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SITES PARA BAIXAR LIVROS DE GRAÇA

6 jun

POR MATHEUS BLACH – e atualizado agora pelo OLhoNoTexto

O acesso a informação e a democratização dos meios de comunicação tornam-se cada vez mais difundidos no globo. Apesar da profunda desigualdade social e econômica provocada pelos fenômenos do sistema capitalista e da globalização, o número de pessoas com acesso a internet é crescente no mundo todo. A necessidade de produção e divulgação de conteúdo de qualidade torna-se fundamental na contemporaneidade. Alternativas para o acesso gratuito à literatura de todos os gêneros exerce um papel essencial neste processo. Neste sentido trouxemos aos nossos leitores esta formidável lista de sites, bibliotecas e organizações dedicadas à distribuição gratuita de livros, ebooks, e audiobooks.

Colabore também com esta iniciativa, divulgue esta página, copie a lista e envie para os seus amigos ou poste no seu blog/site.

1)Baixar Livros Grátis, catálogo de clássicos da literatura brasileira e estrangeira.

http://www.baixarlivrosgratis.net/

2)Bartleby, coleções de literatura, versos e livros de referência com acesso gratuito

http://www.bartleby.com/

3)Biblomania, coleção de textos clássicos, livros de referência, artigos e guias de estudo grátis.

http://www.bibliomania.com/bibliomania-static/index.html
4)Books-On-Line, mais de 50 mil publicações (a maioria grátis).

http://67.118.51.201/bol/default.cfm

5)Bored.com, milhares de livros clássicos para ler ou fazer download

http://www.bored.com/ebooks/

6)Classic Book Library, uma biblioteca gratuita que contém romances de mistério, ficção e científica

http://classicbook.info/

7)Classic Bookshelf, biblioteca eletrônica de livros clássicos. Tem um programa de leitura que permite a visualização mais fácil dos arquivos

http://www.classicbookshelf.com/library/

8)Classic Reader, coleção de clássicos de ficção, poesia, contos infantis e peças de teatro.

http://www.classicreader.com/

9)Ebook Lobby, centenas de ebooks gratuitos desde técnicas empresariais e arte até informática e educação

http://www.ebooklobby.com/

10)EtextCenter, mais de 2 mil livros grátis procedentes da Biblioteca Etext Center da Universidade da Virgínia
http://www.library.virginia.edu/

11)Fiction eBooks Online, centenas de peças de teatro, poemas, contos, livros ilustrados e novelas clássicas

http://www.fiction.us/

12)Fiction Wise, obras de ficção científica gratuitas. Além disso é uma loja de livros

http://www.fictionwise.com/eBooks/freeBooks.htm?cache

13)Full Books, milhares de livros completos dos mais diversos assuntos, ordenados por título

http://www.fullbooks.com/

14)Get Free Books, milhares de livros gratuitos de quase todos os temas imagináveis

http://www.getfreeebooks.com/

15)Great Literature Online, vasta coleção de títulos ordenados por autor.

http://classicauthors.net/

16)Hans Christian Andersen, coleção maravilhosa de histórias e contos de fadas de Hans Christian Andersen.

http://hca.gilead.org.il/

17)Internet Public Library, Contém uma antologia com mais de 20 mil títulos

http://www.ipl.org/IPLBrowse/GetSubject?vid=13&cid=1&tid=7011&parent=7006

18)Literature of the Fantastic, pequena coleção de ficção científica e livros de fantasia

http://www.sff.net/people/doylemacdonald/lit.htm

19)Magic Keys, contos ilustrados para pessoas de todas as idades.
http://www.magickeys.com/books/

20)Many Books, mais de 20 mil ebooks gratuitos para PDAs, iPods e similares.
http://manybooks.net/

21)Master Texts, base de dados gratuita que contém obras-primas da literatura.
http://www.mastertexts.com/

22)Open Book Project, Proporciona livros didáticos gratuitos e outros materiais educativos on-line.
http://openbookproject.net//

23)Page By Page Books, centenas de livros clássicos que podem ser lidos página por página.
http://www.pagebypagebooks.com/title.html

24)Project Gutenberg, mais de 25 mil títulos gratuitos estão disponíveis no Projeto Gutenberg.

http://www.gutenberg.org/wiki/Main_Page

25)Public Literature, uma enorme coleção de literatura de grande qualidade

http://publicliterature.org/

26)Read Print, biblioteca on-line com milhares de livros, poemas e peças de teatro para estudantes e professores.

http://www.readprint.com/

27)Ref Desk, seleta compilação de enciclopédias e outros livros de referência.

http://www.refdesk.com/factency.html

28)The Online Books Page, lista com mais de 30 mil livros grátis da Universidade da Pensilvania.

http://digital.library.upenn.edu/books/search.html

29)The Perseus Digital Library, possui textos clássicos e renascentistas.

http://www.perseus.tufts.edu/

Mais livros grátis e audio books

30)Audio Literature Odyssey, versões na íntegra de novelas, poemas, contos na voz do ator Nikolle Doolin.
http://nikolledoolin.com/alo/

31)Classic Poetry Aloud, podcasts de poemas clássicos e literatura inglesa.
http://classicpoetryaloud.podomatic.com/

32)Free Classic Audio Books, dúzias de clássicos para baixar e ouvir no mp3, mp4 e iPods.
http://freeclassicaudiobooks.com/

33)Learn Out Loud, diretório que contém mais de 500 títulos em áudio e vídeo.
http://www.learnoutloud.com/Free-Audio-Video#directory

34)Librivox, um dos melhores sites com audiobooks de dominio público.
http://librivox.org/

35)Lit2Go, coleção de autores clássicos e literatura infantil digitalizados.
http://etc.usf.edu/lit2go/authors/

36)Literal Systems, lista de audiobooks para download.
http://literalsystems.org/abooks/index.php

37)Spoken Alexandria Project, livraria sob licença Creative Commons com obras clássicas e atuais.
http://alexwilson.com/telltale/spokenalexandria/

38)Classics Podcast, contém links para podcasts de leituras em latim e textos em grego antigo.
http://www.haverford.edu/classics/audio/

Sopa da Red Cat

8 maio

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Red Cat, muito antes das atuais vidas, muito antes de avatar-se, conduziu uns trabalhos de criação literária na internet, experiência pioneira em chat, ramo de um trabalho mais amplo conduzido por João Silvério Trevisan no Sesc online de São Paulo.
Foram alguns anos de encontros semanais na “Sopa da Red”, onde, principalmente, a Red chicoteava e sacarrolheava [de saca-rolhas] a criatividade dos participantes com brincadeiras de palavras, performances e até muitas brigas bem-humoradas.
Hoje, muitos séculos depois, essa gata vermelha e desbocada caiu dura com as quatro patinhas pra cima quando recebeu pelo correio o volume Alma de Sonetos, de Pedro Ernesto Gonçalves Damasceno, um dos “soupantes” que se tornou muito querido. Pedro surpreende com uma obra lírica, bela, retrato de um poeta maduro.
Obrigada pelo presente, Pedro! E obrigada por me incluir nos agradecimentos. A Red ainda acredita que é na arte e na poesia que se encontra a chave da humanização.


Red Cat-Lizete Mercadante Machado

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A leitura é um esporte

25 set

Para ser leitor, assim como no caso de um atleta de alta performance, é preciso mais do que talento ou simples vocação. Antes, são necessárias condições de treino e desenvolvimento para que a tarefa se desenvolva por completo. Esta é a tese do português José Jorge Letria para a manutenção do hábito de leitura entre crianças e jovens. “É bom que se perceba que são os autores dessa área (infantojuvenis) que formam os leitores para os livros de Clarice Lispector, José Saramago, Jorge Amado ou António Lobo Antunes. Quem não começa por um lado dificilmente chega ao outro”, afirma o presidente da Sociedade Portuguesa de Autores.

No Brasil para a 22° Bienal Internacional do Livro de São Paulo e o lançamento de Brincar com as Palavras, o autor, vencedor do prêmio da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil de melhor livro de literatura em língua portuguesa com Avô, Conta Outra Vez, revela a Carta Fundamental como ter filhos e netos o impulsionou para o gênero e do papel fundamental da família na manutenção e incentivo dos hábitos de leitura.

Carta Fundamental: O senhor afirma, em Brincar com as Palavras, que as palavras foram seus “primeiros brinquedos, os mais maleáveis e versáteis, os mais sedutores e indestrutíveis”. Essa paixão refere-se mais à língua portuguesa ou à literatura?

José Jorge Letria: Refere-se às palavras em geral, o que significa que a afirmação envolve, sobretudo, a língua portuguesa enquanto base de comunicação e descoberta, e também a própria criação literária, que só veio mais tarde, mas que já estava presente pelo modo como me afeiçoava às palavras e as colecionava, pela sua sonoridade e raridade.

CF: O senhor tem livros publicados de diversos gêneros. De onde vem seu interesse pelo infantojuvenil? Que diferenças há em produzir livros para crianças?

JJL: Comecei por publicar em livro de poesia para adultos, em janeiro de 1973. Mas depois veio o interesse pela literatura para crianças, em 1979, porque tinha filhos pequenos, que também eram o meu público, e porque o meu percurso musical como cantor-autor também passou pelas canções para crianças, que foram, em larga medida, a porta que se abriu para eu começar a escrever para os mais novos.

CF: É recente o reconhecimento, no Brasil, da literatura infantojuvenil como gênero no meio acadêmico. O mesmo ocorre em Portugal? Qual a sua visão sobre esse debate? Em sua opinião, o gênero já tem seu lugar consagrado?

JJL: A literatura para os mais novos tem hoje mais reconhecimento no Brasil, designadamente em nível acadêmico, do que em Portugal, onde é um segmento importante da produção literária, plástica e editorial, mas ainda é visto com desconfiança pelo mundo da investigação acadêmica. O ideal seria considerarem-na de forma plena, sem reservas ou preconceitos, mas enquanto tal não acontecer, justifica-se o seu estudo autônomo. É bom que se perceba que são os autores dessa área que formam os leitores para os livros de Clarice Lispector, José Saramago, Jorge Amado ou António Lobo Antunes. Quem não começa por um lado dificilmente chega ao outro. Para isso não basta aprender a ler jornais esportivos.

CF: O mesmo se dá entre os escritores? Ou ainda é corrente a ideia de que se trata de um gênero “mais fácil”, “ingênuo”, que qualquer um pode escrever livros para crianças?

JJL: O fundamental num livro para crianças e jovens é que seja inteligível, sem trair a beleza poética da palavra. Há, porém, essa noção enganadora de que ela é uma literatura simples. A Cecília Meireles enfrentou certo estranhamento quando publicou Ou Isto ou Aquilo, por ser uma poetisa com obra consagrada a publicar para crianças. Perguntaram-lhe, então, como era escrever para crianças, ao que ela respondeu: “É o mesmo que escrever para adultos, só que melhor”. Portanto, acho que exige um grande investimento, mas um esforço de simplicidade, que exige muito trabalho de bastidor.

CF: O senhor já afirmou que, como autor, escreve para ser lido, para tocar de alguma forma seu público leitor. Nesse sentido, a figura do mediador tem papel essencial, por ser quem faz a ligação entre as duas pontas desse processo. Que medidas são essenciais para que essa mediação seja bemsucedida? Que tipo de formação ou qualidades são essenciais a um bom mediador?

JJL: Um bom mediador tem de ser, antes de tudo, alguém que goste verdadeiramente do que está a fazer e que acredite no que faz. Por isso tem de gostar de livros e de ler, tem de gostar de partilhar esse amor e de perceber que essa partilha com os mais novos contribui para combater o analfabetismo, para formar leitores e até escritores.

CF: Que papéis desempenham a família e o mediador ou a escola?

JJL: Acredito que a mediação se baseia em três pilares: a família, a escola e o bibliotecário. A família porque, se há livros em casa, se há hábitos de leitura, estamos meio caminho andado. Depois, o professor e o bibliotecário, que são complementares. O grande problema é que, se nas guerras a primeira vítima é a verdade, nas crises a primeira vítima é a cultura. E, num momento como o que vive Portugal, ninguém compra livros e isso dificulta muito as coisas. Assim, a escolha de obras tem de ser mais criteriosa, mesmo que isso signifique editar menos. Todavia, sempre que me encontro com professores e mediadores, tento reforçar neles o sentido de confiança e na estratégia de responsabilidade pelo que fazem. Há que ser um trabalho de paixão, e não burocrático, pois são eles que devem mostrar às crianças que é possível, mesmo com as cargas horárias que têm hoje, que as absorvem muito, há sempre espaço para a leitura. A criança chega em casa cansada e tem o computador, os cursos, o jazz, os esportes, e é importante demonstrar a eles e aos pais que a leitura tem seu espaço e que é mais estruturante que a maior parte dessas coisas.

CF: Numa pesquisa sobre os hábitos dos brasileiros, a Retratos da Leitura no Brasil, aferiu-se que, no País, são lidas quatro obras por ano, apenas metade delas na íntegra. O professor é listado como o principal motivador do hábito, porém, o número de obras lidas cai sensivelmente após a saída da escola. Como evitar esse fenômeno? A escola é suficiente para formar leitores para toda a vida?

JJL: É natural que as crianças nas escolas leiam mais livros que os adultos. Por várias razões: são obrigadas a fazê-lo, têm mais tempo e a leitura faz parte do seu plano de formação. Os adultos têm menos tempo e a vida mais atarefada com o trabalho e as preocupações profissionais, familiares e sociais. Mas compete depois à família e à comunidade não deixarem morrer o interesse pelo livro e pela leitura. Se os pequenos leitores ficarem desenquadrados e sem estímulo, dificilmente se tornarão grandes leitores, e é do núcleo dos grandes leitores que saem os grandes escritores. É um pouco como o esporte de alta competição: não basta ter talento e vocação, é preciso ter condições de treino e desenvolvimento.

CF: Como costumam ser seus encontros com jovens leitores, como ocorreu recentemente na Bienal do Livro de São Paulo? Que impacto esses megaeventos têm para atrair e formar leitores?

JJL: Estive diversas vezes na Bienal do Livro de São Paulo e acho positivo que sempre haja muitos jovens. Nessa passagem pelo Brasil, pedi para visitar algumas escolas e me surpreendi com o envolvimento das crianças. As perguntas eram espontâneas, e denotavam que eles haviam de fato lido o livro e que aquelas eram curiosidades delas. Alguns tinham curiosidades sobre o processo de escrita próprias de uma criança que está ela mesma envolvida com o ato de escrever. Essa relação com os leitores é um complemento muito importante ao nosso trabalho e hoje se está a perder. As editoras estão muito tecnocratas e distantes, e aqui no Brasil há uma relação mais humanizada entre autor e leitor. Já tenho títulos programados para os próximos anos, e quero muito aprofundar essa minha relação com o Brasil.

CF: Autores lusófonos como Couto, José Luandino Vieira e José Eduardo Agualusa tiveram suas obras difundidas no Brasil graças ao incentivo do governo português. Apenas agora o brasileiro ensaia uma contrapartida. Como avalia o intercâmbio de autores entre países de língua portuguesa?

JJL: O apoio à internacionalização da produção cultural de um país é fundamental, tenha a forma que tiver, e deve ser assegurado sem discriminações ou ao sabor do interesse de grupos editoriais ou outros. Também acredito muito no apoio oficial à tradução, pois é uma via essencial para que livros de autores lusófonos sejam editados e lidos noutros idiomas. Conheço mal o que se passa no Brasil a este nível, mas conheço o enorme potencial da cultura brasileira e a sua capacidade de se afirmar no mundo. Veja-se, a título de exemplo, o que se passa com a música, com as novelas da televisão ou com o cinema. Estou a falar de uma verdadeira potência cultural em nível global. Compete a quem decide e a quem legisla criar condições para que esse patrimônio se mundialize, o que é bom para o Brasil e para todo o universo lusófono. E eu acredito cada vez no potencial cultural, econômico, social e até político da lusofonia. Esta língua que nos une há séculos tem de marcar de forma clara o seu lugar neste mundo em transformação profunda e acelerada

Diário de Leitura-Grande Sertão Veredas

12 set

Hoje, 26 de outubro de 2011 comecei a leitura do clássico brasileiro escrito por Guimarães Rosa. Gosto do nome dele e imagino um gato persa no sofá da minha sala, cinza, com o nome de Guimarães Rosa.
Estou nas primeiras páginas, não sei se vou conseguir chegar ao final, pois tenho de lê-lo até o dia 03 de novembro para fazer, com dignidade, uma avaliação no meu curso de Letras.
Fiquei zonza com a primeira frase, o extenso primeiro parágrafo: frases curtas, intensas gerando um pensamento complexo. Não estou acostumada a ler. E, confesso, até pensei que sendo leitora louca de Virginia Woolf não seria difícil ler o Guimarães. Engano meu. Estou patinando, mas eu chego lá.
Agora vou levar um documento para fazer alguns exames médicos para controlar meu hipotireoidismo (a mesma coisa que o Ronaldo Fenômeno tem. Ele disse numa entrevista que isso era o motivo de seu excesso de peso. Não sou gorda, não estou engordando. Amém.) Vai ter fila e estarei com o grande sertão aberto. Depois vou passar no McDonald’s Subway, em seguida vou à faculdade e o Guimarães debaixo do braço e dentro da minha mente. Estou a vaguear pelas primeiras páginas. Mas é bom.
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“Viver é muito perigoso”, parece frase de Clarice Lispector, mas é de Guimarães Rosa e aparece com frequência no livro.
Segundo dia de Grandes Sertões: Veredas. O pior está sendo organizar o tempo. Tentei ler ontem na faculdade, durante as aulas, mas foi em vão. Guimarães precisa de um tempo só pra ele; um tempo, silêncio e um lugar confortável. Tive um pouco disso hoje em casa, por uma hora, e avancei até a página 62, estou atrasada, eu deveria estar na página 120. Se eu continuar neste ritmo não conseguirei ler até o dia da prova, mas sei que vou ler este livro até o final. Como é possível largar os grandes sertões pela metade? O quadro ainda está sendo pintado na minha mente. O início é um pouco fragmentado: o narrador contando causos de sua vida, discutindo a existência de Deus e o Diabo, confessando seus sentimentos por Diadorim, incluindo personagens ali, outros acolá; um quadro! Todo o sertão sendo pintado com um fino pincel para cada detalhe ser visto com perfeição: ver e sentir as veredas.
Confesso que peguei no sono e sonhei com o sertão. A minha sala virou uma coisa assim laranja, assim apagada e quente e no canto da sala estava Diadorim com a cara da Bruna Lombardi. Pulei da cama, eu estava atrasada para a faculdade.
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Estou na página 180 e cada vez mais impressionada com Guimarães Rosa. Ele pincelou pequenos fragmentos da aventura de Riobaldo no início da história, e agora (lá pela página 100) ele está desbravando todos os detalhes do sertão com paciência, sem pressa ou apelações. Riobaldo é um personagem cativante, que conversa com a gente e nos apresenta com entusiasmo as pessoas que fizeram parte de sua história. Dizem que a linguagem do livro é difícil, devido aos regionalismos, os verbos pouco usados e a própria técnica de Guimarães Rosa. Mas, quando um livro tem essa fama de difícil – seja pelo conteúdo, pela forma, etc – tudo é muito bem explicado e compreendido lendo a própria história. Se Grande Sertão: Veredas não fosse do jeito que é, o livro não seria tão bom, não seria um clássico. Então, cada sentença tem sua gramática apurada e a linguagem “complicada” porque assim foi a vida de Riobaldo, sua história, o sertão; tudo perfeitamente exposto.

“Muita coisa importante falta nome”, outra frase que me lembra Clarice Lispector.
Quando comecei a ler, foi numa edição de 2001 da Nova Fronteira, de capa rosa. Mas o livro era emprestado da Biblioteca Municipal, pois o meu livro foi comprado no Sebo Livronauta, então tive de esperar alguns dias para ele chegar. E o que chegou foi outra edição, de 2006, de capa vermelha e com as folhas mais finas, o que achei melhor para manusear que as folhas grossas da edição de 2005.
Eu precisaria terminar a leitura até quarta-feira, no máximo, para fazer a prova na quinta-feira à noite, não vai dar tempo, mas não estou preocupada com isso, pois não quero fazer da leitura de um livro tão bom e importante para a literatura brasileira uma obrigação. Grande Sertão: Veredas é feito para ser saboreado, nem que isso signifique ficar com a língua cheia de areia do sertão.
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O dia d. Hoje é a prova sobre o livro Grande Sertão: Veredas. Em geral, o professor pede para escrever o enredo, fazer um resumo e uma análise breve sobre os principais personagens. A ideia, como avisei no primeiro post, era terminar a leitura hoje, mas ainda estou na página 341, no meio da história.
Riobaldo está lá, entretido no meio dos jagunços, também sendo um, atirando, se defendendo e, principalmente, sobrevivendo ao sertão. Diadorim ganhou um ferimento na perna, fugiu e voltou novamente inteiro.
Guimarães Rosa utiliza frases curtas num grande parágrafo, o que deixa a narrativa veloz e densa. Cada frase, por mais simples que seja, ganha um significado maior a cada avanço, como se o “virar a página” também significasse entender a página anterior. E se eu não entendi, eu volto. Voltei várias páginas, reli outras para conseguir me adaptar aos nomes de todos os personagens. Isso é coisa do sertão: nomes parecidos, gente parecidas, tudo se fundindo, misturado e confuso. Quem é quem? Deus? Diabo? Gente boa e gente má? Está tudo lá em Grande Sertão: Veredas, o único romance que Guimarães Rosa escreveu. E ele precisava escreveu outro? Não. É como aquela situação de matar com um único tiro. Certeiro.
E como a arte imita a vida, abaixo um trecho do livro que gostei muito. Ele “chegou” até mim num dia que eu estava pensando sobre amizade. Esta aí toda a resposta:
Mais em paz, comigo mais, Diadorim foi me desinfluindo. Ao que eu ainda não tinha prazo para entender o uso, que eu desconfiava de minha boca e da água e do copo, e que não sei em que mundo-de-lua eu entrava minhas ideias. O Hermógenes tinha seus defeitos, mas puxava por Joca Ramiro, fiel – punia e terçava. Que, eu mais uns dias esperasse, e ia ver o ganho do sol nascer. Que eu não entendia de amizades, no sistema de jagunços. Amigo era o braço, e o aço!
Amigo? Aí foi isso que eu entendi? Ah, não; amigo, para mim, é diferente. Não é um ajuste de um dar serviço ao outro, e receber, e saírem por este mundo, barganhando ajudas, ainda que sendo com o fazer a injustiça aos demais. Amigo, para mim, é só isto: é a pessoa com quem a gente gosta de conversar, do igual o igual, desarmado. O de que tira prazer de estar próximo. Só isto; quase; e todos sacrifícios. Ou – amigo – é que a gente seja, mas sem precisar de saber o por quê é que é. Amigo meu era Diadorim; era Fafafa; o Alaripe; Sesfrêdo. (…)
ROSA, Guimarães. Grande Sertão: Veredas, Nova Fronteira, p. 180.
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Quando liguei Clarice Lispector a Guimarães Rosa, achei que era uma bobagem de minha cabeça, mas isso foi falado durante uma aula de literatura na faculdade, comentário que o professor concordou. Então, pensei quietinha enquanto tuitava alguma coisa via celular: realmente faz sentido Clarice e Guimarães.
O QUE EU DESEJO AINDA NÃO TEM NOME.
(CLARICE LISPECTOR EM PERTO DO CORAÇÃO SELVAGEM, 1943)
MUITA COISA IMPORTANTE FALTA NOME.
(GUIMARÃES ROSA EM GRANDE SERTÃO: VEREDAS, 1956)
Eles são da mesma época, da mesma fase modernista, a terceira fase. Então, sem querer, eles lidam com as mesmas questões: o existencialismo e a linguagem diferenciada, experimental, fragmentada. Mas o que diverge é a preocupação com o tema e o enredo, tão evidente em Guimarães Rosa e tão despreocupado em Clarice Lispector.
Alguém sabe me dizer se eles se conheceram? Trocaram cartas? Conversaram na mesa de um bar? Se tudo isso for sim, ficarei morrendo de inveja de quem presenciou esse grande encontro da literatura nacional. A Clarice, com seus olhos grandes a fitar Guimarães. Ele, todo genial e culto olhando pra ela; e ela olhando pra ele; enigmáticos e pensando “viver é muito perigoso”.
“Grande Sertão…” foi escrito em 1956, neste ano Clarice Lispector não publicou nada, antes disso, sua publicação foi em 1946 com o romance o Lustre e somente em 1964 que ela publicou a coletânea de contos “A Legião Estrangeira”, talvez foi nessa pequena pausa literária que ela leu Grande Sertão Veredas e comentou numa carta para Fernando Sabino:
Nunca vi coisa assim! É a coisa mais linda dos últimos tempos. Não sei até onde vai o poder inventivo dele [Rosa], ultrapassa o limite imaginável. Estou até tola. A linguagem dele, tão perfeita também de entonação, é diretamente entendida pela linguagem íntima da gente – e nesse sentido ele mais que inventou, ele descobriu, ou melhor, inventou a verdade. Que mais se pode querer? Fico até aflita de tanto gostar. Agora entendo o seu entusiasmo, Fernando. (…) O livro está me dando uma reconciliação com tudo, me explicando coisas adivinhadas, enriquecendo tudo. Como tudo vale a pena! A menor tentativa vale a pena. (…) Acho a mesma coisa que você: Genial. Que outro nome dar? Esse mesmo.

Posted by Francine Ramos-Livro e Café.com

Oxford University Press prepara-se para lançar livros didáticos no Brasil

13 jun
A Oxford University Press, a maior editora universitária do mundo, vem contratando editores para entrar no segmento de livros didáticos no Brasil. Neste segundo semestre, a editora de origem inglesa já contratou pelo menos três profissionais que trabalhavam na Moderna, para a área de exatas; uma pessoa da Saraiva, para cuidar das obras de Português, e uma da Abril Educação, para Filosofia e Sociologia. Procurada pelo PublishNews, a editora não deu detalhes dos seus planos, mas informou que “está em busca de parceiros estratégicos para diversas iniciativas”. No exterior, a Oxford publica livros educacionais e didáticos para diferentes áreas, mas, aqui no Brasil, até agora, só atuava com livros de inglês e, mais recentemente, também de espanhol.
Ainda não está claro se a Oxford pretende disputar os programas governamentais de compras de livros ou se concentrará esforços no mercado privado, como o grupo Pearson, também de origem inglesa, vem fazendo no país. Mas, por ora, os novos editores da Oxford não estão trabalhando com a perspectiva de inscrever obras no Programa Nacional do Livro Didático 2014, cujo período de pré-inscrição para livros direcionados a alunos do 6° ao 9° ano do ensino fundamental começa em 09 de dezembro e vai até maio de 2012.
A última década do mercado editorial brasileiro foi marcada pelo avanço de editoras estrangeiras no segmento de livros didáticos. Alguns dos negócios mais relevantes foram a compra da Moderna pelo grupo espanhol Santillana, em 2001; a chegada da também espanhola SM, em 2004; o investimento da portuguesa LeYa no segmento educacional e a expansão do grupo inglês Pearson no país.
O Pearson é o maior do mundo no segmento educacional, além de dono da editora Penguin e do jornal “Financial Times”. No Brasil, até agora, seus esforços têm se concentrado no mercado de educação privada. Além de trabalhar com livros universitários e obras de negócios e de ensino de idiomas, a companhia partiu para uma ofensiva na área de didáticos. Em julho deste ano, desembolsou 326 milhões de libras para comprar o Sistema Educacional Brasileiro, dono dos sistemas de ensino COC, Dom Bosco e Pueri Domus, e assim dobrar sua participação em território nacional.
Há, ainda, outras movimentações menores. A Macmillan, por exemplo, que no Brasil trabalha apenas com livros de idiomas, começou a inscrever obras em programas governamentais. Elas chegam às escolas públicas já em 2012.

PublishNews – 02/12/2011 – Roberta Campassi

Oxford cria rede de escolas no Brasil

13 jun

Editora ligada à renomada universidade inglesa desenvolveu uma estratégia inédita para vender seus livros no país


A Oxford University Press (OUP), editora da Universidade de Oxford que vem expandindo seus negócios no Brasil, criou uma estratégia inédita para ganhar mercado com a venda de livros de idiomas. A editora inglesa desenvolveu uma marca e uma metodologia de ensino baseada em seus títulos com o objetivo de licenciá-las a escolas de línguas (inglês e espanhol) e, assim, formar uma rede de ensino. Batizada de Achieve Languages, a rede já tem 35 escolas em nove estados do país, e o objetivo é chegar a 120 unidades até março de 2013, afirma João Tomazeli, gerente de negócios do projeto. Ele explica que não se trata de franquias, como é o modelo de redes como Wizard, CNA, Skill etc. “Não cobramos taxa de franquia nem royalties das escolas. Nós fornecemos a metodologia, o suporte e campanhas de marketing, e ganhamos só com a venda dos livros”, diz Tomazeli. Segundo ele, a Achieve Languages é um projeto piloto que está começando no Brasil e que no futuro poderá ser exportado para outros países onde a OUP atua – são mais de 50. “O Brasil é sem dúvida um dos mercados em que a Oxford escolheu crescer”, afirma Tomazeli. A OUP é a maior editora universitária do mundo e, no ano passado, montou uma equipe editorial para desenvolver material didático no Brasil, algo que sua conterrânea Pearson e outros grupos estrangeiros, como Santillana e SM, já fizeram no país.
PublishNews – 13/06/2012 – Roberta Campassi

Mário Vargas Llosa_Literatura criada para o Tablets cairá na Frivolidade igual a TV.

5 jun

A polêmica afirmação do Escritor Peruano Mario Vargas Llosa foi declara pelo Nobel na Biblioteca Nacional da Espanha. “É um temor, tomara que não aconteça”
No debate Mario falou da sua paixão pela livros e do medo que os eletrônicos afetem o conteúdo da escrita.
Ao contrário do que dizem “com tanta certeza os defensores do livro eletrônico”, o escritor peruano não acredita que “o suporte seja insensível ao conteúdo”. Ele baseia seu convencimento no que aconteceu com a televisão: “Por que a televisão banalizou tanto os conteúdos, quando é um instrumento extraordinário para chegar a grandes públicos, mas foi incapaz de se transformar em um transmissor de grandes ideias, de grande arte ou literatura?”, questionou o autor.


Em sua opinião, a televisão “não chegou a lugar algum, porque aponta ao mais baixo para chegar ao maior número de pessoas”. Vargas Llosa disse não se opor ao entretenimento e afirmou existir boas séries televisivas, “mas ler (Marcel) Proust ou (James) Joyce não é o mesmo que assistir a uma série”.

Em um salão de eventos abarrotado de público – e com dezenas de pessoas que tiveram de acompanhar a conversa do lado de fora por um telão -, Vargas Llosa afirmou que a coisa mais importante que aconteceu em sua vida foi aprender a ler aos cinco anos de idade. Desde então, segundo ele, começou a viver “grandes experiências” graças aos livros. “A leitura me mudou a vida”.

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