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A camarada Kátia Abreu. Por Ângelo Cavalcanti 

25 nov

Quero ver quem explica a política brasileira! Katia Abreu, ruralista de longa data; senadora pelo muito periférico Tocantins; conhecida por sua atuação firme e destacada junto ao grande agronegócio é (imaginem isso!), depois de Lula da Silva, uma das maiores pedras no sapato de Michel Temer.
Não é para menos! Abreu é oposição declarada, do começo ao fim ao governo turbo-golpista do “vampirão”. Se opôs abertamente ao impedimento ilegal de Dilma Roussef. Seu depoimento foi um dos mais incisivos e destacados em prol da ordem democrática e do respeito às leis.
Após seis anos à frente da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária (CNA) rompe com sua entidade “mater” por defender abertamente as políticas para a agricultura do país, sobretudo, quando era ministra na gestão de Roussef. A oposição foi imediata; todas as federações da agricultura patronal do país, na exceção da federação do Tocantins, passaram a lhe fazer oposição. Nem por isso recuou um milimetro de seus posicionamentos.    
Katita votou contra todas as pautas de desmonte do país e perpetradas por Temer; repito: TODAS! Mais do que isso, militou contra as reformas/deformas de Temer; seus posicionamentos, quase sempre escancarados e denunciativos, estão aos montes no YouTube. 
Foi com Gleisi Hoffman, Fátima Bezerra, Vanessa Graziotin, Regina Sousa e Lídice da Mata em raro e lírico momento da política senatorial, no pescoço de Eunício de Oliveira e de toda a gerontocrática mesa diretora do senado quando tentavam empurrar a mais destrambelhada reforma trabalhista já apetecida no hemisfério sul.
Partiu para cima! A múmia sarneyzista, João Alberto (PMDB/MA), de dedo em riste a ameaçou de processo por “falta de decoro”. Dá para acreditar nisso!?! Katia Abreu, de saltinho médio, terninho bem ajustado, de franja e tudo só responde: Vem!!!
Trabalhos obstruídos por mais de doze horas; mil negociações e recuos da direitona para que as coisas seguissem! Por um ano e meio denuncia a grande camorra que se tornou o PMDB; rompeu com o também ruralista Ronaldo Caiado (DEM); negou reconciliação com o PMDB; sequer respondeu aos convites de Temer; emparedou o vil Romero Jucá e; bem ao seu estilo, classificou de público, Gedel Vieira, “o suíno”, como ladrão compulsivo e repulsivo.
Sequer é convidada para reuniões de consulta ou deliberação do seu partido e; abertamente, vem denunciando a “terra arrasada” da economia brasileira, bem como a periclitante situação do povo brasileiro desde a ruptura de 2016. 
E agora… Agora Katia Abreu foi expulsa do PMDB… Me digam: para os dias que correm, pode haver algo mais glorioso do que ser expulso pelos criminosos do PMDB! Hoje até que foi um bom dia!
Ângelo Cavalcante – Economista, professor da Universidade Estadual de Goiás (UEG), campus Itumbiara.

Via Maria Fernanda Arruda 

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Bancos internacionais :. A Hidra que controla o mundo

19 nov

Responsáveis pela crise mundial de 2008, 28 grandes bancos internacionais – chamados por alguns de seus críticos mais ferrenhos de a “hidra” – seguem dominando o sistema financeiro do planeta.
“Os Estados são reféns desta hidra bancária e são disciplinados por ela. A crise prova esse poder”, afirma François Morin, autor do livro A Hidra Mundial, o Oligopólio Bancário, professor emérito da Universidade de Toulouse e membro do conselho do Banco Central francês.
“Os grandes bancos detinham os produtos tóxicos responsáveis pela crise, mas, em vez de reestruturá-los, os Estados acabaram assumindo suas obrigações – e a dívida privada se transformou em dívida pública.”
A transferência, para os Estados, das dívidas privadas tóxicas destes 28 grandes bancos “sistêmicos”, durante a última crise financeira, explica as políticas de austeridade praticadas na Europa.
No Brasil, os bancos tem aumentado seus lucros mais do que nunca em tempos de crise, graças à essas práticas maliciosas. Bradesco e Itaú encontram-se entre esse 28 bancos, ou cabeças da “Hidra”.
Como os Estados tornaram-se reféns do oligopólio sistêmico que são os bancos?
Depois dos anos 1970, os Estados perderam toda a soberania monetária. Eles são responsáveis. A moeda agora é criada pelos bancos, na proporção de cerca de 90%, e pelos bancos centrais (em muitos países, independentes dos Estados) para os restantes 10%. Além disso, a gestão da moeda, através de seus dois preços fundamentais (as taxas de câmbio e taxas de juros) está inteiramente nas mãos do oligopólio bancário, que tem todas as condições para manipulá-los. Assim, os grandes bancos têm nas mãos as condições monetárias para o financiamento dos investimentos, mas sobretudo do para o financiamento dos déficits públicos. Os Estados não são apenas disciplinados pelos mercados, mas sobretudo reféns da hidra mundial.
As democracias no mundo esvaziam-se progressivamente, em razão da redução (ou da ausência) de margem de manobra para a ação pública. Além disso, o oligopólio bancário deseja instrumentalizar os poderes dos Estados, para evitar eventuais regulações financeiras, ou limitar o peso das multas às quais deve fazer face quando é pego com a boca na botija. Quer evitar especialmente processos de repercussão pública.
Em seu livro, o pesquisador se concentra em cinco mecanismos que, segundo ele, concedem aos bancos esta hegemonia financeira, econômica e política:
1. Ativos
Os 28 bancos detêm recursos superiores aos de dívidas públicas de 200 países do planeta. Enquanto estas entidades têm ativos (bens, dinheiro, clientes, empréstimos, entre outros) que somam US$ 50,3 trilhões (R$ 178 trilhões), a dívida pública mundial é de US$ 48,9 trilhões (R$ 173,7 trilhões).
“Foi com sua participação nos mercados especulativos que se chegou (à crise de) 2008.”
2. Criação de moeda
O sistema clássico de emissão monetária é formado por uma Casa da Moeda que imprime as notas necessárias a um Banco Central, que está posicionado no centro da cena financeira. Mas, hoje, 90% da moeda é criada por estes 28 bancos, e só 10% é de responsabilidade de bancos centrais.
Se antes a expansão do dinheiro era de certa forma protegida pelo nível de reserva monetária de um país, hoje em dia, este limite perdeu a relevância.
3. Mercado cambial
A movimentação no mercado cambial é uma das maiores do mundo: US$ 6 bilhões (R$ 21,3 bilhões) diários. Cinco dos 28 bancos controlam 51% deste mercado.
“O câmbio nos Estados Unidos e no Reino Unido não depende das variáveis econômicas de um país. Basta que operadores, vinculados aos bancos, decidam que o valor de uma moeda não se sustenta para que a ataquem especulativamente”, diz Ugarteche.
“Com compras ou vendas maciças, arrastam o resto dos atores do setor financeiro, provocando uma modificação no câmbio que não tem nada a ver com a saúde econômica de um país.”
4. Taxas de juros
Com seu potencial financeiro, estas 28 entidades têm um peso fundamental sobre as taxas de juros. Dado o nível altíssimo de circulação diária de ativos financeiros e de dívida, qualquer variação da taxa de juros faz girar automaticamente

Estados Unidos, Grã-Bretanha e Comissão Europeia deram início em 2012 a uma investigação que mostrou como este nível de concentração dos bancos leva a uma manipulação do mercado.

5. Derivativos

A metade dos 28 bancos produzem os chamados derivativos por US$ 710 trilhões, o equivalente a dez vezes o PIB mundial. Ugarteche ilustra o funcionamento deste mercado com um ativo financeiro bem modesto: uma vaca.

O que fazer para transformar a vaca em dinheiro? Em outras épocas, ela era vendida em troca de uma quantidade de dinheiro. Mas, hoje, outra opção é possível: uma transação futura.

Por exemplo: são vendidos o lucro em potencial que será obtido com o leite da vaca ou os bezerros que ela irá parir. É possível também vender o eventual leite que estes eventuais bezerros possam produzir, caso sejam fêmeas.

“A partir de uma vaca real, é criada uma economia fictícia construída mediante o uso de operações financeiras distintas. É um mundo de probabilidades. O bezerro é um futuro possível, nada além disso, assim como outros rendimentos obtidos a partir da vaca. O que acontece se a vaca ficar doente?”, questiona Ugarteche.

Caso isso ocorra, as operações efetuadas vão para um buraco negro. E foi assim que, em 2008, desapareceram mais de US$ 200 bilhões, o que arrastou em sua queda dispositivos de segurança que supostamente garantiam todo o fluxo de valores financeiros.

Especulação

A especulação pode causar graves efeitos na economia popular, inclusive inflação.

Historicamente, quando os ciclos tecnológicos/político-comportamentais amadurecem nos países de origem, o grande capital volta suas forças para os países que estavam à margem, procurando interferir no próprio processo político-cultural dos mesmos, em busca do melhor ambiente para sua expansão. Assim, costumam causar crises financeiras os países onde foi realizada a prospecção, para facilitar a entrada nesse novo mercado. E ainda ditam as novas regras para a recuperação econômica desses países. Regras estas que favoreçam o grande capital internacional.

O especulador não é um investidor. Seu objetivo não é garantir um retorno consistente ao capital aplicado em uma boa taxa de juros, mas sim lucrar tanto num aumento ou queda de preço de qualquer mercadoria que ele possa estar especulando.

O especulador lucra tanto na alta da economia quanto na baixa. E ainda mais na baixa, quando empresas se arruinam e a economia de um país quebra!

BIS – O “BANCO CENTRAL” dos bancos centrais

O ápice desse intrincado sistema é o Banco de Compensações Internacionais (BIS). O Banco central dos bancos centrais com sede na Suiça.” Uma organização internacional imensamente poderosa de que a maioria nem sequer ouviu falar, mas que secretamente controla a emissão de moeda em todo o mundo. Essa organização se chama BIS [Banco de Compensações Internacionais], e é o banco central dos bancos centrais.

Localizado em Basileia, na Suíça, mas tem filiais em Hong Kong e Cidade do México.

A cada dois meses, os banqueiros centrais se reúnem em Basileia para “Reunião de Cúpula da Economia Mundial ‘. Durante essas reuniões, decisões que afetam cada homem, mulher e criança no planeta são feitas, e nenhum de nós tem uma palavra a dizer no que é decidido por essa elite. O Banco de Compensações Internacionais é uma organização que foi fundada pela elite global, que opera em benefício dos mesmos, cujo principal objetivo é ser um dos pilares do sistema financeiro global unificado que vai ser IMPLANTADO.”

A principal ferramenta para escravizar nações inteiras e governos é a DÍVIDA. “Eles querem que sejamos todos e cada qual ser humano vivo no planeta, escravos de dívidas, querem ver todos os nossos governos e países escravos da dívida, e querem que todos os nossos políticos sejam viciados em contribuições financeiras gigantes que eles precisam canalizar para suas (seus bolsos,ops…) campanhas.

 Alguns dos 28 bancos que controlam as finanças no mundo:

 Bank of America, BNP-Paribas, Barclays, Citigroup, Crédit Suisse, Deutsche Bank, Goldman Sachs, HSBC, JP Morgan Chase, Royal Bank of Scotland, UBS, Bradesco, Itaú…

Fonte:https://dissidente-antiliberal.blogspot.com.br/2016/09/bancos-internacionais-hidra-que.html

Dinamarca é o paraíso terrestre ou algo muito próximo disso

19 nov

Turismo na Dinamarca 79

Por Luis Antonio Araújo-Central de Notícias do Facebook

Graças ao “Globo Repórter” desta sexta (18/11), descobri que a Dinamarca é o paraíso terrestre ou algo muito próximo disso.
“País da felicidade”, “terra onde as diferenças sociais são quase invisíveis”, “campeão da segurança, da igualdade, da simplicidade” – é difícil resistir a um lugar assim.
Fiquei esperando até o final do programa para saber qual é, afinal, a receita de sucesso dos dinamarqueses.
Apostei que seria algo entre o “frio escandinavo” e a ausência de “herança ibérica”. O “Globo Repórter” acabou silenciando sobre essa importante questão. Tomado de indômita curiosidade, fui buscar informações.

Aprendi o seguinte:

* a Dinamarca, assim como suas vizinhas Suécia, Noruega e Finlândia, adota desde os anos 1930 um sistema de seguridade social segundo o qual todos os cidadãos têm direitos iguais a serviços públicos como saúde, educação e previdência. Isso significa que, por princípio, qualquer indivíduo tem acesso franco e gratuito a esses benefícios ao longo da vida;

* para subsidiar esse sistema, a Dinamarca faz com que quem ganha mais pague mais impostos. Segundo a insuspeita Tax Foundation, a maior alíquota individual de imposto de renda em 2015, incluindo tributação na fonte, foi de 60% na Dinamarca, 57% na Suécia e 39% na Noruega. No Brasil, foi de 27,5%, ou menos da metade do nível dinamarquês, depois de ter sido de pelo menos 40% durante quatro décadas, até os anos 1990, como lembram os economistas Sergio Wulff Gobetti e Rodrigo Octávio Orair. Abaixo, uma tabela mostra a relação receita tributária/PIB em 25 países, com a Dinamarca no topo, com 49%;

* outro dado importante tem a ver com a concentração de renda. Na Dinamarca, os 0,05% mais ricos detêm 1,3% da renda nacional.
No Brasil, os mesmos 0,05% mais ricos abocanham 8,5% da renda. Nas palavras de Gobetti e Orair: “(…) são cerca de 71 mil pessoas que se apropriam de 8,5% de toda a renda. Este é um patamar que dificilmente encontrará outros paralelos no mundo” (GOBETTI; ORAIR. Progressividade tributária: a agenda negligenciada. In: http://www.ipea.gov.br/…/images/stories/PDFs/TDs/td_2190.pdf)

Ipea.Gov.br

* uma das entrevistadas do “Globo Repórter”, a cientista política Ulla Holm, diz que na Dinamarca “a corrupção quase não existe, e nós temos muito orgulho de sermos incorruptíveis (…) O fato de que nós confiamos no Estado é muito importante para nós”. Ou seja, o sistema funciona porque não há corrupção, certo? Errado. Entre 2012 e 2015, o governo dinamarquês estima que fraudes tributárias tenham subtraído US$ 1,85 bilhão (R$ 7,4 bilhões) do Tesouro.
Esse é praticamente o mesmo valor que a Receita Federal cobrava até janeiro deste ano das empreiteiras envolvidas na Lava-Jato. É preciso combater a corrupção, mas esse combate não pode servir para acobertar desmonte de direitos, como o fundamentalismo neoliberal tenta fazer crer no Brasil.

No GloboPlay, há uma entrevista com uma brasileira radicada em Copenhague que faz uma defesa bem informada e sóbria do Estado de bem-estar social (https://globoplay.globo.com/v/6297336/programa/). É pena que os editores do “Globo Repórter” não tenham achado necessário incluir a entrevista no programa que foi ao ar, relegando-a à página na web, à qual pelo menos 50% dos brasileiros não têm acesso.

O silêncio suspeito do MPF diante do caso Globo

16 nov

Por Tereza Cruvinel ( Brasil247)

Ao longo da Operação Lava Jato, tornou-se evidente a existência de uma aliança entre o Ministério Público Federal, a Polícia Federal e a mídia, que fez a sua parte com uma cobertura espetaculosa, desprezando a presunção da inocência dos investigados e executando a divulgação seletiva das delações premiadas vazadas por procuradores ou delegados federais. Os veículos do grupo Globo foram parceiros especiais desta aliança, comparecendo com suas equipes na hora exata para documentar prisões e conduções coercitivas. Até agora, o Ministério Público Federal fez silêncio absoluto sobre as revelações do empresário argentino Alejandro Burzaco a uma corte de Justiça de Nova York, apontando a TV Globo como um dos veículos que teriam pago propina para garantir exclusividade na compra de direitos de transmissão dos jogos da Copa Libertadores da América e da Copa Sulamericana de Futebol. Passado o feriado desta quarta-feira, a persistência do silêncio do Ministério Público sobre o assunto será suspeita, fortalecendo a percepção de que sua vigilância também é seletiva.
A TV Globo – que recentemente reestruturou toda a área de esportes, entregando seu comando a Roberto Marinho Neto, filho de José Roberto Marinho, negou as acusações, alegou a realização de sindicância interna que não encontrou irregularidades e colocou-se à disposição da justiça americana. Como todas as pessoas físicas e jurídicas, faz jus à presunção da inocência mas, agora, a situação exige que o assunto seja examinado também pelas autoridades nacionais. A situação complicou-se nesta quarta-feira com novo depoimento de Buzarco afirmando que a Globo participou de um esquema de propinas da ordem de US$ 15 milhões, o equivalente a R$ 50 milhões, para garantir a exclusividade nas transmissões das Copas de 2026 e 2030. Forneceu detalhes sobre a operação, que teria envolvido depósitos numa conta na Suíça em favor de um ex-dirigente da Fifa, Julio Grondona, já falecido. A empresa de Buzarco teria sido intermediária do pagamento, segundo informação do site Buzzfeed, que tem feito a cobertura mais aguerrida do escândalo no futebol global, investigado pela justiça americana. Delatores mentem ou podem mentir, em busca de proteção judicial, não podendo suas delações ser tomadas como base para condenação. Mas aqui no Brasil, especialmente em relação a alvos do PT, a mídia em bloco, Globo incluída, sempre tomou as delações como base para condenações midiáticas antes do proferimento de sentença.
Outro elemento fundamental para o êxito da Lava Jato foi a cooperação internacional com autoridades judiciárias estrangeiras de combate à corrupção. Tanto o juiz Sergio Moro como o ex-procurador-geral Rodrigo Janot estabeleceram uma sólida aliança com juízes e procuradores dos Estados Unidos. Se o Ministério Público resolver demonstrar seu interesse pelo assunto, pode começar pedindo a cooperação da Justiça americana neste caso. No tribunal do Brooklyn, em Nova York, terá seguimento nos próximos dias o julgamento da acusação de procuradores americanos, que acusam dirigentes mundiais de futebol de terem recebido R$ 500 milhões em propinas nas últimas décadas. Os procuradores brasileiros certamente vêm acompanhando o assunto. O que os silencia é o desconforto de ter que investigar um parceiro nacional tão estratégico, observando o devido processo legal, embora não o tenham feito em relação a muitos investigados da Lava Jato.

A Lava  Jato é o Macartismo brasileiro.Por Fernando Horta 

14 nov

*Do Fernando Horta*

É preciso que paremos se assemelhar a Lava a Jato com a Operação Mani Pulite, na Itália. A Lava a Jato é o Macartismo brasileiro.

Nos anos 50, o senador norte-americano por Wisconsin, Joseph McCarthy, dava forma a um movimento muito maior chamado “Red Scare” (Medo vermelho). Muita gente acha que Macartismo e o “Medo Vermelho” são a mesma coisa, e não são. Apesar de Wisconsin ser um estado do norte dos EUA (na região dos Grandes Lagos) e não do Sul (normalmente visto como mais agrário e conservador), McCarthy se elegeu com a maioria dos votos de agricultores e operários conservadores já tomados pelo “Medo Vermelho”, que vinha sendo propalado desde a Crise de 1929 e o New Deal de Roosevelt.

O Macartismo é, portanto, o resultado de uma intensa campanha contra os direitos sociais e qualquer forma contrária ao capitalismo mais selvagem. E todas as acusações de “paternalismo”, “ajudar vagabundos”, “ser comunista” foram lançadas originalmente contra Roosevelt e seu plano de recuperação da economia norte-americana. Entre 1945 e 1950, os EUA viram a URSS vencerem a guerra contra os nazistas, a China fazer sua revolução comunista (1949), a URSS explodir a sua primeira bomba nuclear (1949) e as Coréias entrarem em guerra, com vantagem decisiva para o norte comunista.

Assim, no prazo de cinco anos, o número de pessoas que viviam sobre regimes comunistas saltou de pouco mais de 150 milhões em 1945 para mais de 850 milhões em 1950. O comunismo parecia imparável e o desespero norte-americano se fez sentir. Daí surge o bordão “Reds, Pinks and Lavanders” com o qual McCarthy (e inúmeros outros políticos como o governador de Nova Iorque na época Thomas Dewey) ganhou imenso poder político. Segundo o senador, era preciso livrar os EUA da ameaça vermelha (os comunistas), dos rosas (social democratas ou qualquer outro pensamento assemelhado à terceira via europeia) e os roxos (homossexuais). Desde o início a temática de unir os comunistas e os “depravados moralmente” esteve na gênese da propaganda macarthista.

McCarthy criou comitês de investigação comunista nos EUA e começou sua escalada ao poder anunciando que tinha uma lista de 57 nomes de altos funcionários do Estado e que eram ou comunistas ou informantes. Nesta lista estava até o nome do Secretário de Estado norte-americano Dean Acheson, que havia, junto com Roosevelt e depois Truman, participado de toda a orquestração internacional do final da guerra. 

A estratégia do senador McCarthy consistia em acusar sem provas, usar a televisão e os canais de mídia da época para criar um clima de terror e apresentar-se como salvador moral do país. As televisões viam em McCarthy uma forma barata de conseguir audiência. Seus “interrogatórios” eram como shows de auditório, embora com muito mais audiência. Exatamente como é a Lava a Jato hoje. As televisões precisavam gastar milhões de reais com programas de baixo nível (como Big Brother, A fazenda e assemelhados) para conseguir menos audiência do que os shows da vara de Curitiba proporcionam, de graça.

Depois de criar o apoio midiático (bom para o senador e para a mídia), os “processos” se mostravam frágeis e sem nenhuma comprovação. O Macartismo criou a “culpa por associação”, exatamente como a Lava a Jato. Se o senador conseguisse mostrar, por qualquer meio esdrúxulo como uma jararaca picando uma cachorra, que o “réu” estava ligado – de alguma forma – a um núcleo comunista, não havia mais a necessidade de qualquer outra comprovação. O massacre midiático fazia com que o acusado perdesse o emprego e fosse agredido e aviltado. O que impressiona é que a Suprema Corte norte americana apoiou o Macartismo julgando os “Reds, Pinks and Lavanders” como não merecedores da segurança da primeira emenda da constituição (que fala da liberdade de expressão, de pensamento e religiosa). Em vários casos a Suprema Corte avalizou processos criminais e prisões contra professores, enfermeiros, artistas e etc. por cima da constituição. Exatamente como a Lava a Jato.

As gritantes injustiças e inconstitucionalidades tomaram eco pelo país todo, afinal se a Suprema Corte e o Senado podiam agir daquela forma, então, com muito mais violência, agiam os cidadãos e tribunais regionais. Pessoas passaram a ser perseguidas, agredidas em público, suas casas atacadas, filhos e família escorraçados apenas pela “delação” feita por algum desafeto. Bastava que houvesse uma “denúncia anônima” (como as que o MPF usa) para que a vida do denunciado estivesse acabada.

O ataque era violento contra professores (como o Escola sem Partido). Chandler Davis, professor de Matemática da Universidade de Michigan, foi um dos acusados. Levado “coercitivamente” a prestar depoimento, permaneceu em silêncio invocando a quinta emenda (a que constitui garantias contra o abuso de autoridade do Estado e permite o silêncio em qualquer interrogatório). Em 1960, três anos após a morte de McCarthy, a Suprema Corte americana mantinha ainda preso Davis porque entendeu que o silêncio seria comprovação de culpa. Exatamente como fazem juízes da lava a jato e outros hoje no Brasil.

Em 1954, a professora primária Anne Hale, diante do absurdo das acusações, decidiu não se declarar culpada (que era vista como uma forma de diminuir o sofrimento dos acusados injustamente) e disse: “Eu acho que será menor o prejuízo para meus alunos me verem defendendo aquilo que eu acredito ser verdadeiro do que me ver fugindo ou me escondendo”. Ela foi demitida de seu emprego na cidade de Wayland, nunca mais conseguiu qualquer emprego nos EUA. Todas as acusações contra ela se mostraram falsas. Quando morreu, em 1968, Hale trabalhava como professora voluntária ensinando crianças com disfunções cerebrais e fazia faxinas para poder ter o que comer.

Nenhuma acusação macarthista foi provada. Nem nunca precisou ser. Quando na falta de provas criava-se a “culpa por associação”, difamava-se política e socialmente usando a “perversão sexual e moral”  como forma de demonstrar a “depravação” que ameaçava os EUA. Exatamente como temos visto na Lava a Jato e nos movimentos que au apoiam. Todos com forte linguagem messiânica, baseados numa moralidade heterossexual branca e machista, violentos, agressivos e totalmente ignorantes. De Frota a Moro, passando por Dallagnol, Magno Malta ao silêncio do STF (acovardado) o roteiro é o mesmo do que ocorreu nos EUA. Inclusive com os mesmos trejeitos, linguagens, abusos e tudo mais exatamente igual.

McCarthy acusou de serem espiões comunistas Charles Chaplin, Orson Welles, Leonard Bernstein, Dean Acheson e até mesmo Robert Oppenheimer que havia sido o cientista chefe do projeto Manhattan, que criou a bomba atômica para os EUA. Em seguida, McCarthy lançou-se contra as forças armadas, denunciando o comunismo dentro do exército e foi necessário que o herói de guerra, general e presidente Eisenhower entrasse em disputa direta com o doidivano senador para que membros das FAs não fossem submetidos aos métodos da Lava a Jato. Perdão, aos métodos do Macartismo.

Milhares de pessoas agredidas, presas e com suas vidas destruídas. Duas mortes. Um país inteiro paranoico e voltado para o seu umbigo. Um antintelectualismo grosseiro e messiânico. O fortalecimento de políticos conservadores e religiosos espalhafatosos. O domínio dos Republicanos no Congresso. E nenhuma prova. Nenhuma prova. Ilações, relações, suposições, histórias estapafúrdias e o acovardamento inconstitucional da Suprema Corte. Este foi o caminho dos EUA, e está sendo o nosso, de forma assustadoramente idêntica.

Brasilino um Brasileiro.Por Rubem Gonzales

10 nov

A imagem pode conter: 2 pessoas, pessoas em pé e atividades ao ar livre

BRASILINO, UM BRASILEIRO.
Era uma vez um cara feliz, bem empregado, ganhava bem, tinha uma vida tranquila.seu nome era Brasilino Camisaldo Amarelino, um sujeito definitivamente de bem com a vida e um contrate com a vida apertada que levava há uns 13 anos atrás.
Porém existia algo que incomodava o Brasilino demais pois ele se formou na FUDEU ( faculdades unidas da esquina ) em ciências ocultas e letras apagadas e não se conformava com pedreiros, mecânicos, e trabalhadores ainda mais elementares tendo benefícios iguais aos seus.


Pior ainda para Brasilino eram os do andar mais embaixo ainda, gentinha vagabunda sustentado pelo governo, pelos seus impostos, gente preguiçosa que deveria trabalhar, ele simplesmente não aguentava mais olhar para a cara dessa gente e muito menos desse governo que carregava essa turma nas nossas costas.


Brasilino não aguentou mais tanta injustiça, Brasilino tomou uma atitude afinal isso já tinha passado dos limites e aí Brasilino bateu panela , desfilou fantasiado de canaralho, Brasilino fez até vigília para defender o Pato da FIESP, afinal aonde esses comunistas vagabundos pensam que vão fazer com o nosso amado país?


Ahhhh, mas ele foi recompensado pois a exatos 15 dias finalmente Brasilino conseguiu o que queria, derrubou esse governo comunista e vermelho e agora finalmente ele vai ser reconhecido pelo seu talento tão desprezado, finalmente ele não vai ter que dividir mais nenhuma conquista sua com ninguém, o país finalmente voltou a ser dele.


Hoje Brasilino passado a emoção inicial está se sentindo mal, se sentindo usado, se sentindo um otário. É que ele sempre se achou de pau pequeno, sempre teve preconceito disso e o seu primeiro pedido ao novo governo foi que o seu pau a partir daquele dia arrastasse no chão e o governo do Temer disse que iria resolver isso imediatamente.


Hoje o pau de Brasilino realmente arrasta no chão, o governo cumpriu a sua parte da promessa. mas como todo o golpe Brasilino não leu nas entrelinhas o contrato e o governo para cumprir o prometido ao invés de aumentar o seu pau até ele arrastar no chão, optou por amputar as suas pernas.


Agora acorda para a vida Brasilino e vai curtir a sua nova vida de pirocudo e aleijado porque o resto você nem imagina como vai ser……..

O boneco de Judith Butler

9 nov

Por Leandro Scala 

A imagem de um boneco da filósofa judia Judith Butler sendo queimado na rua , em frente ao SESC Pompéia , enquanto um grupo de fanáticos gritava ”queimem a bruxa” , é um sinal assustador dos tempos trevosos em que estamos vivendo.

Bruxa , mulher , judia , queimada: a combinação de palavras nos remete às piores lembranças da história da humanidade.

O fascismo caricato brasileiro , produz episódios tenebrosos , que são instrumentalizados pelos apoiadores do golpe para desviar a atenção de tudo o que realmente está acontecendo: reforma trabalhista , reforma da previdência , congelamento dos investimentos em saúde e educação , terceirização , privatização de empresas públicas , esquemas bilionários de corrupção e um presidente golpista que cometeu gravíssimos crimes , que só não está preso porque é protegido , no Congresso Nacional , por esses deputados que gritam na tribuna e nas redes , em nome de Deus , que os problemas do Brasil são os museus de arte , as peças de teatro e a ”ideologia de gênero”.

O que surpreende no caso do ”boneco de Judith Butler” seja o anacronismo fantasioso da figura da ”bruxa” , tão fantasioso quanto a ”pedofilia” inexistente nas obras de arte dos museus e a também inexistente ”ideologia de gênero” , com as quais se pretende criar pânico moral para que não falemos da corrupção de Michel Temer. É bom saber que também há reações: na porta do SESC Pompéia , os fanáticos que queimavam bruxas ficaram em minoria , superados longamente em número pelos manifestantes que foram lá apoiar a liberdade de expressão.

Ainda bem.

Em tempo , um dado que muitos provavelmente não saibam , até porque os que protestavam contra Judith Butler jamais leram um livro dela nem sabem quem ela é de fato , é que a palestra da filosofa não era sobre gênero ou sexualidade , mas sobre judaísmo e sionismo.

Por Leandro Scala

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