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Pipoca, por favor, enquanto os “Agitadores de Putin” mandam em Kiev

29 mar

26/3/2014, [*] Moon of AlabamaPopcorn Please While “Putin’s Agitators” Rule in KievTraduzido por João Aroldo

Enquanto assistem TV, Medvedev e Putin saboreiam cerveja com pipoca…

Enquanto tudo parece possível, a suposição operacional entre alguns funcionários norte-americanos e europeus é que o Sr. Putin não vai invadir abertamente o leste da Ucrânia, mas ao invés disso, vai optar por um plano intermediário obscuro, usando agitadores locais e forças especiais talvez disfarçados para causar ainda mais agitação em grandes áreas de língua russa do país. U.S. Challenge Now Is to Stop Further Putin Moves, NYT.
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Putin está assistindo TV. Chama seu Chefe de Inteligência: Dê uma medalha a Tyagnibok por banir o uso da língua russa na Ucrânia. Você quer dizer que ele não é um dos nossos? Ok, dê uma medalha a Yarosh pela ideia de explodir linhas de gasodutos. O que você quer dizer, isso é coisa dele? Que tal o cretino do Lyashko? Que tal os cretinos do Svoboda—Miroshnichenko e outros? Será que nós temos algum agente em campo na Ucrânia? Onde diabos eles estão? Que diabos você quer dizer que eles compraram um caminhão de pipoca e um caminhão-tanque de cerveja e estão assistindo como um filme?!!! Desliga com nojo. Liga novamente: Como foi que você deixou Muzychko ser morto?via Cluborlov.

Muzychko, com o braço estendido numa saudação nazista, ainda na Praça Maidan

Realmente, Putin pode ficar sentado e curtir a pipoca. O governo golpista está fazendo o melhor para se arruinar, para brigar internamente com seus amigos ideológicos e para empurrar os ucranianos de língua russa para mais perto da Rússia. Notem apenas a decisão de hoje de suspender mais serviços de TV de língua russa na Ucrânia. Como isso vai convencer os falantes de russo da Ucrânia de que suas vozes serão ouvidas?

Arsen Avakov

A briga entre os paramilitares de extrema-direita do Setor de Direita (Pravy Sektor) e os fascistas do Svobodaapenas começou:
O grupo ucraniano radical Setor de Direita (Pravy Sektor) exige a imediata demissão do Ministro do Interior, Arsen Avakov e a prisão dos membros da força tarefa especial Sokil (Falcão), envolvida na morte do líder nacionalista Oleksandr Muzychko (Sashko Bily) na região de Rivne nas primeiras horas de quinta-feira. 

resposta do ministro do partido Svoboda:
O Ministério do Interior da Ucrânia iniciou uma série de prisões contra a organização nacionalista Setor da Direito, depois que seus ativistas ameaçaram vingança pela morte de um de seus líderes, Oleksandr Muzychko, pela polícia, segundo uma reportagem.
Pipoca mesmo
De acordo com uma busca de notícias no Google, nenhuma mídia dos EUA noticiou o telefonema que veio a público de Timoshenko no qual ela fala ao seu aliado político, Shufrych, sobre matar russos em massa. O Yahoo News publicou um texto da agência AFP e um artigo no blog do Washington Posttentou turvar o conteúdo da conversa. Exceto que não há nada na mídia dos EUA sobre isso, enquanto os jornais alemães só falam disso. É interessante não apenas a conversa vulgar, mas o fato de ter sido realizada em russo. Isto enquanto a falsa princesa loira do gás e seus amigos sempre usam a língua ucraniana em discursos públicos para promover seu falso nacionalismo. O telefonema vazado vai não só alienar os falantes de russo de Timoshenko, mas também falantes de ucraniano que ela tenta enganar.

Yulia Timoshenko quer matar todos os russos residentes na Ucrânia

Por que a Rússia deveria tentar criar instabilidade no leste e no sul da Ucrânia, quando o governo golpista em Kiev está fazendo o seu melhor para criar por si mesmo? À agitação crescente pode-se acrescentar o provável colapso econômico que logo virá. Qualquer ajuda “ocidental” será condicionada à austeridade e empobrecimento das pessoas, bem à reforma política que os oligarcas e os políticos atuais não vão permitir. Nessa condição, mais agitação é certa, enquanto a Ucrânia desmorona e não há necessidade alguma para a Rússia intervir para causar isso.
A Rússia não vai fazer nada nefasto, ela não vai fazer nada mesmo. A Rússia não vai ajudar, nem econômica nem politicamente, a menos que Kiev e o “ocidente” estejam dispostos a pagar o preço: uma Ucrânia federalizada com regiões fortes e um governo central fraco._________________



[*] “Moon of Alabama” é título popular de “Alabama Song” (também conhecida como“Whisky Bar” ou “Moon over Alabama”) dentre outras formas. Essa canção aparece na peça Hauspostille (1927) de Bertolt Brecht, com música de Kurt Weil; e foi novamente usada pelos dois autores, em 1930, na ópera A Ascensão e a Queda da Cidade de Mahoganny. Nessa utilização, aparece cantada pela personagem Jenny e suas colegas putas no primeiro ato. Apesar de a ópera ter sido escrita em alemão, essa canção sempre aparece cantada em inglês. Foi regravada por vários grandes artistas, dentre os quais David Bowie (1978) e The Doors (1967). No Brasil, produzimos versão SENSACIONAL, na voz de Cida Moreira, gravada em “Cida Moreira canta Brecht”, que incorporamos às nossas traduções desse blogMoon of Alabama, à guisa de homenagem. Pode ser ouvida a seguir:

POSTADO POR CASTOR FILHO

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O Ocidente e a Ucrânia: cenários possíveis

10 fev

8/2/2013, Irina LebedevaStrategic Culture

Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu
 
Irina Lebedeva
O relatório Ucrânia 2020 foi publicado em 2010 pelo Center for Global Affairs (CGA). O documento apresenta possíveis opções para o desenvolvimento político da Ucrânia. O professor Michael Oppenheimer (Center for Global AffairsNew York University), foi o criador do projeto.
 Os eventos na Ucrânia parecem desenvolver-se hoje segundo, não um, mas todos os “três cenários” descritos no documento.
 James Sherr (Russia and Eurasia ProgramChatham House) escreve no prefácio que o CGA participou dos projetos conduzidos pelo Departamento de Estado, Departamento da Defesa, Conselho de Inteligência Nacional, CIA, Institute for PeaceBrookings InstituteCouncil on Foreign Relations e pelo Conselheiro Científico do Presidente dos EUA. Praticamente todos os especialistas em Ucrânia conhecidos, dos EUA, da Grã-Bretanha, da Alemanha, da Bélgica, da Polônia e de outros estados participaram do projeto do CGA… [mas nenhum representante da Rússia nem especialista em Rússia].
 
Yulia Tymoshenko
Não será surpresa que, algum dia, se os escritórios doPartido Batkivshchyna da Ucrânia [partido de Yulia Tymoshenko] forem revistados, encontrem-se ali excertos desse manual de “o que fazer”, redigido pelos norte-americanos como se fosse algum “relatório”.
 Em 2010, há apenas poucos anos, os autores do Relatório conseguiram “antever” que o Partido Svoboda [ex-Partido Nacional Socialista da Ucrânia; é hoje o mais forte partido da direita na Ucrânia] viria a liderar “protestos populares”; a renúncia do Primeiro-Ministro Nikolay Azarov e a ascensão de Arseniy Yatsenyuk [em 2009, criara a “Frente para a Mudança”]… Conforme se lê no Relatório, haveria ataques antissemitas contra Yatsenyuk por causa de sua nacionalidade, mas seria fácil descartá-los como “ridículos”.
 
Stepan Bandera
O cenário que o Relatório pinta prevê que o Partido Svoboda seria deixado de lado, ultrapassado pelos militantes do Trizub [o tridente: Deus, no céu e na terra], organização que reverencia a chamada Organização dos Nacionalistas Ucranianos liderada por Stepan Bandera [Em 2011, os partidos comunistas ucranianos pediram ao Parlamento (Rada) o banimento de todas essas organizações de extrema direita, denunciadas como organizações nazistas]. No Relatório “Ucrânia-2020”, toda essa gente aparece descrita como “elementos moderados”.
 Por tudo isso, conforme o Relatório “prevê”, logo se aprofundaria o processo de “ucranização”, o que provocaria “elementos russos”. O Relatório recomenda a privatização dos ativos estratégicos, portas abertas para investidores ocidentais, créditos assegurados pelo Fundo Monetário Internacional e pelo Banco Mundial, pondo fim aos “tabus soviéticos” contra a venda de terras a estrangeiros; e o envolvimento supervisionado da China, que é apresentada como inimigo da União Europeia e concorrente da Rússia, o que levaria à expulsão da Frota do Mar Negro do porto de Sebastopol; e mudança na Constituição da Ucrânia, para converter o país em república parlamentarista ou presidencial-parlamentarista. (Mas o Relatório não explica quem votaria para eleger Yatsenyuk nas eleições presidenciais…).
 Cenário Um: Fragmentação do Autoritarismo FracassadoPara os autores do Relatório, essa opção é desvantajosa para os EUA e para a Federação Russa.
 Cenário Dois: Consenso Nacional Conduzindo a Reformas. É a melhor opção, do ponto de vista de Washington e da União Europeia.
 Cenário Três: Autoritarismo Estratégico. Aqui, o Relatório “prevê” um desenvolvimento de eventos pelo qual o presidente Yanukovych mantém o poder. É uma espécie de “Plano B”. Neste cenário, o presidente Yanukovych terá de curvar-se, para manter a legitimidade. Terá de fazer todos os tipos de concessões a “investidores estrangeiros”, implementar reformas constitucionais e estruturais, aceitar empréstimos que lhe ofereçam para suavemente empurrar a Rússia para bem longe da esfera de seus interesses estratégicos.
 
Viktor Yanukovich, Presidente da Ucrânia
As forças externas já criaram o caos na Ucrânia, mas não se sabe se conseguirão controlá-lo. Yanukovych já foi avisado de que pode ter o destino de Milosevic na Sérvia ou de Gaddafi na Líbia. A “comunidade internacional” presunçosamente acredita que os nacionalistas ucranianos hoje inflados serão, na sequência, facilmente domesticáveis.
 Haverá dinheiro para os democratas pró-ocidente, sob a condição de que implementem as “reformas” acima mencionadas (questão sobre a qual a oposição “confiável” já está conversando. E, sobre isso, Yatsenyuk lembrou recentemente o Plano Marshall).
 O Relatório considera a história da Aliança do Atlântico Norte e várias vezes menciona o Plano Marshall, para o caso da Ucrânia, que seria como “duas metades da mesma noz”.
 Mas depois da 2ª Guerra Mundial, os EUA não garantiram à Europa arruinada um empréstimo gratuito: houve acordos de natureza semicolonial que incluíram instalar ali “armas secretas da OTAN”. E não será o Pravy Sektor (aliança dos grupos de mais extrema direita), mas essas estruturas da OTAN, que desempenharão a função de “mão de ferro” que levará a Ucrânia à integração com a Europa e os EUA.
 ***
Washington está diante do risco de novos fracassos de diplomacia, que ferem a imagem do país no exterior. É hora de perguntar em que foram consumidos $5 bilhões de dólares dos contribuintes norte-americanos.
 
Victoria “Fuck European Union” Nuland
quantia é a que informaram a secretária-assistente de Estado, Victoria Nuland e o vice-secretário de Estado do Gabinete de Democracia, Direitos Humanos e Trabalho, em audiência no Senado, em janeiro, ao falarem dos sucessores ucranianos dos que apoiavam as ideias de Stepan Bandera e Roman Shukhevych.
Os mesmos ditos moderados do Trezub nomeados em honra de Stepan Bandera estiveram sob constante supervisão pelos centro euroatlânticos.
 Abra aleatoriamente qualquer página do jornal Ukrainian Weekly (editado nos EUA). Ali se veem pulular as ideias dos colaboracionistas ucranianos. O jornal mantém escritórios em Kiev. Se se lê, veem-se muitas coisas interessantes sobre os “compromissos” passados dos que se “manifestam” nas ruas da Maidan Nezalezhnosti [Praça Independência] e na Rua Grushevsky.
 
Dmytro Yarosh
Desde que Victor Yanukovych foi eleito presidente da Ucrânia, o jornal Ukrainian Weekly só noticia e destaca as atividades do Pravy Sektor, histórias sobre tortura de prisioneiros na Ucrânia contemporânea; clama por apoio aos “patriotas ucranianos” que destroem monumentos da era soviética. Oferece também farta informação elogiosa sobre Dmytro Yarosh, líder militante da extrema direita, do Pravy Sektor, e sobre o coordenador do Pravy Sektor(apelido, Pilipas) Andrei Tarasenko, que anda contando histórias sobre treinamento de militantes (jovens que nunca prestaram serviço militar, agora ensinados a “virar homens”, aprendendo a usar punhais e armas de ar comprimido). O mesmo jornal oferece também informação sobre outros “bravos nacionalistas” e modos para conter “a intervenção russa”. E o jornal ainda traz recomendações de “revolucionários sérvios”, que contam como derrubaram “ditadores”.
 Um pouco antes, as edições de Ukrainian Weekly viviam cheias de histórias de fazer gelar o sangue, sobre intrigas entre comunistas e Moskali, termo ucraniano depreciativo para “russos”, e sobre o Golodomor – o genocídio organizado por russos, para exterminar a população ucraniana.
 É uma vergonha que, sem contar com informação de fonte independente, a diplomacia norte-americana sirva-se desse tipo de fonte para, a partir disso, construir políticas para a Ucrânia.
 
Zbigniew Brzezinski
A arrogância da maioria dos diplomatas e congressistas norte-americanos não surpreende mais ninguém. Em janeiro, durante audiência para discutir a Ucrânia, até alguém já tão entrado em anos como Zbigniew Brzezinski ainda lá estava a dar “aulas” aos senadores, “ensinando” que, antes de os russos aparecerem os ucranianos já acalentavam o sonho de unir-se à Europa; e por isso que o sonho dos ucranianos tem de ser apoiado. Depois de esse sonho realizado, lança-se uma “reação Dominó”, e a multinacional Rússia seguirá exatamente a mesma boa trilha que a levará a se tornar membro da OTAN!
 Os dois filhos de Zbigniew Brzezinski mantêm-se muito próximos da OTAN. Ian Brzezinski é membro Senior Fellow do International Security Program e faz parte do Grupo de Conselheiros Estratégicos do Conselho do Atlântico. E Mark Brzezinski, advogado, trabalhou para o Conselho de Segurança Nacional do presidente Clinton, como especialista em Rússia e Sudeste Europeu; foi sócio de McGuire Woods LLP; e é hoje embaixador dos EUA na Suécia. Muito ativo na venda de aviões militares.
Por que Victoria Nuland – que se tornou presença obrigatória em todas as páginas e blogs humorísticos na Ucrânia e na Rússia, por ter andado distribuindo coelhinhos e sanduíches na Praça Maidan – apareceu em Kiev outra vez, na véspera do início dos Jogos de Inverno de Sochi, e pôs-se a dizer que os que estivessem insatisfeitos com “o regime Yanukovych” ou voltassem à ideia da integração com a Europa ou tomassem “o caminho da guerra”?
 É onde a mentalidade de clã – velho carrasco da política externa dos EUA – entra em cena.
 O clã ao qual pertence Victoria Nuland não é menos influente que o de Brzezinski. O marido, Robert Kagan, é conhecido intelectual dedicado a temas de política externa, analista e colunista de grandes jornais. Sente-se muito a vontade entre os “especialistas” ativos nos mais importantes think-tanks norte-americanos e tem acesso aos mais influentes veículos da imprensa-empresa norte-americana. Kagan muito se empenhou na operação militar na Líbia. Trabalhou muito, também, na oposição a Obama-candidato, como assessor de Mitt Romney. Foi quem instruiu Romney a declarar que a Rússia seria o inimigo geopolítico número 1 dos EUA. Seu irmão, Fred Kagan, é autor de inúmeros livros e artigos publicados em todo o mundo.
 A carreira de Victoria Nuland sempre seguiu de perto o colapso da União Soviética: ela estava, então, em Moscou. E testemunhou as “mudanças tectônicas” da política externa dos EUA a partir daquele momento. Foi ela que mobilizou todas as suas habilidades para encontrar pretextos para a intervenção no Afeganistão, invocando o artigo 5º do Tratado de Washington, em 2001, quando os EUA invadiram o Afeganistão. Depois, foi representante dos EUA no Conselho do Atlântico Norte. A experiência dela na OTAN está sendo mobilizada novamente agora – o coração a está arrastando de volta para o Leste europeu…
POSTADO POR CASTOR FILHO_
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