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O tenentismo togado e a crise total: estamos às portas de uma anti-Revolução de 1930

28 maio

tenentismo

O tenentismo togado propõe a demolição do Estado e das forças produtivas que o Brasil foi capaz de construir ao longo de mais de 80 anos

Por Rodrigo Vianna ( O Escrevinhador )

Marco Aurélio Garcia, ex-assessor internacional de Lula e Dilma, que além de ter atuado nos bastidores dos dois governos é historiador e observador da cena política.

Ao contrário do que se imaginava, a Lava-Jato e o movimento comandado por procuradores, juízes e delegados federais não tinham como objetivo apenas derrubar o governo Dilma, nem destruir o “lulo-petismo” – como davam a entender colunistas e políticos ligados ao tucanato.

Este blogueiro, desde 2015, lembra que a Lava-Jato tinha, sim, um claro viés antipetista; mas sempre foi muito mais que isso.

Enganava-se quem via na atuação de Moro, Janot e outros togados um projeto “tucano”. O MPF e o juiz das camisas negras fizeram uma aliança puramente “tática” com o PSDB e setores de centro-direita para atacar Lula e derrubar Dilma. Mas a Lava-Jato jamais esteve “a serviço” do PSDB – como os próprios jornalistas tucanos chegaram a acreditar.

Um analista entrevistado pela BBC usou uma definição interessante para a ação dos procuradores e juízes: seria uma espécie de “tenentismo togado” (clique aqui para ler mais). O paralelo que se traça é com o movimento militar de jovens e impetuosos oficiais, que se levantou contra a República Velha, num longo enfrentamento que teve como desfecho a Revolução de 1930 comandada por Getúlio Vargas:
Não parece haver um recorte específico no sentido de poupar os demais partidos. No fundo, o que os “tenentes togados” fazem é o processo da vida política brasileira como um todo: “querem, em nome da ética jurídica, dos “valores republicanos”, erradicar a “politicagem” da cena brasileira. Mas é inegável que existe também um viés antipetista, às vezes por questão de classe, às vezes por perceberem a mistura de socialismo com corrupção como satânica ou herética” (Christian Edward Cyrill Lynch, doutor em Ciência Política pelo Instituto de Estudos Sociais e Políticos, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ).

O tenentismo teve o papel de ajudar a demolir a velha ordem. Alguns tenentes foram levados ao governo de Vargas pós-1930, na qualidade de interventores estaduais. Outros caminharam para o prestismo que depois comandaria o PCB (Partido Comunista do Brasil) durante cinco décadas. Mas o tenentismo, ótimo para demolir a velha ordem, não tinha um projeto para colocar no lugar da Velha República. Na última hora, um político advindo da velha ordem (Getúlio Vargas, que fora ministro de Washington Luiz, último presidente da República Velha) assumiu o poder e lentamente construiu uma nova ordem.

O paralelo termina aqui. Está claro que, ao contrário dos tenentes (que eram ingênuos e sem projeto, mas lutavam pela modernização do país), os procuradores/delegados/juízes do século XXI não têm um sentido de construção nacional. Mas de demolição pura e simples.

Estamos diante de uma crise de regime, sim. Que, se chegar ao ápice, pode levar à destruição não só do “lulo-petismo”, mas de toda a ordem democrática implantada desde a Constituição de 88. E mais que isso: em certo sentido, pode levar à destruição do longo projeto de Estado Nacional iniciado em 1930.

O sentido de tudo que aconteceu de 1930 para cá foi: o Brasil pode ser um Estado autônomo, pode incluir as massas no desenvolvimento (com mais ou menos direitos, mais ou menos liberdade), e o governo cumpre papel central no desenvolvimento, dada a incapacidade da burguesia de liderar qualquer projeto nacional.

Os militares de 64 não ousaram confrontar a herança varguista de Estado. Collor tentou, e caiu. FHC anunciou que enterraria a Era Vargas, mas não conseguiu – seja porque dentro do PSDB ainda havia setores que seguraram a onda ultraliberal, seja porque na oposição o bloco PT/CUT/movimentossociais/partidos de esquerda foi capaz de resistir ao desmonte.

O tenentismo togado, agora, propõe (talvez sem a devida clareza, mas por ações práticas) uma demolição do Estado e das forças produtivas que o Brasil foi capaz de construir ao longo de mais de 80 anos. Estão na mira: Petrobras, BNDES, construção pesada, agro-indústria. É uma crise sem precedentes. Uma crise de regime. Uma espécie de anti-Revolução de 1930.

Assim como os tenentes não tinham projeto, mas apenas a energia renovadora, os togados não parecem ter outra função que não seja demolir tudo. Mas o poder, como sabemos, não admite vácuo. Alguém ocupará espaços. Se o tenentismo togado cumpre a tarefa de implodir o sistema político e de minar a própria ideia de um Estado forte, com vistas ao desenvolvimento, sobra o que?

Provavelmente, uma nova ordem baseada em “iniciativa privada, visão gerencial privatista, abertura do país”.

Muita gente se pergunta: por que a Globo foi com tanta sede ao pote na direção de destituir Temer?Ora, porque a Globo pretende se safar do naufrágio, pretende estar do outro lado do balcão se, e quando, a crise de regime levar de roldão PT/PSDB/PMDB e as agências federais de desenvolvimento – como BNDES, Petrobras e toda a longa e bem sucedida construção varguista do Estado.

A Globo é a organizadora do projeto privatista, do novo regime que já nos espreita na esquina da história.

Mas nem a Globo pode se salvar, se as delações de Ricardo Teixeira arrastarem para a fogueira da destruição os direitos de transmissão esportivas e os esquemas de lavagem de dinheiro já denunciados aqui – https://vimeo.com/album/2146619.

Até 2 ou 3 meses atrás, setores mais responsáveis do centro democrático emitiam sinais de que era preciso “salvar a política” do avanço destrutivo representado pelo tenentismo togado. Lula era visto como o nome que, de dentro do sistema político, poderia comandar a necessária resistência. Nelson Jobim e Renan, além do próprio FHC, chegaram a vocalizar essa estratégia.

Mas o tempo pode ter passado. A crise de regime pode arrastar a todos, sem exceção.

Em 1930, brotou na última hora uma solução autoritária (Vargas) que deu sentido para a demolição da República Velha. Um sentido nacional, de desenvolvimento.

Minha impressão (e espero estar errado) é que vai surgir nos próximos meses uma liderança autoritária, que ofereça um sentido para a destruição promovida pelo tenentismo togado. Mas agora um sentido regressivo, de recolonização do Brasil.

A anti-revolução de 1930 avança, e me parece que nem Lula teria força agora para deter a onda que se avoluma no horizonte.

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Não. Não é que você não tenha bandido de estimação.Por Vinicius Tavares

21 maio

 

eleitores de aécim

Não. Não é que você não tenha bandido de estimação.

Você votou no Aécio sabendo que ele era ladrão.

Afinal de contas, em 2014, já abundavam denúncias contra ele, notadamente em Furnas e no governo de Minas.

O Google e as redes sociais não te permitem esquivar-se desta responsabilidade.
Você fez vista grossa!

Você aplaudiu a ascensão do Cunha à presidência da Câmara apesar da notória e extensa folha corrida dele.
E depois de deflagrado o processo de impeachment, você passou a tratá-lo com o carinhoso epíteto, veja só!, de “malvado favorito.”
Você foi um dos “milhões de Cunhas”.
Você acoberta todos os desmandos e ilegalidades dos milenaristas de Curitiba.

Você foi pra rua, naquele fatídico 17 de abril de 2016, esperar a derrocada de uma presidente legítima, ao cabo de um processo fajuto, esperando comemorar a ascensão do homem que, hoje, soçobra sob o peso de denúncias de corrupção.

Aliás, não demorou muito pra você perceber a m que fez e, “mandando às favas todos os seus escrúpulos de consciência”, tentar jogar o seu lixo no quintal do vizinho.
Claro!
Pra você, na sua falta de coragem pra assumir o que fez, na sua covardia, quem colocou o temer no poder foram os eleitores da Dilma. Você aprendeu esta fala em alguma página do mbl e a repete ad nauseum com a desfaçatez de fazer corar as penteadeiras dos mais sórdidos prostíbulos.
Este mesmo mbl do qual você compartilha postagens apesar de saber das falcatruas que seus membros andam envolvidos.

Não. Você diz que não tem bandido de estimação mas não se trata mais disso.

O que você não tem é caráter.”

 

Vinicius Tavares

 

 

Análise e  tendências sobre o golpe .Por Stanley Burburinho 

23 dez

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O que penso. Posso estar enganado: o PSDB encomendou e pagou pelo golpe, mas não levou, se enfraqueceu, c omeçaram as brigas internas (ontem no Senado, Tasso, aliado de Aécio, quase saiu no tapa com Serra, que tem Aécio como desafeto), não tem candidato forte para 2018, predeu a presidência da República que pretendia com o golpe, virou minoria no Senado e na Câmara e ficará estigmatizado para sempre como golpista. O tiro saiu pela culatra. O PSDB e seus aliados, incluindo a Globo, são os grandes perdedores do golpe que pode ter sido tiro no próprio pé dos tucanos. Poderá ser o fim do PSDB que sempre fez tudo para acabar com o PT.
No final do golpe, o PMDB ficou com a presidência da República, com a presidência do Senado e com a presidência da Câmara. O PSDB ficou sem nada e não tem forças para derrotar o PMDB. Os golpistas não contavam com o fator Cunha que domina mais de 2/3 dos 513 deputados e grande parte dos senadores. Qualquer presidente que entrar agora será refém de Cunha e sua turma no Congresso.
A partir de hoje, a Globo pisará em ovos com o PMDB que ela sempre bateu. A Globo sabe que quem concede, renova e cassa concessão de mídias é o Senado e não o presidente da República.

A Globo também sabe que as concessões de todos os veículos de mídia da Globo começam a vencer em 2018 até 2022. Eis um dos motivos do medo da Globo do Lula se reeleger em 2018. O que impede o PMDB do Senado a qualquer momento colocar em votação a cassação da concessão da Globo? Nada. Se o PMDB fizer isso, com certeza, contará com o apoio dos senadores do PT e seus aliados e o PSDB, que será minoria, nada poderá fazer.
O Procurador-Geral, Rodrigo Janot, chefe do MPF, que bateu muito no PMDB e no Cunha, também pisará em ovos, a partir de hoje, quando tratar com o PMDB. O PGR sabe que só o Senado poderá destituí-lo e o PMDB tem maioria e poderá contar com a ajuda do PT e seus aliados. O PSDB não poderá fazer nada para impedir.
O MPF, que bateu muito no PMDB e no Cunha, também pisará em ovos com o PMDB a partir de hoje porque sabe que, a qualquer momento, o PMDB pode resolver exumar a PEC37, projeto de um petista do Maranhão, que retira o poder de investigação dos MPs e deixa somente com as polícias, que foi adquirido durante as manifestações de junho de 2013, com a derrubada da PEC37 que teve enorme apoio da Globo.
Outra coisa: se o deputado Waldir Maranhão renunciar da presidência da Câmara, Cunha já tem o candidato substituto. O PSDB nada poderá fazer.
Qual a chance do PSDB derrotar o PMDB na eleição para o novo presidente da Câmara? Somente se o PSDB pedir ajuda ao PT e seus aliados e formar maioria para derrotar o PMDB na Câmara. E se o PMDB não quiser abrir mão da presidência da Câmara? Terá que pedir ajuda ao PT e seus aliados para formar maioria e derrotar o PSDB. E, por incrível que pareça, o próximo presidente da Câmara poderá não ser do PMDB nem do PSDB, mas poderá ser do PT ou de algum partido aliado do PT
O PMDB ou Cunha poderão, a qualquer momento, colocar em votação o pedido de impeachment de Temer, conforme solicitado pelo Marco Aurélio de Mello do STF. Temer será refém de Cunha e terá que ignorar a Globo e o PSDB. Se isso ocorrer, Temer, além de ser refém de Cunha, teria o PT ou algum aliado do PT, na presidência da Câmara para engavetar todos os projetos dele.
Gilmar Mendes, que desde ontem é o novo presidente do TSE poderá cassar o mandato de Temer? Sim, mas não fará isso. Se fizer isso ainda em 2016, haverá eleição direta e o serrista Gilmar não vai querer ver Aécio, desafeto de Serra, concorrendo aproveitando o recall da eleição presidencial de 2014. Então Gilmar poderá deixar para 2017? Sim, mas também não fará isso porque sabe que depois de 2016, a eleição será indireta e, por ter maioria, o PMDB fará o novo presidente do Brasil indiretamente e são grandes as chances de ser alguém indicado por Cunha. Para evitar que o PDMB faça o novo presidente via eleição indireta, o PSDB precisará da ajuda o PT e seus aliados para formar maioria. Por outro lado, para o PMDB eleger o novo presidente via eleição indireta, precisará da ajuda do PT e seus aliados para formar maioria.
Muita gente estranhou o fato de ontem Gilmar Mendes ter aberto inquérito para investigar Aécio, presidente do PSDB. Claro. Aécio é desafeto de Serra, grande amigo de Gilmar. O PSDB e seus apoiadores sabem que o enfraquecimento do PSDB, em grande parte, é devido à infantilidade de Aécio. Querem se livrar dele porque, ao que tudo indica, a carreira política de Aécio acabou. Ele não consegue votos em MG, seu estado natal, nem no RJ, onde mora. Serra é o candidato da velha mídia e dos EUA porque é entreguista. Já vimos na velha mídia matérias atacando os tucanos Aécio e Alckmin, mas nunca vimos nada atacando o tucano Serra. Vimos Aécio e Alckmin serem vaiados na manifestação da direita na av Paulista, mas Serra não foi vaiado.
Nos próximos 180 dias, até a votação final no Senado, veremos muita gente arrependida com o golpe, sem falar no povo. Não estranhe se na votação final, os golpistas, liderados pelo PSDB e com apoio da velha mídia, desistirem do golpe e votarem a favor de Dilma permanecer no cargo. Se isso não acontecer, quanto mais tempo os golpistas ficarem no poder, até 2018, se queimarão mais ainda e o PSDB e a velha mídia serão culpados pelo povão. Se isso acontecer, o PT retornará fortalecido. Temer já começou a fazer um monte de besteiras. Empresários de SP já disseram que Temer está jogando a eleição de 2018 no colo de Lula.
Com o fim das doações de empresas para campanhas políticas, o PSDB e o PMDB vão passar apertado nas próximas eleições. O PT tem militância que doará. Até hoje eu nunca vi um militante do PMDB. O PSDB tem militantes, mas poucos filiados e que doariam.
O Lewandowski do PSDB disse que o STF poderá analisar o mérito do golpe travestido de impeachment, bastando ser provocado pelo PT. Por que o PT ainda não provocou o STF? Sacou?

*Stanley Burburinho

O golpe não foi dado contra Dilma, Lula ou o PT.

8 out

temer-detonador

Por Prof. Nilson Lage:

Não se deixem enganar.

O golpe não foi dado contra Dilma, Lula ou o PT.

Não começou em 2013.

Está ainda em curso e visa o Brasil,suas riquezas, seu futuro e, afinal, sua existência
como nação.

A articulação data do início dos governos trabalhistas e aproveita estrutura de penetração
ideológica montada nos anos 1980 e 1990, as décadas perdidas, para dar cobertura à
incorporação da economia do país à globalização neoliberal.

Implantaram-se institutos (think tanks), mobilizaram-se agitadores, desfecharam-se os
movimentos de massa paralelos à conspiração política e jurídica,com cobertura midiática –
tudo para construir o ambiente adequado à derrubada do governo constitucional.

Ao mesmo tempo, apertava-se o torniquete econômico e instalavam-se bases militares nas
fronteiras nacionais.

Qualquer governo que contrariasse os interesses mobilizados para o golpe seria derrubado:
o do PT foi visado, como antes o PTB de Getúlio, o PSD de Juscelino e até o governo
militar de viés nacionalista pós-Geisel.

Só que, dadas as circunstâncias internacionais e o avanço das técnicas de controle
psicossocial, o golpe arriscou-se a ser mais radical e abrangente que os processos
anteriores.

Assistimos à versão latino-americana, soft, da “primavera árabe”..

Francamente…por Maisa Paranhos

16 set

Resultado de imagem para Lula

 

Francamente…
O Dirceu acreditou que não seria preso pois é inocente e NÃO POSSUÍAM PROVAS contra ele.
E está preso.

Dilma acreditou que a sua honra e sua inocência bastariam para inocentá-la uma vez que NÃO SE PROVARAM os crimes de responsabilidade fiscal.
E Dilma foi arrancada da Presidência e sofremos o golpe.

Lula está sendo acusado SEM PROVAS de ter usado dinheiro desviado para a compra de um apartamento que não comprou, tampouco é o dono da tal chácara…
O que a gente supõe que vai ocorrer com o Lula?

Agora, pensemos….

Desde 2005 eles querem pegar o Lula.
A Lava Jato surge para desmontar o Brasil dando aparência de combate à corrupção.
Foram gravações, golpes dentro de golpes, farpas entre a própria direita, queda do Cunha, desmonte do Estado, tudo isso, para acabar com o Lula e com o PT.

E alguém, em sã consciência, acredita que por FALTA DE PROVAS eles vão poupar o Lula?

Esses caras tem algum compromisso com a lei, a verdade, a legalidade de alguma coisa?
Eles poupariam o Lula por ser um líder popular?
Mas se é justamente por ser um líder popular que o desejam inelegível!!!!

Se o prendem, Lula será uma lenda viva e conduzirá as eleições de dentro da prisão.

Se o matam, será uma lenda, morto.
E o PT cresce exponencialmente.

Se o tornam inelegível somente, sem grandes dramas, com uma prisão domiciliar no máximo, terão chegado ao seu fim.
Sem muita crueldade

Pensemos…

Não podemos mais nos surpreender.
Não podemos mais esperar ou acreditar que a justiça será feita.
Não será.

Ou temos uma atitude de ocupação dos espaços políticos, em cada localidade de nosso país, com greve geral, num movimento sem tempo para acabar, ou Lula será inelegível.

O líder é nosso e não deles.

Lembremos, eles NÃO PRECISAM DE PROVAS.
Está evidente isso, não?
Aliás, já nos deram provas disso…

Vamos ficar esperando outra nota de repúdio do Rui Falcão?

Ou Dá ou Desce

20 jun

 

http://outraspalavras.net/alceucastilho/wp-content/uploads/2016/03/

Texto de Luciano Leon VIA Míriam M. Morais
“É muito cansativo conversar com quem só enxerga em preto e branco. Apesar de toda a veia igualitária/social do Lula e Dilma, tudo que eles fizeram acabou beneficiando demais o empresariado, que lucrou com uma população com mais recursos e mais dignidade.

Mas mesmo este caminho precisa “dar bom dia” pra Deus e pro Diabo. é preciso segurar o vômito e aceitar que vermes rastejantes sentem na mesma mesa ou eles viram a mesa e fazem bagunça (vide Cunha). Como vimos com o golpe, há poderosas forças em ação. Elas se juntam e decidem o que é certo/errado, o que vale e o que não vale.

Ou o povo da esquerda dá o voto de confiança que a Dilma merece e a deixa trabalhar ou a própria esquerda vira uma força para os coxinhas alimentarem péssimas e falsas imagens sobre a Dilma. Eu nunca condenei uma única vírgula decidida pela Dilma. Mesmo quando ela reorganizou coisas “imexíveis”, como o Seguro-Desemprego e ninguém teve boa vontade pra entender.

As pessoas precisam colocar na equação a evolução social trazida por Lula e Dilma e não ficar choramingando por causa de cada bom-bom que ela percebe ser melhor tirar de um pote e passar pra outro, pra melhorar o conjunto. Da mesma forma é preciso deixá-la compor seu grupo de trabalho “do jeito que dá”, já que está cercada de bestas selvagens de pura pornografia moral. Taí o Temer como exemplo.

Quem votou na Dilma precisa apoiá-la incondicionalmente. Ou você confia no seu voto ou então vai logo pro PSDB, veste uma camisa da Seleção e para de encher o saco da esquerda. A outra alternativa em apoiar a Dilma, é termos um governo fascista e um Estado Policial totalmente desumano como o Temer e seus corvos estão desenhando para nós.

Seguinte povo da Esquerda: OU DÁ OU DESCE!”

 

Negro, pobre e sem-terra: quem são os brasileiros que estudam medicina na Venezuela

24 maio

Após os dois primeiros anos de faculdade, os estudantes se descentralizam entre os estados venezuelanos e se incorporam aos centros hospitalares e ambulatórios, onde ficam do terceiro ao sexto ano do curso até se tornarem efetivamente médicos profissionais. - Créditos: Luiz Felipe Albuquerque/Saúde Popular

 

Após os dois primeiros anos de faculdade, os estudantes se descentralizam entre os estados venezuelanos e se incorporam aos centros hospitalares e ambulatórios, onde ficam do terceiro ao sexto ano do curso até se tornarem efetivamente médicos profissionais. / Luiz Felipe Albuquerque/Saúde Popular

Aos 21 anos, Jéssica Rodrigues Trindade não pensava que um dia poderia cursar uma faculdade de Medicina. O Brasil mantém um perfil elitizado na formação médica, com apenas 2,6% de negros entre os formados na área, em um território onde a maioria da população se declara como negra ou parda (53%), segundo dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas (Inep). Mas não foi em uma escola brasileira que a assentada da reforma agrária e filha de camponeses pobres do estado do Pará quebrou esse paradigma.

Jéssica faz parte de um grupo de cerca de 250 jovens de 32 países de diversas partes do mundo que estudam na Escola Latino-americana de Medicina (Elam), na Venezuela. “Eu que sou negra, pobre, filha de pobre, vejo agora toda minha família vibrando pelo fato de eu estar aqui. As gerações da minha família não tiveram acesso à educação e entrar em Medicina é ainda mais complicado”, conta Jéssica, assentada no Palmares II, na cidade de Parauapebas (PA).

Criada em 2007 pelo então presidente venezuelano, Hugo Chávez, em parceira com Cuba, a Elam busca formar médicos de diversos países que tem carência na área. “Esse é um objetivo primordial da escola: formar médicos – que não teriam a possibilidade de estudar em seus países – não só na ciência, mas também em consciência, porque são médicos que voltarão aos seus países para dar um retorno aos seus povos, cuidando das doenças e dos problemas que seus países enfrentam”, explica o cubano Arturo Pulga, médico e coordenador acadêmico da Elam na Venezuela.

É dessa maneira que o conceito metodológico e pedagógico pensado pela escola se diferencia do que é compreendido pela medicina convencional. “Se você vai atender o povo tem que ser uma medicina comunitária, por isso formamos médicos integrais comunitários, que vão à comunidade atender aos problemas dela. Um aspecto social fundamental é que essa medicina não é apenas para curar doenças, mas para preveni-las”, destaca Pulga.

Logo quando chegam à Elam, todos os estudantes participam de um curso introdutório de cerca de seis meses para nivelar o conhecimento sobre diversas áreas, como matemática, biologia, química e também sobre o pensamento latino-americano. Depois desse processo, eles ingressam na formação da carreira médica pelos dois anos seguintes, coordenado por um corpo docente de venezuelanos e cubanos.

Nesse período, os estudantes já começam a trabalhar nos Centros de Diagnósticos Integrais (CDIs) das comunidades, o equivalente às unidades básicas de saúde no Brasil, onde entram em contato com os moradores nos bairros carentes e praticam o conteúdo teórico que aprendem na sala de aula.

“Esse é um elemento importante dessa medicina, pois desde o primeiro ano os estudantes se vinculam com os pacientes nas comunidades. É uma diferença fundamental do modelo tradicional. Desde o primeiro dia que eles entram aqui, já têm vinculação com a prática, nos lugares onde estão as comunidades, os mais pobres, os mais necessitados”, relata Pulga.

Experiência

Uma das coisas que mais chamaram a atenção de Jéssica ao chegar na Venezuela foi o fato de a maior parte da população daquele país ter acesso à saúde básica por meio dos CDIs. “Em um simples bairro, você tem médicos para todas as áreas. A pessoa chega e já faz o atendimento”, conta.

Quanto às aulas práticas nos CDIs, a sem-terra destaca a importância desses momentos, pois eles permitem a troca de experiências. “Conversamos com os médicos cubanos sobre o trabalho deles. É muito boa essa troca, porque você vê uma medicina diferente, você vê que eles realmente estão preocupados com as pessoas”, avalia.

Esse, por sinal, é um dos fatores que mais instiga Jéssica a se dedicar à profissão. Segundo ela, são poucos os médicos no Brasil que se preocupam de fato com o paciente. “Às vezes o paciente não necessita de remédio, só precisa que se converse, sabe? Quando se tem a compreensão que o outro também passa necessidade, isso ajuda muito. Por isso essa medicina é diferente, é importante se preocupar com o outro e contribuir a partir do que você sabe. Isso é gratificante”, declarou.

Formação

Após os dois primeiros anos de faculdade, os estudantes se descentralizam entre os estados venezuelanos e se incorporam aos centros hospitalares e ambulatórios, onde ficam do terceiro ao sexto ano do curso até se tornarem efetivamente médicos profissionais.

Segundo Pulga, está cientificamente provado que 80% das doenças podem ser diagnosticadas a partir da atenção primária de saúde, de um questionário adequado que se leve em conta as pessoas e o meio social delas, considerando o local onde estudam, trabalham, etc.

“Por isso [esta formação] tem paradigmas diferentes da medicina tradicional. É uma medicina muito contemporânea em relação ao atual momento e as dificuldades dos nossos países, sobretudo, os latino-americanos, que tem dificuldades econômicas e uma população muito grande que necessita da atenção médica”, defende o coordenador.

Perspectivas

Quando os estudantes são questionados sobre o que pretendem fazer depois de passar por esse processo formativo, as respostas são praticamente as mesmas: o retorno para a terra de origem para cuidar “do povo”.

Vinda de Tabocas, uma cidade de 11 mil habitantes no oeste da Bahia, Soraya de Souza Santana, 21 anos, do Movimento das Mulheres Camponesas (MMC) pretende rearticular um conhecimento popular que foi se perdendo com o tempo na sua região.

“No tempo em que eu nasci, as mulheres que ajudavam uma as outras, faziam os partos, visitavam, buscavam alimentos para as crianças, davam multi-mistura para ajudá-las na nutrição. Eu tenho a perspectiva de resgatar algumas dessas coisas que foram se perdendo com o tempo”, aponta.

Apesar de recém-chegada à Venezuela, Jéssica não vê a hora de poder voltar e ajudar a população com o que aprenderá nos próximos seis anos. “Quero contribuir com quem fez que eu estivesse aqui: a luta do povo. Algumas pessoas que não compreendem isso, falam que eu estou aqui por mérito. Não, o mérito não é meu, o mérito é do meu povo. Foi ele que lutou para eu estar aqui. Tem toda uma América Latina em luta, isso aqui não é uma escola qualquer”, destacou.

 

Por Luiz Felipe Albuquerque 

Do Saúde Popular, enviado especial à Venezuela, 19 de Maio de 2016 às 15:34

Cooperação Internacional -Brasil De Fato

 

 

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