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Os jornalistas da Globo são tão responsáveis pelo golpe quanto seus patrões. Por Paulo Nogueira

10 maio

A voz dos patrões

 

Minha tolerância com qualquer coisa produzida pela Globo é baixíssima.

Tudo ali me provoca repugnância.

Mas acabei vendo alguns minutos da GloboNews no dia em que Waldir Maranhão anulou, ou tentou anular, a sinistra sessão em que bufões da Câmara aprovaram o golpe.

No pouco que aguentei ver, o que mais me impressionou foram as análises da comentarista Cristiana Lobo.

Ela acredita mesmo nas coisas absurdas que fala? Foi essa a pergunta imediata que me fiz.

Cristiana condenou a instabilidade que Maranhão trouxera para a cena política. Deus. Sob o comando descarado da Globo em que ela trabalha, a oposição vem promovendo uma brutal instabilidade no Brasil desde que Dilma se elegeu para um segundo mandato.

Aécio, o playboy do Leblon que se consagrou como o mais sórdido perdedor da história política nacional, colocou imediatamente em dúvida a lisura das eleições. Chegou a reivindicar, no primeiro grande espasmo golpista, que sua chapa fosse empossada no lugar da encabeça por Dilma e o traidor.

A Globo esteve por trás de todo o processo de desestabilização do governo eleito. Jamais serão esquecidos os circos montados pela emissora a cada etapa em que a Lava Jato perseguia os suspeitos de sempre – os petistas.

Também ficarão na memória as coberturas de protestos contra Dilma, tratados como grandes festas da sagrada família brasileira.

Isso para não falar na criminalização de pedalinhos em intermináveis minutos no Jornal Nacional.

A Globo virou a Veja. Abandonou completamente o jornalismo para se dedicar ao golpe todos os dias e todas as horas.

Com a diferença de que a Veja é uma revista semimorta, e a Globo, monopolista, infesta a cena de mídia nacional com jornais, rádios, emissoras de tevê etc etc.

Em seu cinismo bandido, a Globo fingiu se bater pela moralidade. Logo ela, símbolo da corrupção, uma empresa que faz qualquer coisa para que seus donos mandem no Brasil e, assim, multipliquem uma fortuna pessoal indecente.

A Globo sonega. A Globo paga propina para transmitir Copa do Mundo e outras coisas que lhe trazem um dinheiro colossal. A Globo se encharca de recursos públicos via BNDES. A Globo é um monstro moral.

E se faz de virgem.

Os jornalistas da Globo, no golpe em curso, contribuíram decisivamente para a causa abjeta dos patrões.

Um caso exemplar é o de Erick Bretas, que se fantasiou de Sérgio Moro no Facebook para defender histericamente o golpe. Não é a única fantasia de Bretas: ele também se vestiu e se veste de jornalista.

Não é apenas a Globo que deve ser combatida impiedosamente pela sociedade pelos males que fez, faz e fará contra o país.

Também seus jornalistas devem receber o justo castigo por ajudarem a transformar o Brasil num imenso, num desolador Paraguai.

Ou o Brasil acaba com a Globo ou a Globo acaba com o Brasil. Os Marinhos sempre tramarão para que sejamos uma república dos plutocratas, desigual, em que uns poucos tenham muito para que a imensa maioria divida o resto.

O bilionário Jorge Paulo Lemann disse que o Brasil jamais será estável enquanto houver desigualdade.

Acrescentemos: e jamais será iguialitário enquanto existir a Globo.

Uma das raras coisas boas dessa crise é que nunca isto ficou tão claro.

A Globo boicotou a democracia a cada instante neste golpe. Ela tem que ser combatida nesta mesma medida: a cada minuto, compreendidos aí os Marinhos e seus cúmplices jornalistas.

 

Por Paulo Nogueira – DCM (Diário do Centro do Mundo )

Agora para a Globo é matar ou morrer, por Wilson Ferreira

5 abr

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Por Wilson Ferreira

Depois de servir como um substituto midiático a uma incompetente oposição parlamentar, agora a Globo parte para o desespero: matar ou morrer, isto é, ou o sucesso do impeachment que lhe garanta sobrevivência num mundo de hegemonia dos dispositivos de convergência tecnológica ou ser engolida pelo Google. Desde que a presidenta Dilma apareceu nas mídias dentro de uma carro automático do Google controlado por GPS no ano passado, a Globo radicalizou contra um governo que promete favorecer seus adversários tecnológicos e comerciais – Facebook e Google. Nem que seja ao custo de perder anunciantes, cada vez mais preocupados com a crescente rejeição ao Grupo Globo estampado em redes sociais e manifestações de rua. Mas a Globo vive um cenário complexo: está entre a “guerra híbrida” produzida pela estratégia geopolítica dos EUA para esfacelar os BRICS e a inevitabilidade do fim do tradicional perfil de publicidade com a entrada do Google com tudo no País.

Na semana passada o programa esportivo Globo Esporte mostrou imagens de torcedores invadindo o treino do Palmeiras com narizes de palhaço e conduzindo uma faixa louvando o juiz Sérgio Moro em uma manifestação anti-Dilma. Por outro lado, nas últimas transmissões ao vivo dos campeonatos regionais de futebol vêm ignorando faixas com mensagens “Não Vai Ter Golpe” ou “Cadê a Minha Merenda” da torcida Gaviões da Fiel – relacionado a escândalos das merendas escolares envolvendo o governo Alckmin.

O apoio das Organizações Globo ao movimento de impeachment contra a presidenta torna-se nos últimos meses cada vez mais explícito com o aumento da temperatura política que indica que se aproxima o momento final do tudo ou nada para a oposição formada pelo espectro jurídico-parlamentar-midiático.

 O que mais impressiona analistas de mídia e jornalistas é que a ação política atual da Globo (capaz de politizar até mesmo a pauta do jornalismo esportivo)  estaria abandonando o próprio pragmatismo que marcou a carreira do patriarca Roberto Marinho, que sempre soube, nas suas cavalgadas políticas, o momento certo de mudar de direção quando a militância prejudicava os negócios.

Foi assim quando a Globo abandonou a ditadura militar, que ajudou a mantê-la em troca da ajuda para a construção do seu monopólio, quando o movimento Diretas Já ganhou as ruas. Ou quando ajudou a derrubar Fernando Collor apoiando seu impeachment, depois que ela própria ajudou a elegê-lo  presidente em 1989, quando percebeu a mudança de direção dos ventos da política nas ruas.

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Sidney Rezende: anunciantes preocupados com rejeição à Globo

Hoje, os filhos de Roberto Marinho (como diz o jornalista Paulo Henrique Amorim, “eles não têm nome próprio”) parecem mergulhar de cabeça em uma espécie de tudo ou nada, ignorando os crescentes protestos e críticas à sua parcialidade, inclusive internas de jornalistas e atores da emissora nas redes sociais.

Um tiro no pé?

Um estranhamento que parece estar chegando aos próprios anunciantes da Globo. Segundo Sidney Rezende, ex-jornalista do canal fechado Globo News, a multiplicação de palavras de ordem, faixas e a rejeição contra o Grupo Globo estampada nas redes sociais e em manifestações nas ruas estaria preocupando anunciantes. 

Tanto que na semana passada ocorreu uma reunião formada por dois presidentes que representam os interesses de companhias que estão entre os 30 maiores anunciantes do Brasil, seis vice-presidentes de empresas de áreas diversas que atuam em higiene e limpeza, setor automotivo e varejo. No final do encontro foi decidido encomendar uma análise a uma agência internacional de acompanhamento de postagens na internet para avaliar a percepção dos consumidores em relação aos produtos e serviços dos patrocinadores da Globo.

Ainda segundo Rezende, o estudo será concluído em 90 dias e se restringirá a marcas anunciadas nos veículos do Grupo Globo.

Tudo levaria a crer que a Globo estaria dando um tiro no próprio pé, num mergulho kamikaze onde a Organização estaria abandonando o pragmatismo dos negócios para dedicar-se a ação política em tempo integral e mandando às favas a sua credibilidade e profissionalismo.

O primeiro momento histórico da Globo

As Organizações Globo vivem um momento histórico tão decisivo quanto foram os tempos das décadas de 1960-70 – época da implementação da primeira network brasileira enfrentando as audiências das grandes emissoras da época: Tupi e a Record.

Naquele momento Roberto Marinho equilibrava seus interesses empresariais entre o projeto político da ditadura militar e os interesses geopolíticos dos EUA em plena Guerra Fria.

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Em julho de 1962 Roberto Marinho assinava acordo com o grupo norte-americano de comunicações Time-Life. Um contrato que vigoraria até 1966, período em que a emissora pagaria ao grupo norte-americano (pelo investimento financeiro e know how tecnológico e profissional) 3,5% do seu faturamento e 49% do lucro. Marinho sabia do interesse dos EUA na criação de uma primeira network no Brasil, capaz de disseminar o american way of life em um país estratégico para o xadrez geopolítico na América Latina.

Um ano após o golpe militar, Marinho inaugurava no Rio de Janeiro a TV Globo e a TV Paulista em São Paulo, praticando uma ilegalidade diante da legislação das telecomunicações que vetava a participação estrangeira.

Com apoio de um lado da norte-americana Time-Life e, do outro, dos esforços dos governos militares em pavimentar o caminho da Globo com um moderno sistema de micro-ondas via satélite, Marinho criou um incrível monopólio midiático que nesse momento começa a ser ameaçado. Uma nova recomposição de forças políticas e tecnológicas está em andamento. E dessa vez, para os filhos de Roberto Marinho, é uma questão de matar ou morrer.

Globo, Guerra Híbrida e Google

Hoje os filhos do patriarca Marinho vivem um cenário onde os interesses do Grupo estão novamente entre duas variáveis, só que dessa vez são forças que podem destruí-los: de um lado a estratégia geopolítica dos EUA de aplicar no Brasil a tática de “guerra híbrida” com o objetivo político de tornar ingovernável um país membro dos BRICS; e do outro o adversário ameaçador das tecnologias de convergência, redes sociais e, principalmente, o Google.

“Guerra Híbrida” é uma tática sutil de induzir por meio da grande mídia local, ONGs e grupos de interesses empresariais associados conflitos políticos, éticos, religiosos etc. a partir da manipulação da percepção de uma “população média não engajada”. Por meio da promoção de “primaveras” como a árabe, egípcia ou brasileira desacreditar governos através do discurso da “revolução colorida” (flash mobs, militância em redes sociais, manifestações apartidárias etc.) da “luta contra a corrupção em defesa da democracia” – sobre mais informações desse conceito clique aqui.

Com essa tática, os EUA visariam esfacelar lideranças regionais que possam confrontar a geopolítica do petróleo – onde a descoberta do Pré-sal brasileiro é uma perigosa variável.

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A grande mídia brasileira liderada pela Globo e seguida pela Folha, Abril e Estado, engajaram-se nessa agenda internacional, principalmente porque viram nesse cenário a oportunidade de derrubar um governo que é francamente favorável à consolidação no Brasil dos projetos do Google e do Facebook.

Assim como a Rússia, o Brasil passou a ser alvo da guerra híbrida norte-americana a partir da primeira reunião de cúpula dos BRICS em 2009, com a intensificação das “primaveras” brasileiras nas ruas a partir do anúncio em 2013 do projeto da criação do Banco de Desenvolvimento dos BRICS, o que significou um golpe à hegemonia do FMI. 

A origem do desespero: Dilma no carro do Google

Mas a guerra da grande mídia contra o governo federal definitivamente chegou ao desespero quando, no ano passado, a presidenta Dilma fez uma visita à sede do Google e deixou-se fotografar em um passeio num carro high tech controlado por GPS. E na pauta daquela visita, um encontro com o presidente do Facebook, Mark Zuckerberg, e outras empresas do Vale do Silício.

A guerra Globo versus Google, que está por trás dessa adesão à agenda da guerra híbrida internacional, segue a mesma fórmula do chefão da News Corporation ( estúdio e canais Fox, Sky e jornais e revistas) o australiano Rupert Murdoch. Após falhar na sua tentativa de criar um modelo de negócios na Internet e ser derrotado pelos puro sangue Google e Facebook, Murdoch levou a guerra para o campo político.

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Globo imita Murdoch

Tal como Murdoch, a Globo tentou criar um modelo de negócio rentável na Internet. Além disso,  modernizou a linguagem televisiva da TV Globo como muita metalinguagem, auto-referencialidade e “efeitos Heisenberg” (sobre esse conceitoclique aqui) ao apropriar-se de eventos esportivos como basquete e futebol. E ainda livrou-se do visual platinado-kitsch de Hans Donner que marcou por décadas a emissora, para no lugar criar uma visualidade mais “orgânica”, interativa,  tentando incorporar vídeos de redes sociais na pauta de telejornais e programas – sobre issoclique aqui.

Mas nada adiantou. As audiências continuaram derretendo nos principais produtos de sustentação da Globo: telejornais, esporte e telenovelas.

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A guerra suja de Murdoch contra Obama

De substituto midiático para uma oposição parlamentar incompetente, a Globo agora partiu para matar ou morrer, nem que seja ao custo de “queimar gorduras”- perder anunciantes tanto pela crise econômica autorrealizável promovido pelo cartel jurídico-midiático (Lava Jato – Moro – Ministério Público – Globo) quanto pela explícita partidarização no seu Jornalismo que paradoxalmente produz rejeição tanto para a esquerda quanto para a paranoica direita – para eles, a Globo não estaria mostrando ainda “toda a verdade” por estar “de rabo preso” com Lula.

O filhos de Roberto Marinho esperam pela possível era pós-impeachment: apesar de aceitar como irreversível a hegemonia das redes sociais e tecnologias de convergência acreditam ainda no poder da Globo de pautar a opinião pública e o Estado.

Com um possível cenário político futuro novamente nas suas mãos, acredita que fará aquilo que garantiu sua sobrevivência nos anos 1990 com a chegada no Brasil das tecnologias de TV paga a cabo, MMDS e DTH: uma legislação que garantiu a Globo propriedade cruzada e o domínio, na época, não só da TV aberta como também da fechada.

CineGnose

QUERIDA AMIGA MARIANA MAYOR

4 fev

Por Sergio Ricardo

A memória como ja lhe disse, dentre milhões de acontecimentos vividos nessa trilha agitada de minha rota artística, recusou-se a armazenar detalhes, para me reservar o espirito compartilhado com amigos e correligionários, maior parte dos quais nem de seus nomes ou fatos me deixa lembrar com exatidão, o que me conduz a fazer uma síntese não dos fatos ou pessoas, mas da importância de uma luta vivida com tanta entrega, tanto amor à causa e ao povo brasileiro, como nunca mais vi em nossa história.

Eramos basicamente uma grande família de guerreiros dispostos a tudo para atingirmos nossos objetivos políticos e culturais e até mudamos radicalmente alguns caminhos, como a bossa nova, por exemplo, cedendo lugar a um canto mais abrangente de congregação e elucidação dos crimes morais contra nosso povo, exaltando e reinventando sua emancipação, a ponto de abrirmos mão das conquistas estéticas adquiridas pela Bossa, visando a comunicação de nossos ideais para alcançarmos a alma brasileira com a linguagem que lhes chegasse como a sua própria, tanto na música, no cinema, no teatro etc.

Um diálogo sem rodeios imposto pela falsa erudição dessa elite que acreditava estar reinventando um Brasil, arremedando outros povos e outras culturas que nos colonizavam em troca de nossos bens, e mergulhados cada vez mais na nossa ignorância, tão vasta quanto a dimensão de nossas matas por esse continente generoso.

A mesma chama que conduzia Chico de Assis, Vianinha, Boal, Guarnieri, João das Neves, Aracy Balabanian, Renato Consorte, Rolando Boldrim, Carlos Lyra, Nelson Pereira dos Santos, Ruy Guerra, Glauber Rocha, Antonio Fagundes, Myriam Muniz, Plinio Marcos, Sidney Miller, era a mesma que conduzia uma infinidade de amigos, em CPCS, Feiras de Opinião, Teatro de Arena, palcos e shows e peças de teatro, na tela do Cinema Novo, pelas faculdades, caatingas nordestinas, passeatas, porta de fábricas, onde quer que o povo pudesse ter acesso para se esclarecer dos fatos e luta em busca da solução.

E já se avistava um novo Brasil ancorando nos portos de norte a sul do país. Foi uma época gloriosa e mesmo calados pela censura da ditadura, nossa semente germinou na alma dos artistas que posteriormente foram surgindo.

Chico de Assis, por exemplo, a quem você se refere, foi meu parceiro em Brincadeira de Angola, amigo e irmão, batizou minha filha Adriana e nos tornamos compadres.

Um dos fundadores do CPC, teatrólogo e líder nato, teve suas idéias e peças encenadas para camponeses, elucidou muitas cabeças pensantes, e deixou uma obra importante, volta e meia encenada por esse país a fora.

Devo à sua lucidez minha transformação ideológica e seus ensinamentos estão espalhados pelo meu trabalho como uma luz no fim do túnel.

A mesma luz que estamos todos, os que queremos libertar nosso pais, tentando alcançar, apesar das “cunhas” cravadas por essa corja tentando embarreirar nosso processo libertário.

“Abrir empresa em paraíso fiscal faz parte de um velho modus operandi da Globo”

15 fev

Por Joaquim de Carvalho ( DCM ) (13 fev 2015 )

Roberto Marinho

O deputado estadual Paulo Ramos apresentou na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, um projeto de lei com chance zero de aprovação, mas que deveria provocar algum tipo de debate na sociedade. Ele quer que as empresas de comunicação que recebem verbas públicas, na forma de publicidade, sejam obrigadas a divulgar no diário oficial do Estado os nomes e os salários de seus funcionários.

“Saiu no jornal a notícia de que o William Bonner ganha mais de um milhão de reais por mês. Isso não é salário, parece lavagem de dinheiro. Onde já se viu um jornalista ganhar tudo isso? De onde sai recurso para pagar salário nesse patamar? Uma parte a gente sabe, é da verba de publicidade do governo”, diz. Paulo Ramos sustenta o argumento de que salários milionários deixam de ser assunto privado quando quem paga essa quantia é uma empresa que recebe verba pública, e é acusada de sonegar impostos, como é o caso da Globo.

A origem desses privilégios é anterior a 1964, quando houve o golpe militar e a hegemonia da rede de televisão se consolidou. Um dos livros de cabeceira de Ramos é “A História Secreta da Globo”, do professor Daniel Herz, já falecido. “Abertura de empresa em paraíso fiscal e sonegação são parte do modus operandi da Globo há muito tempo”, afirma Ramos.

Herz procurou nos arquivos do Congresso Nacional as atas de uma CPI de 1965, que investigou a sociedade da Globo com o Grupo Time Life, dos Estados Unidos, num tempo em que a lei proibia o investimento estrangeiro nas empresas de comunicação. Encontrou um interessante depoimento do ex-governador do Rio, Carlos Lacerda, que era dono de um jornal e se batia contra esse investimento estrangeiro, que colocava a Globo em condições muito superiores na concorrência com outras emissoras de TV.

Insuspeito no tema, Lacerda mostrou na CPI um editorial do jornal O Globo, publicado em 7 de janeiro de 1963, que chamava o presidente João Goulart de estadista. Para Lacerda, um editorial estranhíssimo, “quando o presidente João Goulart parecia o anticristo” para Roberto Marinho. Lacerda encontrou na Caixa Econômica Federal a razão do editorial: um empréstimo milionário, a juros baixos, liberado 24 horas antes.

Logo depois, lembra Lacerda, O Globo voltou à posição antiga e, denunciando corrupção e um suposto envolvimento do produtor rural João Goulart com o comunismo soviético, apoiou o Golpe de 64. Aliados de Roberto Marinho – inclusive o próprio advogado, Luiz Gonzaga do Nascimento Silva – integraram o ministério do primeiro governo militar.

Em 1968, contra pareceres técnicos e o relatório da CPI, que recomendava a cassação da Globo, a emissora de Roberto Marinho recebeu o registro definitivo de sua concessão, que vem sendo renovada até hoje.

“O que aconteceu no passado é um alerta para gente do governo Dilma que acha que pode haver algum tipo de aliança com a TV Globo. João Goulart era estadista um dia, e comunista no outro”, diz Paulo Ramos.

Na ditadura militar, segundo o livro de cabeceira de Paulo Ramos, a Globo consolidou seu poder, mas na Nova República, com Tancredo Neves, Roberto Marinho ampliou seu raio de ação, ao nomear o próprio ministro das Comunicações, Antônio Carlos Magalhães, decisivo num episódio de disputa comercial.

Marinho queria o controle da NEC, a empresa que vendia equipamentos para o sistema de telecomunicações brasileiro, a antiga Telebrás, mas o dono, um empresário duro na queda, não queria vender.

Por decisão de Antônio Carlos Magalhães, a Telebrás deixou de comprar equipamentos da NEC e asfixiou a empresa. Ao mesmo tempo os veículos da Globo – jornal, rádio e TV – moviam uma campanha de notícias negativas contra o empresário que se opunha a Roberto Marinho na disputa pelo controle da NEC.

O empresário chegou a ter sua prisão preventiva decretada antes de receber em sua casa, no bairro do Morumbi, em São Paulo, um emissário da Globo, para assinar o termo de rendição: o contrato em que vendia por 1 milhão de dólares o controle da NEC. Pouco tempo depois, quando, por decisão de Antônio Carlos Magalhães, o governo voltou a comprar produtos da empresa, a NEC já valia mais de 350 milhões de dólares, em dinheiro da época.

Dois fatos relevantes: o emissário de Roberto Marinho nesse encontro no Morumbi era o filho do então ministro do Exército, Leônidas Pires Gonçalves, funcionário da Globo, e a família de Antônio Carlos Magalhães recebeu, alguns meses depois, o contrato de afiliada da rede no Estado da Bahia. O empresário batido no caso da NEC, Mário Garnero, recuperou poder e prestígio, recolocando o grupo Brasilinvest num patamar de destaque, mas amigos dizem que ele ainda tem a Globo entalada na garganta.

Hoje com 70 anos de idade e filiado ao PSOL, Paulo Ramos não esquece a cena. Era 1981. Alguns jornalistas que ele conhecia no jornal O Globo conseguiram marcar uma audiência com Roberto Marinho. Paulo Ramos chegou no horário, mas teve de esperar na antessala muito tempo – ele não se lembra quanto, mas sabe que foi muito.

Depois do chá de cadeira, Roberto Marinho o recebeu. De pé. Perguntou o que ele queria. Paulo Ramos disse que um amigo era vítima de uma campanha que ele considerava caluniosa promovida pelos veículos das Organizações Globo e ele queria o direito de resposta. “Roberto Marinho me ouviu, não disse nada e quando perguntei se ele teria a oportunidade de dar entrevista, afirmou: ‘O senhor verá a minha resposta pelo jornal’”.

O massacre continuou e o amigo, acusado de ser mandante de um crime, não teve o direito de resposta. Acabou condenado a 21 anos de prisão. “Foi uma injustiça, um linchamento”, diz Paulo Ramos, que era major da Polícia Militar e tinha trabalhado no setor de relações públicas da corporação.

O prédio à esquerda é onde ficava a cobertura de Roberto Marinho
Embora vestisse farda numa época de ditadura militar, era um peixe fora d’água. Presidente do Clube dos Oficiais, liderava campanhas por melhores salários do funcionalismo e, politicamente, era alinhado ao grupo dos chamados autênticos do PMDB. Cinco anos depois se elegeu deputado federal e recebeu nota 10 do DIAP, órgão do Dieese, por sua defesa dos direitos dos trabalhadores.

Na Câmara dos Deputados, Paulo Ramos se tornou também uma pedra no caminho da Globo, o que lhe valeu a aproximação com o governador Leonel Brizola. Conseguiu aprovar duas CPIs – uma da NEC e outra da Fundação Roberto Marinho – e usou a tribuna para denunciar o que ele considera crimes da Globo, incluindo remessa ilegal de dólares ao exterior, sonegação fiscal, empréstimo de bancos públicos a juros irrisórios e construções ilegais.

Nunca teve espaço na imprensa, mas ainda assim continuou se reelegendo. Seu sonho é que o amigo condenado seja reabilitado. Trata-se do capitão Levy de Araújo Rocha, que foi comandante de uma companhia da PM em Petrópolis e lá combateu o tráfico de drogas. Deixou uma boa impressão e foi transferido para Copacabana.

Lá, em dezembro de 1980, um ex-cabo do Exército, Júlio, foi assassinado. Os homens que cometeram o crime acusaram Levy de ser o mandante, mas Paulo Ramos, que conhecia o capitão, nunca acreditou. Duas semanas depois, um amigo do cabo Júlio, que estava com ele no momento do crime e conseguiu fugir, foi sequestrado na praia de Piratininga, em Niterói.

Ironia do destino, esse amigo do cabo Júlio estava na companhia do filho do jornalista Luiz Jatobá, famoso por ser um dos primeiros locutores do Repórter Esso. O amigo do cabo Júlio e o filho do jornalista estão desaparecidos até hoje, e os corpos nunca foram encontrados, mas não há mais dúvida sobre o mandante do sequestro: o bicheiro Aniz Davi Abrão, o Anísio de Nilópolis, dono da escola de samba Beija-Flor.

Se mandou sequestrar a testemunha do assassinato, não teria Anísio sido também o mandante do crime em Copacabana? Faz sentido. Nesse caso, a condenação do capitão amigo do deputado Paulo Ramos teria sido uma injustiça, resultado de uma campanha difamatória dos veículos da Globo.

Nas voltas que o mundo dá, Aniz Abrão foi preso em 2007, quando estava em sua cobertura tríplex no edifício de número 2.072 da avenida Atlântica, por envolvimento em vários crimes, mas não pelo assassinato, nunca mais investigado. A prisão dele tem a ver com jogo do bicho, contrabando e lavagem de dinheiro. A televisão mostrou a operação policial para prender Anísio. São impressionantes as imagens de policiais descendo de helicóptero na cobertura do bicheiro, exibida pela televisão.

A Rede Globo fez a reportagem, mas nada disse sobre o antigo proprietário do apartamento, Roberto Marinho. Antes da venda do imóvel para Anísio, com escritura pública, Roberto Marinho costumava reunir ali a alta sociedade carioca para festas de Reveillon.

Neste prédio, mora ainda a autora de novela Glória Perez e o apartamento do primeiro andar estava em nome de Elisa, ex-mulher de Anísio, também assassinada, depois de escrever uma carta em que acusava o ex-marido de ter sequestrado Misaque e o filho do jornalista Jatobá.

Com 9 milhões de habitantes, o Rio de Janeiro é a segunda maior cidade do Brasil e uma das maiores do mundo. Mas, vizinho ao prédio onde Roberto Marinho dava sua festa de fim de ano e Anísio da Beija Flor viria a comprar, se localiza o apartamento onde mora Cristina Maris Meinick Ribeiro, a funcionária da Receita Federal que, em janeiro de 2007, veio a retirar o processo em que a Globo era acusada de sonegação milionária na aquisição dos direitos de transmissão da Copa do Mundo de 2002, utilizando um esquema que envolve uma empresa no paraíso fiscal das Ilhas Virgens Britânicas.
Mundo pequeno.
Por Joaquim de Carvalho ( DCM ) (fev 2015 )
Jornalista, com passagem pela Veja, Jornal Nacional, entre outros. joaquim.gil@ig.com.br

Aula Pública Opera Mundi – EUA serão ditadores da Internet?

16 abr

“Se Dilma deseja o mínimo de segurança, ela não pode utilizar Windows no computador”, diz Sérgio Amadeu sobre espionagem

 

Opera Mundi TV e TV Unesp lançam o terceiro programa da série “Aula Pública”. Na edição desta quinta-feira (21/11), Sérgio Amadeu, professor da Universidade Federal do ABC (UFABC) e especialista em tecnologia da informação, responde: “Os EUA serão os ditadores da internet?”

“Após manobra de espionagem, a empresa norte-americana que venceu uma licitação para controles de radares da Amazônia entregou equipamentos com o código fonte fechado. Ou seja, isso nos leva a crer que o controle de voo da Amazônia tem duas sedes: Brasília e Washington”, afirma. Sobre espionagem, Amadeu crava: “Se Dilma deseja o mínimo de segurança, não pode utilizar Windows no computador dela”.

Assista ao primeiro bloco:

 

No segundo bloco, Sérgio Amadeu responde pergunta do correspondente Sandro Fernandes, em Moscou, na Rússia:

No terceiro bloco, Amadeu responde perguntas do público da PUC-SP:

GOLPE MILITAR NÃO, GOLPE CIVIL E MILITAR por Diogo Costa

1 abr

 

– De uma coisa os militares tem razão. Um contingente imenso de civis imploraram pelo golpe, apoiaram o golpe, comemoraram o golpe e, passados 50 anos, toda a conta da ruptura vai para os fardados.

Se a Comissão Nacional da Verdade apurasse com rigor o apoio prestado pelos civis ao golpe de estado de 64, muita gente hoje iria ficar surpresa com os resultados.

Mais fácil jogar a culpa somente sobre os militares golpistas, não é mesmo?

E a OAB, a CNBB, a mídia, os empresários, metade do Congresso Nacional, o Ministério Público e o STF, por exemplo, porque não falam sobre o apoio destes e de outros setores ao golpe de estado?


A história do golpe ainda está muito mal contada…

Aliás, um dos acordos tácitos feitos em relação à famigerada Lei da Anistia é justamente este: os civis não incomodam os militares e os militares não contam a respeito do apoio que tiveram dos civis.

E todos continuam vivendo “felizes para sempre”… Em detrimento, evidentemente, da memória, da verdade e da justiça.

Diogo Costa

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