24 de janeiro:. o dia decisivo.Por Leandro Scala 


​Não falta muito para começarmos a ter problemas ainda mais graves do que já temos.

Ontem , o comandante do exército , o general Villas Bôas , chama a atenção para a possível contaminação de tropas federais por facções criminosas.
É uma afirmação gravíssima e preocupa muito.
É melhor devolver logo o país à democracia e à soberania , senão pode ser tarde demais.
Não é pouca coisa. Tentemos ver alguma cifra dessa conjuntura explosiva.
Onde estão as instituições brasileiras neste momento? Quem souber , por favor , me avise. A presidente do Supremo Tribunal Federal extrapola suas atribuições em decisões polêmicas e se omite o resto de seu tempo útil. Carmen Lúcia não é apenas fraca politicamente: ela é fraca tecnicamente.
É uma infelicidade alguém como ela estar nesta posição neste momento histórico. O golpe e os Estados Unidos agradecem esse singelo elemento facilitador.
Outras instituições? Executivo , Legislativo , Ministério Público , imprensa. É necessário comentar?
O próprio exército está queixoso , fora de suas atribuições. Forças policiais estaduais acusam o golpe de terem um comando político fraco e confuso e produzem , com isso , mais violência (vide Rio Grande do Norte). O sistema carcerário brasileiro é praticamente um holocausto.
As notícias de morte por bala perdida que haviam desaparecido do noticiário entre 2003 e 2013 , voltaram com força total. A violência explodiu em todo os níveis e a população de rua nunca foi tão numerosa. Três milhões de postos de trabalho com carteira assinada desapareceram.
A febre amarela grassa na cidade de São Paulo e há problemas de vacinação. Um milhão de pessoas deixaram planos de saúde. Morre-se nas filas dos hospitais e em intervenções cirúrgicas básicas.
Fim do programa Mais Médicos. Fim do Farmácia Popular. Minha Casa Minha Vida com 13% de realização. Fim do crédito para pessoas de baixa renda.
Chacinas , suicídios , dramas familiares , desesperança , falências , estagnação econômica e o Brasil como pária internacional , sem interlocução absolutamente nenhuma. Embraer , Petrobras , Eletrobrás , bancos públicos , escolas públicas , universidades públicas , todos por um fio.
A única entidade no planeta Terra que acredita em um país estabilizado é a imprensa brasileira.
A pergunta que faço é: quando o estado se ausenta completamente de suas atribuições , o que entra no lugar? Consideremos o que a história nos disponibiliza como informação: na hipótese de ausência de estado e leis , a violência se impõe rapidamente.
É isso o que ocorre neste exato momento. A violência está avisando , está dando uma chance ainda para que haja algum tipo de reação política soberana.
Neste momento, o Brasil está praticamente contratando uma violência de proporções gigantescas , duradouras e devastadoras.
As condições (des)estruturais estão dadas.
Porém , há um elemento humano , que irá ter forças para produzir uma resposta histórica emergencial. Esse elemento humano tem nome , e é um nome já tão consensual que nem é preciso dizê-lo.
A única saída para um impasse político desta dimensão só pode ser o retorno da democracia através de seu maior protagonista histórico: ele.
Dentro de oito dias , teremos o dia decisivo.
O dia 24 , vem se aproximando e este dia é a chance de o país retomar o curso da história.

Leandro Scala

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