Suicídio político do PT

28 nov

Por “Euler”(Facebook)

Não acho que tenha sido um erro a bancada do PT no senado ter votado a favor do relaxamento da prisão do senador Delcídio do Amaral.

Não estava em questão as atitudes ou os arroubos do tal senador “mais tucano do PT”, mas uma quebra da constitucionalidade, que proíbe a prisão de um senador em exercício do seu cargo, sem que haja o tal flagrante de crime inafiançável. Isto não se configurou, sendo a tal prisão, portanto, ilegal.

Quem defende algo diferente disto, caso do Azenha, está demonstrando a mesma fraqueza de princípios que se apoderou da maioria dos juízes ou ministros, procuradores e parlamentares, que agem ao sabor da pressão popular – pressão esta criada pela mídia.

Ora, Delcídio foi preso por conta de um grampo ilegal, não autorizado pelo STF, e não cometeu os crimes inafiançáveis previstos na constituição, como racismo, terrorismo, grupo armado, etc. Os ministros do STF citados no tal grampo nem deveriam julgar o caso, pois, se o grampo é levado a sério pela justiça, eles estariam sob suspeição.

Não estou aqui analisando o caráter, o comportamento e as preferências fisiológicas e ideológicas do senador até então líder do governo no senado. Este é um problema que o PT tem que resolver internamente. O correto seria que se abrisse inquérito contra o senador, que ele pudesse se defender, até que as provas num julgamento tanto no senado quanto na justiça revelassem sua culpabilidade, o que resultaria na cassação do mandato dele, e consequente prisão.

Mas, a prisão de um senador em exercício tal como ocorreu foi um ato ilegal, que agride a Carta Magna, assim como tem acontecido em várias ocasiões com a Operação Lava Jato, que deveria se chamar Lesa-pátria, tais os prejuízos causados ao país.

Esta operação tem agido como uma força-tarefa acima da lei, do bem e do mal, como se fosse um poder acima das instituições, poder esse outorgado pela mídia e por uma opinião publicada por esta mesma mídia golpista, que está destruindo a democracia e o estado de direito no Brasil.

A crítica ideológica ao “endireitamento” do PT é válida e não é nova. Mas, o momento atual, claro que criado em grande parte pelas muitas omissões do PT no governo federal, exige uma postura que transcende essa disputa ideológica no PT. A democracia no Brasil está sendo destruída, com a ação calculada de grupos ligados à mídia e ao aparato judicial-policial, além de interesses externos que só conheceremos talvez daqui a décadas. A se confirmar essa tendência de avanços da direita e retrocessos nas conquistas sociais, muito pouco sobrará do espólio da esquerda, seja a mais radical ou a mais água com açúcar. Sobrará talvez somente a vaidade ou o egocentrismo de alguns, o que pouco adiantará para o interesse geral dos trabalhadores.

É preciso enfrentar o golpismo em algumas frentes: a primeira, nas comunicações, no debate, que é dificultado pelo total domínio dos meios de comunicação de massa – rádios e TVs – pelos inimigos do povo brasileiro.

A Internet e os poucos meios alternativos assumem grande responsabilidade neste contraponto; segundo, os movimentos sociais precisam entrar nessa briga com um programa comum, em defesa da democracia e a denúncia do golpismo que tem sido aplicado no país com a Lava Jato, procuradores, policiais federais, grupos dominantes no congresso e a mídia golpista; terceiro, o governo Dilma tem que mudar os rumos, passando a desenvolver políticas públicas que gerem emprego, renda, queda nos juros da dívida pública, mais investimentos na saúde e na educação.

Nem que tenha que lançar mão de parte das reservas internacionais, de empréstimos mais baratos do que se paga com juros e com os instrumentos de que dispõe, como o BNDES, BB e CEF.

Ao mesmo tempo, o governo Dilma precisaria ter uma postura mais ofensiva em todas as áreas, a começar na retomada do controle da PF, da RF e do BC, hoje entregues aos golpistas.; quarto, o ex-presidente Lula ainda tem um papel muito importante na mobilização popular, na denúncia do golpismo e no incentivo à retomada do crescimento econômico.

A esquerda e os movimentos sociais estão esperando que ele seja preso por esta força-tarefa estrangeira que age acima das leis no país. Já deveríamos ter construído mecanismos e instrumentos de denúncia às práticas seletivas, à blindagem dos tucanos; aos prejuízos causados pela operação lesa-pátria.

Por exemplo: os movimentos sociais e sindicais e estudantis já poderiam discutir com suas bases a essência do golpismo que está em curso no Brasil.

De como isso está ameaçando todas as conquistas democráticas e sociais do nosso povo; de como isso está ligado a um jogo de cartas marcadas, que envolve a mídia com seus comentaristas de aluguel; envolve parte da justiça, hoje mero instrumento homologatório da chantagem midiática; que envolve o aprofundamento do desemprego graças em grande parte ao desinvestimento dos setores estratégicos provocado pela operação lesa-pátria; envolve também a retirada de direitos, como a terceirização generalizada, a redução da maioridade penal que vai colocar mais pobres, principalmente negros, nas cadeias; a retirada de direitos humanos e da LGBT, entre outros.

Já deveríamos ter criado grupos de trabalho com capacidade de mobilizar dezenas de pessoas para irem diariamente às portas dos jornais, rádios e TVs cobrando aquilo que eles estão escondendo do povo; fazer o mesmo nas portas do STF, do MPF, da PF, do juiz Moro, entre outros. Indagar, por exemplo, por que eles não investigaram as denúncias contra Aécio, Anastasia e Sérgio Guerra? Por que eles não falam no mensalão tucano de Minas, ou no Trensalão de SP, ou nas propinas do Agripino do Demo; ou no escândalo do Banestado; ou no helicóptero dos Perrelas, amigos de Aécio – assim como este banqueiro preso que financiou a lua de mel do ex-governador de Minas e a mídia nunca faz referência a este fato gravíssimo?

Enfim, era preciso desmoralizar estes personagens para que a política fosse discutida num outro patamar, não o do moralismo rasteiro, mas o de quem – partidos, grupos, pessoas – tem de fato compromisso com os interesses de classe da maioria do nosso povo; e quem são os inimigos do povo brasileiro.

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