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A Marcha dos Hipócritas.Por Leandro Fortes

27 out

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Primeiro, vamos combinar uma coisa: se você votou em Aécio Neves, nas eleições passadas, você não está preocupado com corrupção.

Você nem liga para isso, admita.

Aécio usou dinheiro público para construir um aeroporto nas terras da família dele e deu a chave do lugar, um patrimônio estadual, para um tio.

Aécio garantiu o repasse de dinheiro público do estado de Minas Gerais, cerca de 1,2 milhão reais, a três rádios e um jornal ligados à família dele.

Isso é corrupção.

Então, você que votou em Aécio, pare com essa hipocrisia de que foi às ruas se manifestar porque não aguenta mais corrupção.

É mentira.

Você foi à rua porque, derrotado nas eleições passadas, viu, outra vez, naufragar o modelo de país que 12 anos de governos do PT viraram de cabeça para baixo.

Você foi para a rua porque, classe média remediada, precisa absorver com volúpia o discurso das classes dominantes e, assim, ser aceito por elas.

Você foi para a rua porque você odeia cotas raciais, e não apenas porque elas modificaram a estrutura de entrada no ensino superior ou no serviço público.

Você odeia as cotas raciais porque elas expõem o seu racismo, esse que você só esconde porque tem medo de ser execrado em público ou nas redes sociais. Ou preso.

Você foi para a rua porque, apesar de viver e comer bem, é um analfabeto político nutrido à base de uma ração de ódio, intolerância e veneno editorial administrada por grupos de comunicação que contam com você para se perpetuar como oligopólios.

Foram eles, esses meios de comunicação, emprenhados de dinheiro público desde sempre, que encheram a sua alma de veneno, que tocaram você como gado para a rua, com direito a banda de música e selfies com atores e atrizes de corpo sarado e cabecinha miúda.

Não tem nada a ver com corrupção. Admita. Você nunca deu a mínima para corrupção.

Você votou em Fernando Collor, no PFL, no DEM, no PP, em Maluf, em deputados fisiológicos, em senadores vis, em governadores idem.

Você votou no PSDB a vida toda, mesmo sabendo que Fernando Henrique comprou a reeleição para, então, vender o patrimônio do país a preço de banana.

Ainda assim, você foi para a rua bradar contra a corrupção.

E, para isso, você nem ligou de estar, ombro a ombro, com dementes que defendem o golpe militar, a homofobia, o racismo, a violência contra crianças e animais.

Você foi para a rua com fascistas, nazistas e sociopatas das mais diversas cepas.

Você se lambuzou com eles porque quis, porque não suporta mais as cotas, as bolsas, a mistura social, os pobres nos aeroportos, os negros nas faculdades, as mulheres de cabeça erguida, os gays como pais naturais.

Você odeia esse mundo laico, plural, multigênero, democraticamente caótico, onde a gente invisível passou a ser vista – e vista como gente.

Você foi não foi para a rua pedir nada.

Você só foi fingir que odeia a corrupção para esconder o óbvio.

De que você foi para a rua porque, no fundo, você só sabe odiar.

.oOo.

Leandro Fortes é jornalista.

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SACRIFICARAM O BANESTADO PARA ESCONDER A GRANDE CORRUPÇÃO DO GOVERNO FHC.

19 out

 

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Por Serginho Athayde

É preciso ter coragem para noticiar a verdadeira história da privatização do BANESTADO. O banco oficial estadual era um dos mais enxutos financeiramente do país, com um quadro profissional reconhecido nacionalmente, como um dos mais capazes do sistema financeiro oficial, tanto é verdade, que vinham de todos os cantos do Brasil, funcionários de outros bancos oficiais para serem treinados em nosso RH.

Eram tempos da quadrilha de FHC, o Brasil enfrentava uma grande crise econômica, e interessava aos tucanos privatizar todos os bancos oficiais, principalmente o BANESTADO, para esconder a grande negociata de evasão de divisas conhecida como Privataria Tucana. Nesse contexto de crise econômica e privatização levaram o BANESTADO a uma profunda crise. O BANESTADO era a joia cobiçada da farra das privatizações dos bancos oficiais, processo iniciado no governo da quadrilha FHC, que terminará no atual governo da quadrilha Temer, com a privatização do BANRISUL, e dos bancos federais CAIXA e BB.

A privatização do BANESTADO levou para os cofres públicos do governo do Paraná, só do PROES (Programa de Incentivo a Redução do Setor Público Estadual na Atividade Bancária) mais de 6 bilhões, e mais o valor que o Banco Itaú S.A pagou pela “compra”, que ao certo ninguém sabe quanto foi, mas que enriqueceu vários parlamentares e figuras importantes do governo Lerner e da República.

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O que também não se revelou, é que as dívidas do governo Lerner com os servidores públicos, foram jogadas para o BANESTADO, era a estratégia desse governo, jogar todas as suas dívidas na conta do banco, para que o governo federal pagasse, tinham que enxugar financeiramente o banco, para “vende-lo”. É uma falácia escandalosa apontar o BANESTADO como culpado das dívidas não pagas pelo governo Lerner ao funcionalismo e a outros credores.

A falta de notícias do PIG em relação as negociatas do governo FHC, escondia a necessidade imperiosa de privatizar o BANESTADO, para não trazer a público a negociata da evasão de divisas e de seus documentos, ou seja, do bilionário valor pago em propinas aos tucanos pelos compradores das empresas privatizadas, a fantástica e escandalosa Privataria Tucana, ou seja, a lavagem do dinheiro mandado para o exterior pelas agências do BANESTADO de Nova Iorque, Foz do Iguaçu e outras, valores que chegaram, conforme a CPMI do BANESTADO, a R$ 150 bilhões em dezembro de 2004, que transformaram o banco num das maiores empresas de lavagem de dinheiro ilegal do país, ou quem sabe do mundo.

A mega corrupção precisava ser escondida a qualquer custo, a estratégia era a de quebrar o BANESTADO com uma má gestão proposital, colocar nas contas de sua responsabilidade todas as dívidas do governo Lerner, para ganhar a participação do governador, e mais, impedir a possibilidade da denúncia dos ladrões tucanos. Para que isso acontecesse, era necessário que o BANESTADO fosse rapidamente “vendido”, e os papéis da mega negociata, as provas, sumissem, não se importando com o funcionalismo de carreia e concursado do banco, que a partir da sua privatização iriam amargar a tragédia das demissões, e passar a viver no próprio inferno.

O governo Lerner ganhou muito dinheiro de FHC para pagar as dívidas do seu governo, estrategicamente já tinha jogado todas para a conta do BANESTADO, e o Itaú ficou com a joia cobiçada pelo sistema financeiro privado nacional. O banco foi “vendido”, acreditem, “vender” um banco de massas, 550.000 clientes naquela época, com uma forte inserção na economia do Paraná, amado pelos paranaenses e seu funcionalismo, e com uma fundação de previdência dos funcionários, com um ativo fabuloso na época, que hoje está em mais 5 bilhões de reais.

Em Brasília, criaram uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito. “A CPI do Banestado foi uma das mais conturbadas investigações parlamentares já realizadas pelo Congresso Nacional. Ela só foi criada após a repercussão negativa do caso. O relator da CPI mista sugeriu o indiciamento de 91 pessoas, entre elas o ex-presidente do Banco Central, Gustavo Franco, o ex-prefeito de São Paulo, Celso Pitta e o dono das Casas Bahia (maior rede varejista do Brasil), Samuel Klein. Todos foram acusados de participar de um mega esquema de evasão de divisas, envio irregular de dinheiro a paraísos fiscais através de contas CC5, que pode ter chegado a R$ 150 bilhões. ”

O Caso BANESTADO foi um mega crime de corrupção. “O ex-presidente do BC do governo FHC, Gustavo Franco, de acordo com o relator, foi o responsável pela evasão de mais de R$ 30 bilhões entre os anos de 1996 e 2002, já que teria criado os mecanismos que permitiram o envio de dinheiro para contas no exterior. Desde o início das investigações havia a presunção de que mais de 130 políticos estavam envolvidos no esquema, além de empresários e pessoas ligadas ao tráfico de drogas, de armas e de mulheres. Se a remessa ilegal de R$ 150 bilhões ocorreu entre 1996 e 2002 só nos resta associar esses valores à chamada Privataria Tucana – tão bem descrita no livro do jornalista Amaury Ribeiro Jr.”

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No Paraná foi aberta uma CPI na Assembleia Legislativa do estado, que o deputado estadual Neivo Beraldin presidiu, a negociata da Privataria Tucana em momento algum foi denunciada, se limitando à análise das operações registradas como CDL (Créditos em Difícil Liquidação) ou CL (Créditos em Liquidação), na verdade uma farra para os grandes, médios e pequenos empresários paranaenses da agricultura e da indústria não pagarem suas dívidas com o banco. Uma omissão que escondia a negociata do governo Lerner com o empresariado paranaense, que deve ter sido regiamente recompensada.

Diante desta negociata criminosa de evasão de divisas, o que fez o MPF? Abriu também uma investigação, que chegou ao fim sem denunciar ou penalizar os responsáveis, transformando-se numa farsa judiciária, para muitos. A surpresa é que as investigações eram comandadas pelo justiceiro Moro e atuavam também no caso os procuradores Dallagnol e Carlos Fernando, o Boquinha. Até Youssef foi o principal doleiro do caso, fez delação premiada, foi preso, depois solto, e continuou na corrupção. Pasmem, até Cunha participou da farra.

É de se perguntar se algum tucano foi denunciado? Não! Tem alguém condenado ou preso? Não! O Caso BANESTADO foi engavetado. Espero que neste dia 17 de outubro, data da privatização do banco, os ex-funcionários em suas manifestações exijam a reabertura do Caso BANESTADO, com base nos documentos e provas apresentadas no livro “Privataria Tucana”, tão bem descritas pelo jornalista Amaury Ribeiro Jr”, a ser solicitado no Senado pelos Senadores Gleisi e Requião.

Serginho Athayde
Ex-gerente administrativo da agência especial Assembleia-Rio, aposentado, preso político, teve a anistia reconhecida pelo BANESTADO na gestão do presidente deputado federal-constituinte Norton Macedo, pelo governo Requião, e reconduzido ao seu cargo de gerência por ocasião da sua aposentadoria.

Millenium e o neoliberalismo golpista

21 ago

O Millenium chegou para tentar sustentar teoricamente a luta dos que ainda defendem o neoliberalismo à brasileira.

Não lembra o IPES e o IBAD por acaso.

O Millenium acompanha uma tradição golpista existente no Brasil, tradição da nossa velha mídia inclusive. Não aceita, não engole um governo que, pela via democrática, e com parâmetros distintos do neoliberalismo, esteve mudando o Brasil.
Não se iludam…Faria de tudo para derrotar esse projeto.

Ele tem a orientação de homens, como: Alexandre Schwartsman, Armínio Fraga, Gustavo Franco, Ives Gandra, João Roberto Marinho, Jorge Gerdau Johannpeter, Ricardo Diniz, entre vários outros.

O gestor do Fundo Patrimonial é ninguém menos que Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central no segundo mandato de Fernando Henrique Cardoso, mas ao seu lado está Henrique Meirelles. Sim, ele mesmo.


Entre os “membros convidados”: Ali Kamel, André Franco Montoro Filho, Carlos Alberto Di Franco, Carlos Alberto Sardenberg, Cláudia Costin, ,Eugênio Bucci, Demétrio Magnoli, Denis Rosenfield, Guilherme Fiuza, Gustavo Franco, José Padilha, José Roberto Guzzo, Mailson da Nóbrega, Marcos Cintra, Merval Pereira, Nelson Motta,Paulo Brossard, Pedro Malan. Especialistas colaboradores:Arnaldo Niskier, Bolivar Lamounier, Hélio Beltrão, Jose Neumanne Pino, José Álvaro Moisés, Leôncio Martins Rodrigues, Roberto Da Matta, Rodrigo Consrtantiino, Rolf Kuntz, Salomon Schwartzman.

Com notória competência, o sistema financeiro e os empresários souberam agir de forma coordenada, assumindo o controle absoluto dos meios de comunicação, de pressão e de exercício do lobby. Controlam o Poder Executivo, o Congresso Nacional e o Poder Judiciário, assentados nas poltronas confortáveis do Supremo Tribunal Federal. Manipulam o Tribunal Superior Eleitoral, com a figura lastimável de Gilmar Mendes e transformaram o Tribunal de Contas da União em câmara de uma Santa Inquisição.

Vou revelar meu segredo de tranquilidade.Por Míriam Márcia Morais

12 maio

http://www.pt.org.br/wp-content/uploads/2014/10/

Vi Cardozo enquanto ministro fazer baixar a PF na casa dos golpistas graúdos e pegar os computadores, o que a gente sabe o que significa.

Vi o aeroporto de Aécio ser colocado nas telas de TV, na cara de todo mundo, e vi ele continuar em paz com seu aeroporto sem ninguém da política, imprensa ou judiciário abrir a boca.

Vi Eduardo Campos morrer de uma queda de avião no dia D, no último segundo do prazo que se não houvesse a troca por Marina, não haveria segundo turno, e quem teve prejuízos com a queda até hoje não foram compensados porque o avião não tem dono.

Vi Moro brincar de Hitler, Genoíno ir para a cadeia, Vaccari (o mais pobre dentre todos os citados) ser preso e permanecer até hoje numa cela da qual Moro livrou todos os envolvidos da Abreu e Lima só porque eram tucanos.

Vi Dirceu ser preso duas vezes num país onde corruptos aparecem mais nas telas de TV do que os artistas da hora. Vi a França enviar denúncia contra José Serra e a Suíça enviar as contas de Cunha e não acontecer absolutamente nada.
Então minha suposição é que assistir a tudo isso sem fazer nada é uma estratégia para, na hora certa, agir de forma dura para lançar tudo isso para o esgoto, mostrar pra todo mundo, esfregar na cara de quem não quer ver e recomeçar sobre novas bases.
Tenho esperado por esse momento. Não acredito que Exército, Marinha, Aeronáutica, seja compostas por covardes omissos em sua maioria, que estejam ignorando de fato, e não de mentirinha, as provas de que o alto escalão do Congresso seja composto de pessoas do alto escalão do tráfico de drogas, como nos provou o helicóptero.

Não acredito que não passem de moleques os nossos comandantes. Não acredito que os juristas sejam conviventes com o crime em sua maioria. Há bandidos de toga, mas nunca acreditei em maioria.
Também não acredito que Lula e Dilma tenham todo esse arsenal para carregar na mala quando terminar o tempo deles.
Quanto mais fundo mergulhamos na investigação dos fatos e da política, mais sabemos que só o anseio de mudar esse estado de coisas justifica a atuação nessa área.
O momento agora é decisivo, definitivo. Saberei se estive enganada ou se há um limite traçado entre o admissível e o intolerável na cabeça dos que assistem isso ainda mais de perto.
O momento é decisivo, é momento limite ao menos para mim. Já fui aqui muito criticada por dizer que se nada acontecer eu me despeço da política.

Não vivi duas vidas nem a ditadura militar para julgar a História, mas posso afirmar que no tempo em que vivi, nunca houve momento melhor para atirar tudo de uma vez no ventilador e decretar o BASTA!

Se nada acontecer e Dilma simplesmente sair, teremos atravessado o meu limite pessoal do que é admissível e tolerável.

Para mim o ativismo político termina.

Posso continuar pedagoga, posso continuar escrevendo livros ou gravando aulas sobre política, mas o que caracteriza o militante é a fé na possibilidade de mudanças.
Se Dilma simplesmente sair, não me interessa se será Temer, Aécio ou Tiririca a ocupar a presidência.

Se Dilma simplesmente sair, saio junto, e assim como ela, nessa vida não voltaremos mais.
Estou feliz de finalmente chegar o meu momento limite.

Acredito que algo acontecerá.

E serei ainda mais dedicada e atenta do que tenho sido até aqui.

Se Dilma não sair.

Por Míriam Márcia Morais(Direto da Central de Debates do Facebook)

DO ÓDIO INVEJOSO DOS MEDÍOCRES

22 jan

Por Sergio Arruda

http://blog.marciafernandes.com.br/wp-content/uploads/2011/06/
– Ao analisar Lula e seus críticos só consigo ver uma sociedade profundamente hipócrita.

Se for olhada com cuidado, constata-se um mundo de simulações.
Aprende-se a simular honestidade, só para ter respeito social.
Faz-se esforço físico, raro mental, em cursar 4 ou 5 anos de faculdades para simular cultura, como se um pepelucho com letras douradas fizesse a mágica de a transmitir.
Simula-se educação para enganar a sociedade e a própria familia e se usa moralidade com o mesmo propósito.

Lula causa espécie exatamente por ter algo que simulações não conseguem obter – chama-se AUTENTICIDADE.

Não se pode dar valor de cultura superior adquirida em livros e apostilas sobre o que se adquire na vida, na luta e relacionamentos mais ricos do que têm todos os professores somados.

Admirável é se ver homem lidando com as mais festejadas personalidades do mundo sem perder sua naturalidade. Aliás o mundo reconhece isso e o glorifica. Não traiu, não gaguejou, e mostrou sua face de hombridade a todos que não a tem e o odeiam pela inveja que sua natureza o põe acima de todos.

Compara-lo com a mediocridade de um ‘fhc’ é quase um insulto à verdade.

Existem dois grandes campos na conjuntura de hoje: golpistas e não golpistas’

15 dez

Sul21 – Jornalista formada pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS), Manuela d’Ávila foi eleita em 2004 a mais jovem vereadora de Porto Alegre, pelo Partido Comunista do Brasil (PCdoB). Em 2006, foi eleita a deputada federal mais votada do Rio Grande do Sul. Quatro anos depois, em 2010, foi a deputada mais votada do Brasil com quase meio milhão de votos. Em 2008 e 2012, concorreu à prefeitura de Porto Alegre, ficando em segundo lugar na segunda tentativa.

Em 2013, essa trajetória sofreu uma guinada radical, para os padrões da política tradicional. A deputada do PCdoB decidiu voltar a viver no Rio Grande do Sul e trocou a disputa pela reeleição a uma cadeira na Câmara dos Deputados pela eleição a cadeira na Assembleia Legislativa. Mas a mudança mais significativa foi o nascimento da filha Laura, sua prioridade e companheira inseparável desde então.

Agora, em 2015, ela aparece nas pesquisas, em primeiro lugar na preferência do eleitorado para a disputa pela prefeitura de Porto Alegre, em 2016. Em entrevista ao Sul21, Manuela d’Ávila fala sobre as razões que embalaram o seu retorno ao Rio Grande do Sul, analisa a atual conjuntura nacional e a relação desta com as eleições municipais do ano que vem. Para ela, a atual crise política modificou completamente o quadro de especulações sobre candidaturas e alianças que estava colocado até bem pouco tempo. Ela garante que não tomou uma decisão ainda sobre concorrer ou não à prefeitura de Porto Alegre e que não faz sentido especular sobre isso agora, pois há algo muito maior em jogo. A deputada adverte para o crescente clima de agressividade física entre os setores conservadores que querem derrubar a presidenta Dilma Rousseff e conta como ela e a filha Laura já foram alvo de agressões.

“Quem serão nossos aliados no ano que vem? Para mim existem dois grandes campos: golpistas e não golpistas. Há sete meses não era isso. Eu entendo que as pessoas especulem sobre a prefeitura, mas eu não sei qual o ambiente político que o Brasil vai ver daqui a uma semana, quiçá daqui a oito ou nove meses. Eu tenho um sonho de administrar Porto Alegre, mas o que está em jogo agora é muito mais sério e grave do que disputar uma prefeitura.”

Marco Weissheimer (RBA)

Você foi eleita muito jovem vereadora em Porto Alegre e depois deputada federal, com grandes votações. Mais recentemente, fez um movimento que não é típico entre a maioria dos políticos. Trocou a disputa pela reeleição a deputada federal para se tornar deputada estadual. Voltou ao Rio Grande do Sul, sendo apontada como uma possível candidata à prefeitura de Porto Alegre e, há cerca de três meses, nasceu a Laura. Isso em um momento de agravamento da crise política no país. Como definiria este momento onde se cruzam o acirramento da conjuntura política e mudanças significativas na tua vida?

Manuela D’ávila

Há muitas coisas dentro da tua pergunta que são importantes. A primeira delas é que, se eu não tivesse sido eleita tão jovem vereadora e depois duas vezes, deputada federal, e se não tivesse tido todas as oportunidades que a vida e o meu partido me permitiram ter em Brasília, talvez eu não tivesse feito esse movimento de voltar para o Rio Grande do Sul. Eu voltei por três razões que acho que a vida mostrou estarem certas. Em primeiro lugar, eu fiquei oito anos em Brasília e cumpri muitos desafios e tarefas partidárias. Presidi a Comissão de Direitos Humanos, fui líder do meu partido, coordenei a bancada do nosso estado. Eu vivi boa parte da minha juventude em Brasília, dos 25 aos 32, 33 anos de idade. Isso representa um ciclo da vida muito importante. Só que realmente eu comecei a me sentir muito distante fisicamente da minha origem política, que é o movimento social. Eu fui eleita vereadora estando no movimento estudantil. Eu me licenciei da UNE para concorrer a vereadora.

Em 2013, que foi o ano da minha decisão, já houve um prenúncio do que a gente vive agora. Eu queria entender o que estava acontecendo. Por mais que eu voltasse todos os finais de semana e por mais que a minha vida sempre tenha sido aqui, era como se o que eu tinha acumulado na minha militância antes de ser parlamentar tivesse se esgotado. Eu sentia que precisava me reenvolver, reanimar e me ressignificar nesta militância. É como se a gente tivesse uma fonte de energia e Brasília a sugasse. Para ter uma boa atuação em Brasília é preciso se dedicar 24 horas por dia. É preciso ter uma atitude de Dom Quixote o tempo inteiro. De onde tirar essa força? A minha vem do movimento social, da militância no meu partido, naquilo que eu acredito. Então, eu decidi voltar, politicamente, por isso.

Mas também houve um motivo de ordem pessoal. Eu jamais teria um filho indo e voltando de Brasília o tempo todo. É uma opção minha que tem a ver com coisas relacionadas à primeira infância nas quais acredito. Se eu ficasse mais quatro anos de Brasília, sairia de lá com 38 anos. Ainda poderia engravidar, mas decidi que só teria um filho se eu pudesse morar na mesma cidade com essa criança nos seus três primeiros anos. A terceira razão é que eu queria voltar a estudar. Um militante que se propõe a ser um quadro de um partido como é o PCdoB precisa estudar. Não sou uma fanfarrona. Sempre estudei. Eu não consegui, talvez por limite meu, conciliar uma pós-graduação com o meu mandato de deputada federal.

MW:. Você chegou a tentar fazer uma pós-graduação?

Eu cogitei fazer Relações Internacionais na UFRGS, que tinha aulas aos sábados. Mas sábado é o dia em que os deputados federais fazem roteiros pelo estado. Então, quando eu chegasse aqui teria que ir para as aulas na UFRGS e ainda fazer roteiros. A minha decisão, portanto, englobou três coisas e eu acho que agi certo. O meu mandato na Assembleia tem conseguido manter um diálogo permanente com os movimentos sociais. Assim que chegamos na Assembleia houve aquele episódio de combate às religiões afro, no qual o nosso mandato teve uma atuação muito forte.

Neste período, fiz uma cadeira como aluna especial em um mestrado na Comunicação da PUC e fui aprovada agora no mestrado em Políticas Públicas na UFRGS. E engravidei da Laura. Foi uma combinação de coisas. Mas essa combinação não foi toda planejada. A minha decisão era voltar e ter um mandato ligado ao povo. Eu engravidei um mês depois que tomei a decisão de engravidar. Tem um elemento de sorte aí. Eu poderia ainda estar tentando engravidar e poderia ter sido reprovada nas provas. Eu estudei para as provas com a Laura no colo.

Quanto ao tema “prefeitura de Porto Alegre” eu acho que não é o momento de discutirmos 2016. Não é o meu momento e tenho direito a isso. Tenho dezessete anos de militância política onde a minha prioridade foi ser militante e dirigente do meu partido. Agora, envolve outra pessoa que não sou eu e que tenho a responsabilidade de cuidar. Mas também acho que não é momento porque o clima político exija que a gente debata o dia de hoje. Especulações sobre candidaturas e alianças perderam o sentido que tinham até bem pouco tempo. Aliança com quem? Quem vai estar em que posição no ano que vem? Há sete meses, as alianças políticas se desenhavam dentro de um campo…

RBA:. A conjuntura parece ter alterado radicalmente esse quadro de possibilidade de alianças…

Mudou tudo. Quem serão nossos aliados no ano que vem? Para mim existem dois grandes campos: golpistas e não golpistas. Há sete meses não era isso. Há dois anos, era completamente diferente. Eu entendo que as pessoas especulem sobre a prefeitura, mas eu não sei qual o ambiente político que o Brasil vai ver daqui a uma semana, quiçá daqui a oito ou nove meses. Então, acho precipitado abrir esse debate agora. Eu fui candidata a prefeita duas vezes e sei que candidato a prefeito se veste para a guerra desde sempre. Eu não estou vestida para a guerra, pelas minhas razões pessoais, mas também porque acho que, quem se veste para essa guerra da prefeitura agora, não entendeu o que está acontecendo no nosso país. O que está em jogo é muito mais sério e grave do que disputar uma prefeitura. Eu tenho um sonho de administrar Porto Alegre porque amo viver nesta cidade. Eu saio com a Laura caminhando às sete da manhã e levo horas para voltar, pois adoro caminhar pela cidade.

RBA:. Na última semana, o jornal ‘Zero Hora’ chegou a anunciar que você já tinha decidido não disputar a prefeitura. De fato, já tomou uma decisão sobre isso?

MD:. Não, eu não tomei uma decisão sobre isso, mas, como eu disse, não estou vestida para a guerra pela prefeitura neste momento. A disputa central que o país vive agora não é por uma prefeitura municipal. Acho que vivemos um momento de unir forças para garantir que o Brasil siga uma democracia estável com uma economia estável. Brincar com democracia tem impactos na economia. O que o pessoal que brinca de democracia não se dá conta é que eles estão prejudicando a economia e a vida do povo brasileiro, para além do ambiente democrático. Esse é o momento que o Brasil vive.

Se, por um lado, a conjuntura parece não exigir vestir-se para a guerra para uma eleição municipal, por outro, parece justamente colocar essa exigência no tema da defesa da democracia, não acha?

Para essa guerra eu estou pintada, tanto é que os poucos momentos que eu tive de militância desde que estou de licença maternidade foram relacionados a esse tema. É para isso que a nossa militância tem que estar preparada. A eleição de 2016 vai ser uma consequência do que está acontecendo agora. Tratá-la como algo dissociado disso é algo pirado. Quem faz isso não está percebendo o que o nosso país e o nosso campo político está vivendo. Essa não é uma crise do PT. O PT tem seus problemas e tem que discuti-los internamente. O que é preciso ter em mente é que essa é uma crise da esquerda e da democracia brasileira.

A gente não sabe o que vai acontecer na semana que vem. O que o Supremo vai decidir? Vai valer aquela comissão paralela antipartidos eleita na Câmara dos Deputados? Vai valer uma comissão onde quem julga a presidente da República é um bando de gente envolvida em crimes, inclusive do Rio Grande do Sul. Não vi isso em nenhum jornal. O Bairrista debocha que, em tudo o que acontece, a gente sempre encontra um gaúcho. O cara que limpou a prancha do Gabriel Medina morou em Bagé. Agora, onde apareceu que os dois gaúchos que estão na comissão são investigados na Lava Jato? Não li isso em lugar nenhum. São essas pessoas que vão julgar uma presidenta eleita pelo povo. Esse é o grau de problemas e desafios políticos que o país vive. 2015 ainda tem muito pano para manga antes de nos preocuparmos com 2016.

RBA:. Na última semana, o vice-presidente Michel Temer esteve em Porto Alegre para participar de uma palestra e de um encontro com o governador José Ivo Sartori no Palácio Piratini. A impressão que deu a que acompanhou essas agendas, é que já havia um séquito em torno dele como se fizessem parte de um futuro novo governo. Além disso, também na semana que passou, o PSDB anunciou apoio formal ao impeachment. Como é que qualificaria a evolução deste cenário político nos últimos dias?

MD:. Acho que este é o momento mais grave que a gente vive desde a redemocratização. As últimas eleições, em 2010 e 2014, já tinham dado uma reconfigurada nos partidos tradicionais do país. O PSDB é um exemplo disso. Era um partido neoliberal, mas não era propriamente um partido conservador. Era um partido com quadros, como o próprio Fernando Henrique Cardoso, com posturas muito avançadas relacionadas a temas morais, por exemplo. Em 2014, o PSDB já virou algo novo e que não mereceu muita atenção até aqui, tornando-se um partido neoliberal conservador. Estamos tratando agora com um partido que se aliou aos segmentos mais conservadores da sociedade brasileira pela disputa de poder.

Hoje, a oposição à presidente Dilma perde completamente sua identidade e seu vínculo com as lutas democráticas. Isso era algo que não existia no Brasil. Os Democratas e o PP, que têm origem no partido da ditadura, sempre tiveram essas pautas guardadas na gaveta. Hoje, esses setores reassumem e comandam partidos que tinham um alinhamento de direita, mas não flertando com esses segmentos que na Europa já existem há muito tempo e que namoram o fascismo.

Outra coisa são os movimentos do PMDB. Em primeiro lugar, é importante assinalar que o governador Sartori, ao não assinar o manifesto contra o impeachment, frustra todos aqueles que acharam que ele tinha essa tradição democrática. Sartori, embora tenha posições econômicas bastante ortodoxas e muito próximas ao que a gente convencionou chamar de neoliberalismo, era um homem com posições progressistas. Na votação do Plano Estadual de Educação, por exemplo, o secretário Vieira da Cunha foi à Assembleia e trouxe a questão de gênero. Conseguimos vitórias que a Câmara de Vereadores de Porto Alegre não conseguiu. É óbvio que isso tem vínculo com uma determinada história de integrante do pecebão (PCB). Ao não assinar o manifesto contra o impeachment, ele esquece isso pela mera disputa de poder. Foi o que questionei no texto que escrevi em relação ao posicionamento da Luciana (Genro). Se há insatisfação popular, ele que não paga salário em dia pode ser “impitimado” também? Se vamos seguir essa lógica, qualquer coisa é impeachment. É diferente do episódio da Yeda que alguns, como o Ricardo Noblat, invocaram como comparação. A Yeda virou ré em uma investigação na época. A Dilma não.

O PMDB do Rio Grande do Sul nunca apoiou o governo Dilma. Tem cargos no governo e gosta de ter, mas nunca apoiou o governo. Então não surpreende que eles estivessem pintados ao lado do Temer, como se estivessem prontos a assumir o governo. E acho que o Temer está cumprindo o papel que ele melhor sabe cumprir, que é o de uma eminência parda que não é parda. Fica nos bastidores, como se fosse sombra, mas sendo luz. Ele tem essa característica. Foi assim como presidente da Câmara, foi assim na construção da aliança com a presidente Dilma e está sendo assim agora, um pouco mais magoado talvez, como a gente vê nas cartas que ele escreve.

RBA:. Na última semana, tivemos também o episódio da ministra Kátia Abreu jogando um copo de vinho na cara do senador José Serra, que parece indicar duas coisas. Uma delas é a elevação da temperatura dos ânimos políticos no país. Outra é uma questão de gênero que também está relacionada à figura de Dilma Rousseff como presidenta. Na tua opinião, há essa dimensão de gênero presente também na crise atual?

MD:.Sim, acho que existe. Um repórter da Zero Hora chegou a comentar que a Kátia Abreu tinha vingado a legião de repórteres maltratados pelo Serra. Todo mundo que conviveu com o Serra foi vítima de alguma piada infeliz ou de algum comentário agressivo e não apropriado dele. Essa é uma marca do Serra e todo mundo sabe disso. Esse não é, porém, um caso isolado. Todos os meses, em Brasília, nós temos algum episódio forte de gênero.

Quando saí de lá, no meu último mês, houve o episódio com o deputado Duarte Nogueira, presidente do PSDB de São Paulo. A deputada Jandira Feghali tomou um tabefe do Roberto Freire, presidente nacional do PPS. Em outro episódio, ela foi agredida verbalmente pelo deputado Alberto Fraga, que disse que, quem lutava que nem homem, tinha que apanhar que nem homem. A deputada Alice Portugal teve o microfone cortado pelo secretário da mesa da Câmara, que não era deputado. Na última sessão que eu participei no Congresso, enquanto a senadora Vanessa Grazziotin falava, deputados da oposição gritavam “vagabunda, vagabunda”. Estou falando só de alguns casos que eu me lembro de cabeça, pois a bancada do PCdoB tem o maior número de mulheres no Congresso.

O que a Kátia Abreu viveu foi algo que as mulheres vivem na política sempre. As críticas a Marta Suplicy, para falar de alguém que agora está do outro lado, sempre foram que ela se separou, que era namoradeira, que fazia plástica, que usava joias, que a saia era curta ou que a saia era comprida. Quando me elegi com uma votação elevada, disseram que foi porque eu era bonitinha. Sempre tem uma valoração do que é privado, do que é íntimo da mulher na vida pública. Sempre. É a mal comida, a mal amada ou a puta. São as duas opções: ou tu dá pra todo mundo ou não dá pra ninguém. Além disso, o que a Kátia Abreu fez é sintomático do ambiente de tensão política que Brasília vive hoje. Todas nós fomos agredidas e nenhuma de nós jogou um copo em alguém, porque o ambiente era mais tranquilo.

Em relação a presidente Dilma, desde sempre Brasília teve problemas com o fato de ela ser mulher. Lembra no primeiro governo, em que estava tudo bem e em um período de lua de mel, que ela reivindicou que os partidos indicassem mulheres para os ministérios. Teve chefe da Casa Civil mulher e Graça Foster presidindo a Petrobras. Tereza Campello foi e segue sendo uma ministra importante, Miriam Belchior era ministra do Planejamento. Houve um momento de demarcação com o fato de que Brasília não reconhece suas mulheres. E todas essas mulheres acabaram sendo escolha pessoal dela. Nenhuma delas era tida como uma indicação partidária. A própria Kátia Abreu se enquadra nesta categoria.

No caso da presidenta Dilma há um elemento agravante que é o fato de ela ser uma mulher com uma trajetória política diferente da dos políticos tradicionais que passa muito por dentro do Congresso. Ela chegou à presidência vinda de fora desse ambiente político. Talvez a caricatura do machismo do nosso Congresso seja aquele adesivo feito em Recife que mostrava a Dilma de pernas abertas no tanque de gasolina. Nunca vi algo similar acontecer com o Lula.

RBA:. Com o Lula se explorou muito o fato dele não ter um dos dedos da mão…

MA:. “O grau de agressividade física desses setores conservadores, que têm um elemento que os representa dentro da Assembleia, é assustador”

Sim, foi isso e, mais recente, a figura dele preso, com o tal de pixuleco que eles fizeram. Mas não foi o Lula com mulheres ou de pinto pra fora. Outra coisa são os adjetivos usados para se referir a ela. O tempo todo são comentários do tipo “ah, tu defende aquela puta da Dilma, aquela vagabunda da Dilma. Além disso, devemos lembrar que ela é a primeira presidente que não é a líder do seu partido. Fernando Henrique Cardoso era o principal tucano e Lula era o principal petista.

RBA:. Na tua avaliação, há um risco real dessa elevação de temperatura política transbordar para as ruas?

MD:. Eu acho que não há risco, já é uma realidade. Na última vez que ocorreu uma marcha pró-impeachment, num domingo, eu estava na rua com a minha filha e tive que voltar meio que escondida pra casa. Já fui agredida sozinha, fui agredida grávida e fui agredida amamentando a minha filha.

RBA :. Como foi este episódio?

MD:. Foi num show do Duca (Leindecker) em Garibaldi. Eu estava amamentando a Laura que estava neste sling e uma mulher se aproximou, agarrou e começou a bater no sling, perguntando se era da Coreia do Norte, de Cuba, de Miami ou de Nova York. Com a Laura dentro, ou seja, bater no sling significa bater nela. Quando eu estava grávida e houve aquele episódio do Humaniza, a minha perplexidade não foi a raiva deles, que eu conheço de muito tempo, mas sim foram os comentários deles saindo da Assembleia dizendo que não tinham conseguido me desestabilizar apesar de eu estar grávida. Eles certamente sabem como uma mulher grávida fica mais fragilizada. Eu podia ter perdido a minha filha naquele momento em que eles armaram aquele circo.

Às vezes, quando a gente fala que esse pessoal é fascista, algumas pessoas de direita reagem. Quem quiser ser neoliberal ou liberal – apesar de o liberalismo não ser nada disso que essa gente diz que é – que seja. Agora, quem agride uma mulher amamentando por diferença de opinião política, é um fascista. Se não quiserem ser chamados de fascistas, que não se juntem com essa gente. Então, não é que eu ache que o clima vai esquentar. Se o clima esquentar mais do que está, o que vai acontecer?

RBA:. A tua licença maternidade termina agora. Você deve reassumir na Assembleia ainda este ano?

MDF:. Volto para as sessões extraordinárias do Sartori. E a Laura vai junto. Algumas pessoas podem pensar que é algum privilégio pelo fato de eu ser deputada. Não se trata disso. É um direito dela, não meu, ser amamentada exclusivamente até o sexto mês. A Assembleia, que faz leis e concede esse direito a suas funcionárias, deveria fazer uma reflexão levando em conta que somos poucas mulheres na política, em idade de engravidar menos ainda, e que se não transformarmos essas mulheres em um símbolo do que nós defendemos – a amamentação exclusiva até o sexto mês -, a gente serve para quê mesmo? Fazemos um monte de discursos na semana do bebê, sobre a importância da amamentação exclusiva, do aumento de imunidade, da diminuição dos gastos com saúde. Então, esse direito é dela. Eu nem queria que ela estivesse lá, queria me dedicar exclusivamente a ela até o sexto mês como tenho feito até aqui. Mas, para garantir o direito dela, terá que ir e aguentar todos aqueles discursos.

RBA:. Como está o ambiente político na Assembleia. O acirramento do clima que ocorre em nível nacional chegou ao parlamento gaúcho?

MD:.Até aqui o ambiente na Assembleia tem sido bom e bastante respeitoso. Temos um foco de contaminação desse clima de acirramento, mas é alguém caricato que quer aparecer e, como diriam os mais antigos, se tem em alta conta. Mas é um caso isolado. Nenhum dos deputados reconhece as práticas desse elemento como práticas políticas adequadas na Assembleia. Por outro lado, é um momento muito difícil porque o governo Sartori estabeleceu um padrão de rupturas econômicas e de direitos com os trabalhadores, numa velocidade muito grande. Estou fora da Assembleia há três meses e meio. A dinâmica do governo é promover, a cada semana, uma esticada de corda, como o parcelamento e atraso no pagamento dos servidores, propostas de privatizações e extinção de fundações. O ambiente político é muito quente na política em função dessa agenda absolutamente conservadora e antagônica em relação a conquistas estabelecidas no governo Tarso Genro.

Mas precisamos ficar muito atentos. Tenho dito desde a eleição do ano passado que o grau de agressividade física desses setores conservadores, que têm um elemento que os representa dentro da Assembleia, é assustador. Na eleição de 2014, eu sempre dizia para o meu pessoal: "Eu não faço campanha sozinha”, eu tinha medo. Eu estava tomando um café com o meu marido e um cara me agrediu por causa da Palestina. Do ano passado para cá, isso só cresceu. Aquilo que o Olavo Carvalho pede, para que seus apoiadores nos constranjam, não é algo verbal, mas sim físico. Eu nunca havia processado ninguém. Agora, mudei de posição. Uma médica chegou a escrever questionando o meu parto, porque eu defendo o parto humanizado e depois de 24 horas de trabalho de parto tive que fazer uma cesariana. É um grau de loucura e fascismo impressionante. Entrei com um processo criminal contra o Políbio Braga pelas coisas que ele disse sobre mim. Atos criminosos têm que ser tratados como tal. Esses episódios demonstram que eles perderam absolutamente o controle. Não é uma brincadeira. Esse pessoal está enlouquecido mesmo.

RBA:. Você pertence a um partido que tem um histórico de enfrentamento muito duro contra a ditadura e uma memória dessa experiência histórica. Como é que está avaliando a posição da esquerda brasileira de um modo geral neste processo de crise política?

MD:. Eu estou muito feliz com o meu partido. Em dois episódios da história política recente do país, tivemos uma facilidade de nos posicionar com lucidez. Estamos tendo agora um papel protagonista neste processo de impeachment, não por conta de nossa relação com o PT, mas sim por uma questão de defesa da democracia. É até irônico. Quando querem nos atacar nos acusam de ser um partido autoritário. Mas o partido que tem mais episódios de sofrer com a falta de democracia, desde o Estado Novo e passando pela ditadura, é o nosso. A nossa capacidade de reação é muito rápida.

Acho que a esquerda, como campo político, passa e continuará passando por um grande processo de reorganização. A reflexão partidária e organizativa desse momento que a gente vive tem que acontecer. Existe algo que é a agenda que o outro lado nos impõe. Agora, por exemplo, estão nos impondo uma agenda golpista, que nos coloca como central a defesa da democracia. Mas existe também a nossa agenda que diz respeito à nossa capacidade de construir mudanças estruturais na política, à nossa forma de se relacionar com o povo. No início da década de 80, o PT reinventou uma forma de se organizar, de se relacionar com a sociedade e de absorver pautas. Eu tinha uma inveja boa de ver o Marcon, por exemplo, como deputado ligado ao MST, dando protagonismo aos que não tinham protagonismo e não só a quadros intelectuais.

Nós vamos ter que passar por isso de novo. Como é que a gente se relaciona com esses movimentos que estão surgindo, que têm uma identidade de esquerda, mas não querem se organizar nos nossos partidos? Será que eles estão errados, ou será que os nossos partidos são estruturas hoje sem capacidade de absorver essas lutas? Tendo a achar que é a segunda alternativa. Em 2001, no primeiro Fórum Social Mundial, os movimentos do nosso campo tinham um questionamento forte aos partidos. Os partidos não podiam nem participar, o que, na minha opinião, era um absurdo, pois eles são organizações que fazem parte da democracia. Nossa discussão tem que ser como tornar os partidos mais inclusivos. Isso ressurge agora. Ao mesmo tempo em que temos uma crise que atinge os governos do nosso campo no nosso continente, como vemos na Argentina e na Venezuela, também ressurge essa questão relacionada aos partidos. A nossa militância não vacilou, foi para dentro dos governos e construiu políticas e mudanças fantásticas no Brasil e na América Latina. Mas, na medida em que esse projeto vai mostrando que precisa ser renovado, a questão dos partidos ressurge.

Esse é um desafio que está diante de nós há 16 anos praticamente. Infelizmente, esse questionamento às vezes é dirigido para uma posição antipartido. Eu sou totalmente a favor dos partidos. Queremos disputar o poder e, numa democracia, poder se disputa com partidos. Mas precisamos repensar a forma de atuação dos nossos partidos e acho que isso vai acontecer, seja qual for o desfecho da crise atual.

http://www.redebrasilatual.com.br/politica/2015/12/existem-dois-grandes-campos-na-conjuntura-de-hoje-golpistas-e-nao-golpistas-5399.html

Requião relembra Banestado: roubalheira tucana desviou meio trilhão

5 out

banestado-corrupção-privataria

O senador Roberto Requião fez um duro pronunciamento esta semana sobre a mãe de todas as corrupções.

Não foi mensalão, não foi petrolão.

Foi o Banestado.

(Na época, a imprensa não dava apelido com “ão”, não fazia infográficos, charges, não fazia campanha).

Os desvios chegaram a mais de US$ 124 bilhões, ou quase R$ 500 bilhões.

Calculem aí quem souber o quanto isso significaria hoje, contabilizando a inflação.

O próprio Requião lembra que o valor correspondia a bem mais do que as reservas internacionais do Brasil.

É um escândalo totalmente tucano, mas nenhum tucano foi preso.

O juiz do caso foi Sergio Moro, alguns procuradores eram os mesmos da Lava Jato. Não fizeram nada.

Moro soltou Youssef, o principal doleiro do escândalo, e Youssef voltou a roubar.

***

Discurso de Roberto Requião.

Senhoras e senhores senadores,

Quero aproveitar hoje esse clima justiceiro que faz arder em santa ira os corações dos que levantam as bandeiras do civismo e da luta contra a corrupção, para lembrar o maior escândalo, o escândalo-mãe de todas as vergonhas e malfeitos recentes.

Vou relembrar aqui o caso Banestado, devassa feita entre os anos 1966 e 2002, época em que, como se sabe, o hoje tão indigitado partido dos trabalhadores era oposição. E o PSDB, PMDB, PTB, PFL, agora DEM, eram governo.

A investigação do caso Banestado, intitulada no âmbito policial de ‘Operação Macuco’, foi a maior investigação criminal do país de todos os tempos, e a precursora de outras grandes operações que se sucederam nas gestões dos presidentes lula e Dilma.

O caso Banestado começou na delegacia da Polícia Federal de foz do Iguaçu, para apurar o uso irregular das contas CC5 do banco, conforme menção do relatório final da CPI dos Precatórios, tendo, à época, contado com o entusiasmo e a colaboração do procurador da República Celso Três.

O inquérito mãe (inquérito 207/98 – DPF/Foz do Iguaçu) foi presidido pelo delegado federal José Castilho Neto e sua equipe de policiais federais, composta dentre outros pelos peritos criminais Renato Barbosa e Eurico Montenegro .

Em diligências realizadas em Nova Iorque/Estados Unidos, por quase seis meses, com o auxílio do FBI e do Ministério Público distrital local, foi quebrado o sigilo bancário de 137 contas-corrente da extinta agência do Banestado naquela cidade, contas que tinham como procuradores os principais doleiros brasileiros. Esses mesmos que estão aí enredados na Operação Lava Jato.

Com isso, descobriu-se, em um primeiro momento, o desvio e a evasão de divisas brasileiras no montante de 30 bilhões de dólares, o que possibilitou aos investigadores traçarem o que se chamou “mapa da corrupção brasileira”.

Com o prosseguimento da investigação, os desvios de dinheiro e a evasão de divisas revelaram-se ciclópicos, chegando à fantástica cifra de 124 bilhões de dólares.

Essa quantia jamais apurada em qualquer outro escândalo nacional envolvia, como beneficiários finais, nomes coincidentes com os de integrantes da alta cúpula do empresariado e da política nacional à época, em especial a políticos ligados ao PSDB, dentre outros.

Como não se ignora, e se ignora é porque a omissão é seletiva e altamente conveniente, o período da investigação da CPI foi dos anos de 1966 a 2002.

No entanto, o delegado Castilho, no início do governo Lula, por ordem do ministro da Justiça Márcio Thomás Bastos foi afastado das investigações, e outro delegado assumiu a presidência do inquérito.

Com isso, o rastreamento do dinheiro no exterior foi interrompido e nunca mais retomado.

Em consequência, a prova criminal ficou prejudicada, pois no crime financeiro a materialidade delitiva é o dinheiro e o seu rastro, sem o que não há prova hábil à condenação.

Ao invés de prosseguir o rastreamento do dinheiro evadido para chegar aos verdadeiros protagonistas do esquema criminoso, estranhamente, o novo delegado, com o aval do diretor geral da Polícia Federal, optou por apenas investigar em território nacional, através da operação policial intitulada “Farol da Colina”, os doleiros responsáveis pela evasão.

Setenta doleiros foram presos, com alta repercussão midiática, inclusive Alberto Youssef. Mas sem qualquer efeito prático, pois tais crimes continuaram a serem praticados, como se há de ver nos escândalos posteriores .

Os processos foram em sua maioria presididos pelo juiz Sérgio Moro da Justiça Federal de Curitiba. No entanto, ou geraram absolvição por falta de provas ou prescreveram por inércia da Polícia Federal e do Ministério Público Federal.

Nos inquéritos do caso Banestado, o doleiro Alberto Youssef foi indiciado ao menos cinco vezes, tendo sido condenado em um deles.

O banco de dados com indícios criminais, elaborado à época, serviu de base durante os dez anos subsequentes para o fomento de todas as grandes investigações de crime financeiro no país, incluindo a operação “Lava Jato”.

Esse o grande legado do trabalho do delegado Castilho e do promotor Celso Três e suas equipes.

O legado do banco de dados, o desvendamento do caminho do dinheiro, do modus operandi, a revelação dos nomes e sobrenomes dos notáveis que desviaram, a valores da época, 124 bilhões de dólares, muito mais que as reservas cambiais do Brasil então.

Especulou-se muito porque o falecido ministro e advogado de tantas causas Márcio Thomas Bastos, que efetivamente mandava na polícia federal, mudou o delegado que presidia o inquérito e os rumos da investigação.

O ex-ministro não está mais entre nós, deixemos de lado as perguntas sem respostas.

Senhoras e senhores senadores,

Com toda certeza, se o inquérito presidido pelo delegado Castilho e acompanhado de perto pelo procurador Celso Três tivesse se completado, com o rastreamento do dinheiro no exterior, não teríamos os escândalos que se sucedem ininterruptamente na última década.

Por que o inquérito-mãe, o ponto de partida para desvendar toda a trama da corrupção no país foi abandonado?

Por que nunca se seguiu o rastro dos 124 bilhões de dólares desviados para o exterior?

Como investigar os desvios de hoje sem retomar as investigações do delegado Castilho e do procurador Celso Três?

Lá estão os fios da meada. Lá estão os nomes, todos os nomes. A nomenclatura toda. Lá está a tecnologia da corrupção, da fraude, do roubo, da sonegação, da malversação, da propina, dos trambiques, das concorrências e compras viciadas, superfaturadas.

Lá estão Alberto Youssef e os setenta doleiros. Lá estão as delações premiadas, que logo em seguida foram traídas pelos delatores.

Nada, por mais espantoso que se apure hoje é novidade frente àquela desditosa investigação.

Tenho a convicção que enquanto a “Operação Macuco” não for retomada, continuaremos esse cansativo e inútil trabalho de carregar pedras até o topo da montanha, para vê-las em seguida despencar. E tudo recomeçar,

Por fim, uma notícia que confirma a seletividade de determinadas operações de combate à corrupção.

O jornal Gazeta do Povo, de Curitiba, noticiou nos dias 27 e 28, domingo e segunda passados, que a delação, devidamente premiada, de Alberto Youssef sobre corrupção no governo de Jaime Lerner, sumiu do processo. Escafedeu, evaporou-se, criou asas, ninguém sabe, ninguém viu.

Tão simples assim: a delação de Alberto Youssef no caso Copel/Olvepar, onde os meliantes levaram mais de 150 milhões de reais da empresa paranaense de energia, envolvendo figuras de proa do então governo estadual, sumiu do inquérito.

Noticia a Gazeta que a duras penas tenta-se reconstruir a delação do doleiro.

Mesmo que quisesse, não encontraria um epílogo à altura do desmonte das investigações do Banestado que essa informação sobre o desaparecimento da denúncia de Youssef no escândalo Copel/Olvepar.

E espero que todos os que se levantam contra a corrupção e os corruptos fiquem indignados como eu, diante da impunidade do caso Banestado e diante do sumiço da delação desse tão famoso e até mesmo cultuado personagem chamado Alberto Youssef.

Por fim, ao delegado Castilho, aos peritos criminais Renato Barbosa e Eurico Montenegro e ao procurador Celso Três, minhas homenagens pelo pioneirismo das investigações de lavagem de dinheiro, fraudes financeiras, fraudes fiscais, corrupção.

“Operação Macuco”, foi lá que tudo começou.

Aliás, um pergunta para o ministro Cardozo e para a Polícia Federal: por onde anda o delegado José Castilho Netto?

Fonte:. O Cafezinho ( Miguel do Rosário)

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