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A Marcha dos Hipócritas.Por Leandro Fortes

27 out

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Primeiro, vamos combinar uma coisa: se você votou em Aécio Neves, nas eleições passadas, você não está preocupado com corrupção.

Você nem liga para isso, admita.

Aécio usou dinheiro público para construir um aeroporto nas terras da família dele e deu a chave do lugar, um patrimônio estadual, para um tio.

Aécio garantiu o repasse de dinheiro público do estado de Minas Gerais, cerca de 1,2 milhão reais, a três rádios e um jornal ligados à família dele.

Isso é corrupção.

Então, você que votou em Aécio, pare com essa hipocrisia de que foi às ruas se manifestar porque não aguenta mais corrupção.

É mentira.

Você foi à rua porque, derrotado nas eleições passadas, viu, outra vez, naufragar o modelo de país que 12 anos de governos do PT viraram de cabeça para baixo.

Você foi para a rua porque, classe média remediada, precisa absorver com volúpia o discurso das classes dominantes e, assim, ser aceito por elas.

Você foi para a rua porque você odeia cotas raciais, e não apenas porque elas modificaram a estrutura de entrada no ensino superior ou no serviço público.

Você odeia as cotas raciais porque elas expõem o seu racismo, esse que você só esconde porque tem medo de ser execrado em público ou nas redes sociais. Ou preso.

Você foi para a rua porque, apesar de viver e comer bem, é um analfabeto político nutrido à base de uma ração de ódio, intolerância e veneno editorial administrada por grupos de comunicação que contam com você para se perpetuar como oligopólios.

Foram eles, esses meios de comunicação, emprenhados de dinheiro público desde sempre, que encheram a sua alma de veneno, que tocaram você como gado para a rua, com direito a banda de música e selfies com atores e atrizes de corpo sarado e cabecinha miúda.

Não tem nada a ver com corrupção. Admita. Você nunca deu a mínima para corrupção.

Você votou em Fernando Collor, no PFL, no DEM, no PP, em Maluf, em deputados fisiológicos, em senadores vis, em governadores idem.

Você votou no PSDB a vida toda, mesmo sabendo que Fernando Henrique comprou a reeleição para, então, vender o patrimônio do país a preço de banana.

Ainda assim, você foi para a rua bradar contra a corrupção.

E, para isso, você nem ligou de estar, ombro a ombro, com dementes que defendem o golpe militar, a homofobia, o racismo, a violência contra crianças e animais.

Você foi para a rua com fascistas, nazistas e sociopatas das mais diversas cepas.

Você se lambuzou com eles porque quis, porque não suporta mais as cotas, as bolsas, a mistura social, os pobres nos aeroportos, os negros nas faculdades, as mulheres de cabeça erguida, os gays como pais naturais.

Você odeia esse mundo laico, plural, multigênero, democraticamente caótico, onde a gente invisível passou a ser vista – e vista como gente.

Você foi não foi para a rua pedir nada.

Você só foi fingir que odeia a corrupção para esconder o óbvio.

De que você foi para a rua porque, no fundo, você só sabe odiar.

.oOo.

Leandro Fortes é jornalista.

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Francamente…por Maisa Paranhos

16 set

Resultado de imagem para Lula

 

Francamente…
O Dirceu acreditou que não seria preso pois é inocente e NÃO POSSUÍAM PROVAS contra ele.
E está preso.

Dilma acreditou que a sua honra e sua inocência bastariam para inocentá-la uma vez que NÃO SE PROVARAM os crimes de responsabilidade fiscal.
E Dilma foi arrancada da Presidência e sofremos o golpe.

Lula está sendo acusado SEM PROVAS de ter usado dinheiro desviado para a compra de um apartamento que não comprou, tampouco é o dono da tal chácara…
O que a gente supõe que vai ocorrer com o Lula?

Agora, pensemos….

Desde 2005 eles querem pegar o Lula.
A Lava Jato surge para desmontar o Brasil dando aparência de combate à corrupção.
Foram gravações, golpes dentro de golpes, farpas entre a própria direita, queda do Cunha, desmonte do Estado, tudo isso, para acabar com o Lula e com o PT.

E alguém, em sã consciência, acredita que por FALTA DE PROVAS eles vão poupar o Lula?

Esses caras tem algum compromisso com a lei, a verdade, a legalidade de alguma coisa?
Eles poupariam o Lula por ser um líder popular?
Mas se é justamente por ser um líder popular que o desejam inelegível!!!!

Se o prendem, Lula será uma lenda viva e conduzirá as eleições de dentro da prisão.

Se o matam, será uma lenda, morto.
E o PT cresce exponencialmente.

Se o tornam inelegível somente, sem grandes dramas, com uma prisão domiciliar no máximo, terão chegado ao seu fim.
Sem muita crueldade

Pensemos…

Não podemos mais nos surpreender.
Não podemos mais esperar ou acreditar que a justiça será feita.
Não será.

Ou temos uma atitude de ocupação dos espaços políticos, em cada localidade de nosso país, com greve geral, num movimento sem tempo para acabar, ou Lula será inelegível.

O líder é nosso e não deles.

Lembremos, eles NÃO PRECISAM DE PROVAS.
Está evidente isso, não?
Aliás, já nos deram provas disso…

Vamos ficar esperando outra nota de repúdio do Rui Falcão?

De Paulo Teixeira para Paulo Skaf

7 abr

http://www.sensacionalista.com.br/wp-content/uploads/2015/10/

Prezado Paulo Skaf:

Vi minha foto no jornal, numa publicação paga pela FIESP. Ela estava acompanhada por meu email, meu telefone e meu Facebook num anúncio de página inteira no jornal Valor Econômico. “Estes são os deputados que representam São Paulo na comissão do impeachment”, dizia o título do anúncio, impresso em tinta preta sobre fundo amarelo. Logo abaixo, uma questão dirigida ao leitor do jornal: “Pergunte diretamente a eles de que lado eles estão. Você tem o direito de saber quem é contra ou a favor do impeachment.” A página trazia ainda a frase “Impeachment Já!” e o bordão “chega de pagar o pato.”

Votarei contra o impeachment, Skaf. Assim agirei por duas singelas razões:

1) Não há base jurídica para o impeachment da presidenta Dilma. Para se tirar um presidente legitimamente eleito, por meio de impeachment, há que se ter comprovado crime de responsabilidade. Sem a existência de crime, é golpe. Na democracia, o respeito à Constituição é sagrado. O último golpe apoiado pela FIESP foi um pesadelo que durou 21 anos. Muitas pessoas morreram, outras foram para o exílio, políticos foram cassados e direitos civis foram suprimidos.

2) O impeachment não é o caminho para acalmar o país. Os problemas que temos serão resolvidos pelo diálogo e não jogando gasolina para apagar a fogueira. Não posso deixar de lembrar que o setor representado pela FIESP foi o maior beneficiado pelas desonerações na folha de pagamento e pelos subsídios concedidos pelo Tesouro ao BNDES durante o governo Dilma. Tais benesses são responsáveis pelo déficit orçamentário que alcançamos em 2014 e 2015. E você liderava essa pauta.

Você tem militância política, é filiado ao PMDB, e isso é bom. Porém, não podemos esconder que dois dos seus companheiros de partido são beneficiários diretos do impeachment, uma vez que Michel Temer aspira à Presidência da República e Eduardo Cunha assumiria a condição de primeiro sucessor. Essa condição tira a imparcialidade que o teu cargo requer.

Você repete o bordão “chega de pagar o pato”. Faz sentido, embora seja recomendável pagar pelo menos os direitos autorais ao autor desse pato. Penso que esse bordão ganharia credibilidade se a entidade que você dirige desse o exemplo, assumindo uma postura de austeridade e equilíbrio. Sobretudo de equilíbrio. Parece estar sobrando dinheiro do sistema S para bancar a publicação desses caros anúncios. Se destinados à previdência social, esses recursos poderiam evitar o déficit anunciado.

Votarei contra o impeachment e, imediatamente após superar essa pauta no Congresso Nacional, vou sugerir à presidenta que promova um diálogo nacional para incentivar o crescimento econômico, a proteção do emprego e da renda das famílias brasileiras, a retomada das reformas de que o Brasil precisa. Esse debate deve ser feito com aqueles que cultivam o diálogo e defendem a democracia, e não com aqueles que repetem os erros do passado e querem fraturar o país.

Paulo Teixeira, deputado federal (PT/SP).

Gabeira está gagá?

15 mar

FHC, GABEIRA_SERRA

por Fernando Morais do Facebook BreakNews

Diante da foto patética do fernando gabeira, envelhecido e barrigudo como eu, trepado num caminhão de som e discursando a favor do golpe, em copacabana, alguém aqui no foicebook bradou: “gabeira está gagá!”

Gabeira está gagá?

acho que não. o juízo generoso do internauta desenterrou uma história de amarga memória dos anos 70. não me agrada escrever sobre essas coisas, mas vai que eu morro de uma hora para a outra e isso se esvai na poeira do tempo…

dias após o assassinato de Vladimir Herzog no Doi-Codi, o correspondente da Veja na Bahia, Talvane Guedes da Fonseca, militante do partidão, publicou um artigo num jornal local corroborando a tese dos milicos: Vlado não fora assassinado, mas se suicidara.

A Veja mandou a Salvador o editor Paulo Totti – um dos jornalistas mais dignos que conheci – para averiguar que cazzo havia levado Talvane a escrever tamanha barbaridade. generoso, incapaz de fazer um julgamento apressado a respeito de quem quer que fosse, o gaúcho Totti voltou a São Paulo e, cheio de cuidados, disse a um grupo de jornalistas da revista:
“a única explicação que encontro para o caso é que o Talvane pirou”.

Ao ouvi-lo, Renatão Pompeu obtemperou: “desculpe, Totti, mas pirar pirei eu, que passei oito meses num hospício tomando “haloperidol” na veia todos os dias.

Talvane não pirou.
Talvane é um filho da puta.”

Todo esse relambório hiperbólico é para dizer o seguinte ao caríssimo seguidor do foicebook que acha que o Gabeira está gagá.
Não está.

Gagá estou eu, às portas dos setenta anos.
Gabeira virou um filho da puta.

DO ÓDIO INVEJOSO DOS MEDÍOCRES

22 jan

Por Sergio Arruda

http://blog.marciafernandes.com.br/wp-content/uploads/2011/06/
– Ao analisar Lula e seus críticos só consigo ver uma sociedade profundamente hipócrita.

Se for olhada com cuidado, constata-se um mundo de simulações.
Aprende-se a simular honestidade, só para ter respeito social.
Faz-se esforço físico, raro mental, em cursar 4 ou 5 anos de faculdades para simular cultura, como se um pepelucho com letras douradas fizesse a mágica de a transmitir.
Simula-se educação para enganar a sociedade e a própria familia e se usa moralidade com o mesmo propósito.

Lula causa espécie exatamente por ter algo que simulações não conseguem obter – chama-se AUTENTICIDADE.

Não se pode dar valor de cultura superior adquirida em livros e apostilas sobre o que se adquire na vida, na luta e relacionamentos mais ricos do que têm todos os professores somados.

Admirável é se ver homem lidando com as mais festejadas personalidades do mundo sem perder sua naturalidade. Aliás o mundo reconhece isso e o glorifica. Não traiu, não gaguejou, e mostrou sua face de hombridade a todos que não a tem e o odeiam pela inveja que sua natureza o põe acima de todos.

Compara-lo com a mediocridade de um ‘fhc’ é quase um insulto à verdade.

Fim da compaixão ? por Renato Janine Ribeiro

10 mar

Na terça-feira, dois relatos me surpreenderam. Um eu li no Facebook, replicado centenas de vezes: a jornalista Neli Pereira, da BandNews, dizia ter sido mal atendida por um médico do Hospital Sírio Libanês. Contou que ele usou o tempo de consulta para sugerir que consultasse um colega, a quem ela pagaria R$ 700 pelo atendimento, e encerrou a conversa pedindo para participar do programa de rádio dela.

Outro, todos vimos nos jornais: a forma como o ex-ministro Guido Mantega, que estaria levando a mulher para se tratar de câncer no Hospital Israelita Albert Einstein, foi ofendido na lanchonete do mesmo, a ponto de ter que se retirar. A coincidência é que essas condutas indesculpáveis ocorreram em dois hospitais top de linha de São Paulo.
Mas o chocante mesmo é que ambientes que deveriam ser de acolhida, de cuidado, foram poluídos, num caso, pela ganância, no outro, pelo desdém pelo sofrimento alheio.

Estaremos vivendo o fim da compaixão? Ninguém vai a um hospital para se divertir. É um lugar onde a maior parte se dirige preocupada, quase sempre adoentada e com sintomas desagradáveis. Um hospital, mais que isso, por vezes respira morte.
O câncer, de que sofre a mulher do ex-ministro, é doença de difícil e doloroso tratamento, embora a cura seja cada vez mais frequente. Nesses lugares se espera tudo, menos agressão. Na primeira narrativa, o médico falta com a ética mais elementar de sua profissão; mais que isso, com o respeito devido a um ser humano.

Pode alguém escolher um ofício da saúde, para usar as palavras de um médico no filme Montenegro (1981), de Markavejev, porque “só lhe interessa o dinheiro”? Sem dúvida, o caso narrado tem de ser exceção entre milhares de médicos, mas infelizmente só reforça o descontentamento com eles – e juízes (mas esse desprestígio de duas das três grandes profissões tradicionais – a terceira são os engenheiros – seria assunto para outro momento). Minorias podem impopularizar uma profissão. Esse caso precisa ser apurado pelo hospital e pelo Conselho de Medicina.

Os insultos na lanchonete do Einstein causaram mais polêmica. Deixemos de lado a questão da presença, ou não, de médicos na turba mal-educada. Cabe lembrar que um lugar dedicado à saúde deve ter caráter quase de santuário. Sempre foi tradição, no Brasil, não falar mal de mortos, pelo menos por ocasião da morte.

Essa praxe pode ter raiz em alguma superstição, mas consiste – ou consistia – na convicção de que há um limite para todas as pendências e conflitos que tenhamos em vida. Tudo é transitório, “é pó”, como diz a religião cristã. Não é o medo de que o cadáver venha nos puxar pelo pé no meio da noite.

É a crença de que a morte põe termo a todas as vaidades humanas. Vaidade é um termo com dois sentidos, que se ilustram e complementam. Refere-se ao vaidoso, à pessoa exibida, que se considera especial, superior aos outros – o que, numa sociedade democrática, tende a ser intolerável. Mas também se refere ao que é vão, inútil, ocioso, ao que dá em nada. You’re So Vain, a música de Carly Simon (1972), joga com os dois sentidos, que por sinal em inglês são dados por uma palavra só: “Você é tão vaidoso / Você o que faz é tudo em vão / De que adianta ser tão besta…”.
A morte põe fim a isso tudo. Por isso, os lugares da morte são lugares de respeito. Não se imagina ofender alguém num cemitério, no velório, na missa pelas almas. Isso se estende ao lugar de fragilidade que é o hospital, o posto de saúde, a unidade básica. Instauramos um cessar-fogo em meio às guerras do cotidiano. Recordo expressões como salvo-conduto, suspensão de hostilidades, trégua.

Nesses lugares, não devemos enfatizar o que nos divide. Médicos de países em conflito armado atendem aos feridos do inimigo – assim ordenam as leis de guerra. Em combate, podemos, talvez devamos, matar o inimigo; mas, quando ele é aprisionado ou se rende, da inimizade só restam o direito de mantê-lo preso e a obrigação de alimentá-lo, tratá-lo, resguardá-lo. Isso foi violado na lanchonete do hospital.
Há gente que trata aqueles de quem discorda como se estivéssemos em guerra civil. Pior que isso: porque, como afirmei, a doença ou a desvalia implicam uma bandeira branca. Nem mesmo isso está sendo respeitado. Fiquei horrorizado com certas manifestações de facebookers e de leitores de jornais. Um dizia que o PT tem que ser tratado à bala. É uma clara degradação do espaço político em território de guerra. É esquecer que a construção do Estado consiste, antes de mais nada, na substituição da guerra pelas palavras, da matança pela convivência.

Gente que diz isso passa o atestado de que não está preparada para o convívio no Estado de Direito. Quem defende o assassínio é criminoso. Pena que o Brasil seja tão leniente com o crime.
Há dois pontos finais a assinalar. Começo pela compaixão. Recentemente, num debate com psicanalistas lacanianos, eles a criticaram. Afirmam que há uma cumplicidade ruim entre quem sente pena do outro e aquele que se vitimiza.

Assim se forma uma situação viciada da qual não se sai. Mas essa ideia, embora correta em seu enunciado, parte de um equívoco quanto ao que compaixão significa. Compaixão não é ter pena. Não é dar esmola. Não é manter o outro no estado de dependência.

A compaixão, a “piedade” de Jean-Jacques Rousseau, é a reação, quase instintiva, que nos faz sofrer junto a qualquer ser vivo que sofra. Como bem observa Lévi-Strauss, ela vai além do mundo humano: abrange os animais (penso que hoje se pode discutir se chegaria também aos vegetais; a jovem lapsariana do filme Um Lugar Chamado Notting Hill diria que sim). Ela realiza a ideia de John Donne: “Nenhum homem é uma ilha isolada; a morte de qualquer homem diminui-me, porque sou parte do gênero humano. E por isso não perguntes por quem os sinos dobram; eles dobram por ti”.

Não é o atendimento no varejo, que meus amigos criticavam: é uma postura diante da sociedade, mesmo da vida. Compaixão, mais que dar esmolas, envolve lutar pela supressão da pobreza e da miséria. Não é só cuidar de um cão machucado; é – no mínimo – lutar pela morte sem dor dos animais que comemos. Para vários, é também recusar-se a comer cadáveres, mesmo de animais não pensantes.
Ora, o que mostram esses episódios que dessacralizam os templos do cuidado é que está se desvalorizando o respeito ao sofrimento. Parece que regredimos a antes de Rousseau. Até o século 18, o grande espetáculo de mídia eram os suplícios em público, em alguns casos, precedidos de demorada tortura. Até a década de 1930, se enforcava ou guilhotinava na praça. Fizemos bem em substituir esses shows pela televisão, mas muita gente ainda quer dar vazão a essa barbárie, ao anseio de matar, destruir, fazer sofrer.

Gostemos ou não, é mais frequente esse tipo de desrespeito ocorrer contra petistas e esquerdistas do que contra tucanos ou direitistas. Isso significa que ações de desrespeito são mais cometidas pela direita do que pela esquerda. Esse ponto deveria chamar nossa atenção como educadores. Uma parte de nossa sociedade, mesmo tendo dinheiro, está sendo mal-educada. Não respeita os princípios do convívio social, a ponto de violar o último bastião do respeito, o silêncio perante a dor ou sofrimento alheio. Era o refúgio da humanidade. Parece que nem isso.
Assim, há quem substitua a vida em sociedade pela guerra de todos contra todos. Os desrespeitosos da lanchonete justificarão o que fizeram acusando o ex-ministro de criminoso. Mas todo país que entra em guerra alega isso. Acredita quem for bobo. Na 1ª Guerra Mundial, quantos não ficavam chocados de saber que, depois de uma vitória alemã, os bispos germânicos rezavam um Te Deum – e o mesmo faziam os franceses após uma vitória de seu país? Como se Deus fizesse guerra. O mesmo vale quando se proclama um lado inteiro como criminoso.
Há um problema no modo como a oposição conduziu nestes anos a discussão política no Brasil. Ela a reduziu a uma crônica policial. Em vez de construir projetos alternativos de qualidade – e poderia, sim, ter proposto para o País coisa melhor do que o PT fez, ou pelo menos coisa boa, que preservasse as conquistas sociais do petismo e promovesse por exemplo o pequeno empreendedor -, limitou-se a torcer para que polícia, promotores e juízes fizessem o trabalho que ela não conseguia ou não queria fazer.

O resultado é que parte significativa da população, em alguns poucos Estados, como São Paulo, criminalizou a simples simpatia pelo PT.
Isso traz uma consequência preocupante: quando o outro lado é visto como criminoso, é claro que não pode ser tratado com respeito. Uma coisa é reconhecer a vitória eleitoral de um adversário, outra a de um inimigo. Ora, se o adversário é pintado como ladrão, ele se torna inimigo. Isso deslegitima, aos olhos de uma parte minoritária, mas falante da população, o próprio processo eleitoral – e a própria democracia. Voltam alguns a querer a intervenção cirúrgica dos militares, para que rapidamente sanitizem o ambiente e o deixem pronto para os homens de bem exercerem o poder. É um 1964 redivivo, com a diferença de que os militares não querem mais esse papel, os empresários serão malucos se trocarem Joaquim Levy por uma aventura de tal ordem e a embaixada norte-americana certamente não quer criar problemas novos para seu país. No pequeno varejo das lanchonetes, das praças de alimentação, das filas de cinema e de supermercado, isso pode tornar impossível o convívio entre diferentes. Perde quem só frequenta seus próprios clones e não saboreia a diversidade de opiniões e valores.

A campanha do ódio antipetista. Por Cristiana Castro

18 out

COLAGEM

Quando foi disparada a campanha do ódio antipetista, muitos se aproveitaram e aderiram, apostando na possibilidade de apresentar-se como alternativa à esquerda. 

Em nenhum momento observaram ou atentaram para o tom fascista que dominava uma campanha contra política, políticos, partidos, sindicatos, eleições, voto… enfim, democracia. Valia qq coisa para que o PT fosse apeado do poder.
A ordem era, inclusive, partir, fisicamente, para cima de militantes que ostentassem símbolos do partido. Nesse ponto, o PCdoB Tb foi alvo aqui no RJ.

Denunciamos nos Blogs ataques a uma cadeirante e duas senhoras, além de um grupo com uma criança e uma adolescente. Resumindo, a ordem era agredir, independentemente de idade, sexo, condição física.

O julgamento da AP 470, foi a cereja do bolo, abriu a temporada de caça aos petistas e deu a senha para a violência fascista que, essa semana fez mais uma vítima, novamente, um cadeirante; companheiro Ênio que estava aqui no RJ, na semana passada.
O herói fascista era JB; agressivo, truculento e, especialmente, acima da lei como os coxinhas que podiam tudo contra todos e que sob proteção policial, atacavam os símbolos da representação democrática, deixando intocados os símbolos de poder das elites. Acreditavam-se grandes revolucionários enfrentando uma polícia que estava ali para garantir o sucesso da empreitada.

Qualquer um que discordasse de seus métodos ou idéias era automaticamente, transformado em “petralha”, “ mensaleiro”, “ quadrilheiro”, etc… independente de ser militante filiado, simpatizante, eleitor, militante de partidos da base aliada ou mesmo um cidadão não cooptado pela campanha midiático-sionista.

A” tendência” mundial do Ocuppy qq porra que interesse ao capital transnacional chegou ao Brasil pelas Universidades brasileiras travestida de desejo de mudanças na política, chancelada pelos que se julgavam a nata da intelectualidade. Como vimos, só os “ inteligentes” caíram no conto do vigário e a população manteve-se distante da presepada midiática.

Obviamente, o grupo denominado “ petralhas” Tb alcunhou os antipetistas, juntando-os todos no mesmo saco de “ coxinhas” que estavam “contra tudo o que está aí” desde que o que estivesse aí fosse o PT, do PT ou alinhado ao PT; o resto que estava “ por aí” não era um problema pq precisavam vender a idéia de uma ditadura petista, à exemplo do que aconteceu na Venezuela. Simular um racha de ódio na sociedade em que um grupo apóia a “ ditadura” e outro defende a “ democracia”.

A democracia coxinha é essa que estamos vendo nas postagens do Twitter e FB, em que negros, mulheres, nordestinos e petistas são tratados como cidadãos de terceira classe e devem ser desestimulados pelos coxinhas todas as vezes que tentarem tornar públicas suas preferências políticas.

Aqui cabe ressaltar que, desde o início, denunciamos o caráter fascista desses Atos que foram apoiados e incentivados por partidos que se dizem de extrema esquerda ( inclusive tendências do próprio PT ) e que, hoje, envergonhados do vexame que protagonizaram simulam uma neutralidade ou aderem ao PT numa tentativa canhestra de tirar a letra da lista dos que promoveram a ascensão do fascismo brasileiro.

Ora, qq imbecil sabe que não existe neutralidade possível qdo numa das pontas está o que de mais imundo a humanidade produziu.

O que mais vejo, sobretudo pelos blogs e twitter, são pessoas que empenharam-se até o limite para que o neoliberalismo chegasse ao segundo turno com chances reais na luta contra o trabalhismo, tentando equilibrar-se no muro do “ política é tudo a mesma coisa” ou “ o PT é igual ao PSDB “.

Que me desculpem mas não é a mesma coisa, não. Fosse a mesma coisa e lutariam com o mesmo orgulho com que lutamos e assumiriam suas posições. Mas não. Lutam sem nomes, sem rostos, sem propostas e, na hora de dar de cara com as conseqüências de suas ações, fogem para cima do muro para que os meios de comunicação, MP e Judiciário façam o serviço sujo que tem vergonha de fazer.

Acreditam que, num futuro bem próximo, poderão alegar “ neutralidade”; ninguém me viu; eu não votei; não postei nada sobre isso… Esse sujeito é o que, vulgarmente, chamamos de COVARDE. Na política, atua, fortemente para alcançar um determinado resultado e, qdo ele chega… Ah, eu anulei o voto ou político é tudo igual… Ora, se é assim, pq não empenhou-se no outro? Escolheu um lado, fez uma opção; empenhou-se e, finge envergonhar-se da escolha. Ah, é pq nós queríamos mudanças… É, e pelo jeito teremos uma das grandes que já começou com o resultado das urnas no primeiro turno.

E o covarde que gosta de lutar com a cara coberta e depois correr para a segurança do muro, deveria descer rápido e vir aprender a lutar com dignidade e ajudar os que, de fato, sempre lutaram, a desarmar a bomba que eles deixaram qdo correram de vergonha.

Pelo menos, ajudem a carregar os mortos e feridos na batalha que iniciaram, não sabem como terminar e ainda tem a cara de pau de atribuir ao PT as conseqüências nefastas de sua incapacidade política.. QQ coisa, a gente coloca a culpa no PT, ou melhor, as empresas de comunicação fazem isso e nós ficamos na encolha.

Enquanto, os covardes, estão escondido em cima do muro, jornalistas estão sendo perseguidos e presos, militantes estão nas ruas sofrendo agressões e o covardão que acusava a polícia de ser violenta, será o primeiro a chamá-la para defendê-lo do povo que até bem pouco tempo, o covarde simulava representar. Já vimos esse filme e, ainda estamos vendo em diversos países do mundo.

Enquanto os coxinhas foram os agressores, a polícia era violenta; vamos ver quem vão chamar qdo forem os agredidos ( espero que não acreditem que vão continuar agredindo sem revide, eternamente; ninguém que não seja, completamente retardado ainda cai no papo de que é a militância do PT que agride os coitadinhos dos coxinhas ).

Aliás o coitadismo aliado à truculência e a alienação coxinha ( tradução; raivinha de molecada mimada ) não encontrou eco na sociedade. JB, Marina Silva ( heróis coxinhas ),caminham para o ostracismo; o #ForaCabral e o #NãoVaiTer Copa, foram enterrados com uma Copa maravilhosa e a ida de Pezão para o segundo turno aqui no RJ; a mudança tão desejada as urnas já revelaram qual era.
Portanto, tudo o que os coxinhas pensam ter conquistado, agradeçam a Dilma que foi a única que, de fato, deu alguma atenção a eles.
E, ainda assim, qdo propôs o plebiscito para que as mudanças, de fato, pudessem acontecer, todos os sem liderança, ao mesmo tempo, decidiram sumir das ruas. Da mesma forma, a tranqüilidade com que o consórcio máfio-midiático se apossou do movimento levantou suspeitas acerca da boa intenção dos protestantes.

Por alguma razão, aceitaram, bovinamente a condução e não esboçaram qq reação à imposição de uma pauta para as tais jornadas. A expressão máxima da condução foi a derrubada da PEC 37. Até mesmo o Congresso Nacional que cercaram, voltou pior que já estava. Não os representava; talvez, agora, os represente.

Os fascistas acusaram todo mundo e esqueceram de olhar para o próprio rabo. Agora, olhem para Aécio Neves e entendam quem vcs são, de fato. Além de não terem conquistado nada; ainda criaram as condições para o maior passo em direção ao atraso que esse país já viu.
O homem da mudança chegou; está aí e é, Aécio Neves; nós não chamamos por ele. Os coxinhas chamaram.

Nós estamos aqui, nomes, caras, partido, projeto, lideranças… pq sabemos que vivemos em uma democracia. Eles chamaram o cara e ele veio para mudar o Brasil. Agora, que mostrem a cara deles para o Brasil inteiro; deixem que o trabalhador, que é quem vai se arrebentar num eventual governo fascista conheça a cara dos que diziam lutar em seu nome.

Não eram o povo nas ruas, os movimentos sociais, os pobres, a periferia, o trabalhador brasileiro? O jogo acabou, hora de mostrar as cartas para que o Brasil saiba quem estava blefando. Minha cara tá aqui; quero ver a deles! Até aqui, a única coisa que trouxeram de novidade foi sua raivinha infantil, completamente fora do tom, dado que são adultos; total desconexão com a realidade e uma arrogância e vaidade patológicas. Ou é o que eles querem ( e nem sabem o que querem ) ou é pancadaria.

A única coisa que sabem é que não gostam do PT pq todas as suas frustrações são culpa do Estado; o Estado tem que fazer tudo para os “Anarquistas”, seja lá o que isso signifique, senão eles prendem e arrebentam. Eu sinto muito pelos desavisados que foram enganados pelas lideranças que juram não existir; é melhor acreditar que não existem do que aceitar que foram tratados por elas como retardados mentais. Em tempos de internet, dá para alegar-se qq coisa, menos falta de informação.

Lamento muito pelo Ênio e pelos outros companheiros que estão vivendo esse inferno há tanto tempo, por outro lado, a ordem é resistir e parabenizo cada um dos petistas, simpatizantes, eleitores, militantes de outros partidos, especialmente, PCdoB, por termos chegado até aqui. Só mais um pouco gente… Depois é depois e a gente vai ver o que fazer. Até aqui tiveram que se juntar TODOS contra nós e apresentar uma proposta de retorno a pré-História para poder fazer frente ao governo popular. Dê no que dê, a Patria Grande continuará avançando.

Cristiana Castro

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