui enviado para lá para fotografar como os iranianos tinham sido atacados com gases venenosos, gás venenoso alemão. Sarin, gás mostarda, fabricado pela Alemanha. Eles foram mortos e eu estava lá para tirar fotos de como essas pessoas foram atacadas com gás venenoso da Alemanha. Quando voltei para a Alemanha, só saiu uma pequena foto no jornal, o Frankfurter Allgemeine, e saiu apenas uma pequena seção sem descrever como era impressionante, brutal, desumano e terrível, matar … matar, décadas após a Segunda Guerra Mundial, o povo com gás venenoso alemão.

Foi uma situação em que eu me senti abusado por estar lá apenas para fazer um documentário sobre o que tinha acontecido, mas não estar autorizado a revelar ao mundo o que tínhamos feito atrás das portas fechadas. Até hoje, não é bem conhecido do público alemão que havia gás alemão, houve centenas de milhares de pessoas atingidas nesta cidade de Zubadat.

Agora, você me perguntou o que eu fiz para as agências de inteligência. Então, por favor, entenda que a maioria dos jornalistas que você vê em outros países afirmam ser jornalistas, e eles poderiam ser jornalistas, jornalistas europeus ou americanos … mas muitos deles, como eu no passado, são supostamente chamado de “informantes não-oficiais”.

É assim que os americanos chamam. Eu era um “informante não-oficial”. A cobertura extra-oficial, o que isso significa?

Isso significa que você trabalha para uma agência de inteligência, você os ajuda se eles querem que você para ajude, mas nunca, nunca […] quando você for pego, se descobrem que você não é só um jornalista, mas também um espião, eles nunca dirão “era um dos nossos.”

Isso é o que significa uma cobertura extra-oficial. Então, eu ajudei-os várias vezes, e agora eu me sinto envergonhado por isso também. Da mesma forma que eu sinto vergonha de ter trabalhado para jornais como o Frankfurter Allgemeine, porque eu fui subornado por bilionários, subornado pelos norte-americanos para não refletir com precisão a verdade .

[…]

Eu só imaginava, quando eu estava no meu carro para vir a esta entrevista, tentei perguntar o que teria acontecido se eu tivesse escrito um artigo pró-russo no Frankfurter Allgemeine. Bem, eu não sei o que teria acontecido. Mas todos nós fomos ensinados a escrever artigos pró-europeus, pró-americanos, mas por favor não pró-russos. Portanto, estou muito triste por isso …. Mas não é assim que eu entendo a democracia, a liberdade de imprensa, e eu realmente sinto muito por isso.

[…]

Sim, eu entendi a pergunta. A Alemanha ainda é uma espécie de colônia dos EUA, você verá em muitos aspectos; como [o fato de que] a maioria dos alemães não querem ter armas nucleares em nosso país, mas ainda temos armas nucleares americanas.

Então, sim, nós ainda somos uma espécie de colônia americana e, por ser uma colônia, é muito fácil de se aproximar de jovens jornalistas através de (e isso é muito importante) organizações transatlânticas.

Todos os jornalistas de jornais alemães altamente respeitados e recomendados, revistas, estações de rádio, canais de TV, são todos membros ou convidados destas grandes organizações transatlânticas. E nestas organizações transatlânticas, você é abordado por ser pró-americano. Não há ninguém que vem a você e diz: “Nós somos a CIA. Gostaria de trabalhar para nós? “. Não! Esta não é a maneira que acontece.

O que essas organizações transatlânticas fazem é convidá-lo para ver os Estados Unidos, pagam por isso, pagam todas as suas despesas, tudo. Assim, você é subornado, você se torna mais e mais corrupto, porque eles fazem de você um bom contato. Então, você não vai saber que esses bons contatos, digamos, não-oficiais, são de pessoas que trabalham para a CIA ou outras agências dos EUA.

Então, você faz amigos, você acha que você é amigo e você vai cooperar com eles. E se perguntam: “Você poderia me fazer um favor?”. Em seguida, seu cérebro passa por uma lavagem cerebral. A pergunta: é apenas o caso com jornalistas alemães? Não! Eu acho que este é particularmente o caso com jornalistas britânicos, porque eles têm uma relação muito mais próxima. Também é particularmente o caso com jornalistas israelenses. É claro que com jornalistas franceses, mas não tanto como com os jornalistas alemães ou britânicos.

Este é o caso para os australianos, os jornalistas da Nova Zelândia, de Taiwan e de muitos países. Os países do mundo árabe, como a Jordânia, por exemplo, como Omã. Há muitos países onde você encontra pessoas que se dizem jornalistas respeitáveis, mas se você olhar para trás, você vai descobrir que eles são fantoches manipulados pela CIA.

[…]

Desculpe-me por interrompê-lo, dou-lhe um exemplo. Às vezes, as agências de inteligência vêm para o seu escritório e sugerem que você escreva um artigo. Dou-lhe um exemplo, não de um jornalista estranho, mas de mim mesmo. Eu só esqueci o ano. Só me lembro que o serviço de inteligência alemão no exterior, o Serviço Federal de Inteligência da Alemanha (isto é apenas uma organização irmã da Agência Central de Inteligência) veio ao meu escritório Frankfurter Allgemeine em Frankfurt. Eles queriam que eu escrevesse um artigo sobre a Líbia e o coronel Kadafi. Eu não tinha absolutamente nenhuma informação secreta sobre Kadafi e Líbia. Mas eles me deram toda a informação em segredo, só queriam que eu assinasse o meu nome.

Eu fiz isso. Mas foi um artigo que foi publicado no Frankfurter Allgemeine, que originalmente veio do Serviço Federal de Inteligência da Alemanha, a agência de inteligência no exterior. Então, você realmente acha que isso é jornalismo? As agências de inteligência escreverem artigos?

[…]

Oh sim. Este artigo é parcialmente reproduzida no meu livro, este artigo foi “Como a Líbia e o coronel Kadafi secretamente tentam construir uma usina de gás tóxico em Rabta”. Acho que foi Rabta, sim. E eu tenho toda essa informação… foi uma história que foi impressa em todo o mundo, alguns dias depois. Mas eu não tinha nenhuma informação sobre o assunto e  foi a agência de inteligência que me sugeriu escrever o artigo. Então isso não é como o jornalismo deve funcionar, as agências de inteligência decidirem o que é publicado ou não.

[…]

Eu tive uma, duas, três … seis vezes a minha casa foi revistada, porque eu tenho sido acusado pelo procurador-geral alemão pela divulgação de segredos de Estado. Seis vezes invadiram a minha casa! Bem, eles esperavam que eu nunca iria me recuperar. Mas eu acho que é pior, porque a verdade virá à tona um dia. A verdade não vai morrer. E eu não me importo com o que acontecer. Eu tive três ataques cardíacos, não tenho filhos. Então, se eles querem me processar ou me jogar na cadeia… é pior para a verdade.

VioMundo

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A Operação Apocalipse encontra a Operação Toffoli-Gilmar

26 nov

Por Luis Nassif- Jornal GGN
Anunciada esta semana, a Operação Apocalipse é o penúltimo ato preparatório para a futura tentativa do Ministro Gilmar Mendes, através do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), de conseguir o impeachment da presidente Dilma Rousseff.
Como já descrito no post “Armado por Toffoli e Gilmar, já está em curso o golpe do impeachment” a tática utilizada será a tese da contaminação do Caixa 1 – levantando eventuais pagamentos de empresas da Lava Jato à última campanha de Dilma. Havendo, o TSE poderia julgar a legitimidade da eleição de Dilma.
O alvo central é o ex-diretor de serviços da Petrobras Renato Duque. Imagina-se que chegando nele, se chegará ao tesoureiro do PT João Vaccari Neto. E se forem comprovadas doações depois de 2012, à campanha de Dilma.
A defesa de Duque sustenta que a Lava Jato até agora não apresentou uma prova concreta de que tenha recebido propinas. 
Como o inquérito corre em sigilo, o juiz Sérgio Moro, delegados e procuradores têm controle sobre as informações e as têm vazado seletivamente – sem serem incomodados pelo Ministro da Justiça e pelo Procurador Geral da República.
A primeira tentativa consistiu em tentar estabelecer o vínculo com o PT através do pagamento de R$ 1,6 milhão da UTC a Duque. Duque já era ex-funcionário da Petrobras e era razoável o motivo alegado para o pagamento – assessoria em um projeto enquadrado em sua área de conhecimento e em uma área da Petrobras que ele conhecia e poderia influenciar.
A segunda tentativa, agora, é com a informação dada por um executivo da Queiroz Galvão, de que teria pago propina após 2012 (clique aqui). Delegados e procuradores vazaram a informação para os jornais, que se incumbirem das ilações com a campanha do PT.
A partir dessas informações, procuradores seguiram para a Suíça para rastrear as contas de Paulo Roberto Costa mas, principalmente, conseguir alguma prova robusta contra Duque.
Imagina-se que o nome Apocalipse Now – dado à operação – seja porque permitirá encontrar provas contra grandes empreiteiras. O buraco é mais em cima: o alvo é Duque, através dele, Vaccari Neto e, através dele, as contas de campanha de Dilma. E, chegando nelas, o apocalipse.
Sobre Toffoli
Há toda uma discussão jurídica sobre o tema “fruto envenenado” nas contribuições de campanha – ou seja, se a comprovação de uma doação ilegal é suficiente para a rejeição das contas e para dar início a um processo de impeachment. As interpretações mais correntes são a da relativização dessas irregularidades.
Ocorre que no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a avaliação de provas e indícios caberá ao Ministro Gilmar Mendes, graças a uma manobra conduzida pelo presidente do TSE Antônio Dias Toffoli. Ela fará o relatório e dará o tom das discussões do pleno do TSE.
Aliás, solicita-se aos colegas blogueiros que se apressaram a isentar Dias Toffoli, um pouquinho de paciência para ler os artigos que escrevi e separar os fatos das interpretações.
FATO COMPROVADO – Toffoli manobrou para jogar as prestações de conta do PT e da campanha de Dilma para Gilmar Mendes.
1. Não havia motivo para a redistribuição imediata dos processos de prestação de contas do PT e de Dilma. Ele redistribuiu os processos menos de 8 horas úteis depois do final do mandato do Ministro Henrique Neves e antes mesmos dos documentos terem sido apresentados ao TSE.
2. Atropelou o regimento interno do TSE, que determinava que os processos deveriam ser repassados ou ao suplente ou a um Ministro da mesma classe que Neves. Tanto  que a decisão recebeu parecer contrário do próprio Procurador Eleitoral Eugênio Aragão, por atropelar o regimento e não haver sentido de urgência.
3. Manipulou os sorteios. Essa história de que sorteou os processos e “por azar” caíram com GIlmar Mendes depõe contra a acuidade jornalística dos meus colegas. A probabilidade de ambos os processos caírem com Gilmar era de 2%. Logo, a probabilidade de pelo menos um deles cair com qualquer dos demais Ministros era de 98%.
São fatos objetivos, com os quais não se deve brigar. Pode-se especular apenas sobre as razões que o levaram a essa manobra. E aí são especulações baseadas em evidências contra e a favor de Toffli.
 AS EVIDÊNCIAS CONTRA TOFFOLI – para afirmar que Toffoli se aliou a Gilmar, além do escandaloso redirecionamento dos processos, me baseio nas seguintes evidências:
 1. O descontentamento de Toffoli com Dilma, ao saber que não teria nenhuma influência na indicação de novos titulares do STF, STJ e do TSE.
 2. Conversas com membros do STF, TSE e Palácio e com amigos de Toffoli confirmando sua aproximação com Gilmar e sua mudança de atitude.
 3. O fato de ter endossado a PEC da Bengala – que, se aprovada (permitindo a aposentadoria de Ministros do TSE aos 75 anos) tiraria qualquer possibilidade de Dilma indicar os próximos cinco Ministros, que se aposentarão durante seu mandato.
 AS EVIDÊNCIAS DA DEFESA – os argumentos dos diletos colegas que defendem Toffoli são os seguintes:
 1. A história de Toffoli é totalmente diversa da de Gilmar – um fazendo carreira no PT, outra com FHC – logo seria impossível que se aliassem. De acordo com essa lógica, jamais haveria traição no mundo pois, por definição, trair significa ir contra as antigas convicções e alianças do traidor. Como imaginar que Joaquim Silvério dos Reis traiu a Inconfidência se toda sua vida foi de combate à Coroa? 
 2. Toffoli foi indicado por José Dirceu, logo é impossível que mude de lado. É a mesma lógica do item anterior. Não sendo mais foco de poder, parte dos amigos de Dirceu permanecerá leal, parte tratará de buscar outros polos de poder. São movimentos tão velhos e previsíveis quanto a política. Se a Inconfidência se mostrasse viável, Silvério dos Reis não teria se bandeado.
 3. Toffoli votou contra Gilmar na questão do financiamento eleitoral de empresas. E provavelmente deve torcer para time de futebol diferente. O que interessa é a afinidade nos temas relevantes. No mais relevante deles – a PEC da Bengala, que interfere diretamente na correlação atual de forças do STF – Toffoli endossou a posição de Gilmar.
 4. Toffoli meramente seguiu o regimento do TSE e deu “azar” dos dois processos caírem com Gilmar. Conforme demonstrado, não seguiu.
5. Ninguém sabe se Gilmar votará contra ou a favor da prestação de contas. Pelo longuissimo histórico, de Gilmar pode-se esperar tudo, menos a isenção.
 É aqui que se configura o movimento final, de tentar criminalizar o Caixa 1 de Dilma. 
 O presidente do PT Rui Falcão garante que o partido passou todas as contribuições pelo pente fino, para evitar surpresas.
 É aguardar para conferir.
 Por Luciano G

Todo candidato para fins de campanha tem um CNPJ e uma conta corrente. Isso vale também para o Comitê Central dos partidos.

Esse CNPJ foi aberto até 09/07/2014 pelo calendário eleitoral e se encerra com as eleições. Doações para financiar campanha só valem a partir disso. Então a análise vai se resumir a partir dessa data. Finda as eleições apura-se sobras ou prejuízos, encerra-se a conta corrente aberta para esse fim, e verifica-se os recibos eleitorais emitidos para cada doação. E fim.

O que tiver “entrado” antes não pode ser financiador de campanha, pois há recibos eleitorais emitidos para as doações. O tesoureiro da campanha de Dilma em 2014 foi Edinho Silva, nada de Vacari – o cara estava manjado.

Terminada a campanha não há de se falar mais em doação para campanha eleitoral, e sim para o “funcionamento” do partido.

 

Investigações aumentam ligações da gestão FHC à corrupção na Petrobras

25 nov

por Helena Sthephanowitz, para a RBA publicado 24/11/2014

Quando Aécio Neves e Fernando Henrique Cardoso se juntam para fazer críticas ao governo Dilma e à Petrobras, ou é sinal de que ambos estão com sérios problemas de memória, ou que não estão acompanhando as notinhas que vez por outra têm saído na imprensa amiga dos tucanos

Na sexta feira (21), o ex-gerente da diretoria de Serviços da Petrobras, Pedro Barusco, depois de fazer acordo de delação premiada como forma de diminuir seu possível tempo de prisão, relatou em depoimento à Polícia Federal e ao Ministério Público Federal, que recebeu cerca de US$ 100 milhões em propinas por negócios escusos na Petrobras desde 1996, no governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Barusco se aposentou na Petrobras em 2010 e, a partir daí, foi diretor de Operações da Sete Brasil, empresa que tem contrato atualmente com a Petrobras.

Fazendo coro com Barusco, na mesma semana foi a vez de outro diretor, o lobista Fernando Antonio Falcão Soares, conhecido como Fernando Baiano, dizer à Polícia Federal que começou a fazer negócios com a Petrobras durante o governo Fernando Henrique Cardoso. Contou Baiano, que, por volta do ano de 2000, celebrou contratos milionários com uma empresa espanhola, que na época o país vivia o apagão da energia e que a estatal buscava parceiros internacionais na área de produção de energia e gás para suprir a demanda. Ele disse também que conheceu Nestor Cerveró  no governo Fernando Henrique. Na ocasião, segundo ele, Cerveró era um dos gerentes da Petrobras.

De acordo com uma reportagem do jornal Folha de S. Paulo no ano de  2009, sob gestão de FHC a estatal usou decreto criado por ele mesmo para não aplicar a Lei de Licitações em parte dos contratos. Amparada por um decreto presidencial de 1998 e por decisões do STF (Supremo Tribunal Federal), a Petrobras fechou acordos sem licitação de cerca de R$ 47 bilhões (valor não atualizados)

Somente entre 2001 e 2002, no mandato do presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB-SP), a Petrobras contratou cerca de R$ 25 bilhões sem licitações, em valores não atualizados.

Em 2009 teve uma CPI  da Petrobras como agora. O requerimento foi de Álvaro Dias e recebeu assinaturas de apoio dos então senadores Demóstenes Torres (que era do DEM) e Eduardo Azeredo (PSDB-MG). Na época ninguém entendeu o fato de, após alguns dias de funcionamento, a CPI criada por parlamentares do PSDB ter sido abandonada sem que nada fosse investigado. A comissão foi instalada em julho e acabou em novembro. Sérgio Guerra e Álvaro Dias, também do PSDB, abandonaram a comissão no fim de outubro.

Somente no mês passado todos conheceram o real motivo da desistência.

O ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, preso na Operação Lava Jato após decidir colaborar com o Ministério Público Federal, afirmou em depoimento que repassou propina no valor de R$ 10 milhões ao ex-presidente do PSDB Sérgio Guerra, para que ajudasse a esvaziar uma Comissão Parlamentar de Inquérito criada para investigar a Petrobras em 2009. Guerra era senador e integrava aquela CPI. Ele morreu em março deste ano e foi substituído por Aécio Neves no comando do PSDB.

Segundo depoimento de Costa, as  empresas que prestam serviços à Petrobras tinham como objetivo nessa época encerrar logo as investigações da CPI , porque as empreiteiras temiam prejuízos. O PSDB sempre culpou o PT e Lula pelo fim da CPI. Um dos textos do site do PSDB publicado em março deste ano, traz o seguinte título: “Governo engavetou CPI da estatal em 2009”  Agora sabemos que o PSDB atribuiu  ao PT uma culpa que ele não teve

Junto a todos esses fatos, o dono da UTC, Ricardo Pessoa, disse em depoimento à Polícia Federal que tinha contato próximo com o arrecadador de campanha do PSDB, o Doutor Freitas, Sérgio de Silva Freitas, ex-executivo do Itaú que atuou na arrecadação de campanhas tucanas em 2010 e 2014 e que esteve com o empreiteiro na sede da UTC.

Ainda de acordo com o depoimento, o objetivo da visita do “doutor Freitas” foi receber recursos para a campanha presidencial de Aécio originadas de propinas entre construtoras que prestavam serviços à Petrobras.

Vale aqui recordar o comentário do jornalista da Rede Band, Ricardo Boechat – que pode ser taxado de tudo, menos de ser petista: “Fernando Henrique Cardoso está sendo oportunista quando diz que começa a sentir vergonha com a roubalheira ocorrida na gestão alheia. É o tipo de vergonha que tem memória controlada pelo tempo. A partir de um certo tempo para trás ou para frente você começa a sentir vergonha, porque o presidente Fernando Henrique Cardoso é um homem suficientemente experiente e bem informado para saber que na Petrobras se roubou durante o seu governo”

Merval o pornográfico textual…Por Luís Costa Pinto

19 nov

Luís Costa Pinto no Facebook ( 18nov2014 )

Não vou fazer link aqui, nem reproduzi-lo em parte ou no todo para os curadores do Facebook não me bloquearem acusando-me de distribuir pornografia na rede, mas o artigo de hoje de Merval Pereira em O Globo é exatamente isso: pornográfico.

Antidemocraticamente pornográfico. Insultantemente golpista. O “filósofo” Pereira (sim, ele é membro da Academia Brasileira de Filosofia) parece se lançar por mares nunca dantes navegados e defende como líquido e certo o impeachment de Dilma diferenciando-o do processo de impedimento de Collor e sustentando que dessa vez o vice-presidente tem de ir junto.

Esquece Pereira, antípoda do personagem de Afirma Pereira, personagem de um dos melhores romances do italiano Antonio Tabucchi, que no Estado Democrático de Direito é necessário processo, amplo direito de defesa, ao menos duplo grau de jurisdição e irrecorrível e ampla publicidade do andamento processual.

Para ele, segundo o texto quadrúpede que publica hoje, pegamos a Lei do Impedimento de 1950, cruzamos com a Constituição de 1988, excluímos o exemplo de 1992 que deu posse a Itamar e produzimos o impeachment de Dilma e de Temer e lançamos Lula para responder a processos na Justiça de Primeiro Grau.

Donde se depreende que Merval Pereira, o filósofo, é desde já o primeiro candidato a ministro do Supremo Tribunal Federal num eventual governo surgido na esteira do golpe que propõe.
É um espanto.
O que sobra de Pereira em O Globo de hoje é uma reflexão Lobatiana: ou o Brasil acaba com as saúvas, ou as saúvas acabam com o Brasil.
Em tempo, mas sem desenhar: Merval é uma saúva.

Jornalista Luis Costa Pinto

Luís Costa Pinto

Por que Dilma está confiante se parte da oposição quer derrubá-la?

19 nov

dilma

Na Austrália, Dilma, confiante, desapontou setores que apostam fichas em crise política decorrente da Operação Lava Jato

Na entrevista coletiva que a presidenta Dilma Rousseff concedeu na Austrália, durante a reunião dos países do G-20, no domingo (16), ela apareceu confiante, desapontando setores que apostam todas as fichas em crise política decorrente da Operação Lava Jato. O bom humor parece ser devido ao fato de o Brasil ter colhido vitórias nas resoluções dos líderes do G-20.

A presidenta fez um breve relato sobre decisões dos países de adotarem medidas que visem ao crescimento aquecendo a demanda, falou sobre investimentos em universalização do acesso à energia e educação, ambiente favorável a aumentar o comércio mundial, e sobre a reforma do Fundo Monetário Internacional para dar mais peso aos países em desenvolvimento.

Em seguida vieram as perguntas, e a primeira já foi sobre o impacto sobre seu governo e sobre ela da inédita prisão de grandes empreiteiros e financiadores de campanha na Operação Lava Jato. A presidenta demonstrou uma confiança que até surpreende quem se informa exclusivamente pela imprensa tradicional brasileira. Disse que não é o primeiro escândalo desta proporção na história do Brasil, e sim o primeiro investigado. Disse que pode mudar o país para sempre, ao acabar com a impunidade, e que mudará as relações entre a sociedade, o Estado e as empresas privadas. Que a investigação não é algo engavetável. Que colocará à luz do sol os processos de corrupção, inclusive, de alcance internacional.

Ao contrário da sanha golpista de alguns quadros da oposição e do jornalismo oposicionista com tradição em apoiar golpe, Dilma tem um histórico de combate e enfrentamento a cartéis. Bem diferente dos governos do PSDB e DEM, tanto quando estiveram no Planalto, como dos governadores que ainda estão no poder.

Sua fama nacional começou em 2004, quando ministra das Minas e Energia responsável por promover o primeiro leilão de energia elétrica no governo Lula. Para evitar combinação de preços entre os concorrentes, as regras do leilão exigiam de todos que fossem dar lance se “internarem” em um hotel, incomunicáveis com o mundo exterior e entre concorrentes, sem telefone, notebook, tablet. Só puderam usar computadores e softwares oferecidos pelos organizadores para fazer seus cálculos.

As empresas, do lado de fora, não sabiam o que se passava lá dentro com seus representantes. Só souberam do resultado no fim de leilão. Os consumidores tinham o que comemorar com os preços baixos. Os lobistas reclamavam que o preço a que se chegou foi baixo demais. Mas foi o preço dado pelas próprias empresas que calcularam serem o suficiente para se sentirem remuneradas, em ambiente de livre concorrência. Esse episódio levou Dilma a ser chamada internacionalmente de “Dama de Ferro” por jogar duro com empresários em defesa do interesse público.

Leilões de concessão de rodovias e outros serviços públicos também levaram a uma queda-de-braço entre governo e setor privado em torno de taxa de retorno aceitáveis. O governo defendendo tarifas e pedágios menores para o cidadão. As empresas reclamando que o governo queria “tabelar” os lucros.

Houve várias quedas-de-braço com empreiteiras desde o governo Lula. Batalhões de engenharia do Exército chegaram a fazer obras em rodovias, em parte da transposição do Rio São Francisco, por causa de licitações onde empreiteiras não aceitavam o preço máximo que o governo se dispunha a pagar, acima do qual considerava abusivo.

Em parte, vêm daí reclamações dos setores empresariais sobre falta de diálogo com a presidenta. O que é falso, neste caso. Há um processo de negociação onde o governante defende o interesse público, o empresário seu interesse privado. Cada um está de um lado diferente do balcão e devem chegar a um valor justo. Errado seria se o governante passasse para o lado do balcão do empresário. Aí não seria diálogo e negociação, seria cooptação, e é o que ocorre em muitos casos de corrupção.

No governo federal, em que pese os males decorrentes da governabilidade e de legislação permissiva, é fato que vários órgãos procuraram fazer editais de licitação que permitissem a participação de empreiteiras menores para aumentar a concorrência. Curiosamente até o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, no depoimento que foi divulgado ao público pela Justiça Federal do Paraná, disse ter recebido em alguns momentos orientação para incentivar maior concorrência entre fornecedores, o que vai contra os interesses de cartéis. Infelizmente, nem o juiz, nem os procuradores que cuidam da Operação Lava Jato se aprofundaram para perguntar de quem veio a orientação.

O fato é que o Brasil não é um país pronto. Precisa de construtoras para fazer sua infraestrutura, e é bom que sejam nacionais para não haver perda de divisas, para desenvolver a engenharia nacional e para os trabalhadores brasileiros terem empregos, sobretudo empregos qualificados na área tecnológica. As grandes empreiteiras envolvidas na Operação Lava Jato estão no mercado há décadas e, ao que tudo indica, passaram a atuar em cartéis e não é de hoje. Fazem obras para os três poderes e para os três entes federativos.

Também, ao que tudo indica, passaram a corromper agentes públicos, para facilitar a atuação em cartéis. E ainda financiam campanhas eleitorais, mesmo de políticos que não são corruptos, mas convenhamos que mitiga o ímpeto investigativo em CPIs, mesmo da oposição, sobre quem os financia. Não por acaso, nunca vimos em CPIs nenhum dos presos na Operação Lava Jato. Sempre se convocou apenas os agentes públicos e políticos, deixando os grandes financiadores privados de campanha de fora. E isso vem, pelo menos, desde o escândalo dos anões do Orçamento há mais de 20 anos.

Quebrar esta estrutura patrimonialista enraizada é uma das transformações nacionais mais importantes. A oposição e a imprensa vinda da ditadura prestam um desserviço à nação ao ficar alimentando factóides sobre impeachment sem o menor fundamento. Pedir impeachment da presidenta é tão insano como pedir o fechamento do Congresso Nacional e impeachment de governadores e prefeitos, já que a maioria recebeu, direta ou indiretamente, financiamento de campanha dessas empresas. Tão insano quanto pedir a destituição de membros do Poder Judiciário por já terem firmado contratos licitados com estas empresas em obras de palácios de Justiça.

A presidenta presta um serviço à nação ao dizer e apostar que os desdobramentos da Lava Jato mudarão as relações entre a sociedade, o Estado e as empresas privadas.

É bem provável que a prisão leve os próprios empresários a aderirem ao fim do financiamento empresarial de campanha, a principal raiz da corrupção sistêmica. Afinal, hoje foram empreiteiros. Quem garante que amanhã não pode ocorrer algo semelhante com banqueiros privados, já que agem em bloco na Febraban (Federação do Bancos Brasileiros), fazem propostas semelhantes nos leilões de títulos públicos, nas exigências das taxas de juros, por nomeações no Banco Central, na CVM, financiam campanhas e fazem pressão no Congresso por leis de seu interesse. Só não há conhecimento de casos de suborno, nem de delatores, mas não é impossível que venham a ocorrer.

Quem sabe, agora, até o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, resolve devolver o processo para prosseguir o julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adi) 4.650, proposta pelo Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, contra o financiamento empresarial de campanhas eleitorais?

por Helena Sthephanowitz -Blog da Helena -RBA

Carta Aberta ao Pe. Fabio de Mello – CapítuloFinal

10 nov

Esta Carta Aberta ao Pe. Fabio de Mello foi escrita em maio de 2014, logo depois que vi no Instagran do Aécio Neves no dia 1º de Maio a foto que originou essa Carta Aberta ao Pe. Fábio.
Muitos se posicionaram de lá até aqui violentamente contra, até com palavras de ofensa e desacato. Outros ( e foram muitos também) me mandaram apoio e concordância com minhas razões de repúdio ao fato do padre ter se deixado fotografar ao lado do candidato.

Hoje, passadas as eleições, com a vitória de Dilma a carta ainda gera mensagens e razões mais ou menos revoltadas.
Acredito que tudo o que tinha a ser dito à respeito já foi dito.
Por mim, respondendo aos emails e mensagens, ou pelos outros que me escreveram apoiando ou criticando; faço a constatação que agora estamos só nos repetindo, falando as mesmas coisas óbvias, andando em círculos, como perus. Rssssss

Portanto, decidi virar a página, deixar de responder às críticas e elogios.
NÃO FALO MAIS SOBRE O ASSUNTO!!!
À todos , o meu obrigado e espero que quem se ofendeu me perdoe.
Não foi esse meu objetivo.
Aos que entenderam minhas razões eu agradeço o apoio numa hora em que fui bastante incompreendida e atacada.
Aprendemos alguma coisa com isso tudo, eu tenho a certeza! Paz e Bem!

Por Dadinha Piedade Peixoto

Dadinha Piedade Peixoto

Nos EUA ,corte em programa ameaça 3 milhoes de pessoas

9 nov

WASHINGTON – Um em cada sete americanos é atingido pelo corte de US$ 5 bilhões – equivalente a 7% – no programa de cupons de alimentação, conhecido como food stamps, que entrou em vigor nesta sexta-feira. Trata-se da primeira grande redução na história do programa federal, que até julho atendia 48 milhões de americanos.

Caso as propostas dos legisladores republicanos para reduzir o déficit orçamentário do país sejam aprovadas, três milhões de pessoas – o equivalente à metade da população do Rio de Janeiro -podem sair da lista de beneficiários do programa, com a adoção de regras mais rígidas para o ingresso no programa. O objetivo dos conservadores é economizar US$ 39 bilhões em dez anos, com a vinculação do benefício à procura por emprego e exames antidrogas.

Americanos que precisam de ajuda do governo recebem, em média, US$ 133 por mês. Com os cortes que entraram em vigor, eles vão perder US$ 10 por mês, conforme estimativa do Centro de Orçamento e Políticas Prioritárias, um centro de estudos voltado para a redução da pobreza.

Uma família de três pessoas perde US$ 29 mensais, que compram 16 refeições, calcula Ellen Vllinger, diretora do Programa de Assistência de Nutrição Suplementar (Snap, na sigla em inglês), responsável pela distribuição dos cupons. E isso pode ser só o começo.

Desembolso de US$ 78,4 bi

O Snap, principal programa do gênero nos EUA, foi criado para ajudar, principalmente, crianças, deficientes e idosos. Os beneficiários, em geral, são famílias com renda de US$ 8.800 por ano (dado de 2010 do Departamento de Orçamento do Congresso). No último ano fiscal, encerrado em 30 de setembro, o programa desembolsou US$ 78,4 bilhões.

Apesar da recente tendência de melhora na economia, ele mantém a estrutura alcançada nos piores anos da crise – o número de pessoas que apelam para a ajuda do governo para se alimentar cresceu 1,7% em relação ao ano passado. Para seus defensores, isto se explica porque, após a recessão de 2008 e 2009, a recuperação ainda é cambaleante e o crescimento do emprego, lento. Para os críticos, as cifras crescentes evidenciam a urgência de reformas a fim de reduzir o déficit federal. Agora, com a legislação para abastecimento em sua etapa final, esta avaliação deve prevalecer.

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