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A Operação Banqueiro e como se uniram as duas maiores fábricas de dossiês da República by Luis Nassif

24 abr

O livro “Operação Banqueiro”, do jornalista Rubens Valente, caminha para se tornar um clássico na devassa das relações Estado-lobbies privados, especialmente o capítulo “As ameaças do grande credor”, que descreve a correspondência do super-lobista Roberto Amaral com Daniel Dantas, o banqueiro do Opportunity, reportando e-mails e conversas que manteve em 2002 com o então presidente Fernando Henrique Cardoso e o candidato José Serra.

As mensagens constam de dez CDs remetidos à Procuradoria Geral da República em Brasília – e que permaneceram na gaveta do PGR Roberto Gurgel, que não tomou providência em relação ao seu conteúdo.

Nas mensagens a FHCe Serra, Amaral insiste para que se impeça a justiça de Cayman de entregar a relação de contas de brasileiros nos fundos do Opportunity. Amaral acenava com os riscos de se abrir os precedentes e, depois, o Ministério Público Federal investir sobre as contas do Banco Matrix – de propriedade de André Lara Rezende e Luiz Carlos Mendonça de Barros, figuras ativas no processo de privatização. E, principalmente, sobre as contas de Ricardo Sérgio, colocado por Serra na vice-presidência internacional do Banco do Brasil.

Parte das mensagens havia sido divulgada em 2011 pela revista Época (http://tinyurl.com/l3crc72).

São relevantes para demonstrar que o Opportunity tornou-se uma questão de Estado, com envolvimento direto de FHC (tratado como “pessoa” nos emails entre Amaral e Dantas), José Serra (alcunhado de “Niger”) e Andréa Matarazzo (tratado como “Conde”). Dantas era alcunhado de “grande credor”.

Mostra também como Gilmar Mendes, então na AGU (Advocacia Geral da União), foi acionado em questões que interessavam ao Opportunity junto à ANATEL (Agência Nacional de Telecomunicações).

Não apenas por isso, mas pelo levantamento minucioso de decisões do STF (Supremo Tribunal Federal), das pressões sobre procuradores e policiais, da atividade pró-Dantas de advogados ligados ao PT, trata-se de obra definitiva para se entender os meandros da estratégia que resultou na anulação da Operação Satiagraha.

Em entrevista a Sérgio Lyrio, da Carta Capital, Valente afirma que “sem Mendes na presidência do Supremo, nem todo o prestígio de Dantas teria sido capaz de reverter o jogo de forma tão espetacular”.

É mais do que isso. Nem Mendes nem Dantas individualmente teriam o poder de influenciar os quatro grandes grupos de mídia. O único personagem com capacidade de unir todas as pontas em torno de uma bandeira maior – a conquista da presidência da República – era José Serra. É a partir dele que deve ser puxado o fio da meada.

Satiagraha foi a Primeira Guerra Mundial da mídia, um ensaio para as guerras seguintes, nas eleições de 2010 em diante.

As fábricas de dossiês

Valente não aborda o papel da mídia e a maneira como eram construídos os dossiês. Os dados abaixo são de levantamentos antigos do Blog, aos quais se somam algumas revelações adicionais do livro.

Na série “O caso de Veja” havia mostrado a maneira como Dantas e a Veja se valiam de dossiês para fuzilar não apenas adversários políticos, mas magistrados e jornalistas  que ousassem investir contra os interesses do banqueiro. É a mesma tecnologia – de dossiês e assassinatos de reputação, com ampla repercussão midiática –  reproduzida no modo Cachoeira-Veja de atuar e, antes, no modo Serra exemplificado no caso Lunus.

Dois capítulos da série merecem atenção especial:

O caso Edson Vidigal – (): Desembargador do STJ, Vidigal confirmou uma sentença contra Dantas. Veja fuzilou-o em uma matéria com acusações dúbias. A matéria informava que as acusações mereceram uma representação contra ele no CNJ. Vai-se conferir a representação, e ela tomava como base a própria reportagem da Veja. Ou seja, a revista noticiou a representação mesmo antes da denúncia que serviu de base para ela ser públicada.

O caso Márcia Cunha – uma juíza séria, do Rio, foi fuzilada pela Folha por contrariar interesses de Dantas e ter recusado proposta de suborno. Tempos depois, constatou-se sua inocência e comprovou-se a tentativa de suborno.

O livro de Valente passa ao largo da atuação da mídia, mas permite colocar as últimas pedras do quebra cabeça para entender as sementes do modelo de manipulação visando resultados políticos e jurídicos, e que se torna padrão na atuação de Dantas, de Serra (com o ápice do caso da “bolinha de papel”) e de Cachoeira.

O infográfico abaixo mostra os principais atores desse período de uso intensivo de factoides, que se inicia com o caso Lunus, em 2002, e se encerra (pelo menos nesta fase) com dois episódios simultâneos: a CPI de Carlinhos Cachoeira e o julgamento da AP 470.

Todos os personagens citados estiveram envolvidos na indústria de dossiês.

Ao longo do artigo, essas ligações serão melhor esmiuçadas. Não fazem parte do livro, que fornece apenas algumas peças do quebra-cabeças, como o fato de até 2002 Serra considerar Dantas homem de ACM. Embora desde alguns anos antes Dantas já tivesse se tornado sócio de Verônica Serra.

Sobre a tecnologia de manipulação da Justiça

Na Satiagraha foi colocada em prática a tecnologia midiática que tornou-se padrão nos anos seguintes, até o ápice no julgamento da AP 470.

Consistia nas seguintes etapas:

ETAPA 1 – O Ministro Gilmar Mendes criava um fato político, verdadeiro ou falso, visando provocar comoção no STF e na opinião pública. Em geral eram fatos baseados exclusivamente nas afirmações dele, sem nenhuma testemunha que os corroborasse.

ETAPA 2 – Veja transformava o fato em reportagem de capa, valendo-se do padrão que consagrou nas parcerias com Carlinhos Cachoeira.

ETAPA 3 – No momento seguinte, o fato era repercutido pelo Jornal Nacional e demais grupos integrantes do cartel jornalístico.

ETAPA 4 – com base na repercussão, parlamentares ou autoridades judiciais aliadas da revista solicitavam providências que acabavam se completando devido ao clamor da mídia.

O clamor da mídia, a criação da figura do inimigo externo, o macartismo colocado em prática forneciam a blindagem para as ações de outros personagens, como os ex-Procuradores Gerais da República Antonio Fernando de Souza e Roberto Gurgel, além de Ministros do STF.

O piloto desse tipo de operação foi o caso Lunus, que inviabilizou a candidatura de Roseana Sarney à presidência da República. E a continuação foi a campanha de 2010, com a fabricação infindável de dossiês falsos repercutidos pela velha mídia.

 A montagem da central de dossiês

É na operação Lunus que estão as pistas para se chegar ao início do nosso modelo. Ele nasce com a nomeação de José Serra para Ministro da Saúde. Através da CEME (Central de Medicamentos), Serra monta o embrião da sua indústria de dossiês, contratando três especialistas em trabalhos de inteligência: o subprocurador da República José Roberto Santoro, o policial federal Marcelo Itagiba e o ex-militar Enio Fonteles, dono da Fence Consultoria Empresarial, especializada em arapongagem.

A primeira grande ação do grupo foi a Operação Lunus. Usou-se o poder de Estado para tal.

Do lado do Ministério Público, Santoro imiscuiu-se em um inquérito que não era dele e coordenou a ação cujo titular era o procurador Mário Lúcio Avellar. Policiais federais montaram campana, identificaram o dia e a hora em que a Lunus – de Jorge Murad – receberia contribuições e montaram um flagrante acompanhado de uma equipe do Jornal Nacional. Para melhorar a cena, arrumou-se o dinheiro em pacotes de grande visibilidade, facilitando o impacto televisivo.

Essa mesma jogada – de empilhar o dinheiro para dar impacto televisivo – foi repetida no caso dos “aloprados”, em 2006, entre um delegado da Polícia Federal e o Jornal Nacional.

A cena da Lunus (esquerda) e dos aloprados (direita)

Houve indícios de envolvimento direto da presidência da República com a operação Lunus. Da própria empresa foi enviado um telex para o Palácio do Planalto dando conta do sucesso da operação.

A mídia ainda não estava fechada com Serra e a cobertura da época desvendou rapidamente a jogada.

A Fence recebia por varredura efetuada. Segundo reportagem da revista Veja, de 20.03.2002, de primeiro de janeiro a 28 de fevereiro de 2002, período que antecedeu a Operação Lunus, a Fence recebeu do Ministério R$ 210 mil. Para tanto, necessitaria ter realizado 840 varreduras em menos de 60 dias, ou quase 14 varreduras por dia (http://glurl.co/dti).

É evidente que o pagamento não se devia a varreduras internas no Ministério.

Depois que tomou posse como governador, Serra contratou a Fence para monitorar todos os telefonemas do estado que passavam pela Prodesp (empresa de processamento de dados do estado) e “outras de seu interesse”.

Reportagem da Folha, de 17 de março de 2002, dizia o seguinte sobre Santoro e Itagiba (http://tinyurl.com/q27uasd): “O presidenciável tucano, senador José Serra (SP), conseguiu reunir sob as asas de aliados as duas principais investigações em curso que podem prejudicar sua candidatura ou implodir a campanha de seus adversários. São eles o subprocurador da República José Roberto Santoro e o delegado de Polícia Federal Marcelo Itagiba”.

A reportagem mostrava como Santoro coordenou informalmente o pedido de busca e apreensão de documentos na Lunus. E como Itagiba se valeu do cargo de superintendente regional da PF para afastar um delegado que investigava doações de campanha a Serra.

Segundo a matéria, era antiga a parceria de Santoro e Itagiba:

“José Roberto Santoro e Marcelo Itagiba fazem parte da tropa de choque de Serra no aparato policial e de investigação. Os dois já estiveram juntos antes. Em 2000, enquanto Santoro promovia ações judiciais de interesse do então ministro José Serra na área da saúde, Itagiba coordenava uma equipe instalada na Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para investigar laboratórios”.

A aproximação com Cachoeira

O esquema Serra gerou dossiês contra competidores internos no PSDB – Paulo Renato de Souza, Tasso Jereissatti e Aécio Neves.

Já no governo Lula, o passo seguinte do grupo  foi na operação Valdomiro Diniz, primeiro petardo contra o então Ministro-Chefe da Casa Civil José Dirceu.

Foi divulgado vídeo de 2002, no qual Valdomiro, servindo no governo Benedita da Silva, pedia propina a Carlinhos Cachoeira.  Quando o vídeo vazou, Valdomiro trabalhava como assessor da Casa Civil. A bomba acabou explodindo no colo de Dirceu, que pagou o preço de não ter ouvido assessores sobre o passado de Valdomiro.

Assim que o caso explodiu, Santoro – e o procurador Marcelo Serra Azul – reuniram-se com Cachoeira de madrugada, no próprio prédio do Ministério Público Federal, em Brasília, para obter a íntegra da fita em troca de proteção jurídica. Santoro já era subprocurador geral, sem nenhuma relação com o episódio.

A conversa  foi parar no Jornal Nacional, que precedeu a divulgação com um enorme editorial para justificar porque não abriu mão do furo.

No grampo, Santoro pede pressa a Carlinhos Cachoeira porque já amanhecia e o PGR Cláudio Fonteles poderia chegar e acusa-lo de estar armando para prejudicar o Chefe da Casa Civil José Dirceu.

A maneira como Santoro prevê o que seria a fala de Fonteles – caso os flagrasse na reunião noturna – revela nitidamente suas intenções políticas.

Hoje em dia, Santoro é advogado contratado pelo PSDB para atuar no caso do cartel dos trens.

Carlinhos Cachoeira e Jairo

A partir dessa primeira abordagem de Santoro sobre Cachoeira, muda o comportamento da mídia. De bicheiro suspeito, passa não apenas a ser blindado como torna-se íntimo colaborador da revista Veja em uma infinidade de escândalos com objetivos políticos. É como se a operação Lunus estivesse sendo reproduzida em uma linha de montagem.

A de maior impacto foi o do grampo no funcionário dos Correios Maurício Marinho, que resultou por linhas tortas no escândalo do “mensalão”. No capítulo da série de Veja, “O araponga e o repórter” (http://tinyurl.com/leps4ox) conto em detalhes essa armação.

Serra contrata Santoro; Santoro se aproxima de Cachoeira; logo depois Cachoeira fecha seu pacto com a Veja e a CPI de Cachoeira revela os dois principais braços do bicheiro: o araponga Jairo  Martins e o então senador Demóstenes Torres.

Foi a fase de maior poder de Cachoeira. Veja transformou Demóstenes em baluarte contra a corrupção. A mando de Cachoeira, Jairo levantava dossiês, Demóstenes fazia as denúncias e Veja repercutia. Com o poder conquistado, Demóstenes fazia lobby para Cachoeira junto ao governo.

E aí vão se fechando os elos da corrente, e entra em cena Gilmar Mendes.

Com Demóstenes Gilmar estreitou uma relação pessoal já antiga (http://glurl.co/dtj). Jairo, o araponga preferencial de Cachoeira, o especialista em dossiês para a Veja foi contratado como assessor especial de Gilmar. Ou seja, o principal operador de Cachoeira, o homem que abasteciaVeja com grampos passou a ter acesso ao sistema de telefonia do STF, na condição de assessor especial de Gilmar. Expôs todos os Ministros aos grampos de Jairo.

Fechados os elos da corrente, começam a brotar dossiês por todos os poros da mídia.

No início da operação, Gilmar foi ajudado por um sem-número de boatos infundados contra ele, alimentados por seus adversários e por abusos da PF em algumas operações espetaculosas.

Os factoides contra a Satiagraha

Quando surgiram os primeiros boatos sobre o cerco a Dantas, a primeira investida foi uma capa de Veja, “Medo no Supremo”, de 22 de agosto de 2007, em que cozinhava um conjunto de informações velhas, para dar a impressão de que o STF estava ameaçada pelo grampo. Mereceu um dos capítulos da minha série “O caso de Veja” (http://tinyurl.com/p4geurw).

Aparentemente, era uma matéria bombástica:

“É a primeira vez que, sob um regime democrático, os integrantes do Supremo Tribunal Federal se insurgem contra suspeitas de práticas típicas de regimes autoritários: as escutas telefônicas clandestinas. Sim, beira o inacreditável, mas os integrantes da mais alta corte judiciária do país suspeitam que seus telefones sejam monitorados ilegalmente”.

A matéria não passava de um amplo “cozidão” de notícias velhas. Vários ministros citados desmentiram a matéria, de Sepúlveda Pertence a Marco Aurélio de Mello. O único que sustentou o que disse foi Gilmar. E o que disse ele?

A Polícia Federal se transformou num braço de coação e tornou-se um poder político que passou a afrontar os outros poderes”, afirma o ministro Gilmar Mendes, numa acusação dura e inequívoca”.

Quando estourou a Satiagraha, repetiu-se o estratagema em diversos episódios:

1. Os dois habeas corpus em favor de Daniel Dantas.

Gilmar tratou o caso como se o estado de direito estivesse ameaçado. Sucessivas invasões de escritórios de advocacia pela Polícia Federal forneceram-lhe o álibi necessário. Mas avançou muito além do habeas corpus, com discursos bombásticos que, repercutidos pela mídia, criaram o clima de resistência à Satiagraha. No livro, Valente esmiuça todas as decisões controvertidas de Gilmar para anular a operação.

No vídeo abaixo, Gilmar denuncia supostos grampos de que teria sido alvo. Faz um discurso eficiente. Ainda não tinha em sua ficha os episódios seguintes, que não o qualificariam mais como testemunha confiável.

2. O grampo sem áudio.

O tal grampo de conversa entre Gilmar Mendes e Demóstenes Torres – principal parceiro de Veja na conexão Carlinhos Cachoeira.

Jamais apareceu o áudio. Investigações divulgadas na época mostravam ser impossível grampear telefones do Senado. Sequer se conferiu se, na tal hora do suposto grampo, houve de fato ligações telefônicas entre Gilmar e Demóstenes, ou ao Senado.

Era um grampo consagrador para Demóstenes, onde os dois colegas lembravam as grandes ações cívicas do senador.

Com base em um factoide, Gilmar cobrou explicações do próprio presidente da República. A ameaça de crise entre instituições levou ao afastamento do diretor da Abin Paulo Lacerda e deu início à anulação da Satigraha.

Segundo o Blog de Noblat, a Abin identificou o araponga que gravou a conversa. Foi o mesmo que passou a transcrição para a revista Veja (http://tinyurl.com/myq2kdw) (http://tinyurl.com/myq2kdw). Se o grampo existisse de fato, Veja não teria a menor dificuldade – ou escrúpulo – em divulgá-lo, ou entregar a fonte.

Aqui no Blog desmontamos a farsa (http://tinyurl.com/mo4o4w6).

É significativo o fato dos dois personagens da história – Gilmar e Demóstenes – terem histórico de criação de factoides sem provas. 

Em 2004 Demóstenes já se mostrara exímio fabricante de factoides para gerar mídia e desgaste nos adversários. Como o suposto atentado de que teria sido vítima em 2004 (http://tinyurl.com/kql2jza) que rendeu muita manchete sem nunca ter sido devidamente apurado.

3. O grampo no Supremo Tribunal Federal.

Um assessor de segurança do STF passou para a revista Veja a informação de que havia detectado grampo em uma das salas do Supremo. Mereceu capa e, com base no alarido, foi criada a CPI do Grampo (http://tinyurl.com/p2hmlsy).

Quando o relatório da segurança do STF foi entregue à CPI, constatou-se que haviam sido captado sinais de fora para dentro do órgão. Logo, jamais poderia ser interpretado como grampo. Coube a leitores do Blog derrubar essa armação.

Na CPI ficou-se sabendo que o relatório com as conclusões falsas saíram do próprio gabinete da presidência do STF.

Foi tão grande a falta de reação dos demais ministros, ante a manipulação do suposto grampo, que chegou-se a aventar a fantasia de que Gilmar teria mandado grampeá-los para mantê-los sob controle.

Nesse período, Jairo Martins, o araponga que armou o grampo dos Correios, assessorava Gilmar.

4. A reunião com Nelson Jobim e Lula.

Mesmo depois da Satiagraha, manteve-se o mesmo modo de operação no julgamento da AP 470. Há um encontro entre Gilmar e Lula no escritório de Nelson Jobim. Passa um mês, sem que nada ocorra. De repente, alguém se dá conta do potencial de escândalo que poderia ser criado. Gilmar concede então uma entrevista bombástica, indignada, dizendo ter sido pressionado por Lula.

Dos três presentes ao encontro, dois – Jobim e Lula – negam peremptoriamente qualquer conversa mais aprofundada sobre o mensalão.

Foi em vão. A versão de Gilmar é veiculada de forma escandalosa pela revista Veja, criando o clima propício ao julgamento “fora da curva” da AP 470. O mesmo Gilmar do grampo sem áudio e da falsa comunicação de grampo no STF.

São quatro episódios escândalos inéditos na história do Supremo, todos os quatro tendo como origem Gilmar Mendes.

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PROPINA DA ALSTOM AJUDOU A BANCAR REELEIÇÃO DE FHC

23 jan

:

Os R$ 3 milhões arrecadados por Andrea Matarazzo foram usados na contabilidade paralela do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, na disputa presidencial de 1998; planilha com o caixa dois foi montada pelo ex-tesoureiro de campanha Luiz Carlos Bresser Pereira, que confirmou o papel de Matarazzo na arrecadação extraoficial; informações fazem parte de denúncias publicadas por (pasmem) a revista Veja e a Folha de S. Paulo; áulicos do PSDB, como Reinaldo Azevedo, se esforçam para dizer que Matarazzo não tinha o “domínio do fato”; para FHC, PT e PSDB não são “farinha do mesmo saco”

 

13 DE AGOSTO DE 2013 ÀS 08:51

 

247 – O arquivo digital de publicações como Folha de S. Paulo e a própria Veja permite juntar os pontos e conectar as propinas pagas pela Alstom no Brasil ao caixa dois da campanha presidencial do PSDB em 1998, que reelegeu Fernando Henrique Cardoso. Nessa trama, um dos personagens centrais é o vereador Andrea Matarazzo, que foi recentemente indiciado pela Polícia Federal, mas alega inocência e vem sendo ardorosamente defendido por áulicos do PSDB, como o blogueiro Reinaldo Azevedo.

Matarazzo desponta nesse jogo numa reportagem da Folha de S. Paulo de 12 de novembro de 2000, assinada pelos jornalistas Wladimir Gramacho e Andrea Michael. “Documento revela doações não registradas para a campanha de FHC”, diz o título do texto, que foi uma das manchetes principais da Folha naquele dia (leia aqui a íntegra).

Segundo a reportagem, pelo menos R$ 10,1 milhões não foram declarados ao Tribunal Superior Eleitoral. E as informações vinham de uma planilha feita pelo ex-ministro Luiz Carlos Bresser Pereira, que foi o tesoureiro das duas campanhas presidenciais de FHC.

Dos R$ 10,1 milhões, a maior parte, segundo a planilha de Bresser Pereira, havia sido arrecadada por Matarazzo. Eis o que diz a reportagem:

A maior doação não declarada ao TSE, de R$ 3 milhões, é atribuída pela planilha ao hoje ministro Andrea Matarazzo, da Secretaria de Comunicação da Presidência. Dinheiro sem procedência nem destino conhecidos, de acordo com o documento.

“Não pode ser. Não conheço a planilha. Não tenho idéia. Muito menos valores desse tamanho”, reagiu Matarazzo. “Eu não fui arrecadador. Não me ponha como arrecadador. Fiz alguns jantares com empresários. E só”, rebateu o ministro.

Seus colegas de campanha dizem coisa diferente. “O Andrea também foi (arrecadador), no começo”, lembra Bresser. “Havia uma certa competição, talvez em função da vontade dele de ir para Brasília”, conta o publicitário Luiz Fernando Furquim, outro coletor.

Ou seja: embora Matarazzo tenha negado agir como arrecadador, seu papel nesse trabalho de levantar recursos foi confirmado pelo próprio Bresser Pereira e pelo publicitário Luiz Fernando Furquim.

Diante da gravidade da denúncia da Folha, a própria Veja decidiu repercutir o caso. E o fez numa reportagem do jornalista Alexandre Oltramari, de 22 de novembro de 2000.

No texto “O caixa dois de volta à luz”, Veja não fez contorcionismos retóricos para negar o caixa dois na campanha de FHC – uma vez que o próprio tesoureiro de campanha, Bresser Pereira, o confirmara. O que Veja fez foi afirmar que outros partidos, como o PT, subestimaram os seus gastos (leiaaqui a íntegra).

A reportagem de Oltramari não poupa Andrea Matarazzo, acusado de mentir à revista. Eis um trecho da reportagem, a partir do subtítulo autoexplicativo “Que teve, teve”:

Que teve, teve – Num primeiro momento, os tucanos, atingidos pela denúncia, ensaiaram uma versão de que a planilha do caixa dois podia não ser verdadeira. Após receber um telefonema de Fernando Henrique, no qual o presidente demonstrava preocupação com a notícia, Bresser Pereira tentou explicar-se. Admitiu ser o dono da planilha e contou que seu irmão, Sérgio Luiz, o ajudou no trabalho, porém afirmou que ela foi alterada. “Eu montei uma planilha, mas abandonei o sistema depois de dois meses porque não funcionava”, disse o ex-ministro. “Não houve gastos nem receitas que não foram contabilizados. Não sei explicar de onde saiu isso.” A ordem no Planalto era para que ninguém no governo comentasse o assunto. No apartamento de Bresser, em São Paulo, os empregados avisavam aos jornalistas que ele viajara para os Estados Unidos. O ministro Andrea Matarazzo, que aparece na lista do “por fora” com uma doação de 3 milhões de reais, mandou seus assessores dizer que tinha ido para a fazenda e estava “incomunicável”. Puro teatro. Nem Bresser havia embarcado para os Estados Unidos nem Matarazzo estava “incomunicável”.

No final da semana, ninguém tinha mais dúvida de que a planilha revelava o caixa dois da campanha. Além de Bresser Pereira, outras duas pessoas tinham acesso à contabilidade da campanha de Fernando Henrique: o ex-presidente dos Correios Egydio Bianchi e Adroaldo Wolf. Em conversa com VEJA, um deles admitiu que a campanha, de fato, usou a contabilidade paralela. “Que teve uma contabilidade paralela, eu não tenho dúvida. O que eu não sei é se desviaram o dinheiro ou se não declararam para proteger a identidade do doador”, diz um dos tesoureiros. Na quarta-feira passada, falando de seu apartamento em São Paulo, Bresser desabafou: “Não posso ser responsabilizado por tudo que ocorreu de alto a baixo na campanha”, disse. “Se alguém recebeu dinheiro e não registrou, como eu posso saber?” Entre os tucanos, o nome de Egydio Bianchi, que entrou no governo pelas mãos do ex-ministro Sergio Motta, circulava como o principal suspeito de ter vazado as planilhas com o caixa dois da campanha. Demitido dos Correios há quatro meses pelo ministro Pimenta da Veiga, das Comunicações, Bianchi saiu atirando. Chegou a ter um encontro com Fernando Henrique no qual torpedeou a administração de Pimenta da Veiga e prometeu entregar um dossiê com acusações.

Em 2008, depois que eclodiu o escândalo internacional das propinas da Alstom, pela primeira vez, a imprensa brasileira associou a multincional francesa a doações de campanha para o PSDB. Isso foi feito na reportagem “Caixa dois de FHC citava empresas da Alstom”, de José Ernesto Credendio, Mario Cesar Carvalho e Andrea Michael (leia aqui a íntegra). Leia aqui um trecho:

Duas empresas do grupo francês Alstom são citadas nas planilhas eletrônicas do comitê financeiro do PSDB que deveriam abastecer o caixa dois da campanha do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso à reeleição, em 1998. As empresas são a Cegelec e a ABB.

As planilhas, tornadas públicas em 2000, atribuem ao atual secretário de Subprefeituras de São Paulo, Andrea Matarazzo (PSDB), então secretário de Energia do Estado, a missão de buscar recursos junto a empresas. As estatais de energia eram os principais clientes da Alstom no governo de São Paulo. 

Porém, não era atribuída à Cegelec e à ABB nenhuma meta de arrecadação. A planilha também não informa se elas deram dinheiro ao PSDB. Em 1998, Matarazzo acumulou o cargo de secretário com o de presidente da Cesp (Companhia Energética de São Paulo), justamente uma das principais clientes da Alstom.

Memorandos internos trocados em 1997 entre diretores da Alstom, na França, apreendidos por promotores da Suíça, dizem que seriam pagas “comissões” para obter negócios com o governo paulista.

Num desses memorandos, um diretor da Cegelec em Paris diz estar disposto a pagar 7,5% para obter um contrato de R$ 110 milhões da Eletropaulo.

A Alstom comprou a Cegelec justamente naquele ano.

Os papéis citam que a comissão seria dividida entre “as finanças do partido”, “o tribunal de contas” e “a Secretaria de Energia”. A Eletropaulo era subordinada até abril de 1998 à pasta dirigida por Matarazzo.

Por essas e outras razões, Andrea Matarazzo foi indiciado pela Polícia Federal, que usou, inclusive, a teoria do domínio do fato para incriminá-lo. Os indícios são mais do que veementes e conectam as propinas da Alstom ao caixa dois da campanha de FHC, que foi admitido pelo próprio tesoureiro Bresser Pereira.

No entanto, num post publicado ontem, o blogueiro Reinaldo Azevedo dá mais um piti em defesa de Matarazzo (leia aqui). Puro desespero.

Brasil247

CÚPULA DO GOVERNO ALCKMIN CAI NO PROPINODUTO

21 nov

Edição247-Divulgação:

Ex-diretor da Siemens Everton Rheinheimer denuncia formalmente ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica um forte esquema de corrupção nos governos do PSDB em São Paulo; segundo ele, Edson Aparecido, braço direito do governador Geraldo Alckmin e hoje secretário da Casa Civil recebeu propinas das multinacionais entre 1998 e 2008; propinoduto na área de transportes, segundo Rheinheimer, visava abastecer o caixa dois do PSDB e do DEM; ele apontou ainda corrupção nos governos de José Serra e Mario Covas; outros nomes citados são dos secretários José Aníbal, de Energia, Jurandir Fernandes, de Transportes, Rodrigo Garcia, de Desenvolvimento Econômico, e até do senador Aloysio Nunes e do deputado Arnaldo Jardim; strike completo?

BrasilSP 247 – É quase um strike. Um relatório entregue no dia 17 de abril deste ano ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica cita praticamente toda a cúpula do governo de Geraldo Alckmin no chamado “propinoduto tucano”. A denúncia, formal, foi feita por Everton Rheinheimer, ex-diretor da Siemens, que afirmou dispor de “documentos que provam a existência de um forte esquema de corrupção no Estado de São Paulo durante os governos (Mário) Covas, (Geraldo) Alckmin e (José) Serra, e que tinha como objetivo principal o abastecimento do caixa 2 do PSDB e do DEM”.
 
O furo de reportagem, dos jornalistas Fernando Gallo, Ricardo Chapola e Fausto Macedo, do Estado de S. Paulo (leia aqui), aponta que o lobista Arthur Teixeira, denunciado por lavagem de dinheiro na Suíça, teria pago propinas ao deputado licenciado Edson Aparecido, atual secretário da Casa Civil e braço direito de Geraldo Alckmin. O documento também cita outros nomes graúdos do tucanato paulista, como os secretários José Aníbal, de Energia, Jurandir Fernandes, dos Transportes, e Rodrigo Garcia, de Desenvolvimento Econômico. Outros nomes mencionados pelo ex-diretor da Siemens são o do senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) e do deputado Arnaldo Jardim (PPS-SP) – este, também como beneficiário das propinas.
 
A denúncia do ex-diretor da Siemens tem peso importante porque é o primeiro documento oficial que vem a público com referência a propinas pagas a políticos ligados a governos tucanos. Até então, apenas ex-diretores de estatais como a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) vinham sendo citados. Rheinheimer foi diretor da divisão de transportes da Siemens, onde atuou durante 22 anos. Ele disse ainda que o cartel “é um esquema de corrupção de grandes proporções, porque envolve as maiores empresas multinacionais do ramo ferroviário como Alstom, Bombardier, Siemens e Caterpillar e os governos do Estado de São Paulo e do Distrito Federal”.
 
No Distrito Federal, os desvios teriam ocorrido nos governos de Joaquim Roriz e José Roberto Arruda. Em São Paulo, ele cita os governos de Geraldo Alckmin, José Serra e Mario Covas. O fluxo das propinas ocorria por meio da empresa Procint, do lobista Arthur Teixeira, finalmente denunciado na Suíça, após dois anos de engavetamento do caso pela procuradoria-geral da República em São Paulo, por decisão do procurador Rodrigo de Grandis (leia mais aqui).Rheinheimer está colaborando com a Justiça, no regime de delação premiada. Sobre Edson Aparecido e Reynaldo Jardim, ele sustenta que “seus nomes foram mencionados pelo diretor-presidente da Procint, Arthur Teixeira, como sendo os destinatários de parte da comissão paga pelas empresas de sistemas (Alstom, Bombardier, Siemens, CAF, MGE, T’Trans, Temoinsa e Tejofran) à Procint”.

Sobre o senador Aloysio Nunes e os secretários Jurandir Fernandes e Rodrigo Garcia, o ex-diretor da Siemens diz ter tido “a oportunidade de presenciar o estreito relacionamento do diretor-presidente da Procint, Arthur Teixeira, com estes políticos”. Sobre José Aníbal, mencionou um assessor: “Tratava diretamente com seu assessor, vice-prefeito de Mairiporã, Silvio Ranciaro”.</e

TUCANOS DA SIEMENS E ALSTOM – GLOBO ACHA O POVO BOBO

9 ago

Há mais de dez anos, os partidos políticos, à frente o PT, que formam a coalizão para fortalecer a base política e partidária do Governo trabalhista no Congresso Nacional, bem como no que diz respeito ao controle administrativo dos ministérios tem sido acusados e denunciados, sistematicamente, pela mídia burguesa de todo o tipo de corrupção, sendo que incontáveis vezes as acusações se perderam por si próprias, porque, na verdade, não passavam de ilações e maledicências, que tinham a força de um tiro nas águas de um rio ou lago.

Entretanto, tais acusações infundadas e denúncias vazias causaram grandes transtornos e prejuízos profissionais, políticos e pessoais a muitas pessoas, que tiveram suas vidas devassadas e que moralmente sofreram com toda ordem de escárnio, deboche, e humilhação, ao tempo em que a imprensa de mercado se negava a dar o mesmo espaço nas diferentes mídias que tal sistema privado de comunicação controla aos políticos, às autoridades e a muitos dos assessores para poderem ao menos dar explicações ou se defender.

Ministros caíram, a exemplo de Orlando Silva, dos Esportes, e Carlos Lupi, do Trabalho, dentre outros, bem como a chefe da Casa Civil da presidenta Dilma Rousseff, Erenice Guerra, que desde os tempos do presidente trabalhista, Luiz Inácio Lula da Silva, sofria com as acusações de uma imprensa irresponsável, facciosa e indiscutivelmente partidária e ideologicamente de direita, que, indisposta a ouvi-la, a combateu sistematicamente, até que Dilma a afastasse do cargo para que a ministra pudesse se defender no Judiciário e, consequentemente, dar uma resposta à sociedade brasileira quanto às acusações.

Erenice foi acusada, em reportagem da revista Veja, que depois foi repercutida pelos jornais Estadão, Folha de S. Paulo e O Globo, além do Jornal Nacional, de montar, no Palácio do Planalto, uma central de propinas que cobrava de empresários 6% para fazer os projetos tramitar com celeridade. O filho de Erenice, Israel Guerra, era apresentado pela imprensa corporativa como “consultor de negócios”.

Depois de dois anos afastada do Palácio do Planalto, Erenice Guerra teve seu processo arquivado pelo Tribunal Regional Federal. As acusações de a ministra ter cometido tráfico de influência e seu filho ser considerado lobista foram consideradas improcedentes. O juiz da 10ª Vara Federal, Vallisney de Souza Oliveira, afirmou em sua decisão não haver nenhuma prova contra a ex-Chefe da Casa Civil. O advogado criminalista, Mário de Oliveira Filho, disse na época que as provas que foram exibidas na investigação levaram à conclusão de que a ex-ministra não praticou crime nenhum. E enfatizou: “Eram acusações absolutamente infundadas, sem nenhum lastro de prova real e concreta contra ela”.

Caso semelhante e tão grave quanto aos episódios citados aconteceu com o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, do PT. O bicheiro, “diretor e pauteiro” de revista, Carlinhos Cachoeira, acumpliciado com a Veja do senhor Robert Civita e do jornalista Policarpo Jr., também conhecido pela alcunha de “Caneta”, tentaram derrubar o mandatário brasiliense, ao incluí-lo em questões sobre corrupção, tráfico de influência e de ter formalizado negócios com o bicheiro parceiro do senador cassado do DEM de Goiás, Demóstenes Torres, além de ter influência no governo do tucano Marconi Perillo, político goiano que depôs na CPMI do Cachoeira e que até hoje é investigado pelo Ministério Público.

Agnelo também depôs na CPMI, abriu o verbo, mostrou provas contundentes de que nunca se envolveu com o Cachoeira, “pauteiro” da Veja, bem como seu governo não participou de quaisquer tratativas, negócios ou acordos com tal personalidade, que ficou presa no presídio da Papuda em Brasília. Após sua emblemática participação na CPMI, Agnelo foi esquecido pela imprensa de negócios privados, que precisava de um bode expiatório, de preferência do PT, para se contrapor à lama, ao lamaçal em que ficaram atolados o governador Perillo, Carlinhos Cachoeira, a Veja e seu diretor, Caneta, além de Demóstenes Torres, até então considerado pela imprensa, de razão lacerdista, o arauto da família, da moral e dos bons costumes e quiçá da posteridade. Pois é… Não deu para concluir o golpe de joão-sem-braço, e o petista Agnelo saiu fortalecido ao tempo que a imprensa golpista teve de engoli-lo.

Esses fatos que aqui narro nesta tribuna do Brasil 247 representam uma porcentagem ínfima em razão do que os donos do sistema midiático privado fazem e realizam para desestabilizar politicamente as instituições republicanas e desqualificar e desmoralizar os mandatários legitimamente e legalmente eleitos pelo povo brasileiro, ainda mais quando a autoridade a ser combatida atua no campo da esquerda.

A imprensa alienígena e de caráter entreguista tergiversa, dissimula e distorce a verdade, os fatos e os acontecimentos. O faz em nome da liberdade de expressão e de imprensa, como forma de enganar os ingênuos, os desavisados, os ignaros, bem como se alia àqueles que se tornam seus cúmplices, pois eles sabem, até mesmo instintivamente, que a imprensa comercial combate os trabalhistas e a esquerda em geral.

Por causa disso compram o “barulho”, os interesses da imprensa burguesa, por serem ideologicamente conservadores, a exemplo da classe média coxinha, que certamente compreende o que faz quando sai às ruas de forma “apolítica” e “apartidária”, quebra e queima tudo o que está à sua frente, porque são contra “tudo o que está aí”, frase assertiva que significa Lula, Dilma, PT, esquerda e trabalhistas.

Além disso, as manifestações desses indivíduos foram consideradas “pacíficas”, palavra-chave usada pelos jornalistas da imprensa de negócios privados para amenizar a violência de quem cometeu violência e crimes, porque simplesmente para a mídia imperialista tais movimentos podem beneficiar os interesses políticos da oposição tucana, e, evidentemente, de seus patrões, proprietários, inclusive, de concessões públicas de meios de comunicação, como rádio e televisão.

A verdade é a seguinte: concessão pública de comunicação sem fiscalização é doação. A Constituição de 1988 regulamenta os meios de comunicação, mas até hoje artigos importantes da Carta Magna sobre esse assunto não foram regulamentados. E deu no que deu: empresários bilionários que não respeitam a ordem constitucional e que, mesmo a disfarçar seus caráteres golpistas por intermédio de opiniões de seus empregados escribas, odeiam a democracia e o estado democrático de direito. As seis famílias que controlam os meios de comunicação privados admiram mesmo o sistema de ditadura, se possível militar, como ocorreu no tempo de 1964 a 1985.

Eis que para o desgosto e preocupação dos barões da imprensa as multinacionais Siemens e Alstom resolvem fazer denúncias, pois enfrentam dificuldades judiciais em seus países de origem — a Alemanha e a França, bem como nos Estados Unidos. As denúncias de formação de cartéis para vencer licitações das obras do metrô de São Paulo atingiram os governadores Mário Covas (falecido), José Serra e Geraldo Alckmin, todos do PSDB. Os valores envolvidos são gigantescos (R$ 425 milhões) e mexem com o imaginário popular.

Os tucanos negam, como era de se esperar; e o governador Alckmin responde às acusações como se tivesse ensaiado na frente do espelho o que dizer para a grande imprensa, que, durante cerca de dez dias após as denúncias, resolveu dar o ar da graça e veicular alguma coisa sobre mais outro escândalo de políticos do PSDB, mas sempre dando voz ativa aos tucanos para eles darem explicações, bem como se defender, como o faz diariamente o governador Geraldo Alckmin, o ex-governador José Serra, o vereador Andrea Matarazzo, dentre outros que integram ou integraram os governos paulistas controlados pelo PSDB há 20 anos.

Aliás, a Rede Globo, diferentemente da Folha de S. Paulo, que, para a surpresa de muitos leitores tem colocado o dedo na ferida aberta, que atinge os interesses políticos da imprensa de mercado e do PSDB, tem buscado dar evidência negativa ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), autarquia vinculada ao Ministério da Justiça, que investiga a formação de cartel em licitações para a aquisição de equipamentos, construção e manutenção de linhas de metrôs e trens em São Paulo.

Para amenizar e distorcer as evidências noticiosas que pegam os tucanos com as mãos nas botijas, a Globo e jornais, a exemplo do Estadão, citam o Distrito Federal, onde o governador é do PT, para causar confusão ao público, bem como desqualificar as investigações do Cade e da Polícia Federal, ao repercutir e dar credibilidade às acusações de que o Cade se transformou na polícia política do PT, como já afirmaram, “espertamente”, alguns jornalistas da imprensa alienígena e políticos ligados ao PSDB. Um absurdo e maledicência as acusações tucanas, porque o Cade é órgão do estado brasileiro, independente, e que investigou inúmeros casos ligados aos petistas, que estão não poder ao tempo de 11 anos.

Geraldo Alckmin solicitou ao Cade acesso aos processos, o que foi negado pelo órgão, evidentemente. A questão das denúncias da Siemens e da Alstom não se equivale a uma disputa política como quer fazer crer setores conservadores da imprensa privada e os políticos, empresários, secretários de estado e técnicos envolvidos com supostas corrupções e malfeitos conduzidos e efetivados por autoridades do PSDB.

A teoria conspiratória em que o PT é o conspirador é uma farsa, um embuste e que não vai colar, porque até a questão do Distrito Federal já foi “esquecida” pela imprensa dos barões, que correu atrás para tentar esvaziar mais um escândalo tucano, mas percebeu rapidamente que os malfeitos ocorridos no DF são relativos aos governos de Joaquim Roriz, senador que renunciou ao mandato para não ser cassado, e José Roberto Arruda, governador cassado, que ficou preso durante meses. Agnelo Queiroz, do PT, não teve quaisquer envolvimentos com a Alstom e a Siemens, tanto é verdade que as ilações contra ele pararam e seu nome saiu das manchetes.

O Ministério Público de São Paulo está a apurar os envolvidos nesse escândalo de R$ 425 milhões, de acordo com o Cade e o MP. Investiga-se supostos enriquecimento ilícito e lavagem de dinheiro público de autoridades paulistas. Os contratos firmados entre as multinacionais e a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) e o Metrô são da ordem de R$ 1,925 bilhão, ou seja, quase R$ 2 bilhões. Se a concorrência não fosse de cartas marcadas, os custos das obras e de manutenção seriam 30% menores, segundo os números repassados pela Siemens e também repercutidos pela “grande” imprensa.

O prejuízo para São Paulo e o contribuinte é de R$ 557 milhões, segundo documentos da empresa alemã. Enquanto isso, São Paulo e a capital oferecem um dos piores serviços de transportes do Brasil, com pouca oferta, sem competição empresarial e com os veículos (trens e metrô) abarrotados de cidadãos paulistas, paulistanos e brasileiros, que são carregados pior do que gado.

Até agora não se ouviu ainda com vigor o bordão “Vem pra rua”! E muito menos se leu ou se ouviu algum “especialista” de prateleira da Globo News, das televisões abertas ou jornalistas, comentaristas, colunistas e blogueiros a apagar o incêndio, que é esse escândalo, com gasolina. E foi, sem sombra de dúvida, que tais jornalistas e “especialistas” fizeram quando da ocupação das ruas pela classe média coxinha oportunista, que saiu às ruas a babar de ódio para contestar “tudo o que está aí”, ou seja, a Dilma, o Lula, o PT e o governo trabalhista.

A verdade é que a quadrilha dos trilhos está a ser desvendada, porque a Siemens e a Alstom delataram autoridades dos sucessivos governos tucanos de São Paulo. Aliás, é salutar lembrar ou não esquecer: essas duas multinacionais também respondem a acusações, denúncias e são alvos de investigações em seus países de origem e nos Estados Unidos. Além disso, O Estadão revelou que o MP sabe que agentes públicos receberam subornos, que foram depositados em três empresas de offshore sediadas no Uruguai.

Contudo, insisto, a televisão aberta e principalmente a Globo tocam no assunto de forma tímida, o que, inegavelmente, não foi a postura jornalística que tiveram, por exemplo, com o PT, o Lula, a Dilma e principalmente com os petistas José Dirceu e José Genoíno nos últimos 11 anos. Não há termos de comparação; e até mesmo aqueles cidadãos que se tornam hidrofóbicos quando escutam ou leem as palavras socialista, trabalhista e petista hão de perceber que a imprensa de mercado tem lado, tem cor, tem ideologia, toma partido e combate a esquerda desde tempos idos,

Agem dessa forma sem ao menos se preocuparem em fazer jornalismo para toda a sociedade. Não se importam em ouvir os lados envolvidos, com o intuito de dar voz ativa a quem é alvo de denúncias, acusações e até mesmo de covardias, sendo que muitas delas previamente calculadas, pois tem o propósito de desconstruir aqueles que os donos do sistema midiático privado consideram os inimigos a serem derrotados ou destruídos.

Hoje, por exemplo, o Jornal Hoje, da TV Globo, cujos âncoras são os jornalistas Evaristo Costa e Sandra Annenberg, não tocou no assunto sobre a delação da Siemens e da Alscom ao Cade, que deixou as autoridades paulistas e tucanas em situação dificílima, pois acusadas de corrupção, que chega ao montante de R$ 425 milhões. É muito dinheiro em um só caso, que isto fique claro. O Jornal Hoje se dedicou a casos escabrosos relativos a crimes de sangue e roubo, a exemplo dos casos do garoto que supostamente matou quatro membros de sua família, sendo que dois são policiais; da menina Isabela Nardoni, morta pelo pai e madrasta, que estão presos há cinco anos; do Amarildo, que sumiu da Rocinha e policiais são acusados e investigados pelo sumiço; além do famoso caso do Trem Pagador, que teve como um de seus protagonistas o ladrão Ronald Biggs, que morou décadas no Brasil e roubou, em 1963, £$ 2,6 milhões.

Como se observa a Globo é um caso perdido de desfaçatez, incongruência, incoerência e péssimo jornalismo. Quer dizer que um escândalo dessa envergadura, que envolve duas multinacionais poderosas e europeias, políticos do PSDB paulista, que estão, indubitavelmente, entre os mais poderosos do País, além de liderarem a oposição aos governos trabalhistas, bem como atuam o poderoso Ministério Público de São Paulo e o Cade, do Ministério da Justiça, não é para a Globo assunto de pauta, relevante para a Nação e importante por causa dos indivíduos citados, dos valores monetários e das instituições envolvidas?

Então, a Globo (patrões, diretores e editores) em seu tradicional vespertino, o Jornal Hoje, “esquece” tal pauta ou faz política, às claras, na maior insensatez possível e, consequentemente, esconde um elefante debaixo da mesa e acha que ninguém vê e percebe o jornalismo partidário e ideológico que essa televisão de concessão pública apresenta para o povo brasileiro? A realidade é que essa empresa privada vive em um mundo surreal, onde ela determina que seus interesses e de seus aliados estão acima dos interesses do Brasil e dos 200 milhões de brasileiros que lutam dia a dia para terem acesso a uma vida de melhor qualidade.

O que é a Globo? Um estado dentro do estado nacional? Como pode uma empresa privada fazer a vez da oposição e mesmo assim as autoridades constituídas não fazem nada a respeito disso? Artigos da Constituição de 1988 até hoje não foram regulamentados e que dispõem sobre o marco regulatório foram “esquecidos” por quem tem a obrigação constitucional de regulamentá-los, como o Governo Federal e a sua bancada no Congresso Nacional. A Siemens e a Alstom querem se livrar de seus processos em diversos países e de inúmeros esqueletos guardados em seus armários. E vários desses esqueletos tem os DNA e as digitais dos tucanos, apesar dos rodeios e subterfúgios das Organizações(?) Globo e da imprensa em geral. A Globo acha o povo bobo. É isso aí.

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DAVIS SENA FILHO
8 DE AGOSTO DE 2013 ÀS 18:34

Roubalheira Tucana:. CITAÇÃO A SERRA EM EMAIL DA SIEMENS TORNA CPI ‘URGENTE’

9 ago

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Avaliação é do deputado petista Paulo Teixeira (SP), escalado para obter as 171 assinaturas necessárias para instalação de comissão de inquérito na Câmara; ex-governador e presidenciável tucano aparece em correio eletrônico de diretor da multinacional alemã como tendo proposto arrego em licitação de trens urbanos; confidente Andrea Matarazzo e auxiliar José Luís Portela podem ser os primeiros convocados; ninho tucano paulista balança

247 – Sempre chamou a atenção de presentes o fato de o atual vereador Andrea Matarazzo, tucano que foi secretário de Energia de São Paulo e presidente da Cesp (estatal modelo que fatiou em 11 partes para vender ao mercado), assoprar toda a fumaça de seus pulmões, ocupados pelo tragar de um cigarro, bem sobre o rosto de José Serra. Aconteceu assim, exatamente, na campanha municipal de 2004, logo após Serra deixar o cargo de ministro da Saúde com a marca de antitabagista. Ele nunca reclamava de Matarazzo. Começa-se a entender, agora, o porque da tolerância de Serra.

Neste momento, Serra e Matarazzo podem ir parar, juntos, numa mesma Comissão Parlamentar de Inquérito. O deputado Paulo Teixeira (PT-SP) começou nesta quinta-feira 8 a coleta das 171 assinaturas necessárias para a instalação da comissão na Câmara dos Deputados. Aos dois amigos tucanos, caso a CPI seja mesmo instalada, deverá se juntar outro, o ex-secretário de Transportes de Serra, José Luís Portela, o Portelinha.

No e-mail de um diretor da Siemens à sede mundial da empresa, em poder das autoridades brasileiras, Serra e Portela são citados como tendo participado de uma conversa em Amsterdã, na Holanda, com o representante brasileiro da multinacional Nelson Marquetti, na qual se definiu um acerto entre empresas para a venda e instalação de trens metropolitanos para São Paulo. Na época da covenrsa, durante o governo Serra em São Paulo,, a Siemens disputava com a espanhola CAF uma licitação milionária aberta pela CPTM para aquisição de 40 novos trens, e ameaçava questionar na Justiça o resultado da concorrência se não saísse vitoriosa.

A Siemens tinha a segunda melhor proposta da licitação, mas esperava ficar com o contrato se conseguisse desqualificar a rival espanhola, que apresentara a proposta com preço mais baixo. De acordo com a mensagem do executivo da Siemens, Serra avisou que a licitação seria cancelada se a CAF fosse desqualificada, mas disse que ele e Portella “considerariam” outras soluções para evitar que a disputa empresarial provocasse atraso na entrega dos trens. Segundo o e-mail, uma das saídas discutidas seria a CAF dividir a encomenda com a Siemens, subcontratando a empresa alemã para a execução de 30% do contrato, o equivalente a 12 dos 40 trens previstos. Outra possibilidade seria encomendar à Siemens componentes dos trens.
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“Está demonstrada a participação de agentes públicos. Isso mostra a urgência de instalação de uma CPI”, acredita o deputado Teixeira. “Na minha avaliação, está caracterizada fraude a licitação”, afirma o deputado, referindo-se ao acerto, digamos, extra-judicial. “Com o envolvimento no nome do Serra, a suspeita sai da esfera apenas de funcionários da administração pública e vai para a esfera política, o que deve ser alvo de uma investigação dos deputados”, afirmou.

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PIVÔ DO CASO SIEMENS PODE EXPLICAR REELEIÇÃO DE FHC

9 ago

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Surgimento de José Luiz Portella no caso Siemens afasta de vez a possibilidade de que a corrupção nos trilhos do metrô de São Paulo tenha sido fruto apenas da ação isolada de funcionários públicos corruptos; Portelinha teve papel essencial na reeleição de FHC, manchada pela suspeita de compra de votos, como no caso do ex-deputado Ronivon Santiago; Portelinha é também homem de confiança de José Serra; com ele no escândalo, fortalece-se a tese levantada pela revista Istoé, sobre a existência de um “propinoduto” e esvaem-se as esperanças de Merval Pereira, que temia justamente a corrupção sistêmica

247 – Dezesseis de maio de 1997. O escândalo que chacoalha o Brasil diz respeito à compra de votos para a reeleição do ex-presidente FHC. O pivô é o ex-deputado Ronivon Santiago, que, numa conversa gravada, revela que parlamentares estariam recebendo R$ 200 mil para votar pela reeleição. Naquele dia, a Folha de S. Paulo, que havia revelado o caso, publica uma nova matéria, assinada por Fernando Rodrigues, Lúcio Vaz e Lucas Figueiredo, todos repórteres premiados. Assim ela começa:

O deputado Ronivon Santiago, expulso anteontem do PFL, diz em conversas gravadas que seus acertos com o governo na emenda da reeleição e em outras votações está baseado na liberação de dinheiro federal para empreiteiras realizarem obras rodoviárias.

Segundo o deputado, essas liberações são acertadas de forma satisfatória por causa da intervenção do governador Orleir Cameli (AC) e pela intimidade que ele, Ronivon, teria com o secretário-executivo do Ministério dos Transportes, José Luiz Portella – pessoa de confiança do presidente Fernando Henrique Cardoso.

Mais adiante, os repórteres revelam bastidores da ação de Portella, conhecido no ninho tucano como Portelinha:

Em uma parte da conversa, o interlocutor de Ronivon -aqui identificado apenas como “Senhor X”- menciona o fato de Orleir Cameli ter sido recebido pelo presidente Fernando Henrique Cardoso em 27 de janeiro passado, véspera da votação da reeleição.

Eis o que responde Ronivon: “Foi. Esteve. Tem ordem lá para liberar a verba agora em abril”.
A verba não foi liberada. Mas Ronivon continuou confiante no governo. “Eu estive com o Portella, do Ministério dos Transportes, que é o cara que coordena as liberações, ele me falou que tem ordem superior já, recebeu ligação superior já pra dar a liberação do Acre”, diz o deputado.

Corte para oito de agosto de 2013. O escândalo da vez diz respeito às propinas do metrô de São Paulo. Assim começa a reportagem da Folha de S. Paulo, assinada por Flavio Ferreira, Catia Seabra e Julianna Sofia:

O ex-governador de São Paulo José Serra (PSDB) sugeriu à multinacional alemã Siemens um acordo em 2008 para evitar que uma disputa empresarial travasse uma licitação da CPTM, de acordo com um e-mail enviado por um executivo da Siemens a seus superiores na época. 

A mensagem relata uma conversa que um diretor da Siemens, Nelson Branco Marchetti, diz ter mantido com Serra e seu secretário de Transportes Metropolitanos, José Luiz Portella, durante congresso do setor ferroviário em Amsterdã, na Holanda.

Ou seja: quinze anos depois da suspeita de compra de votos da reeleição, operada por José Luiz Portella, o Portelinha, o Brasil descobre que o mesmo personagem está no centro do escândalo Siemens. Da articulação de emendas para parlamentares, ele passou a operar a compra de trens e vagões, em encontros em Amsterdã.

A existência desse elo de ligação (leia mais aqui) torna remota a possibilidade de que a corrupção nos trilhos do metrô paulista seja fruto da ação isolada de funcionários corruptos – como parece ser a torcida de colunistas alinhados ao tucanato, como Merval Pereira e Reinaldo Azevedo. Ao contrário, os indícios apontam para um jogo da cúpula partidária, operado por uma pessoa da mais estrita confiança de homens como FHC e José Serra.

Assim, ganha força a tese levantada pela revista Istoé sobre a existência de um “propinoduto tucano”, ou seja, de uma máquina de arrecadação destinada à conquista e à perpetuação do poder. Exatamente aquilo que Merval Pereira parecia temer, como escreveu em sua coluna desta quinta:

A ação individual de um político desonesto é menos danosa para a democracia do que a de um grupo político organizado, que se utiliza dos esquemas de poder a que chegou pelo voto para se eternizar nele. Foi o que aconteceu justamente no mensalão do PT. Se as investigações do caso Siemens em São Paulo levarem à conclusão de que o PSDB montou um projeto de poder em São Paulo desde o governo Covas, passando por Geraldo Alckmin e José Serra, financiado pelo desvio de verbas públicas, estaremos diante de uma manipulação política com o mesmo significado, embora com alcance regional, enquanto o mensalão tentou manipular nada menos que o Congresso Nacional.

Parafraseando Merval, com José Luiz Portella, “fica clara a ação de um grupo político organizado, que se utiliza dos esquemas de poder a que chegou pelo voto para se eternizar nele”.

Tucanoduto:. O esquema que saiu dos trilhos

20 jul

Um propinoduto criado para desviar milhões das obras do Metrô e dos trens metropolitanos foi montado durante os governos do PSDB em São Paulo. Lobistas e autoridades ligadas aos tucanos operavam por meio de empresas de fachada

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PROTEÇÃO GARANTIDA
Os governos tucanos de Mario Covas (abaixo), Geraldo Alckmin
e José Serra (acima) nada fizeram para conter o esquema de corrupção

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Ao assinar um acordo com o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), a multinacional alemã Siemens lançou luz sobre um milionário propinoduto mantido há quase 20 anos por sucessivos governos do PSDB em São Paulo para desviar dinheiro das obras do Metrô e dos trens metropolitanos. Em troca de imunidade civil e criminal para si e seus executivos, a empresa revelou como ela e outras companhias se articularam na formação de cartéis para avançar sobre licitações públicas na área de transporte sobre trilhos. Para vencerem concorrências, com preços superfaturados, para manutenção, aquisição de trens, construção de linhas férreas e metrôs durante os governos tucanos em São Paulo – confessaram os executivos da multinacional alemã –, os empresários manipularam licitações e corromperam políticos e autoridades ligadas ao PSDB e servidores públicos de alto escalão. O problema é que a prática criminosa, que trafegou sem restrições pelas administrações de Mario Covas, José Serra e Geraldo Alckmin, já era alvo de investigações, no Brasil e no Exterior, desde 2008 e nenhuma providência foi tomada por nenhum governo tucano para que ela parasse. Pelo contrário. Desde que foram feitas as primeras investigações, tanto na Europa quanto no Brasil, as empresas envolvidas continuaram a vencer licitações e a assinar contratos com o governo do PSDB em São Paulo. O Ministério Público da Suíça identificou pagamentos a personagens relacionados ao PSDB realizados pela francesa Alstom – que compete com a Siemens na área de maquinários de transporte e energia – em contrapartida a contratos obtidos. Somente o MP de São Paulo abriu 15 inquéritos sobre o tema. Agora, diante deste novo fato, é possível detalhar como age esta rede criminosa com conexões em paraísos fiscais e que teria drenado, pelo menos, US$ 50 milhões do erário paulista para abastecer o propinoduto tucano, segundo as investigações concluídas na Europa.
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SUSPEITOS
Segundo o ex-funcionário da Siemens, Ronaldo Moriyama (foto menor),
diretor da MGE, e Décio Tambelli, ex-diretor do Metrô, integravam o esquema

As provas oferecidas pela Siemens e por seus executivos ao Cade são contundentes. Entre elas, consta um depoimento bombástico prestado no Brasil em junho de 2008 por um funcionário da Siemens da Alemanha. ISTOÉ teve acesso às sete páginas da denúncia. Nelas, o ex-funcionário, que prestou depoimento voluntário ao Ministério Público, revela como funciona o esquema de desvio de dinheiro dos cofres públicos e fornece os nomes de autoridades e empresários que participavam da tramoia. Segundo o ex-funcionário cujo nome é mantido em sigilo, após ganhar uma licitação, a Siemens subcontratava uma empresa para simular os serviços e, por meio dela, realizar o pagamento de propina. Foi o que aconteceu em junho de 2002, durante o governo de Geraldo Alckmin, quando a empresa alemã venceu o certame para manutenção preventiva de trens da série 3000 da CPTM (Companhia Paulista de Transportes Metropolitanos). À época, a Siemens subcontratou a MGE Transportes. De acordo com uma planilha de pagamentos da Siemens obtida por ISTOÉ, a empresa alemã pagou à MGE R$ 2,8 milhões até junho de 2006. Desse total, pelo menos R$ 2,1 milhões foram sacados na boca do caixa por representantes da MGE para serem distribuídos a políticos e diretores da CPTM, segundo a denúncia. Para não deixar rastro da transação, os saques na boca do caixa eram sempre inferiores a R$ 10 mil. Com isso, o Banco Central não era notificado. “Durante muitos anos, a Siemens vem subornando políticos, na sua maioria do PSDB, e diretores da CPTM.

A MGE é frequentemente utilizada pela Siemens para pagamento de propina. Nesse caso, como de costume, a MGE ficou encarregada de pagar a propina de 5% à diretoria da CPTM”, denunciou o depoente ao Ministério Público paulista e ao ombudsman da empresa na Alemanha. Ainda de acordo com o depoimento, estariam envolvidos no esquema o diretor da MGE, Ronaldo Moriyama, segundo o delator “conhecido no mercado ferroviário por sua agressividade quando se fala em subornar o pessoal do Metrô de SP e da CPTM”, Carlos Freyze David e Décio Tambelli, respectivamente ex-presidente e ex-diretor do Metrô de São Paulo, Luiz Lavorente, ex-diretor de Operações da CPTM, e Nelson Scaglioni, ex-gerente de manutenção do metrô paulista. Scaglioni, diz o depoente, “está na folha de pagamento da MGE há dez anos”. “Ele controla diversas licitações como os lucrativos contratos de reforma dos motores de tração do Metrô, onde a MGE deita e rola”. O encarregado de receber o dinheiro da propina em mãos e repassar às autoridades era Lavorente. “O mesmo dizia que (os valores) eram repassados integralmente a políticos do PSDB” de São Paulo e a partidos aliados. O modelo de operação feito pela Siemens por meio da MGE Transportes se repetiu com outra empresa, a japonesa Mitsui, segundo relato do funcionário da Siemens. Procurados por ISTOÉ, Moriyama, Freyze, Tambelli, Lavorente e Scaglioni não foram encontrados. A MGE, por sua vez, se nega a comentar as denúncias e disse que está colaborando com as investigações.
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Além de subcontratar empresas para simular serviços e servir de ponte para o desvio de dinheiro público, o esquema que distribuiu propina durante os governos do PSDB em São Paulo fluía a partir de operações internacionais. Nessa outra vertente do esquema, para chegar às mãos dos políticos e servidores públicos, a propina circulava em contas de pessoas físicas e jurídicas em paraísos fiscais. Uma dessas transações contou, de acordo com o depoimento do ex-funcionário da Siemens, com a participação dos lobistas Arthur Teixeira e Sérgio Teixeira, através de suas respectivas empresas Procint E Constech e de suas offshores no Uruguai, Leraway Consulting S/A e Gantown Consulting S/A. Neste caso específico, segundo o denunciante, a propina foi paga porque a Siemens, em parceria com a Alstom, uma das integrantes do cartel denunciado ao Cade, ganhou a licitação para implementação da linha G da CPTM. O acordo incluía uma comissão de 5% para os lobistas, segundo contrato ao qual ISTOÉ teve acesso com exclusividade, e de 7,5% a políticos do PSDB e a diretores da área de transportes sobre trilho. “A Siemens AG (Alemanha) e a Siemens Limitada (Brasil) assinaram um contrato com (as offshores) a Leraway e com a Gantown para o pagamento da comissão”, afirma o delator. As reuniões, acrescentou ele, para discutir a distribuição da propina eram feitas em badaladas casas noturnas da capital paulista. Teriam participado da formação do cartel as empresas Alstom, Bombardier, CAF, Siemens, TTrans e Mitsui. Coube ao diretor da Mitsui, Masao Suzuki, guardar o documento que estabelecia o escopo de fornecimento e os preços a serem praticados por empresa na licitação.
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Além de subcontratar empresas que serviram de ponte para o desvio
de dinheiro público, o esquema valeu-se de operações em paraísos fiscais

Os depoimentos obtidos por ISTOÉ vão além das investigações sobre o caso iniciadas há cinco anos no Exterior. Em 2008, promotores da Alemanha, França e Suíça, após prender e bloquear contas de executivos do grupo Siemens e da francesa Alstom por suspeita de corrupção, descobriram que as empresas mantinham uma prática de pagar propinas a servidores públicos em cerca de 30 países. Entre eles, o Brasil. Um dos nomes próximos aos tucanos que apareceram na investigação dos promotores foi o de Robson Marinho, conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE) nomeado pelo então governador tucano Mário Covas. No período em que as propinas teriam sido negociadas, Marinho trabalhava diretamente com Covas. Proprietário de uma ilha paradisíaca na região de Paraty, no Rio de Janeiro, Marinho foi prefeito de São José dos Campos, ocupou a coordenação da campanha eleitoral de Covas em 1994 e foi chefe da Casa Civil do governo do Estado de 1995 a abril de 1997. Numa colaboração entre promotores de São Paulo e da Suíça, eles identificaram uma conta bancária pertencente a Marinho que teria sido abastecida pela francesa Alstom. O MP bloqueou cerca de US$ 1 milhão depositado. Marinho é até hoje alvo do MP de São Paulo. Procurado, ele não respondeu ao contato de ISTOÉ. Mas, desde que estourou o escândalo, ele, que era conhecido como “o homem da cozinha” – por sua proximidade com Covas –, tem negado a sua participação em negociatas que beneficiaram a Alstom.
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Entre as revelações feitas pela Siemens ao Cade em troca de imunidade está a de que ela e outras gigantes do setor, como a francesa Alstom, a canadense Bombardier, a espanhola CAF e a japonesa Mitsui, reuniram-se durante anos para manipular por meios escusos o resultado de contratos na área de transporte sobre trilhos. Entre as licitações envolvidas sob a gestão do PSDB estão a fase 1 da Linha 5 do Metrô de São Paulo, as concorrências para a manutenção dos trens das Séries 2.000, 3.000 e 2.100 da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) e a extensão da Linha 2 do metrô de São Paulo. Também ocorreram irregularidades no Projeto Boa Viagem da CPTM para reforma, modernização e serviço de manutenção de trens, além de concorrências para aquisição de carros de trens pela CPTM, com previsão de desenvolvimento de sistemas, treinamento de pessoal, apoio técnico e serviços complementares.

Com a formação do cartel, as empresas combinavam preços e condicionavam
a derrota de um grupo delas à vitória em outra licitação superfaturada

Com a formação do cartel, as empresas combinavam preços e condicionavam a derrota de um grupo delas à vitória em outra licitação também superfaturada. Outra estratégia comum era o compromisso de que aquela que ganhasse o certame previamente acertado subcontratasse outra derrotada. Tamanha era a desfaçatez dos negócios que os acordos por diversas vezes foram celebrados em reuniões nos escritórios das empresas e referendados por correspondência eletrônica. No início do mês, a Superintendência-Geral do Cade realizou busca e apreensão nas sedes das companhias delatadas. A Operação Linha Cruzada da Polícia Federal executou mandados judiciais em diversas cidades em São Paulo e Brasília. Apenas em um local visitado, agentes da PF ficaram mais de 18 horas coletando documentos. Ao abrir o esquema, a Siemens assinou um acordo de leniência, que pode garantir à companhia e a seus executivos isenção caso o cartel seja confirmado e condenado. A imunidade administrativa e criminal integral é assegurada quando um participante do esquema denuncia o cartel, suspende a prática e coopera com as investigações. Em caso de condenação, o cartel está sujeito à multa que pode chegar a até 20% do faturamento bruto. O acordo entre a Siemens e o Cade vem sendo negociado desde maio de 2012. Desde então, o órgão exige que a multinacional alemã coopere fornecendo detalhes sobre a manipulação de preços em licitações.
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Só em contratos com os governos comandados pelo PSDB em São Paulo, duas importantes integrantes do cartel apurado pelo Cade, Siemens e Alstom, faturaram juntas até 2008 R$ 12,6 bilhões. “Os tucanos têm a sensação de impunidade permanente. Estamos denunciando esse caso há décadas. Entrarei com um processo de improbidade por omissão contra o governador Geraldo Alckmin”, diz o deputado estadual do PT João Paulo Rillo. Raras vezes um esquema de corrupção atravessou incólume por tantos governos seguidos de um mesmo partido numa das principais capitais do País, mesmo com réus confessos – no caso, funcionários de uma das empresas participantes da tramoia, a Siemens –, e com a existência de depoimentos contundentes no Brasil e no Exterior que resultaram em pelo menos 15 processos no Ministério Público. Agora, espera-se uma apuração profunda sobre a teia de corrupção montada pelos governos do PSDB em São Paulo. No Palácio dos Bandeirantes, o governador Geraldo Alckmin disse que espera rigor nas investigações e cobrará o dinheiro que tenha sido desviado dos cofres públicos.

Por Alan Rodrigues, Pedro Marcondes de Moura e Sérgio Pardellas
Montagem sobre foto de: Carol Guedes/Folhapress (abre); FOTOS: RICARDO STUCKERT; Folhapress; EVELSON DE FREITAS/AE