Archive | setembro, 2014

Marilena Chauí estranha a candidatura de uma pessoa que se diz ‘apolítica’

10 set

São Paulo – A filosofa Marilena Chauí considera problemática a candidatura de Marina Silva (PSB) à presidência da República com base nas incoerências, contradições e paradoxos da ex-senadora. Em entrevista àRádio Brasil Atual nesta segunda-feira (8), a professora da USP levanta uma série de questionamentos a Marina, a começar pelo paradoxo de uma pessoa que se diz apolítica se candidatar ao posto político mais alto da República.

“Me parece incoerente se dizer apolítico e depois buscar esse posto político. Por que, por exemplo, não organizar um grande movimento social, religioso, de justiça, já que seriam movimentos que poderiam, sem problemas, dizerem-se apolíticos? É verdade que, no caso de um movimento religioso, a coisa se complicaria porque basta vermos o que acabou de acontecer com a proposta da candidata a respeito da adoção de crianças pelos casais gay e o fato de ela ter sido chamada à ordem pelo pastor de sua congregação religiosa e voltar atrás. Eu penso que há contradições, paradoxos, tanto no aspecto apolítico quanto nessa presença de alguns comandos religiosos”, comenta Marilena.

A professora da USP lembra que Marina se diz apolítica, mas tentou organizar um partido político, e nem sequer isso ela conseguiu. “Na estrutura política brasileira atual, com todos os problemas que estão colocados, nenhum poder Executivo governa, tanto no nível federal, estadual e municipal, sem que o seu partido negocie, no Legislativo, as políticas. Na medida em que ela não tem um partido, e que ela se diz apolítica, quem vai fazer a política e quem vai negociar?”, questiona.

A professora levanta dúvidas ainda sobre as influências econômicas da candidata do PSB. “Marina tem em sua assessoria econômica nomes como André Lara Resende e Eduardo Giannetti, com o neoliberalismo elevado ao seu grau máximo. Nós sabemos que do lado dos bancos há o interesse na autonomia do Banco Central para que os juros subam até o céu e, portanto, desativem as condições da produção econômica. Com essa assessoria econômica, como ela pode propor desenvolvimento sustentável? Essa política é antidesenvolvimentista.”

Uma outra questão que intriga Marilena é sobre a ligação de Marina com o agronegócio. Inicialmente a ex-senadora rejeitava qualquer aproximação, mas hoje tem em seu vice, Beto Albuquerque (PSB-RS), uma figura ligada aos grandes produtores rurais, e recentemente teve reunião com representantes do setor sucroalcooleiro do interior paulista.

“Como pode haver desenvolvimento sustentável ligado ao agronegócio? Em segundo lugar, como fica a relação com o MST e a reforma agrária e com os índios?” Para Marilena Chauí, mesmo que ela apresente a ideia do desenvolvimento sustentável, da reforma agrária e da boa vontade na relação social, o vínculo com o agronegócio torna isso impossível. “Ela teria que nos explicar, portanto, como ela compatibilizaria assessoria neoliberal, bancária, financeira, do agronegócio e desenvolvimento e manutenção de direitos sociais.”

Marilena questiona também se uma plataforma econômica neoliberal vai dar conta das questões políticas e sociais, já que a ideia de Estado mínimo transforma os direitos sociais em serviços a serem comprados no mercado, como educação, saúde, habitação e cultura.

“Essa privatização dos direitos, que é antidemocrática, é o pilar da posição neoliberal. Com essa assessoria econômica, financeira, neoliberal, agronegócio, como ficam os direitos sociais e, sobretudo, os programas sociais? Se nós partirmos em direção à privatização dos direitos e à ideia de uma possível privatização da Petrobras, eu me pergunto se todos os recursos que o governo Dilma Rousseff coloca, a partir do pré-sal, nos direitos sociais vai acontecer. Se você privatiza os direitos e se você privatiza o pré-sal, você não realiza os programas sociais existentes e, pouco a pouco, você desativa e retorna o país à condição de desigualdade e de exclusão excessiva”, diz.

Para a filósofa, as manifestações de junho do ano passado foram canalizadas para a candidatura de Marina Silva. “Havia essa dimensão mágica, que é a ideia de que, se você quer, acontece. Essa dimensão coloca a ação política como uma coisa imediata, não deixa saldo organizativo, não prossegue, não tem uma história, não tem nada. Por isso que terminou ali, por causa dessa dimensão mágica da movimentação. Você tinha os jovens trabalhadores precarizados, a meninada de classe média rica, o pessoal da periferia… você tinha de tudo. Era muito heterogêneo.”

Na parte final dos protestos, quando houve a comemoração da redução da tarifa de ônibus em São Paulo, Marilena diz ter ficado impressionada com as agressões físicas que os jovens manifestantes receberam, não só da Polícia Militar, mas também de outros participantes. Em especial houve agressões a militantes de movimentos sociais e partidos.

“Eles foram espancados, ensanguentados. Esses manifestantes que espancavam os outros, alguns deles estavam enrolados na bandeira do Brasil e diziam ‘não tenho partido político, meu partido é meu país’. Essa é uma afirmação do Mussolini e do Hitler. É uma afirmação do fascismo e do nazismo de que há um partido único e ele é o país.”

Marilena pensa que a candidatura de Marina corresponde a essa impressão que teve do risco de parte das manifestações se encaminhar para o conservadorismo e para a direita. “Eu fiquei muito preocupada porque isso pode ir em direção ao conservadorismo. Em vez de ir no sentido de uma atitude progressista e libertária, pode ir em um conservadorismo à direita terrível.”

“As manifestações gestaram um ideário que desembocou, finalmente, na candidatura da Marina Silva. Eu sei que todo mundo estava feliz e comemorando as manifestações, teve gente que falou que era como 1968, na Europa e nos Estados Unidos, teve gente que falou que era como a Primavera Árabe. Aí, quando disseram que era como a Primavera Árabe eu pensei ‘pronto, estamos perdidos’, porque o que aconteceu no Egito é que os generais vieram e produziram uma ditadura”, diz a filósofa.

A oposição brasileira quer colher o que não plantou

8 set

Para o cientista político Wanderley Guilherme dos Santos, o Brasil investe desde 2007 em infraestrutura e políticas públicas historicamente vetadas pelas elites. Alguns frutos já colhe. Outros estão por vir

por Paulo Donizetti de Souza, da RBA publicado 08/09/2014 14:30
 
THIAGO RIPPER/RBA
Wanderley
A agenda de vetos dos governos elitistas, até 2002, era maior que a agenda positiva. A elite se unia em torno do que não queria que fosse feito

Quando escreveu a obra Quem vai dar o Golpe no Brasil?, em 1962, Wanderley Guilherme dos Santos conquistou um respeitável espaço na ciência política ao antever a tramoia civil-militar detonada dois anos depois, que interromperia por quase três décadas os avanços sociais, políticos e culturais do país. Desde então, jamais deixou de investigar as contradições e desafios da democracia brasileira. Ainda hoje, estuda de seis a oito horas por dia para quatro pesquisas acadêmicas – sem deixar de desfrutar, “a lazer”, de livros de arqueologia, romances policiais e séries do Netflix.

Com história acadêmica ligada à Universidade Federal do Rio de Janeiro, onde graduou-se em Filosofia em 1958, hoje é professor aposentado de Teoria Política da UFRJ, professor e fundador do Instituto Universitário de Pesquisa do Rio de Janeiro (Iuperj). A completar 79 anos no próximo 13 de outubro, com 18 obras publicadas, dedica um de seus trabalhos a desconstruir as contradições entre os liberais contemporâneos e a escola do pensador Adam Smith, precursor dessas teorias no século 18, mas que mesmo ele ainda pressupunha ter uma dose razoável de valores morais humanistas e solidários a sustentar as sociedades que viriam a fundar o capitalismo – “Vivemos o mundo da antipatia social”, diz.

Para o cientista, poucas vezes o Brasil tentou empreender um ciclo econômico mais expansivo para o desenvolvimento humano. Teve alguns períodos, com Getúlio Vargas e Juscelino Kubitschek, em que os avanços acabaram sendo alvos de “vetos das elites”. Segundo Wanderley, as políticas sociais iniciadas por Lula em 2003, seguidas de investimentos em infraestrutura antes negligenciados pelos governos de plantão, iniciaram um novo ciclo – mantido e ampliado por Dilma –, que permitiu ao país trilhar rumos diferentes dos ditados pelas potências do centro econômico que semearam a crise mundial de 2008. Ele acredita que o Brasil está pronto para novos saltos de crescimento em seu PIB nos próximos anos. Está em jogo nestas eleições uma disputa com a velha oposição despida de projetos, ávida para desfrutar desse legado e desviar-lhe da rota mais adiante.

Um trabalho seu de 1962, Quem vai dar o golpe no Brasil?, anteviu 1964. E hoje, o senhor vê algo que permita temer um choque de retrocesso da democracia?

Em absoluto. Em 64 havia uma fragmentação das forças políticas relevantes, além de a própria sociedade também estar muito fragmentada. Isso tornava impossível a formação de uma coalizão sustentável de apoio ao governo. Por outro lado, a oposição também estava de tal modo fragmentada que não conseguia formar uma coalizão alternativa, só conseguia formar uma coalizão de veto. E havia uma radicalização ideológica profunda que não permitia uma composição. Era impossível a negociação política. A proposta hegemônica da esquerda no período, de pressionar pela aprovação de um projeto consistente de desenvolvimento, era suicida. Isso hoje não existe.

Em um artigo recente na revista CartaCapital, o senhor fala da presença, no cenário político, dos “especuladores da moral”. Qual é a semelhança entre eles e os especuladores do mercado financeiro?

Os especuladores dos mercados financeiros lucram com expectativas. Não criam nada, captam recursos e os revendem. O lucro deles não vem da criação de produto. Vem da diferença obtida com a especulação. A mesma coisa são os especuladores do mercado político. Eles criam fatos e factoides, podem eventualmente “lucrar” algo, um acréscimo em termos de aprovação, mas sem a criação de um projeto. A fama ou o apoio que recebem não decorre de uma sugestão de valor nacional ou econômico, mas de uma expectativa. É simplesmente “vamos acabar com a corrupção”, “isso tudo precisa mudar” etc. O sucesso tanto em um caso, o especulador financeiro, quanto no outro, o especulador moral, não decorre da criação de nada. Decorre da manipulação de expectativa. É a mesma coisa.

O mundo ainda sofre efeitos da crise de 2008, mas os países do centro econômico ainda querem restaurar os mandamentos que desencadearam a crise. Os mercados podem determinar as dinâmicas dos governos?

O potencial de novas ondas especulativas escapa da possibilidade de intervenção de governos como o brasileiro e de outros países emergentes. O que cabe a países como Brasil, Índia, Argentina, México, é administrar a defesa dos efeitos negativos desses ciclos. E nesse sentido o desempenho do Brasil tem sido espetacular. Mas os empresários brasileiros ficam na expectativa das decisões do FED (o banco central norte-americano) mais que das decisões do BC. Isso mostra o caráter subordinado de uma parte da economia brasileira, e curiosamente a que tem um papel importantíssimo, uma vez que os estímulos para a expansão e fortalecimento desse segmento industrial têm sido dados sistematicamente pelo governo, pela defesa do mercado interno justamente quando acaba o mercado externo. O empresariado pouco moderno não acompanhou a transformação do país.

Fala-se muito em gargalos de infraestrutura que não deixam o país ser competitivo, o que, aliás, não é de hoje. O país deixou de fazer alguma lição de casa?

Aí é que está a questão. Durante décadas, o Brasil, seus governantes e mesmo seu empresariado nascente não estavam dispostos ou preparados nem para sonhar com um país moderno, economicamente forte, aquilo que eles diziam que queriam. Na década de 1930, o debate fundamental era se o Brasil só devia exportar ou se devia criar indústria. Então, durante todas essas décadas, em não havendo sonho da possibilidade de um país moderno, não foram lançadas as condições básicas dessa modernidade, rodovia, ferrovia, aeroportos, transportes hídricos, nada. Isso tem a ver com o PIB, hoje dito pequeno, e do qual a oposição brasileira deseja se aproveitar nos próximos anos.
O que está acontecendo agora é justamente um investimento maciço naqueles setores, nas condições absolutamente necessárias para o crescimento do PIB. Porque no contexto existente não haveria mais como crescer o PIB, não tem mais pra onde andar o agronegócio, não tem como as empresas industriais crescerem. Então, o Brasil cresceu enquanto foi possível. Para crescer mais, não tem jeito: tem de expandir isso, e isso obviamente, enquanto está sendo feito, reduz um pouco a capacidade de crescimento. Agora a partir de 2016, 2017…

A política social “cria problemas” para si própria. Excelente! O que está sendo feito é o Brasil do século 21. A fase do governo dos trabalhadores se deu em duas etapas, de 2003 a 2006 e 2007 para cá. Agora virão os grandes PIBs

Os números do PIB são confiáveis e essenciais?

O número considerado do PIB é o geral, a média do país. Se tomarmos por setores, transporte, aeroviário, portuário, seria muito diferente. O número geral dilui os indicadores e tem servido pouco para medir o que está se passando no país em termos de transformação. O crescimento do PIB do Nordeste nos últimos anos é três a quatro pontos percentuais acima do crescimento nacional. O do Centro-Oeste é PIB chinês. Como o indicador nacional inclui tudo isso e misturado, fica pequeno. Quando todos os investimentos – em geração de energia, portos, estradas etc. – que hoje estão sendo feitos estiverem em condições de operar, o PIB vai ser uma enormidade. A oposição sabe disso. E se chegasse ao governo se apropriaria. Diria: “Tá vendo? Como eles não sabiam governar, o PIB agora está crescendo”. Seria fácil, porque, até apesar dessa oposição, o PIB vai crescer. Houve o crescimento da renda e do mercado interno, está havendo crescimento da infraestrutura e descentralização da economia – o que era fundamental. A oposição quer colher o que não plantou.

A propósito de oposição, fala-se muito numa suposta necessidade de medidas impopulares, reduzir salários, promover desemprego para segurar a inflação, cortar gastos públicos. Precisa?

Do ponto de vista do manual ortodoxo da economia, e daí o meu espanto com a mediocridade dos nossos economistas de oposição, eles estão certos. Afinal, é isso que está escrito nos livros, e eles não conseguem dizer outra coisa. Mas estava escrito em 2002 também, em 2005, 2006. E a partir de 2007 o país começou a fazer o PAC, o Plano de Aceleração do Crescimento. E em 2008, quando começou a crise braba, o Lula já havia promovido um processo de substituição de consumidores. Durante muito tempo, o Brasil viveu um processo de substituição de importação. A partir das políticas de transferências de renda, de valorização do salário mínimo, de estímulo ao consumo interno, o Brasil chegou a 2007, 2008, pronto para um processo de substituição de consumidores. E isso não ocorreu a nenhum deles da oposição. Não há uma determinação divina de que a aplicação de sua cartilha seja inevitável. A espécie humana sobrevive justamente por sua capacidade de se reinventar e superar desafios. E não por reincidir em experiências desfuncionais, como essas medidas de austeridade. Como é que elas podem ser consideradas remédios eficazes para os mesmos problemas que ajudaram a causar?

Em 2006, antes da reeleição do Lula, seus articuladores argumentavam que o governo ainda devia muito ao país, pois não se resolvem 500 anos de problemas em quatro. Que ficou devendo em relação ao que havia prometido, mas que não ficou devendo a nenhum governo anterior. Esse diagnóstico ainda perdura?

No primeiro mandato, de 2003 a 2006, foram lançadas bases de uma política social que propunha distribuição de renda. Bolsa Família, valorização do salário mínimo, ProUni, redução de impostos, política de cotas, Minha Casa, Minha Vida… Agora, é preciso equacionar as reformas por onde vai caminhar o desenvolvimento, senão nem essas políticas se sustentam. Há uma lista enorme de programas criados entre a década passada e depois de 2010. Hoje, para gente que antes não existia, há a presença do Estado do berço à velhice, mas isso será sempre pouco, estará sempre aquém da capacidade de qualquer governo. A política social “cria problemas” para si própria. Excelente! Então, a partir de 2007, começa uma mudança estrutural em relação aos eixos anteriores e tudo isso deixa um legado histórico. O que está sendo feito é o Brasil moderno, do século 21, não é brincadeira. Agora é que estamos terminando a primeira grande fase do governo dos trabalhadores, que se deu em duas etapas, uma de 2003 a 2006 e outra de 2007 para cá. E agora virão os grandes PIBs.

A elite se unia em torno do que não queria que fosse feito. A ruptura com isso teve de ser enorme. Quando você mexe em algo onde não mexia há consequências. As deficiências criadas pelo avanço só pelo avanço serão resolvidas

O que definiria a ruptura com a “outra fase”?

O Pronatec já havia sido criado pelos quadros do Ministério da Educação ainda no governo Fernando Henrique Cardoso, mas o governo vetava. Já existia um programa social aqui e ali, mas que não fazia diferença na vida do país. Então, a ruptura foi em 2003, quando se dá um significado maior a esses programas e a seus efeitos. E agora continua. O que existe hoje é um conjunto de políticas destinadas a segmentos sociais que até 2002 não faziam parte dos roteiros governamentais. A agenda de vetos dos governos elitistas, até 2002, era maior que a agenda positiva. A elite se unia em torno do que não queria que fosse feito. A ruptura com isso teve de ser enorme, e está sendo. E quando você mexe em algo em que antes não se mexia tem consequências. Então, claro que há deficiências, mas criadas pelo avanço. E que só pelo avanço serão resolvidas.

A existência de mais de 30 partidos não é um entrave para o entendimento pelos cidadãos da democracia e da política como meio de ­realização de suas aspirações?

Não é a quantidade de partidos que determina se o sistema político funciona ou deixa de funcionar. A Inglaterra, por exemplo, tem 12 partidos, mas a taxa de desperdício de voto na Inglaterra, ou nos ­Estados Unidos, é fora do comum. O Brasil tem uma das menores taxas de desperdício do voto do mundo, porque aqui todos os votos contam: o seu voto para uma pessoa, mesmo que ela não se eleja, conta para a coligação. Na verdade, haveria muito menos problemas se não tivesse um segundo turno eleitoral. A necessidade de ir para um segundo turno é que faz com que você tente se apropriar de uma mercadoria criada pelo Tribunal Superior Eleitoral, que é o tempo de televisão, a moeda de chantagem dos pequenos partidos.

O senhor acha que a Marina é uma terceira via como pretendia ser o Eduardo Campos?
Marina Silva é o que há de mais atrasado dentro do espectro político brasileiro. Ela é atrasada economicamente, na concepção de sustentabilidade que tem, na modernização da política da produção, em termos de costumes sociais, em relação a tudo. É uma missionária retrógrada. E pode ganhar uma campanha contra ela, se ameaçar Aécio.

Os protestos do ano passado produziram um impacto negativo sobre a política – sem nome, sem rosto, nem classe, nem lado – e também ao PT e a Dilma. Por que os outros políticos não foram chamuscados?

Eu não tenho resposta para isso a não ser uma brincadeira: São Paulo deveria ter sido vitorioso em 1932, porque isso só acontece em São Paulo. Em Minas, que foi o terceiro estado a ter mais depredação e violência, o Fernando Pimentel (PT) está levando numa boa. E aqui no Rio, o segundo, não existe PSDB. No Rio sempre foi uma disputa ruim, mas não como São Paulo. O Garotinho é o norte atrasado do estado. Não houve nada no Norte Fluminense em junho de 2013, nem em 2012, nem em 2011, está fora do tempo. E o Garotinho que quer que continue atrasado, porque se avançar ele deixa de ser representante. O Crivella é o evangélico. Pezão é um centro mais moderno, mas não é “político”. Lindberg é aventureiro. Então, o Rio de Janeiro está essa porcaria.

O senhor escreveu que considera a mídia brasileira fechada e reacionária e que a principal vítima disso é o cidadão comum. Por que o governo não mexeu nesse vespeiro?

Eu diria que é o dilema do revolucionário. Um líder revolucionário não toma uma iniciativa se não sabe qual apoio terá. Há dois erros possíveis de cálculo: um é não tomar a iniciativa quando haveria um apoio grande, mas que não pode se manifestar porque não houve uma ação inicial, uma sinalização; outro é quando há a iniciativa e não há apoio nenhum. Eu não sei qual foi o cálculo feito pelo governo. Mas se pensa que tem pouco apoio para essa medida, está temeroso demais.

Não sei que cálculo levou o governo a não fazer a lei de meios, mas foi temeroso demais. A revolução educa. O cidadão educado e insatisfeito não querque um jornal acabe. Mas vai querer um melhor

Estaria superestimando o poder das empresas de comunicação…

Eu acho que esse foi o cálculo. Então, tem de haver um poder de persuasão. Se tomar iniciativa, poderá constatar que o mesmo povo que antes da revolução parecia não estar nem aí pode chegar e dizer “opa! era por isso mesmo que eu não estava satisfeito, eu vou nessa…” O próprio ato ilustra, ilumina, esclarece. Eu posso citar Lênin: a revolução educa. Há uma óbvia insatisfação do cidadão educado, que busca revista, jornal, procura se informar. E pra isso é que existe a política, para dar exemplo, fazer e ver o que acontece. Não vai ter censura nem restrição de liberdade. Quem não está satisfeito com o jornal vai querer que o jornal acabe? Não. Vai querer um jornal melhor.

O que o senhor acha do ensino universitário? O número de universidades públicas aumentou, algumas passam por crises. No geral, a universidade brasileira vai ajudar a construir um novo modelo de sociedade? Ou ficou voltada para formar reprodutores do sistema baseado no consumo?

O crescimento indubitável do número de universidades e de universitários fatalmente vai levar a uma redução do nível. Vai ter de haver um tempo de maturação para que essas universidades passem a ter realmente um papel maior na criação do saber. E não vejo como justo cobrá-la disso agora. Há, sim, nichos de excelência que estão botando pra quebrar. Mas o problema é que a universidade no mundo todo está ficando obsoleta, porque a taxa de crescimento do conhecimento e suas subsequentes criações tecnológicas estão a uma velocidade que a universidade leva tempo para alcançar. A universidade é uma organização, uma forma de garantir a manutenção e a difusão do conhecimento, e nela outros conhecimentos vão surgindo. O problema é que hoje a universidade difunde um conhecimento que já é obsoleto.

O mundo está perdendo a fertilidade de líderes e pensadores? Ainda vai haver inteligência capaz de propor novas soluções?

Ah, vai, de outro tipo, mas vai. Eu tenho um neto de 8 anos, ele vive num mundo do qual eu não participo. Sabe tudo, faz o diabo, tem opiniões estéticas dos filmes que vê com o pai e a mãe, sobre pintura, vai a museu. Essa cultura faz parte da formação dele. Eu sou um homem obsoleto, mas as novas gerações não são. Tenho dificuldades de incluir na minha concepção humanista certos tipos de procedimentos ou de concepções, que eles tratam de maneira perfeitamente natural.

Os empresários brasileiros ficam na expectativa das decisões do FED mais que das decisões do BC. Isso mostra o caráter subordinado de uma parte da economia brasileira

Assim como o século 19 absorveu tudo aquilo que foi criado no século 18, que foi um século de explosão cientifica. Enquanto pensadores do século 18 resistiram às novidades, os do século 19 reagiram numa boa. Isso pra mim (aponta para o computador) não é natureza. Pra mim, natureza é datilografia, aprendi numa boa; aprendi taquigrafia… Então, o problema da universidade é complicado, de longo prazo e não sei como vai ser resolvido. Eu sei que o que ela está ensinando é obsoleto, mas quais são os canais para refazer aquela junção entre a difusão e a inovação? Não faço ideia.

O senhor ainda lê muito?

Estou trabalhando em quatro pesquisas. Uma ­delas tem a ver um pouco com esse “mundo.com”, ­esse mundo novo, do ponto de vista social. Esses grupos pequenos que aparecem têm a ver com o ­processo importantíssimo da divisão social do traba­lho globalizado que está em andamento e é irrever­sível, vai tomar conta. Eu estava lendo ­ontem que o (empresário do setor de siderurgia) Jorge ­Gerdau ­está montando­ fábrica não sei onde porque­ fica mais barato do que montar aqui. Imperialismo moderno. Um produto hoje tem um componente fabricado na Austrália, outro na Inglaterra, outro no Rio Grande do Sul, e mesmo incluindo os custos de transporte, e instalando uma outra unidade não sei onde para receber tudo e montar, sai mais barato do que fazer tudo numa planta só. É o outsourcing economics. Provoca impacto nas cadeias produtivas e também nas cadeias de solidariedade entre os trabalhadores. Não há uma formação de uma identidade permanente de um certo setor, porque não tem “um” setor. Parte dos precarizados da Espanha tem a ver com isso.

E como está indo?

Eu comecei com Adam Smith (precursor da teoria do liberalismo econômico, 1723-1790) e os clássicos. Sempre houve na economia de mercado uma tensão entre o interesse material e os valores morais – simpatia, benevolência, solidariedade, nada disso junta com interesse material. Isso é uma tensão muito grande, em todos os séculos que eu estou vendo, de lá até o momento atual. Que é um momento de subversão, de recusa da tentativa de encontrar uma solução que compatibilize, é um momento de “fodam-se”. Smith desenvolveu o conceito do fundamento utilitário da simpatia social, termo com que ele explicava a origem da capacidade da humanidade, apesar da naturalidade de seu egoísmo, de imaginar-se no lugar dos outros, o que torna as pessoas conscientes de si e da moralidade de seu comportamento. E a desistência dos pensadores liberais contemporâneos em relação é isso é total. Então, é o mundo da antipatia. Estou te dando de primeiríssima mão como é que eu vou estudar o mundo moderno no qual o Brasil está entrando.

Seria o mundo da desumanização das relações?

É. Você vê aquela disputa em torno da biografia autorizada? Você transforma tudo em mercadoria, não é? A biografia só autorizada significa o seguinte: eu faço da minha vida uma mercadoria. A Paula Lavigne, é isso que ela está dizendo: “Não é que a gente não queira, só precisamos negociar…” O Roberto Carlos está vendendo a própria biografia. É claro que é seletiva. Uns pedaços que dão mais ibope. O resto ele não conta. “A vida secreta de Roberto Carlos por ele mesmo”…

Mas vai vender…

Oh! Mas, meu caro, esse é o mundo horroroso no qual nós estamos entrando. É claro que isso não vai ficar sem resposta. Nem sem reação. Esse é o inimigo. A “mercadorização” de tudo. O cálculo utilitário levado às últimas consequências

Mais de US$ 30 bilhões deixam o Brasil de forma ilícita por ano -REUTERS

8 set

 

De acordo com grupo americano, ‘dinheiro sujo’ responde por 92,7% das quantias que deixaram o País desde a década de 1960

WASHINGTON – Mais de US$ 30 bilhões em ‘dinheiro sujo’ ligado ao crime, à corrupção e à evasão de impostos sai do Brasil todos os anos, o dobro de uma década atrás, mostra estudo da Global Financial Integrity (GFI). 

O grupo de pesquisas, baseado em Washington, defende a transparência financeira. Seu levantamento aponta a precificação comercial irregular como principal modo como esse dinheiro deixa o país, respondendo por 92,7% dos US$ 401,6 bilhões de dólares que saíram do Brasil entre 1960 e 2012.

As perdas anuais são equivalentes a 1,5% da produção econômica brasileira, com média de US$ 33,7 bilhões por ano no período de 2010 a 2012 – um aumento em relação aos US$ 14,7 bilhões na primeira década do século 21.

Mas as perdas são provavelmente anda maiores, disse a GFI, considerando que suas estimativas não incluem grandes quantias de contrabando de dinheiro – método favorito de movimentar dinheiro por parte de traficantes de drogas e outros criminosos ou em negociações por serviços ou transferências financeiras entre ramificações de corporações multinacionais.

“O Brasil tem um sério problema com fluxos financeiros ilícitos, e combatê-lo deve ser uma prioridade para qualquer administração que vencer as próximas eleições”, disse Raymond Baker, presidente da GFI.

Ações do governo. A presidente Dilma Rousseff adotou uma postura firme publicamente contra a corrupção, removendo ministros e outras autoridades acusadas de atitudes irregulares. Mas os esforços de seu governo foram ofuscados por denúncias de suborno corporativo, especialmente durante a construção de projetos da Copa do Mundo.

A Petrobrás, por sua vez, está envolvida em um caso de subornoenvolvendo contratos para plataformas de produção que o Brasil, a Holanda e os Estados Unidos estão investigando.

Além disso, a economia tem patinado sob o governo de Dilma, que enfrenta uma dura eleição presidencial em outubro. Fluxos ilícitos de saída de dinheiro enfraqueceram ainda mais a economia, ao drenar recursos do Brasil que poderiam, de outra forma, ser utilizados no crescimento nacional.

O dinheiro é movimentado internacionalmente através de precificação comercial irregular, ao cobrarem a menos ou a mais por bens e produtos. No mundo todo, isso representa cerca de 80% dos fluxos financeiros ilícitos, embora no Brasil a taxa seja ainda maior.

No Brasil, a economia informal encolheu para 21,8% do PIB oficial. Ou seja, a economia regular do País cresceu, em comparação ao pico de 55% nos anos 1970, de acordo com a GFI. Apesar desta melhora, a receita alta nos fluxos de dinheiro sujo é uma preocupação.

“Por muitos anos, temos observado a reticência do Brasil de se dirigir a problemas de fuga de capital e fluxos ilícitos”, disse Baker.

Ele recomendou mais cooperação entre governos para encerrar os canais de lavagem de dinheiro e maior transparência em transações financeiras internacionais.

O mundo e o terrorismo midiático

7 set

Terrorismo_Midi_tico_

Por Dandara Lima, no site da UJS:

O terceiro encontro ComunicaSul aconteceu nessa quinta-feira (04) e contou com a presença do editor do Portal Vermelho, José Reinaldo Carvalho, e da jornalista do Opera Mundi, Marina Terra, debatendo a comunicação no cone sul e a interferência midiática no atuais conflitos pelo mundo.

José Reinaldo traçou um panorama dos conflitos atuais e sua relação com a função da mídia. Ele começou sua fala comentando o 100º aniversário da 1ª Guerra Mundial e o 75ª aniversário da 2ª Guerra, e como de tempos em tempos as potências políticas e econômicas semeiam conflitos, para exercer domínio sob riquezas naturais, combustível e rotas de comércio.

Segundo ele, a base de sustentação desses conflitos é a luta ideológica, através da propaganda, da mídia e da indústria cultural. Na medida em que os grandes veículos de comunicação se transformaram em grandes conglomerados capitalistas, que possuem laços com o capital financeiro, a luta ideológica se tornou unilateral, pois a diversidade de proprietários diminuiu.

“O monopólio nesse setor não é exclusivo do Brasil, no mundo inteiro existe meia dúzia de canais, agências de notícias, jornais impressos e estúdios cinematográficos que controlam esse setor. A notícia produzida hoje e distribuída para todo o mundo, possui o mesmo texto e uma só versão”, declara José Reinaldo.

Na medida em que chegamos nesse grau de unilateralidade podemos falar em terrorismo midiático. Temos uma só ideia fabricada cotidianamente e bombardeada pelo mundo sem contraponto. É a ditadura do pensamento único.

De acordo com ele, esse terrorismo se tornou uma das armas mais importantes da grande burguesia para exercer sua dominação e justificar suas guerras e as suas ações. O terrorismo midiático é a continuação do plano da luta de ideias das políticas imperiais.

“A arma principal dessa guerra midiática é a mentira. A mídia se transformou em uma usina de mentiras”, afirma José Reinaldo.

Para ele os principais eixos dessa usina são: 1) A exaltação do modelo econômico capitalista imperialista neoliberal como modelo ideal de funcionamento dos países e da economia; 2) A exaltação do modelo político da democracia burguesa como único modelo capaz de assegurar a democracia; e 3) A venda da ideologia burguesa e de seus teóricos como a única ideologia viável e a única capaz de assegurar as liberdades individuais.

Sendo uma usina da mentiras e estando a serviço da política de guerras do imperialismo, através do que ele chama de terrorismo midiático, a mídia fomenta crises contra regimes democráticos, golpes de estado contra governos progressistas, guerras, magnicídio (assassinato de presidentes), entre outras coisas.

Para fomentar esses conflitos a mídia possui o seguinte roteiro: 1) Demonização do presidente – começa a construir uma imagem de golpista, ditador, ou genocida (Venezuela, Cuba, Líbia, Síria, Ucrânia); 2) Apropriação de manifestações populares, inflando alguns grupos; 3) Criação de um ambiente favorável a uma operação militar, usando principalmente a questão de violação de direitos humanos.

O conflito Israel e Palestina obedece a esse roteiro. A mídia justifica o massacre a Gaza com a desculpa da “guerra ao terror”.

“Gaza é o maior campo de concentração do mundo, não entra água, comida ou remédios. As lideranças daquela região não iam assistir a isso de braços cruzados, e acabaram ganhando o título de terroristas pela mídia controlada pelo lobby imperialista sionista. O Hamas pode errar na metodologia, mas eles tem razão, estão defendendo o seu povo da ocupação e da violência de Israel”, declara José Reinaldo.

A construção da imagem do Oriente Médio como um local atrasado também seguiu esse roteiro.

Ele encerrou sua fala dizendo que nesse momento está em construção uma operação militar na Ucrânia.

“A população venezuelana não confia na mídia”

Marina Terra, jornalista do portal Opera Mundi falou sobre sua cobertura das eleições presidências venezuelanas do começo do ano, do golpe midiático de 2002, e do atual modelo de comunicação da Venezuela.

A Lei Orgânica de Telecomunicação da Venezuela foi aprovada em 2000. Na primeira eleição de Hugo Chávez, em 1998, 80% do espectro televisivo aberto era explorado por empresas privadas, atualmente com a aprovação e aplicação dessa lei, baixou para 60%.

O enfrentamento de Chávez contra o monopólio da comunicação levou ao golpe midiático de abril de 2002, instigado principalmente pelos canais RCTV e Globovision. De acordo com Marina, nessa época existia um programa de televisão que terminava com os apresentadores batendo em um boneco com o rosto de Hugo Chávez.

Ela contou também que a população não sabia o que estava acontecendo, os canais não davam notícias sobre Chávez. Grupos de pessoas se organizaram para distribuir panfletos, para avisar a população que Chávez não tinha renunciado, segundo ela “uma espécie de Twitter físico” e que deu certo.

Quando Chávez retorna ao poder ele continua enfrentando forte oposição midiática. Segundo ela, mesmo com os espaços recuperados com a Lei Orgânica, que permitiu a criação de veículos comunitários, há um conflito entre chavistas e oposição, o que se produz de informação é usado como munição, propaganda e contrapropaganda. De acordo com ela, após o golpe de 2002, a população venezuelana não confia na mídia.

“A grande trincheira escolhida pela mídia governista é a internet. Esse conflito entre o governo e os grupos econômicos que ainda controlam os veículos de comunicação não vai mudar tão cedo. Todas as tentativas de mudanças tiveram reações muito fortes”, afirma Marina.

Para ela os episódios de março e abril mostram esse quadro e a grande influência que a mídia internacional possui. As manifestações lideradas por Leopoldo López e o assassinato de algumas pessoas tiveram repercussão imediata nos jornais internacionais, inclusive com montagens de manifestações de outros países como se fossem na Venezuela.

“Tiveram episódios de você estar em algum local e ver pelo Twitter pessoas e jornais alegando que esse local estava pegando fogo, mas você está lá e o local está normal. Ficou muito claro que a matriz de desespero e de instabilidade foi produzida pelos meios de comunicação”, comenta Marina.

Ela conta também que era normal fotógrafos de veículos internacionais dirigirem as cenas, pedindo para a pessoa ajoelhar, abrir a bandeira, entre outras coisas. E que quando questionados sobre isso, contavam que tinham um roteiro para seguir.

* O encerramento dos Encontros ComunicaSul acontecerá na próxima quinta-feira, dia 11 de setembro, a partir das 19h no ECLA (Rua da Abolição, 244,Bixiga), e terá a apresentação da primeira parte do documentário “Batalha do Chile”, em memória dos 41 anos da morte de Salvador Allende, e depois discotecagem de Radio Maíz.

 

A saudade tardia. por Sergio Ricardo

5 set

 

 

Que filhos, em sua maioridade, atribuam erros a seus pais pela educação que receberam, ou pouca fortuna que lhes legaram, ensinamentos, juras, vida enfim com sua escala de valores e bens, e os condenem desejosos de terem tido pais diferentes que os pudessem regalar melhores condições e uma existência melhor, para depois de maduros caírem em si, pelas razões dos equívocos que os levaram a seus arrependimentos e passarem a respeitá-los por suas incríveis conquistas à mão, com amor, tudo bem.

Muitas das vezes depois de suas mortes, quando a saudade se faz tardia, deixando um gosto amargo na boca e na alma do filho a mastigar sua ingratidão pelo resto da vida. Tudo bem que este seja um crime sem castigo, por ser comum no seio das famílias em qualquer parte do mundo no processo de evolução de cada cidadão.

Mas é muito estranho, que num país como o nosso este mesmo processo tenda a se repetir na ingratidão de nosso povo em relação a seus governantes, especificamente no momento atual: na multidão de filhos de nossa nação solicitando mudanças, como a desejar novos tutores transgênicos que se candidatam a padrastos do país, mancomunados com tradições entreguistas, nitidamente escancaradas, vencidos pela boataria dos meios de comunicação claramente manipulada, a encobrir os verdadeiros fatos e a induzir seu senso juvenil a aceitar mudanças inverossímeis, como se todos tivessem sido enganados por seus pais verdadeiros, naturais.

Mais orgânicos impossível: um que veio do útero do povo com seu sotaque, sua alma, sua coragem de transformação elevando a moral do pais e outra que brotou das grades da tortura a defender seus descendentes vicerais, conquistando ambos o respeito à cidadania de seu povo, construindo um lar invejado pelo mundo, lutando com unhas e dentes para ampará-los, convivendo com abutres a impedir conquistas, para que não sugassem o sangue de seus filhos que ficam por aí, hoje, a lamber sola do sapato de candidatos a padrastos como se estes fossem leva-los ao Nirvana.

Ingenuidade infantil e imensa ingratidão que só será descoberta ao levarem as chibatadas do atraso político do pais projetado nessa ilusão desenhada em pranchetas dos carrascos da humanidade.

Tenham a santa paciência meus irmãos de sangue da mãe pátria. Cresçam. Acordem e vejam a merda de retrocesso que nos vai levar ao descomunal e tardio arrependimento quando seu pai Brasil sucumbir, amargando uma saudade tardia.

Sergio Ricardo

Sergio Ricardo

O Pensador da Aldeia:. Operação Condor II

3 set

Esse avião do Eduardo Campos não caiu por acaso.

Insisto nesta hipótese por mais excêntrica que ela seja.

Conspirações acontecem aos montes na história, sobretudo na história latino-americana. É só estudá-la.

A direita brasileira e o imperialismo norte-americano não querem engolir mais quatro anos de Dilma com possibilidade de retorno de Lula em 2018.

Há o Pré-Sal, nossa galinha dos ovos de ouro.

Há o BRICS.

Há toda essa integração latino-americana como nunca houve.

Tudo isso contraria a hegemonia e os interesses dos EUA.

Já que o massacre covarde da máfia midiática brasileira contra o PT e o governo Dilma não aniquilou um nem outro durante os últimos doze anos,

já que as tentativas de golpe branco, como o “mensalão”, também fracassaram,

já que Aécio Neves não animou o eleitorado brasileiro, uma tragédia como a de Eduardo Campos poderia tirar a eleição presidencial do marasmo e reverter o quadro.

E nada melhor do que Marina Silva, que curiosamente não estava naquele avião com Campos, para lucrar com essa tragédia, uma personagem perfeita para embevecer o imaginário sentimental do brasileiro e liderar a retomada do governo brasileiro para a pior direita. Operação Condor II.

%d blogueiros gostam disto: