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Retórica leviana anti-Rússia vem da antiga cartilha do macartismo

27 fev

Por Glenn Greenwald ( The Intercept )

PARA ASPIRANTES A JORNALISTAS, historiadores e cidadãos politicamente engajados, não há nada melhor que investir seu tempo na leitura aleatória dos boletins informativos de I.F. Stone, jornalista destemido e independente da época da Guerra Fria que se tornou, a meu ver, o primeiro “blogueiro” dos EUA, mesmo tendo morrido antes do advento da internet. Frustrado com o ambiente corporativo e opressivo da grande mídia e com seu modelo propagandístico em favor do governo e, por fim, banido dos meios de comunicação dominantes por conta de suas objeções à narrativa anti-Rússia, Stone criou sua própria newsletter bimestral, mantida exclusivamente por assinantes, e passou 18 anos desmascarando incansavelmente as propagandas do governo americano e de seus parceiros na mídia.

O que torna a produção de Stone tão valiosa não é sua elucidação da história, mas a elucidação do presente. O aspecto mais impressionante de seus boletins é observar como pouco mudou na propaganda e no militarismo do governo dos EUA e no papel desempenhado pela mídia americana em sua sustentação. De fato, ao ler suas reportagens, tem-se a impressão de que a política americana reproduz eternamente os mesmos debates, conflitos e táticas.

Grande parte dos escritos de Stone, particularmente durante os anos 50 e começo dos anos 60, se concentraram nas técnicas para manter os americanos em um estado de medo exagerado do Kremlin. Uma passagem específica de agosto de 54 chama atenção em particular. Nela, Stone explica por que é impossível deter o macartismo nos EUA quando líderes do Kremlin são caracterizados constantemente como ameaças sérias e onipotentes, com o intuito de defender as guerras e o militarismo americano. Fora a mudança na ideologia de Moscou — algo que muitos dos mais nocivos macartistas atuais negam solenemente —, as observações de Stone poderiam ser aplicadas aos dias de hoje com a mesma precisão.

Se comunistas são uma raça sobrenatural de seres humanos, liderados por um mentor no Kremlin, envolvidos em uma conspiração satânica para dominar o mundo e escravizar a humanidade — essa é a tese defendida incansavelmente tanto por progressistas quanto conservadores americanos, repetida noite e dia por todas as estações de rádio e jornais — a tese de que nenhum americano se atreverá novamente a contestar nada sem que se torne suspeito —, como então combater [o senador] McCarthy?

Se a opinião pública deve ser condicionada à guerra, se está sendo adestrada para considerar natural a destruição de milhões de seres humanos, alguns deles contaminados por esse terrível vírus ideológico, todos supostamente implorando por liberdade, como podemos alegar que seria grave se alguns homens, possivelmente inocentes, perdessem seu empregos ou tivessem suas reputações manchadas por causa de McCarthy?

Dois pontos fundamentais a serem destacados: 1) o segredo para manter a população com medo de adversários externos é representá-los como se fossem poderosos e onipresentes; e 2) uma vez enraizada a caracterização, poucos estarão dispostos a questionar a propaganda por medo de serem acusados de defender o Mal Externo: “a tese de que nenhum americano se atreverá novamente a contestar nada sem que se torne suspeito”.

Essa tática – que caracteriza adversários como supervilões onipotentes – foi fundamental para a guerra ao terrorismo. Muçulmanos radicais não representavam apenas ameaças violentas, eram ameaças extraordinárias, como vilões em um filme de James Bond.

Quando emergiram as fotos mostrando como o governo americano transportou o suspeito de terrorismo José Padilha para seu julgamento, com os olhos vendados e ouvidos tapados, um comentarista político americano justificou a cena explicando que isso era necessário para evitar que o suspeito “piscasse códigos” para que seus camaradas iniciassem atentados. Ao ser questionado sobre por que suspeitos de terrorismo eram algemados e amordaçados durante os voos intercontinentais para Guantánamo, um oficial do exército americano disse se tratar de “pessoas que cortariam um cabo hidráulico com os dentes para derrubar um [Boeing] C-17”. Detinham poderes de magia negra e se espreitavam por toda parte, mesmo quando não podiam ser vistos. Por esse motivo, devem ser temidos a ponto de justificar qualquer pretexto ou política em nome de aniquilá-los.

POUCOS VILÕES ESTRANGEIROS foram investidos de tanta onipotência e onipresença quanto Vladimir Putin — pelo menos, desde que o Partido Democrata descobriu (o que equivocadamente acreditavam ser) sua utilidade política no papel de bicho-papão. Há pouquíssimos acontecimentos negativos no mundo que não acabam com o líder russo sendo responsabilizado e pouquíssimos críticos do Partido Democrata que não são, em algum momento, classificados como colaboradores de Putin ou espiões do Kremlin:

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Tradução: “Já existiu um vilão mais onipresente e onipotente na história?”

Tradução: “Howard Dean: Seria interessante descobrir se The Intercept recebe dinheiro da Rússia ou do Irã.”

“Corine Marasco: Anúncio de utilidade pública: Culpa por associação é a especialidade de Lee Fang [repórter do The Intercept] porque ele se considera um “jornalista investigativo.”

Tradução: Rachel Maddow: Por que Jill Stein não disse nada sobre o escândalo Trump-Rússia?
Em destaque: Maddow levanta suspeita sobre o silêncio de Stein quanto às tentativas russas de interferir nas eleições e beneficiar Donald Trump.
Em destaque: “Não sei, Jill – não sei pronunciar isso em russo”.

Putin, assim como os terroristas da al Qaeda e, antes deles, os comunistas soviéticos, está por toda parte. A Rússia está por trás de todos os males e, principalmente, é claro, por trás da derrota de Hillary Clinton. Quem se atreve a questionar essa premissa se mostra um traidor, possivelmente, parte da folha de pagamento de Putin.

Conforme a repórter do The Nation, Katrina vanden Heuvel escreveu na terça-feira (21) no Washington Post: “Nos ataques a Trump, muitos progressistas se juntaram ao furor neomacartista, criticando aqueles que buscam reduzir as tensões entre os EUA e a Rússia, e classificando como apologistas de Putin quem expressa dúvidas quanto às acusações de hackeamento e conluio. … Não precisamos de uma reprodução da histeria da Guerra Fria que paralise o debate, difame céticos e prejudique os esforços em explorar áreas de concordância com a Rússia em nome do nosso próprio interesse nacional”. Isso reflete exatamente o que Stone observou há 62 anos: a alegação de infiltração e onipresença russa é a “tese de que nenhum americano se atreverá novamente a contestar nada sem que se torne suspeito” (Stone não foi apenas considerado um colaborador do Kremlin durante sua vida, mas também foi chamado de agente stalinista depois de sua morte).

Escrevi exaustivamente sobre isso durante o ano passado à medida que a Febre Russa chegava ao seu ápice, ou para ser mais preciso, seu zênite. Não vou repetir tudo aqui.

 

MAS GOSTARIA DE CHAMAR a atenção para um excelente artigo no Guardian do jornalista americano, nascido na Rússia, Keith Gessen, em que examina — e refuta — de forma cirúrgica todas as alegações histéricas, ignorantes, alarmistas e manipulativas predominantes no discurso político americano sobre a Rússia, Putin e o Kremlin.

O artigo começa dizendo: “Vladimir Putin, você deve ter notado, está por toda a parte.” Por consequência, ele ressalta, a “Putinologia”, que define como “a produção de análises e comentários sobre Putin e suas motivações, baseados em informações necessariamente parciais, incompletas e, por vezes, completamente falsas”, tem tido muito destaque atualmente, mesmo que “tenha existido como um ramo intelectual distinto por mais de uma década”. Em síntese, ele escreve: “Em nenhum momento da história tantas pessoas com tão pouco conhecimento, e tamanha indignação, opinaram a respeito do presidente da Rússia.”

Não é exatamente raro que a mídia americana e seus comentaristas políticos opinem sobre adversários estrangeiros com uma mistura de ignorância e paranoia. Mas o papel desempenhado por Putin, acima de tudo, diz o autor, é o de estabelecer que os problemas americanos não são responsabilidade dos EUA, mas culpa de estrangeiros e, principalmente, eximir o Partido Democrata da necessidade de encarar seus próprios erros e fracassos.

Segundo uma pesquisa recente, Hillary Clinton e seu comitê de campanha ainda culpam os russos — e, por associação, Barack Obama, por não ter feito um drama sobre o hackeamento até novembro — por seu fracasso eleitoral. Nesse caso, pensar em Putin ajuda a não pensar em tudo que deu errado e no que precisa consertado.

Mas, enquanto o desencargo de consciência pode ser uma motivação importante, o grande perigo é o quanto essa obsessão distrai e deturpa a corrupção generalizada da classe dominante americana. Como diz Gessen:

Se Donald Trump sofrer um impeachment e for preso por conspirar com uma potência estrangeira visando prejudicar a democracia americana, vou comemorar tanto quanto qualquer americano. No entanto, no longo prazo, o argumento da [interferência da] Rússia não é apenas política de baixa qualidade, é falência moral e intelectual. É uma tentativa de culpar uma potência estrangeira por seus próprios, profundos e persistentes problemas. Conforme destacaram alguns comentaristas, é uma página da cartilha do próprio Putin.

Conforme explicou em detalhes Adam Johnson no Los Angeles Times na semana passada, o esforço constante em atribuir [a vitória de] Trump à dinâmica política externa visa ignorar a realidade de que foram a política e a cultura americanas que levaram à ascensão de Trump. Nada cumpre essa tarefa melhor do que continuar atribuindo Trump — e quaisquer outros resultados negativos — ao trabalho secreto de líderes do Kremlin.

O jogo dos democratas tradicionais e seus aliados não é apenas vulgar; é perigoso. As classes política, midiática, militar e os serviços de inteligência americanos ainda estão repletos de pessoas buscando um confronto com a Rússia; inclusive oficiais militares indicados por Trump para cargos importantes.

Conforme observou Stone nos anos 50, de um lado, a agressão e o alarmismo quanto ao Kremlin e, do outro, a acusação de deslealdade aos críticos domésticos dessa abordagem estão intrinsecamente vinculados. Quando um é enraizado, se torna muito difícil evitar o outro. Não é possível reproduzir a retórica de demonização de um adversário estrangeiro por muito tempo sem que sejam desencadeados, consciente ou inconscientemente, confrontos perigosos entre os dois.

Foto principal: Retrato do jornalista I. F. Stone em seu escritório. Washington, 1966.

Donald Trump é mais do mesmo

29 jan

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Nos últimos dias , muitas pessoas estão destilando um sentimento de ódio e desinformação contra Donald Trump.

Por influência da grande mídia , as pessoas esquecem da história recente dos Estados Unidos , principalmente das ”ações” dos seus antecessores , e fazem questionamentos sem embasamento algum.
Segue:

– ”Donald Trump vai construir um muro separando o México dos Estados Unidos. Um verdadeiro absurdo”.
Pra quem não sabe , o muro já existe , tem mais de mil quilômetros de extensão e foi construído pelo ex-presidente Bill Clinton. Donald Trump , na verdade , vai concluir a obra do ex-presidente do Partido Democrata.
– ”Donald Tramp odeia imigrantes. É um xenófobo”.
Sim. Donald Trump é xenófobo. Só que ninguém colocou mais estrangeiros ”para fora” dos Estados Unidos do que Barack Obama. O ex-presidente deportou dois milhões e meio de seres humanos.
– ”Donald Trump odeia os negros. É um racista”
Sim , ele é racista. Mas , durante o governo Barack Obama , negros eram alvejados nas ruas pelas forças policiais do estado , à luz do dia , inclusive crianças. Nunca se assassinou e se encarcerou tantos negros desde os tempos do “tolerância zero” de Rudolph Giuliani. Não que Barack Obama tenha mandado matar os negros , o que digo é que o racismo institucional não será inventado por Donald Trump. Hoje , há mais negros encarcerados nos Estados Unidos do que escravos nas fazendas de algodão.
– ”Donald Trump irá declarar guerra a diversos países”.
Barack Obama ganhou um Nobel da Paz preventivo e a primeira coisa que fez foi jogar o prêmio no porão e começar uma guerra. O exército americano , chefiado por Barack Obama , matou na Líbia , na Síria , no Iraque, no Afeganistão , no Iêmen , na Somália e no Paquistão.
– ”Donald Trump é o fim dos tempos. Como os Estados Unidos elegeu um homem tão despreparado como esse?”
Oras , os americanos elegeram Ronald Reagan , um ator medíocre de filmes de faroeste. Qual é o ineditismo disso?
– ”Donald Trump é um bilionário , que só vai pensar nos próprios negócios.”
Oras , os americanos elegeram George Bush Pai e depois elegeram George Bush Filho por duas vezes seguidas , e ambos não fizeram mais do que cuidar dos próprios negócios , encheram seus barris de petróleo e aumentaram a riqueza familiar , à custa da invasão e destruição de país.
Não estou defendendo Donald Trump. Estou dizendo que esse ódio só faz com que ele tenha razão ao ”meter o pau” na mídia.
Porque é a mídia que faz com que você ache que Donald Trump é um ”demônio” comparado aos anjos que governaram o império.

Donald Trump é o mais do mesmo.
Por Leandro Scala

Obama comuta sentença de Chelsea Manning, delatora do WikiLeaks

18 jan

WASHINGTON – A poucos dias de deixar o cargo, o presidente americano Barack Obama comutou nesta terça-feira a sentença de prisão de Chelsea Manning, ex-analista de inteligência do Exército americano que vazou informações sigilosas sobre ação militar do país através do Wikileaks. A pena original dela é de 35 anos. Com a redução da pena, a sentença vai expirar em 17 de maio ao invés de 2045.

No total, Obama comutou 209 sentenças na terça-feira, e concedeu 64 perdões presidenciais.

Chelsea já tentou cometer suicídio duas vezes no ano passado diante do futuro incerto como transgênero em uma prisão militar masculina em Fort Leavenworth, Kansas. Ela está presa há quase sete anos e foi condenada em 2013 por ter fornecido mais de 700 mil documentos, vídeos, comunicações diplomáticas e relatos de guerras ao Wikileaks, no maior vazamento de material secreto da História dos EUA.

A sentença de 35 anos foi a punição mais longa já imposta nos Estados Unidos pelo crime de vazamento de informações sigilosas.

Chelsea ainda era conhecida como Bradley Manning em 2010, quando atuava como analista de inteligência em Bagdá, Iraque. Naquele ano, ela passou ao Wikilieaks a vasta documentação que revelava atividades sigilosas dos Estados Unidos no país e no Afeganistão.

Ela decidiu revelar o material na esperança de incitar uma “discussão global, debates, e reformas”. Foi nesse período que o Wikileaks e seu fundador, Julian Assange, ganharam notoriedade.

Em seu pedido de comutação, Chelsea disse que não imaginava que receberia a sentença “extrema” de 35 anos, “sem precedente histórico”:

“Eu assumo responsabilidade integral pela minha decisão de revelar esse material ao público”, escreveu. “Nunca tinha pedido quaisquer desculpas pelo que fiz. Assumi culpa sem proteção de um acordo de conformidade porque acreditei que o sistema judiciário militar entenderia minha motivação para a revelação e determinaria uma sentença justamente. Estava errada”.

A comutação também reduz a pressão sobre o Departamento de Defesa pela responsabilidade do encarceramento, já que Chelsea pressiona por tratamento diante da intenção de passar por uma cirurgia de mudança de sexo — algo que o órgão não tem experiência.

CHELSEA X SNOWDEN

Na sexta-feira, o porta-voz do governo americano, Josh Earnest, chegou a sinalizar a possibilidade da redução de pena de Chelsea era possível, em contraste com uma solicitação de perdão de outro whistle-blower, Edward Snowden, ex-funcionário da CIA que revelou arquivos sobre vigilância e que atualmente vive como foragido na Rússia.

Earnest explicou que há uma “forte diferença” entre os dois casos, apesar de crimes similares.

“Chelsea Manning é alguém que passou por um processo criminal de justiça, foi exposta ao processo e considerada culpada, sentenciada pelos crimes, e ela reconheceu má conduta”, disse. “Já Snowden fugiu para os braços do adversário, e buscou refúgio em um país que recentemente fez esforço para minar a confiança em nossa democracia”.

Na véspera, Assange tinha dito que aceitaria ser extraditado aos Estados Unidos se Chelsea fosse libertada. Assange mora na embaixada do Equador em Londres desde junho de 2012 para evitar a extradição à Suécia, onde enfrenta acusação de agressão sexual.

Snowden comemorou muito a libertação pendente da ex-analista de inteligência:

“Obrigado pelo que fez a todos, Chelsea. Fique firme um pouquinho a mais”, escreveu no Twitter o ex-agente da CIA que revelou segredos sobre a vigilância internacional em massa praticada pela Agência de Segurança Nacional (NSA).

O jornalista Glenn Greenwald, que expôs ao mundo o drama de Snowden, ressaltou os feitos da militar e de sua “coragem por ter anunciado a transição de gênero durante a prisão”.

“Visitei Chelsea Manning e passei incontáveis horas com ela ao telefone. O dano é palpável. A ONU diz que ela foi alvo de abuso. A clemência é a única opção moral”, disse Greenwald no Twitter. “Ele é provavelmente a pessoa mais empática que já conheci”.

O site Wikileaks considerou a comutação uma vitória:

“VITÓRIA: Obama comuta a pena de Chelsea Manning de 35 anos a sete. A data de liberação a partir de agora é 17 de maio”, escreveu a organização no Twitter.

Entre os perdões presidenciais concedidos nesta terça-feira, Obama eliminou a pena do general aposentado James Cartwright, que admitiu culpa de perjúrio ao fazer falsos testemunhos para o FBI durante uma investigação sobre vazamentos de material confidencial. Cartwright foi vice-chefe do Estado-Maior e era investigado após a publicação de um livro que expunha um software feito para hacker o programa nuclear do Irã — com quem os EUA e outras nações chegaram a um acordo para diminuir o poder atômico do país persa.

Globo

6 homens têm a mesma riqueza que 100 milhões de brasileiros juntos, diz a ONG

17 jan

 

Os seis homens mais ricos do Brasil concentram a mesma riqueza que toda a metade mais pobre da população do país (mais de 100 milhões de brasileiros), segundo o relatório da ONG Oxfam divulgado nesta semana.
A ONG britânica de assistência social e combate à pobreza usa como base levantamentos sobre bilionários da revista “Forbes” e dados sobre a riqueza no mundo de um relatório do banco Credit Suisse.

De acordo com a “Forbes”, as seis pessoas mais ricas do Brasil são:

Jorge Paulo Lemann, sócio da Ambev (dona das marcas Skol, Brahma e Antarctica) e dono de marcas como Budweiser, Burger King e HeinzJoseph Safra, dono do banco SafraMarcel Herrmann Telles, sócio da Ambev e dono de marcas como Budweiser, Burger King e HeinzCarlos Alberto Sicupira, sócio da Ambev e dono de marcas como Budweiser, Burger King e HeinzEduardo Saverin, cofundador do FacebookJoão Roberto Marinho, herdeiro do grupo Globo

A fortuna somada desses seis empresários era de US$ 79,8 bilhões (cerca de R$ 258 bilhões) em 2016, de acordo com a “Forbes

Na sexta posição entre os mais ricos do país, João Roberto Marinho aparece empatado com seus dois irmãos, José Roberto Marinho e Roberto Irineu Marinho, com patrimônio estimado em R$ 13,92 bilhões cada um. Se fosse considerado o patrimônio dos três irmãos juntos, a desigualdade seria ainda maior, segundo a Oxfam.

Melhora entre 2001 e 2012

No caso do Brasil, a ONG afirma que os salários dos 10% mais pobres da população brasileira aumentaram mais que os salários pagos aos 10% mais ricos entre 2001 e 2012.

“Em muitos países em desenvolvimento nos quais as disparidades salariais estão crescendo, a diferença de remuneração entre trabalhadores com diferentes habilidades e níveis de formação é um grande impulsionador da desigualdade”, diz o relatório da Oxfam, intitulado “Uma economia para 99%”.

Desigualdade é semelhante no mundo

A desigualdade é praticamente a mesma no cenário global. No mundo, apenas oito bilionários acumulam a mesma quantidade de dinheiro que a metade mais pobre da população do planeta, ou seja, 3,6 bilhões de pessoas juntas, segundo a ONG.

Entre os oito mais ricos do mundo estão o cofundador da Microsoft Bill Gates, o dono da rede de moda Zara, Amancio Ortega, e o cofundador e presidente do Facebook, Mark Zuckerberg.

É isso que eu sei e sinto pelo resto de todos os meus dias.( Francisco Costa)

8 jan

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“Lula está velho, debilitado por um câncer que ainda é um
fantasma para ele, caluniado de todas as maneiras, tendo que se defender, desviando energias da luta coletiva para a luta pessoal, assustado.
No evento da ABI, aqui no Rio, eu estive a pouco mais de dois metros do Lula e é evidente a preocupação dele, procurando sair rapidamente do meio da multidão, com os olhos percorrendo todos os cantos, como se procurasse francos atiradores, como se amarrado pelos inimigos,…”
Acredito que ninguém neste país tenha sofrido uma tão impiedosa e cruel tortura psicológica, pública, quanto Lula.
Talvez quem mais tenha se aproximado foi Luis Carlos Prestes, mas teve a alternativa de se afastar, indo para a Rússia, ao contrário de Lula, que aqui resiste, bravamente.
Desde a ditadura militar Lula é investigado, tem a vida esmiuçada, fuçada, virada ao avesso, na busca de ilícitos, com uma única prisão, logo relaxada, na ditadura, por subversão, incitação à desordem pública, quando sindicalista. Nada previsto no Código Penal, capaz de caracterizar crime comum, desonestidade.
Candidato contra Collor, o que se viu foi ser atribuído a ele os mesmos pecados do adversário, com a mídia omitindo, escondendo os do adversário.
No debate final, na tevê, a Globo entregou sinopses, no ar, ao vivo, aos dois candidatos. A de Collor, altamente detalhada, com informações capazes de desestabilizar eleitoralmente o adversário. A de Lula, folhas de papel em branco, sem nada escrito.
Nas eleições seguintes, as mesmas histórias, as mesmas mentiras, as mesmas calúnias, com o adversário blindado pela mídia, com os seus crimes e pecados sob o tapete.
Finalmente Lula foi eleito e, contrariando prognósticos, chegou a ter mais de 80% da confiança do povo brasileiro, nos tirando da condição de devedor para credor, expandindo o mercado interno, fortalecendo o parque industrial do país, a rede de comércio varejista e atacadista, multiplicando o PIB e as reservas cambiais, tudo com justiça social, aumentando a fatia dos até então deserdados, através de aumentos reais nos salários e programas sociais, um tiro nos conservadores, na burguesia, na classe dominante, que se julga proprietária desse país.
Talvez tenha sido o único mandatário, em toda a História Universal, a fazer o seu país saltar de décima sexta economia do planeta para oitava, em oito anos, superando um país por ano, na média.
Foi preciso desconstruí-lo, destruí-lo, desmoralizá-lo, arrancá-lo dos corações e mentes dos brasileiros, e começou a covardia, o ódio cego e animalesco, e nasceu o processo do Mensalão.
Joaquim Barbosa, inteligentíssimo, pertinaz, determinado, fazendo o seu próprio códido de leis e processo penal, tinha objetivo único: acabar com a carreira de Lula.
Omitiu documentos, alterou textos nos autos do processo, invalidou depoimentos… Fez o que os bandidos fazem nos morros cariocas, ao justiçarem os das facções rivais.
Atingiu a tudo e a todos, aos mais próximos de Lula, sem conseguir sequer indícios que incriminassem o presidente.
Para mais dessesperar o fascismo pátrio, Lula fez a sua sucessora, o bastante para tornar-se dono da Friboi, da Esalq, uma universidade pública, de mega empresas e latifúndios espalhados por todo esse país, com os filhos proprietários de jatinhos, iates, mansões… Só existentes na mídia, nas passeatas financiadas no exterior e nas cabeças de inocentes úteis e assalariados da infâmia.
Foi pouco, a dimensão de Lula sobrepôs-se, e veio a Lava Jato, e todo o bilionário patrimônio da família Lula da Silva reduziu-se a um modesto sítio e um apartamento, triplex, em uma praia.
Sérgio Fernando Moro, um arremedo de Joaquim Barbosa piorado, porque de primeira instância e não ministro do STF, como se supõe, com muito menos inteligência e escrúpulos, reteve documentos, desqualificou testemunhas chave, direcionou depoimentos, fez alardes midiáticos, com prestimosa ajuda da banda fétida, deteriorada, corrompida, do Ministério público, e o máximo que conseguiram foi “convicções”, alguma coisa ligada às religiões, às crendices, menos à inteligência e à jurisprudência.
Impossibilitados de imputar culpas em território nacional, a Lula, a Polícia Federal e os serviços de inteligência norte-americanos e suíços debruçaram-se sobre o submundo da corrupção e da roubalheira internacionais, em busca de contas secretas de Lula, de empresas fantasmas, de Lula, em paraísos fiscais, e quanto mais vasculharam mais esterco dos seus encontraram, e de Lula, nada.
Por fim, chegaram na Odebrecht, quartel general da corrupção, segundo a nazijustiça brasileira, e nas planilhas, dossiês e borderôs toda a direita brasileira, todos os golpistas brasileiros, todos os norte-americanos casualmente nascidos no Brasil figurando como beneficiários de roubos, a começar pelo atual e ilegítimo presidente, passando por boa parte dos seus ministros, arrastando boa parte do Legislativo e até coroadas cabeças do judiciário, mas sobre Lula… Que torce para o Corinthians.
Das onze testemunhas de acusação, das falcatruas, desmandos e opróbrios cometidos por Lula, onze depoimentos inocentando-o, “não sei, excelência”, “não tive conhecimento, excelência”, “não acredito, excelência”… Com a excelência, funcionária dos serviços de inteligência norte-americanos, nadando nas pedras.
Esgotado todo o repertório, um insígne e desconhecido deputado apresentou uma PEC alterando a Constituição, impedindo que a Presidência da República seja exercida por uma mesma pessoa por mais de duas vezes, consecutivas ou não, lei que apropriadamente já está sendo chamada de “Barra Lula”, e para qualquer um que tenha pelo menos resquícios de miúda e limitada inteligência está tudo muito claro: “usando as leis, burlando as leis, adaptando as leis não conseguimos acabar com o cara. É preciso criarmos leis novas, destinadas exclusivamente a acabar com ele”.
Tudo isto seria maravilhoso numa peça de ficção, num romance ou filme de perseguição implacável, com todas as nuances da sordidez de que é capaz a maldade humana, mas aconteceu e está acontecendo na vida real, com um senhor, já idoso, com netos, um ser humano como eu e você.
Lula não tem paz, imagino que já não consiga dormir direito, com ideia única, atormentando-o: defender-se, pois sabe que esta famigerada PEC Barra Lula é a penúltima tentativa de neutralizá-lo.
A última poderá ser um tiro.”

Francisco Costa ( Via René Amaral -Facebook)

50 informações sobre a Cuba antes de Fidel, o “puteiro” dos EUA, país das bananas e café.

29 nov

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Por Salim Lamrani | Paris

Mitos alimentados pelos partidários do antigo regime exilados em Miami e detratores de Fidel Castro, ainda persistem

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A ditadura de Fulgencio Batista, de 1952 a 1958, precipitou o advento da Revolução Cubana. Alguns mitos, cuidadosamente alimentados pelos partidários do antigo regime exilados em Miami e pelos detratores de Fidel Castro, ainda persistem.

1. O golpe de Estado de 10 de março de 1952, organizado por Fulgencio Batista, que tinha sido presidente da República entre 1940 e 1944, colocou fim à ordem constitucional e derrubou o governo democraticamente eleito de Carlos Prío Socarrás, alguns meses antes das eleições presidenciais de junho de 1952.

2. Antigo sargento estenógrafo, Batista passou a fazer parte da política cubana durante a Revolução de 4 de setembro de 1933, que foi liderada pelos estudantes e que derrubou a ditadura odiada de Gerardo Machado.

Ele encabeçou uma rebelião de suboficiais e se apoderou do Exército, transformando-se no novo chefe do Estado- Maior. No dia seguinte, 5 de setembro de 1933, Batista visitou o embaixador estadunidense Sumner Welles, que profetizou sua futura traição. Welles estava preocupado com os “elementos extremamente radicais” que acabavam de tomar o poder. O governo revolucionário de Ramón Grau San Martín, conhecido como “A Pentarquía”, tinha o apoio da “imensa maioria do povo cubano”, segundo a embaixada estadunidense.

3. Os Estados Unidos se negaram a reconhecer o novo governo revolucionário e encorajaram Batista a usar a força para derrubar San Martín. Este último defendia, por meio da voz de Antonio Guiteras, verdadeira alma da Revolução de 1933, a soberania nacional e a justiça social. Welles informou a Batista que dispunha do “apoio da imensa maioria dos interesses econômicos e financeiros em Cuba.”

4. Em janeiro de 1934, com o apoio de Washington, Batista derrubou o governo do Grau San Martín, conhecido como o governo dos “cem dias” (127 dias), impôs a figura de Carlos Mendieta e conservou o poder real. O sargento promovido a general tinha acabado de vencer as campanhas da Revolução de 1933. Washington alegrou-se com a situação: “O 4 de setembro de 1933 foi liquidado.”

5. Apesar das incessantes conspirações, da instabilidade política crônica e da hostilidade dos Estados Unidos, a [o governo da ] Revolução de 1933 organizou eleições para o dia 22 de abril de 1934; convocou uma Assembleia Constituinte para o dia 20 de maio de 1934; deu autonomia às universidades; reduziu o preço dos artigos de primeira necessidade; outorgou às mulheres o direito de votar; limitou a jornada de trabalho a oito horas; criou o Ministério do Trabalho; reduziu as tarifas de eletricidade e de gás; acabou com o monopólio das empresas estadunidenses; impôs uma moratória temporária sobre a dívida e, sobretudo, nacionalizou a Cuban Electric Company, filial da American Bond and Foreign Power Company.

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6. De 1934 a 1940, Batista reinou nos bastidores até ser eleito presidente da República, em 1940, graças a uma coalizão heterogênea que agrupava as forças conservadoras e os comunistas do Partido Socialista Popular. Segundo Washington, “o volume e o tamanho da corrupção”, o alinhamento com a política exterior estadunidense e a sua dependência do mercado estadunidense marcaram seu governo. Batista permitiu, também, que Washington utilizasse o espaço aéreo, marítimo e terrestre [cubano ], dispusesse de várias bases aéreas e navais [no país] com uso exclusivo durante a Segunda Guerra Mundial, sem reciprocidade, pondo assim a soberania nacional entre parênteses.

7. Em 1944, Ramón Grau San Martín foi eleito presidente da República e tomou posse em outubro de 1944. Batista deixou uma situação financeira desastrosa para o seu sucessor. O embaixador estadunidense Spruille Braden se deu conta da situação já em julho de 1944 e informou seus superiores: “É cada vez mais evidente que o presidente Batista deseja dificultar a vida da próxima administração de todas as formas possíveis, e, particularmente, do ponto de vista financeiro”. Braden denunciou “um roubo sistemático dos fundos do Tesouro” e disse que “o Dr. Grau vai encontra os caixas vazios quanto tome posse.”

8. Grau San Martín dirigiu o país até 1948 e a sua administração esteve gangrenada pela corrupção e pela dependência dos Estados Unidos. O Departamento de Estado enfatizou a débil situação da nação cubana em um memorando de 29 de julho de 1948: “A economia monocultora depende quase exclusivamente dos Estados Unidos. Se manipularmos os preços ou o contingente açucareiro podemos afundar toda a ilha na pobreza.”

9. Carlos Prío Socarrás, primeiro-ministro de Grau em 1945 e ministro do Trabalho depois, venceu a eleição presidencial de 1948. O nepotismo e a corrupção marcaram a sua administração.

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10. No dia 10 de março de 1953, a três meses das eleições presidenciais de 1 de junho de 1952, Batista rompeu a ordem constitucional e instaurou uma ditadura militar. Aumentou o salário das forças armadas e da polícia (de 67 pesos para 100 pesos e de 91 pesos para 150 pesos, respectivamente); outorgou para si mesmo um salário anual maior que o do presidente dos Estados Unidos (passou de 26.400 dólares para 144 mil dólares, enquanto [Harry S.] Truman ganhava 100 mil); suspendeu o Congresso e entregou o poder legislativo ao Conselho de Ministros; eliminou o direito à greve; restabeleceu a pena de morte (proibida pela Constituição de 1940); e suspendeu as garantias constitucionais.

11. No dia 27 de março de 1952, os Estados Unidos reconheceram oficialmente o regime de Batista. Como apontou o embaixador estadunidense em Havana, “as declarações do general Batista a respeito do capital privado foram excelentes. Fora muito bem recebidas e, eu sabia, sem dúvida alguma, que o mundo dos negócios é dos mais entusiastas partidários do novo regime.”

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12. Em julho de 1952, Washington assinou acordos militares com Havana, ainda que consciente do caráter brutal e arbitrário do novo poder. Cuba está “sob o jugo de um ditador

sem piedade”, destacou a embaixada estadunidense em um relatório confidencial de janeiro de 1953, destinado ao Departamento do Estado.

De fato, o general reprimia com mão de ferro a oposição, particularmente a juventude estudantil simbolizada pelo assassinato do jovem Rubén Batista em janeiro de 1953.

13. No dia 26 de julho de 1953, um jovem advogado chamado Fidel Castro encabeçou uma expedição armada contra o quartel Moncada, segunda maior fortaleza militar do país. Foi um fracasso sangrento. O consulado estadunidense de Santiago de Cuba, disse que “o Exército não fez distinção entre os insurgentes capturados ou simples suspeitos”, reconhecendo o massacre cometido pelos soldados depois de receber ordens do coronel Alberto del Río Chaviano. Enfatizou também “o número muito baixo de feridos entre os insurgentes em relação ao número de soldados feridos […]. Os agressores capturados foram executados a sangue frio e os agressores feridos também foram liquidados.”

14. Em novembro de 1954, Batista organizou uma paródia eleitoral que ganhou sem dificuldade. Os Estados Unidos reconheceram que “as eleições de Batista eram um simulacro destinado à agarrar-se ao poder.”

15. Em novembro de 1955, depois de uma ordem de Washington, o regime militar criou o Bureau de Repressão das Atividades Comunistas (BRAC), que se encarregava de “reprimir todas as atividades subversivas que pudessem afetar os Estados Unidos.”

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16. Se os discursos de Batista eram ferozmente anticomunistas, é conveniente lembrar que foi ele quem estabeleceu pela primeira vez relações diplomáticas entre Cuba e a União Soviética, em 1942.

17. Durante toda a ditadura militar, Batista manteve relações comerciais com Moscou, vendendo açúcar. Em 1947, o Diario de la Marina, jornal conservador cubano, se alegrou com estas vendas destacando que “o preço do açúcar tinha melhorado depois de a União Soviética adquirir 200 mil toneladas”. Em nenhum momento Washington se preocupou com as relações comerciais entra a União Soviética e Cuba sob a ditadura de Batista. A história seria outra quando Fidel Castro chegasse ao poder.

18. Em maio de 1955, Batista, que desejava melhorar sua imagem e responder a uma petição popular, concedeu anistia geral e libertou Fidel Castro, assim como todos os outros presos de Moncada.

19. No dia 2 de dezembro de 1956, depois de organizar uma expedição partindo do México, onde conheceu Che Guevara, Fidel Castro desembarcou em Cuba com 81 homens para dar início a uma guerra internacional contra a ditadura militar de Batista. Surpreendida pelo Exército, a operação foi um fracasso e os revolucionários tiveram de se separar. Fidel Castro se encontrou com outros 11 insurgentes, que tinham um total de apenas 7 fuzis.

20. O embaixador estadunidense Arthur Gardner expressou seu ponto de vista sobre Fidel Castro em um relatório enviado ao Departamento de Estado. O líder do Movimento 26 de Julho era um “gângster” que “ia se apoderar das indústrias americanas” e “nacionalizar tudo”. Quanto ao ditador Batista, “duvido que tenhamos tido melhor amigo que ele”. Faltava, então, “apoiar o atual governo e promover a expansão dos interesses econômicos estadunidenses.”

21. Batista exercia violência feroz contra a oposição. Mas os Estados Unidos se mostraram discretos em relação aos crimes que o seu aliado cubano cometia. Entretanto, a embaixada estadunidense em Havana multiplicava os relatórios sobre o tema: “Estamos convencidos agora de que os assassinatos recorrentes de pessoas a quem o governo qualifica como opositores e terroristas são, na realidade, o trabalho da polícia e do Exército. No entanto, o adido jurídico recebeu confissões indiretas da culpa dos círculos policiais, além de provas da responsabilidade da polícia.”

22. Wayne S. Smith, jovem funcionário da embaixada estadunidense, ficou chocado com os massacres cometidos pelas forças da ordem. Descreveu cenas de terror: “A polícia reagia de maneira excessiva à prisão dos insurgentes, torturando e matando centenas de pessoas, tanto inocentes como culpados. Os corpos são abandonados, enforcados em árvores, nas rodovias. Tais táticas levaram a opinião pública a rejeitar Batista e apoiar a oposição.”

23. Em fevereiro de 1957, a entrevista com Fidel Castro realizada por Herbert Matthews, do The New York Times, permitiu que a opinião pública estadunidense e mundial descobrisse a existência de uma guerrilha em Cuba. Batista confessaria mais tarde em suas memórias que graças a esse palco jornalístico “Castro começava a ser um personagem de lenda”. Matthews relativizou, no entanto, a importância de sua entrevista: “Nenhuma publicidade, por mais sensacional que fosse, teria podido ter efeito se Fidel Castro não fosse precisamente o homem que eu descrevi.”

24. No dia 13 de março de 1957, um comando do Diretório Revolucionário do líder estudantil José Antonio Echeverría, que era composto de 64 jovens, atacou o Palácio Presidencial com o objetivo de executar Batista. A operação foi um fracasso e custou a vida de 40 dos 64 estudantes. Os sobreviventes foram perseguidos pela cidade e assassinados. Echeverría perdeu a vida durante um enfrentamento com a polícia perto da Universidade de Havana.

25. A embaixada francesa em Havana analisou o ataque de 13 de março: “As reações americanas aos acontecimentos em Cuba eram de horror, de simpatia pelos insurgentes, de reprovação contra Batista. Ao ler as reportagens que os principais jornais cubanos dedicaram ao evento, fica claro que o heroísmo dos patriotas cubanos marcou muito os Estados Unidos […]. Se alguns reconhecem, no entanto, que os insurgentes de 13 de março estavam errados em seus métodos, é verdade, muito mais que em seus objetivos, todos estimam em troca que deram à sua causa a palma do martírio e que este exemplo estimularia a oposição cubana.”

26. Fidel Castro, que fez uma aliança com o Diretório Revolucionário na luta contra Batista, não concordava com o assassinato político: “Estávamos contra Batista, mas nunca tentamos organizar um atentado contra ele e teríamos podido fazê-lo. Era vulnerável. Era muito mais difícil lutar contra o Exército dele nas montanhas ou tentar tomar uma fortaleza que era protegida por um regimento. Quantos estavam no quartel de Moncada, naquele 26 de julho de 1953? Cerca de mil homens, talvez mais. Preparar um ataque contra Batista e eliminá-lo era dez ou vinte vezes mais fácil, mas nunca o fizemos. Por acaso o tiranicídio serviu alguma vez na história para fazer uma revolução? Nada muda nas condições objetivas que geram uma tirania […]. Nunca acreditamos no assassinato de líderes […], não acreditávamos que se abolia ou eliminava um sistema quando se eliminava seus líderes. Combatíamos as ideias reacionárias, não os homens.”

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27. Nas montanhas de Sierra Maestra, onde aconteciam os combates entre o Exército e os insurgentes, Batista evacuou à força as famílias camponesas para eliminar a base de apoio dos rebeldes e as concentrou em armazéns da cidade de Santiago. Aplicava, assim, os métodos do general espanhol Valeriano Weyler durante a guerra de 1895-1898. Em uma reportagem, a revista Bohemia denunciou uma “situação de tragédia” que lembrava “as épocas mais obscuras de Cuba”. A revista semanal relatou a sorte de cerca de 6 mil vítimas: “É uma história dolorosa, de sofrimentos, de penas intensas. É a história de 6 mil cubanos obrigados a deixarem seus lares, ali, nos rincões inextricáveis de Sierra Maestra, para serem concentrados em lugares onde lhes faltava tudo, onde era difícil ajudá-los, dar-lhes uma cama ou um prato de comida.”

28. No dia 29 de julho de 1957, o assassinato de Frank País, líder do Movimento 26 de Julho no estado de Oriente, desatou uma imensa manifestação que foi reprimida pelas forças de Batista, a ponto de o embaixador estadunidense Earl E. T. Smith se sentir obrigado a denunciar “a ação excessiva da polícia.”

29. No dia 5 de setembro de 1957, o levante de uma parte do Exército contra Batista [na cidade de] Cienfuegos foi afogado em sangue. Segundo o embaixador Smith, “o fator-chave para quebrar a revolta de Cienfuegos” foi o uso de aviões “F-47 e B-26”, fornecidos pelos Estados Unidos.

30. No dia 29 de setembro de 1957, o Colégio Médico Cubano publicou um relatório sobre a situação política cubana durante a XI Assembleia Geral da Associação Médica Mundial. Segundo ele, “os combatentes da luta arma que se rendem são liquidados. Não há prisioneiros, só há mortos. Muitos opositores não são submetidos ao Tribunal de Justiça, são executados com um tiro na nuca ou enforcados. Intimidam os magistrados e os juízes sem que as vozes de protestos sejam escutadas. A desesperança se difunde entre os jovens que se sacrificam em uma luta desigual. Aquele que é perseguido não encontra refúgio. Na embaixada do Haiti, dez solicitantes de asilo foram assassinados pela força pública […]. A imprensa está totalmente censurada. Não se permite a informação jornalística, nem sequer por parte das agências internacionais […]. Nos locais do Exército e dos corpos de repressão da polícia os detidos são torturados para arrancar deles à força a confissão de supostos delitos. Vários feridos que estavam em clínicas e hospitais foram levados à força e apareceram várias horas depois assassinados nas cidades ou no campo”. O Washington Post e o Times Herald destacaram que “os médicos cubanos são vítimas de atrocidades, inclusive de assassinato por curar rebeldes cubanos.”

31. Em 1958, além de apoiar o regime de Batista, os Estados Unidos julgaram e prenderam Carlos Prío Socarrás, presidente legítimo de Cuba, refugiado em Miami, sob o pretexto de violar as leis de neutralidade do país, Ele tentava organizar uma resistência interna contra a ditadura.

32. Quanto à liberdade de imprensa, os Estados Unidos apresentaram a Cuba pré-revolucionária com uma visão positiva. Assim, afirmam, “antes de 1959, o debate público era vigoroso: havia 58 jornais e 28 canais de televisão que proporcionavam uma pluralidade de pontos de vista políticos”. Os documentos da época e os acontecimentos contradizem esta  afirmação. De fato, um relatório da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP, por sua sigla em espanhol), publicado em 1957, chamou de “antidemocrático o governo do presidente Fulgencio Batista de Cuba, já que o governo não respeita a liberdade de imprensa”. De fato, a censura à imprensa se aplicou durante 630 dias dos 759 que durou a guerra insurrecional, entre 2 de dezembro de 1956 e 1 de janeiro de 1959.

33. Sob o mando de Batista, a corrupção era endêmica. “Os diplomatas informam inclusive que se sempre houve corrupção governamental em Cuba, nunca foi tão eficaz e generalizada como durante o regime do presidente Fulgencio Batista”, afirmou o The New York Times.

34. Batista estava intimamente vinculado a criminosos como Meyer Lansky ou Luigi Trafficante Jr. Seus primeiros contatos com a máfia remontavam à 1933, quando ele se autoproclamou coronel e Charles “Lucky” Luciano e Santo Trafficante sênior se aproximaram dele. O mundo do jogo, altamente lucrativo, estava controlado por Lansky, número dois da máfia estadunidense, um dos principais gângsteres dos Estados Unidos”, que “tinha criado para o ditador Batista a organização atual dos jogos de Havana”, de acordo com o jornal francês Le Monde.

35. Os Estados Unidos e os partidários do antigo regime apresentam ainda a Cuba de Batista como “a vitrine da América Latina” da época. A realidade é sensivelmente diferente. As estatísticas do Banco Nacional de Cuba estão disponíveis para esse período e é possível comparar a situação econômica sob o governo democrático do presidente Carlos Prío Socarrás e sob o regime militar de Batista. Assim, entre 1951 e 1952, o PIB cubano aumentou 2,52%. De 1952 a 1953, sob Batista, o PIB caiu 11,41%, com um aumento de apenas 0,9%, de 1953 a 1954, e de 3,5%, de 1954 a 1955. Apenas em 1956 o PIB voltou a alcançar o nível de 1952, com 2,4 bilhões de pesos. Assim, é impossível falar de crescimento econômico entre 1952 a 1956. Durante dois terços do reinado de Batista não houve crescimento. A melhora só aconteceu a partir de 1957, quando o PIB alcançou a cifra de 2,8 bilhões de pesos e, em 1958, voltou a baixar para 2,6 bilhões.

36. Além disso, as reservas monetária caíram de 448 milhões de pesos, em 1952, para 373 milhões em 1958, os quais foram roubados durante a fuga de Batista e de seus cúmplices no dia 1 de janeiro de 1959. A dívida da nação passou de 300 milhões de dólares, em março de 1952, para 1,3 bilhão em janeiro de 1959, e o déficit orçamentário alcançou os 800 milhões de dólares.

Entrevista com Fulgencio Batista:
37. A política açucareira de Batista foi um fracasso. Enquanto esse setor gerava entradas na casa dos 623 milhões de pesos em 1952, o montante baixou para 383, 5 milhões em 1953, 412,8 milhões em 1954, 402,1 milhões em 1955, 426,1 milhões em 1956 e 520,7 milhões em 1958. Somente o ano de 1957 gerou mais ingressou que 1952, com 630,8 milhões de pesos.

38. Os trabalhadores e empregados agrícolas pagaram o preço. Enquanto sua remuneração subia para 224.99 milhões de pesos em 1952, caiu para 127,7 milhões em 1953, 128,2 milhões em 1954, 118,9 milhões em 1955, 127 milhões em 1956, 175,3 milhões em 1957, 123,5 milhões em 1955, 114,6 milhões em 1956, 145,7 milhões em 1957 e 141,8 milhões em 1958. No governo de Batista, os trabalhadores e empregados não agrícolas nunca chegaram ao nível de renda de 1952.

39. Mesmo assim, o regime de Batista se beneficiou da ajuda econômica estadunidense como nunca. Os investimentos estadunidenses em Cuba passaram de 657 milhões de dólares em 1950, no governo de Carlos Prío Socarrás, para mais de 1 bilhão de dólares em 1958.

40. O professor estadunidense Louis A. Pérez Jr. aponta que, “na realidade, a renda per capita em Cuba, em 1958, era mais ou menos semelhante a de 1947.”

41. Um estudo realizado pelo Conselho Nacional de Economia dos Estados Unidos, entre maio e 1956 e junho de 1957, publicado em um relatório intitulado Investment in Cuba. Basic Information for the United States Busing Department of Commerce, o número de desempregados era 650 mil na metade do ano, isto é, cerca de 35% da população ativa. Destes, 450 mil eram desempregados permanentes. Entre os 1,4 milhão de trabalhadores, cerca de 62% recebia um salário inferior a 75 pesos mensais. De acordo com o Departamento de Comércio dos Estados Unidos, “no campo, o número de desocupados aumentava a cada safra açucareira e podia superar os 20% da mão de obra, isto é, entre 400 e 500 mil pessoas”. A renda anual do jornaleiro não passava dos 300 dólares.

42. Cerca de 60% dos camponeses viviam em barracos com teto de palha e piso de terra, desprovidos de banheiros ou água corrente. Cerca de 90% não tinham eletricidade. Cerca de 85% destes barracos tinham um ou dois ambientes para toda a família. Somente 11% dos camponeses consumiam leite, 4% carne, 2% ovos. 43% eram analfabetos e 44% nunca tinham ido para a escola. O jornal The New York Times ressalta que “a grande maioria deles nas zonas rurais – guajiros ou camponeses – vivem na miséria, em nível de subsistência.”

43. Segundo o economista inglês Dudley Seers, a situação em 1958 era “intolerável. O que era intolerável era a taxa de desemprego três vezes mais elevada que nos Estados Unidos. Por outro lado, no campo, as condições sociais eram malíssimas. Cerca de um terço da nação vivia na sujeira, comendo arroz feijão, banana e salada (quase nunca carne, peixe, ovos ou leite), vivendo em barracos, normalmente sem eletricidade nem latrinas, vítimas de doenças parasitárias, e não se beneficiavam de um serviço de saúde. A situação dos pobres, instalados em barracos provisórios em terras coletivas, era particularmente difícil […]. Uma importante proporção da população urbana também era muito miserável”.

44. O presidente John f. Kennedy também se expressou a respeito: “Penso que não existe um país no mundo, incluindo os países sob domínio colonial, onde a colonização econômica, a humilhação e a exploração foram piores que as que aconteceram em Cuba, devido à política do meu país, durante o regime de Batista. Nos negamos a ajudar Cuba em sua desesperada necessidade de progresso econômico. Em 1953, a família cubana média tinha uma renda de 6 dólares semanais […]. Este nível abismal piorou à medida que a população crescia. Mas, em vez de estender uma mão amistosa ao povo desesperado de Cuba, quase toda a nossa ajuda tomava forma de assistência militar – assistência que simplesmente reforçou a ditadura de Batista [gerando] o sentimento crescente de que os Estados Unidos eram indiferentes às aspirações cubanas a uma vida decente.”

45. Arthur M. Schlesinger, Jr., assessor pessoal do presidente Kennedy, se lembrou de uma estadia na capital cubana e testemunhou: “Eu adorava Havana e me horrorizou a maneira como esta adorável cidade tinha se transformado desgraçadamente em um grande cassino e

prostíbulo para os homens de negócios norte-americanos […]. Meus compatriotas caminhavam pelas ruas, se deitavam com garotas cubanas de 14 anos e jogavam fora moedas só pelo prazer de ver os homens chafurdando no esgoto para recolhê-las. É de se questionar como os cubanos – vendo essa realidade – poderiam ver os Estados Unidos de outro modo a não ser com ódio.”

46. Contrariamente às práticas do Exército governamental, os revolucionários davam uma grande importância ao respeito da vida dos prisioneiros. A respeito, Fidel Castro conta: “Na nossa guerra de liberação nacional, não houve um único caso sequer de prisioneiro torturado, nem mesmo quando poderíamos ter usado como pretexto a necessidade de conseguir alguma informação militar para salvar a nossa própria tropa ou para ganhar uma batalha. Não houve um só caso. Tivemos centenas de prisioneiros, depois milhares, antes do fim da guerra; era possível procurar os nomes de todos e não houve um único caso entre essas centenas, estes milhares de prisioneiros que tenha sofrido uma humilhação, ou sequer um insulto. Quase sempre púnhamos estes prisioneiros em liberdade. Isso nos ajudou a ganhar a guerra, porque nos deu um grau de autoridade frente aos soldados do inimigo. Confiavam em nós. No começo, ninguém se rendia; no final, se rendiam em massa”. O New York Times também aludiu ao bom tratamento reservado aos soldados presos: “É o tipo de conduta que ajudou ao Sr. Castro a ter uma importância tão extraordinária no coração e no espírito dos cubanos.”

47. O embaixador Smith resumiu as razões do apoio dos Estados Unidos a Batista: “O governo de Batista é ditatorial e pensamos que não tem o apoio da maioria do povo de Cuba. Mas o governo de Cuba tem sido um governo amistoso em relação aos Estados Unidos e tem seguido um política econômica em geral sã, que tem beneficiado os investidores estadunidenses. Tem sido um partidário leal das políticas dos Estados Unidos nos foros internacionais.”

48. O jornalista estadunidense Jules Dubois, um dos maiores especialistas da realidade cubana da época, descreveu com Herbert L. Matthews o regime de Batista: “Batista voltou ao poder no dia 10 de março de 1952 e começou então a etapa mais sangrenta da história cubana desde a guerra da independência, quase um século antes. As represálias das forças repressivas de Batista custaram a vida a numerosos presos políticos. Para cada bomba que explodia, tiravam dois presos da cela e os executavam de maneira sumária. Uma noite em Marianao , um bairro de Havana, os corpos de 98 presos foram espalhados pelas ruas, crivados de balas.”

49. O presidente Kennedy também denunciou a brutalidade do regime: “Há dois anos, em setembro de 1958, um grupo de rebeldes barbudos desceu das montanhas de Sierra Maestra, em Cuba, e começou sua marcha até Havana, uma marcha que finalmente derrubou a ditadura brutal, sangrenta e despótica de Fulgencio Batista […]. Nosso fracasso mais desastroso foi a decisão de dar status e apoio a uma das mais sangrentas e repressivas ditaturas na longa história da repressão latino-americana. Fulgencio Batista assassinou 20 mil cubanos em 7 anos – uma proporção maior da população cubana que a proporção de norte-americanos que morreram nas duas guerras mundiais – e transformou a democrática Cuba em uma Estado policial total, destruindo cada liberdade individual.”

50. Apesar das declarações oficiais de neutralidade no conflito cubano, os Estados Unidos deram seu apoio político, econômico e militar a Batista e se opuseram a Fidel Castro. Apesar disso, de seus 20 mil soldados e de sua superioridade material, Batista não pôde vencer uma guerrilha composta de 300 homens armados durante a ofensiva final do verão de 1958. A contraofensiva estratégica lançada por Fidel Castro causou a fuga de Batista para a República Dominicana e o triunfo da Revolução em 1 de janeiro de 1959.

* Salim Lamrani é Doutor em Estudos Ibéricos e Latino-americanos da Universidade Paris Sorbonne-Paris IV, Salim Lamrani é professor-titular da Universidade de La Reunión e jornalista, especialista nas relações entre Cuba e Estados Unidos. Seu último livro se chama Cuba. Les médias face au défi de l’impartialité, Paris, Editions Estrella, 2013, com prólogo de Eduardo Galeano.

 

Aproveite a Casa Branca, senhor! Nós cuidamos do resto!

19 nov

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CIA para Trump :

Enjoy the White House, sir! We take care of the rest!

“Primeiro dia de Trump no Salão Oval, após ser eleito Presidente.
Primeira reunião com a CIA, o Pentágono e o FBI:

Trump: Precisamos destruir o Estado Islâmico imediatamente. Sem atrasos.
CIA: Não podemos, senhor Presidente. Nós os criamos junto com a Turquia, Arábia Saudita, o Qatar e outros.

Trump: Os Democratas os criaram.
CIA: Nós criamos o Estado Islâmico, senhor Presidente. O senhor precisa deles ou então perderia investimentos do lobby de gás natural.

Trump: Pare de dar dinheiro para o Paquistão. Deixem a Índia lidar com eles.
CIA: Não podemos fazer isso.
Trump: Por que?
CIA: A Índia vai separar o Baluquistão do Paquistão.
Trump: Não me importa.
CIA: A India vai ter paz na região da Caxemira. Vão parar de comprar nossas armas. Vão se tornar um superpoder. Precisamos dar dinheiro para o Paquistão para manter a Índia lutando na Caxemira.

Trump: Mas vocês precisam destruir o Talibã.
CIA: Senhor Presidente, não podemos. Nós criamos o Talibã para ficarmos de olho na Rússia durante a década de 80. Agora eles estão alimentando o conflito no Paquistão e os mantendo longe de suas armas nucleares.

Trump: Temos que destruir os regimes que apoiam o terror no Oriente Médio. Vamos começar pela Arábia Saudita.
Pentágono: Senhor Presidente, não podemos fazer isso. Nós criamos estes regimes porque queríamos o petróleo deles. Não podemos ter uma democracia lá, senão as pessoas vão tomar aquele petróleo – e não podemos deixar que o povo lá tome posse do petróleo.

Trump: Então, vamos invadir o Irã.
Pentágono: Também não podemos fazer isto, senhor Presidente.
Trump: Por que não?
CIA: Estamos conversando com eles, senhor.
Trump: O que? Por que?
CIA: Queremos nossos drones de volta. Se nós atacarmos o Irã, a Rússia vai nos dizimar, como fizeram com nossos amigos do Estado Islâmico na Síria. Além disso, precisamos do Irã para ficar de olho em Israel.

Trump: Então vamos invadir o Iraque novamente.
CIA: Senhor, nossos amigos do Estado Islâmico já estão ocupando 1/3 do Iraque.
Trump: E por que não o Iraque inteiro?
CIA: Precisamos do governo xiita do Iraque para ficar de olho no Estado Islâmico.

Trump: Vou banir muçulmanos de entrarem nos EUA.
FBI: Não podemos fazer isto.
Trump: Por que não?
FBI: Porque daí a nossa própria população vai ficar destemida.

Trump: Vou deportar todos os imigrantes ilegais para o sul da fronteira.
Polícia da Fronteira: O senhor não pode fazer isto.
Trump: Por que não?
Polícia da Fronteira: Se eles forem embora, quem vai construir o muro?

Trump: Vou banir os vistos de trabalho.
Departamento de Segurança Interna: O senhor não pode fazer isto.
Trump: Por que?
Chefe de Gabinete da Casa Branca: Se o senhor fizer isto, teremos que realocar as operações da Casa Branca para Bangalore, que fica na Índia.

Trump (suando de raiva): Então que diabos eu faço como Presidente???
CIA: Aproveite a Casa Branca, senhor! Nós cuidamos do resto!”

Por   Jose Augusto Valente Via Myriam Andréa

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