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É isso que eu sei e sinto pelo resto de todos os meus dias.( Francisco Costa)

8 jan

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“Lula está velho, debilitado por um câncer que ainda é um
fantasma para ele, caluniado de todas as maneiras, tendo que se defender, desviando energias da luta coletiva para a luta pessoal, assustado.
No evento da ABI, aqui no Rio, eu estive a pouco mais de dois metros do Lula e é evidente a preocupação dele, procurando sair rapidamente do meio da multidão, com os olhos percorrendo todos os cantos, como se procurasse francos atiradores, como se amarrado pelos inimigos,…”
Acredito que ninguém neste país tenha sofrido uma tão impiedosa e cruel tortura psicológica, pública, quanto Lula.
Talvez quem mais tenha se aproximado foi Luis Carlos Prestes, mas teve a alternativa de se afastar, indo para a Rússia, ao contrário de Lula, que aqui resiste, bravamente.
Desde a ditadura militar Lula é investigado, tem a vida esmiuçada, fuçada, virada ao avesso, na busca de ilícitos, com uma única prisão, logo relaxada, na ditadura, por subversão, incitação à desordem pública, quando sindicalista. Nada previsto no Código Penal, capaz de caracterizar crime comum, desonestidade.
Candidato contra Collor, o que se viu foi ser atribuído a ele os mesmos pecados do adversário, com a mídia omitindo, escondendo os do adversário.
No debate final, na tevê, a Globo entregou sinopses, no ar, ao vivo, aos dois candidatos. A de Collor, altamente detalhada, com informações capazes de desestabilizar eleitoralmente o adversário. A de Lula, folhas de papel em branco, sem nada escrito.
Nas eleições seguintes, as mesmas histórias, as mesmas mentiras, as mesmas calúnias, com o adversário blindado pela mídia, com os seus crimes e pecados sob o tapete.
Finalmente Lula foi eleito e, contrariando prognósticos, chegou a ter mais de 80% da confiança do povo brasileiro, nos tirando da condição de devedor para credor, expandindo o mercado interno, fortalecendo o parque industrial do país, a rede de comércio varejista e atacadista, multiplicando o PIB e as reservas cambiais, tudo com justiça social, aumentando a fatia dos até então deserdados, através de aumentos reais nos salários e programas sociais, um tiro nos conservadores, na burguesia, na classe dominante, que se julga proprietária desse país.
Talvez tenha sido o único mandatário, em toda a História Universal, a fazer o seu país saltar de décima sexta economia do planeta para oitava, em oito anos, superando um país por ano, na média.
Foi preciso desconstruí-lo, destruí-lo, desmoralizá-lo, arrancá-lo dos corações e mentes dos brasileiros, e começou a covardia, o ódio cego e animalesco, e nasceu o processo do Mensalão.
Joaquim Barbosa, inteligentíssimo, pertinaz, determinado, fazendo o seu próprio códido de leis e processo penal, tinha objetivo único: acabar com a carreira de Lula.
Omitiu documentos, alterou textos nos autos do processo, invalidou depoimentos… Fez o que os bandidos fazem nos morros cariocas, ao justiçarem os das facções rivais.
Atingiu a tudo e a todos, aos mais próximos de Lula, sem conseguir sequer indícios que incriminassem o presidente.
Para mais dessesperar o fascismo pátrio, Lula fez a sua sucessora, o bastante para tornar-se dono da Friboi, da Esalq, uma universidade pública, de mega empresas e latifúndios espalhados por todo esse país, com os filhos proprietários de jatinhos, iates, mansões… Só existentes na mídia, nas passeatas financiadas no exterior e nas cabeças de inocentes úteis e assalariados da infâmia.
Foi pouco, a dimensão de Lula sobrepôs-se, e veio a Lava Jato, e todo o bilionário patrimônio da família Lula da Silva reduziu-se a um modesto sítio e um apartamento, triplex, em uma praia.
Sérgio Fernando Moro, um arremedo de Joaquim Barbosa piorado, porque de primeira instância e não ministro do STF, como se supõe, com muito menos inteligência e escrúpulos, reteve documentos, desqualificou testemunhas chave, direcionou depoimentos, fez alardes midiáticos, com prestimosa ajuda da banda fétida, deteriorada, corrompida, do Ministério público, e o máximo que conseguiram foi “convicções”, alguma coisa ligada às religiões, às crendices, menos à inteligência e à jurisprudência.
Impossibilitados de imputar culpas em território nacional, a Lula, a Polícia Federal e os serviços de inteligência norte-americanos e suíços debruçaram-se sobre o submundo da corrupção e da roubalheira internacionais, em busca de contas secretas de Lula, de empresas fantasmas, de Lula, em paraísos fiscais, e quanto mais vasculharam mais esterco dos seus encontraram, e de Lula, nada.
Por fim, chegaram na Odebrecht, quartel general da corrupção, segundo a nazijustiça brasileira, e nas planilhas, dossiês e borderôs toda a direita brasileira, todos os golpistas brasileiros, todos os norte-americanos casualmente nascidos no Brasil figurando como beneficiários de roubos, a começar pelo atual e ilegítimo presidente, passando por boa parte dos seus ministros, arrastando boa parte do Legislativo e até coroadas cabeças do judiciário, mas sobre Lula… Que torce para o Corinthians.
Das onze testemunhas de acusação, das falcatruas, desmandos e opróbrios cometidos por Lula, onze depoimentos inocentando-o, “não sei, excelência”, “não tive conhecimento, excelência”, “não acredito, excelência”… Com a excelência, funcionária dos serviços de inteligência norte-americanos, nadando nas pedras.
Esgotado todo o repertório, um insígne e desconhecido deputado apresentou uma PEC alterando a Constituição, impedindo que a Presidência da República seja exercida por uma mesma pessoa por mais de duas vezes, consecutivas ou não, lei que apropriadamente já está sendo chamada de “Barra Lula”, e para qualquer um que tenha pelo menos resquícios de miúda e limitada inteligência está tudo muito claro: “usando as leis, burlando as leis, adaptando as leis não conseguimos acabar com o cara. É preciso criarmos leis novas, destinadas exclusivamente a acabar com ele”.
Tudo isto seria maravilhoso numa peça de ficção, num romance ou filme de perseguição implacável, com todas as nuances da sordidez de que é capaz a maldade humana, mas aconteceu e está acontecendo na vida real, com um senhor, já idoso, com netos, um ser humano como eu e você.
Lula não tem paz, imagino que já não consiga dormir direito, com ideia única, atormentando-o: defender-se, pois sabe que esta famigerada PEC Barra Lula é a penúltima tentativa de neutralizá-lo.
A última poderá ser um tiro.”

Francisco Costa ( Via René Amaral -Facebook)

“Grave momento”

22 abr

Brasil de Fato2

No Oscar de 1977,Vanessa Redgrave fez um discurso pró-palestina
ao ganhar a estatueta.
O evento poderia não ser o mais correto para essa denúncia,mas o momento
e o destaque da mídia internacional para esse evento era o mais propício,
para ser ouvido.
E tem um detalhe muito importante, que muita gente desconhece.
A industria de entretenimento,nos EUA é controlada até hoje por judeus,portanto
Vanessa Redgrave foi muito corajosa ao fazer essa denúncia num terreno totalmente
contrário as suas convicções.
Será que a atriz tinha muito a perder?
Sim e muito.
Atuar é o seu trabalho,o teu sustento.
Podemos traçar um paralelo, com o evento que trata da redução de emissão de dióxido de
carbono e mudanças climáticas, na Organização das Nações Unidas, com o Oscar de 1977?
Não e sim.
Muitos estão dizendo que o evento, não tem nada a ver com política interna brasileira e
sim com situação climática global.
Mas nossa presidenta poderia reservar pelo menos 40 segundos de sua fala e denunciar
a realidade hoje no Brasil.
O “grave momento”naqual já não existe Estado Democrático de Direito no Brasil.
Estamos em situação de exceção, sob um golpe de Estado,com amplos setores do
Judiciário,Legislativo e mídia alinhados com os golpistas, enquanto o Executivo
persiste nos erros primários que nos conduziram a esta crise.
Não dá mais para “conciliações”;vide a surrealidade do Parlamento, o sono profundo do
Supremo, e a alegria da mídia.
Chega de “republicanismo”.
A hora é agora.
Quem vai perder com tudo isso são os 54 milhões de eleitores e o mais importante é a
democracia que a tempos já está perdendo a sua face.

Carlos Roberto Rocha III

Para meus amigos músicos, um adendo.

17 abr

Lula_rio
Para meus amigos músicos que ainda tem dúvida, do que está acontecendo no país, vou deixar uma relação de sites e blogs progressivos nacionais e internacionais para que aja uma consulta nesses sites, que os ajudem a elucidar e principalmente discernir todo esse massivo e dioturno ataque nos noticiários da mídia conservadora(Globo,Veja,Folha/Uol e Estadão) contra o governo Dilma.
Sei como é difícil para a “geração JornalNacional”,aceitar ou acreditar que exista uma outra versão, para o que acontece não somente agora, mas desde Getulio,passando por Jango,Juscelino,Brizola e agora Lula e Dilma.
A história do Brasil nos conta que todos os governos(desde de Vargas até hoje) que ousaram lutar contra a desigualdade social e contra a mãe de todas as desigualdades que é a mídia nacional(braço direito do capital internacional) pagaram um preço muito alto.
Então parafraseando Gregório Duvivier, a geração JornalNacional são vítimas, não golpistas.
Não tem a mínima idéia do que está acontecendo nas profundezas dessa crise.
Vai um atalho.
Não tem nada a ver com corrupção.
Essa infelizmente vai continuar a céu aberto caso o impeachment da presidenta Dilma acontecer.
Os que querem o impeachment(mídia,empresariado,políticos,judiciário e corporações internacionais) não querem acabar com a corrupção pois o combate a tempos está acontecendo nos governos petistas, que deu toda a liberdade e autonomia para a PF, procuradores,judiciário,STF etc.. trabalharem sem nenhuma intromissão.
__Ah mais porque a corrupção só apareceu agora nos governos Lula e Dilma?
__Porque durante a ditadura havia a censura e a mídia(Globo,Folha,Estadão etc..)que apoiava a ditadura e nos governos tucanos de FHC eles engavetavam e blindavam na mídia(Globo e Folha) todos os processos que envolviam os tucanos(que acontecem até hoje).
A própria Lava Jato de Moro é uma farsa pois êles são seletivos:. só valem empresários e políticos que delatarem petistas,mais precisamente Lula e Dilma.
Saiu uma lista enorme de políticos do PSDB (Aécio,Aloysio Nunes,Anastasia,Carlos Sampaio,José Serra,Fernando Henrique,Sergio Guerra e outros) e do PMDB que o probo juiz Moro escondeu , ou melhor, engavetou mesmo, assim como êle fez com o processo do Banestado que envolvia tucanos; Globo simplesmente silenciou ou deu uma notinha de 3 a 5 segundos.
Agora o maior exemplo de que a Lava Jato é uma farsa, é o caso de “Eduardo Cunha” presidente do Congresso Nacional.
Sergio Moro sabia desde 2006 das falcatruas de Cunha, mas precisou um procurador da Suiça explodir com as noticias das contas secretas dele na Suiça.Daí foi só lama; uma atrás da outra e Moro nada, caladinho da silva.
Moro tem a pachorra de perseguir uma velhinha(mãe de Dirceu) de 94 anos, mas não prende a mulher e filha de Cunha que são cumplices em vários crimes.
Daí eu faço a pergunta:.
__Meus amigos músicos, vocês realmente acreditam num processo de impeachment, ou melhor numa paralização da democracia e num tapa na nossa tão jovem Constituição,patrocinado por um SINDICATO DE LADRÕES.( 60% dos políticos da comissão do impeachment estão com problemas na justiça).
E Dilma, nada. Nenhuma mancha na vida dessa grande e guerreira mulher.
Nada,nada.
Então meus amigos, se vocês querem ainda acreditar nos Williams(Bonner e Waack) da vida,na GloboNews,no Bolsonaro, na Folha/Uol,na Band, na Sheherazade,no Olavo de Carvalho ou no Pondé etc.., problema seu.
”Eu tô fora” a muito tempo.
Carlos Roberto Rocha III

Segue abaixo uma lista se Sites e Blogs Progressivos Nacionais e Internacionais 

É só colocar na busca do “UncleGoogle” 

 

Brasil 247__Diario do Centro do Mundo__JornalGGN (Luis Nassif)__

Carta Capital__Carta Maior__ Rede Brasil Atual__Brasil de Fato__

Observatório da Imprensa__Opera Mundi__ Cafezinho__Diplomatique.org.br__Tijolaço__Blog da Cidadania__
Viomundo__Portal Revista Forum__Paulo Moreira Leite__Outras Palavras.net__
Tereza Cruvinel __Janio de Freitas na Folha__Rogerio Cerqueira Leite__

Blog do Miro ____Ricardo Melo (Folha e Portal EBC__)Alex Solnik( Brasil 247)__
Bob Fernandes(TerraBlogs)__Diplo.org.br__Blog do Sakamoto__

Outras Palavras.net_Diplo.org.br__O Escrevinhador-Rodrigo Viana__

__Conversa Afiada( Paulo H. Amorim)_
_Blog do Rovai__Luiz Muller__BR29__ Brasil Debate__Leonardo Boff__
_Conexao jornalismo__ Contexto Livre__Claudia Wallin__Novas Cartas Persas__
_Democracia e Conjuntura__Ligia Deslandes__Marcelo Mirisola Blog__
_Wanderlei Guilerme dos Santos__José Luiz Quadros de Magalhães__
Evandro Carvalho(sobre a China)__Buteco do Edu__

Olho No Texto.wordpress.com_
Zé Dirceu__APublica.org__TVT.Org.br_Adital__Sul21__
Sites Internacionais Progressivos 1

Wikileaks___Moon of Alabama__Voltairenet.org__Actualidad.rt __
Telesurtv.net__The Guardian__TheGuardian.com/uk__Salon.com___
BBC.co.uk/portuguese/__Voltaire Net__NewLeftReview.org__
Sputniknews.com__OrienteMidia.org__The Intercept__
ThisCantBeHappening.net__Gazeta Russa__Counter Punch__
Iran News__Iran.Ru__IPE-Paul Craig Roberts__Asia Times__
What They Say about __NEO New Eastern Outlook__
Steve Lendman Blog__Jornal of Democracy__
Global I.Journalism Network__Axi Sof Logic__
Awd News__Uruknet__Lahaine.org__Bloco.org__Monthly Review.org__
Xatoo__Lenta.ru__The Free Thought Project__Mundo.Sputnik__
RT.com__Sana.Sy__Diario Liberdade__Mondialisation.ca__Global Research.ca__
Nodal.am__Rebelion.org__Esquerda.net__Socialismo-o-Barbarie.org__
La Jornada.Unam.mx__Punto Final.cl__Pagina12__TheRealNewsNetwork__
Activist Post__Antiwar__Boiling Frogs Post__Blacklisted News__
Counter Punch__Global Research.__Land Destroyer__Info Wars__
Tarpley__Tom Dispatch__Foreign Policy Journal__Information Clearing House__
Modern Tokyo Times__

#AbaixoAoFascismo

#NãoVaiTerGolpe

#ForaCunha

#ForaAécio

#ForaTemer

#OPovoNãoÉBoboAbaixoARedeGlobo

2016 não é 1964, por Maisa Paranhos

29 mar

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Nostalgias à parte, com todo o nosso saudosismo dos anos 60, o povo hoje está muito mais organizado.

Hoje temos a experiência do golpe de 1964 e a história é um ótimo aprendizado.

Não, não passarão.

Que se prepare Brasília.

Que se prepare a Paulista.

Que se prepare a Cinelândia.

BH, BA…

E todos os beneficiados do bolsa família, e todos os integrantes do MST, do MTST, CUT, dos estudantes, dos metalúrgicos e petroleiros.

Que se preparem todos os que sofreram o racismo sem amparo da lei, os homossexuais que eram surrados sem a menos defesa em seu direito do livre exercício de si.

Que se juntem as mães pobres que têm seus filhos nas Universidades.

Que se juntem nossos artistas, nossos intelectuais, nossos meninos de rua e das favelas.

Que se juntem e se unam os que nem sonhar podiam…

Pois defenderemos a nossa existência.

Que todos se levantem!

Não foi à toa que nossa juventude generosa verteu o seu sangue na tortura.

Não foi à toa que nossos exilados sofreram o “mal du país”, com sua tristeza profunda pela distância de sua pátria.

Não foi à toa que tantos se suicidaram no exílio.

Não foi à toa que muitos enlouqueceram.

Não.

Nossa democracia vale mais do que ouro.

Nossa democracia vem das esferas profundas de nosso povo reprimido e oprimido.

E que teve, finalmente, com os governos petistas, um lugar ao sol e teve sonhos realizados.

A resistência será enorme!

Foto do perfil de Maisa Paranhos

Maisa Paranhos

 

Apenas pela Constituição, e nada mais

24 mar

 

Por Apaminondas Democrito Davila
“Covardes seríamos, se tolerássemos a violação da Constituição e das leis. Covardes seríamos, se aceitássemos ser tutelados por juízes de primeira instância e pela mídia. Mas estamos na trincheira da constituição e da legalidade e combatemos o bom combate.”

Como o Ministro Lewandowski poderia iniciar a sessão que julgará pedido de Habeas corpus de Lula

Discurso do presidente Ricardo Lewandowski na abertura da sessão extraordinária do Supremo Tribunal Federal durante o recesso da semana de páscoa de 2016. Um sonho

Excelentíssimas senhoras ministras Carmen Lúcia e Rosa Weber, Excelentíssimos senhores ministros,

A gravidade da situação política, de todos conhecida, levou-me a convocar essa sessão extraordinária do Supremo Tribunal Federal. O tribunal deve deliberar sobre dois temas:

1. A admissibilidade da ordem de Habeas Corpus (com pedido de liminar) impetrada em 20 de março do corrente ano em favor do Ministro Luís Inácio Lula da Silva.

2. A constitucionalidade de medidas recentes do juiz federal de primeira instância Sérgio Fernando Moro, da 13ª Vara Criminal de Curitiba.

Sobre o primeiro tema ouviremos logo a relatora, Ministra Rosa Weber.

Com relação ao segundo, o Supremo Tribunal Federal tem a obrigação constitucional de encerrar definitivamente a discussão em torno da divulgação de interceptações telefônicas feitas por enquanto duas vezes na semana passada com autorização do juiz Sérgio Fernando Moro, de Curitiba.

Não tenho a menor dúvida que o entendimento majoritário dessa corte será pela preservação do Estado de Direito, tal como definido na Constituição de 1988, que nos vincula a todos, aos juízes de todas as instâncias, aos membros do Ministério Público em todas as instâncias, aos membros da Polícia Federal, a todos os membros de órgãos públicos e aos cidadãos. Ninguém está acima da constituição e das leis.

Ao fazer essas considerações preliminares, socorro-me de dois pronunciamentos do Ministro Marco Aurélio, feitos em 4 e 20 de março de 2016. Nunca será demais repetir as palavras de Vossa Excelência:

“A situação chegou a um patamar inimaginável. Eu penso que nós precisamos deixar as instituições funcionarem segundo o figurino legal, porque fora da lei não há salvação.” Como se não bastasse, o Ministro Marco Aurélio disse ainda: “A atuação do Judiciário brasileiro é vinculada ao direito positivo, que é o direito aprovado pela casa legislativa ou pelas casas legislativas. Não cabe atuar à margem da lei. À margem da lei não há salvação. Se for assim, vinga que critério? Não o critério normativo, da norma a qual estamos submetidos pelo princípio da legalidade. Ninguém é obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei. Se o que vale é o critério subjetivo do julgador, isso gera uma insegurança muito grande.”

Atribui-se ao filósofo grego Heráclito a seguinte afirmação: “Os cidadãos devem lutar pela lei como lutam pela defesa das muralhas da sua cidade.” Basta ligar a televisão, basta ler a mídia impressa, basta ouvir manifestações radiofônicas, basta freqüentar por alguns minutos a discussão muitas vezes emocional no Facebook e em outros veículos para verificar que esse entendimento não é mais consensual entre nós. Até entre os operadores do direito as posições divergem, como mostra o conflito na Ordem dos Advogados.

Num extremo temos os que defendem as muralhas da constituição. Noutro, os que se comportam como inimigos da constituição, combatendo-a abertamente ou flexibilizando-a, enfraquecendo-a aqui e ali. O que os anima? Pressinto um desejo inconfessável de ver se a sociedade e o STF façam vista grossa.

Com o desassombro que lhe é peculiar, o eminente Ministro Marco Aurélio disse do juiz Sérgio Fernando Moro: “Ele não é o único juiz do país e deve atuar como todo juiz. Agora, houve essa divulgação por terceiros de sigilo telefônico. Isso é crime, está na lei. Ele simplesmente deixou de lado a lei. Isso está escancarado e foi objeto, inclusive, de reportagem no exterior.”

Permito-me acrescentar, Ministro Marco Aurélio, que entrementes isso já é objeto de várias reportagens no exterior. Não me furto a citar aqui mais uma vez as palavras de Vossa Excelência:

“Não se avança culturalmente, atropelando a ordem jurídica, principalmente a constitucional. O avanço pressupõe a observância irrestrita do que está escrito na lei de regência da matéria. Dizer que interessa ao público em geral conhecer o teor de gravações sigilosas não se sustenta. O público também está submetido à legislação.”

O Ministro Marco Aurélio não é voz isolada. Cito exemplificativamente um breve pronunciamento do Ministro Luís Roberto Barroso, de 12 de setembro de 2013, feito nesta sala: “Não estou almejando ser manchete favorável. Sou um juiz constitucional, me pauto pelo que acho certo ou correto. O que vai sair no jornal no dia seguinte, não me preocupa. Eu cumpro o meu dever. Se a decisão for contra a opinião pública, é porque este é o papel de uma Corte constitucional.” Disse ainda o Ministro Luís Roberto: “[…] não julgamos para a multidão. […] Eu não estou aqui subordinado à multidão, estou subordinado à Constituição.”

Como a evocar Heráclito, o Ministro Marco Aurélio disse do Supremo Tribunal Federal: “É a última trincheira da cidadania. Quando o Supremo falha, você não tem a quem recorrer.”

Ao citar as palavras dos meus colegas, antecipo aqui a minha posição. Tenho a certeza de que ela será endossada por todos os membros da corte.

Vamos, pois defender a constituição e a lei como uma trincheira. Ao fazermos isso, mostraremos a todos os operadores do direito, juízes, promotores, procuradores da República, mas também aos agentes da Polícia Federal, bem como à sociedade em geral que a nossa Constituição e as leis da república são eficazes e vinculantes. Prestaremos dessarte uma contribuição decisiva à pacificação dos conflitos na sociedade, exacerbados nas últimas semanas.

Este tribunal desconhece ministros covardes. Covardes seríamos, se tolerássemos a violação da constituição e das leis. Covardes seríamos, se aceitássemos ser tutelados por juízes de primeira instância e pela mídia. Mas estamos na trincheira da constituição e da legalidade e combatemos o bom combate.

*Apaminondas Democrito Davila é o nome ficcional de um jurista, filósofo e professor emérito aposentado.

O anonimato e a violência das redes estão chegando às ruas.

30 jul

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Por Gustavo Arja Castañon

Persiste agora, com muito menos sucesso do que em junho, a tentativa de grupos anônimos e sem pauta política clara de sequestrar e mobilizar (retirando o controle do MPL ou do Comitê Popular da Copa) os protestos de rua e ditar o ritmo da vida política do país. Destes, o mais influente na rede é o Anonymous, e o mais barulhento nas ruas o Black Blocs.
O Anonymous é uma rede de cyberativistas que se vê como um grupo desestruturado e descentralizado que opera sem comando e sem diretrizes ideológicas, focados em metas momentâneas. No Brasil, a marca Anonymous foi apropriada por grupos de direita ligados ao Instituto Millenium e Von Mises Brasil, que vergonhosamente protegeram o sistema financeiro, alvo dos movimentos Occupy no mundo, da onda de ocupações de 2011.
Mas, na sua base de conectados, o Anonymous é um agrupamento de pessoas extremamente ingênuas, que aceitam ser lideradas por quem não conhecem nem a identidade nem a estratégia.
Gente que acredita que a vida é um filme de Hollywood e que a internet (criada e com mainframe no Pentágono), particularmente o Facebook (propriedade de Mark Zuckerberg, acusado de ser colaborador da CIA), possa abrigar pessoas que desafiem o sistema e vençam o jogo sentados diante de seus PCs.
Já os Black Blocs são um grupo de anarquistas que tiram seu nome de uma tática de guerrilha urbana surgida na Alemanha do final dos anos 70, o “black bloc”, que consiste em formar um bloco de pessoas vestindo preto e cobrindo o rosto em passeatas, para praticar depredações e enfrentar a polícia. Protege-se as identidades e os olhos de gás e pimenta através de máscaras de gás, esqui, capacetes de motocicleta entre outros.
O objetivo é atacar a polícia e a propriedade privada, se resguardando dos consequentes processos criminais.
O que há de comum na aparência destes dois grupos que protagonizaram o niilismo, a falta de rumo e o oportunismo que vimos no auge dos protestos brasileiros de junho é a ausência de identidade. Ausência de identidade civil e ideológica. Particularmente o Anonymous tem seus posts e convocatórias escritos sempre em linguagem intencionalmente simplória e genérica, que simula sair das massas. Busca mobilizar as pessoas escolhendo inimigos impopulares (como a “mídia”) com o objetivo de acumular popularidade.
Mas essa é só a aparência. Há um inimigo muito definido em suas estratégias, só eventualmente direcionadas a grandes corporações. Seu inimigo máximo é o estado. Interpretar o anarquismo como aliado das lutas da esquerda é uma temeridade intelectual.
O anarquismo é mais facilmente interpretado como um ultraliberalismo que tem por fim suprimir o estado do que como qualquer outra coisa.
Os delírios de fraternidade universal e coletivismo com a destruição das leis e dos governos só pavimenta a estrada para o império do mais forte. Seus frutos só são colhidos pela direita: uma juventude que odeia o estado, não acredita ou se engaja na vida partidária e legitima reações conservadoras. O anarquismo mobiliza muito mais o ódio à civilização do que um desejo reformador da sociedade.
O objetivo prático de grupos como os Anonymous e o Black Blocs é o mesmo da CIA. Debilitar os estados nacionais e o engajamento da juventude na política institucional. Eles aprofundam a obra que o dinheiro privado faz com os partidos, a grande mídia com as massas e o relativismo pós-moderno com a academia: desacreditar a política e os políticos, as ideologias e as utopias. Mais que destruir bancos, seu objetivo é destruir a política.
O nível de descrédito da classe política brasileira atingiu um novo patamar depois da campanha de 2010. A campanha de José Serra importou para o Brasil as táticas difamatórias do Partido Republicano norte-americano e transformou a internet num mar de calúnias.
Perfis falsos foram montados aos milhares, comunidades, e a frequência e velocidade de divulgação de calúnias se tornou quase instantânea. A reação de nossos legisladores ou governos a isso foi nenhuma. Fechando os olhos, esperaram a autodesmoralização da internet. Mas isso não aconteceu. Isso não aconteceu porque ela é também um fantástico meio de divulgação rápida de informações e fatos reais, que fura o bloqueio da corrompida mídia tradicional. Mas sem saber como separar o joio do trigo, os internautas brasileiros se afogaram num mar de denúncias e ofensas sem resposta ou repercussão penal.
O resultado não podia ser outro. A vida política no Brasil, como previ em artigos da época, se tornou radicalizada, violenta e irracional, cheia de calúnias diárias e ofensas permanentes sem consequência legal.
O resultado do acúmulo de ódio a nossos já inconfiáveis políticos saiu às ruas em junho. Como sabemos bem, quem foi às ruas basicamente foi a juventude de classe média conectada à rede. O pós-modernismo gerou seu primeiro fenômeno político de massas no país.
A maioria dessa juventude “conectada” desconfia dos partidos, das metanarrativas sociológicas e religiosas.
Finalmente, encontrou um meio horizontal, fragmentado e aparentemente não ideológico de se organizar, e acha isso bonito. Passou a ser (des)informada por posts dos quais muitas vezes só lê a manchete e cursa universidades que estão mergulhadas ou na mercantilização do ensino ou no relativismo pós-moderno.
Não tem ideologia e não quer uma para viver. Muitas vezes vota nulo ou não revela seu voto por vergonha.
E o voto nulo que desaparece nas contagens dos votos válidos toda eleição reapareceu nas ruas. Nele, também se inclui a extrema-esquerda sem representação no Congresso, a extrema-direita fascista e sociopata saudosa da tortura e do regime militar, o ateísmo evangélico da marcha das vadias e todo tipo de extremistas envenenados pela poluição digital das redes. Afinal de contas, a estratégia da extrema-direita e da extrema-esquerda é sempre a mesma, só muda depois do golpe militar, quando um deles vai para o pau de arara.
Hoje estamos numa nova fase dos protestos em que eles se tornaram menores e mais radicais. É fato que eles adquiriram pautas políticas mais claras, como o fora Cabral do Rio. Isso dificulta a manipulação pelo Anonymous, mas não o oportunismo dos Black Blocs. Invasão de eventos alheios, depredação generalizada e penetração de imagens sacras no ânus e na vagina (como vimos pela rede na última “Marcha das Vadias”) são parte do novo momento das ruas. Se em parte isso esvazia as manifestações e provoca rejeição dos 190 milhões que ficaram em casa, também acirra ainda mais os ânimos nacionais.
Diante desse cenário, o novo marco civil da internet se tornou uma necessidade imperiosa. Garantir liberdades na rede implica na criação de meios para a responsabilização penal de difamadores e desativação de perfis falsos e criminosos.
Quem usa máscara numa democracia é fora da lei. Quer conspirar contra ela. Quer caluniar, depredar e atacar sem consequências. Quer disseminar o ódio, a violência e o medo se escondendo da responsabilidade no anonimato das massas. E isso inclui a própria polícia. As máscaras físicas e digitais tem que cair em nosso país antes que caia nossa democracia. Acreditem, isso é tão possível no futuro quanto um milhão sem rumo nas ruas em junho era possível em maio.
*Gustavo Arja Castañon é doutor em psicologia e professor de filosofia da Universidade Federal de Juiz de Fora. Colabora com o “Quem tem medo da democracia?”, onde mantém a coluna “Non abbiate paura“.

A escalada democrática by Saul Leblon

22 abr

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Episódios recentes na vida política da América Latina indicam que estamos diante de uma ‘escalada democrática’ .

Em junho de 2012, numa sexta-feira, deu-se o golpe democrático’ contra Fernando Lugo, presidente eleito do Paraguai.

Processado e derrubado pelo Congresso em 33 horas, seu afastamento consolidou-se na eleição deste domingo, que devolveu o poder à direita paraguaia.

Três anos antes, a modalidade já havia sido testada em Honduras.

O Presidente Manuel Zelaya foi ‘impedido legalmente’ em 29 de junho de 2009.

Seis meses depois, uma nova eleição dava sua vaga ao conservador Porfírio Lobo, derrotado por Zelaya em 2005.

Enfim, se você perde nas urnas o jeito é afastar quem ganha para liberar o caminho.

O então governo Lula repeliu o golpe contra Zelaya. E a embaixada em Honduras concedeu asilo ao presidente deposto.

O conjunto foi duramente criticado pelo dispositivo midiático

No caso de Lugo, as emissões conservadoras se alvoroçaram de maneira ainda mais ostensiva.

A frente pró-golpe manifestar-se-ia, primeiro, no Congresso brasileiro.

Expoentes tucanos e emissários do agronegócio brasileiro, que anexou extensões escandalosas de terras do país vizinho, em prejuízo dos camponeses locais, desfraldariam o lobby.

Queriam o ‘reconhecimento imediato do novo governo amigável’ por parte da Presidenta Dilma.

Rechaçados, entrou em campo a cavalaria midiática.

A Folha disparou um editorial sugestivamente intitulado ‘Paraguai soberano’(26-06). Curioso que não tenha feito algo equivalente no caso recente da Venezuela.

O texto esbravejava antecipadamente contra a reunião do Mercosul que ocorreria em Mendoza, três dias depois, para examinar a crise.

O jornal da família Frias recomendava , quer dizer, ordenava: ‘o melhor que o Itamaraty tem a fazer é calar-se e respeitar a soberania do vizinho’.

Como os presidentes do Brasil, Argentina e Uruguai não se pautaram pelos editoriais e, ademais de suspender o Paraguai golpista, incorporaram a Venezuela ao bloco, as cepas e esporões direitistas passaram a reproduzir-se com furor lacerdista no noticiário.

A política externa brasileira foi reduzida à posição de linha auxiliar do chavismo e do kichnerismo.

No caso recente da eleição venezuelana, o diapasão conservador arremeteu direto contra as urnas

A margem estreita que marcou a vitória de Nicolas Maduro contra o direitista Enrique Capriles foi a senha para a contestação do processo democrático.

A ordem unida veio dos EUA: não legitimar Maduro enquanto uma recontagem não ‘esclarecesse melhor o quadro’.

A mesma cautela não se verificou quando dos golpes em Honduras e no Paraguai, imediatamente reconhecidos como legítimos por Washington.

Enquanto o governo Obama dava corda à reação interna venezuelana, o jogral brasileiro disparava obuses na tentativa de acuar o Itamaraty e a Presidenta Dilma.

Não funcionou.

O governo brasileiro foi um dos primeiros a parabenizar Maduro pela vitória e a felicitar a democracia venezuelana.

Não só. Sob a liderança conjunta do Brasil e da Argentina, a Unasul foi convocada e respaldou o processo democrático venezuelano.

Colocou-se mais uma vez como uma pedra no sapato da ingerência norte-americana na região.

A transparência eleitoral na Venezuela é reconhecida por observadores internacionais insuspeitos.

O eleitor venezuelano registra seu voto na urna eletrônica, que lhe fornece um recibo da escolha feita. Depois de conferido, ele o deposita em caixas lacradas.

“Ao final da jornada, 54% dessas caixas são sorteadas e submetidas à auditoria. Prática que, em tamanha porcentagem, não é feita por nenhum outro país do mundo”, informa o enviado de Carta Maior à Venezuela, Vinicius Mansur (leia nesta pág).

O Departamento de Estado norte-americano e o conservadorismo brasileiro sabem desses procedimentos.

De fato, não é a lisura do pleito que os mobilizava. E sim a possibilidade de ampliar ‘a ofensiva democrática’ na região, desautorizando Maduro para conduzir Capriles ao poder.

Nos três episódios, a pronta intervenção da Unasul e do Mercosul atrapalhou a vida do golpismo, seccionando o oxigênio externo fornecido pelos EUA.

Essa capacidade de defender a soberania democrática é uma novidade histórica que incomoda os interesses conservadores na região.

A liderança brasileira é o combustível que injeta credibilidade e coesão a essa nova institucionalidade.

Não incorre em erro quem suspeitar que esse papel incômodo pesará nos arranjos, no financiamento e na intensidade do cerco para afastar o PT do caminho, em 2014.

Postado por Saul Leblon às 18:30

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