Tag Archives: cia

Aproveite a Casa Branca, senhor! Nós cuidamos do resto!

19 nov

Resultado de imagem para Trump e a CIA

CIA para Trump :

Enjoy the White House, sir! We take care of the rest!

“Primeiro dia de Trump no Salão Oval, após ser eleito Presidente.
Primeira reunião com a CIA, o Pentágono e o FBI:

Trump: Precisamos destruir o Estado Islâmico imediatamente. Sem atrasos.
CIA: Não podemos, senhor Presidente. Nós os criamos junto com a Turquia, Arábia Saudita, o Qatar e outros.

Trump: Os Democratas os criaram.
CIA: Nós criamos o Estado Islâmico, senhor Presidente. O senhor precisa deles ou então perderia investimentos do lobby de gás natural.

Trump: Pare de dar dinheiro para o Paquistão. Deixem a Índia lidar com eles.
CIA: Não podemos fazer isso.
Trump: Por que?
CIA: A Índia vai separar o Baluquistão do Paquistão.
Trump: Não me importa.
CIA: A India vai ter paz na região da Caxemira. Vão parar de comprar nossas armas. Vão se tornar um superpoder. Precisamos dar dinheiro para o Paquistão para manter a Índia lutando na Caxemira.

Trump: Mas vocês precisam destruir o Talibã.
CIA: Senhor Presidente, não podemos. Nós criamos o Talibã para ficarmos de olho na Rússia durante a década de 80. Agora eles estão alimentando o conflito no Paquistão e os mantendo longe de suas armas nucleares.

Trump: Temos que destruir os regimes que apoiam o terror no Oriente Médio. Vamos começar pela Arábia Saudita.
Pentágono: Senhor Presidente, não podemos fazer isso. Nós criamos estes regimes porque queríamos o petróleo deles. Não podemos ter uma democracia lá, senão as pessoas vão tomar aquele petróleo – e não podemos deixar que o povo lá tome posse do petróleo.

Trump: Então, vamos invadir o Irã.
Pentágono: Também não podemos fazer isto, senhor Presidente.
Trump: Por que não?
CIA: Estamos conversando com eles, senhor.
Trump: O que? Por que?
CIA: Queremos nossos drones de volta. Se nós atacarmos o Irã, a Rússia vai nos dizimar, como fizeram com nossos amigos do Estado Islâmico na Síria. Além disso, precisamos do Irã para ficar de olho em Israel.

Trump: Então vamos invadir o Iraque novamente.
CIA: Senhor, nossos amigos do Estado Islâmico já estão ocupando 1/3 do Iraque.
Trump: E por que não o Iraque inteiro?
CIA: Precisamos do governo xiita do Iraque para ficar de olho no Estado Islâmico.

Trump: Vou banir muçulmanos de entrarem nos EUA.
FBI: Não podemos fazer isto.
Trump: Por que não?
FBI: Porque daí a nossa própria população vai ficar destemida.

Trump: Vou deportar todos os imigrantes ilegais para o sul da fronteira.
Polícia da Fronteira: O senhor não pode fazer isto.
Trump: Por que não?
Polícia da Fronteira: Se eles forem embora, quem vai construir o muro?

Trump: Vou banir os vistos de trabalho.
Departamento de Segurança Interna: O senhor não pode fazer isto.
Trump: Por que?
Chefe de Gabinete da Casa Branca: Se o senhor fizer isto, teremos que realocar as operações da Casa Branca para Bangalore, que fica na Índia.

Trump (suando de raiva): Então que diabos eu faço como Presidente???
CIA: Aproveite a Casa Branca, senhor! Nós cuidamos do resto!”

Por   Jose Augusto Valente Via Myriam Andréa

Ou Dá ou Desce

20 jun

 

http://outraspalavras.net/alceucastilho/wp-content/uploads/2016/03/

Texto de Luciano Leon VIA Míriam M. Morais
“É muito cansativo conversar com quem só enxerga em preto e branco. Apesar de toda a veia igualitária/social do Lula e Dilma, tudo que eles fizeram acabou beneficiando demais o empresariado, que lucrou com uma população com mais recursos e mais dignidade.

Mas mesmo este caminho precisa “dar bom dia” pra Deus e pro Diabo. é preciso segurar o vômito e aceitar que vermes rastejantes sentem na mesma mesa ou eles viram a mesa e fazem bagunça (vide Cunha). Como vimos com o golpe, há poderosas forças em ação. Elas se juntam e decidem o que é certo/errado, o que vale e o que não vale.

Ou o povo da esquerda dá o voto de confiança que a Dilma merece e a deixa trabalhar ou a própria esquerda vira uma força para os coxinhas alimentarem péssimas e falsas imagens sobre a Dilma. Eu nunca condenei uma única vírgula decidida pela Dilma. Mesmo quando ela reorganizou coisas “imexíveis”, como o Seguro-Desemprego e ninguém teve boa vontade pra entender.

As pessoas precisam colocar na equação a evolução social trazida por Lula e Dilma e não ficar choramingando por causa de cada bom-bom que ela percebe ser melhor tirar de um pote e passar pra outro, pra melhorar o conjunto. Da mesma forma é preciso deixá-la compor seu grupo de trabalho “do jeito que dá”, já que está cercada de bestas selvagens de pura pornografia moral. Taí o Temer como exemplo.

Quem votou na Dilma precisa apoiá-la incondicionalmente. Ou você confia no seu voto ou então vai logo pro PSDB, veste uma camisa da Seleção e para de encher o saco da esquerda. A outra alternativa em apoiar a Dilma, é termos um governo fascista e um Estado Policial totalmente desumano como o Temer e seus corvos estão desenhando para nós.

Seguinte povo da Esquerda: OU DÁ OU DESCE!”

 

A guerra de ‘4a. geração’ e a implantação do regime dominante de vigilantismo global. Entrevista com Pedro Rezende

2 jun

http://www.adital.com.br/arquivos2/

 

“O modelo de Estado que nos legou a democracia representativa e os direitos civis vai sendo desmontado por dentro, para transição a uma nova ordem mundial, disparada pelo colapso financeiro que impulsiona a próxima destruição criativa do capitalismo”, adverte o pesquisador.

Por Patricia Fachin

A recente divulgação do maior vazamento de documentos sigilosos do mundo, que ficou conhecido como Panama Papers, e que expôs a relação de empresas e políticos com paraísos fiscais e offshores, mais do que euforicamente, deve ser analisada tendo em vista alguns detalhes, diz Pedro Rezende àIHU On-Line, ao comentá-la, na entrevista a seguir, concedida por e-mail.

De acordo com ele, em primeiro lugar, a extração dessas informações indica “tratar-se de hacking externo”, mas “para melhor alcançar seus objetivos, dos quais a credibilidade sobre autenticidade do material vazado é primordial, a mentoria da operação preferiu ofuscar-se e ocultar o agente da extração, por trás do jornal que recebeu o material, e da entidade que se incumbiu de examinar os documentos e de distribuir conteúdos selecionados”. Entre as questões que ainda precisam ser respondidas, Rezende menciona: “Como é que 400 pessoas em 80 países conseguem manter sigilo, durante um ano, sobre tantos documentos explosivos? Eram mesmo jornalistas? Quem pagou pelo trabalho? Por quais critérios de resumo? Por que o Süddeutsche Zeidung – SZ?”.

Entre as respostas possíveis, Rezende afirma que o Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos, que repassou as informações ao jornal alemão Süddeutsche Zeidung, “é sustentado pelas fundações Open Society – OSF e pela Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional – USAID, conforme rodapé da sua página web”. Então, frisa, “para quem quiser espiar por trás da cortina nesse palco, a mentoria da operação Panama Papers se expõe: a OSF é dirigida e mantida por um globalista financeiro dos mais empenhados em surfar a transição para a ordem monetária que sucederá a atual, George Soros; e USAID é o front político da agência de três letras pioneira dentre as que executam a estratégia dos principais aspirantes ao comando do emergente Hegemon”.

Para Rezende, ações como essas podem ser entendidas como uma “psyop”, ou seja, “operações psicológicas” que fazem parte da “guerra híbrida que está sendo travada pela consolidação do emergente Hegemon”. Na avaliação dele, está em curso um “plano ofensivo de guerra híbrida posto em marcha para implantar um regime dominante de vigilantismo global, necessário para consolidar e sustentar uma nova ordem social e política de alcance mundial, a pretexto do inevitável jogo de espionagem das nações”.

Na entrevista a seguir, Rezende comenta as formas de vigilantismo na internet e o comportamento dos usuários, que contribui para a formulação e evolução cibernética da propaganda.

Pedro Rezende é Advanced to Candidacy for PhD em Matemática Aplicada pela Universidade da Califórnia em Berkeley, bacharel e mestre em Matemática pela Universidade de Brasília. No Vale do Silício, trabalhou com controle de qualidade do sistema operacional Macintosh na Apple Computer, com sistemas de consulta a bases de dados por voz digitalizada na DataDial e com as primeiras aplicações de hipertexto, precursoras da web, desenvolvendo HyperCard stacks para Macintosh.

Foi membro do Grupo de Padronização de Segurança da Comissão de Informatização do Conselho Nacional de Justiça, do Grupo Interministerial sobre Sociedade da Informação no Itamaraty, do Conselho do Instituto Brasileiro de Política e Direito de Informática, do Conselho da Free Software Foundation Latin América e do Comitê Gestor da Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira, como representante da Sociedade Civil por designação do Presidente da República. Atualmente leciona no Departamento de Ciência da Computação da Universidade de Brasília – UnB.

Confira a entrevista.

IHU On-Line – Vivemos hoje numa sociedade do controle e vigilância? O que a caracteriza?

Pedro Rezende – Desde 2013, as denúncias de [Edward] Snowden nos revelam a parte essencial de um plano ofensivo de guerra híbrida posto em marcha para implantar um regime dominante de vigilantismo global, necessário para consolidar e sustentar uma nova ordem social e política de alcance mundial, a pretexto do inevitável jogo de espionagem das nações. Plano que até então vinha sendo camuflado como combate ao terrorismo, cibercrime, pirataria digital etc.

O vigilantismo assim implantado visa à coleta massiva de dados de todo tipo, não só para monitoramento, mas principalmente, em última instância, para instrumentar com eles o controle de valores, motivações e vontades abrigados ou desenvolvidos por indivíduos, através da manipulação ativa de nossa percepção da realidade. As chances de sucesso dessa instância repousam no fato de que nossa percepção é cada vez mais intermediada por tecnologias digitais, as chamadas TIC – Tecnologias da Informação e Comunicação, e também no aporte daquilo que podemos chamar de evolução cibernética da propaganda como ciência.

Esse regime se caracteriza pela concentração de poder semiológico em grandes fornecedoras de plataformas de TIC e de serviços mediados por estas, cooptadas para instrumentar essa dominância em troca de proteção normativa, concorrencial e política. O atual estado servil da mídia corporativa exemplifica tal cooptação. É a mesma lógica que Mussolini usou para definir o fascismo, ideologia que ganha preponderância e eficácia em períodos de crise, agora sob os esteroides da revolução digital.

IHU On-Line – Qual é o papel da internet neste controle e nesta vigilância?

Pedro Rezende – Duas características atuais da computação digital se combinam para delinear esse papel. A primeira é o patamar a que chegamos com a chamada lei de Moore, e a segunda, o nível de disseminação de dispositivos móveis. A lei de Moore é uma projeção empírica, baseada na evolução histórica das TIC, para estimar o custo futuro de armazenamento e de processamento eletrônico de dados.

Pelo nível atual de miniaturização, e dos respectivos custos fabris e operacionais, para a escala de um tal regime, parece de eficácia crescente a seguinte tática: interceptar globalmente e por atacado as comunicações digitais, armazenando em gigantescos data centers dados potencialmente importantes por algum tempo, para poder minerá-los em busca de informação valiosa quando necessário, do que buscar diretamente essas informações com monitoramento em tempo real. O modelo operacional do Google dá o exemplo.

Doutro lado, com a disseminação de dispositivos móveis conectáveis alcançando personalização inédita, com a popularização do uso de smartphones e da “internet das coisas”, as possibilidades para um tal regime intervir remotamente com programações individualmente calibradas, dissimuladas ou imperceptíveis como manipuladoras ou não, alcança patamares antes só imaginados em ficções como as de [Aldous ] Huxley, [George] Orwell ou [Franz] Kafka.

Resumindo com uma metáfora, o papel da Internet para um tal regime corresponde ao do aparelho circulatório para um organismo vertebrado.

“O domínio de desenvolvimento colaborativo e licenciamento permissivo que produz e distribui softwares livres é estratégico para a defesa da autonomia tecnológica”

IHU On-Line – Numa entrevista que nos concedeu em 2014, o senhor afirmou que iniciativas desenvolvidas colaborativamente, tais como software livre, podem dificultar a implantação de um regime de vigilantismo na rede. Qual tem sido a adesão a esse tipo de software livre?

Pedro Rezende – O domínio de desenvolvimento colaborativo e licenciamento permissivo que produz e distribui softwares livres é estratégico para a defesa da autonomia tecnológica, entre grupos aptos e comunidades com interesses convergentes no uso e evolução das TIC. No cenário atual de guerra híbrida, em que a captura desta autonomia é estratégica para dominação hegemônica, a decisão de escolher, por isso, alternativas livres, pode funcionar como tática de guerrilha nessa defesa, com o potencial efeito de pulverizar as ações cooptadoras necessárias à instrumentação desta dominância.

Os estrategistas da atual guerra híbrida certamente sabem disto, pois no planejamento para consolidação do emergente Hegemon estão incluídas ações que visam a neutralizar essa tática, como bem mostra um dos mais importantes documentos vazados por Snowden: No planejamento estratégico da NSA para signals intelligence no quadriênio 2012-2016, o item 2.1.4 prescreve “enfrentar softwares de criptografia domésticos ou alheios atingindo suas bases industriais com nossas capacidades em inteligência de sinais e humanas”; e o 2.1.5, “Influenciar o mercado global de criptografia por meio de relações comerciais e pessoais de inteligência, e por meio de parceiros diretos e indiretos”.

Doutro lado, quem tem visão geopolítica para entender a importância da autonomia tecnológica, como meio de resistência a esta consolidação, tem tido pouca influência decisória sobre as potenciais vítimas de um consolidado Hegemon, talvez devido à penetração já alcançada pela manipulação ativa de percepções. “Quem não tem nada a esconder, não teme”, e “se é de graça, não presta”, são exemplos de seus memes. Assim, em meio à cacofonia de valores numa luta que se acirra pela sobrevivência pessoal, vemos o ritmo de adoção de software livre inalterado após Snowden, enquanto se acirra a investida para cooptação de importantes desenvolvedores nesse domínio, como por exemplo na plataforma de anonimização Tor.

IHU On-Line – As cinco grandes empresas que “dominam” a rede, Google, Apple, Microsoft, Facebook e Amazon, desempenham algum papel nesta “vigilância”? Qual? O que essas empresas representam hoje?

Pedro Rezende – Observemos que o segmento em que essas empresas dominam seus nichos é o de serviços intermediados pela infraestrutura global de comunicação digital, com as três primeiras também no de fornecimento de software comoditizado para plataformas altas (smartphones, desktops etc.). Esse domínio representa controle nas camadas “mais de cima” da “rede”, onde as mercadorias são simbólicas e onde a cooptação — inicialmente clandestina — de empresas dominantes é essencial para o regime de vigilantismo global poder atuar no varejo.

Particularmente em instâncias de manipulação ativa, em que se encenam importantes operações psicológicas, conhecidas como psyops, na guerra híbrida sendo travada pela consolidação do emergente Hegemon, vejo uma dessas psyops na encenação de batalhas judiciais entre agências de três letras e essas empresas, em que as empresas posam de defensoras da privacidade de seus clientes, enquanto essa “defesa” já está derrotada por programas de cooptação entre elas mesmas e essas agências, como por exemplo no projeto Prism [1].

À guisa de investigar recente ataque “terrorista” em San Bernardino, por exemplo, o FBI tenta intimar a Apple a incluir “portas de fundo” (backdoors) no sistema operacional ou no firmware do iPhone, capazes de neutralizar a criptografia oferecida a clientes, enquanto os da área sabem que as agências de três letras já detêm vários meios para isso. Outro exemplo que podemos citar, este no combate que seria às drogas, mas que na verdade é contra a concorrência, é o da parceira pioneira no projeto Prism, resistindo a ordens para entregar emails.

Na fase inicial da guerra híbrida, tais encenações servem para dessensibilizar as pessoas e a sociedade quanto aos desdobramentos dessa consolidação hegemônica, rumo à transição para a fase seguinte. Na fase seguinte da guerra híbrida, cujo início talvez tenha sido sinalizado pelo episódio Snowden, a cooptação deixa de ser clandestina ou velada e se torna explícita, alcançando também entidades financeiras e estados periféricos.

Contudo, para atuar no atacado, por exemplo, contra uso eficaz de criptografia ou na interceptação e coleta, tal regime precisa cooptar nos segmentos “de baixo” da rede, onde predominam empresas como Intel, AMD, Cisco, Lenovo, Seagate e as de telecom globalizadas. E é aí, pela posição crítica dos alvos e instâncias, que as batalhas são mais obscuras e acirradas. Como ilustram, por exemplo, as investidas do equation group, comprometendo até o firmware nas linhas de montagem de HDs e pendrives, tornando esses dispositivos de armazenamento verdadeiros cavalos de Troia, indefensáveis por antivírus, EDS e firewalls, pois fora do alcance destes.

“A ciberguerra se caracteriza também por ações próprias, para captura ou controle de ativos importantes ao regime de vigilantismo global”

IHU On-Line – Existe uma ciberguerra hoje? Como a caracteriza e quais são os atores envolvidos nela?

Pedro Rezende – Entendo que ela existe entre as dimensões eletromagnética e informacional do teatro de guerra atual, conforme a doutrina militar para dominação de amplo espectro. O emergente Hegemon se consolida com os sucessos numa série de conflitos que vão sendo planejados e deflagrados seguindo uma estratégia de guerra “de 4ª geração”, em cujo front psicológico o alvo principal para captura é a indústria da mídia corporativa, e o final é o desmonte dos Estados-nação. Combinada à estratégia sistêmica (dos cinco anéis), que orienta revoluções coloridas com ações centrípetas, executadas em redes sociais de progressiva densidade, e/ou combates não convencionais com operações centrífugas, de atores sem nítida identidade, objetivos e logística, chega-se à forma de guerra batizada de híbrida, que já citei. Vejo então a ciberguerra como interface entre a guerra híbrida e a convencional.

A ciberguerra se caracteriza não só por ações de espionagem e sabotagem convencionais, executadas por meio ou contra alvos eletrônicos, mas também por ações próprias, para captura ou controle de ativos importantes ao regime de vigilantismo global. Regime que, na guerra híbrida, corresponde à ocupação de “território virtual”. Considero as batalhas mais importantes nesse front aquelas pela radicalização de normas que regulam a virtualização de práticas sociais, sejam na área jurídica, técnica ou operacional, degradando direitos civis em prol da eficácia desse regime. Na minha área, que é a técnica, entramos numa fase de cerco explícito em processos de padronização digital, ou para a Internet, com os unlockable bootloarders no UEFI, o EME no W3C, o ETP no HTTP 2.0 etc., justamente como previsto para a ação 2.1.5 no citado planejamento estratégico da NSA.

Na área jurídica, o cerco global instalado com o Patriot Act aperta, com a CISPA, a Ordem Executiva 1.4.2015 e outras do gênero, mas é na esfera financeira que as ações de ciberguerra têm efeitos mais dramáticos. Nela, o planejamento bélico usa bancos centrais: os “mais centrais” emitem moeda fiat sem lastro cuja demanda como meio de pagamento é forçada em outras jurisdições, via pressão ou ação militar, em mercados globais com demanda inelástica. Países que emitem a moeda em que se origina sua própria dívida colhem então, em atividade econômica depreciada, por dívidas dos que não emitem a moeda em que se originou a sua. Donde há disparidade entre juros no mundo. Funciona enquanto a quantia emitida pelos primeiros para cobrir dívidas superar os gastos militares e políticos para sustentar essa coerção. Tempo que, historicamente, tem durado entre 70 e 200 anos.

Destruição criativa

Quando esse tempo se esgota, entra-se na fase crítica do ciclo capitalista que Schumpeter chama de “destruição criativa”. Nessa fase é que eclodem as grandes guerras convencionais, com os lados sempre financiados pelos mesmos operadores financeiros, alojados naqueles bancos mais centrais. Todavia, no ciclo em que hoje estamos, a passagem para esta fase vem sendo modulada por ações próprias da ciberguerra. Para dar sobrevida à moeda fiat que ainda atua como reserva global de valor, aspirantes ao comando do Hegemon ordenam manobras criminosas para manipular mercados: fraudando sua função e desvirtuando-a para oferta e demanda, acobertados pelo controle seja de informações privilegiadas, com o vigilantismo dirigido, seja da infraestrutura dos pregões eletrônicos, com seus operadores cooptados, usando por exemplo HFTs e derivativos desregulamentados.

Quanto aos envolvidos, os atores involuntários são os que detêm algum controle sobre recursos, sejam materiais, humanos ou simbólicos, de importância geopolítica ou estratégica para consolidação do emergente Hegemon. E os atores principais, os globalistas que estão ou tentam chegar ao topo da cadeia de comando pela consolidação de uma nova ordem mundial, entendo que gravitam em torno ou no poder dos mesmos operadores financeiros que se alojam nos bancos mais centrais. Estes, em dinastias formadas para isso nas treze casas bancárias que há mais de dois séculos controlam as finanças do planeta, e que planejam suas estratégias e decisões sob a clausura ou camuflagem de organizações como a ordem dos Illuminati, o grupo Bildeberg, o Council of Foreign Relations, o Clube de Roma, entre outros.

“Os afoitos, indiferentes e submissos desprezam o fato de que essa intermediação tecnológica empodera os fornecedores de plataformas e serviços com a capacidade de agregarem e cruzarem em massa os dados dessas interações, para recontextualizá-las e re-identificar interlocutores, perfilando-os”

IHU On-Line – Como o senhor compreende dois fenômenos que parecem ocorrer juntos: de um lado, um exibicionismo e fornecimento de informações pessoais nas redes e, de outro, uma crítica à vigilância e uma submissão que se dá pela rede? Não lhe parece contraditório as pessoas reclamarem da vigilância à qual estão submetidas na rede, mas, ao mesmo tempo, disponibilizarem uma série de informações pessoais por sua própria vontade?

Pedro Rezende – Também entendo que esse tipo de comportamento é comum e contraditório, mas ao mesmo tempo compreendo sua lógica interna. A natureza humana nos equipa com a faculdade da razão, mas pela mesma natureza só usamos essa faculdade quando nos convém. Nas pessoas em que predominam impulsos narcisistas, egoístas ou hedonistas, as de mais fácil submissão à propaganda subliminar e à manipulação pela ideologia dominante, esses comportamentos de risco à própria privacidade são racionalizados, quando muito acompanhados de perplexas, mas inócuas exclamações sobre um vago desconforto com vigilantismos, de varejo ou global. Como se uma tal contradição fosse típica, ou mesmo natural nos “tempos atuais”, apesar de inexplicável pela complexidade.

Tais pessoas, todavia, racionalizam ou com uma escolha deliberada, de permanecerem na ignorância sobre o lado sinistro do papel das TIC para a evolução social, ou com um atalho arrogante, de desqualificarem frivolamente esse lado, o lado das coisas que são perguntadas e respondidas aqui. O melhor antídoto que conheço para esse tipo de armadilha mental é bíblico e está no Salmo 1, mas as psyops de dessensibilização coletiva para a guerra de 4ª geração atuam também no caricaturismo da fé cristã e na sua desmoralização, em paralelo à naturalização da conduta criminosa de inspiração fascista na esfera financeira, e à legitimação do risco moral decorrentes delas.

Estamos navegando por inexploradas fronteiras técnicas e psicossociais, onde quem quiser detectar essas armadilhas precisa se esforçar para entender a função da privacidade e dos valores morais em nossas vidas. Privacidade, pela melhor definição que conheço, é a separabilidade de papéis sociais. Isto é, a capacidade de se exercer esses papéis de forma autônoma ou livre, independentes entre si. Alguém tem privacidade na medida em que decide, e controla, quais elos e traços componentes de seus papéis sociais — os de profissional, de pai, de cônjuge, de amigo, de ativista, de membro de uma entidade, por exemplo — transitam ou não de um desses papéis a outro. Podemos, assim, vê-la também como a manifestação semiológica do instinto de autopreservação.

Com a virtualização das práticas sociais em níveis compatíveis com a atual penetração da Internet, tem-se a ilusão de que a intermediação digital das interações entre papéis sociais nos dá mais autonomia para exercê-los, até anonimamente. Aí os afoitos, indiferentes e submissos desprezam o fato de que essa intermediação tecnológica empodera os fornecedores de plataformas e serviços com a capacidade de agregarem e cruzarem em massa os dados dessas interações, para recontextualizá-las e re-identificar interlocutores, perfilando-os. Esse “iceberg virtual” mostra então sua ponta visível na forma de propaganda comercial dirigida on-line, com o efeito-rede favorecendo modelos negociais concentradores. Enquanto abaixo, atores dominantes, cooptados pela estratégia fascista de consolidação hegemônica, monetizam esse perfilamento e atendem ao regime de vigilantismo global.

Assim, abaixo dessa “linha d’água” virtual, uma infraestrutura para tal regime “flutuar” como controle social vai se formando, fora de nossas vistas. Para o controle necessário à consolidação hegemônica em tempos de crise, ou de escassez, enquanto o cerco virtual desse regime se completa, na esfera institucional, com o cerco político-jurídico para formação de uma constituição global, com megacorporações acima dos Estados-nação. O modelo de Estado que nos legou a democracia representativa e os direitos civis vai sendo assim desmontado por dentro, para transição a uma nova ordem mundial, disparada pelo colapso financeiro que impulsiona a próxima destruição criativa do capitalismo. Compreendo então os fenômenos citados como uma forma de escravidão semiológica. E um sinal de sucesso dessa estratégia de consolidação hegemônica, executada com a atual guerra de 4ª geração.

IHU On-Line – Então os usuários contribuem de algum modo para que essa vigilância seja efetiva? Como?

Pedro Rezende – Contribuem com falta de senso crítico. Comportando-se como se as tecnologias digitais e seus magos fossem um bem em si mesmo, necessário para os tempos atuais. Ou panaceias progressivamente melhores para os problemas humanos. Ou sempre benévolas. Se esta minha opinião parecer exagerada, permita-me uma analogia: dados pessoais são como matéria radioativa. Enquanto espalhados na natureza, são inócuos; mas quando concentrados em escala industrial, podem provocar reações em cadeia, capazes de produzir muita sinergia ou destruição em volta. É por isso que, quando o serviço com TIC é gratuito, a mercadoria é você.

Volto a citar uma frase que usei na entrevista anterior que fizemos, escolhida na ocasião para subtítulo: A Internet é, ao mesmo tempo, um instrumento insuperável de liberdade e de controle. Eis que tal ambivalência sugere cautela. Quem acha que a dependência crescente no uso de TICs e Internet sinaliza, por si, o caminho para nossa sociedade se libertar dos crescentes problemas da humanidade, está deste modo contribuindo para que as mesmas se transformem em instrumento de controle social inédito, formidável e subreptício, nas mãos de quem vencer a corrida pela construção do futuro próximo, na disputa pelo comando do emergente Hegemon. Quem acha assim, estará contribuindo indiretamente, pelo menos enquanto a natureza humana não mudar.

“Quando o serviço com TIC é gratuito, a mercadoria é você”

IHU On-Line – Como compreende a divulgação do Panama Papers neste contexto de vigilância e controle que se dá pela internet?

Pedro Rezende – Entendo essa divulgação como psyop no teatro da ciberguerra, com inusitadas características e reveladoras leituras. Permita-me citar algumas. Detalhes inferíveis da extração, de 2.6 Terabytes, e da reação da empresa burlada indicam tratar-se de hacking externo.

Outro detalhe a chamar atenção, neste que foi o maior vazamento de documentos sigilosos sobre lavagem de dinheiro na história, é sobre autoria. Para melhor alcançar seus objetivos, dos quais a credibilidade sobre autenticidade do material vazado é primordial, a mentoria da operação preferiu — ao contrário de Snowden — ofuscar-se e ocultar o agente da extração, por trás do jornal que recebeu o material, e da entidade que se incumbiu de examinar os documentos e de distribuir conteúdos selecionados.

O jornal que havia recebido esse material, Süddeutsche Zeidung (SZ), relata ter solicitado ao Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos – ICIJ que coordenasse a análise e divulgação de conteúdos, a resumir, dos 11,5 milhões de documentos vazados. Alega o ICIJ ter acionado para isso cerca de 400 jornalistas em 80 países, que então trabalharam secretamente na tarefa, por cerca de um ano, após o qual o SZ recebeu a primeira resenha, para seu furo jornalístico, seguido de outros. Esses detalhes levantam algumas questões interessantes: Como é que 400 pessoas em 80 países conseguem manter sigilo, durante um ano, sobre tantos documentos explosivos? Eram mesmo jornalistas? Quem pagou pelo trabalho? Por quais critérios de resumo? Por que o SZ?

O SZ foi o primeiro jornal a receber, depois da 2ª Guerra Mundial, licença do exército de ocupação para circular na Alemanha Ocidental. Por sua vez o ICIJ, fundado oito anos após a queda do muro de Berlim, é sustentado pelas fundações Open Society – OSF e pela agência USAID, conforme rodapé da sua página web. Então, para quem quiser espiar por trás da cortina nesse palco, a mentoria da operação Panama Papers se expõe: a OSF é dirigida e mantida por um globalista financeiro dos mais empenhados em surfar a transição para a ordem monetária que sucederá a atual, George Soros; e USAID é o front político da agência de três letras pioneira dentre as que executam a estratégia dos principais aspirantes ao comando do emergente Hegemon. Fica faltando, para se entender a cena como psyop, uma leitura das motivações, que pode ser inferida dos critérios de resumo.

No dia seguinte ao furo, toda a mídia corporativa anglo-saxã ou sob sua tutela estampava fotos de Vladimir Putin, com manchetes garrafais denunciando gigantescos esquemas de corrupção e lavagem de dinheiro. Dentre os nomeados nos milhões de documentos vazados, ele foi escolhido para as manchetes porque, como revelam letras miúdas, o nome de um colega de infância, que se fez violoncelista famoso, tinha dois milhões de dólares num paraíso fiscal. E porque também o tinha o dono do clube onde havia se casado uma filha. Esse incômodo de proporções nucleares, pedra no sapato da consolidação hegemônica, tinha que continuar sendo demonizado. E no rescaldo, exposto o único chefe de Estado que na crise de 2008 prendeu banqueiros por crimes financeiros: o primeiro ministro da Islândia. Forçado a renunciar, com os banqueiros presos lá, soltos dois dias depois.

E finalmente, o porquê do SZ: a Alemanha unificada é o principal parceiro comercial europeu das duas nações em condições de obstar, a favor de uma ordem alternativa multipolar, o projeto de consolidação do Hegemon. Então, com a aproximação do colapso que dispara a transição para a próxima fase de destruição criativa do capitalismo, na qual a guerra de 4ª geração tende a escalar para uma convencional terceira mundial, a concorrência em determinado turfe do crime organizado, aquele onde se manipula mercados e práticas fiscais, precisa de poda e disciplina. Leitura que vem sendo confirmada por desdobramentos posteriores a esse “escândalo”. Tudo indica, portanto, que esta psyop sinaliza um acirramento na disputa entre dinastias financeiras, polarizadas em torno dos Rothschild, Rockefeller e a do Dragão Branco, pelo comando da ordem mundial que disso tudo emergirá.

IHU On-Line – Deseja acrescentar algo?

Pedro Rezende – Apenas que isso tudo constitui, a meu ver, sinais da segunda vinda de Jesus Cristo. São sinais de que o Seu retorno se aproxima.

NOTAS

[1] PRISM (programa de vigilância) é um dos programas do sistema de vigilância global da NSA que foi mantido secreto desde 2007 e até sua revelação na imprensa em 7 de junho de 2013. Sua existência veio a público por meio de publicações feitas pelo jornal britânico The Guardian, com base em documentos fornecidos por Edward Snowden. (Nota da IHU On-Line)

IHU – Unisinos

Instituto Humanitas Unisinos

Revoluções coloridas: Os golpes do século 21

25 abr

Pora!, o grupo de jovens que turbinou a revolução colorida na Ucrânia

REVOLUÇÃO À AMERICANA

publicado originalmente em 18.06.12

Por Natalia Viana, na Pública

Documentos vazados pelo WikiLeaks mostram como age uma organização que treina oposicionistas pelo mundo afora – do Egito à Venezuela

No canto superior do documento, um punho cerrado estampa a marca da organização. No corpo do texto lê-se: “Há uma tendência presidencialista forte na Venezuela. Como podemos mudar isso? Como podemos trabalhar isso?”. Mais abaixo, o leitor encontra as seguintes frases: “Economia: o petróleo é da Venezuela, não do governo. É o seu dinheiro, é o seu direito… A mensagem precisa ser adaptada para os jovens, não só para estudantes universitários… E as mães, o que querem? Controle da lei, a polícia agindo sob autoridades locais. Nós iremos prover os recursos necessários para isso”.

O texto não está em espanhol nem foi escrito por algum membro da oposição venezuelana; escrito em inglês, foi produzido por um grupo de jovens baseados em outro lado do mundo – na Sérvia.

O documento “Análise da situação na Venezuela, Janeiro de 2010”, produzido pela organização Canvas, cuja sede fica em Belgrado, está entre os documentos da empresa de inteligência Stratfor vazados pelo WikiLeaks.

O último vazamento do WikiLeaks – ao qual a Pública teve acesso – mostra que o fundador desta organização se correspondia sempre com os analistas da Stratfor, empresa que mistura jornalismo, análise política e métodos de espionagem para vender “análise de inteligência” a clientes que incluem corporações como a Lockheed Martin, Raytheon, Coca-Cola e Dow Chemical – para quem monitorava as atividades de ambientalistas que se opunham a elas – além da Marinha americana.

O Canvas (Centre for Applied Nonviolent Action and Strategies)(sigla em inglês para “Centro para Conflito e Estratégias Não Violentas”)

violentas”) foi fundado por dois líderes estudantis da Sérvia, que participaram da bem-sucedida revolta que derrubou o ditador Slobodan Milosevic em 2000. Durante dois anos, os estudantes organizaram protestos criativos, marchas e atos que acabaram desestabilizando o regime.

Depois, juntaram o cabedal de conhecimento em manuais e começaram a dar aulas a grupos oposicionistas de diversos países sobre como se organizar para derrotar o governo. Foi assim que chegaram à Venezuela, onde começaram a treinar líderes da oposição em 2005. Em seu programa de TV, Hugo Chávez acusou o grupo de golpista e de estar a serviço dos Estados Unidos. “É o chamado golpe suave”, disse.

Os novos documentos analisados pela Pública mostram que se Chávez não estava totalmente certo – mas também não estava totalmente errado.

O começo, na Sérvia

“Foram dez anos de organização estudantil durante os anos 90”, diz Ivan Marovic, um dos estudantes que participaram dos protestos contra Milosevic. “No final, o apoio do exterior finalmente veio. Seria bobo eu negar isso. Eles tiveram um papel importante na etapa final. Sim, os Estados Unidos deram dinheiro, mas todo mundo deu dinheiro: alemães, franceses, espanhóis, italianos. Todos estavam colaborando porque ninguém mais apoiava o Milosevic”, disse ele em entrevista à Pública.

“Dependendo do país, eles doavam de um determinado jeito. Os americanos têm um ‘braço’ formado por ONGs muito ativo no apoio a certos grupos, outros países como a Espanha não têm e nos apoiavam através do ministério do exterior”.  Entre as ONGs citadas por Marovic estão o National Endowment for Democracy (NED), uma organização financiada pelo congresso americano, a Freedom  House e o International Republican Institute, ligado ao partido republicano – ambos contam polpudos financiamentos da USAID, a agência de desenvolvimento americana que capitaneou movimentos golpistas na América Latina nos anos 60, inclusive no Brasil.

Todas essas ONGs são velhas conhecidas dos governos latinoamericanos, incluindo os mais recentes.

Foi o IRI( International Republican Institute), por exemplo, que ministrou “cursos de treinamento político” para 600 líderes da oposição haitiana na República Dominicana durante os anos de 2002 e 2003.

O golpe contra Jean-Baptiste Aristide, presidente democraticamente eleito, aconteceu em 2004. Investigado pelo Congresso dos Estados Unidos, o IRI foi acusado de estar por trás de duas organizações que conspiraram para derrubar Aristide.

Na Venezuela, o NED enviou US$ 877 mil para grupos de oposição nos meses anteriores ao golpe de Estado fracassado em 2002, segundo revelou o New York Times.

Na Bolívia, segundo documentos do governo americano obtidos pelo jornalista Jeremy Bigwood, parceiro da Pública, a USAID manteve um  “Escritório para Iniciativas de Transição”, que investiu US$ 97 milhões em projetos de “descentralização” e “autonomias regionais” desde 2002, fortalecendo os governos estaduais que se opõem a Evo Morales.

Procurado pela Pública, o líder do Canvas, Srdja Popovic, diz que a organização não recebe fundos governamentais de nenhum país e que seu maior financiador é o empresário sérvio Slobodan Djinovic, que também foi líder estudantil.

Porém, um PowerPoint de apresentação da organização, vazado pelo WikiLeaks, aponta como parceiros do Canvas o IRI e a Freedom House, que recebem vultosas quantias da USAID.

Para o pesquisador Mark Weisbrot, do instituto Center for Economic and Policy Research, de Washington, organizações como a IRI e Freedom House “não estão promovendo a democracia”.

“Na maior parte do tempo, estão promovendo exatamente o oposto. Geralmente promovem as políticas americanas em outros países, e isto significa oposição a governos de esquerda, por exemplo, ou a governos dos quais os Estados Unidos não gostam”.

Fase dois: da Bolívia ao Egito 

Vista através do mesmo PowerPoint de apresentação, a atuação do Canvas impressiona. Entre 2002 e 2009, realizou 106 workshops, alcançando 1800 participantes de 59 países. Nem todos são desafetos americanos – o Canvas treinou ativistas por exemplo na Espanha, no Marrocos e no Azerbaijão – mas a lista inclui muitos deles: Cuba, Venezuela, Bolívia, Zimbabue, Bielorrussia, Coreia do Norte, Siria e Irã.

Segundo o próprio Canvas, sua atuação foi importante em todas as chamadas “revoluções coloridas” que se espalharam por ex-países da União Soviética nos anos 2000.

O documento aponta como “casos bem sucedidos” a transferência de conhecimento para o movimento Kmara em 2003 na Geórgia, grupo que lançou a Revolução Rosas e derrubou o presidente; uma ajudinha para a Revolução Laranja, em 2004, na Ucrânia; treinamento de grupos que fizeram a Revolução dos Cedros em 2005, no Líbano; diversos projetos com ONGs no Zimbabue e a coalizão de oposição a Robert Mugabe; treinamento de ativistas do Vietnã, Tibete e Burma, além de projetos na Síria e no Iraque com “grupos pró-democracia”. E, na Bolívia, “preparação das eleições de 2009 com grupos de Santa Cruz” – conhecidos como o mais ferrenho grupo de adversários de Evo Morales.

Até 2009, o principal manual do grupo, “Luta não violenta – 50 pontos cruciais” já havia sido traduzido para 5 línguas, incluindo o árabe e o farsi.

Um das ações do Canvas que ganhou maior visibilidade foi o treinamento de uma liderança do movimento 6 de Abril, considerado o embrião da primavera egípcia. O movimento começou a ser organizado pelo Facebook para protestar em solidariedade a trabalhadores têxteis da cidade de Mahalla al Kubra, no Delta do Nilo. Foi a primeira vez que a rede social foi usada para este fim no Egito. Em meados de 2009, Mohammed Adel, um dos líderes do 6 de Abril viajou até Belgrado para ser treinado por Popovic.

Nos emails aos analistas da Stratfor, Popovic se gaba de manter relações com os líderes daquele movimento, em especial com Mohammed Adel – que se tornou uma das principais fontes de informação a respeito do levante no Egito em 2011. Na comunicação interna da Stratfor, ele é mencionado sob o codinome RS501.

“Acabamos de falar com alguns dos nossos amigos no Egito e descobrimos algumas coisas”, informa ele no dia 27 de janeiro de 2011. “Amanhã a irmadade muçulmana irá levar sua força às ruas, então pode ser ainda mais dramático… Nós obtivemos informações melhores sobre estes grupos e como eles têm se organizado nos últimos dias, mas ainda estamos tentando mapeá-los”.

Documentos da Stratfor

Os documentos vazados pelo WikiLeaks mostram que o Canvas age de maneira menos independente do que deseja aparentar. Em pelo menos duas ocasiões, Srdja Popovic contou por email ter participado de reuniões no National Securiy Council, o conselho de segurança do governo americano.

A primeira reunião mencionada aconteceu no dia 18 de dezembro de 2009 e o tema em pauta era Russia e a Geórgia. Na época, integrava o NSC o “grande amigo” de Popovic – nas suas próprias palavras – o conselheiro sênior de Obama para a Rússia, Michael McFaul, que hoje é embaixador americano naquele país.

No mesmo encontro, segundo Popovic relatou mais tarde, tratou-se do financiamento de oposicionistas no Irã através de grupos pró-democracia, tema de especial interesse para ele.

“A política para o Irã é feita no NSC por Dennis Ross. Há uma função crescente sobre o Irã no Departamento de Estado sob o Secretário Assistente John Limbert. As verbas para programas pró-democracia no Irã aumentaram de US$ 1,5 milhão em 2004 para US$ 60 milhões em 2008 (…) Depois de 12 de junho de 2009, o NSC decidiu neutralizar os efeitos dos programas existentes, que começaram com Bush. Aparentemente a lógica era que os EUA não queriam ser vistos tentando interferir na política interna do Irã. Os EUA não querem dar ao regime iraniano uma desculpa para rejeitar as negociações sobre o programa nuclear”, reclama o sérvio, para quem o governo Obama estaria agindo como “um elefante numa loja de louça” com a nova política.

“Como resultado, o Iran Human Rights Documentation Center, Freedom House, IFES e IRI tiveram seus pedidos de recursos rejeitados”, descreve em um email no início de janeiro de 2010.

A outra reunião de Popovic no NSC teria ocorrido às 17 horas do dia 27 de julho de 2011, conforme Popovic relatou à analista Reva Bhalla.

“Esses caras são impressionantes”, comentou, em um email entusiasmado, o analista da Stratfor para o leste europeu, Marko Papic. “Eles abrem usa lojinha em um país e tentam derrubar o governo. Quando bem usados são uma arma mais poderosa que um batalhão de combate da força aérea”.

Marko explica aos seus colegas da Stratfor que o Canvas – nas suas palavras, um grupo tipo “exporte-uma-revolução” –  “ainda depende do financiamento dos EUA e basicamente roda o mundo tentando derrubar ditadores e governos autocráticos (aqueles de quem os Estados Unidos não gostam)”. O primeiro contato com o líder do grupo, que se tornaria sua fonte contumaz, se deu em 2007. “Desde então eles têm passado inteligência sobre a Venezuela, a Georgia, a Sérvia, etc”.

Em todos os emails, Popovic demonstra grande interesse em trocar informações com a Stratfor, a quem chama de “CIA de Austin”. Para isso, vale-se dos seus contatos entre ativistas em diferentes países. Além de manter relação com uma empresa do mesmo filão idológico, se estabelece uma proveitosa troca de informações. Por exemplo, em maio de 2008 Marko diz a ele que soube que a inteligência chinesa estaria considerando atacar a organização pelo seu trabalho com ativistas tibetanos.

“Isso já era esperado”, responde Srdja. Em 23 de maio de 2011, ele pede informações sobre a autonomia regional dos curdos no Iraque.

Venezuela

Um dos temas mais frequentes na conversa com analistas da Stratfor é a Venezuela; Srdja ajuda os analistas a entenderem o que a oposição está pensando. Toda a comunicação, escreve Marko Papic, é feita por um email seguro e criptografado. Além disso, em 2010, o líder do Canvas foi até a sede da Stratfor em Austin para dar um briefing sobre a situação venezuelana.

“Este ano vamos definitivamente aumentar nossas atividades na Venezuela”, explica o sérvio no email de apresentação da sua “Análise da situação na Venezuela”, em 12 de janeiro de 2010.

Para as eleições de setembro daquele ano, relata que “estamos em contato próximo com ativistas e pessoas que estão tentando ajudá-los”, pedindo que o analista não espalhe ou publique esta informação.

O documento, enviado por email, seria a “fundação da nossa análise do que planejamos fazer na Venezuela”. No dia seguinte, ele reitera em outro email: “Para explicar o plano de ação que enviamos, é um guia de como fazer uma revolução, obviamente”.

O documento, ao qual a Pública teve acesso, foi escrito no início de 2010 pelo “departamento analítico” da organização e relata, além dos pilares de suporte de Chávez, listando as principais instituições e organizações que servem de respaldo ao governo (entre elas, os militares, polícia, judiciário, setores nacionalizados da economia, professores e o conselho eleitoral), os principais líderes com potencial para formarem uma coalizão eficiente e seus “aliados potenciais” (entre eles, estudantes, a imprensa independente e internacional, sindicatos, a federação venezuelana de professores, o Rotary Club e a igreja católica).

A indicação do Canvas parece, no final, bem acertada. Entre os principais líderes da oposição que teriam capacidade de unificá-la estão Henrique Capriles Radonski, governador do Estado de Miranda e candidato de oposição nas eleições presidenciais de outubro pela coalizão Mesa de Unidade Democrática, além do prefeito do distrito metropolitano de Caracas, Antonio Ledezma, e do ex-prefeito do município de Chacao, Leopoldo Lopez Mendoza.

Dois líderes estudantis, Alexandra Belandria, do grupo Cambio, e Yon Goicochea, do Movimiento Estudiantil Venezolano, também são listados.

O objetivo da estratégia, relata o documento, é “fornecer a base para um planejamento mais detalhado potencialmente realizado por atores interessados e pelo Canvas”. Esse plano “mais detalhado” seria desenvolvido posteriormente com “partes interessadas”.

Em outro email Popovic explica:“Quando alguém pede a nossa ajuda, como é o caso da Venezuela, nós normalmente perguntamos ‘como você faria?’ (…) Neste caso nós temos três campanhas: unificação da oposição, campanha para a eleição de setembro (…). Em circunstâncias NORMAIS, os ativistas vêm até nós e trabalham exatamente neste tipo de formato em um workshop. Nós apenas os guiamos, e por isso o plano acaba sendo tão eficiente, pois são os ativistas que os criam, é totalmente deles, ou seja, é autêntico. Nós apenas fornecemos as ferramentas”.

Mas, com a Venezuela, a coisa foi diferente, explica Popovic: “No caso da Venezuela, por causa do completo desastre que o lugar está, por causa da suspeita entre grupos de oposição e da desorganização, nós tivemos que fazer esta análise inicial. Se eles irão realizar os próximos passos depende deles, ou seja, se eles vão entender que por causa da falta de UNIDADE eles podem perder a corrida eleitoral antes mesmo que ela comece”.

Aqueles que receberam a análise (como o pessoal da Strartfor, por exemplo) aprenderam que segunda a lógica do Canvas os principais temas a serem explorados em uma campanha de oposição na Venezuela são:

— Crime e falta de segurança: “A situação deteriorou tremendamente e dramaticamente desde 2006. Motivo para mudança”

— Educação: “O governo está tomando conta do sistema educacional: os professores precisam ser atiçados. Eles vão ter que perder seus empregos ou se submeter! Eles precisam ser encorajados e haverá um risco. Nós temos que convencê-los de que os temos como alta esfera da sociedade; eles detêm uma responsabilidade que valorizamos muito. Os professores vão motivar os estudantes. Quem irá influenciá-los? Como nós vamos tocá-los?”

— Jovens: “A mensagem precisa ser dirigida para os jovens em geral, não só para os estudantes universitários”.

— Economia: “O petróleo é da Venezuela, não do governo, é o seu dinheiro, é o seu direito! Programas de bem-estar social”.

— Mulheres: “O que as mães querem? Controle da lei, a polícia agindo sob as autoridades locais. Nós iremos prover os recursos necessários para isso. Nós não queremos mais brutamontes”.

— Transporte: “Trabalhadores precisam conseguir chegar aos seus empregos. É o seu dinheiro. Nós precisamos exigir que o governo preste contas, e da maneira que está não conseguimos fazer isso”.

— Governo: “Redistribuição da riqueza, todos devem ter uma oportunidade”.

— “Há uma forte tendência presidencialista na Venezuela. Como podemos mudar isso? Como podemos trabalhar com isso?”

No final do email, Popovic termina com uma crítica grosseira aos venezuelanos que procura articular: “Aliás, a cultura de segurança na Venezuela não existe. Eles são retardados e falam mais que a própria bunda. É uma piada completa”.

Procurado pela Pública, o líder do Canvas negou que a organização elabore análises e planos de ação revolucionária sob encomenda. E foi bem menos entusiasta com relação ao seu “guia” elaborado para a Venezuela.

“Nós ensinamos as pessoas a analisarem e entenderem conflitos não-violentos – e durante o processo de aprendizagem pedimos a estudantes e participantes que utilizem as ferramentas que apresentam no curso. E nós também aprendemos com eles! Depois usamos o trabalho que eles realizaram e combinamos com informações públicas para criar estudos de caso”, afirmou.

“E isso é transformado em análises mais longas por dois estagiários. Usamos estas análises nas nossas pesquisas e compartilhamos com estudantes, ativistas, pesquisadores, professores, organizações e jornalistas com os quais cooperamos – que estão interessados em entender o fenômeno do poder popular”.

Questionado, Popovic também respondeu às criticas feitas por Hugo Chávez no seu programa de TV: “É uma fórmula bem conhecida… Por décadas os regimes autoritários de todo o mundo fazem acusações do tipo ‘revoluções exportadas’ como sendo a principal causa dos levantes em seus países. O movimento pró-democracia na Sérvia foi, claro, acusado de ser uma ‘ferramenta dos EUA’ pela TV estatal e por Milosevic, antes dos estudantes derrubarem o seu regime. Isso também aconteceu no Zimbabue, Bielorrusia, Irã…”

O ex-colega de movimento estudantil, Ivan Marovic – que ainda hoje dá palestras sobre como aconteceu a revolta contra Milosevic – concorda com ele: “É impossível  exportar uma revolução. Eu sempre digo em minhas palestras que a coisa mais importante para uma mudança social bem-sucedida é ter a maioria da população ao seu lado. Se o presidente tem a maioria da população ao lado dele, nada vai acontecer”.

Marovic avalia, no entanto, que houve uma mudança de percepção do “braço de ONGs” dos governos ocidentais, em especial dos Estados Unidos, depois da revolução na Sérvia em 2000 e as “revoluções coloridas” que se seguiram no leste europeu.

“Um mês depois de derrubarmos o Milosevic, o New York Times publicou um artigo dizendo que quem realmente derrubou o Milosevic foi a assistência financeira americana. Eles estão aumentando o seu papel. E agora acreditam que a grana dos Estados Unidos pode derrubar um governo. Eles tentaram a mesma coisa na Bielorrusia, deram um monte de dinheiro para ONGs, e não funcionou”.

O pesquisador Mark Weisbrot concorda, em termos. É claro que nenhum grupo estrangeiro, ainda mais um grupo pequeno, pode causar uma revolução em um país. Para ele, não é o dinheiro do governo americano – seja através de ONGs pagas pelo National Security Council, pela USAID ou pelo Departamento de Estado – que faz a diferença.

“A elite venezuelana, por exemplo, não precisa deste dinheiro. O que estes grupos financiados pelos EUA, antigamente e hoje, agregam são duas coisas: uma é habilidade e o conhecimento necessário em subverter regimes. E a segunda coisa é que esse apoio tem um papel unificador. A oposição pode estar dividida e eles ajudam a oposição a se unificar”.

Para ele, muitas vezes o patrocínio americano tem uma “influência perniciosa” em movimentos legítimos. “Sempre tem pessoas grupos lutando pela democracia nestes países, com uma variedade de demandas, reforma agrária, proteções sociais, empregos… E o que acontece é que eles capitaneiam todo o movimento com muito dinheiro, inspirado pelas políticas que interessam aos EUA. Muitas vezes, os grupos democráticos que recebem o dinheiro acabam caindo em descrédito”.

PS do Viomundo: Desde 2007, quando estávamos em Washington, este site denuncia que a “promoção da democracia” é picaretagem financiada por dinheiro público ou privado dos Estados Unidos. Quem inventou o National Endowment for Democracy, o NED, foi o governo de Ronald Reagan, depois do escândalo do Irã-contras, em que os Estados Unidos venderam armas clandestinamente ao Irã e usaram o dinheiro para organizar a contrarrevolução na Nicarágua. A turma do Reagan foi esperta: descobriu que se todos estivessem envolvidos no esforço de promover os interesses do país no exterior, com dinheiro público, seria fácil aprovar financiamento no Congresso. Por isso o NED inclui institutos ligados ao Partido Democrata, ao Partido Republicano, a centrais sindicais e a associações empresariais.

PS do OlhoNoTexto: O guru desses grupos é Gene Sharp, que reivindica a ação não violenta para derrubar governos. Sharp fundou o Instituto Albert Eisntein, promotor das chamadas revoluções coloridas em países que não estão alinhados aos interesses da OTAN e de Washington.

 

DILMA ROUSSEFF, PRESIDENTA DO BRASIL, PAÍS MEMBRO DO GRUPO BRICS, É O PRÓXIMO ALVO DE WASHINGTON

3 mar

O artigo BRICS’ Brazil President Next Washington Target foi nos EUA em novembro. Mas a sua atualidade faz a gente reproduzir ele aqui no Blog.
DILMA ROUSSEFF, PRESIDENTA DO BRASIL, PAÍS MEMBRO DO GRUPO BRICS, É O PRÓXIMO ALVO DE WASHINGTON

Publicado no “NEO – New Eastern Outlook”. Escrito por F. William Engdahl, norte-americano, engenheiro (Princeton) e pós-graduado em economia comparativa (Estocolmo). Transcrito no “Patria Latina” com tradução de Renato Guimarães para a “Vila Vudu” e republicado do Blog Democracia e Política

BRICS’ Brazil President Next Washington Target
“O porquê do terceiro turno…
Para ganhar o segundo turno das eleições contra o candidato apoiado pelos Estados Unidos, Aécio Neves, em 26 outubro de 2014, a presidenta recém-reeleita do Brasil, Dilma Rousseff, sobreviveu a uma campanha maciça de desinformação do Departamento de Estado estadunidense. Não obstante, já está claro que Washington abriu uma nova ofensiva contra um dos líderes chave dos BRICS, o grupo não alinhado de economias emergentes – Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. Com a campanha de guerra financeira total dos Estados Unidos para enfraquecer a Rússia de Putin e uma série de desestabilizações visando a China, inclusive, mais recentemente, a “Revolução dos Guarda-Chuvas” financiada pelos Estados Unidos em Hong Kong, livrar-se da presidente “socialmente propensa” do Brasil é uma prioridade máxima para deter o polo emergente que se opõe ao bloco da Nova (des)Ordem Mundial de Washington.

A razão por que Washington quer se livrar de Rousseff é clara. Como presidente, ela é uma das cinco cabeças do BRICS que assinaram a formação do Banco de Desenvolvimento dos BRICS, com capital inicial autorizado de 100 bilhões de dólares e um fundo de reserva de outros 100 bilhões de dólares. Ela também apoia uma nova Moeda de Reserva Internacional para complementar e eventualmente substituir o dólar. No Brasil, ela é apoiada por milhões de brasileiros mais pobres, que foram tirados da pobreza por seus vários programas, especialmente o Bolsa Família, um programa de subsídio econômico para mães e famílias da baixa renda. O Bolsa Família tirou uma população estimada de 36 milhões de famílias da pobreza através das políticas econômicas de Rousseff e de seu partido, algo que incita verdadeiras apoplexias em Wall Street e em Washington.
Líderes dos países BRICS

Apoiado pelos Estados Unidos, seu rival na campanha, Aécio Neves, do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), serve aos interesses dos magnatas e de seus aliados de Washington.

O principal assessor econômico de Neves, que se tornaria Ministro da Fazenda no caso de uma presidência de Neves, era Armínio Fraga Neto, [cidadão norte-americano e brasileiro] amigo íntimo e ex-sócio de Soros e seu fundo hedge “Quantum”. O principal conselheiro de Neves, e provavelmente seu Ministro das Relações Exteriores, tivesse ele ganhado as eleições, era Rubens Antônio Barbosa, ex-embaixador em Washington e hoje Diretor da ASG em São Paulo.

A ASG é o grupo de consultores de Madeleine Albright, ex-Secretária de Estado norte-americana durante o bombardeio da Iugoslávia em 1999. Albright, dirigente do principal grupo de reflexão dos Estados Unidos, o “Conselho sobre Relações Exteriores”, também é presidente da primeira ONG da “Revolução Colorida” financiada pelo governo dos Estados Unidos, o “Instituto Democrático Nacional” (NDI). Não é de surpreender que Barbosa tenha conclamado, numa campanha recente, o fortalecimento das relações Brasil-Estados Unidos e a degradação dos fortes laços Brasil-China, desenvolvidos por Rousseff na esteira das revelações sobre a espionagem norte-americana da Agência de Segurança Nacional (NSA) contra Rousseff e o seu governo.

Surgimento de escândalo de corrupção

Durante a áspera campanha eleitoral entre Rousseff e Neves, a oposição de Neves começou a espalhar rumores de que Rousseff, que até então jamais fora ligada à corrupção tão comum na política brasileira, estaria implicada num escândalo envolvendo a gigante estatal do petróleo, a Petrobras. Em setembro, um ex-diretor da Petrobras alegou que membros do governo Rousseff tinham recebido comissões em contratos assinados com a gigante do petróleo, comissões essas que depois teriam sido empregadas para comprar apoio congressional. Rousseff foi membro do conselho de diretores da companhia até 2010.

Agora, em 2 de novembro de 2014, apenas alguns dias depois da vitória arduamente conquistada por Rousseff, a maior firma de auditoria financeira dos Estados Unidos, a “Price Waterhouse Coopers” se recusou a assinar os demonstrativos financeiros do terceiro trimestre da Petrobras. A PWC exigiu uma investigação mais ampla do escândalo envolvendo a companhia petrolífera dirigida pelo Estado.


Dilma Rousseff

A Price Waterhouse Coopers é uma das firmas de auditoria, consultoria tributária e societária e de negócios mais eivadas de escândalos nos Estados Unidos. Ela foi implicada em 14 anos de encobrimento de uma fraude no grupo de seguros AIG, o qual estava no coração da crise financeira norte-americana de 2008. E a Câmara dos Lordes britânica criticou a PWC por não chamar atenção para os riscos do modelo de negócios adotado pelo banco “Northern Rock”, causador de um desastre de grandes proporções na crise imobiliária de 2008 na Grã-Bretanha, cliente que teve que ser resgatado pelo governo do Reino Unido.

Intensificam-se os ataques contra Rousseff, disso podemos ter certeza.

A estratégia global de Rousseff

Não foi apenas a aliança de Rousseff com os países dos BRICS que fez dela um alvo principal da política de desestabilização de Washington. Sob seu mandato, o Brasil está agindo com rapidez para baldar a vulnerabilidade à vigilância eletrônica norte-americana da NSA.

Dias após a sua reeleição, a companhia estatal Telebras anunciou planos para a construção de um cabo submarino de telecomunicações por fibra ótica com Portugal através do Atlântico. O planejado cabo da Telebras se estenderá por 5.600 quilômetros, da cidade brasileira de Fortaleza até Portugal. Ele representa uma ruptura maior no âmbito das comunicações transatlânticas sob domínio da tecnologia norte-americana. Notadamente, o presidente da Telebras, Francisco Ziober Filho, disse numa entrevista que o projeto do cabo será desenvolvido e construído sem a participação de nenhuma companhia estadunidense.

As revelações de Snowden sobre a NSA em 2013 elucidaram, entre outras coisas, os vínculos íntimos existentes entre empresas estratégicas chave de tecnologia da informática, como a “Cisco Systems”, a “Microsoft” e outras, e a comunidade norte-americana de inteligência. Ele declarou que:

“A questão da integridade e vulnerabilidade de dados é sempre uma preocupação para todas as companhias de telecomunicações”.

O Brasil reagiu aos vazamentos da NSA periciando todos os equipamentos de fabricação estrangeira em seu uso, a fim de obstar vulnerabilidades de segurança e acelerar a evolução do país rumo à autossuficiência tecnológica, segundo o dirigente da Telebras.

Até agora, virtualmente todo tráfego transatlântico de TI encaminhado via costa leste dos Estados Unidos para a Europa e a África representou uma vantagem importante para espionagem de Washington.


Espionagem! O Expresso está 100 por cento sob nosso controle.

Se verdadeiro ou ainda incerto, o fato é que sob Rousseff e seu partido o Brasil está trabalhando para fazer o que ela considera ser o melhor para interesse nacional do Brasil.

A geopolítica do petróleo também é chave

O Brasil também está se livrando do domínio anglo-americano sobre sua exploração de petróleo e de gás. No final de 2007, a Petrobras descobriu o que considerou ser uma nova e enorme bacia de petróleo de alta qualidade na plataforma continental no mar territorial brasileiro da Bacia de Santos. Desde então, a Petrobras perfurou 11 poços de petróleo nessa bacia, todos bem-sucedidos. Somente em Tupi e em Iara, a Petrobras estima que haja entre 8 a 12 bilhões de barris de óleo recuperável, o que pode quase dobrar as reservas brasileiras atuais de petróleo. No total, a plataforma continental do Brasil pode conter mais de 100 bilhões de barris de petróleo, transformando o país numa potência de petróleo e gás de primeira grandeza, algo que a Exxon e a Chevron, as gigantes do petróleo norte-americano, se esforçaram arduamente para controlar.

Em 2009, segundo cabogramas diplomáticos norte-americanos vazados e publicados pelo Wikileaks, a Exxon e a Chevron foram assinaladas pelo consulado estadunidense no Rio de Janeiro por estarem tentando, em vão, alterar a lei proposta pelo mentor e predecessor de Rousseff em seu Partido dos Trabalhadores, o presidente Luís Inácio Lula da Silva, ou Lula, como ele é chamado.[Foi revelado pelo Wikileaks que José Serra, o então candidato do PSDB que competia contra Dilma pela presidência, prometera confidencialmente à Chevron que, se eleito, afastaria a Petrobras do pré-sal para dar espaço às petroleiras estadunidenses].

Essa lei de 2009 tornava a estatal Petrobras operadora-chefe de todos os blocos no mar territorial. Washington e as gigantes estadunidenses do petróleo ficaram furiosos ao perderem controles-chave sobre a descoberta da potencialmente maior jazida individual de petróleo em décadas.


Dilma Rousseff e Joe Biden

Para tornar as coisas piores aos olhos de Washington, Lula não apenas afastou a Exxon Mobil e a Chevron de suas posições de controle em favor da estatal Petrobras, como também abriu a exploração do petróleo brasileiro aos chineses. Em dezembro de 2010, num dos seus últimos atos como presidente, ele supervisionou a assinatura de um acordo entre a companhia energética hispano-brasileira Repsol e a estatal chinesa Sinopec. A Sinopec formou uma joint venture, a Repsol Sinopec Brasil, investindo mais de 7,1 bilhões de dólares na Repsol Brasil. Já em 2005, Lula havia aprovado a formação da Sinopec International Petroleum Service of Brazil Ltd, como parte de uma nova aliança estratégica entre a China e o Brasil, precursora da atual organização do BRICS.

Washington não gostou

Em 2012, uma perfuração conjunta, da Repsol Sinopec Brazil, Norway’s Stateoil e Petrobras, fez uma descoberta de importância maior em Pão de Açúcar, a terceira no bloco BM-C-33, o qual inclui Seat e Gávea, esta última uma das 10 maiores descobertas do mundo em 2011. As maiores [empresas] do petróleo estadunidenses e britânicas absolutamente sequer estavam presentes.

Com o aprofundamento das relações entre o governo Rousseff e a China, bem como com a Rússia e com outros parceiros do BRICS, em maio de 2013, o vice-presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, veio ao Brasil com sua agenda focada no desenvolvimento de gás e petróleo. Ele se encontrou com a presidenta Dilma Rousseff, que havia sucedido ao seu mentor Lula em 2011. Biden também se encontrou com as principais companhias energéticas no Brasil, inclusive a Petrobrás.

Embora pouca coisa tenha sido dita publicamente, Rousseff se recusou a reverter a lei do petróleo de 2009 de maneira a adequá-la aos interesses de Biden e de Washington. Dias depois da visita de Biden, surgiram as revelações de Snowden sobre a NSA, de que os Estados Unidos também estavam espionando Rousseff e os funcionários de alto escalão da Petrobras. Ela ficou furiosa e, naquele mês de setembro, denunciou a administração Obama diante da Assembleia Geral da ONU por violação da lei internacional. Em protesto, ela cancelou uma visita programada a Washington. Depois disso, as relações Estados Unidos-Brasil sofreram grave resfriamento.


Dilma e Lula

Antes da visita de Biden em maio de 2013, Dilma Rousseff tinha uma taxa de popularidade de 70 por cento. Menos de duas semanas depois da visita de Biden ao Brasil, protestos em escala nacional convocados por um grupo bem organizado chamado “Movimento Passe Livre”, relativos a um aumento nominal de 10 por cento nas passagens de ônibus, levaram o país virtualmente a uma paralisação e se tornaram muito violentos. Os protestos ostentavam a marca de uma típica “Revolução Colorida”, ou desestabilização via Twitter, que parece seguir Biden por onde quer que ele se apresente. Em semanas, a popularidade de Rousseff caiu para 30 por cento.”

FONTE: publicado no “NEO – New Eastern Outlook”. Escrito por F. William Engdahl, norte-americano, engenheiro e jurisprudente (Princeton, EUA-1966), pós-graduado em economia comparativa (Estocolmo, Suécia-1969). Artigo transcrito no “Patria Latina” com tradução de Renato Guimarães para a “Vila Vudu” (http://www.patrialatina.com.br/editorias.php?idprog=d41d8cd98f00b204e9800998ecf8427e&cod=14736).[Título e trechos entre colchetes acrescentados por este blog ‘democracia&política’].

As imagens falam por si só:. Deu #Dilma13

27 out

SuperBand ProAction___76,99 para 69,71_NetShoes005 SuperBand ProAction___76,99 para 69,71_NetShoes006 SuperBand ProAction___76,99 para 69,71_NetShoes007 SuperBand ProAction___76,99 para 69,71_NetShoes008 SuperBand ProAction___76,99 para 69,71_NetShoes009 SuperBand ProAction___76,99 para 69,71_NetShoes010 SuperBand ProAction___76,99 para 69,71_NetShoes011 SuperBand ProAction___76,99 para 69,71_NetShoes012 SuperBand ProAction___76,99 para 69,71_NetShoes013 SuperBand ProAction___76,99 para 69,71_NetShoes014 SuperBand ProAction___76,99 para 69,71_NetShoes015 SuperBand ProAction___76,99 para 69,71_NetShoes016 SuperBand ProAction___76,99 para 69,71_NetShoes017 SuperBand ProAction___76,99 para 69,71_NetShoes018 SuperBand ProAction___76,99 para 69,71_NetShoes019 SuperBand ProAction___76,99 para 69,71_NetShoes020

Una Agresión Permanente: El Golpe Suave en América Latina (Parte 2)

18 out

Por Eva Golinger

CASO VENEZUELA: GOLPE SUAVE

Fue en el año 2003 que el Instituto Albert Einstein tocó terreno en Venezuela por primera vez. Un viaje realizado por el Coronel Robert Helvey y otro funcionario del instituto, Chris Miller, tomó lugar en abril 2003 durante 9 días en Venezuela. El objetivo de la consulta fue suministrar a miembros de la oposición venezolana la capacidad de desarrollar una estrategia basada en las técnicas de golpe suave para “restaurar la democracia” en Venezuela.1 Según el informe anual del Instituto Albert Einstein en 2004 2, los participantes en el taller incluían miembros de partidos políticos y sindicatos, líderes de ONGs y otros activistas y fue patrocinado por la organización Ofensiva Ciudadana. Algunos participantes, como el opositor Robert Alonso, han admitido que de las enseñazas del taller y la asesoría del Coronel Helvey y Gene Sharp, nacieron las “guarimbas” – las acciones violentas de calle que en principio tenían como objetivo la interrupción del referéndum revocatorio en 2004 y la creación de un alto nivel de caos y desestabilización en el país.
 
Luego, volvió el contacto entre la oposición venezolana y el AEI en marzo de 2005, cuando en la sede del instituto en Boston realizaron un taller de estrategia para estudiantes y jóvenes venezolanos. Esto fue el momento cuando comenzaron su trabajo con los jóvenes venezolanos. Trajeron dos de los dirigentes de OTPOR desde Serbia, Slobodan Dinovic y Ivan Marovic para enseñar a los estudiantes venezolanos como debilitar y desorganizar al poder y como construir y manejar su movimiento.3 Al mismo tiempo, el financiamiento de la USAID, el IRI, el NDI y la NED estaba aumentando en el país. Por cierto, en 2004, la fundación estadounidense conocida por sus vínculos con la CIA, Freedom House, llegó a Venezuela, financiada por la USAID, para apoyar a los medios privados con la preparación de operaciones psicológicas.4 
 
En 2006, el movimiento estudiantil entrenado por Gene Sharp, el Coronel Helvey y los jóvenes expertos de OTPOR, se estrenó con el Plan V durante el proceso de las elecciones presidenciales en diciembre 2006. Pero no tenían suficiente presencia en la calle y aún no habían perfeccionado las técnicas del golpe suave. Además, la situación electoral no les favorecía, pués la ventaje del Presidente Chávez sobre el candidato de oposición Manuel Rosales era demasiado para poder declarar fraude con legitimidad. No fue sino hasta abril 2007, con la excusa de la no renovación del canal de televisión RCTV, que los jóvenes entrenados por el AEI y OTPOR lograron ejecutar la primera fase de su plan. Nació el movimiento estudiantil “manos blancas” con el joven dirigente Yon Goicochea (uno de los seleccionados estudiosos de las técnias de Sharp) y dio su cara al país.5
 
Pero poco después, con Goicoechea ya pasando de ser estudiante a convertirse en un dirigente político de Primero Justicia6, las agencias estadounidenses vieron la necesidad de entrenar nuevas caras, y fueron seleccionados y enviados cuatro estudiantes venezolanos a Belgrado en octubre 2007 para recibir un entrenamiento intensivo con los expertos de OTPOR. Al regreso a Venezuela, su trabajo consistía en mobilizar el movimiento opositor contra la reforma constitucional que proponía el Presidente Hugo Chávez.
 
Mientras los estudiantes entrenados por las agencias de Washington ensayaban sus técnicas de golpe suave, creando caos en las calles, disturbios constantes y intentando provocar represión del estado, Freedom House, la NED, IRI, NDI y la USAID seguían aumentando el financiamiento a las principales ONG y partidos políticos de la oposición, como Súmate, Ciudadanía Activa, Sinergia, CEDICE, Liderazgo y Visión, Radar de los Barrios, Acción Campesina, CESAP, Consorcio Justicia, Primero Justicia, Un Nuevo Tiempo, AD, COPEI, y hasta financiaban y dirigían programas de formación de líderes estudiantiles en universidades como la Universidad Metropolitana, la Universidad Católica Simón Bolívar y otras por todo el país.7 
 
Su duro trabajo tuvo éxito en 2007 con la derrota, aunque por poco, de la reforma constitucional.8 Como era de esperar, muchos de los líderes estudiantiles, confesos apolíticos en su momento, se incorporaron en partidos políticos para asegurar futuros cargos, como Yon Goicochea en la directiva de Primero Justicia, o se luego fueron electos en cargos locales, como Stalin Gonzalez y Freddy Guevara, entre otros.
 
Cuando el Presidente Chávez falleció en marzo de 2013 después de una brutal batalla contra el cáncer, la oposición vio una nueva oportunidad de retomar al poder. Elecciones presidenciales fueron celebradas el 14 de abril de 2013 en un ambiente extremádamente tenso y volátil. Nicolás Maduro, el sucesor escogido por Chávez, se postuló contra Henrique Capriles, quien meses anteriores en octubre de 2012 había perdido la elección presidencial contra Chávez por 11 puntos.9 Esta vez, sin embargo, los resultados fueron mucho más estrechos con Maduro ganando por un margen de poco menos de 2 puntos.10 Capriles se negó a aceptar los resultados y llamó a sus partidarios a salir a las calles para protestar y “desgastar toda su rabia”. Durante los dos días después de las elecciones, 11 seguidores del gobierno fueron asesinados por los seguidores de Capriles.11 Fue un baño de sangre que no recibió atención en los medios internacionales; las víctimas no eran suficientemente importantes para alimentar sus matrices de opinión contra el gobierno.
 
Mientras 2013 avanzaba, la crisis económica en el país se intensificaba y la vieja estrategia de acaparamiento de productos para provocar escasez y pánico entre la población había regresado. Productos de consumo básico desaparecieron de los mercados – papel higiénico, aceite para cocinar, leche en polvo, harina de maíz – cosas necesarias para la vida cotidiana en Venezuela.12 La inflación empezó a subir y la especulación y aumento de precios habían disparado. Aunque una parte de esta situación estaba relacionada con el control cambiario de divisas para evitar la fuga de capital, mucho tuvo que ver con el sabotaje. Una guerra económica total estaba en marcha contra el gobierno del Presidente Maduro.13 
 
Los problemas persistieron durante todo el año 2013 y el descontento creció. Cuando de nuevo hubo elecciones en Diciembre para las alcaldías, el Partido Socialista Unido de Venezuela (PSUV) que lideraba Maduro, tuvo una victoria contundente. 242 de 317 alcaldías fueron ganadas por el PSUV, mostrando que una sólida mayoría del país todavía apoyaba al gobierno.14 
 
Maduro llamó a los gobernadores y alcaldes de oposición recién electos a una reunión en el palacio presidencial a finales de diciembre en un intento de diálogo y para crear un espacio de trabajo juntos para mejorar la situación del país. La reunión fue generosamente recibida por la mayoría de los venezolanos.15 Sin embargo, extremistas como los opositores María Corina Machado y Leopoldo López vieron a la reunión como una amenaza a su objetivo de derrocar a Maduro antes de que terminara su mandato en 2019. Empezaron a llamar a protestas en la calle y otras acciones contra el gobierno.
 
En enero 2014, cuando los venezolanos volvieron de sus vacaciones navideñas, las dificultades económicas continuaban. Maduro comenzaba a tomar medidas enérgicas contra empresas que violaban las leyes recién promulgadas para el control de precios y en contra de la especulación. Hacia finales de enero, anunciaron nuevas medidas para el acceso a divisas que muchos percibían como una devaluación de la moneda nacional, el bolívar. Los opositores usaron el momento para demandar la renuncia de Maduro. Para febrero, pequeños focos de protestas surgieron en diferentes partes del país, principalmente en los sectores de clase media y alta.
 
Durante la celebración del Día Nacional de la Juventud, el 12 de febrero, mientras miles de personas marcharon pacíficamente para conmemorar los logros históricos de la juventud en la independencia de la nación, otro grupo impulsó una agenda diferente. La juventud opositora, los “estudiantes”, encabezaron una marcha agresiva pidiendo la renuncia de Maduro que terminó en un violento enfrentamiento con las autoridades después de que los manifestantes destruyeron fachadas de edificios, incluyendo la oficina del Fiscal General, y lanzaron objetos contra la policía y la guardia nacional y utilizaron bombas molotov para quemar bienes y bloquear tránsito. Los enfrentamientos causaron tres muertos y varios heridos.16 
 
El líder de la protesta violenta, Leopoldo López, pasó a la clandestinidad después de la confrontación cuando fue emitido una orden de arresto contra él debido a su rol en los eventos mortales y sus llamados públicos para derrocar al presidente. Días más tarde, después de un show que incluyó la transmisión de videos “desde la clandestinad”,17 López convocó a otra marcha y aprovechó el evento para entregarse a las autoridades. Fue detenido para ser interrogado y enjuiciado, todos sus derechos garantizados por el Estado.18 
 
Las violentas protestas continuaron durante el primer semestre del año, causando varias muertes adicionales, decenas de heridos y la destrucción de la propiedad pública.19 
 
Medios internacionales presentaron a los manifestantes opositores en Venezuela como víctimas de una represión estatal. Incluso algunas celebridades, como Cher20 y Paris Hilton21 fueron arrastrados en una falsa histeria, pidiendo la libertad de los venezolanos de una “dictadura brutal”. Si bien no hay duda de que un número significativo de manifestantes en las marchas más grandes que ha hecho la oposición ha protestado pacíficamente sus preocupaciones legítimas, la fuerza impulsora detrás de esas protestas era un plan violento para derrocar a un gobierno democrático. López, quien había declarado públicamente su orgullo por su papel en el golpe de abril de 2002 contra Hugo Chávez22, seguía pidiendo a sus seguidores de mantenerse en la calle contra la “dictadura” venezolana.
 
Mientras decenas de gobiernos y organizaciones internacionales, entre ellas la Unasur y Mercosur han expresado su claro apoyo y solidaridad con el gobierno venezolano y al Presidente Maduro23, Washington se apresuró a respaldar a los manifestantes de la oposición y a exigir la liberación de todos los detenidos durante las manifestaciones. Hasta el gobierno de Obama amenazó al Presidente Maduro con consecuencias internacionales si Leopoldo López fuera detenido.24 A raíz de la primera ola de violentas protestas, Maduro expulsó a tres diplomáticos estadounidenses de la Embajada de Estados Unidos en Caracas, acusándolos de reclutar estudiantes en Venezuela para participar en la desestabilización.25 
 
Siguiendo el plan del golpe suave, el Congreso de Estados Unidos solicitó sanciones contra Venezuela para castigar al Presidente Maduro y su gobierno e intentar aislarlo a nivel internacional.26 También aprobó un fondo adicional de 15 millones de dólares para los grupos opositores en Venezuela. El Presupuesto Nacional de Estados Unidos del 2014 ya incluía 5 millones de dólares para los grupos de oposición en Venezuela.27 Como un cable del Departamento de Estado de la Embajada de Estados Unidos en Caracas, publicado por Wikileaks, explicaba en marzo 2009, “Sin nuestra asistencia continua, es posible que las organizaciones que ayudamos a crear … podrían ser forzadas a cerrar … Nuestro financiamiento a esas organizaciones es una línea de vida muy necesaria”.28 
 
EL GOLPE CONTINUA
 
Con la elección de Barack Obama como presidente de Estados Unidos en 2008, millones alrededor del mundo respiraron con tranquilidad, cayendo bajo la tramposa y seductiva campaña mediática que lo presentaba como un hombre de “cambio”. Pero para América Latina, esa imagen de un Obama sonriente, tendiendo su mano a todos, cambió rápidamente a un hombre que simplemente seguía impulsando las políticas imperiales contra los pueblos del mundo.
 
El golpe de Estado en Honduras en junio 2009, fue la primera señal. Aunque muchos se resistían en aceptarlo, Washington estaba detrás de la salida forzada de Manuel Zelaya del poder. Las mismas agencias financieras – USAID, NED – el Pentágono con su estratégica base militar en Soto Cano, y los mismos actores del Departamento de Estado y la CIA, movieron sus piezas para ejecutar un cambio de régimen contra un gobierno inconveniente e incomodo para los intereses imperiales. La aplicación de la política “smart power” (poder inteligente) de Obama y su entonces Secretaria de Estado, Hillary Clinton, engaño a muchos y logró su objetivo: ganar suficiente tiempo para consolidar el golpe y no permitir el regreso de Zelaya al poder.29 
 
En octubre 2009, el Obama sonriente autorizó la firma con Colombia de un acuerdo militar que permitía la expansión militarista de Estados Unidos en América Latina más grande de toda la historia. Uno de los documentos oficiales de la Fuerza Aérea de Estados Unidos, explicaba que el uso de la base militar en Palanquero era para “combatir las constantes amenazas de los gobiernos anti-estadounidenses en la región”.30
 
Frente al nacimiento de una época de independencia, unión y soberanía en América Latina, con la creación de nuevas organizaciones regionales como la Unión de Naciones Suramericanas (UNASUR), la Comunidad de Estados Latinoamericanos y Caribeños (CELAC) y la Alianza Bolivariana para los Pueblos de Nuestra América (ALBA), Washington sigue intentando recuperar su poder, influencia y dominación en la región. No acepta la pérdida de control sobre su “patio trasero”.
 
El financiamiento multimillonario a las ONG y grupos políticos que promueven la desestabilización y los golpes suaves contra gobiernos progresistas en la region y la brutal campaña mediática que intenta proyectar a estos países como dictaduras, ha dado lugar a una reconstitución de la derecha latinoamericana que busca retomar el poder en las zonas estratégicas. La historia indica que quienes están detrás de ésta agresión permanente no descansarán hasta lograr su objetivo.


1 Supra, note 31.
2 http://www.aeinstein.org/wp-content/uploads/2014/04/2000-04rpt.pdf
“AEI and Venezuela: Einstein Turns in His Grave”, por George Ciccariello-Maher. http://www.counterpunch.org/2008/04/16/einstein-turns-in-his-grave/
4 “Freedom House in Venezuela”, por Jeremy Bigwood. http://www.questia.com/magazine/1P3-2867784971/freedom-house-in-venezuela
5 “Usaid detrás de los ‘Manos Blancas’”, por Eva Golinger. http://www.aporrea.org/ddhh/a94988.html
6 “Yon Goicoechea se une a las filas de Primero Justicia”. http://www.primerojusticia.org.ve/cms/index.php?option=com_flexicontent&view=item&cid=149:noticias&id=369:yon-goicoechea-se-une-a-las-filas-de-primero-justicia&Itemid=468
7 En documentos del Departamento de Estado de Estados Unidos, USAID y NED obtenidos por la autora bajo la Ley de Acceso a la Información en Estados Unidos.
8 “Wikileaks: Planeaban derrocar a Chávez con movimientos estudiantiles desde 2007”. http://elespiadigital.com/index.php/noticias/geoestrategia/4640-wikileaks-planeaban-derrocar-a-chavez-con-movimientos-estudiantiles-desde-2007
9 “Chávez logra un cuarto mandato como presidente para estar 20 años en el poder”, El País. http://internacional.elpais.com/internacional/2012/10/07/actualidad/1349633710_923402.html
10 “Maduro ganó ajustadamente y Capriles no reconoció el resultado”, Télam. http://www.telam.com.ar/notas/201304/13986-comenzaron-en-venezuela-los-comicios-para-elegir-al-sucesor-de-chavez.html
11 “15-A-2013: Del desconocimiento de los resultados electorales a la violencia fascista en Venezuela”. Defensoría del Pueblo, Venezuela. http://www.radiomundial.com.ve/sites/default/files/images/Documento%2015%20de%20abril%20de%202013.pdf
12 “En Venezuela escasean hasta el jabón y el papel higiénico”, El Tiempo. http://www.eltiempo.com/archivo/documento/CMS-12710453
13 “Claves para entender la ‘guerra económica’ en Venezuela”. Venezolana de Televisión. http://www.vtv.gob.ve/articulos/2014/01/16/claves-para-entender-la-guerra-economica-en-venezuela-video-9684.html
14 Consejo Nacional Electoral de Venezuela. http://www.cne.gob.ve/web/estadisticas/index_resultados_elecciones.php
15 “Maduro convoca reunión con alcaldes y gobernadores de la oposición”, CNN en Español. http://cnnespanol.cnn.com/2013/12/16/expectativa-por-reunion-de-maduro-con-alcaldes-y-gobernadores-de-la-oposicion/
16 “Tensión en Venezuela en medio de ola de protestas”, CNN en Español. http://cnnespanol.cnn.com/2014/02/12/tension-en-venezuela-en-medio-de-marcha-nacional-y-ola-de-protestas/.
17 “Apareció Leopoldo López desde la clandestinidad y llamó a marchar el martes”, El Observador. http://www.elobservador.com.uy/noticia/271877/aparecio-leopoldo-lopez-desde-la-clandestinidad-y-llamo-a-marchar-el-martes/
18 “El opositor Leopoldo López se entrega a la Guardia Nacional venezolana en una plaza caraqueña”, El Mundo. http://www.elmundo.es/internacional/2014/02/18/530399ab268e3e73528b4580.html
19 “Conozca los 41 fallecidos por la protestas violentas opositoras en Venezuela”, Alba Ciudad. http://albaciudad.org/wp/index.php/2014/04/conozca-los-26-fallecidos-a-un-mes-del-inicio-de-las-protestas-opositoras-la-gran-mayoria-son-victimas-de-las-barricadas/
20 “Cher asegura estar ‘extremadamente triste’ por Leopoldo Lopez”, El Universal. http://www.eluniversal.com/arte-y-entretenimiento/140219/cher-asegura-estar-extremadamente-triste-por-leopoldo-lopez
21 “Paris Hilton está ‘rezando por la paz en Venezuela’”, Ultimas Noticias. http://www.ultimasnoticias.com.ve/noticias/chevere/espectaculos/paris-hilton-esta-rezando-por-la-paz-de-venezuela.aspx
22 “Leopoldo López orgullos del golpe de Estado de 2002”, YVKE Mundial. http://www.radiomundial.com.ve/article/leopoldo-lópez-orgulloso-del-golpe-de-estado-de-2002-video
23 “UNASUR y MERCOSUR apoyan al gobierno de Venezuela”, Voz del Pueblo Latinoamericano. http://vozpueblocom.wordpress.com/2014/02/17/unasur-y-mercosur-apoyan-al-gobierno-de-venezuela/
24 “Maduro asegura que desde EEUU demandan no arrestar a Leopoldo López”, El Universal. http://www.eluniversal.com/nacional-y-politica/140216/maduro-asegura-que-desde-eeuu-demandan-no-arrestar-a-leopoldo-lopez
25 “Maduro expulsa de Venezuela a tres diplomáticos de EEUU”, CNN en Español. http://cnnespanol.cnn.com/2014/02/16/venezuela-expulsa-a-tres-diplomaticos-de-estados-unidos-en-caracas/
26 “Sanciones contra Venezuela por EEUU”, El Espectador. http://www.elespectador.com/noticias/economia/sanciones-contra-venezuela-un-dilema-eeuu-ano-electoral-articulo-495749
27 FY 2014 Foreign Operations Budget, US Department of State. http://www.state.gov/f/releases/iab/fy2014cbj/
28 “Venezuela: Embajada de EEUU entregó 10 millones de dólares en 2009 a la oposición venezolana”, Telesur. http://prensaislamica.com/?p=3395
29 “Honduras: el primer golpe de Estado del gobierno de Obama”, Internationalist. http://www.internationalist.org/hondurasgolpeobama0908.html
30 “Documento oficial de la Fuerza Aérea de EEUU revela las verdaderas intenciones detrás del Acuerdo Militar con Colombia”, por Eva Golinger. http://www.aporrea.org/tiburon/a89582.html 

%d blogueiros gostam disto: