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O “escudo”da nova Guerra Fria por Manlio Dinucci

22 mar

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Washington está tirando vantagem de sua derrota na Ucrânia: está fazendo os europeus se isolarem economicamente da Rússia, e já está impondo sobre eles a expansão de sua cobertura de míssil. Enquanto os meios de comunicação ocidentais focam na narrativa de eventos da OTAN (a assim chamada ” anexação militar” da Criméia), a Aliança está implantando silenciosamente seu aparato imperial.

ice-presidente Joe Biden fez uma rápida visita à Polônia e a Estônia para garantir que, em face de “incursão desavergonhada da Rússia” na Ucrânia – um país determinado a construir “um governo para o povo” (garantido pelos neo-nazistas [1] que alçaram o poder pelo golpe de estado do “novo Gladio” [2]) –, os Estados Unidos reiteram o seu firme compromisso em conformidade com o Artigo 5º do Tratado do Atlântico Norte na “defesa coletiva”. Como a Ucrânia é agora um membro de fato, mas não oficial, da OTAN, há sempre um “não-Artigo 5º”, incitando membros a “executar missões em evolução não descritas nos termos do Artigo 5º”, que foi promovido pelo governo italiano de Massimo D’Alema durante a guerra da OTAN na Iugoslávia em 1999, e mais tarde também aplicado para as guerras no Afeganistão, na Líbia e na Síria.

Para ajudar “a OTAN a emergir desta crise mais forte… do que ’nunca’”, os Estados Unidos retomaram seu compromisso com a “defesa contra míssil” da Europa. No entanto, correlacionando a “defesa contra mísseis” à crise ucraniana, Joe Biden entregou o jogo. Washington manteve persistentemente que”escudo” dos EUA na Europa não é dirigido contra a Rússia, mas contra a ameaça dos mísseis iranianos. Em Moscou, pelo contrário, isso foi sempre entendido como uma tentativa de ganhar uma vantagem estratégica decisiva sobre a Rússia: os EUA poderiam manter isso sob a ameaça de um primeiro ataque nuclear, contando com a capacidade do “escudo” para neutralizar os efeitos de retaliação. [3] O novo plano lançado pelo Presidente Obama, em comparação com o anterior, prevê um maior número de mísseis alinhados às portas da Rússia. Desde que estão sob controle dos EUA, ninguém pode descobrir se eles são interceptores ou mísseis nucleares.

Tendo rejeitado a proposta para gerenciar em conjunto com a Rússia a estação de radar de Gabala no Azerbaijão, os Estados Unidos começaram a construir na Polônia o local que hospedará 24 mísseis SM-3 do sistema Aegis. Além disso, o governo polaco comprometeu-se a dispor de mais de 30 bilhões euros para alcançar (com tecnologias dos EUA) o seu próprio “escudo” destinado a se integrar à estrutura dos Estados Unidos e da OTAN. E Joe Biden aplaudiu a Polônia pela sua disponibilidade a assumir “parte dos encargos financeiros, algo que todos os aliados devem fazer” (a Itália considerada). Outro local de míssil 24 SM-3, atualmente em construção na base aérea Deveselu na Romênia, vai se tornar operacional em 2015 e vai ser comandado por 500 soldados americanos. Essas instalações de mísseis compõem um super poderoso radar instalado na Turquia e radares móveis que pode ser rapidamente transportado para “posições avançadas”.

O “escudo” também inclui a implantação no Mediterrâneo de navios de guerra equipados com radares e mísseis Aegis SM – 3. O primeiro – um míssil destróier USS Donald Cook – chegou no início de fevereiro na Base Naval de Rota, na Espanha, onde 1.200 marinheiros e 1.600 membros das suas famílias serão eventualmente alojados. Será seguido por outras três unidades (USS Ross, USS Porter e USS Carney). Mas é provável que o número será maior, pois a Marinha dos EUA já tem cerca de 30 desses navios. Eles patrulham continuamente o Mediterrâneo, prontos a entrar em ação a qualquer momento, conduzindo ao mesmo tempo, de acordo com a OTAN, “uma gama completa de operações de segurança marítima e exercícios bilaterais e multilaterais com as marinhas aliadas”. A Marinha Espanhola já tem quatro fragatas equipadas com o sistema de combate integrado Aegis, o que os faz inter-operacionais com os navios dos EUA. O mesmo será feito com o Fremmfrigates da marinha italiana.

Um papel cada vez mais importante no “escudo” será desempenhado pelas diretivas e bases os EUA e da NATO na Itália: em Nápoles, casa do quartel-general dos EE e das forças navais aliadas; na Sicília, onde se situa a Estação Naval e Aérea Sigonella (que atenderá as unidades Aegis no Mediterrâneo); além do Sistema Objetivo Móvel do Usuário (Mobile User Objective System – MUOS), em Niscemi [4], para comunicações por satélite de alta freqüência. Todas as unidades navais Aegis no Mediterrâneo, novamente de acordo com a OTAN, estarão “sob o comando e o controle dos EUA.” Isto significa que a decisão de lançar o míssil interceptador, presume-se, será prerrogativa exclusiva do Pentágono.

Enquanto prepara o “escudo”, os EUA afiam suas facas. Para a crise ucraniana, eles implantaram outros 12 bombardeiros F-16na Polônia e outros 10 F-15 na Estônia, Letônia e Lituânia. Em breve, eles serão capazes de transportar as novas bombas nucleares B61-12 armazenadas na Europa (incluindo a Itália), para ser usadas como abrigo contra bombas Bunker. Moscou está tomando medidas defensivas, mas Washington marcou o primeiro ponto: a crescente tensão na Europa permite que os Estados Unidos aumentem sua influência sobre seus aliados europeus.

Com o Artigo 5º ou o não-Artigo 5º.

Manlio DinucciGeógrafo e geopolítico. Últimas publicações : Geocommunity Ed. Zanichelli 2013 ; Geografia del ventunesimo secolo, Zanichelli 2010 ; Escalation. Anatomia della guerra infinita, Ed. DeriveApprodi 2005.

Tradução 

Marisa Choguill

Fonte 
Il Manifesto (Itália)

 

 

 

 

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Brics: o mundo onde viverão seus netos não será o do Tio Sam

10 nov
Se você pensa em um dia visitar Miami, mandar seu filho estudar nos Estados Unidos, ou acha que seus netos vão crescer em um mundo regido pelo Tio Sam, está na hora de rever seus conceitos
por Mauro Santayana publicado 
Salman Khurshid e Luiz Alberto Figueiredo

“A civilização é um movimento, e não uma condição. Uma viagem, e não o porto de destino.” A frase, do historiador inglês Arnold J. Toynbee, define como poucas o curso da história. Raramente percebemos a história, enquanto ela ainda está acontecendo, a cada segundo, à nossa volta. O mundo se transforma, profundamente, o tempo todo. Mas as maiores mudanças são as imperceptíveis. Aquelas que quase nunca aparecem na primeira página dos jornais, normalmente tomada por manchetes que interessam a seus donos, ou por chamadas de polícia ou futebol. Esse é o caso das notícias sobre os Brics.

Quem já ouviu Pink Floyd (Another Brick in the Wall) pode confundir o termo com brick, palavra inglesa que quer dizer tijolo. Se gostar de economia, vai lembrar que essa é uma sigla inventada em 2001 por um economista do grupo Goldman Sachs.

Mas poucas pessoas têm ideia de como o Bric vai mudar o mundo e sua própria vida nos próximos anos. Antes um termo econômico, o Brics, grupo que reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, está caminhando – aceleradamente, em termos históricos – para se transformar na aliança estratégica de alcance global que vai mudar a história no século 21.

O que juntou esses países? Para Jim O’Neill, criador do vocábulo, foi seu potencial econômico e de crescimento. Mas, para esses países, o que os aproxima é seu desejo de mudar o planeta. Dominados ou combatidos pelos Estados Unidos e pela Europa, no passado, eles pretendem desafiar a hegemonia anglo-saxônica e “ocidental”, e mostrar que outro mundo é possível, na diplomacia, na ciência, na economia, na política e na questão militar.

Três deles, Rússia, Índia e China, já são potências atômicas e espaciais. O Brasil e a África do Sul, embora não o sejam, têm indiscutível influência em suas respectivas regiões, e trabalham com a mesma filosofia. A construção de uma nova ordem mundial, mais digna e multipolar, em que haja menor desigualdade entre os países mais ricos e os que estão em desenvolvimento.

A união faz a força. O Brics sabe disso, e seus concorrentes, também. Por isso, os meios de comunicação “ocidentais” e seus servidores locais movem forte campanha contra o grupo, ressaltando pontos negativos e ocultando e desencorajando as perspectivas de unidade.

Mesmo assim, eles estão cada vez mais próximos. A cada ano, seus presidentes se reúnem. Na ONU, votam sempre juntos contra ataques ocidentais a países do Terceiro Mundo, como aconteceu no caso da Síria, há poucas semanas. Controlam 25% do território, 40% da população, 25% do PIB e mais de 50% das reservas internacionais do mundo. China e Brasil são, respectivamente, o primeiro e o terceiro maiores credores dos Estados Unidos.

Por crescerem mais que a Europa e os Estados Unidos, e terem mais reservas internacionais, os Brics querem maior poder no Banco Mundial e no FMI. Como isso lhes tem sido negado, estão criando, no próximo ano, o próprio banco, com capital inicial de US$ 100 bilhões.

No final de outubro, o Brasil – que já compra helicópteros militares russos, tem um programa conjunto de satélites de monitoramento com a China, vende aviões radares para a Índia e desenvolve mísseis com a Denel Sul-africana – foi convidado a juntar-se a russos e indianos no desenvolvimento e fabricação de um dos aviões mais avançados do mundo, o Sukhoi T-50, caça-bombardeiro invisível a radares, capaz de monitorar e atingir alvos múltiplos, no ar e em terra, a 400 quilômetros de distância.

Também em outubro, Brasília recebeu a visita do chanceler indiano Salman Khurshid, que, em conjunto com o ministro das Relações Exteriores, Luiz Alberto Figueiredo, estabeleceu como meta aumentar o comércio Brasil-Índia em 50%, de US$ 10 bilhões para US$ 15 ­bilhões, até 2015.

Na área de internet, Rússia e Índia  já declararam apoio ao novo marco regulatório defendido pelo Brasil para a rede mundial. E planeja-se o Brics Cable, um cabo óptico submarino de 34 mil quilômetros que, sem passar pelos Estados Unidos ou pela Europa, ligará o Brasil à África do Sul, Índia, China e Rússia, em Vladivostok. No comércio, na cooperação para a ciê­ncia e o ensino, na transferência de tecnologia para fins pacíficos não existem limites para os Brics.

Se você pensa um dia em visitar Miami, mandar seu filho estudar nos Estados Unidos, ou acha que seus netos vão crescer em um mundo regido pelo Tio Sam, está na hora de rever seus conceitos.

Há grande chance de que a segunda língua deles seja o mandarim. De que viajem, a passeio, para Xangai, e não para a Flórida. De que usem uma moeda Brics, e não dólar. E vivam em uma era em que não existirá mais uma única grande potência, mas seis ou sete, entre elas o Brasil. Em um mundo em que a competição geopolítica se dará, principalmente, entre os países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e os que comporão outro organismo internacional, liderado pelo Brics.

Cruzada moral da extrema-direita russa mira álcool, judeus e imigrantes

26 ago

“Queremos eliminar todos os elementos antissociais”, disse grupo. “Beijaço” no Brasil irá repudiar leis recentes

A popularização do discurso da extrema-direita na Rússia vem sendo apoiada por uma cruzada moral que critica e denuncia grupos classificados como “responsáveis pela degradação moral” do país. Além dos “homossexuais e pedófilos” (sic), os ataques se estendem também a judeus e a muçulmanos do norte do Cáucaso e da Ásia Central.

“Queremos eliminar todos os elementos antissociais, digamos assim”, explicou ao Opera Mundi um membro do Occupy Pedofilia que se identificou como Max Speedway.  O grupo, inspirado às avessas no Occupy Wall Street, se autodefine como movimento social e é hoje o grupo nacionalista mais popular na Rússia, com grande presença nas redes sociais. Fotos de Hitler e ataques a judeus são comuns na página administrada na rede social russa Vkontakte.

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Saudação nazista em frente a uma sinagoga na Rússia, país que concentra uma ampla comunidade de origem judaica

Os jovens membros, quase todos entre 15 e 25 anos, não parecem se envergonhar da controversa – para ser suave – extrema-direita russa: “Eu me simpatizo com o neonazismo, com a defesa que eles fazem da pátria e dos valores”, explica Davi “Winchester”, sem esconder seu rosto nas redes sociais.

“Eles não devem conhecer a nossa história. Como pode existir um nacionalista russo nazista? Se a pessoa é nacionalista russa, ela não pode ser nazista porque foi a Rússia que derrotou Hitler na Grande Guerra Patriótica (termo que os russos usam para a segunda parte da II Guerra Mundial). Ele são muito novos. A minha geração sabe o que foi a guerra”, conta Vera (nome fictício), de 28 anos.

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Os imigrantes são também vítimas rotineiras dos grupos neonazistas. Um dos grupos associados ao Occupy Pedofilia, RosPriton, incentiva os russos a denunciar “vizinhos ilegais indesejados”.

[Tesak, líder do Occupy Pedofilia, em praça de Kiev]

O grupo recebe a “denúncia” e vai ao edifício onde residem imigrantes sem permissão de residência, chamam a polícia e colocam os estrangeiros em situações vexatórias.

O consumo de álcool e drogas também é criticado pela maioria dos integrantes, completando a cruzada moral russa.

“Está cientificamente provado que a sobriedade é o estado natural do homem. O álcool age rapidamente paralisando a ação neuromuscular. Álcool em sua forma pura não existe na natureza, só industrialmente”, teoriza Anton Prokofiev, um membro do grupo.

O movimento Occupy Pedofilia conta também com uma organizada rede financeira. Além do dinheiro dos “safáris” (caça aos homossexuais, que custa R$ 18 por pessoa a cada saída), o grupo vende camisetas (R$ 87), canecas (R$ 36), coleções de facas, anabolizantes e faz divulgação de lojas e diversos tipos de serviços. A página do Occupy Pedofilia já conta com quase 80 mil seguidores na rede social russa e uma página associada (Tesak contra Pedofilia) possui 163 mil membros. Tesak é o líder do grupo e sua popularidade é tamanha que há inclusive uma comunidade que pede “Tesak para presidente”.

E como se a ideologia nacionalista não fosse suficiente para atrair os jovens russos, o Occupy Pedofilia ataca também na área financeira. No cabeçalho da página do movimento, oferece-se assistência para a obtenção de empréstimos entre 40 mil rublos (R$ 3 mil) e 5 milhões de rublos (R$ 360 mil). Basta ter mais de 18 anos, ser cidadão russo e residir em Moscou ou em São Petersburgo. Na página do movimento, há também postagens com convites para participação em pirâmides financeiras, proíbidas na Rússia.

Reprodução

Occupy Pedofilia oferece empréstimo de até R$ 360 mil para jovens a partir dos 18 anos

“Tesak é nosso líder, nosso guia moral, um exemplo que precisamos para a nossa juventude. Temos que fazer com que as novas gerações não bebam, pratiquem esportes e estejam no caminho certo. Deus recompensará. Nós, russos, somos ortodoxos e não queremos a tolerância do Ocidente”, relata Pavel Kondaurov, um dos participantes do movimento.

O Occupy Pedofilia já conta oficialmente com representantes em pelo menos 30 grandes cidades russas e em Kiev, capital da Ucrânia. “Nosso projeto social está crescendo muito nos últimos meses. Isso é um bom sinal”, declara Anzhey Kmitits, um dos braços direitos de Tesak.

Brasil

Através da sua página no Facebook, a Embaixada da Rússia no Brasil emitiu um comunicado tentando acalmar as críticas e a preocupação dos brasileiros sobre a situação com a comunidade LGBT na Rússia. “Discriminação de qualquer gênero é proibida na Rússia a nível constitucional de acordo com os compromissos assumidos no âmbito da ONU e disposições correspondentes da Convenção Europeia dos Direitos Humanos”, publicou a Embaixada da Rússia.

E continuou: “A lei referida proíbe somente impor atitudes sexuais não-tradicionais aos menores de idade. Isso não contradiz à Constituição russa (…) A legislação russa obriga os órgãos públicos proteger crianças de informação que possa prejudicar a saúde delas, bem como desenvolvimento espiritual”. Segundo a Embaixada russa no Brasil, as “informações sobre uma ‘campanha da violência de grande escala’ em relação às pessoas da orientação sexual nãotradicional (…) não correspondem à realidade”.

No Brasil, foi convocado para a próxima sexta-feira (23) um ato de repúdio às recentes leis aprovadas na Rússia. O “beijaço” ocorrerá em frente ao Consulado da Rússia em Brasília, São Paulo e no Rio de Janeiro, de 11h a 13h. No dia 8 de setembro, será a vez de outros inúmeras cidades do mundo se unirem em solidariedade à comunidade LGBT russa, também em frente às respectivas representações diplomáticas.

Rússia denuncia “onda de propaganda anti-Síria”, enquanto ONU fala em “intervenção”

23 ago

Ban Ki-moon disse que ação da ONU é “uma questão de tempo”. Chancelaria russa questionou suposto ataque químico

 

O secretário-geral da ONU (Organização das Nações Unidas), Ban Ki-moon, afirmou nesta sexta-feira (23/08) em Seul que a intervenção da organização na crise da Síria é “uma questão de tempo”, além de ter pedido apoio internacional, em um momento no qual países como França e Reino Unido lançam pressão contra o governo sírio. Por sua vez, o porta-voz da Chancelaria russa, Alexánder Lukashévich, alertou para “uma nova onda de propaganda anti-Síria”.

“Todos os preparativos técnicos e logísticos estão completos. O momento no qual vamos poder fazer e no qual as partes vão estar prontas para participar (na tarefa de resolver a escalada de violência na Síria) é questão de tempo”, detalhou Ban em declarações à agência de notícias Yonhap. “Estou especialmente preocupado pelos relatórios que falam do possível uso de armas químicas sobre civis. Condeno da forma mais dura possível esta escalada de violência”, acrescentou o secretário-geral da ONU, que chegou a Seul para repassar a agenda humanitária do país.

Na última quarta-feira, opositores denunciaram um ataque químico nos arredores de Damasco, uma ação que, segundo eles, causou a morte de pelo menos 1.300 pessoas. O governo do presidente Bashar al-Assad negou o ataque, que teria sido feito com gás sarin.

Sobre o possível uso de armas químicas no conflito, Ban reiterou que os mesmos violam as leis internacionais e supõem “um crime contra a humanidade que deverá reportar graves consequências”. Ele solicitou uma investigação para esclarecer a denúncia de um suposto massacre, feita por opositores, na reunião do Conselho de Segurança da última quarta-feira.

 

 

Mas Rússia e China se negaram a apoiar uma ação imediata por parte do principal órgão de Segurança da ONU, sustentando que não há suficientes provas contra Damasco e sugeriram uma armação por parte dos opositores. “Conto com o generoso apoio da comunidade internacional. Estou determinado a fazer o que estiver ao alcance das minhas mãos para dar assistência às vítimas e avançar em soluções políticas”, acrescentou Ban.

Rússia

Segundo Lukashévich, “aparecem cada vez mais depoimentos de que esse ato criminoso tinha caráter de provocação”. Ainda de acordo com o porta-voz da Chancelaria russa, “na internet circulam informações de que os materiais (…) com as acusações contra as tropas governamentais apareceram várias horas antes do suposto ataque”.

Moscou está em contato permanente com as autoridades sírias e aplaude “sua colaboração construtiva com o grupo de especialistas da ONU” que se encontra no país para investigar vários casos de suposto uso de armas químicas. A Rússia “chama a atenção que, infelizmente, não aconteçam semelhantes ações por parte da oposição, tão necessárias nesse momento”, o que “impede diretamente uma investigação objetivs”, lamentou Lukashévich.

* Com informações do Russia Today, Yonhap e Reuters

Escritores russos largam canetas para provar o poder de uma passeata

1 jun

Moscou – Não havia líderes da oposição na linha de frente da vasta fila de pessoas que abria caminho pacificamente pelo centro de Moscou no domingo, 13 de maio.

Havia, em vez disso, um poeta corpulento em direção ao qual os admiradores lançavam ramos lilases. Um romancista de histórias de detetive, usando óculos, autografava tudo que aparecia pela frente – livros, é claro, mas também um papel de rascunho, cartões de identificação e até uma mulher de meia-idade que vestia uma camiseta branca. As pessoas cercaram uma vovó baixinha, vencedora de muitos prêmios literários da Rússia, e que confessou, a uma repórter: “as multidões me deixam louca e me fazem querer ficar escondida”.

Quatro dias antes, doze autores de renome, incomodados com a repressão aos dissidentes que acompanhou a posse do presidente Vladimir V. Putin, anunciaram que realizariam um experimento: uma “passeata de teste”. O objetivo era descobrir se seria possível passar uma tarde caminhando em massa de um parque da cidade a outro “sem serem interrompidos, espancados, envenenados com gás, detidos, presos ou submetidos à estupidez de serem molestados por perguntas”.

Ninguém sabia bem o que esperar naquele domingo. Mas quando os doze escritores deixaram a Praça Puchkin na hora do almoço, foram seguidos por uma multidão que aumentou para cerca de 10 mil pessoas, parando o tráfego e enchendo avenidas ao longo de 1,9 quilômetro. Muitas pessoas usavam as fitas brancas que são símbolo da oposição ao governo de Putin. A polícia não interferiu, embora os organizadores não tivessem recebido autorização para a passeata.

“Nós vemos pelo número de pessoas presentes que a literatura ainda tem autoridade na nossa sociedade, porque ninguém chamou essa gente toda – todos vieram sozinhos”, disse o poeta Lev Rubinstein, de 65 anos, um dos organizadores. “Nós achávamos que seria uma passeata modesta de vários colegas da área da literatura, e acabou acontecendo isso. Veja com os seus próprios olhos.”

“Eu não sei como tudo isso vai acabar, mas posso dizer que ninguém vai esquecer”, disse ele.

<strong>Por Ellen Barry, The New York Times News Service/Syndicate</strong>




 

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