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SERIA FERNANDO HENRIQUE CARDOSO UM TRAIDOR E CORRUPTO? Por Pedro Maciel

24 maio

 

FHC 1

Pedro Maciel

SERIA FERNANDO HENRIQUE CARDOSO UM TRAIDOR E CORRUPTO?
Não é exatamente segredo que após a 2ª. Guerra Mundial a CIA passou a financiar artistas e intelectuais de direita, mas o que eu não sabia (confesso que nem desconfiava) é que a CIA também financiou personalidades de centro e de esquerda, num esforço de cooptação e para afastar esses intelectuais do comunismo e aproximá-los do American way of life, transformando-os em divulgadores desse caminho.

Essa é a conclusão de Frances Stonor Sauders, formada em Oxford em 1987 e residente em Londres, no seu livro “Quem pagou a conta? A CIA na Guerra fria da Cultura”, ed. Record.

O livro é muito interessante e desmascara a Fundação Ford, que, dentre outras fundações, era usada pela CIA e pelo departamento de Estado dos EUA para o fim acima descrito. E, por isso é possível que que Fernando Henrique Cardoso, deixou-se corromper e vendeu-se à CIA por um punhado de dólares.

Frances Stonor Sauders detalha que a CIA promoveu congressos culturais, exposições e concertos, bem como as razões que levaram os EUA a estimular a publicação e tradução naquele país de autores alinhados com o governo americano a patrocinar arte abstrata, como tentativa de reduzir espaço para qualquer arte de conteúdo social.

Noutro livro, chamado “Fernando Henrique Cardoso, o Brasil do possível”, da jornalista francesa Brigitte Hersant Leoni (Editora Nova Fronteira, Rio, 1997, tradução de Dora Rocha), há a seguinte narração: “Numa noite de inverno do ano de 1969, nos escritórios da Fundação Ford, no Rio, Fernando Henrique teve uma conversa com Peter Bell, o representante da Fundação Ford no Brasil. Peter Bell se entusiasma e lhe oferece uma ajuda financeira de 145 mil dólares. Nasce o CEBRAP”.

Esta história estaria contada na página 154 do citado livro de Brigitte Hersant, somada à densa pesquisa da inglesa Frances Stonor Saunders nos revela que possivelmente o Brasil tenha sido governado por oito anos por um intelectual corrupto, cooptado pela CIA em fevereiro de 1.969, e quem “pagava a conta” de Fernando Henrique e do seu CEBRAP era a CIA, através da Fundação Ford.

E não se pode esquecer que em dezembro de 1968 a ditadura havia lançado o AI-5 e jogado o Brasil no máximo do terror do golpe de 64, desde o início financiado, comandado e sustentado pelos Estados Unidos.

E enquanto centenas de cassações e suspensões de direitos políticos estavam em curso, com prisões lotadas, Fernando Henrique recebia da poderosa e notória Fundação Ford uma primeira parcela de 145 mil dólares para fundar o CEBRAP (Centro Brasileiro de Análise e Planejamento) de um total de quase 1 milhão de dólares.

E o jornalista Sebastião Nery afirma que “Os americanos não estavam jogando dinheiro pela janela. Fernando Henrique já tinha serviços prestados. Eles sabiam em quem estavam aplicando sua grana”.

E não se pode esquecer que ao lado do economista chileno Faletto, Fernando Henrique havia acabado de lançar o livro “Dependência e desenvolvimento na América Latina”, no qual os dois defendem a tese de que países em desenvolvimento ou mais atrasados poderiam desenvolver-se mantendo-se dependentes, ou alinhados, aos países mais ricos. Como os Estados Unidos?

Fato é que “cheio da grana”, fruto da venda de sua alma, Fernando Henrique logo se tornou uma “personalidade internacional” e passou a dar “aulas” e fazer “conferências” em universidades norte-americanas e europeias. Seria “um homem da Fundação Ford”, ou melhor, da CI
Registre-se que FHC, ameaçado de prisão pela ditadura militar, decidiu auto exilar-se, inicialmente no Chile e depois em Paris, tendo retornado ao país em 1968.

Algumas questões merecem ser feitas e respostas precisam ser dadas.

E o que era de fato a Fundação Ford? Uma instituição a serviço da CIA, um dos braços da CIA e do serviço secreto dos EUA?

Teria sido um FHC domesticado pela CIA em 1969 o Presidente do Brasil?

Enfim, FHC é um intelectual corrupto?

 

PEDRO MACIEL

Advogado, sócio da Maciel Neto Advocacia, autor de “Reflexões sobre o estudo do Direito”, Ed. Komedi, 2007

Terrorismo com consciência social

15 dez

Mord, Sprengstoffverbrechen, Banküberfälle u.a. Straftaten, [1972]
Produção alemã conta a história do grupo terrorista Baader Meinhof. Autoproclamados militantes de esquerda, eles confrontaram a política conservadora da Alemanha Ocidental, na década de 1970
Bruno Garcia

Atentados com carros bomba, sequestros de aviões, autoridades assassinadas. O cenário: a Alemanha Ocidental da década de 70. Em O grupo Baader Meinhof (2008), o diretor alemão Uli Edel conta a história da formação e da atuação da Facção do Exército Vermelho (RAF, em alemão) a partir da polarização entre esquerda e direta no país e do crescimento da hostilidade entre os diferentes partidos e organizações políticas. Bastante detalhista, o filme passa pelos principais eventos do período, apresentando a atmosfera de tensão que o país passava ao longo do processo de reconstrução após a Segunda Guerra Mundial.

Geralmente, associamos a figura do terrorista ao fundamentalista islâmico com pouca educação e facilmente seduzido por ideologias apocalípticas. Mas frequentemente esquecemos que o terrorismo tem uma história muito mais perturbadora e próxima do que gostamos de lembrar. Na Alemanha da década de 70, estudantes, jornalistas e outros jovens idealistas, se rebelaram com o que julgavam ser um estado fascista, comprometido com o imperialismo norte americano, que teimava em destruir países miseráveis e distantes como o Vietnã.

O grupo alemão RAF era movido por um messianismo revolucionário e pelo uso do terror como combate ao capitalismo. Liderados por Andreas Baader, sua namorada, Gudrun Ensslim e, mais tarde, a jornalista Ulrich Meinhof, o grupo chegou a receber treinamento na Jordânia, junto com grupos que lutavam pela independência da palestina, e, adotando táticas de guerrilha urbana, produziu uma onda de violência sem precedentes na recém-criada Alemanha Ocidental.

Os protestos de 1968

O filme de Edel começa com os lendários protestos de 1968. O movimento que, por todo mundo, ficou conhecido por produzir lemas como Paz e Amor¸ pela liberdade sexual e o combate à Guerra do Vietnã, teve dimensões muito mais dramáticas em solo alemão. Inconformados com a presença de autoridades com passado nazista no novo governo, e com o ostensivo alinhamento com o Imperialismo Americano, jovens alemães se acotovelavam nos comícios da Social Democracia.

Àquela altura, os sonhos da nova esquerda alemã dependiam de um jovem estudante de sociologia que ficara conhecido por arrastar multidões de entusiastas aos seus pronunciamentos. Em 1968, Rudi Dutschke era a grande figura política em ascensão. Marxista e líder da Juventude da Social Democracia, Dutschke passou a aparecer com frequência em debates públicos.

No dia 11 de abril, atendendo às manchetes de jornais conservadores, como o Bild-Zeitung que frequentemente dava notícias como como “Parem Dutschke já”, um jovem reacionário atira contra o rebelde, deixando-o em estado grave. O atentado chocou a esquerda alemã e produziu uma rápida radicalização. Andreas Baader e Ensslin Gudrun, que puseram posto fogo em uma loja de departamento em Frankfurt poucos dias antes do atendado, julgaram necessária a luta armada contra o Estado. Gudrun diria mais tarde: “Não se discute com a geração que criou Auschwitz!”.

Criado em 1970, o grupo ficou popularmente conhecido como Baader Meinhof depois que a jornalista Ulrich Meinhof colaborou com a fuga de Andreas. Dali em diante, entre exílios e operações clandestinas, aqueles jovens ganharam a notoriedade internacional, recebendo o apoio de estudantes de todo mundo por desafiarem as autoridades com recursos escassos e enorme entusiasmo.

Oficialmente, o grupo só foi extinto em 1998, quando a Agencia Reuters recebeu um documento de oito páginas anunciando sua dissolução. O filme, no entanto, se concentra na primeira geração, que foi quase toda presa entre 1973 e 1974, e a segunda, que em nome dessas lideranças, produzem o que ficou conhecido como Outono Alemão, em 1977. Entre os principais atentado estavam o sequestro do voo 181 da Lufthansa, que ia de Palma de Mallorca para Frankfurt e assassinato do banqueiro Jürgen Porto.

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Terrorismo à moda alemã

O terrorista, representado hoje em dia como uma criatura irracional, desnecessariamente agressivo e facilmente corrompido por ideologias autodestrutivas, pouco tem com a forma como são tratados aqui. O filme tem o cuidado de não heroicizar o grupo, nem de banalizar suas reivindicações. O intermédio é feito pelo personagem de Horst Herold, vivido no filme pelo legendário Bruno Ganz. Reconhecido hoje como provavelmente o melhor policial que a Alemanha já teve, Herold ficou conhecido pela caça bem sucedida aos terroristas da RAF e, especialmente, por sua sensibilidade em interpretar a lógica por trás dos atentados enquanto as autoridades teimavam em simplesmente demonizá-los.

Aos mais atentos, o longa-metragem apresenta uma análise lúcida sobre o estado dos estados da Europa Ocidental durante a Guerra Fria. Uma análise muito pouco animadora, distante do discurso tradicional de mundo livre comprometido com a democracia e a liberdade. Autoproclamados bastiões da democracia contra o totalitarismo, os regimes ocidentais estavam cobertos por governos conservadores que subordinavam liberdade à segurança.

Enquanto na Espanha e em Portugal, os regimes autoritários anteriores à guerra se mantinham firmes até a metade da década de 70, a Inglaterra dava boas vindas à era de Margaret Thatcher. A ditadura grega, conhecida com Junta Militar, tinha o apoio dos Estados Unidos, enquanto o conservadorismo francês chegava no limite com as revoltas estudantis de 1968. Em outras palavras, a Alemanha Ocidental, que deveria fazer frente ao regime comunista que partira o país, era somente o exemplo mais dramático de como a ideia de liberdade e democracia estavam subordinados à segurança e à lógica do conflito da Guerra Fria.

Esse contexto, somado à ainda presente memória do nazismo, criara a estranha sensação de que o mundo não estava exatamente no caminho certo. O clima de tensões e ambiguidade é magistralmente apresentado no filme. Destaque para os pais de Gudrun: Ao saírem do julgamento da filha, pelo incêndio da loja de departamentos em 1970, eles declaram à televisão que ao se sacrificar em nome de uma causa maior, o gesto libertou a família de um passado sombrio que eles próprios não sabiam como lidar.

Baseado no livro de Stefan Aust, a obra faz parte de uma série de produções alemãs, que desde a década de 90 tem se comprometido em discutir momentos delicados de sua história no século XX. Nenhum outro país vem abrindo suas próprias cicatrizes de forma tão incisiva como os alemães. Tudo isso sem cair no óbvio ou caricato. No filme de 2008, a História está a serviço de uma reflexão maior, e cada vez mais necessária nos nossos dias. Demonstrando que pessoas comuns são capazes de ações extremas, o filme escapa dos maniqueísmos baratos, tão comuns após o 11 de Setembro, e visita um período difícil e repleto de possibilidades de forma responsável e lúcida.

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