Arquivo | outubro, 2017

A Marcha dos Hipócritas.Por Leandro Fortes

27 out

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Primeiro, vamos combinar uma coisa: se você votou em Aécio Neves, nas eleições passadas, você não está preocupado com corrupção.

Você nem liga para isso, admita.

Aécio usou dinheiro público para construir um aeroporto nas terras da família dele e deu a chave do lugar, um patrimônio estadual, para um tio.

Aécio garantiu o repasse de dinheiro público do estado de Minas Gerais, cerca de 1,2 milhão reais, a três rádios e um jornal ligados à família dele.

Isso é corrupção.

Então, você que votou em Aécio, pare com essa hipocrisia de que foi às ruas se manifestar porque não aguenta mais corrupção.

É mentira.

Você foi à rua porque, derrotado nas eleições passadas, viu, outra vez, naufragar o modelo de país que 12 anos de governos do PT viraram de cabeça para baixo.

Você foi para a rua porque, classe média remediada, precisa absorver com volúpia o discurso das classes dominantes e, assim, ser aceito por elas.

Você foi para a rua porque você odeia cotas raciais, e não apenas porque elas modificaram a estrutura de entrada no ensino superior ou no serviço público.

Você odeia as cotas raciais porque elas expõem o seu racismo, esse que você só esconde porque tem medo de ser execrado em público ou nas redes sociais. Ou preso.

Você foi para a rua porque, apesar de viver e comer bem, é um analfabeto político nutrido à base de uma ração de ódio, intolerância e veneno editorial administrada por grupos de comunicação que contam com você para se perpetuar como oligopólios.

Foram eles, esses meios de comunicação, emprenhados de dinheiro público desde sempre, que encheram a sua alma de veneno, que tocaram você como gado para a rua, com direito a banda de música e selfies com atores e atrizes de corpo sarado e cabecinha miúda.

Não tem nada a ver com corrupção. Admita. Você nunca deu a mínima para corrupção.

Você votou em Fernando Collor, no PFL, no DEM, no PP, em Maluf, em deputados fisiológicos, em senadores vis, em governadores idem.

Você votou no PSDB a vida toda, mesmo sabendo que Fernando Henrique comprou a reeleição para, então, vender o patrimônio do país a preço de banana.

Ainda assim, você foi para a rua bradar contra a corrupção.

E, para isso, você nem ligou de estar, ombro a ombro, com dementes que defendem o golpe militar, a homofobia, o racismo, a violência contra crianças e animais.

Você foi para a rua com fascistas, nazistas e sociopatas das mais diversas cepas.

Você se lambuzou com eles porque quis, porque não suporta mais as cotas, as bolsas, a mistura social, os pobres nos aeroportos, os negros nas faculdades, as mulheres de cabeça erguida, os gays como pais naturais.

Você odeia esse mundo laico, plural, multigênero, democraticamente caótico, onde a gente invisível passou a ser vista – e vista como gente.

Você foi não foi para a rua pedir nada.

Você só foi fingir que odeia a corrupção para esconder o óbvio.

De que você foi para a rua porque, no fundo, você só sabe odiar.

.oOo.

Leandro Fortes é jornalista.

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Bullying.Por Maria Luiza Quaresma Tonelli

22 out

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O bulllying é uma prática de conduta violenta que submete a vítima a uma humilhação contínua. É a vontade de poder subjugar o outro que é considerado inferior. Uma inferioridade física, cognitiva, social e econômica.

Garotos e garotas bonitos, populares e provenientes de classes mais abastadas dificilmente serão alvos de bullying, pois são reconhecidos, respeitados, bajulados e até imitados em seu ambiente escolar.

A vítima do bullying sofre rejeição, é isolada dos colegas e é submetida continuadamente a situações degradantes e vexatórias. É exposta pelos outros que a agridem moralmente e psicologicamente. Às vezes, até fisicamente. Deixa sequelas, pois a fase da adolescência é de conflitos e de oscilação da auto-estima.


O bullying destrói a auto-estima da vítima. Numa sociedade onde tudo é hierarquizado, onde há superiores e inferiores (belos e feios, fortes e fracos, brancos e negros, ricos e pobres, extrovertidos e introvertidos, etc.) personalidades autoritárias vão se formando desde a mais tenra idade.

É uma sociedade que traz em seu cerne uma violência latente. O bullying é tão violento quanto a violência praticada pelas suas vítimas quando se vingam de seus algozes.


Vítimas de bullying podem não reagir e superar situações degradantes às quais são expostas com a ajuda de um trabalho da escola , podem reagir de forma violenta , como aconteceu na escola de Goiás, ou podem até atentar contra a própria vida cometendo o suicídio.
O menino de 14 anos que matou dois colgas de classe e feriu outros quatro teria se inspirado no atentado de Columbine, onde o atirador era vítima de bullying. Num primeiro momento tendemos a achar que aquele trágico episódio influenciou psicologicamente o garoto de Goiás.

Tendemos também a achar que o livre acesso às armas nos EUA e o acesso à arma da mãe do garoto de Goiás foram deteminantes em ambas as tragédias. Não. As armas são apenas o meio, o instrumento, não a causa.
Há que se pensar mais além. Há que se pensar no modelo de sociedade capitalista, onde os fracos não tem vez. Sociedades de winners e de loosers. Daí há que se pensar se o garoto de Goiás simplesmente se inspirou em Columbine ou se não passa de mais uma vitima da sociedade capitalista, fundada na desigualdade e no egoísmo, na competição e na exclusão.


O pai do garoto que que levou os primeiros tiros (o que praticava o bullying) disse hoje o velório do filho, que perdoa o atirador. Pediu que a sociedade também o perdoe.
Acredito que a sociedade em que vivemos hoje também deveria pedir desculpas a todas as vítimas de bullying.

Em tempo: acredito que nunca veremos notícias semelhantes às de Columbine e de Goiás vindas de Cuba . Por razões óbvias.

Maria Luiza Quaresma Tonelli

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SACRIFICARAM O BANESTADO PARA ESCONDER A GRANDE CORRUPÇÃO DO GOVERNO FHC.

19 out

 

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Por Serginho Athayde

É preciso ter coragem para noticiar a verdadeira história da privatização do BANESTADO. O banco oficial estadual era um dos mais enxutos financeiramente do país, com um quadro profissional reconhecido nacionalmente, como um dos mais capazes do sistema financeiro oficial, tanto é verdade, que vinham de todos os cantos do Brasil, funcionários de outros bancos oficiais para serem treinados em nosso RH.

Eram tempos da quadrilha de FHC, o Brasil enfrentava uma grande crise econômica, e interessava aos tucanos privatizar todos os bancos oficiais, principalmente o BANESTADO, para esconder a grande negociata de evasão de divisas conhecida como Privataria Tucana. Nesse contexto de crise econômica e privatização levaram o BANESTADO a uma profunda crise. O BANESTADO era a joia cobiçada da farra das privatizações dos bancos oficiais, processo iniciado no governo da quadrilha FHC, que terminará no atual governo da quadrilha Temer, com a privatização do BANRISUL, e dos bancos federais CAIXA e BB.

A privatização do BANESTADO levou para os cofres públicos do governo do Paraná, só do PROES (Programa de Incentivo a Redução do Setor Público Estadual na Atividade Bancária) mais de 6 bilhões, e mais o valor que o Banco Itaú S.A pagou pela “compra”, que ao certo ninguém sabe quanto foi, mas que enriqueceu vários parlamentares e figuras importantes do governo Lerner e da República.

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O que também não se revelou, é que as dívidas do governo Lerner com os servidores públicos, foram jogadas para o BANESTADO, era a estratégia desse governo, jogar todas as suas dívidas na conta do banco, para que o governo federal pagasse, tinham que enxugar financeiramente o banco, para “vende-lo”. É uma falácia escandalosa apontar o BANESTADO como culpado das dívidas não pagas pelo governo Lerner ao funcionalismo e a outros credores.

A falta de notícias do PIG em relação as negociatas do governo FHC, escondia a necessidade imperiosa de privatizar o BANESTADO, para não trazer a público a negociata da evasão de divisas e de seus documentos, ou seja, do bilionário valor pago em propinas aos tucanos pelos compradores das empresas privatizadas, a fantástica e escandalosa Privataria Tucana, ou seja, a lavagem do dinheiro mandado para o exterior pelas agências do BANESTADO de Nova Iorque, Foz do Iguaçu e outras, valores que chegaram, conforme a CPMI do BANESTADO, a R$ 150 bilhões em dezembro de 2004, que transformaram o banco num das maiores empresas de lavagem de dinheiro ilegal do país, ou quem sabe do mundo.

A mega corrupção precisava ser escondida a qualquer custo, a estratégia era a de quebrar o BANESTADO com uma má gestão proposital, colocar nas contas de sua responsabilidade todas as dívidas do governo Lerner, para ganhar a participação do governador, e mais, impedir a possibilidade da denúncia dos ladrões tucanos. Para que isso acontecesse, era necessário que o BANESTADO fosse rapidamente “vendido”, e os papéis da mega negociata, as provas, sumissem, não se importando com o funcionalismo de carreia e concursado do banco, que a partir da sua privatização iriam amargar a tragédia das demissões, e passar a viver no próprio inferno.

O governo Lerner ganhou muito dinheiro de FHC para pagar as dívidas do seu governo, estrategicamente já tinha jogado todas para a conta do BANESTADO, e o Itaú ficou com a joia cobiçada pelo sistema financeiro privado nacional. O banco foi “vendido”, acreditem, “vender” um banco de massas, 550.000 clientes naquela época, com uma forte inserção na economia do Paraná, amado pelos paranaenses e seu funcionalismo, e com uma fundação de previdência dos funcionários, com um ativo fabuloso na época, que hoje está em mais 5 bilhões de reais.

Em Brasília, criaram uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito. “A CPI do Banestado foi uma das mais conturbadas investigações parlamentares já realizadas pelo Congresso Nacional. Ela só foi criada após a repercussão negativa do caso. O relator da CPI mista sugeriu o indiciamento de 91 pessoas, entre elas o ex-presidente do Banco Central, Gustavo Franco, o ex-prefeito de São Paulo, Celso Pitta e o dono das Casas Bahia (maior rede varejista do Brasil), Samuel Klein. Todos foram acusados de participar de um mega esquema de evasão de divisas, envio irregular de dinheiro a paraísos fiscais através de contas CC5, que pode ter chegado a R$ 150 bilhões. ”

O Caso BANESTADO foi um mega crime de corrupção. “O ex-presidente do BC do governo FHC, Gustavo Franco, de acordo com o relator, foi o responsável pela evasão de mais de R$ 30 bilhões entre os anos de 1996 e 2002, já que teria criado os mecanismos que permitiram o envio de dinheiro para contas no exterior. Desde o início das investigações havia a presunção de que mais de 130 políticos estavam envolvidos no esquema, além de empresários e pessoas ligadas ao tráfico de drogas, de armas e de mulheres. Se a remessa ilegal de R$ 150 bilhões ocorreu entre 1996 e 2002 só nos resta associar esses valores à chamada Privataria Tucana – tão bem descrita no livro do jornalista Amaury Ribeiro Jr.”

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No Paraná foi aberta uma CPI na Assembleia Legislativa do estado, que o deputado estadual Neivo Beraldin presidiu, a negociata da Privataria Tucana em momento algum foi denunciada, se limitando à análise das operações registradas como CDL (Créditos em Difícil Liquidação) ou CL (Créditos em Liquidação), na verdade uma farra para os grandes, médios e pequenos empresários paranaenses da agricultura e da indústria não pagarem suas dívidas com o banco. Uma omissão que escondia a negociata do governo Lerner com o empresariado paranaense, que deve ter sido regiamente recompensada.

Diante desta negociata criminosa de evasão de divisas, o que fez o MPF? Abriu também uma investigação, que chegou ao fim sem denunciar ou penalizar os responsáveis, transformando-se numa farsa judiciária, para muitos. A surpresa é que as investigações eram comandadas pelo justiceiro Moro e atuavam também no caso os procuradores Dallagnol e Carlos Fernando, o Boquinha. Até Youssef foi o principal doleiro do caso, fez delação premiada, foi preso, depois solto, e continuou na corrupção. Pasmem, até Cunha participou da farra.

É de se perguntar se algum tucano foi denunciado? Não! Tem alguém condenado ou preso? Não! O Caso BANESTADO foi engavetado. Espero que neste dia 17 de outubro, data da privatização do banco, os ex-funcionários em suas manifestações exijam a reabertura do Caso BANESTADO, com base nos documentos e provas apresentadas no livro “Privataria Tucana”, tão bem descritas pelo jornalista Amaury Ribeiro Jr”, a ser solicitado no Senado pelos Senadores Gleisi e Requião.

Serginho Athayde
Ex-gerente administrativo da agência especial Assembleia-Rio, aposentado, preso político, teve a anistia reconhecida pelo BANESTADO na gestão do presidente deputado federal-constituinte Norton Macedo, pelo governo Requião, e reconduzido ao seu cargo de gerência por ocasião da sua aposentadoria.

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