Archive | julho, 2012

Nelson Mandela, o ícone da liberdade racial e dos direitos sociais, completa 94 anos

19 jul

Um dos maiores mitos da História contemporânea, Nelson Mandela completa 94 anos nesta quarta-feira, 18 de julho, uma data importante na África do Sul. A tão sonhada democracia ainda não trouxe para os negros a igualdade sonhada por Mandela, porque a transformação do país necessariamente tem de ser lenta e gradual, da forma que ele mesmo preconizou. Mas os avanços já obtidos são extraordinários.

A exemplo do indiano Mahatma Ghandi, do Dalai Lama e de outros grandes líderes das lutas sociais, a primeira grande preocupação de Mandela foi justamente evitar a revanche, a vingança, o derramamento de sangue. Não houve “paredón” na África do Sul, a transição se deu de forma pacífica, os negros assumiram o poder e a vida seguiu seu curso.

Herói da luta contra o regime da segregação racial, “Tata” Mandela ou “papai” Mandela, como é chamado com respeito e afeto, tem seu aniversário comemorado não só com múltiplas homenagens, mas também com debates críticos sobre a melhor maneira de prosseguir com sua luta social e seu trabalho de reconciliação do povo sul-africano.

O ex-presidente da África do Sul Nelson Mandela recebe uma visita do ex-presidente americano Bill Clinton em sua casa na cidade sul-africana de Qunu (17/07)
“BEM DE SAÚDE”
As últimas notícias, fornecidas pelo presidente Jacob Zuma, que se encontrou recentemente com ele, afirmam que Mandela encontra-se “bem de saúde”. Mas agora esta data, que significava festas na presença de estrelas ou de dignitários estrangeiros, precisa ser celebrada em família, para preservar Mandela, que em janeiro de 2011 foi hospitalizado por uma infecção respiratória, e em fevereiro precisou se submeter a mais exames.

“Foi um prazer vê-lo, como sempre. Eu estava particularmente feliz por poder felicitá-lo antes de seu próximo aniversário. Também o informei de que, como sempre, todos os sul-africanos esperam o dia 18 para poder desejá-lo um feliz aniversário de todas as maneiras possíveis”, declarou o presidente sul-africano em um comunicado.

Zelda la Grange, que foi secretária particular de Mandela, também já foi visitá-lo e declarou à rádio que o encontrou “em forma” e “mimado por sua família e pela equipe média que o rodeia”. Há um ano, Nelson Mandela vive entre Johannesburgo e Qunu, sua cidade natal, onde se instalou em maio em sua casa reformada.

O primeiro presidente negro da África do Sul, de 1994 a 1999, fez sua última aparição pública em 2010, na Copa do Mundo organizada por seu país. Desde então, as chances de vê-lo estão reservadas aos seus parentes e a jovens talentos que vão se apresentar a ele e receber seus aconselhamentos.

Embora não seja feriado, o dia de seu aniversário é uma data muito especial. Esta quarta-feira, às 8h locais (3h de Brasília), milhares de estudantes cantarão “Happy Birthday Madiba”, o nome de clã tradicional de Nelson Mandela. Uma iniciativa a qual os organizadores esperam somar 20 milhões de vozes.

O Mandela Day é reconhecido desde 2009 pela ONU como um chamado mundial a consagrar 67 minutos de nosso tempo a ajudar os semelhantes, como homenagem aos valores defendidos pelo primeiro presidente negro de seu país. Estes 67 minutos correspondem aos 67 anos que Mandela consagrou ao combate político.

Paz e saúde a Mandela. Que Deus lhe dê vida longa e a nós não desampare, como diz o amigo Ancelmo Gois.

Imigrantes africanos são considerados uma “praga” por organização israelense

15 jul

Grupo pede pela deportação imediata e sem piedade dos “infiltrados”, africanos que moram no país

Deportação agora! Sem piedade e sem demora, todos os infiltrados devem ser tirados de Israel”. Este foi o tom do primeiro evento organizado nesta semana pelo Comitê para Remoção dos Infiltrados, novo grupo de ativistas israelenses contrários à presença de imigrantes e refugiados africanos no país que nomearam de “infiltrados”.
Enquanto celebravam a chegada de 229 novos imigrantes judeus dos Estados Unidos no aeroporto internacional de Tel Aviv, a organização reafirmou seu desejo de manter o critério religioso para a entrada de novos habitantes no país.
“Nós temos que lutar para manter a natureza judaica do estado de Israel”, afirmou o congressista Danny Danon segundo o jornal local Israel National News.
Um dos líderes do movimento e presidente do Comitê de Imigração, Absorção e Diáspora do Parlamento, o político do Likud pediu aos judeus para voltarem ao seu lar (o território palestino).

“Não faz sentido que todos os anos mais estrangeiros da África cheguem à Israel do que judeus imigrantes de todo o mundo”, acrescentou ele.
Outro ativista sustentou que os israelenses têm o direito de expulsar imigrantes indesejados e de escolher com quem querem conviver. “As pessoas esquecem que os direitos humanos não pertencem àqueles que vêm aqui como convidados; os direitos humanos são os direitos de quem vive aqui”, disse o advogado Ronit Cohen-Oren segundo o jornal local Haaretz.
O novo grupo aguarda a chegada de outros 2,5 mil imigrantes judeus a Israel como parte de uma cooperação entre a Agência Judia e o Ministério de Absorção de Imigrantes. No entanto, seu contentamento com a política do governo para os “infiltrados” é outro. Apesar de o governo de Israel ter reforçado sua política contra a imigração de africanos, esses ativistas exigem ainda mais.
Com a nova política, israelenses que empregarem imigrantes ilegais estarão sujeitos a pagar 75 mil shekels (38,6 mil reais), ter seu estabelecimento fechado e até mesmo a cumprir pena de 5 anos. No início do ano, o Parlamento aprovou a lei de Prevenção de Infiltrados, permitindo que as autoridades israelenses detenham imigrantes irregulares, incluindo refugiados e crianças, por três anos ou mais antes de sua deportação. No dia 17 de junho, autoridades israelenses iniciaram a deportação em massa de de sul-sudaneses.

Além disso, desde fevereiro desse ano, Israel está construindo uma cerca em sua fronteira com o Egito na Península do Sinai, onde já entraram cerca de 50 mil africanos desde 2007. Mesmo assim, Shlomo Maslawy, membro do grupo e conselheiro do Likud, afirmou ao Haaretz que centenas de imigrantes continuam entrando no país. Ele disse que a organização pretende realizar mais atividades para trazer novamente o tema à agenda pública, incluindo uma grande manifestação em Jerusalém. Entre as propostas do grupo, existe a de convencer proprietários de não alugarem mais seus imóveis a imigrantes.
Danny Danon também está usando seu cargo de parlamentar para conseguir a aprovação de uma lei que pretende deportar 80% dos “infiltrados” em apenas dois anos. “Os infiltrados são uma praga”, disse ele em maio ao jornal local The Jerusalem Post. “Nós temos que removê-los de Israel antes que seja tarde demais”. Na quinta-feira (12/07), mesmo dia em que o comitê realizou seu evento, a polícia israelense declarou que houve um atentado contra uma casa de imigrantes africanos que atribuiu a grupos racistas. Uma família da Eritréia teve seu apartamento queimado segundo o Huffington Post.
Apesar do crescimento da xenofobia e de organizações que pedem pela deportação dos imigrantes africanos, diversos israelenses se opõe a este posicionamento. Um bom exemplo disso é a ASSAF, organização de apoio aos refugiados em Tel Aviv.

http://operamundi.uol.com.br/conteudo/noticias/23024/imigrantes+africanos+sao+considerados+uma+praga+por+organizacao+israelense.shtml

Brasileiro é eleito melhor professor do ano nos EUA

13 jul



O brasileiro Alexandre Lopes, 43, foi eleito o melhor professor do ano no Estado da Flórida, nos Estados Unidos, por seu trabalho com crianças com necessidades especiais. Lopes dá aulas no pré-primário na cidade de Carol, próximo a Miami. As informações são do jornal Miami Herald.
Lopes venceu o prêmio na noite dessa quinta-feira, 12, em cerimônia realizada em Orlando. Ele recebeu US$ 10 mil e uma viagem para Nova York. De acordo com o jornal, ao receber a premiação o brasileiro declarou que “não havia palavras para descrever o tamanho do amor pela profissão”.
Ele lidera um projeto chamado “Learning Experience: Alternative Program” (A Experiência de Aprender – Programa Alternativo, em tradução livre), conhecido como LEAP. Em seu método, ele utiliza danças e músicas para se comunicar com as crianças. Grande parte de seus alunos são autistas ou não conseguem falar.
Alexandre concorreu com mais de 180 mil professores da Flórida para ganhar o prêmio. Atualmente, o brasileiro faz doutorado em Educação Especial na Universidade Internacional da Flórida.
Noticias.Terra.com.br/educação

Falácia e grosseria: o homeschooling segundo mais dois “especialistas” – Opinião

12 jul

No dia 27 de junho, a educação domiciliar (em inglês, homeschooling) foi assunto de discussão no programa Brasil das Gerais, transmitido pela emissora de televisão estatal Rede Minas (vídeo abaixo). O objetivo – o confesso, ao menos – era “questionar as vantagens e desvantagens” da prática e “se é saudável tirar uma criança ou adolescente da escola regular”. Foram convidados para o programa Ricardo Dias, que educa, há dois anos, os dois filhos em casa e é presidente da Associação Nacional de Educação Domiciliar (ANED); Cleber Nunes, que pratica a educação não-escolar há quase sete anos; o sociólogo Rudá Ricci e a pedagoga Lucíola Santos. Graças à dupla de especialistas, o show se tornou uma exibição lamentável de desonestidade argumentativa e de ignorância dos fatos.

O rol de convidados foi mal pensado. Para o bem do debate, deveriam ter sido convocados estudiosos contrários e outros favoráveis à prática em questão. Longe disso, o que se fez foi chamar dois supostos especialistas que pouco conheciam o assunto, ambos contrários à educação domiciliar, e permitir que atacassem, com artilharia vulgar, a honra e o estado emocional dos pais convidados. Ricci e Santos não se muniram de fatos e pesquisas. Nem se dispuseram a ouvir o que dois dos mais longevos praticantes brasileiros da educação não-escolar (que, juntos, somam oito anos de experiências) tinham a falar. Foi por isso que a dupla interrompeu diversas vezes as falas de Cleber e Ricardo, e não esperou (nem a apresentadora, em alguns momentos) que concluíssem seus argumentos e relatos. Não foram honestos, não seguiram as regras da boa argumentação. Pelo contrário, eles se armaram com peças de acusação direcionadas às pessoas dos pais – não só daqueles que ali estavam, no estúdio, mas de todos os que adotam, responsável e corajosamente, um tipo de educação ainda incipiente no Brasil.

Analiso, a seguir, selecionando algumas passagens, de que modo Rudá Ricci e Lucíola Santos defenderam suas opiniões, como havia pouco de ciência e de bom senso argumentativo no seu discurso. Abaixo, as falácias cometidas por ambos são destacadas em itálico.

Rudá Ricci iniciou sua participação no debate – aos 13:56 do vídeo – interrompendo Cleber Nunes. Cleber, perguntado sobre os processos judiciais sofridos por sua família, dizia que ele mesmo e sua esposa foram condenados, cível e criminalmente, por abandono intelectual, após seus filhos serem aprovados em vestibular de direito (em 2007, quando eles tinham 13 e 14 anos) e em prova da Secretaria de Educação de Minas Gerais imposta pelo juiz da vara criminal (em 2008). Acertadamente, ele concluiu: “Percebi que o interesse não estava na educação deles, mas que o interesse da Justiça era tão-somente que eles estivessem na escola.”

Depois de ouvir isso, Ricci desfia seu contra-argumento. Confusamente, o sociólogo compara (com falsa analogia) o direito de educar com o (inexistente, segundo ele) direito ao suicídio: “O Estado não defende só a pessoa: defende a sociedade, os direitos.” Para Ricci, que discorda de que as pessoas sejam donas de seus corpos, um sujeito é incapaz de matar-se sem pôr outros em risco. Mas o que é que isso tem a ver com educar fora de escolas? É que essa prática também seria um risco coletivo: “É o fim da democracia, da vida social.” Por quê? Cleber, Ricardo e TODOS os que educam em casa, garante Ricci, estão “trazendo uma cultura do egoísmo e do individualismo extremo” (falácia da omissão, ataque à pessoa e conclusão irrelevante). Fatos? Pesquisas?³ Nada. Será que a vida social e a democracia inexistem ou sofreram duro golpe nos Estados Unidos, onde a prática é comum há mais de três décadas e, hoje, há mais de 2 milhões de crianças e adolescentes educados em casa?¹
Testemunhamos, com o passar do programa, um Rudá Ricci cada vez mais desleal em seus argumentos. Recorrendo mais uma vez à falsa analogia e atacando a pessoa dos convidados, Ricci compara pais praticantes da educação em casa com políticos e marketeiros (14:55, parte 1). Em comum, alega, eles deixariam “tirar foto do aluno pra fazer propaganda do curso”, o que iria “causar um dano imenso [ao aluno]”. A acusação, sabemos, é irrelevante para verificar vantagens ou não da educação em casa. E não há, é óbvio, nenhuma evidência de que tal “exposição” (fantasiosa!) causasse danos aos estudantes domiciliares.

Ricci tentou, desde o início, construir um espantalho para ter em quem bater. O pai que educa em casa não está, necessariamente, “dando aulas” domiciliarmente. Há quem adote, por exemplo, métodos como os comumente chamados aprendizagem natural e auto-aprendizagem (citados por Ricardo, a partir dos 8:22 do primeiro bloco) e que não acreditam que os filhos precisem ser “ensinados”. Mas Ricci afirma exatamente o contrário (falácia da omissão, a partir dos 14:33), certo de que os pais precisam ser “técnicos” para ter sucesso educando em casa. Cleber não sustentou, em momento algum do programa, nem que o testemunho de seus filhos em audiências públicas, nem que avaliações formais sejam, para ele, evidência de que a educação em casa é tecnicamente “boa”. Mas Ricci, de novo, inventa um fato e atribui a Cleber um argumento que lhe é estranho (a partir dos 15:09).

A professora Lucíola Santos, chamada a participar do debate aos 18:58 de programa, articulou de modo mais claro os seus argumentos, o que tornou mais evidente as deficiências deles. Lembremos, antes, mais uma vez, que o objetivo do programa é discutir as “vantagens e desvantagens da educação domiciliar”. Pois bem. Vejamos os argumentos de Santos: (1) Os pais que educam em casa apontam defeitos na escola, mas não se mobilizam para melhorá-la. Isso se dá (assim entendi) porque eles não acreditam no Estado; (2) Os pais que educam em casa (supus que houve generalização) “tem alguma espécie de posição político-religiosa que os mobiliza a não querer que seus filhos convivam com pessoas diferentes”. Isso levaria a “processos de fundamentalismo, em guetos, em situações inviáveis do ponto de vista social”; (3) Os pais não tem competência, nem tempo, nem condições para ensinar todos os conteúdos escolares às crianças até a idade de 17 anos; (4) Se a legislação permitir que pais eduquem em casa, haverá caos – porque “muitos pais podem fazer bem, outros, não” – e injustiça – “porque os pais não são os donos das crianças.”

O primeiro argumento é mais um ataque à pessoa despropositado. O que o fato de alguns pais (e não todos!) não “acreditarem no Estado” como agente de educação nos diz da eficácia ou ineficácia do ensino domiciliar, das suas vantagens ou desvantagens? O segundo, mais um ataque à pessoa, também não nos revela nada da questão em debate! A debatedora não cita nenhum fato que corrobore a afirmação de que pais que tiram seus filhos da escola evitam a convivência deles com “pessoas diferentes”. O terceiro argumento torna constrangedoramente manifesta a ignorância de Lucíola Santos sobre o assunto. A educação domiciliar, já dissemos, não é, necessariamente, educação curricular, conteudista, programática. Considerando este fato, a suspeita em relação a “competências, tempo e condições” é, toda ela, vaga e completamente alheia à ciência.

O quarto argumento de Santos tampouco se sustenta em fatos. Ela prevê uma situação de “caos” porque “muitos” pais podem “fazer bem” à educação domiciliar e outros pais, não. Ora, os pais que educam em casa não defendem que a prática seja imposta sobre outras famílias. Aliás, suponho que a professora ainda não conhece o caso do Texas, estado americano que conta, segundo o Texas Home School Coalition, com cerca de 120 mil famílias educando (não caoticamente) em casa, e onde os pais não precisam ter nem certificado de professor para fazê-lo? Recomendo-lhe o site da organização: http://www.thsc.org. No mais, Santos, que não definiu o que seria “fazer bem” a educação domiciliar (o que impossibilita o debate sobre o termo), garantiu, citando o Estatuto da Criança e do Adolescente, que os pais não são “os donos” dos filhos², sem dizer bem em que isso é relevante para conhecermos “as vantagens e desvantagens da educação domiciliar”.

O nível do debate no restante do programa, acredite, leitor, foi pior – e não merece que nos detenhamos muito nele. Um desfile de ataques pessoais (uma cena especialmente desconfortável tem começo aos 17:12), de apelos emocionais (aos 15:13), apelo à autoridade (a partir dos 7:13 e dos 7:33), apelo à maioria (a partir de 15:48)… E por aí vai.

Encerro o texto dirigindo-me a Rudá Ricci e aos acadêmicos que, como ele e Lucíola Santos, opinam sobre a educação domiciliar, sem antes pesquisarem devidamente o assunto. Na segunda parte do programa, Ricci vaticina que “shopping curriculares” como os que teriam sido feitos pela família de Gilmar e Vânia Lúcia Carvalho (apresentada no início do segundo bloco) são um “erro estrondoso que nós só vamos ver dali a pouco, quando tiver 25, 30 anos…”. Ricardo Dias alegou que “as pesquisas de hoje mostram o contrário”, mas não conseguiu, na hora, citar nenhuma. Então, Ricci, respondeu-lhe (7:50): “Não sei que pesquisas, porque eu sou pesquisador da área… Você há de convir: fui professor de mestrado e de doutorado da educação, eu conheço a literatura. Não existe pesquisa que diga isso que você tá dizendo… Não existe. É definitivo isso.”

As pesquisas existem. A seguir, cito dez delas que tem por objeto a socialização e as realizações acadêmicas de crianças e adolescentes educados em casa. Recomendo todas para os interessados na matéria. Bom proveito!

1. Delahooke, Mona. (1986). Home Educated Children’s Social, Emotional Adjustment and Academic Achievements:A Comparative Study. Unpublished doctoral dissertation. Los Angeles, CA: California School of Professional Psychology.
2. Knowles, J. Gary (1991). Now We Are Adults: Attitudes,Beliefs, and Status of Adults Who Were Home-educated as Children. Paper presented at the annual meeting of the American Educational Research Association, Chicago, April 3-7.
3. Medlin, Richard G. (2000). Home schooling and the question of socialization. Peabody Journal of Education, 75(1 & 2), 107-123.
4. Ray, Brian D. (2010, Frebuary 3). Academic Achievement and Demographic Traits of Homeschool Students: A Nationwide Study. Academic Leadership Journal, 8(1).
5. Ray, Brian D. (2003). Homeschooling Grows Up. National Home Education Research Institue: Salem, Oregon.
6. Rudner, Lawrence M. (1999). Scholastic achievement and demographic characteristics of home school students in 1998. Educational Policy Analysis Archives, 7(8).
7. Shyers, Larry E. (1992). A comparison of social adjustment between home and traditionally schooled students. Home School Researcher, 8(3), 1-8.
8. McDowell, Susan. (2004). But What About Socialization? Answering the Perpetual Home Schooling Question: A Review of the Literature. Philodeus Press.
9. Taylor, John Wesley. (1986 May). Self-Concept in Home Schooling Children. Doctoral dissertation, Andrews. University, Michigan.
10. Van Pelt, D.A., Allison, P.A. and Allison, D.A. (2009). Fifteen Years Later: Home Educated Canadian Adults. London, ON: Canadian Centre for Home Education (Monograph).

NOTAS:
¹ Brian D. Ray. (2011). 2.04 Million Homeschool Students in the United States in 2010. National Home Education Research Institute.
² Esse argumento, que já chegou nas altas esferas da Justiça brasileira, não é novo. Em 2001, o ex-ministro do STJ Francisco Peçanha Martins, então relator do caso da família Vilhena Coelho (que defendia o direito de educar em casa os seus três filhos mais velhos), arguiu que “os filhos não são dos pais”. A família teve o direito negado por seis votos a dois.
³ Duas pesquisas recentes (Ray, 2003; Van Pelt, Allison & Allison, 2009) verificaram o engajamento social de adultos que foram educados em casa nos Estados Unidos e no Canadá. Os resultados: comparados com seus pares não educados domiciliarmente, eles se mostraram mais frequentes em grupos de atividades e organizações comunitárias, e mais participativos nas eleições em seus países.

André de Holanda é graduando em Sociologia na Universidade de Brasília. Atualmente, prepara trabalho de conclusão de curso sobre a prática da educação domiciliar no Brasil.
No Mundo e no Livros

 

Vampiros

8 jul
Tá, já sei – você está de saco cheio de vampiros, certo? A ‘saga’ Crepúsculo acabou com todo e qualquer tesão que você tinha pelos morto-vivos dentuços e você preferiria uma estaca no coração a ler mais um artigo chato sobre eles. Mas o que você talvez não saiba é que todas as séries de vampiremos tragiromânticos que estão surgindo ultimamente são apenas o resultado de uma transformação constante em nossa sociedade. Vampiros são seres mitológicos, e mitos não são meras histórias – são alegorias, e a maneira como a ficção trata os vampiros revela como a sociedade que produziu aquela ficção trata aquilo que os vampiros realmente representam.
Não, não é sexo. Se você acha que vampiros representam sexo, você provavelmente está pensando demais em sexo, e eu sugiro que você vá encontrar um dos órgãos sexuais de sua preferência e aplique-o a seus orifícios ou protuberâncias anatômicas, conforme necessário. Ah, sim, claro, como Drácula pode não ser sobre sexo? O grande predador, que pega nossas mulheres e as transforma em viciadas como eles, etc. Sim, Drácula é sobre sexo, provavelmente porque Bram Stoker também estava precisando aplicar um órgão sexual a seus orifícios e protuberâncias, mas não conseguia porque Lord Byron tinha todos os órgãos sexuais da Inglaterra vitoriana com ele. Drácula fez vampiros serem sobre sexo – mas não é isso que eles realmente representam.
Não. Os vampiros são os ricos. Muito antes de Karl Marx crescer a sua barba contos medievais já eram alegorias para a luta de classes.
Vamos começar do começo. Os registros mais antigos de alguma coisa que pode ser talvez chamado de vampiro datam da Idade Média. Como naquela época não existia copyright esses registros eram muito díspares, mas vamos pensar no vampiro clássico, já que ele é a forma do mito que sobreviveu. O que representa o vampiro para o aldeão medieval carregador de merda? Ele sai à noite, porque ao contrário do aldeão, que trabalha o dia todo e dorme assim que o sol se põe, o vampiro não trabalha. Na verdade, o vampiro odeia tanto trabalhar que se ele não está na cama quando é hora do trabalho, ele morre! Mas apesar disso, o vampiro vive e vive bem, porque ele suga o sange dos habitantes. Uma alegoria óbvia até demais para um aldeão que tinha que pagar todas aquelas taxas com nomes malucos que a gente aprendeu na escola, como talha, corveia, banalidade e mão-morta, e que talvez tivesse que passar fome para dar o trigo para seu senhor fazer um canapé. Como resistir a essas criaturas? Ora, através da fé! O bom aldeão vai para o céu, mesmo que ele não saiba nada sobre religião porque as missas são todas em latim; quando o vampiro se confronta com os artefatos da fé, ele não tem escolha senão fugir, e o aldeão sobreviverá para morrer de fome, tifo ou diarreia crônica.
Certo, então não é tanto uma luta de classes quanto um massacre de classes. O vampiro medieval é um bicho papão: mortal, insidioso, raramente visto, mas cuja influência é sempre sentida. A Revolução Francesa ainda não havia começado, como seu pode lutar contra eles?
O próximo passo do mundo dos vampiros seria o já mencionado Stoker, que, sim, inventou a metafóra de vampirismo em sexualidade de uma maneira que somente um inglês do século XIX conseguiria fazer. Mas se a metáfora fosse apenas sexualidade, o vampiro poderia ser apenas um estudante tarado francês que estaria fadado a ser eventualmente intepretado por Johnny Depp. Por que o vampiro tem que ser um conde da Fimdomundânia? Existem muitas explicações aí, tais como o fato de que Drácula era um dos ‘romances de invasão’ que eram comuns na época e satisfaziam mais ou menos o mesmo nicho que Call of Duty atende para os EUA de hoje, mas eu vou ignorar essas outras explicações e encontrar uma que apoia minha tese, porque é assim que a CIÊNCIA funciona.
Sendo o berço da revolução industrial, a Inglaterra foi o primeiro lugar em que surgiu uma classe social que estava entre os aristocratas decadentes e os peões comedores de terra – uma espécie de classe média, ha ha ha. Ao se tornar um dono de fábrica, ou entrar em qualquer fase do sistema de produção de badulaques manufaturados em massa, o inglês pôde utilizar a tecnologia para se tornar mais rico, ao invés de ter que depender na maneira mais tradicional até então de torcer para que a sua mãe fosse a mulher de um barão. Como esta nova classe burguesa se considerava como merecedora de sua riqueza – pois havia trabalhado por ela – ela antagonizava com a ideia da riqueza hereditária e dos títulos nobiliárquicos, que claro, ainda existiam na Inglaterra, mas provavelmente eram ainda mais marcantes nos rincões mais afastados da Europa, aonde a Revolução Industrial ainda não havia chegado. No final do romance, nossos bravos protagonistas se utilizam de trens e navios a vapor – tecnologia de ponta da época – para interceptar o maligno conde antes que ele possa voltar para seu antiquado castelo transilvano, finalmente conseguindo capturá-lo enquanto ele viajava em uma carruagem. Não sei se você considera isso uma metáfora sexual, mas eu normalmente não uso trens e navios a vapor na privacidade do quarto. A estaca no coração do Drácula representa o fim do domínio dos aristocratas jurássicos sobre o poder econômico, que passa para jovens procuradores que sabem usar o mundo moderno para aumentar suas fortunas.
Ainda assim, o romance de Stoker marcou as pegadas que todo o resto do mundo seguiu, com ênfase na teoria do Vampiro Sexual, que também é o nome da minha banda cover do Cabaret Voltaire. Como nos próximos anos a cultura mundial iria dançar a música dos Estados Unidos, e os Estados Unidos são um país fundado por pessoas que achavam que a religião opressiva onde eles moravam não era opressiva o suficiente, essa associação forçou os vampiros a se esconderem no gueto das noveletas de segunda categoria. E como nesses livros subtexto é nota de rodapé e simbolismo sexual é a plaquinha do banheiro, os vampiros passaram a representar o sexo através do sexo mesmo, enquanto que a metáfora socioeconômica desaparecia em uma sociedade calvinista que não queria insultar os pobre mega-ricos. Assim os vampiros metafóricos de Wall Street continuaram esperando que essa bobagem de sindicato perdesse a graça e se acabasse enquanto que os vampiros literais se reduziram a meros remakes de Stoker.
Blade, o personagem da Marvel, foi o primeiro ômen do retorno dos vampiros a seu simbolismo. Pareceria normal que as histórias de quadrinhos resgatassem isso, já que a metáfora sexual estava proibida pelo Comics Code Authority, mas eles pareciam pouco interessados em explorar as outras metáforas deste mito, talvez porque eles passaram a maior parte dos anos sessenta tentando chamar a atenção do público com o Super-Homem usando um chapéu estranho e perguntando por que o Super-Homem estaria usando um chapéu tão estranho. Nas histórias em quadrinhos, os vampiros apareciam completamente despidos de qualquer simbolismo e eram apenas mais um homem malvado voador de capa pro Homem-Aranha dar um soco, então talvez Blade, o vampiro bonzinho, seja apenas mais uma variação de cara superpoderoso com capa. Mas a ressurreição do vampiro estava por vir.
Graças a um processo misterioso e desconhecido chamado anos noventa, os vilões se tornavam anti-herois e os vampiros se aproveitaram disso em shows como Angel e Tru Blood. Angel, inclusive, é o ponto máximo do vampiro arrependido como bilionário filantropo: ele surge como um vilão, lentamente se revela como um campeão do bem, e até aceita trabalhar para uma companhia malvada em troca dos seus recursos! (Vejam crianças, não são os pobres ricaços que demitem milhares de pessoas em troca de uma economia de doze centavos por mês, são as companhias sem coração em que eles trabalham.) Enquanto isso acontecia, Bill Gates abandonava a Microsoft para ir salvar a África, Bono fazia a mesma coisa enquanto parava pra retocar a maquiagem, Steve Jobs virava o santo patrono das maçãs e dos hipsters, e todo mundo fica olhando Donald Trump e Roberto Justus despedirem panacas bem vestidos por não serem panacas e/ou bem vestidos o suficiente. O mundo de repente ama os ricos; estamos resignados com o fato de que eles existem e apenas esperamos que eles cumpram a noblesse oblige e façam o mundo melhor através de seus misteriosos caminhos de gente rica, ou se não fizerem que pelo menos apareçam em um reality show ou morram durante uma sessão de asfixia autoerótica pra gente ter sobre o que conversar no dia seguinte. É alguma surpresa que o pálido Edward Cullen tenha surgido nessa situação? Todo mundo já ama vampiros/ricaços; Crepúsculo meramente leva esse amor às vias de fato.
Ou pelo menos era assim, até pouco tempo. Porque hoje, ainda há pessoas nas ruas protestando contra o que elas chamam de um porcento. Contra o sistema que deixa os ricos mais ricos. Contra o poder que flui do dinheiro. Vampiros possuem o poder da sedução sobrenatural, mas mesmo esses poderes tem seus limites: o povo está cansado de ter o seu sangue sugado, e com tochas e forcados segue ao castelo do Drácula. E em breve, isso se reflitirá na cultura. Prepare-se para o fim do Blade e do Angel, para os vampiros retornando a seu papel original de velhos homens pálidos se reunindo em cabalas sombrias e usando seus inescrutáveis poderes para controlar todos os aspectos de nossas vidas, porque no fim das contas a arte imita a vida. E quando alguém disser que esse retorno dos vampiros ocorreu porque os fãs dos vampiros verdadeiros estavam cansados dos vampiros cobertos de glitter de Crepúsculo – bom, não estará completamente errado.
LUANA MCCAIN é escritora e graduanda em Letras. Tem cerca de 11 originais voltados à literatura fantástica e ao terror. Em 2010, lançou o livro O Enigma do Guarda Roupa, o primeiro livro da série Horror.

Google tem a receita para a tirania na internet

6 jul

Este é o outro lado da história do Google”. A frase inicial do livro de Scott Cleland, “Busque e Destrua – Por que você não pode confiar no Google”, aliada à imagem cômica da capa (um tiranossauro vestido em pele de cordeiro), define bem a missão do autor americano. Ele quer mostrar que a gigante de internet, apesar de se dizer ética e “do bem”, utiliza práticas de negócios escusas e faz seus usuários de bobos ao lidar com suas informações privadas.

“O Google é uma das empresas mais poderosas do mundo. Milhares e milhares de pessoas usam seus serviços; mas toda a história tem dois lados”, alerta Cleland. Segundo o autor, o Google se apresenta como uma empresa ética, enquanto o que faz é “desrespeitar a privacidade das pessoas, a propriedade intelectual e as leis dos países” há dez anos – e sem freios.

“Ninguém é perfeito, nenhuma companhia é perfeita. Mas os problemas do Google são consistentes e vem se desenrolando ao longo de dez anos. O que dizer de uma empresa que usa como símbolo Stan [não-oficial], um Tiranossauro Rex? O que ela quer inspirar em seus funcionários?”, questiona.

OUTRO LADO:

Google admite não ter política de privacidade perfeita, mas diz ser transparente
Cleland defende que o Google não é confiável porque não deixa claro aos seus usuários que destino dá aos dados privados colhidos toda vez que eles se inscrevem em algum de seus serviços online. “Eles dizem que não fariam nada que não fosse do interesse dos usuários, enquanto cedem todos dados a anunciantes. A empresa diz uma coisa e faz outra”, destaca o autor. O Google detém, conforme dados citados por Cleland, quase metade de toda a publicidade online mundial.

Googlepólio
Além do problema no tratamento dos dados coletados dos usuários, Cleland chama a atenção para o “Googlepólio”, monopólio da empresa sobre o mercado de buscas mundial – 82% das buscas em computadores e 92% das feitas em dispositivos móveis são pelo Google.

Ajustes após mudanças no Google resguardam sua privacidade; saiba como fazer

O que mudou
Você tinha uma conta no YouTube, outra no Gmail, outra no Picasa, outra no Google+… e por aí vai, não é? Cada um deles tinha configurações de privacidade diferentes e isso impedia o Google de usar informações de um serviço em outros, então a solução da empresa foi unificar tudo (seus 60 produtos) em uma única política de privacidade. As informações coletadas são as mesmas que antes da mudança; mas agora elas são compartilhadas em todos os serviços Google Mais Reprodução
“A quantidade de informações coletadas é inimaginável. São 5 petabytes de informação coletada a cada dois dias. Isso é a quantidade total de informação online que foi criada durante todo o ano de 2000”, explica o autor, ressaltando o “imenso poder” que o Google possui ao armazenar e organizar todos esses dados, em lugares e de formas que desconhecemos. O pior é que a maioria das pessoas desconhece tais práticas, acham que as buscas são privadas. “Nasce um idiota a cada minuto, isso está no código do Google”, ironiza.

O Brasil deveria estar alerta a esse “monopólio”, já questionado em países como Estados Unidos, Inglaterra, Índia, Coreia do Sul e Argentina. “É a receita para a tirania, eles vão se tornar os ditadores da internet. Não acredito que nenhum país gostaria de ter só uma fonte de informação”, citando o exemplo do Brasil, onde o buscador detém 92% do mercado. “É o Google organizando a cultura brasileira. E de uma única forma”.

A empresa também é um caso extremo de “conflito de interesses”. Enquanto mostram resultados para buscas, o Google posiciona melhor seus próprios serviços, impedindo a livre concorrência, diz o autor americano. Desde 2008, o governo americano aplicou ao menos cinco sanções antitruste à companhia por essa e outras práticas desleais.

Questionado se esse não seria um comportamento já “comum” entre empresas de tecnologia, Cleland disse que, apesar de companhias como Microsoft, Apple e Facebook também terem seus problemas, elas “nem de longe” se comparam ao Google, um caso “crônico”.

E quem pode salvar as pessoas de todo esse mal praticado pela gigante de internet? Segundo Cleland, os próprios usuários deveriam estar atentos à maneira como a empresa lida com seus negócios. Mas além deles, os governos também deviam atuar, porém até o momento têm falhado em impor limites às práticas do Google.

Cleland, ex-assessor adjunto do Departamento de Estado dos EUA para Políticas de Informações e Comunicação, esteve em São Paulo para o lançamento do livro em português. É um dos maiores críticos do Google — já testemunhou três vezes no Congresso americano contra a empresa. Ele conta que decidiu escrever esse “outro lado” da história ao ver vários títulos sobre o Google falando de como a empresa revolucionou o mercado de internet, sem abordar a questão do “monstro imenso” em que a companhia se transformou.

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