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É isso que eu sei e sinto pelo resto de todos os meus dias.( Francisco Costa)

8 jan

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“Lula está velho, debilitado por um câncer que ainda é um
fantasma para ele, caluniado de todas as maneiras, tendo que se defender, desviando energias da luta coletiva para a luta pessoal, assustado.
No evento da ABI, aqui no Rio, eu estive a pouco mais de dois metros do Lula e é evidente a preocupação dele, procurando sair rapidamente do meio da multidão, com os olhos percorrendo todos os cantos, como se procurasse francos atiradores, como se amarrado pelos inimigos,…”
Acredito que ninguém neste país tenha sofrido uma tão impiedosa e cruel tortura psicológica, pública, quanto Lula.
Talvez quem mais tenha se aproximado foi Luis Carlos Prestes, mas teve a alternativa de se afastar, indo para a Rússia, ao contrário de Lula, que aqui resiste, bravamente.
Desde a ditadura militar Lula é investigado, tem a vida esmiuçada, fuçada, virada ao avesso, na busca de ilícitos, com uma única prisão, logo relaxada, na ditadura, por subversão, incitação à desordem pública, quando sindicalista. Nada previsto no Código Penal, capaz de caracterizar crime comum, desonestidade.
Candidato contra Collor, o que se viu foi ser atribuído a ele os mesmos pecados do adversário, com a mídia omitindo, escondendo os do adversário.
No debate final, na tevê, a Globo entregou sinopses, no ar, ao vivo, aos dois candidatos. A de Collor, altamente detalhada, com informações capazes de desestabilizar eleitoralmente o adversário. A de Lula, folhas de papel em branco, sem nada escrito.
Nas eleições seguintes, as mesmas histórias, as mesmas mentiras, as mesmas calúnias, com o adversário blindado pela mídia, com os seus crimes e pecados sob o tapete.
Finalmente Lula foi eleito e, contrariando prognósticos, chegou a ter mais de 80% da confiança do povo brasileiro, nos tirando da condição de devedor para credor, expandindo o mercado interno, fortalecendo o parque industrial do país, a rede de comércio varejista e atacadista, multiplicando o PIB e as reservas cambiais, tudo com justiça social, aumentando a fatia dos até então deserdados, através de aumentos reais nos salários e programas sociais, um tiro nos conservadores, na burguesia, na classe dominante, que se julga proprietária desse país.
Talvez tenha sido o único mandatário, em toda a História Universal, a fazer o seu país saltar de décima sexta economia do planeta para oitava, em oito anos, superando um país por ano, na média.
Foi preciso desconstruí-lo, destruí-lo, desmoralizá-lo, arrancá-lo dos corações e mentes dos brasileiros, e começou a covardia, o ódio cego e animalesco, e nasceu o processo do Mensalão.
Joaquim Barbosa, inteligentíssimo, pertinaz, determinado, fazendo o seu próprio códido de leis e processo penal, tinha objetivo único: acabar com a carreira de Lula.
Omitiu documentos, alterou textos nos autos do processo, invalidou depoimentos… Fez o que os bandidos fazem nos morros cariocas, ao justiçarem os das facções rivais.
Atingiu a tudo e a todos, aos mais próximos de Lula, sem conseguir sequer indícios que incriminassem o presidente.
Para mais dessesperar o fascismo pátrio, Lula fez a sua sucessora, o bastante para tornar-se dono da Friboi, da Esalq, uma universidade pública, de mega empresas e latifúndios espalhados por todo esse país, com os filhos proprietários de jatinhos, iates, mansões… Só existentes na mídia, nas passeatas financiadas no exterior e nas cabeças de inocentes úteis e assalariados da infâmia.
Foi pouco, a dimensão de Lula sobrepôs-se, e veio a Lava Jato, e todo o bilionário patrimônio da família Lula da Silva reduziu-se a um modesto sítio e um apartamento, triplex, em uma praia.
Sérgio Fernando Moro, um arremedo de Joaquim Barbosa piorado, porque de primeira instância e não ministro do STF, como se supõe, com muito menos inteligência e escrúpulos, reteve documentos, desqualificou testemunhas chave, direcionou depoimentos, fez alardes midiáticos, com prestimosa ajuda da banda fétida, deteriorada, corrompida, do Ministério público, e o máximo que conseguiram foi “convicções”, alguma coisa ligada às religiões, às crendices, menos à inteligência e à jurisprudência.
Impossibilitados de imputar culpas em território nacional, a Lula, a Polícia Federal e os serviços de inteligência norte-americanos e suíços debruçaram-se sobre o submundo da corrupção e da roubalheira internacionais, em busca de contas secretas de Lula, de empresas fantasmas, de Lula, em paraísos fiscais, e quanto mais vasculharam mais esterco dos seus encontraram, e de Lula, nada.
Por fim, chegaram na Odebrecht, quartel general da corrupção, segundo a nazijustiça brasileira, e nas planilhas, dossiês e borderôs toda a direita brasileira, todos os golpistas brasileiros, todos os norte-americanos casualmente nascidos no Brasil figurando como beneficiários de roubos, a começar pelo atual e ilegítimo presidente, passando por boa parte dos seus ministros, arrastando boa parte do Legislativo e até coroadas cabeças do judiciário, mas sobre Lula… Que torce para o Corinthians.
Das onze testemunhas de acusação, das falcatruas, desmandos e opróbrios cometidos por Lula, onze depoimentos inocentando-o, “não sei, excelência”, “não tive conhecimento, excelência”, “não acredito, excelência”… Com a excelência, funcionária dos serviços de inteligência norte-americanos, nadando nas pedras.
Esgotado todo o repertório, um insígne e desconhecido deputado apresentou uma PEC alterando a Constituição, impedindo que a Presidência da República seja exercida por uma mesma pessoa por mais de duas vezes, consecutivas ou não, lei que apropriadamente já está sendo chamada de “Barra Lula”, e para qualquer um que tenha pelo menos resquícios de miúda e limitada inteligência está tudo muito claro: “usando as leis, burlando as leis, adaptando as leis não conseguimos acabar com o cara. É preciso criarmos leis novas, destinadas exclusivamente a acabar com ele”.
Tudo isto seria maravilhoso numa peça de ficção, num romance ou filme de perseguição implacável, com todas as nuances da sordidez de que é capaz a maldade humana, mas aconteceu e está acontecendo na vida real, com um senhor, já idoso, com netos, um ser humano como eu e você.
Lula não tem paz, imagino que já não consiga dormir direito, com ideia única, atormentando-o: defender-se, pois sabe que esta famigerada PEC Barra Lula é a penúltima tentativa de neutralizá-lo.
A última poderá ser um tiro.”

Francisco Costa ( Via René Amaral -Facebook)

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“Grave momento”

22 abr

Brasil de Fato2

No Oscar de 1977,Vanessa Redgrave fez um discurso pró-palestina
ao ganhar a estatueta.
O evento poderia não ser o mais correto para essa denúncia,mas o momento
e o destaque da mídia internacional para esse evento era o mais propício,
para ser ouvido.
E tem um detalhe muito importante, que muita gente desconhece.
A industria de entretenimento,nos EUA é controlada até hoje por judeus,portanto
Vanessa Redgrave foi muito corajosa ao fazer essa denúncia num terreno totalmente
contrário as suas convicções.
Será que a atriz tinha muito a perder?
Sim e muito.
Atuar é o seu trabalho,o teu sustento.
Podemos traçar um paralelo, com o evento que trata da redução de emissão de dióxido de
carbono e mudanças climáticas, na Organização das Nações Unidas, com o Oscar de 1977?
Não e sim.
Muitos estão dizendo que o evento, não tem nada a ver com política interna brasileira e
sim com situação climática global.
Mas nossa presidenta poderia reservar pelo menos 40 segundos de sua fala e denunciar
a realidade hoje no Brasil.
O “grave momento”naqual já não existe Estado Democrático de Direito no Brasil.
Estamos em situação de exceção, sob um golpe de Estado,com amplos setores do
Judiciário,Legislativo e mídia alinhados com os golpistas, enquanto o Executivo
persiste nos erros primários que nos conduziram a esta crise.
Não dá mais para “conciliações”;vide a surrealidade do Parlamento, o sono profundo do
Supremo, e a alegria da mídia.
Chega de “republicanismo”.
A hora é agora.
Quem vai perder com tudo isso são os 54 milhões de eleitores e o mais importante é a
democracia que a tempos já está perdendo a sua face.

Carlos Roberto Rocha III

Para meus amigos músicos, um adendo.

17 abr

Lula_rio
Para meus amigos músicos que ainda tem dúvida, do que está acontecendo no país, vou deixar uma relação de sites e blogs progressivos nacionais e internacionais para que aja uma consulta nesses sites, que os ajudem a elucidar e principalmente discernir todo esse massivo e dioturno ataque nos noticiários da mídia conservadora(Globo,Veja,Folha/Uol e Estadão) contra o governo Dilma.
Sei como é difícil para a “geração JornalNacional”,aceitar ou acreditar que exista uma outra versão, para o que acontece não somente agora, mas desde Getulio,passando por Jango,Juscelino,Brizola e agora Lula e Dilma.
A história do Brasil nos conta que todos os governos(desde de Vargas até hoje) que ousaram lutar contra a desigualdade social e contra a mãe de todas as desigualdades que é a mídia nacional(braço direito do capital internacional) pagaram um preço muito alto.
Então parafraseando Gregório Duvivier, a geração JornalNacional são vítimas, não golpistas.
Não tem a mínima idéia do que está acontecendo nas profundezas dessa crise.
Vai um atalho.
Não tem nada a ver com corrupção.
Essa infelizmente vai continuar a céu aberto caso o impeachment da presidenta Dilma acontecer.
Os que querem o impeachment(mídia,empresariado,políticos,judiciário e corporações internacionais) não querem acabar com a corrupção pois o combate a tempos está acontecendo nos governos petistas, que deu toda a liberdade e autonomia para a PF, procuradores,judiciário,STF etc.. trabalharem sem nenhuma intromissão.
__Ah mais porque a corrupção só apareceu agora nos governos Lula e Dilma?
__Porque durante a ditadura havia a censura e a mídia(Globo,Folha,Estadão etc..)que apoiava a ditadura e nos governos tucanos de FHC eles engavetavam e blindavam na mídia(Globo e Folha) todos os processos que envolviam os tucanos(que acontecem até hoje).
A própria Lava Jato de Moro é uma farsa pois êles são seletivos:. só valem empresários e políticos que delatarem petistas,mais precisamente Lula e Dilma.
Saiu uma lista enorme de políticos do PSDB (Aécio,Aloysio Nunes,Anastasia,Carlos Sampaio,José Serra,Fernando Henrique,Sergio Guerra e outros) e do PMDB que o probo juiz Moro escondeu , ou melhor, engavetou mesmo, assim como êle fez com o processo do Banestado que envolvia tucanos; Globo simplesmente silenciou ou deu uma notinha de 3 a 5 segundos.
Agora o maior exemplo de que a Lava Jato é uma farsa, é o caso de “Eduardo Cunha” presidente do Congresso Nacional.
Sergio Moro sabia desde 2006 das falcatruas de Cunha, mas precisou um procurador da Suiça explodir com as noticias das contas secretas dele na Suiça.Daí foi só lama; uma atrás da outra e Moro nada, caladinho da silva.
Moro tem a pachorra de perseguir uma velhinha(mãe de Dirceu) de 94 anos, mas não prende a mulher e filha de Cunha que são cumplices em vários crimes.
Daí eu faço a pergunta:.
__Meus amigos músicos, vocês realmente acreditam num processo de impeachment, ou melhor numa paralização da democracia e num tapa na nossa tão jovem Constituição,patrocinado por um SINDICATO DE LADRÕES.( 60% dos políticos da comissão do impeachment estão com problemas na justiça).
E Dilma, nada. Nenhuma mancha na vida dessa grande e guerreira mulher.
Nada,nada.
Então meus amigos, se vocês querem ainda acreditar nos Williams(Bonner e Waack) da vida,na GloboNews,no Bolsonaro, na Folha/Uol,na Band, na Sheherazade,no Olavo de Carvalho ou no Pondé etc.., problema seu.
”Eu tô fora” a muito tempo.
Carlos Roberto Rocha III

Segue abaixo uma lista se Sites e Blogs Progressivos Nacionais e Internacionais 

É só colocar na busca do “UncleGoogle” 

 

Brasil 247__Diario do Centro do Mundo__JornalGGN (Luis Nassif)__

Carta Capital__Carta Maior__ Rede Brasil Atual__Brasil de Fato__

Observatório da Imprensa__Opera Mundi__ Cafezinho__Diplomatique.org.br__Tijolaço__Blog da Cidadania__
Viomundo__Portal Revista Forum__Paulo Moreira Leite__Outras Palavras.net__
Tereza Cruvinel __Janio de Freitas na Folha__Rogerio Cerqueira Leite__

Blog do Miro ____Ricardo Melo (Folha e Portal EBC__)Alex Solnik( Brasil 247)__
Bob Fernandes(TerraBlogs)__Diplo.org.br__Blog do Sakamoto__

Outras Palavras.net_Diplo.org.br__O Escrevinhador-Rodrigo Viana__

__Conversa Afiada( Paulo H. Amorim)_
_Blog do Rovai__Luiz Muller__BR29__ Brasil Debate__Leonardo Boff__
_Conexao jornalismo__ Contexto Livre__Claudia Wallin__Novas Cartas Persas__
_Democracia e Conjuntura__Ligia Deslandes__Marcelo Mirisola Blog__
_Wanderlei Guilerme dos Santos__José Luiz Quadros de Magalhães__
Evandro Carvalho(sobre a China)__Buteco do Edu__

Olho No Texto.wordpress.com_
Zé Dirceu__APublica.org__TVT.Org.br_Adital__Sul21__
Sites Internacionais Progressivos 1

Wikileaks___Moon of Alabama__Voltairenet.org__Actualidad.rt __
Telesurtv.net__The Guardian__TheGuardian.com/uk__Salon.com___
BBC.co.uk/portuguese/__Voltaire Net__NewLeftReview.org__
Sputniknews.com__OrienteMidia.org__The Intercept__
ThisCantBeHappening.net__Gazeta Russa__Counter Punch__
Iran News__Iran.Ru__IPE-Paul Craig Roberts__Asia Times__
What They Say about __NEO New Eastern Outlook__
Steve Lendman Blog__Jornal of Democracy__
Global I.Journalism Network__Axi Sof Logic__
Awd News__Uruknet__Lahaine.org__Bloco.org__Monthly Review.org__
Xatoo__Lenta.ru__The Free Thought Project__Mundo.Sputnik__
RT.com__Sana.Sy__Diario Liberdade__Mondialisation.ca__Global Research.ca__
Nodal.am__Rebelion.org__Esquerda.net__Socialismo-o-Barbarie.org__
La Jornada.Unam.mx__Punto Final.cl__Pagina12__TheRealNewsNetwork__
Activist Post__Antiwar__Boiling Frogs Post__Blacklisted News__
Counter Punch__Global Research.__Land Destroyer__Info Wars__
Tarpley__Tom Dispatch__Foreign Policy Journal__Information Clearing House__
Modern Tokyo Times__

#AbaixoAoFascismo

#NãoVaiTerGolpe

#ForaCunha

#ForaAécio

#ForaTemer

#OPovoNãoÉBoboAbaixoARedeGlobo

2016 não é 1964, por Maisa Paranhos

29 mar

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Nostalgias à parte, com todo o nosso saudosismo dos anos 60, o povo hoje está muito mais organizado.

Hoje temos a experiência do golpe de 1964 e a história é um ótimo aprendizado.

Não, não passarão.

Que se prepare Brasília.

Que se prepare a Paulista.

Que se prepare a Cinelândia.

BH, BA…

E todos os beneficiados do bolsa família, e todos os integrantes do MST, do MTST, CUT, dos estudantes, dos metalúrgicos e petroleiros.

Que se preparem todos os que sofreram o racismo sem amparo da lei, os homossexuais que eram surrados sem a menos defesa em seu direito do livre exercício de si.

Que se juntem as mães pobres que têm seus filhos nas Universidades.

Que se juntem nossos artistas, nossos intelectuais, nossos meninos de rua e das favelas.

Que se juntem e se unam os que nem sonhar podiam…

Pois defenderemos a nossa existência.

Que todos se levantem!

Não foi à toa que nossa juventude generosa verteu o seu sangue na tortura.

Não foi à toa que nossos exilados sofreram o “mal du país”, com sua tristeza profunda pela distância de sua pátria.

Não foi à toa que tantos se suicidaram no exílio.

Não foi à toa que muitos enlouqueceram.

Não.

Nossa democracia vale mais do que ouro.

Nossa democracia vem das esferas profundas de nosso povo reprimido e oprimido.

E que teve, finalmente, com os governos petistas, um lugar ao sol e teve sonhos realizados.

A resistência será enorme!

Foto do perfil de Maisa Paranhos

Maisa Paranhos

 

Apenas pela Constituição, e nada mais

24 mar

 

Por Apaminondas Democrito Davila
“Covardes seríamos, se tolerássemos a violação da Constituição e das leis. Covardes seríamos, se aceitássemos ser tutelados por juízes de primeira instância e pela mídia. Mas estamos na trincheira da constituição e da legalidade e combatemos o bom combate.”

Como o Ministro Lewandowski poderia iniciar a sessão que julgará pedido de Habeas corpus de Lula

Discurso do presidente Ricardo Lewandowski na abertura da sessão extraordinária do Supremo Tribunal Federal durante o recesso da semana de páscoa de 2016. Um sonho

Excelentíssimas senhoras ministras Carmen Lúcia e Rosa Weber, Excelentíssimos senhores ministros,

A gravidade da situação política, de todos conhecida, levou-me a convocar essa sessão extraordinária do Supremo Tribunal Federal. O tribunal deve deliberar sobre dois temas:

1. A admissibilidade da ordem de Habeas Corpus (com pedido de liminar) impetrada em 20 de março do corrente ano em favor do Ministro Luís Inácio Lula da Silva.

2. A constitucionalidade de medidas recentes do juiz federal de primeira instância Sérgio Fernando Moro, da 13ª Vara Criminal de Curitiba.

Sobre o primeiro tema ouviremos logo a relatora, Ministra Rosa Weber.

Com relação ao segundo, o Supremo Tribunal Federal tem a obrigação constitucional de encerrar definitivamente a discussão em torno da divulgação de interceptações telefônicas feitas por enquanto duas vezes na semana passada com autorização do juiz Sérgio Fernando Moro, de Curitiba.

Não tenho a menor dúvida que o entendimento majoritário dessa corte será pela preservação do Estado de Direito, tal como definido na Constituição de 1988, que nos vincula a todos, aos juízes de todas as instâncias, aos membros do Ministério Público em todas as instâncias, aos membros da Polícia Federal, a todos os membros de órgãos públicos e aos cidadãos. Ninguém está acima da constituição e das leis.

Ao fazer essas considerações preliminares, socorro-me de dois pronunciamentos do Ministro Marco Aurélio, feitos em 4 e 20 de março de 2016. Nunca será demais repetir as palavras de Vossa Excelência:

“A situação chegou a um patamar inimaginável. Eu penso que nós precisamos deixar as instituições funcionarem segundo o figurino legal, porque fora da lei não há salvação.” Como se não bastasse, o Ministro Marco Aurélio disse ainda: “A atuação do Judiciário brasileiro é vinculada ao direito positivo, que é o direito aprovado pela casa legislativa ou pelas casas legislativas. Não cabe atuar à margem da lei. À margem da lei não há salvação. Se for assim, vinga que critério? Não o critério normativo, da norma a qual estamos submetidos pelo princípio da legalidade. Ninguém é obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei. Se o que vale é o critério subjetivo do julgador, isso gera uma insegurança muito grande.”

Atribui-se ao filósofo grego Heráclito a seguinte afirmação: “Os cidadãos devem lutar pela lei como lutam pela defesa das muralhas da sua cidade.” Basta ligar a televisão, basta ler a mídia impressa, basta ouvir manifestações radiofônicas, basta freqüentar por alguns minutos a discussão muitas vezes emocional no Facebook e em outros veículos para verificar que esse entendimento não é mais consensual entre nós. Até entre os operadores do direito as posições divergem, como mostra o conflito na Ordem dos Advogados.

Num extremo temos os que defendem as muralhas da constituição. Noutro, os que se comportam como inimigos da constituição, combatendo-a abertamente ou flexibilizando-a, enfraquecendo-a aqui e ali. O que os anima? Pressinto um desejo inconfessável de ver se a sociedade e o STF façam vista grossa.

Com o desassombro que lhe é peculiar, o eminente Ministro Marco Aurélio disse do juiz Sérgio Fernando Moro: “Ele não é o único juiz do país e deve atuar como todo juiz. Agora, houve essa divulgação por terceiros de sigilo telefônico. Isso é crime, está na lei. Ele simplesmente deixou de lado a lei. Isso está escancarado e foi objeto, inclusive, de reportagem no exterior.”

Permito-me acrescentar, Ministro Marco Aurélio, que entrementes isso já é objeto de várias reportagens no exterior. Não me furto a citar aqui mais uma vez as palavras de Vossa Excelência:

“Não se avança culturalmente, atropelando a ordem jurídica, principalmente a constitucional. O avanço pressupõe a observância irrestrita do que está escrito na lei de regência da matéria. Dizer que interessa ao público em geral conhecer o teor de gravações sigilosas não se sustenta. O público também está submetido à legislação.”

O Ministro Marco Aurélio não é voz isolada. Cito exemplificativamente um breve pronunciamento do Ministro Luís Roberto Barroso, de 12 de setembro de 2013, feito nesta sala: “Não estou almejando ser manchete favorável. Sou um juiz constitucional, me pauto pelo que acho certo ou correto. O que vai sair no jornal no dia seguinte, não me preocupa. Eu cumpro o meu dever. Se a decisão for contra a opinião pública, é porque este é o papel de uma Corte constitucional.” Disse ainda o Ministro Luís Roberto: “[…] não julgamos para a multidão. […] Eu não estou aqui subordinado à multidão, estou subordinado à Constituição.”

Como a evocar Heráclito, o Ministro Marco Aurélio disse do Supremo Tribunal Federal: “É a última trincheira da cidadania. Quando o Supremo falha, você não tem a quem recorrer.”

Ao citar as palavras dos meus colegas, antecipo aqui a minha posição. Tenho a certeza de que ela será endossada por todos os membros da corte.

Vamos, pois defender a constituição e a lei como uma trincheira. Ao fazermos isso, mostraremos a todos os operadores do direito, juízes, promotores, procuradores da República, mas também aos agentes da Polícia Federal, bem como à sociedade em geral que a nossa Constituição e as leis da república são eficazes e vinculantes. Prestaremos dessarte uma contribuição decisiva à pacificação dos conflitos na sociedade, exacerbados nas últimas semanas.

Este tribunal desconhece ministros covardes. Covardes seríamos, se tolerássemos a violação da constituição e das leis. Covardes seríamos, se aceitássemos ser tutelados por juízes de primeira instância e pela mídia. Mas estamos na trincheira da constituição e da legalidade e combatemos o bom combate.

*Apaminondas Democrito Davila é o nome ficcional de um jurista, filósofo e professor emérito aposentado.

Existem dois grandes campos na conjuntura de hoje: golpistas e não golpistas’

15 dez

Sul21 – Jornalista formada pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS), Manuela d’Ávila foi eleita em 2004 a mais jovem vereadora de Porto Alegre, pelo Partido Comunista do Brasil (PCdoB). Em 2006, foi eleita a deputada federal mais votada do Rio Grande do Sul. Quatro anos depois, em 2010, foi a deputada mais votada do Brasil com quase meio milhão de votos. Em 2008 e 2012, concorreu à prefeitura de Porto Alegre, ficando em segundo lugar na segunda tentativa.

Em 2013, essa trajetória sofreu uma guinada radical, para os padrões da política tradicional. A deputada do PCdoB decidiu voltar a viver no Rio Grande do Sul e trocou a disputa pela reeleição a uma cadeira na Câmara dos Deputados pela eleição a cadeira na Assembleia Legislativa. Mas a mudança mais significativa foi o nascimento da filha Laura, sua prioridade e companheira inseparável desde então.

Agora, em 2015, ela aparece nas pesquisas, em primeiro lugar na preferência do eleitorado para a disputa pela prefeitura de Porto Alegre, em 2016. Em entrevista ao Sul21, Manuela d’Ávila fala sobre as razões que embalaram o seu retorno ao Rio Grande do Sul, analisa a atual conjuntura nacional e a relação desta com as eleições municipais do ano que vem. Para ela, a atual crise política modificou completamente o quadro de especulações sobre candidaturas e alianças que estava colocado até bem pouco tempo. Ela garante que não tomou uma decisão ainda sobre concorrer ou não à prefeitura de Porto Alegre e que não faz sentido especular sobre isso agora, pois há algo muito maior em jogo. A deputada adverte para o crescente clima de agressividade física entre os setores conservadores que querem derrubar a presidenta Dilma Rousseff e conta como ela e a filha Laura já foram alvo de agressões.

“Quem serão nossos aliados no ano que vem? Para mim existem dois grandes campos: golpistas e não golpistas. Há sete meses não era isso. Eu entendo que as pessoas especulem sobre a prefeitura, mas eu não sei qual o ambiente político que o Brasil vai ver daqui a uma semana, quiçá daqui a oito ou nove meses. Eu tenho um sonho de administrar Porto Alegre, mas o que está em jogo agora é muito mais sério e grave do que disputar uma prefeitura.”

Marco Weissheimer (RBA)

Você foi eleita muito jovem vereadora em Porto Alegre e depois deputada federal, com grandes votações. Mais recentemente, fez um movimento que não é típico entre a maioria dos políticos. Trocou a disputa pela reeleição a deputada federal para se tornar deputada estadual. Voltou ao Rio Grande do Sul, sendo apontada como uma possível candidata à prefeitura de Porto Alegre e, há cerca de três meses, nasceu a Laura. Isso em um momento de agravamento da crise política no país. Como definiria este momento onde se cruzam o acirramento da conjuntura política e mudanças significativas na tua vida?

Manuela D’ávila

Há muitas coisas dentro da tua pergunta que são importantes. A primeira delas é que, se eu não tivesse sido eleita tão jovem vereadora e depois duas vezes, deputada federal, e se não tivesse tido todas as oportunidades que a vida e o meu partido me permitiram ter em Brasília, talvez eu não tivesse feito esse movimento de voltar para o Rio Grande do Sul. Eu voltei por três razões que acho que a vida mostrou estarem certas. Em primeiro lugar, eu fiquei oito anos em Brasília e cumpri muitos desafios e tarefas partidárias. Presidi a Comissão de Direitos Humanos, fui líder do meu partido, coordenei a bancada do nosso estado. Eu vivi boa parte da minha juventude em Brasília, dos 25 aos 32, 33 anos de idade. Isso representa um ciclo da vida muito importante. Só que realmente eu comecei a me sentir muito distante fisicamente da minha origem política, que é o movimento social. Eu fui eleita vereadora estando no movimento estudantil. Eu me licenciei da UNE para concorrer a vereadora.

Em 2013, que foi o ano da minha decisão, já houve um prenúncio do que a gente vive agora. Eu queria entender o que estava acontecendo. Por mais que eu voltasse todos os finais de semana e por mais que a minha vida sempre tenha sido aqui, era como se o que eu tinha acumulado na minha militância antes de ser parlamentar tivesse se esgotado. Eu sentia que precisava me reenvolver, reanimar e me ressignificar nesta militância. É como se a gente tivesse uma fonte de energia e Brasília a sugasse. Para ter uma boa atuação em Brasília é preciso se dedicar 24 horas por dia. É preciso ter uma atitude de Dom Quixote o tempo inteiro. De onde tirar essa força? A minha vem do movimento social, da militância no meu partido, naquilo que eu acredito. Então, eu decidi voltar, politicamente, por isso.

Mas também houve um motivo de ordem pessoal. Eu jamais teria um filho indo e voltando de Brasília o tempo todo. É uma opção minha que tem a ver com coisas relacionadas à primeira infância nas quais acredito. Se eu ficasse mais quatro anos de Brasília, sairia de lá com 38 anos. Ainda poderia engravidar, mas decidi que só teria um filho se eu pudesse morar na mesma cidade com essa criança nos seus três primeiros anos. A terceira razão é que eu queria voltar a estudar. Um militante que se propõe a ser um quadro de um partido como é o PCdoB precisa estudar. Não sou uma fanfarrona. Sempre estudei. Eu não consegui, talvez por limite meu, conciliar uma pós-graduação com o meu mandato de deputada federal.

MW:. Você chegou a tentar fazer uma pós-graduação?

Eu cogitei fazer Relações Internacionais na UFRGS, que tinha aulas aos sábados. Mas sábado é o dia em que os deputados federais fazem roteiros pelo estado. Então, quando eu chegasse aqui teria que ir para as aulas na UFRGS e ainda fazer roteiros. A minha decisão, portanto, englobou três coisas e eu acho que agi certo. O meu mandato na Assembleia tem conseguido manter um diálogo permanente com os movimentos sociais. Assim que chegamos na Assembleia houve aquele episódio de combate às religiões afro, no qual o nosso mandato teve uma atuação muito forte.

Neste período, fiz uma cadeira como aluna especial em um mestrado na Comunicação da PUC e fui aprovada agora no mestrado em Políticas Públicas na UFRGS. E engravidei da Laura. Foi uma combinação de coisas. Mas essa combinação não foi toda planejada. A minha decisão era voltar e ter um mandato ligado ao povo. Eu engravidei um mês depois que tomei a decisão de engravidar. Tem um elemento de sorte aí. Eu poderia ainda estar tentando engravidar e poderia ter sido reprovada nas provas. Eu estudei para as provas com a Laura no colo.

Quanto ao tema “prefeitura de Porto Alegre” eu acho que não é o momento de discutirmos 2016. Não é o meu momento e tenho direito a isso. Tenho dezessete anos de militância política onde a minha prioridade foi ser militante e dirigente do meu partido. Agora, envolve outra pessoa que não sou eu e que tenho a responsabilidade de cuidar. Mas também acho que não é momento porque o clima político exija que a gente debata o dia de hoje. Especulações sobre candidaturas e alianças perderam o sentido que tinham até bem pouco tempo. Aliança com quem? Quem vai estar em que posição no ano que vem? Há sete meses, as alianças políticas se desenhavam dentro de um campo…

RBA:. A conjuntura parece ter alterado radicalmente esse quadro de possibilidade de alianças…

Mudou tudo. Quem serão nossos aliados no ano que vem? Para mim existem dois grandes campos: golpistas e não golpistas. Há sete meses não era isso. Há dois anos, era completamente diferente. Eu entendo que as pessoas especulem sobre a prefeitura, mas eu não sei qual o ambiente político que o Brasil vai ver daqui a uma semana, quiçá daqui a oito ou nove meses. Então, acho precipitado abrir esse debate agora. Eu fui candidata a prefeita duas vezes e sei que candidato a prefeito se veste para a guerra desde sempre. Eu não estou vestida para a guerra, pelas minhas razões pessoais, mas também porque acho que, quem se veste para essa guerra da prefeitura agora, não entendeu o que está acontecendo no nosso país. O que está em jogo é muito mais sério e grave do que disputar uma prefeitura. Eu tenho um sonho de administrar Porto Alegre porque amo viver nesta cidade. Eu saio com a Laura caminhando às sete da manhã e levo horas para voltar, pois adoro caminhar pela cidade.

RBA:. Na última semana, o jornal ‘Zero Hora’ chegou a anunciar que você já tinha decidido não disputar a prefeitura. De fato, já tomou uma decisão sobre isso?

MD:. Não, eu não tomei uma decisão sobre isso, mas, como eu disse, não estou vestida para a guerra pela prefeitura neste momento. A disputa central que o país vive agora não é por uma prefeitura municipal. Acho que vivemos um momento de unir forças para garantir que o Brasil siga uma democracia estável com uma economia estável. Brincar com democracia tem impactos na economia. O que o pessoal que brinca de democracia não se dá conta é que eles estão prejudicando a economia e a vida do povo brasileiro, para além do ambiente democrático. Esse é o momento que o Brasil vive.

Se, por um lado, a conjuntura parece não exigir vestir-se para a guerra para uma eleição municipal, por outro, parece justamente colocar essa exigência no tema da defesa da democracia, não acha?

Para essa guerra eu estou pintada, tanto é que os poucos momentos que eu tive de militância desde que estou de licença maternidade foram relacionados a esse tema. É para isso que a nossa militância tem que estar preparada. A eleição de 2016 vai ser uma consequência do que está acontecendo agora. Tratá-la como algo dissociado disso é algo pirado. Quem faz isso não está percebendo o que o nosso país e o nosso campo político está vivendo. Essa não é uma crise do PT. O PT tem seus problemas e tem que discuti-los internamente. O que é preciso ter em mente é que essa é uma crise da esquerda e da democracia brasileira.

A gente não sabe o que vai acontecer na semana que vem. O que o Supremo vai decidir? Vai valer aquela comissão paralela antipartidos eleita na Câmara dos Deputados? Vai valer uma comissão onde quem julga a presidente da República é um bando de gente envolvida em crimes, inclusive do Rio Grande do Sul. Não vi isso em nenhum jornal. O Bairrista debocha que, em tudo o que acontece, a gente sempre encontra um gaúcho. O cara que limpou a prancha do Gabriel Medina morou em Bagé. Agora, onde apareceu que os dois gaúchos que estão na comissão são investigados na Lava Jato? Não li isso em lugar nenhum. São essas pessoas que vão julgar uma presidenta eleita pelo povo. Esse é o grau de problemas e desafios políticos que o país vive. 2015 ainda tem muito pano para manga antes de nos preocuparmos com 2016.

RBA:. Na última semana, o vice-presidente Michel Temer esteve em Porto Alegre para participar de uma palestra e de um encontro com o governador José Ivo Sartori no Palácio Piratini. A impressão que deu a que acompanhou essas agendas, é que já havia um séquito em torno dele como se fizessem parte de um futuro novo governo. Além disso, também na semana que passou, o PSDB anunciou apoio formal ao impeachment. Como é que qualificaria a evolução deste cenário político nos últimos dias?

MD:. Acho que este é o momento mais grave que a gente vive desde a redemocratização. As últimas eleições, em 2010 e 2014, já tinham dado uma reconfigurada nos partidos tradicionais do país. O PSDB é um exemplo disso. Era um partido neoliberal, mas não era propriamente um partido conservador. Era um partido com quadros, como o próprio Fernando Henrique Cardoso, com posturas muito avançadas relacionadas a temas morais, por exemplo. Em 2014, o PSDB já virou algo novo e que não mereceu muita atenção até aqui, tornando-se um partido neoliberal conservador. Estamos tratando agora com um partido que se aliou aos segmentos mais conservadores da sociedade brasileira pela disputa de poder.

Hoje, a oposição à presidente Dilma perde completamente sua identidade e seu vínculo com as lutas democráticas. Isso era algo que não existia no Brasil. Os Democratas e o PP, que têm origem no partido da ditadura, sempre tiveram essas pautas guardadas na gaveta. Hoje, esses setores reassumem e comandam partidos que tinham um alinhamento de direita, mas não flertando com esses segmentos que na Europa já existem há muito tempo e que namoram o fascismo.

Outra coisa são os movimentos do PMDB. Em primeiro lugar, é importante assinalar que o governador Sartori, ao não assinar o manifesto contra o impeachment, frustra todos aqueles que acharam que ele tinha essa tradição democrática. Sartori, embora tenha posições econômicas bastante ortodoxas e muito próximas ao que a gente convencionou chamar de neoliberalismo, era um homem com posições progressistas. Na votação do Plano Estadual de Educação, por exemplo, o secretário Vieira da Cunha foi à Assembleia e trouxe a questão de gênero. Conseguimos vitórias que a Câmara de Vereadores de Porto Alegre não conseguiu. É óbvio que isso tem vínculo com uma determinada história de integrante do pecebão (PCB). Ao não assinar o manifesto contra o impeachment, ele esquece isso pela mera disputa de poder. Foi o que questionei no texto que escrevi em relação ao posicionamento da Luciana (Genro). Se há insatisfação popular, ele que não paga salário em dia pode ser “impitimado” também? Se vamos seguir essa lógica, qualquer coisa é impeachment. É diferente do episódio da Yeda que alguns, como o Ricardo Noblat, invocaram como comparação. A Yeda virou ré em uma investigação na época. A Dilma não.

O PMDB do Rio Grande do Sul nunca apoiou o governo Dilma. Tem cargos no governo e gosta de ter, mas nunca apoiou o governo. Então não surpreende que eles estivessem pintados ao lado do Temer, como se estivessem prontos a assumir o governo. E acho que o Temer está cumprindo o papel que ele melhor sabe cumprir, que é o de uma eminência parda que não é parda. Fica nos bastidores, como se fosse sombra, mas sendo luz. Ele tem essa característica. Foi assim como presidente da Câmara, foi assim na construção da aliança com a presidente Dilma e está sendo assim agora, um pouco mais magoado talvez, como a gente vê nas cartas que ele escreve.

RBA:. Na última semana, tivemos também o episódio da ministra Kátia Abreu jogando um copo de vinho na cara do senador José Serra, que parece indicar duas coisas. Uma delas é a elevação da temperatura dos ânimos políticos no país. Outra é uma questão de gênero que também está relacionada à figura de Dilma Rousseff como presidenta. Na tua opinião, há essa dimensão de gênero presente também na crise atual?

MD:.Sim, acho que existe. Um repórter da Zero Hora chegou a comentar que a Kátia Abreu tinha vingado a legião de repórteres maltratados pelo Serra. Todo mundo que conviveu com o Serra foi vítima de alguma piada infeliz ou de algum comentário agressivo e não apropriado dele. Essa é uma marca do Serra e todo mundo sabe disso. Esse não é, porém, um caso isolado. Todos os meses, em Brasília, nós temos algum episódio forte de gênero.

Quando saí de lá, no meu último mês, houve o episódio com o deputado Duarte Nogueira, presidente do PSDB de São Paulo. A deputada Jandira Feghali tomou um tabefe do Roberto Freire, presidente nacional do PPS. Em outro episódio, ela foi agredida verbalmente pelo deputado Alberto Fraga, que disse que, quem lutava que nem homem, tinha que apanhar que nem homem. A deputada Alice Portugal teve o microfone cortado pelo secretário da mesa da Câmara, que não era deputado. Na última sessão que eu participei no Congresso, enquanto a senadora Vanessa Grazziotin falava, deputados da oposição gritavam “vagabunda, vagabunda”. Estou falando só de alguns casos que eu me lembro de cabeça, pois a bancada do PCdoB tem o maior número de mulheres no Congresso.

O que a Kátia Abreu viveu foi algo que as mulheres vivem na política sempre. As críticas a Marta Suplicy, para falar de alguém que agora está do outro lado, sempre foram que ela se separou, que era namoradeira, que fazia plástica, que usava joias, que a saia era curta ou que a saia era comprida. Quando me elegi com uma votação elevada, disseram que foi porque eu era bonitinha. Sempre tem uma valoração do que é privado, do que é íntimo da mulher na vida pública. Sempre. É a mal comida, a mal amada ou a puta. São as duas opções: ou tu dá pra todo mundo ou não dá pra ninguém. Além disso, o que a Kátia Abreu fez é sintomático do ambiente de tensão política que Brasília vive hoje. Todas nós fomos agredidas e nenhuma de nós jogou um copo em alguém, porque o ambiente era mais tranquilo.

Em relação a presidente Dilma, desde sempre Brasília teve problemas com o fato de ela ser mulher. Lembra no primeiro governo, em que estava tudo bem e em um período de lua de mel, que ela reivindicou que os partidos indicassem mulheres para os ministérios. Teve chefe da Casa Civil mulher e Graça Foster presidindo a Petrobras. Tereza Campello foi e segue sendo uma ministra importante, Miriam Belchior era ministra do Planejamento. Houve um momento de demarcação com o fato de que Brasília não reconhece suas mulheres. E todas essas mulheres acabaram sendo escolha pessoal dela. Nenhuma delas era tida como uma indicação partidária. A própria Kátia Abreu se enquadra nesta categoria.

No caso da presidenta Dilma há um elemento agravante que é o fato de ela ser uma mulher com uma trajetória política diferente da dos políticos tradicionais que passa muito por dentro do Congresso. Ela chegou à presidência vinda de fora desse ambiente político. Talvez a caricatura do machismo do nosso Congresso seja aquele adesivo feito em Recife que mostrava a Dilma de pernas abertas no tanque de gasolina. Nunca vi algo similar acontecer com o Lula.

RBA:. Com o Lula se explorou muito o fato dele não ter um dos dedos da mão…

MA:. “O grau de agressividade física desses setores conservadores, que têm um elemento que os representa dentro da Assembleia, é assustador”

Sim, foi isso e, mais recente, a figura dele preso, com o tal de pixuleco que eles fizeram. Mas não foi o Lula com mulheres ou de pinto pra fora. Outra coisa são os adjetivos usados para se referir a ela. O tempo todo são comentários do tipo “ah, tu defende aquela puta da Dilma, aquela vagabunda da Dilma. Além disso, devemos lembrar que ela é a primeira presidente que não é a líder do seu partido. Fernando Henrique Cardoso era o principal tucano e Lula era o principal petista.

RBA:. Na tua avaliação, há um risco real dessa elevação de temperatura política transbordar para as ruas?

MD:. Eu acho que não há risco, já é uma realidade. Na última vez que ocorreu uma marcha pró-impeachment, num domingo, eu estava na rua com a minha filha e tive que voltar meio que escondida pra casa. Já fui agredida sozinha, fui agredida grávida e fui agredida amamentando a minha filha.

RBA :. Como foi este episódio?

MD:. Foi num show do Duca (Leindecker) em Garibaldi. Eu estava amamentando a Laura que estava neste sling e uma mulher se aproximou, agarrou e começou a bater no sling, perguntando se era da Coreia do Norte, de Cuba, de Miami ou de Nova York. Com a Laura dentro, ou seja, bater no sling significa bater nela. Quando eu estava grávida e houve aquele episódio do Humaniza, a minha perplexidade não foi a raiva deles, que eu conheço de muito tempo, mas sim foram os comentários deles saindo da Assembleia dizendo que não tinham conseguido me desestabilizar apesar de eu estar grávida. Eles certamente sabem como uma mulher grávida fica mais fragilizada. Eu podia ter perdido a minha filha naquele momento em que eles armaram aquele circo.

Às vezes, quando a gente fala que esse pessoal é fascista, algumas pessoas de direita reagem. Quem quiser ser neoliberal ou liberal – apesar de o liberalismo não ser nada disso que essa gente diz que é – que seja. Agora, quem agride uma mulher amamentando por diferença de opinião política, é um fascista. Se não quiserem ser chamados de fascistas, que não se juntem com essa gente. Então, não é que eu ache que o clima vai esquentar. Se o clima esquentar mais do que está, o que vai acontecer?

RBA:. A tua licença maternidade termina agora. Você deve reassumir na Assembleia ainda este ano?

MDF:. Volto para as sessões extraordinárias do Sartori. E a Laura vai junto. Algumas pessoas podem pensar que é algum privilégio pelo fato de eu ser deputada. Não se trata disso. É um direito dela, não meu, ser amamentada exclusivamente até o sexto mês. A Assembleia, que faz leis e concede esse direito a suas funcionárias, deveria fazer uma reflexão levando em conta que somos poucas mulheres na política, em idade de engravidar menos ainda, e que se não transformarmos essas mulheres em um símbolo do que nós defendemos – a amamentação exclusiva até o sexto mês -, a gente serve para quê mesmo? Fazemos um monte de discursos na semana do bebê, sobre a importância da amamentação exclusiva, do aumento de imunidade, da diminuição dos gastos com saúde. Então, esse direito é dela. Eu nem queria que ela estivesse lá, queria me dedicar exclusivamente a ela até o sexto mês como tenho feito até aqui. Mas, para garantir o direito dela, terá que ir e aguentar todos aqueles discursos.

RBA:. Como está o ambiente político na Assembleia. O acirramento do clima que ocorre em nível nacional chegou ao parlamento gaúcho?

MD:.Até aqui o ambiente na Assembleia tem sido bom e bastante respeitoso. Temos um foco de contaminação desse clima de acirramento, mas é alguém caricato que quer aparecer e, como diriam os mais antigos, se tem em alta conta. Mas é um caso isolado. Nenhum dos deputados reconhece as práticas desse elemento como práticas políticas adequadas na Assembleia. Por outro lado, é um momento muito difícil porque o governo Sartori estabeleceu um padrão de rupturas econômicas e de direitos com os trabalhadores, numa velocidade muito grande. Estou fora da Assembleia há três meses e meio. A dinâmica do governo é promover, a cada semana, uma esticada de corda, como o parcelamento e atraso no pagamento dos servidores, propostas de privatizações e extinção de fundações. O ambiente político é muito quente na política em função dessa agenda absolutamente conservadora e antagônica em relação a conquistas estabelecidas no governo Tarso Genro.

Mas precisamos ficar muito atentos. Tenho dito desde a eleição do ano passado que o grau de agressividade física desses setores conservadores, que têm um elemento que os representa dentro da Assembleia, é assustador. Na eleição de 2014, eu sempre dizia para o meu pessoal: "Eu não faço campanha sozinha”, eu tinha medo. Eu estava tomando um café com o meu marido e um cara me agrediu por causa da Palestina. Do ano passado para cá, isso só cresceu. Aquilo que o Olavo Carvalho pede, para que seus apoiadores nos constranjam, não é algo verbal, mas sim físico. Eu nunca havia processado ninguém. Agora, mudei de posição. Uma médica chegou a escrever questionando o meu parto, porque eu defendo o parto humanizado e depois de 24 horas de trabalho de parto tive que fazer uma cesariana. É um grau de loucura e fascismo impressionante. Entrei com um processo criminal contra o Políbio Braga pelas coisas que ele disse sobre mim. Atos criminosos têm que ser tratados como tal. Esses episódios demonstram que eles perderam absolutamente o controle. Não é uma brincadeira. Esse pessoal está enlouquecido mesmo.

RBA:. Você pertence a um partido que tem um histórico de enfrentamento muito duro contra a ditadura e uma memória dessa experiência histórica. Como é que está avaliando a posição da esquerda brasileira de um modo geral neste processo de crise política?

MD:. Eu estou muito feliz com o meu partido. Em dois episódios da história política recente do país, tivemos uma facilidade de nos posicionar com lucidez. Estamos tendo agora um papel protagonista neste processo de impeachment, não por conta de nossa relação com o PT, mas sim por uma questão de defesa da democracia. É até irônico. Quando querem nos atacar nos acusam de ser um partido autoritário. Mas o partido que tem mais episódios de sofrer com a falta de democracia, desde o Estado Novo e passando pela ditadura, é o nosso. A nossa capacidade de reação é muito rápida.

Acho que a esquerda, como campo político, passa e continuará passando por um grande processo de reorganização. A reflexão partidária e organizativa desse momento que a gente vive tem que acontecer. Existe algo que é a agenda que o outro lado nos impõe. Agora, por exemplo, estão nos impondo uma agenda golpista, que nos coloca como central a defesa da democracia. Mas existe também a nossa agenda que diz respeito à nossa capacidade de construir mudanças estruturais na política, à nossa forma de se relacionar com o povo. No início da década de 80, o PT reinventou uma forma de se organizar, de se relacionar com a sociedade e de absorver pautas. Eu tinha uma inveja boa de ver o Marcon, por exemplo, como deputado ligado ao MST, dando protagonismo aos que não tinham protagonismo e não só a quadros intelectuais.

Nós vamos ter que passar por isso de novo. Como é que a gente se relaciona com esses movimentos que estão surgindo, que têm uma identidade de esquerda, mas não querem se organizar nos nossos partidos? Será que eles estão errados, ou será que os nossos partidos são estruturas hoje sem capacidade de absorver essas lutas? Tendo a achar que é a segunda alternativa. Em 2001, no primeiro Fórum Social Mundial, os movimentos do nosso campo tinham um questionamento forte aos partidos. Os partidos não podiam nem participar, o que, na minha opinião, era um absurdo, pois eles são organizações que fazem parte da democracia. Nossa discussão tem que ser como tornar os partidos mais inclusivos. Isso ressurge agora. Ao mesmo tempo em que temos uma crise que atinge os governos do nosso campo no nosso continente, como vemos na Argentina e na Venezuela, também ressurge essa questão relacionada aos partidos. A nossa militância não vacilou, foi para dentro dos governos e construiu políticas e mudanças fantásticas no Brasil e na América Latina. Mas, na medida em que esse projeto vai mostrando que precisa ser renovado, a questão dos partidos ressurge.

Esse é um desafio que está diante de nós há 16 anos praticamente. Infelizmente, esse questionamento às vezes é dirigido para uma posição antipartido. Eu sou totalmente a favor dos partidos. Queremos disputar o poder e, numa democracia, poder se disputa com partidos. Mas precisamos repensar a forma de atuação dos nossos partidos e acho que isso vai acontecer, seja qual for o desfecho da crise atual.

http://www.redebrasilatual.com.br/politica/2015/12/existem-dois-grandes-campos-na-conjuntura-de-hoje-golpistas-e-nao-golpistas-5399.html

O anonimato e a violência das redes estão chegando às ruas.

30 jul

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Por Gustavo Arja Castañon

Persiste agora, com muito menos sucesso do que em junho, a tentativa de grupos anônimos e sem pauta política clara de sequestrar e mobilizar (retirando o controle do MPL ou do Comitê Popular da Copa) os protestos de rua e ditar o ritmo da vida política do país. Destes, o mais influente na rede é o Anonymous, e o mais barulhento nas ruas o Black Blocs.
O Anonymous é uma rede de cyberativistas que se vê como um grupo desestruturado e descentralizado que opera sem comando e sem diretrizes ideológicas, focados em metas momentâneas. No Brasil, a marca Anonymous foi apropriada por grupos de direita ligados ao Instituto Millenium e Von Mises Brasil, que vergonhosamente protegeram o sistema financeiro, alvo dos movimentos Occupy no mundo, da onda de ocupações de 2011.
Mas, na sua base de conectados, o Anonymous é um agrupamento de pessoas extremamente ingênuas, que aceitam ser lideradas por quem não conhecem nem a identidade nem a estratégia.
Gente que acredita que a vida é um filme de Hollywood e que a internet (criada e com mainframe no Pentágono), particularmente o Facebook (propriedade de Mark Zuckerberg, acusado de ser colaborador da CIA), possa abrigar pessoas que desafiem o sistema e vençam o jogo sentados diante de seus PCs.
Já os Black Blocs são um grupo de anarquistas que tiram seu nome de uma tática de guerrilha urbana surgida na Alemanha do final dos anos 70, o “black bloc”, que consiste em formar um bloco de pessoas vestindo preto e cobrindo o rosto em passeatas, para praticar depredações e enfrentar a polícia. Protege-se as identidades e os olhos de gás e pimenta através de máscaras de gás, esqui, capacetes de motocicleta entre outros.
O objetivo é atacar a polícia e a propriedade privada, se resguardando dos consequentes processos criminais.
O que há de comum na aparência destes dois grupos que protagonizaram o niilismo, a falta de rumo e o oportunismo que vimos no auge dos protestos brasileiros de junho é a ausência de identidade. Ausência de identidade civil e ideológica. Particularmente o Anonymous tem seus posts e convocatórias escritos sempre em linguagem intencionalmente simplória e genérica, que simula sair das massas. Busca mobilizar as pessoas escolhendo inimigos impopulares (como a “mídia”) com o objetivo de acumular popularidade.
Mas essa é só a aparência. Há um inimigo muito definido em suas estratégias, só eventualmente direcionadas a grandes corporações. Seu inimigo máximo é o estado. Interpretar o anarquismo como aliado das lutas da esquerda é uma temeridade intelectual.
O anarquismo é mais facilmente interpretado como um ultraliberalismo que tem por fim suprimir o estado do que como qualquer outra coisa.
Os delírios de fraternidade universal e coletivismo com a destruição das leis e dos governos só pavimenta a estrada para o império do mais forte. Seus frutos só são colhidos pela direita: uma juventude que odeia o estado, não acredita ou se engaja na vida partidária e legitima reações conservadoras. O anarquismo mobiliza muito mais o ódio à civilização do que um desejo reformador da sociedade.
O objetivo prático de grupos como os Anonymous e o Black Blocs é o mesmo da CIA. Debilitar os estados nacionais e o engajamento da juventude na política institucional. Eles aprofundam a obra que o dinheiro privado faz com os partidos, a grande mídia com as massas e o relativismo pós-moderno com a academia: desacreditar a política e os políticos, as ideologias e as utopias. Mais que destruir bancos, seu objetivo é destruir a política.
O nível de descrédito da classe política brasileira atingiu um novo patamar depois da campanha de 2010. A campanha de José Serra importou para o Brasil as táticas difamatórias do Partido Republicano norte-americano e transformou a internet num mar de calúnias.
Perfis falsos foram montados aos milhares, comunidades, e a frequência e velocidade de divulgação de calúnias se tornou quase instantânea. A reação de nossos legisladores ou governos a isso foi nenhuma. Fechando os olhos, esperaram a autodesmoralização da internet. Mas isso não aconteceu. Isso não aconteceu porque ela é também um fantástico meio de divulgação rápida de informações e fatos reais, que fura o bloqueio da corrompida mídia tradicional. Mas sem saber como separar o joio do trigo, os internautas brasileiros se afogaram num mar de denúncias e ofensas sem resposta ou repercussão penal.
O resultado não podia ser outro. A vida política no Brasil, como previ em artigos da época, se tornou radicalizada, violenta e irracional, cheia de calúnias diárias e ofensas permanentes sem consequência legal.
O resultado do acúmulo de ódio a nossos já inconfiáveis políticos saiu às ruas em junho. Como sabemos bem, quem foi às ruas basicamente foi a juventude de classe média conectada à rede. O pós-modernismo gerou seu primeiro fenômeno político de massas no país.
A maioria dessa juventude “conectada” desconfia dos partidos, das metanarrativas sociológicas e religiosas.
Finalmente, encontrou um meio horizontal, fragmentado e aparentemente não ideológico de se organizar, e acha isso bonito. Passou a ser (des)informada por posts dos quais muitas vezes só lê a manchete e cursa universidades que estão mergulhadas ou na mercantilização do ensino ou no relativismo pós-moderno.
Não tem ideologia e não quer uma para viver. Muitas vezes vota nulo ou não revela seu voto por vergonha.
E o voto nulo que desaparece nas contagens dos votos válidos toda eleição reapareceu nas ruas. Nele, também se inclui a extrema-esquerda sem representação no Congresso, a extrema-direita fascista e sociopata saudosa da tortura e do regime militar, o ateísmo evangélico da marcha das vadias e todo tipo de extremistas envenenados pela poluição digital das redes. Afinal de contas, a estratégia da extrema-direita e da extrema-esquerda é sempre a mesma, só muda depois do golpe militar, quando um deles vai para o pau de arara.
Hoje estamos numa nova fase dos protestos em que eles se tornaram menores e mais radicais. É fato que eles adquiriram pautas políticas mais claras, como o fora Cabral do Rio. Isso dificulta a manipulação pelo Anonymous, mas não o oportunismo dos Black Blocs. Invasão de eventos alheios, depredação generalizada e penetração de imagens sacras no ânus e na vagina (como vimos pela rede na última “Marcha das Vadias”) são parte do novo momento das ruas. Se em parte isso esvazia as manifestações e provoca rejeição dos 190 milhões que ficaram em casa, também acirra ainda mais os ânimos nacionais.
Diante desse cenário, o novo marco civil da internet se tornou uma necessidade imperiosa. Garantir liberdades na rede implica na criação de meios para a responsabilização penal de difamadores e desativação de perfis falsos e criminosos.
Quem usa máscara numa democracia é fora da lei. Quer conspirar contra ela. Quer caluniar, depredar e atacar sem consequências. Quer disseminar o ódio, a violência e o medo se escondendo da responsabilidade no anonimato das massas. E isso inclui a própria polícia. As máscaras físicas e digitais tem que cair em nosso país antes que caia nossa democracia. Acreditem, isso é tão possível no futuro quanto um milhão sem rumo nas ruas em junho era possível em maio.
*Gustavo Arja Castañon é doutor em psicologia e professor de filosofia da Universidade Federal de Juiz de Fora. Colabora com o “Quem tem medo da democracia?”, onde mantém a coluna “Non abbiate paura“.

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