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50 informações sobre a Cuba antes de Fidel, o “puteiro” dos EUA, país das bananas e café.

29 nov

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Por Salim Lamrani | Paris

Mitos alimentados pelos partidários do antigo regime exilados em Miami e detratores de Fidel Castro, ainda persistem

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A ditadura de Fulgencio Batista, de 1952 a 1958, precipitou o advento da Revolução Cubana. Alguns mitos, cuidadosamente alimentados pelos partidários do antigo regime exilados em Miami e pelos detratores de Fidel Castro, ainda persistem.

1. O golpe de Estado de 10 de março de 1952, organizado por Fulgencio Batista, que tinha sido presidente da República entre 1940 e 1944, colocou fim à ordem constitucional e derrubou o governo democraticamente eleito de Carlos Prío Socarrás, alguns meses antes das eleições presidenciais de junho de 1952.

2. Antigo sargento estenógrafo, Batista passou a fazer parte da política cubana durante a Revolução de 4 de setembro de 1933, que foi liderada pelos estudantes e que derrubou a ditadura odiada de Gerardo Machado.

Ele encabeçou uma rebelião de suboficiais e se apoderou do Exército, transformando-se no novo chefe do Estado- Maior. No dia seguinte, 5 de setembro de 1933, Batista visitou o embaixador estadunidense Sumner Welles, que profetizou sua futura traição. Welles estava preocupado com os “elementos extremamente radicais” que acabavam de tomar o poder. O governo revolucionário de Ramón Grau San Martín, conhecido como “A Pentarquía”, tinha o apoio da “imensa maioria do povo cubano”, segundo a embaixada estadunidense.

3. Os Estados Unidos se negaram a reconhecer o novo governo revolucionário e encorajaram Batista a usar a força para derrubar San Martín. Este último defendia, por meio da voz de Antonio Guiteras, verdadeira alma da Revolução de 1933, a soberania nacional e a justiça social. Welles informou a Batista que dispunha do “apoio da imensa maioria dos interesses econômicos e financeiros em Cuba.”

4. Em janeiro de 1934, com o apoio de Washington, Batista derrubou o governo do Grau San Martín, conhecido como o governo dos “cem dias” (127 dias), impôs a figura de Carlos Mendieta e conservou o poder real. O sargento promovido a general tinha acabado de vencer as campanhas da Revolução de 1933. Washington alegrou-se com a situação: “O 4 de setembro de 1933 foi liquidado.”

5. Apesar das incessantes conspirações, da instabilidade política crônica e da hostilidade dos Estados Unidos, a [o governo da ] Revolução de 1933 organizou eleições para o dia 22 de abril de 1934; convocou uma Assembleia Constituinte para o dia 20 de maio de 1934; deu autonomia às universidades; reduziu o preço dos artigos de primeira necessidade; outorgou às mulheres o direito de votar; limitou a jornada de trabalho a oito horas; criou o Ministério do Trabalho; reduziu as tarifas de eletricidade e de gás; acabou com o monopólio das empresas estadunidenses; impôs uma moratória temporária sobre a dívida e, sobretudo, nacionalizou a Cuban Electric Company, filial da American Bond and Foreign Power Company.

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6. De 1934 a 1940, Batista reinou nos bastidores até ser eleito presidente da República, em 1940, graças a uma coalizão heterogênea que agrupava as forças conservadoras e os comunistas do Partido Socialista Popular. Segundo Washington, “o volume e o tamanho da corrupção”, o alinhamento com a política exterior estadunidense e a sua dependência do mercado estadunidense marcaram seu governo. Batista permitiu, também, que Washington utilizasse o espaço aéreo, marítimo e terrestre [cubano ], dispusesse de várias bases aéreas e navais [no país] com uso exclusivo durante a Segunda Guerra Mundial, sem reciprocidade, pondo assim a soberania nacional entre parênteses.

7. Em 1944, Ramón Grau San Martín foi eleito presidente da República e tomou posse em outubro de 1944. Batista deixou uma situação financeira desastrosa para o seu sucessor. O embaixador estadunidense Spruille Braden se deu conta da situação já em julho de 1944 e informou seus superiores: “É cada vez mais evidente que o presidente Batista deseja dificultar a vida da próxima administração de todas as formas possíveis, e, particularmente, do ponto de vista financeiro”. Braden denunciou “um roubo sistemático dos fundos do Tesouro” e disse que “o Dr. Grau vai encontra os caixas vazios quanto tome posse.”

8. Grau San Martín dirigiu o país até 1948 e a sua administração esteve gangrenada pela corrupção e pela dependência dos Estados Unidos. O Departamento de Estado enfatizou a débil situação da nação cubana em um memorando de 29 de julho de 1948: “A economia monocultora depende quase exclusivamente dos Estados Unidos. Se manipularmos os preços ou o contingente açucareiro podemos afundar toda a ilha na pobreza.”

9. Carlos Prío Socarrás, primeiro-ministro de Grau em 1945 e ministro do Trabalho depois, venceu a eleição presidencial de 1948. O nepotismo e a corrupção marcaram a sua administração.

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10. No dia 10 de março de 1953, a três meses das eleições presidenciais de 1 de junho de 1952, Batista rompeu a ordem constitucional e instaurou uma ditadura militar. Aumentou o salário das forças armadas e da polícia (de 67 pesos para 100 pesos e de 91 pesos para 150 pesos, respectivamente); outorgou para si mesmo um salário anual maior que o do presidente dos Estados Unidos (passou de 26.400 dólares para 144 mil dólares, enquanto [Harry S.] Truman ganhava 100 mil); suspendeu o Congresso e entregou o poder legislativo ao Conselho de Ministros; eliminou o direito à greve; restabeleceu a pena de morte (proibida pela Constituição de 1940); e suspendeu as garantias constitucionais.

11. No dia 27 de março de 1952, os Estados Unidos reconheceram oficialmente o regime de Batista. Como apontou o embaixador estadunidense em Havana, “as declarações do general Batista a respeito do capital privado foram excelentes. Fora muito bem recebidas e, eu sabia, sem dúvida alguma, que o mundo dos negócios é dos mais entusiastas partidários do novo regime.”

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12. Em julho de 1952, Washington assinou acordos militares com Havana, ainda que consciente do caráter brutal e arbitrário do novo poder. Cuba está “sob o jugo de um ditador

sem piedade”, destacou a embaixada estadunidense em um relatório confidencial de janeiro de 1953, destinado ao Departamento do Estado.

De fato, o general reprimia com mão de ferro a oposição, particularmente a juventude estudantil simbolizada pelo assassinato do jovem Rubén Batista em janeiro de 1953.

13. No dia 26 de julho de 1953, um jovem advogado chamado Fidel Castro encabeçou uma expedição armada contra o quartel Moncada, segunda maior fortaleza militar do país. Foi um fracasso sangrento. O consulado estadunidense de Santiago de Cuba, disse que “o Exército não fez distinção entre os insurgentes capturados ou simples suspeitos”, reconhecendo o massacre cometido pelos soldados depois de receber ordens do coronel Alberto del Río Chaviano. Enfatizou também “o número muito baixo de feridos entre os insurgentes em relação ao número de soldados feridos […]. Os agressores capturados foram executados a sangue frio e os agressores feridos também foram liquidados.”

14. Em novembro de 1954, Batista organizou uma paródia eleitoral que ganhou sem dificuldade. Os Estados Unidos reconheceram que “as eleições de Batista eram um simulacro destinado à agarrar-se ao poder.”

15. Em novembro de 1955, depois de uma ordem de Washington, o regime militar criou o Bureau de Repressão das Atividades Comunistas (BRAC), que se encarregava de “reprimir todas as atividades subversivas que pudessem afetar os Estados Unidos.”

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16. Se os discursos de Batista eram ferozmente anticomunistas, é conveniente lembrar que foi ele quem estabeleceu pela primeira vez relações diplomáticas entre Cuba e a União Soviética, em 1942.

17. Durante toda a ditadura militar, Batista manteve relações comerciais com Moscou, vendendo açúcar. Em 1947, o Diario de la Marina, jornal conservador cubano, se alegrou com estas vendas destacando que “o preço do açúcar tinha melhorado depois de a União Soviética adquirir 200 mil toneladas”. Em nenhum momento Washington se preocupou com as relações comerciais entra a União Soviética e Cuba sob a ditadura de Batista. A história seria outra quando Fidel Castro chegasse ao poder.

18. Em maio de 1955, Batista, que desejava melhorar sua imagem e responder a uma petição popular, concedeu anistia geral e libertou Fidel Castro, assim como todos os outros presos de Moncada.

19. No dia 2 de dezembro de 1956, depois de organizar uma expedição partindo do México, onde conheceu Che Guevara, Fidel Castro desembarcou em Cuba com 81 homens para dar início a uma guerra internacional contra a ditadura militar de Batista. Surpreendida pelo Exército, a operação foi um fracasso e os revolucionários tiveram de se separar. Fidel Castro se encontrou com outros 11 insurgentes, que tinham um total de apenas 7 fuzis.

20. O embaixador estadunidense Arthur Gardner expressou seu ponto de vista sobre Fidel Castro em um relatório enviado ao Departamento de Estado. O líder do Movimento 26 de Julho era um “gângster” que “ia se apoderar das indústrias americanas” e “nacionalizar tudo”. Quanto ao ditador Batista, “duvido que tenhamos tido melhor amigo que ele”. Faltava, então, “apoiar o atual governo e promover a expansão dos interesses econômicos estadunidenses.”

21. Batista exercia violência feroz contra a oposição. Mas os Estados Unidos se mostraram discretos em relação aos crimes que o seu aliado cubano cometia. Entretanto, a embaixada estadunidense em Havana multiplicava os relatórios sobre o tema: “Estamos convencidos agora de que os assassinatos recorrentes de pessoas a quem o governo qualifica como opositores e terroristas são, na realidade, o trabalho da polícia e do Exército. No entanto, o adido jurídico recebeu confissões indiretas da culpa dos círculos policiais, além de provas da responsabilidade da polícia.”

22. Wayne S. Smith, jovem funcionário da embaixada estadunidense, ficou chocado com os massacres cometidos pelas forças da ordem. Descreveu cenas de terror: “A polícia reagia de maneira excessiva à prisão dos insurgentes, torturando e matando centenas de pessoas, tanto inocentes como culpados. Os corpos são abandonados, enforcados em árvores, nas rodovias. Tais táticas levaram a opinião pública a rejeitar Batista e apoiar a oposição.”

23. Em fevereiro de 1957, a entrevista com Fidel Castro realizada por Herbert Matthews, do The New York Times, permitiu que a opinião pública estadunidense e mundial descobrisse a existência de uma guerrilha em Cuba. Batista confessaria mais tarde em suas memórias que graças a esse palco jornalístico “Castro começava a ser um personagem de lenda”. Matthews relativizou, no entanto, a importância de sua entrevista: “Nenhuma publicidade, por mais sensacional que fosse, teria podido ter efeito se Fidel Castro não fosse precisamente o homem que eu descrevi.”

24. No dia 13 de março de 1957, um comando do Diretório Revolucionário do líder estudantil José Antonio Echeverría, que era composto de 64 jovens, atacou o Palácio Presidencial com o objetivo de executar Batista. A operação foi um fracasso e custou a vida de 40 dos 64 estudantes. Os sobreviventes foram perseguidos pela cidade e assassinados. Echeverría perdeu a vida durante um enfrentamento com a polícia perto da Universidade de Havana.

25. A embaixada francesa em Havana analisou o ataque de 13 de março: “As reações americanas aos acontecimentos em Cuba eram de horror, de simpatia pelos insurgentes, de reprovação contra Batista. Ao ler as reportagens que os principais jornais cubanos dedicaram ao evento, fica claro que o heroísmo dos patriotas cubanos marcou muito os Estados Unidos […]. Se alguns reconhecem, no entanto, que os insurgentes de 13 de março estavam errados em seus métodos, é verdade, muito mais que em seus objetivos, todos estimam em troca que deram à sua causa a palma do martírio e que este exemplo estimularia a oposição cubana.”

26. Fidel Castro, que fez uma aliança com o Diretório Revolucionário na luta contra Batista, não concordava com o assassinato político: “Estávamos contra Batista, mas nunca tentamos organizar um atentado contra ele e teríamos podido fazê-lo. Era vulnerável. Era muito mais difícil lutar contra o Exército dele nas montanhas ou tentar tomar uma fortaleza que era protegida por um regimento. Quantos estavam no quartel de Moncada, naquele 26 de julho de 1953? Cerca de mil homens, talvez mais. Preparar um ataque contra Batista e eliminá-lo era dez ou vinte vezes mais fácil, mas nunca o fizemos. Por acaso o tiranicídio serviu alguma vez na história para fazer uma revolução? Nada muda nas condições objetivas que geram uma tirania […]. Nunca acreditamos no assassinato de líderes […], não acreditávamos que se abolia ou eliminava um sistema quando se eliminava seus líderes. Combatíamos as ideias reacionárias, não os homens.”

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27. Nas montanhas de Sierra Maestra, onde aconteciam os combates entre o Exército e os insurgentes, Batista evacuou à força as famílias camponesas para eliminar a base de apoio dos rebeldes e as concentrou em armazéns da cidade de Santiago. Aplicava, assim, os métodos do general espanhol Valeriano Weyler durante a guerra de 1895-1898. Em uma reportagem, a revista Bohemia denunciou uma “situação de tragédia” que lembrava “as épocas mais obscuras de Cuba”. A revista semanal relatou a sorte de cerca de 6 mil vítimas: “É uma história dolorosa, de sofrimentos, de penas intensas. É a história de 6 mil cubanos obrigados a deixarem seus lares, ali, nos rincões inextricáveis de Sierra Maestra, para serem concentrados em lugares onde lhes faltava tudo, onde era difícil ajudá-los, dar-lhes uma cama ou um prato de comida.”

28. No dia 29 de julho de 1957, o assassinato de Frank País, líder do Movimento 26 de Julho no estado de Oriente, desatou uma imensa manifestação que foi reprimida pelas forças de Batista, a ponto de o embaixador estadunidense Earl E. T. Smith se sentir obrigado a denunciar “a ação excessiva da polícia.”

29. No dia 5 de setembro de 1957, o levante de uma parte do Exército contra Batista [na cidade de] Cienfuegos foi afogado em sangue. Segundo o embaixador Smith, “o fator-chave para quebrar a revolta de Cienfuegos” foi o uso de aviões “F-47 e B-26”, fornecidos pelos Estados Unidos.

30. No dia 29 de setembro de 1957, o Colégio Médico Cubano publicou um relatório sobre a situação política cubana durante a XI Assembleia Geral da Associação Médica Mundial. Segundo ele, “os combatentes da luta arma que se rendem são liquidados. Não há prisioneiros, só há mortos. Muitos opositores não são submetidos ao Tribunal de Justiça, são executados com um tiro na nuca ou enforcados. Intimidam os magistrados e os juízes sem que as vozes de protestos sejam escutadas. A desesperança se difunde entre os jovens que se sacrificam em uma luta desigual. Aquele que é perseguido não encontra refúgio. Na embaixada do Haiti, dez solicitantes de asilo foram assassinados pela força pública […]. A imprensa está totalmente censurada. Não se permite a informação jornalística, nem sequer por parte das agências internacionais […]. Nos locais do Exército e dos corpos de repressão da polícia os detidos são torturados para arrancar deles à força a confissão de supostos delitos. Vários feridos que estavam em clínicas e hospitais foram levados à força e apareceram várias horas depois assassinados nas cidades ou no campo”. O Washington Post e o Times Herald destacaram que “os médicos cubanos são vítimas de atrocidades, inclusive de assassinato por curar rebeldes cubanos.”

31. Em 1958, além de apoiar o regime de Batista, os Estados Unidos julgaram e prenderam Carlos Prío Socarrás, presidente legítimo de Cuba, refugiado em Miami, sob o pretexto de violar as leis de neutralidade do país, Ele tentava organizar uma resistência interna contra a ditadura.

32. Quanto à liberdade de imprensa, os Estados Unidos apresentaram a Cuba pré-revolucionária com uma visão positiva. Assim, afirmam, “antes de 1959, o debate público era vigoroso: havia 58 jornais e 28 canais de televisão que proporcionavam uma pluralidade de pontos de vista políticos”. Os documentos da época e os acontecimentos contradizem esta  afirmação. De fato, um relatório da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP, por sua sigla em espanhol), publicado em 1957, chamou de “antidemocrático o governo do presidente Fulgencio Batista de Cuba, já que o governo não respeita a liberdade de imprensa”. De fato, a censura à imprensa se aplicou durante 630 dias dos 759 que durou a guerra insurrecional, entre 2 de dezembro de 1956 e 1 de janeiro de 1959.

33. Sob o mando de Batista, a corrupção era endêmica. “Os diplomatas informam inclusive que se sempre houve corrupção governamental em Cuba, nunca foi tão eficaz e generalizada como durante o regime do presidente Fulgencio Batista”, afirmou o The New York Times.

34. Batista estava intimamente vinculado a criminosos como Meyer Lansky ou Luigi Trafficante Jr. Seus primeiros contatos com a máfia remontavam à 1933, quando ele se autoproclamou coronel e Charles “Lucky” Luciano e Santo Trafficante sênior se aproximaram dele. O mundo do jogo, altamente lucrativo, estava controlado por Lansky, número dois da máfia estadunidense, um dos principais gângsteres dos Estados Unidos”, que “tinha criado para o ditador Batista a organização atual dos jogos de Havana”, de acordo com o jornal francês Le Monde.

35. Os Estados Unidos e os partidários do antigo regime apresentam ainda a Cuba de Batista como “a vitrine da América Latina” da época. A realidade é sensivelmente diferente. As estatísticas do Banco Nacional de Cuba estão disponíveis para esse período e é possível comparar a situação econômica sob o governo democrático do presidente Carlos Prío Socarrás e sob o regime militar de Batista. Assim, entre 1951 e 1952, o PIB cubano aumentou 2,52%. De 1952 a 1953, sob Batista, o PIB caiu 11,41%, com um aumento de apenas 0,9%, de 1953 a 1954, e de 3,5%, de 1954 a 1955. Apenas em 1956 o PIB voltou a alcançar o nível de 1952, com 2,4 bilhões de pesos. Assim, é impossível falar de crescimento econômico entre 1952 a 1956. Durante dois terços do reinado de Batista não houve crescimento. A melhora só aconteceu a partir de 1957, quando o PIB alcançou a cifra de 2,8 bilhões de pesos e, em 1958, voltou a baixar para 2,6 bilhões.

36. Além disso, as reservas monetária caíram de 448 milhões de pesos, em 1952, para 373 milhões em 1958, os quais foram roubados durante a fuga de Batista e de seus cúmplices no dia 1 de janeiro de 1959. A dívida da nação passou de 300 milhões de dólares, em março de 1952, para 1,3 bilhão em janeiro de 1959, e o déficit orçamentário alcançou os 800 milhões de dólares.

Entrevista com Fulgencio Batista:
37. A política açucareira de Batista foi um fracasso. Enquanto esse setor gerava entradas na casa dos 623 milhões de pesos em 1952, o montante baixou para 383, 5 milhões em 1953, 412,8 milhões em 1954, 402,1 milhões em 1955, 426,1 milhões em 1956 e 520,7 milhões em 1958. Somente o ano de 1957 gerou mais ingressou que 1952, com 630,8 milhões de pesos.

38. Os trabalhadores e empregados agrícolas pagaram o preço. Enquanto sua remuneração subia para 224.99 milhões de pesos em 1952, caiu para 127,7 milhões em 1953, 128,2 milhões em 1954, 118,9 milhões em 1955, 127 milhões em 1956, 175,3 milhões em 1957, 123,5 milhões em 1955, 114,6 milhões em 1956, 145,7 milhões em 1957 e 141,8 milhões em 1958. No governo de Batista, os trabalhadores e empregados não agrícolas nunca chegaram ao nível de renda de 1952.

39. Mesmo assim, o regime de Batista se beneficiou da ajuda econômica estadunidense como nunca. Os investimentos estadunidenses em Cuba passaram de 657 milhões de dólares em 1950, no governo de Carlos Prío Socarrás, para mais de 1 bilhão de dólares em 1958.

40. O professor estadunidense Louis A. Pérez Jr. aponta que, “na realidade, a renda per capita em Cuba, em 1958, era mais ou menos semelhante a de 1947.”

41. Um estudo realizado pelo Conselho Nacional de Economia dos Estados Unidos, entre maio e 1956 e junho de 1957, publicado em um relatório intitulado Investment in Cuba. Basic Information for the United States Busing Department of Commerce, o número de desempregados era 650 mil na metade do ano, isto é, cerca de 35% da população ativa. Destes, 450 mil eram desempregados permanentes. Entre os 1,4 milhão de trabalhadores, cerca de 62% recebia um salário inferior a 75 pesos mensais. De acordo com o Departamento de Comércio dos Estados Unidos, “no campo, o número de desocupados aumentava a cada safra açucareira e podia superar os 20% da mão de obra, isto é, entre 400 e 500 mil pessoas”. A renda anual do jornaleiro não passava dos 300 dólares.

42. Cerca de 60% dos camponeses viviam em barracos com teto de palha e piso de terra, desprovidos de banheiros ou água corrente. Cerca de 90% não tinham eletricidade. Cerca de 85% destes barracos tinham um ou dois ambientes para toda a família. Somente 11% dos camponeses consumiam leite, 4% carne, 2% ovos. 43% eram analfabetos e 44% nunca tinham ido para a escola. O jornal The New York Times ressalta que “a grande maioria deles nas zonas rurais – guajiros ou camponeses – vivem na miséria, em nível de subsistência.”

43. Segundo o economista inglês Dudley Seers, a situação em 1958 era “intolerável. O que era intolerável era a taxa de desemprego três vezes mais elevada que nos Estados Unidos. Por outro lado, no campo, as condições sociais eram malíssimas. Cerca de um terço da nação vivia na sujeira, comendo arroz feijão, banana e salada (quase nunca carne, peixe, ovos ou leite), vivendo em barracos, normalmente sem eletricidade nem latrinas, vítimas de doenças parasitárias, e não se beneficiavam de um serviço de saúde. A situação dos pobres, instalados em barracos provisórios em terras coletivas, era particularmente difícil […]. Uma importante proporção da população urbana também era muito miserável”.

44. O presidente John f. Kennedy também se expressou a respeito: “Penso que não existe um país no mundo, incluindo os países sob domínio colonial, onde a colonização econômica, a humilhação e a exploração foram piores que as que aconteceram em Cuba, devido à política do meu país, durante o regime de Batista. Nos negamos a ajudar Cuba em sua desesperada necessidade de progresso econômico. Em 1953, a família cubana média tinha uma renda de 6 dólares semanais […]. Este nível abismal piorou à medida que a população crescia. Mas, em vez de estender uma mão amistosa ao povo desesperado de Cuba, quase toda a nossa ajuda tomava forma de assistência militar – assistência que simplesmente reforçou a ditadura de Batista [gerando] o sentimento crescente de que os Estados Unidos eram indiferentes às aspirações cubanas a uma vida decente.”

45. Arthur M. Schlesinger, Jr., assessor pessoal do presidente Kennedy, se lembrou de uma estadia na capital cubana e testemunhou: “Eu adorava Havana e me horrorizou a maneira como esta adorável cidade tinha se transformado desgraçadamente em um grande cassino e

prostíbulo para os homens de negócios norte-americanos […]. Meus compatriotas caminhavam pelas ruas, se deitavam com garotas cubanas de 14 anos e jogavam fora moedas só pelo prazer de ver os homens chafurdando no esgoto para recolhê-las. É de se questionar como os cubanos – vendo essa realidade – poderiam ver os Estados Unidos de outro modo a não ser com ódio.”

46. Contrariamente às práticas do Exército governamental, os revolucionários davam uma grande importância ao respeito da vida dos prisioneiros. A respeito, Fidel Castro conta: “Na nossa guerra de liberação nacional, não houve um único caso sequer de prisioneiro torturado, nem mesmo quando poderíamos ter usado como pretexto a necessidade de conseguir alguma informação militar para salvar a nossa própria tropa ou para ganhar uma batalha. Não houve um só caso. Tivemos centenas de prisioneiros, depois milhares, antes do fim da guerra; era possível procurar os nomes de todos e não houve um único caso entre essas centenas, estes milhares de prisioneiros que tenha sofrido uma humilhação, ou sequer um insulto. Quase sempre púnhamos estes prisioneiros em liberdade. Isso nos ajudou a ganhar a guerra, porque nos deu um grau de autoridade frente aos soldados do inimigo. Confiavam em nós. No começo, ninguém se rendia; no final, se rendiam em massa”. O New York Times também aludiu ao bom tratamento reservado aos soldados presos: “É o tipo de conduta que ajudou ao Sr. Castro a ter uma importância tão extraordinária no coração e no espírito dos cubanos.”

47. O embaixador Smith resumiu as razões do apoio dos Estados Unidos a Batista: “O governo de Batista é ditatorial e pensamos que não tem o apoio da maioria do povo de Cuba. Mas o governo de Cuba tem sido um governo amistoso em relação aos Estados Unidos e tem seguido um política econômica em geral sã, que tem beneficiado os investidores estadunidenses. Tem sido um partidário leal das políticas dos Estados Unidos nos foros internacionais.”

48. O jornalista estadunidense Jules Dubois, um dos maiores especialistas da realidade cubana da época, descreveu com Herbert L. Matthews o regime de Batista: “Batista voltou ao poder no dia 10 de março de 1952 e começou então a etapa mais sangrenta da história cubana desde a guerra da independência, quase um século antes. As represálias das forças repressivas de Batista custaram a vida a numerosos presos políticos. Para cada bomba que explodia, tiravam dois presos da cela e os executavam de maneira sumária. Uma noite em Marianao , um bairro de Havana, os corpos de 98 presos foram espalhados pelas ruas, crivados de balas.”

49. O presidente Kennedy também denunciou a brutalidade do regime: “Há dois anos, em setembro de 1958, um grupo de rebeldes barbudos desceu das montanhas de Sierra Maestra, em Cuba, e começou sua marcha até Havana, uma marcha que finalmente derrubou a ditadura brutal, sangrenta e despótica de Fulgencio Batista […]. Nosso fracasso mais desastroso foi a decisão de dar status e apoio a uma das mais sangrentas e repressivas ditaturas na longa história da repressão latino-americana. Fulgencio Batista assassinou 20 mil cubanos em 7 anos – uma proporção maior da população cubana que a proporção de norte-americanos que morreram nas duas guerras mundiais – e transformou a democrática Cuba em uma Estado policial total, destruindo cada liberdade individual.”

50. Apesar das declarações oficiais de neutralidade no conflito cubano, os Estados Unidos deram seu apoio político, econômico e militar a Batista e se opuseram a Fidel Castro. Apesar disso, de seus 20 mil soldados e de sua superioridade material, Batista não pôde vencer uma guerrilha composta de 300 homens armados durante a ofensiva final do verão de 1958. A contraofensiva estratégica lançada por Fidel Castro causou a fuga de Batista para a República Dominicana e o triunfo da Revolução em 1 de janeiro de 1959.

* Salim Lamrani é Doutor em Estudos Ibéricos e Latino-americanos da Universidade Paris Sorbonne-Paris IV, Salim Lamrani é professor-titular da Universidade de La Reunión e jornalista, especialista nas relações entre Cuba e Estados Unidos. Seu último livro se chama Cuba. Les médias face au défi de l’impartialité, Paris, Editions Estrella, 2013, com prólogo de Eduardo Galeano.

 

Negro, pobre e sem-terra: quem são os brasileiros que estudam medicina na Venezuela

24 maio

Após os dois primeiros anos de faculdade, os estudantes se descentralizam entre os estados venezuelanos e se incorporam aos centros hospitalares e ambulatórios, onde ficam do terceiro ao sexto ano do curso até se tornarem efetivamente médicos profissionais. - Créditos: Luiz Felipe Albuquerque/Saúde Popular

 

Após os dois primeiros anos de faculdade, os estudantes se descentralizam entre os estados venezuelanos e se incorporam aos centros hospitalares e ambulatórios, onde ficam do terceiro ao sexto ano do curso até se tornarem efetivamente médicos profissionais. / Luiz Felipe Albuquerque/Saúde Popular

Aos 21 anos, Jéssica Rodrigues Trindade não pensava que um dia poderia cursar uma faculdade de Medicina. O Brasil mantém um perfil elitizado na formação médica, com apenas 2,6% de negros entre os formados na área, em um território onde a maioria da população se declara como negra ou parda (53%), segundo dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas (Inep). Mas não foi em uma escola brasileira que a assentada da reforma agrária e filha de camponeses pobres do estado do Pará quebrou esse paradigma.

Jéssica faz parte de um grupo de cerca de 250 jovens de 32 países de diversas partes do mundo que estudam na Escola Latino-americana de Medicina (Elam), na Venezuela. “Eu que sou negra, pobre, filha de pobre, vejo agora toda minha família vibrando pelo fato de eu estar aqui. As gerações da minha família não tiveram acesso à educação e entrar em Medicina é ainda mais complicado”, conta Jéssica, assentada no Palmares II, na cidade de Parauapebas (PA).

Criada em 2007 pelo então presidente venezuelano, Hugo Chávez, em parceira com Cuba, a Elam busca formar médicos de diversos países que tem carência na área. “Esse é um objetivo primordial da escola: formar médicos – que não teriam a possibilidade de estudar em seus países – não só na ciência, mas também em consciência, porque são médicos que voltarão aos seus países para dar um retorno aos seus povos, cuidando das doenças e dos problemas que seus países enfrentam”, explica o cubano Arturo Pulga, médico e coordenador acadêmico da Elam na Venezuela.

É dessa maneira que o conceito metodológico e pedagógico pensado pela escola se diferencia do que é compreendido pela medicina convencional. “Se você vai atender o povo tem que ser uma medicina comunitária, por isso formamos médicos integrais comunitários, que vão à comunidade atender aos problemas dela. Um aspecto social fundamental é que essa medicina não é apenas para curar doenças, mas para preveni-las”, destaca Pulga.

Logo quando chegam à Elam, todos os estudantes participam de um curso introdutório de cerca de seis meses para nivelar o conhecimento sobre diversas áreas, como matemática, biologia, química e também sobre o pensamento latino-americano. Depois desse processo, eles ingressam na formação da carreira médica pelos dois anos seguintes, coordenado por um corpo docente de venezuelanos e cubanos.

Nesse período, os estudantes já começam a trabalhar nos Centros de Diagnósticos Integrais (CDIs) das comunidades, o equivalente às unidades básicas de saúde no Brasil, onde entram em contato com os moradores nos bairros carentes e praticam o conteúdo teórico que aprendem na sala de aula.

“Esse é um elemento importante dessa medicina, pois desde o primeiro ano os estudantes se vinculam com os pacientes nas comunidades. É uma diferença fundamental do modelo tradicional. Desde o primeiro dia que eles entram aqui, já têm vinculação com a prática, nos lugares onde estão as comunidades, os mais pobres, os mais necessitados”, relata Pulga.

Experiência

Uma das coisas que mais chamaram a atenção de Jéssica ao chegar na Venezuela foi o fato de a maior parte da população daquele país ter acesso à saúde básica por meio dos CDIs. “Em um simples bairro, você tem médicos para todas as áreas. A pessoa chega e já faz o atendimento”, conta.

Quanto às aulas práticas nos CDIs, a sem-terra destaca a importância desses momentos, pois eles permitem a troca de experiências. “Conversamos com os médicos cubanos sobre o trabalho deles. É muito boa essa troca, porque você vê uma medicina diferente, você vê que eles realmente estão preocupados com as pessoas”, avalia.

Esse, por sinal, é um dos fatores que mais instiga Jéssica a se dedicar à profissão. Segundo ela, são poucos os médicos no Brasil que se preocupam de fato com o paciente. “Às vezes o paciente não necessita de remédio, só precisa que se converse, sabe? Quando se tem a compreensão que o outro também passa necessidade, isso ajuda muito. Por isso essa medicina é diferente, é importante se preocupar com o outro e contribuir a partir do que você sabe. Isso é gratificante”, declarou.

Formação

Após os dois primeiros anos de faculdade, os estudantes se descentralizam entre os estados venezuelanos e se incorporam aos centros hospitalares e ambulatórios, onde ficam do terceiro ao sexto ano do curso até se tornarem efetivamente médicos profissionais.

Segundo Pulga, está cientificamente provado que 80% das doenças podem ser diagnosticadas a partir da atenção primária de saúde, de um questionário adequado que se leve em conta as pessoas e o meio social delas, considerando o local onde estudam, trabalham, etc.

“Por isso [esta formação] tem paradigmas diferentes da medicina tradicional. É uma medicina muito contemporânea em relação ao atual momento e as dificuldades dos nossos países, sobretudo, os latino-americanos, que tem dificuldades econômicas e uma população muito grande que necessita da atenção médica”, defende o coordenador.

Perspectivas

Quando os estudantes são questionados sobre o que pretendem fazer depois de passar por esse processo formativo, as respostas são praticamente as mesmas: o retorno para a terra de origem para cuidar “do povo”.

Vinda de Tabocas, uma cidade de 11 mil habitantes no oeste da Bahia, Soraya de Souza Santana, 21 anos, do Movimento das Mulheres Camponesas (MMC) pretende rearticular um conhecimento popular que foi se perdendo com o tempo na sua região.

“No tempo em que eu nasci, as mulheres que ajudavam uma as outras, faziam os partos, visitavam, buscavam alimentos para as crianças, davam multi-mistura para ajudá-las na nutrição. Eu tenho a perspectiva de resgatar algumas dessas coisas que foram se perdendo com o tempo”, aponta.

Apesar de recém-chegada à Venezuela, Jéssica não vê a hora de poder voltar e ajudar a população com o que aprenderá nos próximos seis anos. “Quero contribuir com quem fez que eu estivesse aqui: a luta do povo. Algumas pessoas que não compreendem isso, falam que eu estou aqui por mérito. Não, o mérito não é meu, o mérito é do meu povo. Foi ele que lutou para eu estar aqui. Tem toda uma América Latina em luta, isso aqui não é uma escola qualquer”, destacou.

 

Por Luiz Felipe Albuquerque 

Do Saúde Popular, enviado especial à Venezuela, 19 de Maio de 2016 às 15:34

Cooperação Internacional -Brasil De Fato

 

 

Em Cuba Outro Abuso Governo dos EUA de comunicação online

4 abr

A Associated Press tem uma história interessante sobre um outro projeto da USAID para derrubar o governo de Cuba. USAID usado várias empresas de fachada para criar um Twitter como serviço de telefone SMS em Cuba que era, depois de se tornar popular, deveria ser usado para iniciar flash mobs anti-governamentais e conflitos civis:

No seu auge, o projeto atraiu mais de 40.000 cubanos para compartilhar notícias e trocar opiniões. Mas seus assinantes nunca tinham conhecimento que foi criado pelo governo dos EUA, ou que os empreiteiros americanos estavam se reunindo seus dados privados, na esperança de que ele pode ser usado para fins políticos.“Não haverá absolutamente nenhuma menção de Estados Unidos o envolvimento do governo”, de acordo com um memorando de 2010 móvel Accord, um dos empreiteiros do projeto. “Isso é absolutamente crucial para o sucesso a longo prazo do serviço e para garantir o sucesso da missão.”

Um tanto surpreendente é novamente o esforço de longo prazo, o arrendamento ea quantidade aparentemente ilimitada de dinheiro vai para esses programas subversivos dos EUA.

USAID tem sido muito utilizado para “promover a democracia”, ou seja, para derrubar qualquer governo o governo dos EUA não gosta. Vários governos estrangeiros têm tomado as medidas corretas e proibiu as atividades da USAID em seus países. Mas com o uso de empresas de fachada em vários países e métodos semelhantes à CIA algum trabalho USAID crítico é off the record e, muitas vezes escondido atrás de programas aparentemente nativos e inofensivos. O trabalho USAID aberta e legal, por exemplo cerca de 65 projetos na Ucrânia , muitas vezes é apenas um disfarce para os seus projectos mais profundos.

Como no caso da história AP descobre vários outros serviços do governo USAID e pode criar e usar ferramentas on-line para influenciar as massas e abusar deles para seus próprios fins. Russia Today está promovendo um novo aplicativo através do qual as pessoas podem “votar” como em um Ocupar assembleia geral. Mas ao contrário de tal assembléia Ocupar, onde as pessoas estão fisicamente presentes, como um resultado da votação on-line podem facilmente ser manipuladas para simular um consenso para algo que não é consensual a todos.

É importante não só para estar ciente da manipulação possível, mas também para alertar os outros, especialmente os mais jovens, sobre o perigo de aceitar “virtuais” pessoas, movimentos e política como uma substituição do mundo real. Embora seja também possível manipular a realidade factual que é muito mais caro para fazer isso do que abusar do reino online “virtual”.

Enquanto USAID teve que criar um clone do Twitter para o seu fim em Cuba não tem que fazê-lo em outros países. Há Twitter já está estabelecido e pode ser facilmente (ab-) usado por governos estrangeiros, assim como a USAID tinha planejado para o seu clone Cuba. Bloqueio Twitter, como a Turquia tem feito recentemente, pode ser, por vezes, necessárias para prevenir EUA patrocinados “mudança de regime” empreendimentos.

Postado por b em 03 de abril de 2014 em 05:21

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Original

In Cuba Another U.S. Government Abuse Of Online Communication

The Associated Press has an interesting story about another USAID project to overthrow the government of Cuba. USAID used several front companies to create a Twitter like SMS phone service in Cuba which was, after becoming popular, supposed to be used to initiate anti-government flash mobs and civil strife:

At its peak, the project drew in more than 40,000 Cubans to share news and exchange opinions. But its subscribers were never aware it was created by the U.S. government, or that American contractors were gathering their private data in the hope that it might be used for political purposes.“There will be absolutely no mention of United States government involvement,” according to a 2010 memo from Mobile Accord, one of the project’s contractors. “This is absolutely crucial for the long-term success of the service and to ensure the success of the Mission.”

Somewhat astonishing is again the long term effort, the tenancy and the seemingly unlimited amount of money going into such subversive U.S. programs.

USAID has long been used to “promote democracy”, i.e. to overthrow any government the U.S. government does not like. Several foreign governments have have taken the right steps and banned USAID activities in their countries. But with the use of front companies in various countries and methods similar to the CIA some critical USAID work is off the record and often hidden behind seemingly native and harmless programs. The open and legal USAID work, for example some 65 projects in the Ukraine, is often only a cover for its deeper projects.

As in the case the AP story uncovers USAID and various other government services may create and use online tools to influence masses and abuse them for their own purpose. Russia Today is promoting a new app through which people can “vote” like in a Occupy general assembly. But unlike such an Occupy assembly, where people are physically present, such an online vote tally can be easily manipulated to pretend a consensus for something that is not consensual at all.

It is important not only to be aware of the possible manipulation but to also warn others, especially younger people, of the danger of accepting “virtual” persons, movements and politics as a replacement of the real world. While it is also possible to manipulate the factual reality it is much more expensive to do so than to abuse the “virtual” online realm.

While USAID had to create a Twitter clone for its purpose in Cuba it does not have to do so in other countries. There Twitter is already established and can be readily (ab-)used by foreign governments just like USAID had planned for its Cuba clone. Blocking Twitter, as Turkey has recently done, may be at times necessary to prevent U.S. sponsored “regime change” endeavors.

Posted by b on April 3, 2014 at 05:21 AM 

Por que o embargo econômico imposto pelos EUA a Cuba nunca tem fim?

20 nov
Postado em 09 nov 2013

Cuba Revolution at 50

Em junho de 2012, o banco holandês ING foi multado em 619 milhões de dólares pelo governo dos Estados Unidos. Essa multa não foi por ter feito lavagem de dinheiro, sonegado impostos, nem mesmo por lesar clientes. O grande crime cometido foi fazer negócios com Cuba.

Punir bancos estrangeiros que negociem com Cuba é o meio que o governo americano encontrou para impedir que esse país tenha acesso a crédito; algo fundamental para um país pobre se desenvolver.

O impedimento do acesso ao crédito é apenas uma pequena parte do embargo econômico imposto a Cuba. O governo americano impõe a todas as empresas do mundo a seguinte condição: “Se você fizer negócios com Cuba, não fará negócios comigo”. Como os EUA são o maior mercado consumidor do mundo, isso faz com que muitas empresas se afastem completamente de Cuba, restringindo bastante o mercado ao qual o país tem acesso. Isso prejudica o país de diversas formas, desde a aquisição de veículos até a compra de equipamentos para a indústria ou para os hospitais. Cuba tem um excelente sistema de saúde pública e ótimos médicos, mas possui grande dificuldade de aparelhar os hospitais de forma adequada, pois é comum ter o dinheiro para comprar os equipamentos de que precisa e não encontrar vendedores disponíveis.

Mesmo após encontrar um vendedor e efetuar a compra, surge um novo problema: se um navio for até Cuba entregar alguma coisa, durante 6 meses não poderá desembarcar nos EUA. Isso restringe a quantidade de navios disponíveis para a entrega e obriga o governo cubano a pagar bem mais caro para que algum dono de navio se disponha a fazer o frete.
Não satisfeitos com todas essas medidas, os EUA também atrapalham e muito o comércio exterior cubano, através da proibição da entrada nos EUA de qualquer produto que tenha sido fabricado com alguma matéria prima cubana. Por exemplo, se a montadora japonesa Nissan fabricar um carro usando o níquel extraído em Cuba, esse carro não poderá ser vendido nos EUA. Nem precisa pensar muito para perceber que nenhuma montadora de carro no mundo usará qualquer minério extraído em Cuba. Domesmo modo, nenhuma bebida poderia ser vendida nos EUA se fosse fabricada usando o açúcar cubano.
Tudo isso estrangula e muito a economia desse pequeno país caribenho. Você considera possível que algum país pobre se desenvolva tendo pouquíssimo acesso a crédito, tendo pouco acesso ao mercado mundial para comprar o que necessita, pagando bem mais caro pela entrega das compras e ainda por cima tendo um mercado consumidor bem restrito para os seus produtos? O embargo causa todos esses problemas a Cuba.
Na última terça-feira, 29 de outubro, a assembléia geral da Organização das Nações Unidas (ONU) votou pelo fim do embargo americano à Cuba pelo 22o ano consecutivo. Foram 188 países votando pelo fim do embargo, contra apenas dois países (EUA e Israel) favoráveis à manutenção dessa política.
Apesar de termos quase 99% dos países do mundo contrários ao embargo, isso não faz a menor diferença para o governo dos EUA, que decide manter essa absurda política ano após ano, mesmo sem ter quase nenhum apoio internacional.
A ONU tem poder para punir países pequenos, quando essa é a vontade dos países mais ricos, mas não tem poder algum para punir um país poderoso como os EUA, a Inglaterra, a Rússia ou a França. Cuba é um país minúsculo, com apenas 11 milhões de habitantes, ou seja, uma população quase do tamanho da cidade de São Paulo e com um PIB de apenas 121 bilhões de dólares (2012). É um país tão pequeno que não representa nem de longe qualquer ameaça militar ou econômica aos Estados Unidos. Mesmo assim, os EUA mantêm contra Cuba um embargo econômico de uma dimensão que normalmente só é vista em situações em que um país está em guerra contra os EUA. Qual o sentido disso?
A justificativa que é sempre usada pelo governo norte-americano é a de que o embargo é mantido pelo fato de Cuba manter um governo ditatorial. Porém eles nunca tiveram qualquer problema de consciência em fazer negócios com a Arábia Saudita, o Bahrein, a Líbia, o Egito e tantos outros países que mantinham (ou mantêm) ditadores ferozes no poder. Como os ditadores desses países se alinham politicamente com os EUA, o comércio com eles é mantido. Como o governo de Cuba, desde a revolução cubana, nunca se alinhou com a política norte-americana, o país recebe até hoje esse enorme castigo.
Essa estratégia de prejudicar a economia de um país é utilizada para jogar a população contra o governante local. Ela já foi usada diversas vezes na história. Uma bem conhecida ocorreu no Chile, com o presidente Salvador Allende. O governo americano, através da CIA, financiou uma greve de empresas de transporte, que causou um enorme problema de abastecimento no país, gerando uma grande crise interna e jogando parte da população contra o presidente.
No caso específico de Cuba, está mais do que provado que o embargo econômico quase não afeta a popularidade do governo cubano. O efeito do embargo é exatamente o contrário: joga a população contra o governo americano, culpando-o pela sua pobre economia, que tem enormes dificuldades de se erguer. No fim das contas, o governo americano aparece para os cubanos como o vilão da história e o governo cubano ganha a imagem de grande herói, que protege o povo cubano contra o imperialismo americano.

Havava  parece parada no tempo

Isso é visto com muita clareza na quase total ausência de protestos contra o governo em Cuba. É raro ver esse tipo de protesto por lá e mesmo quando ocorre, têm aproximadamente de 100 a 200 pessoas, nem chegando próximo do que se vê nos EUA, Europa, Brasil e tantos outros países com democracias ou ditaduras.
Por outro lado, as manifestações a favor do governo cubano e contra o governo dos EUA têm proporções monumentais. As manifestações de 1o de maio levam centenas de milhares às ruas. Os vídeos no Youtube e fotos publicadas das manifestações demonstram claramente a absurda diferença entre a quantidade de apoiadores e de dissidentes do governo em Cuba.
Hoje até mesmo boa parte dos dissidentes do governo já são contra o embargo, pois está mais do que provado que ele não tem força alguma para derrubar o governo. A conhecida blogueira dissidente Yoani Sanchez, em uma entrevista concedida nos EUA em março deste ano, manifesta sua opinião de que uma mudança de regime só poderia ocorrer após o fim do embargo econômico.
Se quase todos os países do mundo e parte dos dissidentes cubanos são contra o embargo, por que razão os EUA continuam mantendo essa política ano após ano
Fernando Morais, em seu livro “Os últimos soldados da Guerra Fria” explica as razões:

Nenhum presidente americano havia chegado à Casa Branca sem antes se submeter ao beija-mão dos chefões da diáspora cubana em Miami. A cada quatro anos, um Comitê de Ação Política […] irrigava com doações que chegavam a 10 milhões de dólares as campanhas eleitorais de cerca de 400 candidatos a deputado federal e senador […]. Bastava que defendessem os pontos de vista da diáspora cubana, que fossem comprometidos com a manutenção do bloqueio a Cuba e com todas as formas de luta para pôr fim ao regime comunista que imperava na ilha. Segundo a unanimidade dos observadores políticos, o poder do lobby cubano no congresso só perdia para o multimilionário AIPAC [lobby pró-Israel]…”

Independente de você ser defensor ou opositor do atual modelo político cubano, você deveria ser favorável ao fim do embargo econômico à ilha, pois Cuba só terá condições de se desenvolver, seja pela via socialista ou capitalista, a partir de quando o embargo não mais existir.
Com o fim do embargo, uma série de leis existentes que retiram liberdades dos cubanos não teriam mais sentido de existir. Hoje elas são claramente justificáveis e aceitas pelos cubanos, pelo permanente estado de guerra em que se sentem inseridos graças ao governo americano. É semelhante às leis absurdas aprovadas nos EUA, como o “Ato Patriótico”,  aceito pela maioria, sob a justificativa do medo por causa da guerra ao terrorismo.
No dia seguinte ao fim do embargo, provavelmente a sociedade iria pressionar o governo para que pusesse fim às restrições restantes que impedem a livre entrada e saída do país, o trabalho no exterior, a livre associação, a atividade comercial por conta própria, entre outras questões. A partir do momento em que o congresso americano pusesse fim ao bloqueio econômico, seria iniciada uma corrida contra o tempo em Cuba.
O governo cubano seria obrigado a desenvolver a economia o mais rápido possível, para provar que a culpa dos problemas econômicos era dos americanos e não do governo local. Caso não conseguisse desenvolver a economia em um tempo aceitável pela população, iria sucumbir, pois ficaria a impressão de que a culpa sempre foi do governo e não do embargo.
Caso o governo viesse a fazer concessões e permitisse mais liberdades na ilha,  como a permissão para que os cubanos se associassem livremente, independentemente do Estado, provavelmente novas forças políticas surgiriam, algumas favoráveis ao atual regime e outras contrárias, à esquerda e à direita, mas desta vez bem organizadas e legalizadas.
O que de fato acontecerá após o fim do embargo é imprevisível. O atual sistema político cubano pode acabar, ser reformado ou se tornar ainda mais aceito pela população. Tudo dependerá da capacidade do governo cubano em atender as necessidades da população. O governo não mais poderá usar a justificativa do embargo. Portanto terá de fazer o melhor trabalho possível ou a população não irá suportar viver na pobreza por muito tempo e poderá decretar o fim do domínio do Partido Comunista Cubano.
Fabiano Amorim
Sobre o Autor

Fabiano Amorim é nascido em Palmeiras dos Índios, e atualmente mora em Maceió, Alagoas. Ele escreve no blog http://fabiano-amorim.blogspot.com.br. É autor do aclamado documentário “Derrubaram o Pinheirinho”, sobre a reintegração de posse do acampamento Pinheirinho em São Jose dos Campos.

A matéria “Cubanos, para quê?” publicada na revista Veja seria hilária se não fosse criminosa by Maria Luiza Quaresma Tonelli

15 maio

A matéria “Cubanos, para quê?” publicada na revista Veja seria hilária se não fosse criminosa. Um amontoado de mentiras absurdas. A matéria é surreal. Merece uma resposta do governo Brasileiro, que pretende amenizar o problema da falta de médicos em municípios distantes e carentes desses profissionais, merece uma resposta das embaixadas de Cuba, da Bolívia e da Venezuela e, sobretudo, merece o cancelamento da assinatura desse lixo que vai para as escolas de São Paulo. Criticar uma ideologia, é uma questão de opinião da revista, mas mentir, desinformar e deformar a cabeça de quem lê tamanho absurdo não pode ser “liberdade de opinião” nem liberdade de expressão.
Aí vai um trecho da matéria sobre a decisão do governo brasileiro em trazer médicos cubanos (e de outros países também) para trabalhar em hospitais e regiões pobres e distantes das grandes cidades do Brasil:

“A medida terá, no mínimo, dois efeitos negativos. Primeiro, vai pôr em risco a saúde dos pacientes. Segundo, inundará o interiorzão do Brasil com agentes de uma nação estrangeira politicamente arcaica. A medicina cubana é uma das mais atrasadas do mundo. A maioria dos seus profissionais se forma sem nunca ter visto um aparelho de ultrassom, sem ouvir falar de um stent coronário e sem poder se atualizar pela internet. ‘Cuba gradua médicos em escala industrial. com formação incompleta’, diz Carlos Vital, vice-presidente do Conselho Federal de Medicina, que é contra projeto. Ele completa: ‘Pelos padrões do Brasil, os cubanos não poderiam sequer realizar procedimentos banais como ressuscitação ou traqueostomia’.
Ainda que na opinião do Itamaraty a qualidade do tratamento médico dado aos pacientes pobres não seja relevante, talvez valesse a pena considerar as consequências de permitir a entrada, no Brasil, de espiões estrangeiros disfarçados de agentes de saúde. O governo cubano não deixa que seus médicos viagem sozinhos. Se assim o fizesse, daria a eles a chance de fazer o que a maioria dos seus cidadãos tanto deseja: fugir da ilha-prisão e juntar-se a parentes no exterior. Para evitar que isso aconteça, o regime cubano envia um espião para cada cinco médicos exportados. Ou seja, do total de cubanos que o governo brasileiro pretende trazer, cerca de 1 200 serão agentes secretos. Na Venezuela, por exemplo, para onde Cuba enviou 40 000 médicos em troca de petróleo a preço de banana, os agentes infiltrados vestem jaleco branco (alguns nunca fizeram faculdade) e dormem nos mesmos alojamentos que os verdadeiros clínicos. A missão dos agentes é óbvia: garantir que os médicos não escapem. Por vezes, os espiões somem durante dias, sem dar explicação aos demais. Nessas ocasiões, eles voam para Cuba para prestar informações sobre o comportamento dos colegas. No retorno à Venezuela, trazem a mala carregada de charutos para vender no mercado negro. Um médico flagrado criticando a ditadura cubana ou tentando a liberdade pode ser punido com a anulação do diploma, a repatriação ou a recolocação para uma região da Venezuela com altos índices de criminalidade. Ainda assim, sete em cada dez médicos cubanos que aterrisam em Caracas mais cedo ou mais tarde fogem para outros países”.
E por aí vai o besteirol até o final da matéria.
Em suma, uma pessoa que acreditar em tamanha estultice, se cair de quatro não levanta nunca mais.

Maria Luiza Quaresma Tonelli
Filosofia e Política-Karl Marx026_Edu003

Nada de novo no Front ? by Maisa Paranhos

15 maio

OS EUA têm uma estratégia clara para criar uma opinião pública mundial: ao provocar , com cinismo, ingerência e arrogância, tenta publicizar uma Venezuela que só existe no desejo daquele Estado belicoso.
Alegando uma mentira já desgastada e sem nenhuma criatividade, esse Estado vem caluniando a respeito da “falta de respeito aos Direitos Humanos” na Venezuela.
Ora , eles sabem que ninguém mais acredita na estorinha pra boi dormir…
O que eu sei, é que eles começam assim, entrando pouco a pouco, de fininho; suas embaixadas e consulados são verdadeiros quarteis-generais do mais descarado golpismo; financiam setores nacionais , imprensa, “oposição indignada”; provocam a especulação de produtos de primeiras necessidades; criam o “caos” na imprensa nacional e a tão cantada e decantada estorietazinha caluniosa sobre os “direitos humanos”.
Qual é a aposta desses caras? Acreditam mesmo que vão convencer o mundo com o mesmo disco? Qual seria, esta aposta?
Creio que a opinião pública mundial sabe perfeitamente como agem os EUA.
Mas credito também, que quando ele tenta criar uma imagem de desorganização interna, de uma oposição “aviltada”, de uma população “desprotegida” e “presa” de um “Regime ditatorial”…tenta passar ( para o mundo afora) que uma parte da população está desprotegida; embaralha as informações, uma Venezuela “instável”, em que nem vale a pena investir, surge, e isso pode bastar para um mundo teleguiado pelo PIG internacional…
Assim tem sido…
Patrícia Verdugo , jornalista chilena, escreveu um pequeno livro “Como os EUA derrubaram Allende” em que deixa claríssima a ação daquele Estado no Chile e de tabela, na Latino -América. Nixon dizia quero ver o “economia gemer de dor”…E assim foi.
Hoje o Continente vem conquistando uma Integração que vai ganhando corpo e fragilizando a presença dos EUA em nosso Continente, com um mundo multipolar e um mercado diversificado, que não é mais escravo de suas imposições.
Porém as “noções”, as “ondas “, as emoções de um frenesi tão bem descrito no Rinoceronte de Ionesco, são a matriz da fertilidade fascista e irresponsável.
Determinados momentos da História, são tão graves, que preferimos, por vezes, uma reserva de energia emocional, preferimos não ter posições que nos demandem um comprometimento com o que sabemos.
E fingimos…
Bem , o que eu estou a dizer?
Que é preocupante a situação da Venezuela e, contra uma investida do Norte, A UNIDADE LATINO-AMERICANA É FUNDAMENTAL E NADA DISPENSÁVEL, AO CONTRÁRIO, MUITO BEM-VINDA A PRESENÇA DA CHINA EM CARACAS.
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Maisa Paranhos,diretamente do Facebook

Por que o CFM tem medo dos médicos cubanos?

10 maio

Médicos cubanos assustam o Conselho Federal de Medicina. Corporativistas temem que mudança do foco no atendimento abale o sistema mercantil de saúde do Brasil

A virulenta reação do Conselho Federal de Medicina (CFM) contra a vinda de seis mil médicos cubanos para trabalhar em áreas absolutamente carentes do país é muito mais do que uma atitude corporativista: expõe o pavor que uma certa elite da classe médica tem diante dos êxitos inevitáveis do modelo adotado na ilha, que prioriza a prevenção e a educação para a saúde, reduzindo não apenas os índices de enfermidades, mas sobretudo a necessidade de atendimento e os custos com a saúde.
Essa não é a primeira investida radical do CFM e da Associação Médica Brasileira contra a prática vitoriosa dos médicos cubanos entre nós. Em 2005, quando o governador de Tocantins não conseguia médicos para a maioria dos seus pequenos e afastados municípios, recorreu a um convênio com Cuba e viu o quadro de saúde mudar rapidamente com a presença de apenas uma centena de profissionais daquele país.
A reação das entidades médicas de Tocantins, comprometidas com a baixa qualidade da medicina pública que favorece o atendimento privado, foi quase de desespero. Elas só descansaram quando obtiveram uma liminar de um juiz de primeira instância determinando em 2007 a imediata “expulsão” dos médicos cubanos.

No Brasil, o apego às grandes cidades

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Dos 371.788 médicos brasileiros, 260.251 estão nas regiões Sul e Sudeste (Foto:
Neste momento, o governo da presidenta Dilma Rousseff só está cogitando de trazer os médicos cubanos, responsáveis pelos melhores índices de saúde do Continente, diante da impossibilidade de assegurar a presença de profissionais brasileiros em mais de um milhar de municípios, mesmo com a oferta de vencimentos bem superiores aos pagos nos grandes centros urbanos.
E isso não acontece por acaso. O próprio modelo de formação de profissionais de saúde, com quase 58% de escolas privadas, é voltado para um tipo de atendimento vinculado à indústria de equipamentos de alta tecnologia, aos laboratórios e às vantagens do regime híbrido, em que é possível conciliar plantões de 24 horas no sistema público com seus consultórios e clínicas particulares, alimentados pelos planos de saúde.
Mesmo com consultas e procedimentos pagos segundo a tabela da AMB, o volume de clientes é programado para que possam atender no mínimo dez por turnos de cinco horas. O sistema é tão direcionado que na maioria das especialidades o segurado pode ter de esperar mais de dois meses por uma consulta.
Além disso, dependendo da especialidade e do caráter de cada médico, é possível auferir faturamentos paralelos em comissões pelo direcionamento dos exames pedidos como rotinas em cada consulta.

Sem compromisso em retribuir os cursos públicos

Há no Brasil uma grande “injustiça orçamentária”: a formação de médicos nas faculdades públicas, que custa muito dinheiro a todos os brasileiros, não presume nenhuma retribuição social, pelo menos enquanto não se aprova o projeto do senador Cristóvam Buarque, que obriga os médicos recém-formados que tiveram seus cursos custeados com recursos públicos a exercerem a profissão, por dois anos, em municípios com menos de 30 mil habitantes ou em comunidades carentes de regiões metropolitanas.

Cruzando informações, podemos chegar a um custo de R$ 792 mil para o curso de um aluno de faculdades públicas de Medicina, sem incluir a residência. E se considerarmos o perfil de quem consegue passar em vestibulares que chegam a ter 185 candidatos por vaga (Unesp), vamos nos deparar com estudantes de classe média alta, isso onde não há cotas sociais.
Um levantamento do Ministério da Educação detectou que na medicina os estudantes que vieram de escolas particulares respondem por 88% das matrículas nas universidades bancadas pelo Estado. Na odontologia, eles são 80%.
Em faculdades públicas ou privadas, os quase 13 mil médicos formados anualmente no Brasil não estão nem preparados, nem motivados para atender às populações dos grotões. E não estão por que não se habituaram à rotina da medicina preventiva e não aprenderam como atender sem as parafernálias tecnológicas de que se tornaram dependentes.

Concentrados no Sudeste, Sul e grandes cidades

Números oficiais do próprio CFM indicam que 70% dos médicos brasileiros concentram-se nas regiões Sudeste e Sul do país. E em geral trabalham nas grandes cidades. Boa parte da clientela dos hospitais municipais do Rio de Janeiro, por exemplo, é formada por pacientes de municípios do interior.
Segundo pesquisa encomendada pelo Conselho, se a média nacional é de 1,95 médicos para cada mil habitantes, no Distrito Federal esse número chega a 4,02 médicos por mil habitantes, seguido pelos estados do Rio de Janeiro (3,57), São Paulo (2,58) e Rio Grande do Sul (2,31). No extremo oposto, porém, estados como Amapá, Pará e Maranhão registram menos de um médico para mil habitantes.

A pesquisa “Demografia Médica no Brasil” revela que há uma forte tendência de o médico fixar moradia na cidade onde fez graduação ou residência. As que abrigam escolas médicas também concentram maior número de serviços de saúde, públicos ou privados, o que significa mais oportunidade de trabalho. Isso explica, em parte, a concentração de médicos em capitais com mais faculdades de medicina. A cidade de São Paulo, por exemplo, contava, em 2011, com oito escolas médicas, 876 vagas – uma vaga para cada 12.836 habitantes – e uma taxa de 4,33 médicos por mil habitantes na capital.
Mesmo nas áreas de concentração de profissionais, no setor público, o paciente dispõe de quatro vezes menos médicos que no privado. Segundo dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar, o número de usuários de planos de saúde hoje no Brasil é de 46.634.678 e o de postos de trabalho em estabelecimentos privados e consultórios particulares, 354.536.Já o número de habitantes que dependem exclusivamente do Sistema Único de Saúde (SUS) é de 144.098.016 pessoas, e o de postos ocupados por médicos nos estabelecimentos públicos, 281.481.

A falta de atendimento de saúde nos grotões é uma dos fatores de migração. Muitos camponeses preferem ir morar em condições mais precárias nas cidades, pois sabem que, bem ou mal, poderão recorrer a um atendimento em casos de emergência.
A solução dos médicos cubanos é mais transcendental pelas características do seu atendimento, que mudam o seu foco no sentido de evitar o aparecimento da doença. Na Venezuela, os Centros de Diagnósticos Integrais espalhados nas periferias e grotões, que contam com 20 mil médicos cubanos, são responsáveis por uma melhoria radical nos seus índices de saúde.

Cuba é reconhecida por seus êxitos na medicina e na biotecnologia

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Estudantes estrangeiros na Escola Latino-Americana de Medicina

Em sua nota ameaçadora, o CFM afirma claramente que confiar populações periféricas aos cuidados de médicos cubanos é submetê-las a profissionais não qualificados. E esbanja hipocrisia na defesa dos direitos daquelas pessoas.

Não é isso que consta dos números da Organização Mundial de Saúde. Cuba, país submetido a um asfixiante bloqueio econômico, mostra que nesse quesito é um exemplo para o mundo e tem resultados melhores do que os do Brasil.
Graças à sua medicina preventiva, a ilha do Caribe tem a taxa de mortalidade infantil mais baixa da América e do Terceiro Mundo – 4,9 por mil (contra 60 por mil em 1959, quando do triunfo da revolução) – inferior à do Canadá e dos Estados Unidos. Da mesma forma, a expectativa de vida dos cubanos – 78,8 anos (contra 60 anos em 1959) – é comparável a das nações mais desenvolvidas.
Com um médico para cada 148 habitantes (78.622 no total) distribuídos por todos os seus rincões que registram 100% de cobertura, Cuba é, segundo a Organização Mundial de Saúde, a nação melhor dotada do mundo neste setor.
Segundo a New England Journal of Medicine, “o sistema de saúde cubano parece irreal. Há muitos médicos. Todo mundo tem um médico de família. Tudo é gratuito, totalmente gratuito. Apesar do fato de que Cuba dispõe de recursos limitados, seu sistema de saúde resolveu problemas que o nosso [dos EUA] não conseguiu resolver ainda. Cuba dispõe agora do dobro de médicos por habitante do que os EUA”.
O Brasil forma 13 mil médicos por ano em 200 faculdades: 116 privadas, 48 federais, 29 estaduais e 7 municipais. De 2000 a 2013, foram criadas 94 escolas médicas: 26 públicas e 68 particulares.

Formando médicos de 69 países

Em 2012, Cuba, com cerca de 13 milhões de habitantes, formou em suas 25 faculdades, inclusive uma voltada para estrangeiros, mais de 11 mil novos médicos: 5.315 cubanos e 5.694 de 69 países da América Latina, África, Ásia e inclusive dos Estados Unidos.
Atualmente, 24 mil estudantes de 116 países da América Latina, África, Ásia, Oceania e Estados Unidos (500 por turma) cursam uma faculdade de medicina gratuita em Cuba.
Entre a primeira turma de 2005 e 2010, 8.594 jovens doutores saíram da Escola Latino-Americana de Medicina. As formaturas de 2011 e 2012 foram excepcionais com cerca de oito mil graduados. No total, cerca de 15 mil médicos se formaram na Elam em 25 especialidades distintas.
Isso se reflete nos avanços em vários tipos de tratamento, inclusive em altos desafios, como vacinas para câncer do pulmão, hepatite B, cura do mal de Parkinson e da dengue. Hoje, a indústria biotecnológica cubana tem registradas 1.200 patentes e comercializa produtos farmacêuticos e vacinas em mais de 50 países.

Presença de médicos cubanos no exterior

Desde 1963, com o envio da primeira missão médica humanitária à Argélia, Cuba trabalha no atendimento de populações pobres no planeta. Nenhuma outra nação do mundo, nem mesmo as mais desenvolvidas, teceu semelhante rede de cooperação humanitária internacional. Desde o seu lançamento, cerca de 132 mil médicos e outros profissionais da saúde trabalharam voluntariamente em 102 países.
No total, os médicos cubanos trataram de 85 milhões de pessoas e salvaram 615 mil vidas. Atualmente, 31 mil colaboradores médicos oferecem seus serviços em 69 nações do Terceiro Mundo.
No âmbito da Alba (Aliança Bolivariana para os Povos da Nossa América), Cuba e Venezuela decidiram lançar em julho de 2004 uma ampla campanha humanitária continental com o nome de Operação Milagre, que consiste em operar gratuitamente latino-americanos pobres, vítimas de cataratas e outras doenças oftalmológicas, que não tenham possibilidade de pagar por uma operação que custa entre cinco e dez mil dólares. Esta missão humanitária se disseminou por outras regiões (África e Ásia). A Operação Milagre dispõe de 49 centros oftalmológicos em 15 países da América Central e do Caribe. Em 2011, mais de dois milhões de pessoas de 35 países recuperaram a plena visão.
Quando se insurge contra a vinda de médicos cubanos, com argumentos pueris, o Conselho Federal de Medicina (CFM) adota também uma atitude política suspeita: não quer que se desmascare a propaganda contra o regime de Havana, segundo a qual o sonho de todo cubano é fugir para o exterior. Os mais de 30 mil médicos espalhados pelo mundo permanecem fiéis aos compromissos sociais de quem teve todo o ensino pago pelo Estado, desde a pré-escola e de que, mais do que enriquecer, cumpre ao médico salvar vidas e prestar serviços humanitários.

Por Pedro Porfírio, em seu blog
http://www.blogdoporfirio.com/2013/05/para-alem-do-bloqueio-aos-medicos.html

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