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Carta Aberta ao Pe. Fabio de Mello – CapítuloFinal

10 nov

Esta Carta Aberta ao Pe. Fabio de Mello foi escrita em maio de 2014, logo depois que vi no Instagran do Aécio Neves no dia 1º de Maio a foto que originou essa Carta Aberta ao Pe. Fábio.
Muitos se posicionaram de lá até aqui violentamente contra, até com palavras de ofensa e desacato. Outros ( e foram muitos também) me mandaram apoio e concordância com minhas razões de repúdio ao fato do padre ter se deixado fotografar ao lado do candidato.

Hoje, passadas as eleições, com a vitória de Dilma a carta ainda gera mensagens e razões mais ou menos revoltadas.
Acredito que tudo o que tinha a ser dito à respeito já foi dito.
Por mim, respondendo aos emails e mensagens, ou pelos outros que me escreveram apoiando ou criticando; faço a constatação que agora estamos só nos repetindo, falando as mesmas coisas óbvias, andando em círculos, como perus. Rssssss

Portanto, decidi virar a página, deixar de responder às críticas e elogios.
NÃO FALO MAIS SOBRE O ASSUNTO!!!
À todos , o meu obrigado e espero que quem se ofendeu me perdoe.
Não foi esse meu objetivo.
Aos que entenderam minhas razões eu agradeço o apoio numa hora em que fui bastante incompreendida e atacada.
Aprendemos alguma coisa com isso tudo, eu tenho a certeza! Paz e Bem!

Por Dadinha Piedade Peixoto

Dadinha Piedade Peixoto

Por que a direita anda mais raivosa do que nunca? por Antonio Lassance

20 jun

Charge de Vitor Teixeira

Faz tempo que as campanhas eleitorais são espetáculos dantescos, movidos por baixarias sem limites. Enquanto o Tribunal Superior Eleitoral fica muitas vezes cuidando da perfumaria, os dinossauros reinam.

Mas há algo de novo nesta campanha.

A começar do fato de que boa parte da perversidade de campanha seguia, antes, o seguinte roteiro: denúncias na imprensa, primeiro em jornais e revistas, que depois se propagavam na tevê e no rádio e, finalmente, ganhavam a rua pela ação dos cabos eleitorais.

Agora, o roteiro é: denúncias pela imprensa, mas divulgadas primeiro via internet; propagação pelas redes sociais; repetição pela tevê e pelo rádio e, por último, sua consolidação pelo colunismo e editorialismo da imprensa tradicional.

Embora essa imprensa ainda seja, normalmente, a dona da informação, seu impacto é cada vez menos medido pela audiência do próprio meio – que anda em declínio em praticamente todos os veículos tradicionais – e mais pela sua capacidade de propagação pela internet – blogs, redes sociais e canais de vídeo, principalmente pelo Youtube. E a versão que se propaga da notícia acaba sendo tão ou mais importante do que a notícia em si.

Antes, as pesquisas de opinião calibravam os rumos das campanhas. Nesta eleição, a internet é quem tende a ditar o ritmo. As pesquisas vão servir para aferir, tardiamente, o impacto de alguns assuntos que ganharam peso na guerrilha virtual.

Antes, o trabalho de amaldiçoar pra valer os adversários políticos era feito pelos cabos eleitorais que batiam de porta em porta. Agora, os cabos eleitorais que caçam votos perambulam pelos portais de internet, pelos canais de vídeo e entram nos endereços dos eleitores pelas redes sociais.

Uma outra diferença, talvez tão decisiva quanto essa, é que a direita resolveu aparecer. Antes, o discurso da direita era de que não existia mais esse negócio de “direita x esquerda”.

A direita, finalmente, saiu do armário e anda mais raivosa do que nunca. Em parte, a raiva vem do medo de que, talvez, ela tenha perdido o jeito de ganhar eleições e de influenciar os partidos.

Por outro lado, a direita imagina que a atual campanha petista está mais vulnerável que em outras épocas. A raiva é explicada, nesse aspecto, pelo espírito de “é agora ou nunca”.

Os bombardeios midiáticos raivosos têm assumido feições mais pronunciadamente ideológicas.

Ao contrário de outras eleições, os ataques têm não só mentiras, xingamentos e destemperos verbais de todos os tipos. Têm uma cara de pensamento de direita.

Querem não apenas desbancar adversários. Querem demarcar um campo.

Não é só raiva contra um partido. É ódio de classe contra tudo e contra todos os que se beneficiam (e nem tanto quanto deveriam) de algumas das políticas governamentais.

É ódio contra sindicatos de trabalhadores, organizações comunitárias, movimentos de excluídos (Sem Terra, Sem Teto), grupos em defesa de minorias e de direitos humanos que priorizam a crítica a privilégios sociais e aos desníveis socioeconômicos mais profundos.

A mídia direitista tem desempenhado um papel central. Sua principal missão é orientar os ataques para que eles tenham consequência política e ideológica no seio da sociedade brasileira.

Como sempre, a mídia é diretamente responsável por articular atores dispersos e colocá-los em evidência, conforme uma pauta predeterminada.

Embora seja uma característica recorrente, no Brasil, a mídia tradicional comportar-se como partido de oposição, nos últimos anos ela parece seguir uma nova estratégia.

Os barões das grandes corporações midiáticas brasileiras, com a ajuda de seus ideólogos, perceberam que, para haver uma oposição de direita forte, é preciso formar uma ampla opinião pública direitista.

Antes mesmo de cobrar que os partidos se comportem e assumam o viés de direita, é preciso haver uma base social que os obrigue a agir enquanto tal.
A mídia tradicional entendeu que os partidos oposicionistas são erráticos em seus programas e na sua linha política não por falta de conservadorismo de suas principais lideranças, mas pela ausência de apelo social em sua pregação.

Em função disso, coisas como o Instituto Millenium se tornaram de grande importância. O Millenium tem, entre seus mantenedores e parceiros, a Abert (controlada pelas organizações Globo) e os grupos Abril, RBS e Estadão. O instituto é também sustentado por outras grandes empresas, como a Gerdau, a Suzano e o Bank of America.

O Millenium tenta fazer o amálgama entre mídia, partidos e especialistas conservadores para gerar um programa direitista consistente, politicamente atraente e socialmente aderente.

O colunismo midiático, em todas as suas frentes, é outro espaço feito sob medida para juntar jornalistas, especialistas e lideranças partidárias dedicadas a reforçar alguns interesses contrariados por algumas políticas públicas criadas nos últimos 12 anos.

A estratégia midiática de reinvenção da direita brasileira representa, no fundo, uma tentativa desesperada e consciente dessa mesma mídia de reposicionar-se nas relações de poder, diante da ameaça de novos canais de comunicação e de novos atores que ganharam grande repercussão na opinião pública.

Com seu declínio econômico e o fim da aura de fonte primordial da informação, o veneno em seus anéis tornou-se talvez seu último trunfo no jogo político.
(*) Antonio Lassance é cientista político.

A DESMORALIZAÇÃO DOS PITBULLS DA GRANDE MÍDIA por Alberto Cantalice

19 jun

O subproduto dos pitbulls do conservadorismo teve seu ápice nos xingamentos torpes e vergonhosos à presidenta Dilma na abertura da copa, na Arena Corinthians. Verdadeiro gol contra.

Três vezes derrotados nos pleitos presidenciais, por Lula e Dilma e o PT, os setores elitistas  albergados na grande mídia ao se verem na iminência do quarto revés eleitoral foram ao desespero.

Diurtunamente lançam vitupérios, achincalhes e deboches contra os avanços do país visando desgastar o governo federal e a imagem do Brasil no exterior. Inimigos que são das políticas sociais, políticas essas que visam efetivamente uma maior integração entre todos os brasileiros pregam seu fim.

Profetas do apocalipse político eles são contra as cotas sociais e raciais; as reservas de vagas para negros nos serviços públicos; as demarcações de terras indígenas; o Bolsa Família, o Prouni e tudo o mais.

Divulgadores de uma democracia sem povo apontaram suas armas agora contra o decreto da presidência da república que amplia a interlocução e a participação da população nos conselhos para melhor direcionamento das políticas públicas.

Personificados em Reinaldo Azevedo, Arnaldo Jabor, Demétrio Magnoli, Guilherme Fiúza, Augusto Nunes, Diogo Mainardi, Lobão, Gentili, Marcelo Madureira entre outros menos votados, suas pregações nas páginas dos veículos conservadores estimulam setores reacionários e exclusivistas da sociedade brasileira a maldizer os pobres e sua presença cada vez maior, nos aeroportos, nos shoppings e nos restaurantes. Seus paroxismos odientos revelaram-se com maior clarividência na Copa do Mundo.

Os arautos do caos, prevendo e militando insistentemente pelo fracasso do mundial – tendo inclusive como ponta de lança a revista Veja, previsto que os estádios só ficariam prontos depois de 2022, assistem hoje desolados e bufando a extraordinária mobilização popular e o entusiasmo do povo brasileiro pela realização da denominada acertadamente de a Copa das Copas.

O subproduto dos pitbulls do conservadorismo teve seu ápice nos xingamentos torpes e vergonhosos à presidenta Dilma na abertura da copa, na Arena Corinthians. Verdadeiro gol contra, o repúdio imediato de amplas parcelas dos brasileiros e brasileiras ao deprimente espetáculo dos vips, demonstram que a imensa maioria da população abominam essa prática.

Desnudam-se os propagadores do ódio. A hora é de renovar as esperanças e acreditar no Brasil!

Governos e eleições não serão livres enquanto o dinheiro der as cartas

9 set

Capital e influência de grandes empresas na mão dos candidatos desequilibra a eleição, o Parlamento e influi nas decisões dos poderes. O caminho é o financiamento público

por Hylda Cavalcanti e Paulo Donizetti de Souza publicado 08/09/2013 19:33

Rede Brasil Atual-

 
RODOANEL
Camargo Corrêa e OAS têm papel de destaque em obras do estado de São Paulo como em vários trechos do Rodoanel

Era uma vez um empresário que decidiu apoiar um candidato a senador. Fez as contas e concluiu que não lhe faria falta um aporte de R$ 700 mil no caixa da campanha para, na mais nobre das hipóteses, ajudar a eleger um homem comprometido com a defesa de Goiás no Senado. E ajudou. Ele, dois bancos, uma indústria de fertilizantes, algumas alimentícias, de bebidas, empreiteiras, uma fábrica de armamentos, gente do agronegócio, entre outras dezenas de contribuições de pessoas jurídicas e físicas – legítimas e declaradas  – deram conta de uma receita de R$ 9,2 milhões para eleger, em 2010, Demóstenes Torres, do DEM.

Demóstenes foi também eleito “mosqueteiro da ética” no Congresso pela revista Veja, mas acabou flagrado nas operações Vegas e Monte Carlo, da Polícia Federal. Comprometido não necessariamente com interesses de seu estado, mas com os do chefe de organização criminosa Carlinhos Cachoeira – preso em 2012 –,  o democrata foi cassado.

Precavido de que seu estado não ficaria sem um representante à altura diante de circunstância desagradável como essa, o empresário Wilder Pedro de Morais, dono da Orca Construtora e daqueles R$ 700 mil do começo da história, era ele próprio o suplente de Demóstenes. E assumiu a cadeira desocupada em 11 de julho do ano passado.

O episódio compõe uma rica ilustração da força do capital privado para colocar no poder pessoas que agem a seu serviço. Como a legislação permite doações indiscriminadas por parte de empresários de todas as áreas, para candidatos de todos os partidos, a todos os cargos eletivos, não é tarefa fácil mapear os políticos que são escolhidos para ser embaixadores dos doadores no interior da gestão pública.

É que as empresas fazem doações para muitas campanhas, o que confunde e despista um mapeamento. Os dados das doações são públicos, estão no site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mas como saber o que passa nos planos da Carioca Christiani Nielsen Engenharia S/A quando ela ajuda candidatos tão díspares como o democrata Demóstenes (R$ 200 mil) e a petista Marta Suplicy (R$ 25 mil)?

É legítimo empresas pleitearem vender produtos e serviços a órgãos públicos, ­assim como é legítimo que parlamentares proponham emendas ao orçamento de seu estado ou da União para direcionar recursos a obras em suas regiões. O problema é quando ambições particulares superam o interesse público. Por exemplo: se é verdade que propinas e superfaturamentos consumiam 30% dos contratos de R$ 30 bilhões entre um cartel de empresas de infraestrutura de transportes e o estado de São Paulo, o prejuízo é de R$ 9 bilhões aos cofres públicos. Dinheiro para construir 20 quilômetros de trilhos de metrô.

Outra distorção grave proporcionada pelo envolvimento de grandes corporações nos financiamentos das campanhas é que acabam formando suas próprias “bancadas”, a despeito de qualquer composição partidária. Além de interferir em nomeações para postos-chave em órgãos e empresas públicos. Assim, acabam desfrutando de um poder invisível, muito maior que o determinado pelo desejo das urnas.
Por essa razão, entidades respeitáveis da sociedade defendem processos eleitorais custeados exclusivamente com recursos do Orçamento da União, e não mais por dinheiro privado. O chamado financiamento público é bandeira antiga de organizações como a Ordem dos Advogados do Brasil, Movimento contra a Corrupção Eleitoral (MCCE), União Nacional dos Estudantes (UNE), Central Única dos Trabalhadores (CUT), bem como de setores dos partidos e de parte dos ministros do TSE.

Por dentro da máquina

Levantamento feito pela Revista do Brasil no TSE mostra que as grandes empresas têm muita munição para esse tipo de investimento. As dez que mais doaram nas eleições brasileiras de 2002 até 2012 desembolsaram mais de R$ 1 bilhão para financiar campanhas no país inteiro. Fazem parte desse grupo cinco construtoras (Camargo Corrêa, Andrade Gutierrez, OAS, Queiroz Galvão e UTC Engenharia), três bancos (Itaú Unibanco, Bradesco e BMG), um frigorífico (JBS) e uma siderúrgica (Gerdau). Jorge Gerdau é eclético a ponto de, em 2010, ajudar com R$ 3 milhões a campanha do tucano José Serra à Presidência e com R$ 1,5 milhão a de Dilma – sem contar R$ 100 mil doados a Luciana Genro (Psol) na corrida à prefeitura de Porto Alegre, em 2008.

Em São Paulo, por exemplo, não por acaso, as quatro construtoras que despontam na lista como principais patrocinadoras de candidaturas no país participaram do consórcio para a construção da linha 4 do metrô (a Linha Amarela). Já a OAS, além do consórcio, ganhou a concorrência para construção de dois lotes do Rodoanel. A Camargo Corrêa foi, conforme balanço do Ministério dos Transportes, a empresa que mais ganhou licitação para execução de obras de rodovias federais – no ano passado, da ordem de R$ 213 milhões.

Não pairam sobre esses financiamentos denúncias ou acusações, mas o simples gesto de contribuir com campanhas é o bastante para estabelecer, entre empresas e o mundo político, um bom relacionamento.

O comportamento das empresas doadoras é observado de diversas formas. Em alguns casos, as doações saem de um único lugar. Em outros, saem de diversas empresas de um mesmo grupo. O Bradesco, por exemplo, tem doações por meio do Banco Alvorada, R$ 89,7 milhões entre 2002 e 2012. Já pelo Bankpar, outra subsidiária da mesma instituição financeira, o financiamento foi de R$ 18,3 milhões e, pela Tempo Serviços (também do Bradesco), mais R$ 20 milhões. Os dados, apurados no TSE e com valores totalizados pelo órgão, levaram em conta reajustes pelo Índice Geral de Preços de Mercado (IGP-M).

A Vale doou R$ 107 milhões na década, distribuídos por quatro empresas subsidiárias. A empreiteira Odebrecht formalizou ao TSE em todos esses anos a doação de valores que totalizaram R$ 41,1 milhões, mas ao mesmo tempo também foram registradas contribuições de R$ 26,9 milhões da Braskem, em parte pertencente à construtora. “É um negócio para as empresas. Um mercado rentável que funciona de forma competente do ponto de vista dos interesses dos acionistas”, afirma o cientista político Alexandre Neves, professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Segundo ele, mesmo que as licitações sejam sérias e ocorram nos rigores da lei, permitem a tais empresários maior contato com parlamentares e governantes e certo acesso ao funcionamento da máquina pública.

Não é preciso pesquisar muito para perceber as ligações perigosas. Em 2010, o PCdoB, que nunca recebeu grande apoio privado, foi contemplado com doações de R$ 940 mil feitas por Coca-Cola, McDonald’s e Bradesco. Nunca antes na história deste país o partido havia recebido um centavo desses grupos – interessados nos negócios em torno da Copa do Mundo e da Olimpíada, e portanto, em agradar a legenda do então ministro do Esporte, Orlando Silva Júnior. O fenômeno, no mínimo, desperta desconfiômetros.

Há, no entanto, casos que dispensam discrição. Em 2008 e 2010, a Construtora Delta, envolvida no escândalo de irregularidades de licitações no Rio de Janeiro e em Goiás descoberto pela operação Monte Carlo, doações para vários partidos e candidatos de diversos estados, entre eles PT e PMDB, com R$ 1,1 milhão para cada um. Parte foi doada diretamente aos diretórios dos partidos. Outra parte seguiu para candidatos a deputados, senadores, prefeitos e governadores.

Somente no Rio de Janeiro, se destacam políticos como os deputados federais Antony Garotinho (PR) e Eduardo Cunha (PMDB), deputado estadual Fábio Francisco da Silva (PPB), candidatos a prefeito das cidades de Duque de Caxias e São João do Meriti e a vereador da capital. A empresa também contribuiu com campanhas nos municípios de Ji-Paraná (RO), Teresina (PI), Santa Maria (RS), Jequié (BA), Porto Alegre (RS), Caxias do Sul (RS), Ariquemes (RO), São Paulo, Cariacica (ES), Coari e Itacoatiara (AM).
“As regras de financiamento de campanhas devem ser alteradas para excluir do seu âmbito as doações de pessoas jurídicas. Assim é possível tornar o processo democrático mais autêntico, preservando-o das inevitáveis pressões dos grupos econômicos sobre nossos representantes”, defende o ministro Castro Meira, do TSE.

Sua colega Carmen Lúcia, ministra do Supremor Tribunak Federal (STF) e presidenta do TSE, concorda que as eleições são muito caras no Brasil e que é deve pesar o conteúdo das propostas dos candidatos, não de suas contas bancáras: “O Congresso tem a árdua tarefa de prioduzir uma reforma que responda aos anseios da população. E o ideal é que as mudanças sejam observadas já nas próximas eleições”, disse.

O vice-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Marcus Vinícius Coelho, considera estar na raiz da maioria dos problemas do sistema político brasileiro – como a corrupção, o descompromisso com os programas partidários e a falta de sintonia entre os Poderes Legislativo e Executivo – a possibilidade de empresas financiarem as campanhas. “O Brasil precisa urgentemente fazer esse choque de legitimidade política. Indiretamente, as pessoas estão buscando a reforma política”, afirma.

De fato, pesquisas divulgadas recentemente dão conta dessa percepção. Uma delas, feita pelo Núcleo de Estudos e Opinião Pública da Fundação Perseu Abramo, ligada ao PT, detectou num universo de 2.400 entrevistados 89% favoráveis a uma reforma política. A esmagadora maioria dos entrevistados julga “caras” ou “muito caras” as campanhas eleitorais e 68% querem que as empresas sejam proibidas de fazer doações.

Outro levantamento recente, do Ibope para o jornal O Estado de S. Paulo, verificou que 39% dos entrevistados são a favor do financiamento público e 14% defendem o custeio das campanhas exclusivamente por pessoas físicas – o que corresponde a um percentual de 53% que desejam que as empresas sejam proibidas de pôr dinheiro em candidaturas. O Ibope, porém, identificou muita gente, 86%, que se considera pouco ou nada informada sobre as discussões em torno de uma possível reforma política – o que leva a crer que os meios de comunicação não são eficientes para contribuir com esse debate.

Inibir os lobbies

O diretor executivo da ONG Transparência Brasil, Cláudio Abramo, é de opinião que o financiamento de campanhas passe a ser misto, por meios privados, inclusive pessoas físicas, e pelo Estado. “Uma empresa, quando financia, compra a promessa de decisão futura. Esse é um mercado como outro qualquer, e tentar proibi-lo não dá certo. O que deve haver é fiscalização”, argumenta Abramo.

Para o coordenador do grupo técnico que elabora uma proposta de reforma política na Câmara dos Deputados, Cândido Vaccarezza (PT-SP), “não é sério dizer que se alguém contribuiu para a campanha manda no deputado. Em mim, e na maioria dos deputados aqui na Casa, ninguém manda. Eu não vejo os deputados votarem de acordo com quem contribuiu com sua campanha, como não vejo os governadores fazerem isso nem a presidenta da República”.

O sistema de financiamento de campanhas é misto: público e privado. Permite que os partidos levantem fundos por meio de doações de entidades privadas, pessoas físicas e empresas, e ainda verbas públicas do fundo partidário, mantido por dotações do Orçamento Geral da União. Estas, entre janeiro e junho deste ano, somaram R$ 148 milhões, distribuídos proporcionalmente, de acordo com a votação obtida pelos partidos na eleição anterior.

Para se ter ideia, em 2012 os gastos dos candidatos a prefeito e vereador foram de R$ 4,6 bilhões, segundo o TSE. O valor representa crescimento da ordem de 471% em relação às campanhas de 2002, para deputados estaduais, federais, senadores, governadores e presidente, quando foram gastos R$ 798 milhões nas campanhas. Na França, as eleições presidenciais e legislativas do ano passado consumiram o correspondente a R$ 70 milhões.

“O valor gasto na França com as últimas eleições é próximo da doação feita por uma única construtora do Brasil nas eleições municipais do ano passado, dividida entre vários candidatos”, compara o pesquisador Geraldo Tadeu Monteiro, do Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (Iuperj). Atualmente, 95% das campanhas são financiadas pelas grandes empresas. Em 2010, as doações de 19 mil pessoas jurídicas somaram R$ 2,2 bilhões (75% do total arrecadado), mas metade dessas contribuições esteve concentrada em 70 empresas. E a participação de pessoas físicas só vem caindo. Para o juiz de Direito e cofundador do MCCE, Marlon Reis, o Brasil precisa urgente de novas regras. “É preciso racionalizar o processo, diminuir drasticamente o custo das campanhas e não mais responsabilizar as empresas por esse custeio”, destacou.

A redução dos gastos por parte dos ­patrocinadores pode inibir a atuação dos lobbies. Na atual legislatura, a bancada ruralista (a maior de todas, com mais de 200 parlamentares de diversos partidos) confrontou teses em pontos da votação do Código Florestal.
Nos próximos meses, nova discussão sobre o assunto será travada, com a apreciação dos vetos feitos pela presidenta Dilma Rousseff. A mesma bancada também brigou feio, no primeiro semestre, para modificar o projeto que trata de desapropriações em flagrantes de uso de mão de obra análoga a escravidão. Itens do texto acabaram “flexibilizados”, em benefício de empregadores que contestam a interpretação dos órgãos fiscalizadores sobre o que pode ser considerado trabalho escravo ou degradante.

Também foi observada a influência do poder econômico nas votações da medida provisória que determina a regulamentação do setor de Portos (MP dos Portos) e no projeto que prevê a destinação dos royalties do petróleo para o setor de educação. “Em todos esses casos está explícita a pressão do poder econômico que ajuda a eleger os parlamentares”, destacou o cientista político Alexandre Neves, da UFPE.

Outra forma de coibir que lobistas “elejam” previamente quem serão seus representantes no poder é a composição de listas fechadas de candidatos a cargos proporcionais, como vereadores e deputados. A proposta de voto em lista pressupõe que os partidos montem sua “chapa” de candidatos. O eleitorado votaria, então, na chapa, como se faz nos grêmios estudantis ou entidades de classe. E, portanto, nos projetos defendidos por essas chapas, os partidos, e não em pessoas.

Os partidos definem em suas eleições internas a ordem em que seus candidatos aparecem na lista, e essa ordem define os que serão eleitos, de acordo com a proporção de votos alcançada pela legenda.

O voto em lista, porém, tem pouca chance de passar numa reforma que, para valer nas eleições de 2014, teria de estar pronta até 5 de outubro. Um grupo especial da Câmara destacado para formular uma proposta não deu sinais de que conseguiria a proeza. Integrante do grupo, o deputado Ricardo Berzoini (PT-SP) empenhou-se num esforço paralelo com colegas do PCdoB, PSB e PDT, que elaboraram um projeto de decreto legislativo que sugere um plebiscito. O texto propõe submeter a consulta popular temas como financiamento público, o uso da internet para projetos de iniciativa popular e a coincidência entre as eleições municipais e federais.

“O projeto está próximo das sugestões apresentadas pela presidenta Dilma ao Congresso. Mostramos que é possível atender a essa demanda da presidenta e da socidade já para o ano que vem”, afirmou o parlamentar. Com assinaturas de quase 200 deputados, o texto precisaria passar na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara e nos plenários das duas Casas. Resta saber qual o obstáculo mais difícil a superar, o tempo ou a acomodação dos que querem que tudo fique como está.

Observadores internacionais elogiam organização e pedem reconhecimento da vitória de Maduro

15 abr

Missão da Unasul disse que recontagem poderá ser feita, desde que dentro do “ordenamento jurídico vigente”



Observadores internacionais elogiaram a organização das eleições presidenciais venezuelanas, realizadas neste domingo (14/04), e defenderam o reconhecimento do resultado, que dá a vitória ao governista Nicolás Maduro, por uma diferença de 1,6 ponto percentual.

Agência Efe

Nicolás Maduro venceu eleição presidencial venezuela com 50,66% dos votos, segundo CNE

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A missão da Unasul (União das Nações Sul-Americanas), que entregará ao CNE (Conselho Nacional Eleitoral) um relatório sobre o pleito durante esta segunda-feira (15/04), defendeu a atuação da entidade.

“A missão declara, tal e como defendeu desde a sua instalação, que os resultados devem ser respeitados por emanar do Conselho Nacional Eleitoral, autoridade competente nesta matéria”, afirmou o presidente do grupo, Carlos Álvares.

Em relação ao pedido do candidato opositor, Henrique Capriles, de recontagem de todos os votos, Álvares argumentou que esse procedimento poderá ser realizado, desde que “seja canalizado dentro do ordenamento jurídico vigente”.

O presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e ministro do STF, José Antonio Dias Toffoli, afirmou que o sistema de votação da Venezuela “é muito seguro”. Segundo Toffoli, o processo eleitoral venezuelano é inspirado no modelo brasileiro.

A Uniore (União Interamericana de Organismos Eleitorais) também defendeu o resultado, destacando a transparência da apuração e argumentando que o CNE “cumpriu sua função”.

Nesta segunda-feira, a UE também fez um apelo para que todas as forças políticas venezuelanas reconheçam a vitória de Maduro, conquistada com 50,66% dos votos. A OEA (Organização dos Estados Americanos) também enviou observadores à Venezuela, mas ainda não divulgou um parecer sobre o assunto até o momento.

Maduro foi a escolha certa

15 abr

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E Nicolas Maduro ganhou.
Foi uma vitória apertada, é verdade: 51% a 49%.
Mas, consideradas as circunstâncias, foi um feito extraordinário.
Lembremos.
Poucos meses atrás, Maduro era virtualmente desconhecido. Os venezuelanos tomaram real contato com ele quando Chávez, antes de embarcar para Cuba pela última vez para tratar do câncer que afinal o matou, o apresentou ao povo.
Chávez pediu que, caso ocorresse o pior, os venezuelanos votassem nele.

Ocorreu.

Maduro, saindo do nada, fez em tempo exíguo uma campanha presidencial em meio ao luto pessoal e à tristeza avassaladora de milhões de venezuelanos que se sentiram subitamente órfãos.

E ganhou.

Capriles, seu adversário, tinha já a alavanca da campanha anterior, na qual perdeu para Chávez – mas com uma votação expressiva.
Tinha também, ainda que jovem, uma carreira política relevante: não apenas é o governador de Miranda, um dos principais estados venezuelanos, como foi o nome capaz de unir pela primeira vez toda a oposição a Chávez e ao chavismo.

Com tudo isso, Maduro ganhou.

Você pode fazer um paralelo com Dilma e Lula. A diferença é que Maduro, ao contrário de Dilma, não teve Lula ao lado. E nem fez campanha enlutada.

Foram 300 mil votos de diferença, e Capriles clama auditoria. Que se faça – embora o sistema eleitoral venezuelano seja amplamente considerado um dos mais modernos do mundo.

Mas que fique registrado que o mesmo Capriles, recentemente, ganhou o governo de Miranda por 45 mil votos, e sua vitória não deixou de ser reconhecida.
Há muito por fazer na Venezuela.
Um pequeno grupo de privilegiados fez do país, ao longo dos tempos, um dos exemplos mais abjetos de desigualdade social, sob o patrocínio dos Estados Unidos e sua louca cavalgada em busca do petróleo alheio.
Tanto descalabro por tantos anos levou ao caos social que nós, brasileiros, conhecemos bem. É grande a violência urbana na Venezuela, por exemplo.
Mas Maduro, muito mais que Capriles, representa a continuidade de uma política cujo principal foco é, exatamente, reduzir o abismo social que é a primeira, a segunda e a terceira razão da violência urbana.
Da oposição venezuelana, espera-se que, passada a frustração compreensível por perder para um desconhecido, tenha um papel digno no futuro da Venezuela.
A extrema polarização que existe hoje no país – parecida, aliás, com a brasileira – deriva fundamentalmente dessa oposição, ao contrário do que se tenta dizer.
Chávez apenas reagiu às agressões – a maior das quais foi um patético golpe que durou 24 horas. A mídia venezuelana – imagine uma Globo ainda mais predadora – jogou baixo contra Chávez o tempo todo. Esteve por trás do golpe fracassado, e insultava regularmente até a mãe de Chávez.

Maduro venceu, e é bom para a Venezuela e os venezuelanos.

Agora é hora de cumprir uma agenda lotada de desafios.

Paulo Nogueira-Diário do Centro do Mundo

A piracema progressista by Saul Leblon

31 out

Vista a partir de retinas embaçadas de cansaço ou ideologia, a transformação social parece uma impossibilidade aprisionada em seus próprios termos: as coisas não mudam, se as coisas não mudarem; e se as coisas não mudarem, as coisas não mudam…

O sistema de produção baseado na mercadoria cria e apodrece previamente as pontes das quais depende a travessia para uma sociedade justa e virtuosa.

Rompe-se o lacre da fatalidade no pulo do gato das sinapses entre condições objetivas e subjetivas, diz a concepção materialista da história. Mas a dialética dura das transformações não é uma mecânica hidráulica. Não é maquinaria lubrificada, autopropelida a toque de botão.

A história é um labirinto de contradições, uma geringonça que emperra e se arrasta, desperdiça energia e cospe parafusos por onde passa. Para surgir um ‘Lula’ desse emaranhado tem que sacudir muito a estrutura. Greves, levantes, porradas, descaminhos etc. Dói. Demora. Décadas, às vezes séculos.

Uma liderança desse tipo – e aquelas ao seu redor; ‘uma quadrilha’, diz o vulgo conservador – constitui um patrimônio inestimável. Mesmo assim, é só o começo; fica longe do resolvido.

A ‘pureza’ política pretendida por alguns juízes do STF é pouco mais que uma bobagem de tanga disfarçada de toga diante do cipoal da história.

A cada avanço, não regredir já é um feito Quarenta milhões passaram a respirar ares de consumo e cidadania após 11 anos de governos progressistas no país. É uma espécie de pré-sal de possibilidades emancipadoras. Como evitar que essa riqueza venha a se perder nesse sorvedouro de futuro escavado por júniores & virgílios ?

Lula talvez tenha intuído o ponto de esgotamento do cardume ao final da piracema histórica impulsionada pelos grandes levantes operários do ABC paulista, nos anos 70/80.

Ao final de uma piracema, a ‘rodada’ do conjunto exaurido leva uma parte à morte; outra se deixa arrastar por correntezas incontroláveis; um pedaço sucumbe a predadores ferozes.

Lula precisava de um novo e gigantesco laboratório forrado de desafios e recursos para gerar contracorrentes, revigorar, sacudir e renovar a piracema progressista brasileira.

São Paulo tem o tamanho da alavanca necessária para fazer tudo isso e irradiar impulsos talvez tão fortes quanto aqueles derivados das assembleias históricas que dirigiu no estádio da Vila Euclides, em São Bernardo do Campo.

Haddad, os intelectuais engajados, os movimentos sociais e as lideranças mais experientes do campo progressista terão que movê-la a partir de agora e pelos próximos quatro anos.

Está em jogo o próximo ciclo de mudanças da sociedade brasileira.

Colunistas sabichões dizem que ‘se isolarmos São Paulo’, Lula fracassou.

Eles não sabem do que estão falando; apenas ruminam líquidos biliares da derrota na forma de desculpas para a explícita opção pela água parada do elitismo.

Topam um Serra cercado de malafaias & telhadas. Mas abjuram a correnteza de um PT – ‘sujo pela história’, na sua ótica. Testam versões para abduzir a derrota esmagadora da água podre na figura do delfim decaído, José Serra , em São Paulo.

Na Folha desta 3ª feira as rugas das noites mal dormidas recebem o pancake daquilo que se anuncia como sendo “uma onda oposicionista que mudou a cara do poder no Brasil”.

A manchete traz a marca do jornalismo conservador cada vez mais ancorado em ‘pegadinhas’ à altura dos petizes que brincam nesse tanquinho de areia tucano.

Desta vez, a Folha induz o leitor ao erro de considerar ‘oposicionista’ como de oposição ao governo federal e ao PT. Na verdade, o texto trata das reviravoltas em que prefeitos e seus candidatos foram batidos por adversários locais.

Mas a isenção se dispensa de fornecer ao leitor o conjunto abrangente que relativiza a parte privilegiada. Aos fatos então:

a) o PT foi o partido que fez o maior número de prefeitos (15) no segmento de cidades grandes, com 200 mil a um milhão de habitantes;

b) o PT vai governar 25% do eleitorado nesse segmento;

c) juntos, os partidos da base federal, PMDB, PSB e PDT, fizeram outros 20 prefeitos nessa categoria das grandes cidades;

d) vão governar 26% desse eleitorado;

d) no conjunto, a base federal terá sob administração mais da metade dos eleitores desses municípios.

Os colunistas da Folha exageram nas cambalhotas para induzir o leitor a ‘enxergar’ como foi horrível o desempenho do partido, ‘se excluirmos’, dizem eles, a ‘vitória isolada’ em SP.

Em eleições anteriores, o esforço era para decepar o Nordeste ‘atrasado’ do mapa relevante da política nacional e, desse modo, rebaixar a crescente hegemonia do PT.

Agora que o PT refluiu de fato em capitais do Norte e Nordeste (saldo esse que inspira preocupação) é a vez de desdenhar da vitória na praça paulistana, que reúne 6% da demografia nacional e 11% do PIB.

A narrativa da vitória ‘isolada’, como se São Paulo fora um ponto fora da curva no deserto eleitoral petista, não é verdadeira sob quaisquer critérios.

Sozinho, o PT administrará o maior contingente de eleitores de todo o país (1/5 do total) e a maior fatia de orçamentos municipais (22%).

A vitória em SP tampouco foi um feito solitário no estado-sede do PSDB.

Bombam a derrota em Diadema, mas além da capital, o partido manteve e reforçou o chamado cinturão vermelho. Venceu em Guarulhos, Santo André, Mauá, Jundiaí, S.José dos Campos, Osasco e São Bernardo.

Nos próximos quatro anos, com uma eleição presidencial pelo meio, o PT governará 45% do eleitorado do Estado de SP, contra 19,3% do PSDB.

O cardume subsiste numeroso. O que se discute é outra coisa: a qualidade, a força e a direção do impulso que irá dotá-lo de fôlego transformador nos próximos anos. É disso que se trata. E isso é muito mais sério do que as cambalhotas da razão nos tanquinhos de areia do dispositivo midiático conservador.