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Tudo o que você queria saber sobre Aécio Neves O Mineirinho.

20 maio

aécim para o blog

 

Por Francisco Costa

Não gostos de tucanos e isso não é novidade, mas é um não gostar político, um discordar ideológico, sem ódio.
Sem exagero, eu me sentaria com qualquer um deles para um bom papo, de preferência não sobre política, e sairíamos com a impressão de simpáticos, um ao outro.
Mas com Aécio qualquer relação seria impossível. Aécio é o mau caráter nato, é o vagabundo profissional que viveu da fortuna familiar e, por uma desgraça, herdou o patrimônio político do avô e, ao invés de usar para o bem do próximo e da pátria, usou para multiplicar a própria fortuna.

Vindo estudar no Rio de Janeiro, logo mergulhou nas drogas e na baderna. Recentemente um delegado de polícia aposentado, um velhinho, contou a um jornalista que cansou de prender Aécio, por baderna e vandalismo, mas logo o telefone tocava na Delgacia, era um poderoso, e ele tinha que soltar o moleque.

Esta impunidade, este tudo poder, por conta da fortuna familiar e o prestígio político do avô é que o levou a não admitir ser contrariado nunca, e o resultado foi o não conformismo democrático, quando derrotado por Dilma, começou a desestabilizar o país logo que saiu o resultado da eleição, nos trazendo à situação atual.

No histórico de Aécio há uma surra na ex-esposa e atendimentos em CTI, por overdose de cocaína.
Em uma das vezes ele escapou por pouco, mas a mulher que estava com ele, em um motel, foi a óbito.
Tudo isso foi sempre escondido do público, graças a uma violenta milícia sustentada por Aécio, onde se incluíam muitos policiais mineiros, intimidando jornalistas e testemunhas.

Um policial, no entanto, Lucas Arcanjo, com destemor anunciava aos quatro ventos todos os crimes de Aécio, inclusive homicídios, a mando dele, chegando a protocolar denúncias no Ministério Público mineiro e federal, em Brasília, sem conseqüências, graças à blindagem de Aécio.

Lucas Arcanjo apareceu enforcado, em sua própria casa.
Quando governador, com dinheiro público construiu dois aeroportos em fazendas da sua família, fora da rota dos vôos comerciais, mas na rota do narcotráfico, além de um terceiro, no município de Montezuma, também numa fazenda da família dele, uma fazenda de milhares de hectares de eucaliptos, longe de qualquer aglomerado urbano e que no entanto tem intenso tráfego de pequenos aviões.

Na escuta feita pela Polícia Federal, Aécio falou que o emissário que pegaria, e pegou, a mala de dinheiro teria quue ser alguém que “a gente mate” antes dele nos delatar.
Coincidentemente foi encontrada uma ossada humana enterrada em uma de suas fazendas, sem que até hoje a polícia comprada por Aécio identificasse quem foi o assassinado.

A mídia omitiu, mas o helicóptero apreendido com quase meia tonelada de pasta de cocaína é de propriedade do Senador Perrela mas presta serviço à Agropecuária Neves, sendo que o filho do Perrela é sócio de Aécio em negócios obscuros, não tão obscuros, como ficou demonstrado na carga do helicóptero.

O acidente da Samarco, em Mariana, está impune porque tem o dedo de Aécio e da Cemig. O Ministério Público mineiro sabe de tudo isso, mas existe para perseguir e punir os que denunciam isso. O Ministério Público Federal sabe de tudo isso, por denúncias chegadas de Minas.

Contam-se em dezenas os casos de sentenças vendidas pelos juízes mineiros, sempre em favor da família Neves. Preso o tio de Aécio, por produção e venda de cocaína, um juiz que havia sido nomeado por Aécio foi quem deu o Habeas Corpus e o colocou na rua. A negociata do HC aconteceu num alambique (fábrica de cachaça) de propriedade da família Neves.
O Secretário de Segurança, no governo de Aécio, era o advogado de Fernandinho Beira Mar, e isto não é segredo para ninguém, em Minas e na cúpula brasiliense.

E de onde vem todo esse poder e todo esse dinheiro, capaz de comprar autoridades nos três poderes e em todos os níveis de poder, capaz de comprar a mídia nacional?
De várias fontes, a começar pela apropriação indébita, através da corrupção, passando pelo uso do dinheiro público mineiro, para corromper autoridades.

Tudo começou com o dinheiro da família, muito, e o prestígio político proporcionado por Tancredo Neves, o chefe do clã, multiplicando-se em muito quando a mãe de Aécio casou-se, em segundas núpcias com o herdeiro do Banco Moreira Sales, que foi incorporado ao Itaú, excetuando-se as jazidas de Nióbio, no município de Araxá, um minério raríssimo e caro, de propriedade do banco, por doação da ditadura militar, em troca dos serviços prestados (financiamento do golpe de 64).

Com o casamento da Dona Neves, 98% do Nióbio existente no mundo caiu no colo da família Neves, rendendo bilhões/ano.

E chegamos ao verdadeiro Aécio: basta nos lembrarmos dos discursos e pronunciamentos de Aécio para percebê-lo medíocre; basta nos lembrarmos dos debates com Dilma para o entendermos medíocre, despreparado, limitado; diante das atuais acusações, enquanto Temer e outros acusados vieram a público soltar os cachorros, Aécio se limitou a notinhas à mídia, através de intermediários.

Aécio já foi flagrado chapado de cocaína no plenário do Congresso, diversas vezes; o próprio Serra, seu correligionário, se manifestou temeroso quanto à candidatura de Aécio à presidência, por causa do “vício”; há um laudo, oficial, assinado por um médico do CTI, que o atendeu, com overdose de cocaína, onde afirma: “o paciente não tem condições de administrar nem a própria vida, que dirá um estado.”

Quero avisar aos Aeçófilos, coxinhas e congêneres que não sou detetive, vidente ou adivinho, menos ainda caluniador. Tudo isso está nas redes sociais, basta ir ao Google Busca e digitar a informação que quer obter.

Como, então, com tantas limitações, Aécio pode ter a projeção que teve?
Aécio é um produto, uma embalagem, um rótulo necessário porque vivemos numa sociedade machista, onde o machismo é levado às últimas conseqüências nas organizações criminosas.

O Rio de Janeiro tem o Comando Vermelho e o cérebro é Fernandinho Beira Mar; São Paulo tem o PCC e o cérebro é o Marcola; Minas Gerais tem os Neves e o cérebro é Andréa Neves. Aécio é só o robô, a fachada.
Por isso a preocupação do PGR e do STF em prendê-la, para deixar a organização acéfala e Aécio perdido, órfão, sem orientação, de maneira a facilitar a retirada de mais um bandido de circulação.
Não basta a justiça brasileira apurar a corrupção na família Neves, tem que apurar o narcotráfico e os homicídios.

Francisco Costa ( Facebook Via Dislene Lemos Perrote)

 

Rio, 20/05/2017.

A Globo é o golpe. Sempre será, enquanto existir. por Maria Luiza Quaresma Tonelli

16 maio

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Em tempos de normalidade democrática, numa sociedade civilizada, a condenação moral se dá após uma condenação judicial justa, de acordo com o devido processo legal, com o direito constitucional da ampla defesa.

Não estamos vivendo esse tempo. Para ser generosa, digo que estamos no limiar entre a democracia e a ditadura. Desde o famigerado “mensalão” a mídia (Globo à frente) vem promovendo uma cultura do ódio antipetista.

Lá começou o golpe, que continua e ainda não terminou. Desde então a condenação moral precede a condenação judicial, com provas ou sem provas. A condenação moral nessas condições é a mais perversa, pois destrói reputações. Desumaniza, nada respeita, nem as famílias.

É próprio de uma sociedade que se caracteriza cada vez mais pelo pensamento fascista. Contra a injustiça da condenação moral não há a quem recorrer, não há reparação possível. É a quintessencia da injustiça.

Toda a minha solidariedade ao ex-ministro Guido Mantega e a sua família e a todos os nossos que são vítimas dessa ignomínia patrocinada pela rede Globo, a inimiga da democracia e do sofrido povo brasileiro. Digo e repito: a Globo é o golpe. Sempre será, enquanto existir.

 Maria Luiza Quaresma Tonelli
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Caráter, artigo raro no Brasil

13 maio

 

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A Bancoop, cooperativa do Sindicato dos bancários de São Paulo, adquiriu um terreno e resolveu construir apartamentos em condomínio, para venda.
Dona Marisa Letícia Lula da Silva, falecida, decidiu comprar uma cota, referente a um apartamento, o que fez, com a anuência de Lula, claro.
Posteriormente a cooperativa não deu conta das obras, acumulando dívidas, e a empreiteira OAS, que vinha realizando as obras, assumiu o empreendimento.
Nesta transferência, da Bancoop para a OAS, abriu-se juridicamente a possibilidade de rescisão do contrato de compra e venda da cota (apartamento) ou renegociação de preço, o que comercialmente se chama janela.
Contra, a família Lula tinha que as obras estavam atrasadas e mais o argumento do ex-presidente, de que não poderia desfrutar da praia em frente, por causa do assédio.
Lembro que na ocasião Lula foi criticado pelos coxas, chamando-o de pop star e estrela, porque Lula afirmou que se fosse morar lá o local se tornaria ponto turístico e ele não teria paz.
O negócio foi desfeito, a rescisão contratual celebrada.
Esta é a história original, repetida por Dona Marisa Letícia, por Lula e que consta na documentação em poder do Moro.
Não há nem nunca houve nenhum documento no nome do Lula, quem comprou o apartamento foi Dona Marisa, quem desfez o negócio foi Dona Marisa
Esta foi a história que Lula contou em Moritiba, no dia 10, e que bate certinho com o que o casal Lula sempre falou e que foi amplamente noticiado pela mídia.
A partir daí, em surto de amnésia, a mídia mau caráter está noticiando que Lula jogou a culpa na mulher, comentarista$ de aluguel estão vomitando que Lula pôs a culpa na mulher e a beócia massa de energúmenos pautados pela mídia está repetindo.
Aí a Polícia Federal, a insuspeita Polícia Federal do Japonês Bonzinho, a Polícia Federal que descobriu em tempo recorde de quem era a meia tonelada de pasta de cocaína transportada pela Perrela’s Airlines, com um monte de delegados cabos eleitorais de Aécio, resolveu processar Lula porque ele insinuou que um contrato sem assinaturas, atribuindo a ele a propriedade de um triplex, foi plantado em sua casa.
As palavras plantado e forjado fazem parte do vocabulário policial em todos os estados, e pelo menos aqui no Rio de Janeiro não há quem não saiba de flagrantes plantados em blits de trânsito e batidas policiais.
Não há quem não saiba de armas postas nas mãos de cadáveres ou drogas nos bolsos de cadáveres, para justificar o assassinato de inocentes ou autos de resistência (assassinato em troca de tiros), inclusive com vídeos no Youtube, feitos clandestinamente, é só baixar.
Caráter vai se tornando coisa cada vez mais rara no Brasil.

Francisco Costa
Rio, 12/05/2017.

UFC :. Pérolas do embate Lula x Moro

11 maio

09.03.2016  DD dia a dia --  Lula   --  CONTRA -- Foto: Divulgaçao

1) MORO: Senhor ex-presidente, preciso lhe advertir que talvez sejam feitas perguntas difíceis para você.
LULA: Não existe pergunta difícil pra quem fala a verdade.

***

2) MORO: Esse documento em que a perícia da PF constatou ter sido feita uma rasura, o senhor sabe quem o rasurou?
LULA: A Polícia Federal não descobriu quem foi? Não? Então, quando descobrir, o senhor me fala, eu também quero saber.

***

3) MORO: O senhor não sabia dos desvios da Petrobras?
LULA: Ninguém sabia dos desvios da Petrobras. Nem eu, nem a imprensa, nem o senhor, nem o Ministério Público e nem a PF. Só ficamos sabendo quando grampearam o Youssef.
MORO: Mas eu não tinha que saber. Não tenho nada com isso.
LULA: Tem sim. Foi o senhor quem soltou o Youssef. O senhor deve saber mais que eu [referindo-se ao escândalo do Banestado].

***

4) LULA: O Dallagnol não tá aqui. Eu queria o Dallagnol aqui pra me explicar aquele PowerPoint.

***

5) MORO: Saíram denúncias na Folha de S. Paulo e no jornal O Globo de que…
LULA: Doutor, não me julgue por notícias, mas por provas.

***

6) LULA: Esse julgamento é feito pela e para a imprensa.
MORO: O julgamento será feito sobre as provas. A questão da imprensa está relacionada a liberdade de imprensa e não tem ligação com o julgamento.
LULA: Talvez o senhor tenha entrado nessa sem perceber, mas seu julgamento está sim ligado a imprensa e os vazamentos. Entrou nessa quando grampeou a conversa da presidente e vazou, conversas na minha casa e vazou, quando mandou um batalhão me buscar em casa, sem me convidar antes, e a imprensa sabia. Tem coisas nesse processo que a imprensa fica sabendo primeiro que os meus advogados. Como pode isso? E, prepare-se, porque estes que me atacam, se perceberem que não há mesmo provas contra mim e que eu não serei preso, irão atacar o senhor com muito mais força.

***

7) MORO: Senhor ex-presidente, você não sabia que Renato Duque roubava a Petrobras?
LULA: Doutor, o filho quando tira nota vermelha, ele não chega em casa e fala: “Pai, tirei nota vermelha”.
MORO: Os meus filhos falam.
LULA: Doutor Moro, o Renato Duque não é seu filho.

***

8) LULA: Doutor Moro, o senhor já deve ter ido com sua esposa numa loja de sapatos e ela fez o vendedor baixar 30 ou 40 caixas de sapatos, experimentou vários e no final, vocês foram embora e não compraram nenhum. Sua esposa é dona de algum sapato, só porque olhou e provou os sapatos? Cadê uma única prova de que eu sou dono de algum tríplex? Apresente provas doutor Moro?

***

9) MORO: O senhor solicitou à OAS que fosse instalado um elevador no tríplex?
LULA: O senhor está vendo essa escada caracol nessa foto? Essa escada tem dezesseis degraus e é do apartamento em que eu moro há 18 anos em São Bernardo. Dezoito anos a Dona Marisa, que tinha problema nas cartilagens do joelho passou subindo e descendo essa escada. O senhor acha que eu iria pedir um elevador no apartamento que eu não comprei, ao invés de pedir um elevador no apartamento em que eu moro, para que a Dona Marisa não precisasse mais subir essa escada?

***

10) LULA: O vazamento das conversas da minha mulher e dela com meus filhos foi o senhor quem autorizou.

***

11) MORO: Tem um documento aqui que fala do tríplex…
LULA: Tá assinado por quem?
MORO: Hmm… A assinatura tá em branco…
LULA: Então, o senhor pode guardar por gentileza!

Rindo até 2030…  ( Via Marcos Alexandre de Moraes- Facebook)

moro e lula para o blog

Na base do “achismo” por Maria Luiza Quaresma tonelli

5 maio

Estamos vivendo uma época na qual as pessoas afirmam certas coisas sem terem a mínima noção do funcionamento das instituições.

Emitem opiniões na base do achismo.

Seria muito bom que as pessoas tivessem um mínimo de conhecimento antes de saírem deitando falação sobre determinadas questões.

Opinião é o ponto de vista de cada um.

Portanto, não há opinião verdadeira ou falsa. Mas mesmo assim, uma opinião tem que ter um mínimo de coerência.

Defender coisas que não são plausíveis só serve para desinformar e arrebanhar seguidores incautos ou ingênuos. Democracia (a esfera da política, dos poderes eleitos, legislativo e executivo) e Direito (a esfera do judiciário, do poder não majoritário, não eleito) não se confundem. São poderes cujo processo decisório são totalmente distintos.

O primeiro, por ser eleito, está sujeito à opinião pública. O segundo, por não ser exercido por representates do povo, nunca.

Pressão, clamor popular, gritaria, não tem qualquer influência sobre as decisões do poder judicial, seja para o bem, seja para o mal.

Ao poder judicial não se “exige” coisa alguma. Pede-se. A luta, portanto, tem que ser política. Se consegui me fazer entender, muito que bem. Para quem não quer entender, que passe bem.

Maria Luiza Quaresma Tonelli

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Retórica leviana anti-Rússia vem da antiga cartilha do macartismo

27 fev

Por Glenn Greenwald ( The Intercept )

PARA ASPIRANTES A JORNALISTAS, historiadores e cidadãos politicamente engajados, não há nada melhor que investir seu tempo na leitura aleatória dos boletins informativos de I.F. Stone, jornalista destemido e independente da época da Guerra Fria que se tornou, a meu ver, o primeiro “blogueiro” dos EUA, mesmo tendo morrido antes do advento da internet. Frustrado com o ambiente corporativo e opressivo da grande mídia e com seu modelo propagandístico em favor do governo e, por fim, banido dos meios de comunicação dominantes por conta de suas objeções à narrativa anti-Rússia, Stone criou sua própria newsletter bimestral, mantida exclusivamente por assinantes, e passou 18 anos desmascarando incansavelmente as propagandas do governo americano e de seus parceiros na mídia.

O que torna a produção de Stone tão valiosa não é sua elucidação da história, mas a elucidação do presente. O aspecto mais impressionante de seus boletins é observar como pouco mudou na propaganda e no militarismo do governo dos EUA e no papel desempenhado pela mídia americana em sua sustentação. De fato, ao ler suas reportagens, tem-se a impressão de que a política americana reproduz eternamente os mesmos debates, conflitos e táticas.

Grande parte dos escritos de Stone, particularmente durante os anos 50 e começo dos anos 60, se concentraram nas técnicas para manter os americanos em um estado de medo exagerado do Kremlin. Uma passagem específica de agosto de 54 chama atenção em particular. Nela, Stone explica por que é impossível deter o macartismo nos EUA quando líderes do Kremlin são caracterizados constantemente como ameaças sérias e onipotentes, com o intuito de defender as guerras e o militarismo americano. Fora a mudança na ideologia de Moscou — algo que muitos dos mais nocivos macartistas atuais negam solenemente —, as observações de Stone poderiam ser aplicadas aos dias de hoje com a mesma precisão.

Se comunistas são uma raça sobrenatural de seres humanos, liderados por um mentor no Kremlin, envolvidos em uma conspiração satânica para dominar o mundo e escravizar a humanidade — essa é a tese defendida incansavelmente tanto por progressistas quanto conservadores americanos, repetida noite e dia por todas as estações de rádio e jornais — a tese de que nenhum americano se atreverá novamente a contestar nada sem que se torne suspeito —, como então combater [o senador] McCarthy?

Se a opinião pública deve ser condicionada à guerra, se está sendo adestrada para considerar natural a destruição de milhões de seres humanos, alguns deles contaminados por esse terrível vírus ideológico, todos supostamente implorando por liberdade, como podemos alegar que seria grave se alguns homens, possivelmente inocentes, perdessem seu empregos ou tivessem suas reputações manchadas por causa de McCarthy?

Dois pontos fundamentais a serem destacados: 1) o segredo para manter a população com medo de adversários externos é representá-los como se fossem poderosos e onipresentes; e 2) uma vez enraizada a caracterização, poucos estarão dispostos a questionar a propaganda por medo de serem acusados de defender o Mal Externo: “a tese de que nenhum americano se atreverá novamente a contestar nada sem que se torne suspeito”.

Essa tática – que caracteriza adversários como supervilões onipotentes – foi fundamental para a guerra ao terrorismo. Muçulmanos radicais não representavam apenas ameaças violentas, eram ameaças extraordinárias, como vilões em um filme de James Bond.

Quando emergiram as fotos mostrando como o governo americano transportou o suspeito de terrorismo José Padilha para seu julgamento, com os olhos vendados e ouvidos tapados, um comentarista político americano justificou a cena explicando que isso era necessário para evitar que o suspeito “piscasse códigos” para que seus camaradas iniciassem atentados. Ao ser questionado sobre por que suspeitos de terrorismo eram algemados e amordaçados durante os voos intercontinentais para Guantánamo, um oficial do exército americano disse se tratar de “pessoas que cortariam um cabo hidráulico com os dentes para derrubar um [Boeing] C-17”. Detinham poderes de magia negra e se espreitavam por toda parte, mesmo quando não podiam ser vistos. Por esse motivo, devem ser temidos a ponto de justificar qualquer pretexto ou política em nome de aniquilá-los.

POUCOS VILÕES ESTRANGEIROS foram investidos de tanta onipotência e onipresença quanto Vladimir Putin — pelo menos, desde que o Partido Democrata descobriu (o que equivocadamente acreditavam ser) sua utilidade política no papel de bicho-papão. Há pouquíssimos acontecimentos negativos no mundo que não acabam com o líder russo sendo responsabilizado e pouquíssimos críticos do Partido Democrata que não são, em algum momento, classificados como colaboradores de Putin ou espiões do Kremlin:

putin

Tradução: “Já existiu um vilão mais onipresente e onipotente na história?”

Tradução: “Howard Dean: Seria interessante descobrir se The Intercept recebe dinheiro da Rússia ou do Irã.”

“Corine Marasco: Anúncio de utilidade pública: Culpa por associação é a especialidade de Lee Fang [repórter do The Intercept] porque ele se considera um “jornalista investigativo.”

Tradução: Rachel Maddow: Por que Jill Stein não disse nada sobre o escândalo Trump-Rússia?
Em destaque: Maddow levanta suspeita sobre o silêncio de Stein quanto às tentativas russas de interferir nas eleições e beneficiar Donald Trump.
Em destaque: “Não sei, Jill – não sei pronunciar isso em russo”.

Putin, assim como os terroristas da al Qaeda e, antes deles, os comunistas soviéticos, está por toda parte. A Rússia está por trás de todos os males e, principalmente, é claro, por trás da derrota de Hillary Clinton. Quem se atreve a questionar essa premissa se mostra um traidor, possivelmente, parte da folha de pagamento de Putin.

Conforme a repórter do The Nation, Katrina vanden Heuvel escreveu na terça-feira (21) no Washington Post: “Nos ataques a Trump, muitos progressistas se juntaram ao furor neomacartista, criticando aqueles que buscam reduzir as tensões entre os EUA e a Rússia, e classificando como apologistas de Putin quem expressa dúvidas quanto às acusações de hackeamento e conluio. … Não precisamos de uma reprodução da histeria da Guerra Fria que paralise o debate, difame céticos e prejudique os esforços em explorar áreas de concordância com a Rússia em nome do nosso próprio interesse nacional”. Isso reflete exatamente o que Stone observou há 62 anos: a alegação de infiltração e onipresença russa é a “tese de que nenhum americano se atreverá novamente a contestar nada sem que se torne suspeito” (Stone não foi apenas considerado um colaborador do Kremlin durante sua vida, mas também foi chamado de agente stalinista depois de sua morte).

Escrevi exaustivamente sobre isso durante o ano passado à medida que a Febre Russa chegava ao seu ápice, ou para ser mais preciso, seu zênite. Não vou repetir tudo aqui.

 

MAS GOSTARIA DE CHAMAR a atenção para um excelente artigo no Guardian do jornalista americano, nascido na Rússia, Keith Gessen, em que examina — e refuta — de forma cirúrgica todas as alegações histéricas, ignorantes, alarmistas e manipulativas predominantes no discurso político americano sobre a Rússia, Putin e o Kremlin.

O artigo começa dizendo: “Vladimir Putin, você deve ter notado, está por toda a parte.” Por consequência, ele ressalta, a “Putinologia”, que define como “a produção de análises e comentários sobre Putin e suas motivações, baseados em informações necessariamente parciais, incompletas e, por vezes, completamente falsas”, tem tido muito destaque atualmente, mesmo que “tenha existido como um ramo intelectual distinto por mais de uma década”. Em síntese, ele escreve: “Em nenhum momento da história tantas pessoas com tão pouco conhecimento, e tamanha indignação, opinaram a respeito do presidente da Rússia.”

Não é exatamente raro que a mídia americana e seus comentaristas políticos opinem sobre adversários estrangeiros com uma mistura de ignorância e paranoia. Mas o papel desempenhado por Putin, acima de tudo, diz o autor, é o de estabelecer que os problemas americanos não são responsabilidade dos EUA, mas culpa de estrangeiros e, principalmente, eximir o Partido Democrata da necessidade de encarar seus próprios erros e fracassos.

Segundo uma pesquisa recente, Hillary Clinton e seu comitê de campanha ainda culpam os russos — e, por associação, Barack Obama, por não ter feito um drama sobre o hackeamento até novembro — por seu fracasso eleitoral. Nesse caso, pensar em Putin ajuda a não pensar em tudo que deu errado e no que precisa consertado.

Mas, enquanto o desencargo de consciência pode ser uma motivação importante, o grande perigo é o quanto essa obsessão distrai e deturpa a corrupção generalizada da classe dominante americana. Como diz Gessen:

Se Donald Trump sofrer um impeachment e for preso por conspirar com uma potência estrangeira visando prejudicar a democracia americana, vou comemorar tanto quanto qualquer americano. No entanto, no longo prazo, o argumento da [interferência da] Rússia não é apenas política de baixa qualidade, é falência moral e intelectual. É uma tentativa de culpar uma potência estrangeira por seus próprios, profundos e persistentes problemas. Conforme destacaram alguns comentaristas, é uma página da cartilha do próprio Putin.

Conforme explicou em detalhes Adam Johnson no Los Angeles Times na semana passada, o esforço constante em atribuir [a vitória de] Trump à dinâmica política externa visa ignorar a realidade de que foram a política e a cultura americanas que levaram à ascensão de Trump. Nada cumpre essa tarefa melhor do que continuar atribuindo Trump — e quaisquer outros resultados negativos — ao trabalho secreto de líderes do Kremlin.

O jogo dos democratas tradicionais e seus aliados não é apenas vulgar; é perigoso. As classes política, midiática, militar e os serviços de inteligência americanos ainda estão repletos de pessoas buscando um confronto com a Rússia; inclusive oficiais militares indicados por Trump para cargos importantes.

Conforme observou Stone nos anos 50, de um lado, a agressão e o alarmismo quanto ao Kremlin e, do outro, a acusação de deslealdade aos críticos domésticos dessa abordagem estão intrinsecamente vinculados. Quando um é enraizado, se torna muito difícil evitar o outro. Não é possível reproduzir a retórica de demonização de um adversário estrangeiro por muito tempo sem que sejam desencadeados, consciente ou inconscientemente, confrontos perigosos entre os dois.

Foto principal: Retrato do jornalista I. F. Stone em seu escritório. Washington, 1966.

Donald Trump é mais do mesmo

29 jan

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Nos últimos dias , muitas pessoas estão destilando um sentimento de ódio e desinformação contra Donald Trump.

Por influência da grande mídia , as pessoas esquecem da história recente dos Estados Unidos , principalmente das ”ações” dos seus antecessores , e fazem questionamentos sem embasamento algum.
Segue:

– ”Donald Trump vai construir um muro separando o México dos Estados Unidos. Um verdadeiro absurdo”.
Pra quem não sabe , o muro já existe , tem mais de mil quilômetros de extensão e foi construído pelo ex-presidente Bill Clinton. Donald Trump , na verdade , vai concluir a obra do ex-presidente do Partido Democrata.
– ”Donald Tramp odeia imigrantes. É um xenófobo”.
Sim. Donald Trump é xenófobo. Só que ninguém colocou mais estrangeiros ”para fora” dos Estados Unidos do que Barack Obama. O ex-presidente deportou dois milhões e meio de seres humanos.
– ”Donald Trump odeia os negros. É um racista”
Sim , ele é racista. Mas , durante o governo Barack Obama , negros eram alvejados nas ruas pelas forças policiais do estado , à luz do dia , inclusive crianças. Nunca se assassinou e se encarcerou tantos negros desde os tempos do “tolerância zero” de Rudolph Giuliani. Não que Barack Obama tenha mandado matar os negros , o que digo é que o racismo institucional não será inventado por Donald Trump. Hoje , há mais negros encarcerados nos Estados Unidos do que escravos nas fazendas de algodão.
– ”Donald Trump irá declarar guerra a diversos países”.
Barack Obama ganhou um Nobel da Paz preventivo e a primeira coisa que fez foi jogar o prêmio no porão e começar uma guerra. O exército americano , chefiado por Barack Obama , matou na Líbia , na Síria , no Iraque, no Afeganistão , no Iêmen , na Somália e no Paquistão.
– ”Donald Trump é o fim dos tempos. Como os Estados Unidos elegeu um homem tão despreparado como esse?”
Oras , os americanos elegeram Ronald Reagan , um ator medíocre de filmes de faroeste. Qual é o ineditismo disso?
– ”Donald Trump é um bilionário , que só vai pensar nos próprios negócios.”
Oras , os americanos elegeram George Bush Pai e depois elegeram George Bush Filho por duas vezes seguidas , e ambos não fizeram mais do que cuidar dos próprios negócios , encheram seus barris de petróleo e aumentaram a riqueza familiar , à custa da invasão e destruição de país.
Não estou defendendo Donald Trump. Estou dizendo que esse ódio só faz com que ele tenha razão ao ”meter o pau” na mídia.
Porque é a mídia que faz com que você ache que Donald Trump é um ”demônio” comparado aos anjos que governaram o império.

Donald Trump é o mais do mesmo.
Por Leandro Scala

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